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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

25
Set20

As contas do Sporting Clube de Portugal


Pedro Azevedo

Antes de falar sobre as contas e orçamento do Sporting Clube de Portugal (e não da Sporting SAD) gostaria de fazer um pequeno preâmbulo. Logicamente, eu tenho as minhas crenças sobre a matéria em causa, leia-se, sobre o que tem sido a gestão do Sporting e da sua participada Sporting SAD. Acontece que as minhas crenças se materializam nas minhas razões, e não tomando eu cuidado com isso facilmente se transformariam no meu ego face a outros egos. Esse tem vindo aliás a ser historicamente um dos grandes problemas do clube, o que associado a uma imprudente e irrealista gestão nos conduziu até aqui. Ora, muito mais importante do que as minhas razões são as razões do clube, expressão colectiva que não vale só por si mas sim deriva da soma dos vários indivíduos para os quais ele é relevante e onde se destacam obviamente os seus associados. Nesse sentido, a minha preocupação neste momento é com o todo e a escolha que farei no próximo Sábado em AG terá exclusivamente a ver com o sentido colectivo que dou às coisas através de uma acção individual que pretende fazer alguma diferença, o mesmo aliás que me faz procurar prevenir conflitos de interesse e tráfico de influências no meu clube e no futebol português através da sugestão de medidas concretas vertidas em regras e procedimentos em detrimento de massagear o ego em protesto com o "status quo" como D. Quixote das segundas-feiras. Apesar disso, independentemente do meu sentido de voto, o fundamental neste clube deve ser a criação de um espaço de tolerância onde as ideias, ainda que opostas, se possam discutir construtivamente, com urbanidade e sem dissidências definitivas nem processos de intenção. Esse é o clube com que sonho, o clube que na minha meninice vivi e aquele que não podemos permitir que nos seja roubado pela sucessão de acontecimentos e por gente que, não deixando de ser Sportinguista, está bastas vezes mais preocupada com o seu umbigo do que com o interesse comum ou, por outro lado, se torna obsessiva na consumação de uma paixão que se pretende seja obviamente entusiástica mas também vivida de forma harmoniosa entre todos. Nesse sentido, prezo o ideal de um Sporting democrático onde todos possam comungar da sua paixão. Até pela forma como esta AG, espaço de consulta aos sócios, foi sendo protelada, admito que também isso venha a ser referendado no Sábado.

 

Posto isto, aqui ficam as minhas impressões sobre os indicadores disponíveis: a primeira constatação é a recorrente reserva da parte dos auditores em relação ao método de equivalência patrimonial usado pelo clube que permitiu reconhecer como valor nulo as participações financeiras do clube em entidades cujos capitais próprios eram negativos à data de fecho das contas. Segundo a PWC, caso o clube tivesse reconhecido as responsabilidades que resultam das perdas apuradas nas suas subsidiárias, haveria que acrescer cerca de 257M€ ao Passivo e cerca de 265M€ em Resultados Transitados negativos. E que subsidiárias são essas? Olhando para o R&C, aqui fica a lista completa, com a participação financeira do clube entre parênteses: SAD (26,66%), Soc. Promoção Imobiliária - Quinta das Raposeiras (100%), Sporting Comunicação e Plataformas (100%), SGPS (100%), Construz - Soc. Promoção Imobiliária (100%), Verdiblanc I, II, III e IV (cada uma delas detida a 100%) e Fundação Sporting (100%). Relembro que, exceptuando a SAD, não se conhecem os Resultados discriminados de todas estas empresas do Grupo Sporting. Trata-se de uma situação recorrente (a sua menção nas notas de auditores está presente pelo menos desde 2012, mais antiga data disponível no site do clube, e independentemente da evolução desses valores até será muito anterior a isso), como tive oportunidade de mencionar inicialmente, mas não deixa de ser muito preocupante. Adicionalmente, este exercício ficou marcado pelo aumento do endividamente do clube junto da SAD em cerca de 12,7M€, para uns actuais 17,4M€. Não existe explicação no referido R&C para esta situação, mas é certo que ela não decorre exclusivamente de acertos entre participadas, na medida em que o Activo das entidades relacionadas cresceu apenas 3,6M€, o que não compensa este acréscimo de Passivo. De referir ainda que o Resultado Líquido do exercício se saldou num lucro de 74 mil euros. Porém, analisadas as transacções entre partes relacionadas, retira-se que o Sporting teve um Resultado entre rendimentos e custos com a SAD de cerca de 180 mil euros e de 2,164M€ com a Sporting Comunicação e Plataformas, empresa da qual não se conhecem as contas (mais 50 mil euros facturados à Construz). Esta situação aliás não é original, pois já em 2019 o Resultado das transacções com a SAD fora positivo em 1,4M€ e o Resultado das transacções com a Sporting Comunicação e Plataformas tivera um lucro ligeiramente superior a 2M€. Curiosamente, a Sporting Comunicação e Plataformas é a grande responsável pela subida do Activo do Sporting neste período, dado o incremento da sua dívida para com o clube em cerca de 2,7M€.

 

Em relação ao Orçamento, há um já expectável ajuste das receitas e dos custos ao cenário da Covid-19. Porém, como habitualmente o diabo está nos detalhes e na rúbrica "Outros Rendimentos e Ganhos" o mecanismo de equivalência patrimonial justifica um aumento previsível dos Proveitos em cerca de 40% (para 585 mil euros). Nos Gastos, prevê-se uma queda de cerca de 1M€ nos Honorários (atletas), o que apesar de significar uma descida de 11% não será só por si uma razão definitiva para a assumpção de uma menor competitividade das nossas equipas, vis-a-vis os frutos de uma maior aposta na qualidade existente na Formação aquando da definição dos plantéis. O Orçamento para 2020/21 pressupõe um Resultado positivo de 89 mil euros.

13
Abr20

Factura vs fartura


Pedro Azevedo

Diz o jornal A Bola que o Sporting facturou 155,45 M€ em vendas de jogadores, em ano e meio de actividade da Direcção presidida por Frederico Varandas. Pensei que era motivo suficiente de festejo e preparei-me para abrir uma Dom Pérignon que guardara para uma ocasião especial. No entretanto, fui dar uma vista de olhos aos Relatório e Contas de 2018/19 e do 1º semestre de 2019/20 à procura dos grandes lucros. Li, reli e concluí que o Resultado acumulado desses 2 exercícios tinha sido negativo em 5,049 M€. Para além disso, não só o Balanço como os indicadores disponíveis através do Transfermarket mostravam um enfraquecimento profundo do valor do plantel em igual período, mesmo considerando a aquisição de 14 novos jogadores. Lá voltou a Dom Pérignon à despensa...

 

P.S. Mesmo considerando a transferência de Bruno Fernandes, ocorrida em Janeiro de 2020, o valor total bruto de vendas acumulado desde 1 de Julho de 2018 é de 178,75 M€. O valor liquido das vendas (expurgado de gastos com transacções), incluindo a trf de Bruno Fernandes (comissão anunciada de 5,5 M€), é de 150,908 M€ (poderá faltar aqui outro valor recebido durante o mês de Janeiro de 2020 que perfaça os tais 155,45 M€ anunciados, o qual já será visível aquando da publicação do R&C de Março de 2020). Entre 1 de Julho de 2018 e 31 de Dezembro de 2019, o valor liquido das vendas de jogadores foi de 101,408 M€ e o bruto de 123,75 M€. Nesse ano e meio, a SAD apresentou um prejuízo acumulado de 5,049 M€.

03
Jun19

As contas da Sporting SAD


Pedro Azevedo

Ao lermos o R&C do 3º Trimestre de 2018/19 verificamos que:

 

  1. Os Custos com Pessoal continuam a níveis insustentáveis, prevendo-se que terminem o exercício anual entre os 68 e os 70M€;
  2. Os Fornecimentos e Serviços Externos continuam a crescer nestes 9 meses face ao período homólogo de 17/18 (+3M€);
  3. Preocupantemente, não houve qualquer corte nos Gastos Gerais Administrativos nestes 9 meses face ao período homólogo da época anterior, orlando estes os 80M€;
  4. Os Proveitos Ordinários (expurgando Champions e vendas de jogadores) desceram ligeiramente face ao período homólogo, essencialmente devido à venda de gameboxes (-13,7%), pese embora a melhoria verificada na venda de bilhetes para a Liga Nacional (+10,8%);
  5. O peso da rúbrica Amortizações é cada vez maior e afecta o Resultado Líquido do exercício. A 31 de Março de 2019 está nos 17,8M€ (+2,3M€ face ao período homólogo);
  6. Sem a venda de jogadores, o Sporting teria perdido mais de 42M€ nestes 9 meses de actividade;
  7. O Resultado Operacional sem venda de jogadores foi de -18,6M€ (9 meses). A este valor ainda é preciso somar o valor das amortizações e o Resultado Financeiro (essencialmente custo do passivo), ambos de valor negativo, para se obter o Resultado Liquido;
  8. O Passivo cresceu cerca de 45M€;
  9. Os Capitais Próprios da Sociedade estão negativos em 21,4M€;
  10. Apenas no Trimestre entre 31 de Dezembro 2018 e 31 Março 2019, a Sporting SAD registou um prejuízo de 12,3M€;
  11. O Resultado Líquido dos 9 meses de actividade foi negativo em 5,9M€.

 

Conclusão:

 

  1. A gestão em cima do trapézio já vinha do segundo ano de Bruno de Carvalho com Jesus. Sem Champions, o Sporting entrou neste exercício sem rede. Restava a venda de jogadores, mas com as rescisões ficámos sem hipótese de tapar o "buraco", pelo que o equilíbrio perdeu-se e a queda pode sentir-se neste R&C. Houve que promover acordos. (Há quem diga que podíamos ir para Tribunal, mas isso não resolveria o problema da liquidez, imediata e de médio-prazo.) A Comissão de Gestão não atalhou imediatamente o problema dos Custos com Pessoal e a situação também não foi devidamente compensada em Janeiro, pese embora as saídas de Montero ou Nani (este último, um dos melhores jogadores da equipa). Enquanto isso, muitos jogadores sem o rendimento desportivo adequado continuam a pesar na conta de exploração e ainda contratámos 6 novos jogadores (Ilori, Borja, Luíz Phellype, Doumbia, Matheus Nunes e Plata), para além dos membros que vieram engrossar o staff da SAD (Scouting e Formação). Continuo a pensar que é possível termos Custos com Pessoal perto dos 50M€ e uma equipa competitiva, à semelhança do ocorrido em 2015/16. Para que tal aconteça, bastará eliminar "gorduras" desnecessárias. Os sócios querem sempre os cromos todos, mas uma Direcção tem de ser racional e saber distrinçar entre quem é fundamental e quem é acessório. Talvez assim se compreenda porque é que entendo que Gudelj, Petrovic, Misic, Jefferson, Borja, Ilori ou Diaby (além de Viviano, Alan Ruiz, Mattheus Oliveira,...) não devem ter lugar num futuro plantel, e porque é que, no meu entendimento, a putativa contratação de Eduardo (bom jogador) faz pouco sentido à luz de contratações efectuadas em Janeiro último e dos constrangimentos evidentes em termos financeiros e de liquidez. Qualquer jogador que venha tem obrigatoriamente que fazer a diferença. Caso contrário, acrescentará ao défice e impedirá a valorização de quem já cá está (Doumbia, Matheus Nunes, Battaglia, por exemplo). Não privilegiando a qualidade em detrimento da quantidade, vamos continuar a ver chegar a Alvalade jogadores em que a SAD não é detentora de 100% dos Direitos Económicos, outro motivo de preocupação. É que, se houver uma emergência que requeira uma venda, o rendimento daí proveniente será afectado.
  2. A não qualificação para a Champions, as rescisões e a entrada em vigor da DMIF2 no sistema financeiro, contribuíram largamente para a situação caótica da Sporting SAD no início deste exercício. Introduzindo mais risco (optando por mais Beta, em detrimento de gerar Alpha), a SAD acabou exposta à Lei de Murphy. Assumindo a questão das rescisões como um imponderável, o erro que se pode e deve apontar a Carlos Vieira (e restante Administração) é o facto de não ter antecipado uma emissão obrigacionista, sabendo que em 1 de Janeiro de 2018 entrava em vigor a DMIF2, a qual iria escrutinar muito mais as alocações de investimento (activos) da banca aos seus clientes. Concomitantemente, alterações na contabilização de imparidades, consequência do pós-2008, levaram a banca a evitar o envolvimento com os clubes de futebol. 
  3. Nada disto obstaria a que se tivesse reagido mais rápido neste exercício. A Sporting SAD tem níveis de GGA insustentáveis neste momento. A indefinição sobre a composição do plantel ( jogadores que regressariam pós-rescisões) teve influência óbvia, mas na minha opinião também não foi devidamente aproveitado o Mercado de Inverno e os sinais para o futuro não indicam uma reversão significativa destas políticas. 
  4. Esta nova não-qualificação para a Champions acentua a necessidade de racionalizar os custos. Ou mantemos os 8/10 melhores jogadores (e apostamos na Formação) e vendemos os restantes, ou arriscamo-nos a ter de vender desordenadamente (a preço abaixo do ideal) os nossos melhores jogadores para fazer face aos nossos compromissos financeiros. Adicionalmente, nada se alterando, num prazo de 6 meses estaremos de novo a antecipar créditos da NOS. 
  5. Será que só quando já não houver nada para antecipar (proveitos) é que vamos fazer aquilo que deve ser feito?

 

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