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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

19
Abr21

A Superliga Europeia


Pedro Azevedo

Doze clubes europeus de três países diferentes pretendem arrancar com a Superliga Europeia. O desejo não é novo e esteve até anteriormente na origem da cedência da UEFA que provocou uma maior assimetria de distribuição de dinheiro entre clubes históricos fora dos Big 5 e emblemas de Espanha, França, Itália, Alemanha e Inglaterra no que diz respeito à disputa da Champions League.

 

Escrevi na altura aqui que a cedência da UEFA havia sido um erro porque a via como uma ameaça à sustentabilidade do futebol. Primeiro nos países periféricos, depois mesmo no grupo dos Big 5. Eu entendo o que estes 12 clubes pretendem. No fundo querem replicar o modelo da NBA, controlarem eles próprios as suas receitas e eliminar a incerteza quanto aos seus proveitos decorrente de uma má prestação desportiva na competição doméstica. Imaginam assim um futuro onde não haverá uma UEFA a tomar-lhes parte dos proveitos e onde as receitas pingarão abundantemente com uma periodicidade anual. Até aqui parece-me tudo bem. Simplesmente, do que esses 12 clubes (e pelo menos outros 3 que se lhes associarão) estão a esquecer-se é que sem os clubes periféricos (actualmente já em queda acentuada devido à nova distribuição, provocada pela pressão anterior sobre o organismo, de clubes e dinheiros na Champions)  os ordenados e as transferências explodirão para valores estratosféricos que tornarão insustentável o negócio do futebol. E isso acontecerá, não tenhamos dúvidas, a partir do momento em que históricos como o Feijenoord, Anderlecht, Estrela Vermelha, Steaua Bucareste, PSV Eindhoven ou os nossos Sporting, Benfica e Porto, minados pela falta de receitas derivadas do abandono dos patrocinadores, fecharem as portas e, por conseguinte, deixarem de apostar na formação. Sem celeiro europeu para irem buscar o milho de que necessitam a preços em conta, aos clubes que vierem a integrar a tal Superliga restará a médio-prazo comprar jogadores entre si a preços exorbitantes.

 

Não tenho dúvidas de que a Superliga irá para a frente e temo que a UEFA acabe por ceder e reconhecer a competição. Tal aliás aconteceu no basquetebol europeu quando um grupo de clubes, onde curiosamente também constam Real Madrid e Barcelona, criaram a Euroliga, torneio organizado pela Euroleague Basketball. Também aqui a FIBA (a UEFA do basket) prometeu excluir esses clubes e não permitir que os seus jogadores integrassem as selecções nacionais, mas acabou por contemporizar com a existência dessa liga milionária que faz com que a sua Champions seja uma competição de terceiro nível (há um segundo escalão no certame da Euroleague).

 

Vejo a Superliga como um loose-loose, em que no fim os clubes e o futebol perderão. É que ao contrário da NBA, que no recrutamento se apoia nas universidades (não há custos de transferência), no futebol os maiores clubes europeus precisam dos não tão grandes. Porém, temo que no actual cenário a ganância venha a imperar e já não se possa parar este comboio desgovernado. E é pena, desde logo porque para tal também contribuiu o facto dos direitos dos clubes não estarem a ser salvaguardados quando os seus jogadores se encontram ao serviço das selecções nacionais. Não só os clubes não são devidamente remunerados pelo empréstimo como o risco de lesão dos jogadores aumenta. E aquilo a que se tem vindo a assistir é a uma progressiva densificação do calendário competitivo das selecções, a qual inversamente vem determinando cada vez maiores paragens dos jogos dos campeonatos nacionais. 

 

Em suma, tenho severas dúvidas sobre a sustentabilidade do próprio modelo da Superliga. E creio que os seus alicerces abanarão por completo a partir do momento em que aos custos descontrolados (mesmo admitindo a existência de um tecto este não será certamente baixo e os jogadores e seus representantes saberão jogar com a situação de dissidência deste lote de clubes) se somará o incremento das taxas de juro um pouco por todo o mundo (não ficarão para sempre em zero), aumentando os custos do elevadíssimo financiamento e criando a tempestade perfeita que penalizará os gananciosos. Infelizmente, haverá muito poucos clubes que se ficarão a rir. No fim, perderá o futebol, perderá o povo. 

PS: Haverá ainda a questão das regras pelas quais esses clubes se subordinarão, nomeadamente aspectos relacionados com o modelo de financiamento e entradas de capital de países que veem no futebol uma forma de melhoramento da sua imagem internacional, situações que até hoje têm passado incólumes é que vêm contribuindo para maiores assimetrias no futebol mundial. 

26
Mar21

A ilusão do $upporter


Pedro Azevedo

Há um certo tipo de adepto do futebol português para quem o milhão exerce muito mais fascínio que o golão. Para este $upporter, a Formação é vista como o porco que é preciso apressadamente entoirir até ao cachaço para a matança, afiando o dente de cada vez que a imprensa o encandeia ao dar eco de valores miríficos que até as melhores lavandarias ou estratégias geopolíticas de estados soberanos têm pudor em acompanhar. A coisa cria alguma perplexidade, desde logo por não se entender que o adepto pretira a degustação de um menu de Guia Michelin ao deslumbramento sobre um evento onde não tem sequer lugar à mesa. É que no dia da matança quem habitualmente se empaturra à grande e à inglesa (o equivalente à francesa quando o menu é futebolístico) nem é afecto ao clube (empresários de jogadores), apenas quer ter um "Good Year". Sendo assim, em termos de analogias que envolvam recos eu prefiro a do porquinho-mealheiro. Não há nada como ir poupando cêntimo a cêntimo e não ter de vender. Não gastando superfluamente em compras na Feira de Carcavelos, não se endividando, tirando rendimento daquilo que desde cedo se foi produzindo com um controlo de qualidade que ao longo do tempo se foi monitorizando e atestando. 

 

Alegorias à parte, formar para ganhar e nesse processo manter custos controlados deve ser o paradigma. Formar, pensando na lógica da venda posterior, é apenas uma construção falaciosa e novo-riquista que como abundantemente se tem visto não garante a sustentabilidade no futuro nem cria no jogador um compromisso com o clube. Um jogador de futebol contabilisticamente é um activo. Tem um valor (preço, aquando da compra/venda), um rendimento e uma data de expiração. Mas não é uma acção, uma obrigação ou um sobreiro, tem pensamento próprio, expectativas. Saber gerir o momento de saída de um jogador será uma ciência. Mas a venda deverá sempre ser suscitado por ser uma boa oportunidade para ambas as partes e haver quem substitua o atleta com um custo salarial igual ou menor, e não por a tesouraria necessitar da venda para pagar salários. Até porque os jogos ganham-se com os melhores e a economia está cheia de exemplos que nos mostram que a produção não é infinita e há custos de oportunidade. Para além de que o que verdadeiramente mata do ponto de vista financeiro os clubes é o desequilíbrio entre custos e proveitos ordinários, e isso é uma ilusão pensar-se que se resolve sucessivamente com vendas de jogadores. A história está aí para o provar, pelo que nenhum clube será capaz de sobreviver a médio/longo prazo se não tiver custos de estrutura eficientes e um sólido crescimento dos proveitos fora da actividade de trading de futebolistas. Esse aliás é o único caminho para a perenidade de equipas competitivas no plano desportivo. E para continuar a vencer no futuro. 

P.S. A única equipa fora das Big5 que se conseguiu apurar para umas meias-finais da Champions (esteve a 1 segundo da final) desde 2010 foi o Ajax. A época foi a de 18/19. Dois anos antes o mesmo Ajax havia sido finalista da Liga Europa contra o Manchester United de Mourinho. A base da equipa era a mesma. 

20
Dez19

Quarteto Brega contra a Quadriga Mafiosa


Pedro Azevedo

Amanhã, pelas 17h30, em Doha, no Qatar, Flamengo e Liverpool defrontar-se-ão para apurar o campeão mundial de clubes. Jesus confia na sua principal arma, o quarteto formado por Bruno Henrique, Evandro Ribeiro, Gabigol e Arrascaeta; Klopp aposta nos puro-sangue da frente do ataque: Mané, Firmino, Origi (suplente que faz muitos golos) e Salah. Quarteto BR-E-G-A contra Quadriga MA-FI-O-SA, no fim quem será mais intratável (ou mostrará piores "maneiras")?  

liverpoolflamengo.jpg

(Montagem: alma-lusa.blogs.sapo.pt)

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