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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

03
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - O sentido da vida leonina


Pedro Azevedo

A gente já sabe do que a casa gasta, que o presidente é o que é, o treinador idém (mais "marxismo-leoninismo" com a equipa sub-virada para a esquerda e a abrir crateras à direita) e os jogadores idém aspas aspas, mas também não é necessário enviarem-nos um médico legista com vontade de apressar o óbito, não é assim? Num dos filmes dos Monty Python, "O Sentido da Vida", um dador recebe a visita de uns médicos que lhe pretendem extrair os orgãos para transplante. Ele bem alega que a doação só estava programada para acontecer após a sua morte, ao que os médicos lhe garantem que estão lá exactamente para garantir isso, que ele morre, começando a remover-lhe as vísceras a sangue-frio. Acaba assim por produzir-se uma subversão: ele morre em consequência de ser dador, não deixando porém de ser dador em consequência da sua morte.  

 

O filme dos génios de comédia britânicos é uma alegoria do que é o contexto do futebol português. Nesta fita do ludopédio tuga, Frederico Varandas, que por coincidência também é médico, desempenha o papel do incauto que julga estar a produzir um "statement" quando diz que há 3 formas de lidar com a derrota - com dignidade, histerismo ou cobardia - , não entendendo que está a dar luz verde(!) para que todo o tipo de diatribes ocorra sem que se possa pronunciar, refém que ficou das suas palavras anteriores.

 

Ontem, na Pedreira, o futebol português regressou à Idade da Pedra. Convenhamos que não haveria melhor local para tal acontecer, sendo certo que em Portugal a realidade supera muitas vezes a própria ficção. Nesse transe, foi possível ver um árbitro apitar uma falta de jeito a si próprio imediatamente após o avançado esloveno recém-contratado pelo Sporting se libertar de um adversário e se isolar para a baliza. O pobre do Sporar percebeu instantaneamente onde se veio meter, ele que abandonou a liga eslovaca para integrar uma liga eslovaca-louca onde há um boi à solta no Estádio Nacional que ninguém sabe bem quem é, e é impossível alguém que venha por bem ficar de pé perante a doença que se propaga à volta. A confirmá-lo, numa primeira fase os nossos começaram a ficar amarelados até que acabaram por sucumbir. 

 

No fim do jogo, o Neto, aparentando falar para fora, falou para cima. O presidente, aparentando falar para fora, falou para dentro, para os sócios. Se por um lado é fácil compreender que sem orgãos que deem poder ao corpo isto não vai lá, também não podemos nós ser incautos ao ponto de não entender que a estratégia de Varandas falhou por completo. E em todas as frentes, desde as "contratações cirúrgicas" aos 5 treinadores em pouco mais do que 1 ano, não esquecendo o "unir os sócios" e o aumento da remuneração dos administradores da SAD aprovado contra o voto unânime de todos os outros accionistas da sociedade após Dost ter sido dispensado com o argumento de alívio salarial (situação que aliás nos deixou com um único ponta de lança inscrito para atacar a primeira parte da época). Deste modo, só nos restam duas alternativas: ou agimos, ou ficamos em casa à espera do dia em que nos venham remover o cartão de sócio. "Time to say goodbye"? 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Max

22
Jan20

Tudo ao molho e fé em Deus - "Marxismo-Leoninismo"


Pedro Azevedo

Um homem pensa já ter visto tudo na vida até ao momento em que chega o dia em que se depara com a insólita situação de ter de observar a equipa por quem dispara o seu coração entrar em campo coxa e toda inclinada para a esquerda, qual Titanic à beira de afundar. De facto, do meio-campo para a frente só com uma ala, o Sporting pareceu um carro sem direcção(!), em sub-viramento constante para a esquerda. Dada a tendência, após o "keynesianismo-keizerismo" que marcou um consulado anterior, é caso para dizer que Silas instaurou o "marxismo-leoninismo". A coisa se não fosse trágica até daria vontade de rir. Afinal, o que nos resta fazer quando o nosso lado direito se transforma no prolongamento da A1 com a A3 e, após o rectificarmos ao intervalo com a entrada de Bolasie, o congolês se faz expulsar infantilmente ao fim de 15 minutos? 

 

Dizem-me alguns com olhos doces (olá Régio!) que o Sporting precisa de tempo, enquanto também eles procuram ganhar tempo. Mas não basta ganhar tempo, é preciso saber-se o que fazer com ele. Nesse sentido, o Sporting destes dias faz-me lembrar uma camisola que em tempos descobri na cidade brasileira de Natal e que tinha inscrita a seguinte mensagem: "comecei uma dieta e em duas semanas perdi... 15 dias".

 

Estamos fora das taças nacionais e no campeonato distamos 19 pontos do primeiro classificado. Olhando para a época passada, eu diria que o tempo não nos está a fazer nada bem. É que se me dissessem no Verão que ao fim da primeira volta estaríamos equidistantes em pontos de Benfica e Aves, eu julgaria que os avenses haviam sido comprados por um excêntrico multimilionário árabe estranhamente apaixonado pelos jesuítas do Concelho. Porém, a realidade é bem diversa e hoje ficou bem patente em Braga, onde durante todo o jogo o grande pareceu ser o Sporting local e não o (enorme) Sporting de Portugal. Porque se na etapa complementar ainda pode haver a desculpa da expulsão de Bolasie, no primeiro tempo o nosso lado direito foi um bar aberto que só não deu mais prejuízo devido aos brandos costumes da cidade dos arcebispos. (Já se sabe que bar aberto dá sempre confusão no fim e por 1 minuto já não fomos a tempo dos 'shots ' de penaltis.)

 

O Sporting é um clube cujo futebol se crê assentar sobre brasas. A Formação então deve estar assente num bico de bunsen. Por isso, não quisemos queimar o Demiral, o Domingos Duarte ou os Matheus, da mesma maneira que, com todo o enlevo, hoje também não queremos queimar o Quaresma. E, para não queimar os jovens da nossa Academia, vamos esturricando as sinapses dos dedicados Sportinguistas e depauperando as nossas frágeis finanças ao ritmo das "contratações cirúrgicas". No entretanto, não temos Quaresma mas já temos a Via Crúcis, o que não deixa de ser invulgar mesmo tendo em conta que se trata do nosso clube. As estações são catorze e nós já atingimos a trágica décima segunda. Resta esperar agora pela ressurreição (do clube, porque de Frederico Varandas apenas espero que com toda a dignidade retire as devidas consequências políticas). Haja fé! Sporting sempre!

 

P.S.1: 21 (de Janeiro) e uma capicua: 12 derrotas...

P.S.2: Até o santo do Mathieu, grande profissional e um senhor, já perde a cabeça...

P.S.3: No final do jogo, Mathieu deslocou-se ao balneário do Braga para pedir desculpa ao nosso ex-atleta Ricardo Esgaio. O gaulês, que no dia em que sair me vai deixar muitas saudades, apesar da inicial atitude irreflectida, mais uma vez demonstrou ser alguém portador dos verdadeiros valores do Sporting (se é que ainda alguém se lembra do que isso é).  

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

brunofernandesBRAGA.jpg

19
Ago19

Tudo ao molho e fé em Deus - Re(i)nan R(e)ibeiro


Pedro Azevedo

Durante a fase fulgurante de Marcel Keizer, Frederico Varandas atribuiu o mérito ao peso da sua Estrutura para o futebol profissional. E não há como não lhe dar razão. É verdade! Atentem neste fim de semana: enquanto o Porto, acossado pelo "fair-play" financeiro, teve de ir ao mercado buscar uns Luíses quaisquer para remendar a equipa, o Sporting, munido de um super scouting, apresentou-se esta noite com 4 reforços (no banco). Outro mérito indiscutível da Estrutura foi termos alinhado com 1 jogador formado em Alcochete (Thierry Correia), o "quinto metatarso" de uma folia de um pé direito enorme de laterais de raíz ou improvisados de que também fazem parte Ristovski, Bruno Gaspar, Ilori e Rosier, confirmando-se assim a prometida aposta na Formação. Se calhar já são loas a mais à nossa Direcção, mas como esquecer a venda de Dost (e o seu valor) - Keizer diz que leu umas notícias no início da semana e foi perguntar ao presidente(!?) - e as justificações que logo surgiram na CS? Estou totalmente de acordo, pois cada um dos 93 golos do holandês ficava muito caro. Assim, podemos sempre contratar um novo Castaignos ou um novo Barcos, na certeza de que os seus golos ficarão muito mais baratos. Ah, o quê? Não marcaram? Infinitamente caros, como tudo (>0) o que divida por zero o é? Bolas, este elegia estava a correr tão bem... 

 

Esta noite, em Alvalade, o Sporting recebeu o Braga. Após uns bons 15/20 minutos iniciais em que aproveitou para se adiantar no marcador de forma totalmente merecida, o Sporting entregou o controlo do jogo aos bracarenses. Nas bancadas, os adeptos assistiam. No banco, Keizer também. Enquanto nós e Keizer assistíamos, Renan resistia. Uma, duas, três vezes, com defesas assombrosas, lá foi impedindo o empate. Até que Bruno Fernandes tirou o génio da lâmpada e deu a Pablo (Neruda?) material para um poema em forma de golo. Um golo caro!? (Medo!)

 

Na etapa complementar, a toada manteve-se, sendo notórias as falhas de posicionamento de diversos jogadores do meio campo leonino aquando da nossa posse de bola, com Wendel (autor de um golo de classe na primeira parte) à cabeça. Muitas vezes apanhados longe do centro nevrálgico do campo, após a perda de bola os nossos jogadores permitiam ao Braga jogar entrelinhas nas imediações da nossa área, apesar do denodo de Doumbia (bons cortes e agilidade na saída de bola em construção) em dissuadi-lo. Acresce que Raphinha e Diaby, os alas leoninos, não fechavam, permitindo inúmeras situações de 2x1 nos flancos, obrigando Thierry e Acuña (em postura ofensiva, os melhores cruzamentos provenientes das alas) a atenção redobrada, Coates e Mathieu a darem o peito às balas e Renan a muita atenção. Quando já nada havia a fazer, os avançados bracarenses encarregavam-se sozinhos de falhar a baliza. Sem qualquer vigilância na sua zona de acção, André Horta ia organizando todo o jogo bracarense. Nas bancadas, os adeptos desesperavam, tentando marcar o mais novo dos irmãos Horta com os olhos. No banco, Keizer ia olhando os lírios do campo (mas o Veríssimo não estava lá, era o Godinho). Até que o Braga finalmente reduziu a desvantagem. Autor: Wilson Eduardo, ex-jogador da nossa Formação e já habitual carrasco do Sporting, um ala que se tivesse ADN do Mali (ou de qualquer outro recanto do mundo que não Alcochete) seria titular de caras dos leões esta noite.

 

Eis então que Keizer finalmente mexe, alterando o sistema para 3 centrais, mas com a nuance (positiva) de Mathieu desta vez ficar posicionado no eixo da defesa (Neto, recém-entrado, derivou para a esquerda), o que dá sempre jeito quando se pretende recuperação defensiva. (Eu não disse que Keizer nunca repete o mesmo erro?)

Ricardo Horta ainda podia ter empatado, mas a equipa pareceu ter ficado mais consistente, algo reforçado posteriormente com a entrada de Vietto (sacou duas faltas que fizeram "acelerar" o cronómetro) para o lugar de um inoperante Felipe das Consoantes, o qual se havia deixado antecipar frequentemente na área (não dá para pôr uns pedacinhos de picanha à entrada da pequena área, a ver se o homem lá vai como gato ao bofe?). Aliás, tanto Luíz Phellype como Raphinha foram dois jogadores com um PH claramente neutro, nada tendo feito de produtivo. Com Diaby formaram o terceto mais apagado dos leões.  

 

Quem andasse pelas imediações do Alvaláxia no final do jogo, e não soubesse o que se tinha passado, olhando para os rostos dos adeptos leoninos julgaria que estes estariam a sair de um dos filmes do Poltergeist, ou de uma qualquer saga do John Carpenter. É que se o golo é caro, a saúde ainda o é mais. E esta noite todos os que fomos a Alvalade perdemos uns anitos de vida. Os jogadores do Sporting também, pelo menos a avaliar pela forma como mal o jogo terminou se prostraram no relvado. Oxalá estes 3 preciosos pontinhos se venham a revelar de alto rendimento (decisivos), e assim façam valer a pena tanto sacrifício. 

 

Tenor "Tudo ao molho": Renan Ribeiro

 

P.S. No decorrer do jogo não pude deixar de pensar que Francisco Geraldes, actuando numa posição semelhante à que JJ reservou para João Mário, teria dado um jeitaço. É que nas alas houve correria a mais e discernimento a menos. Partindo da direita, ou da esquerda, Xico poderia ter pautado de outra forma os ritmos de jogo, adicionando inteligência ao processo. 

renan braga.jpg

29
Abr19

O cúmulo do descaramento


Pedro Azevedo

Passagem do Comunicado do Sporting Clube de Braga, emitido ontem: "Nos momentos de decisão, o SC Braga foi sempre impedido de disputar o 3.º lugar, sendo também flagrante a forma como o nosso competidor direto foi constantemente favorecido, jornada após jornada, para que o topo da tabela refletisse a hierarquia crónica".

 

Conclui-se da leitura do referido Comunicado que o Braga foi alegadamente prejudicado no jogo contra o Benfica para que... o Sporting saísse beneficiado. Digno da maior atenção da Academia Real de Ciências da Suécia, a fim de que junte aos Nobel da economia, física e química, aos Crafoord de astronomia, matemática, geociências e biologia, aos Aminoff de cristalografia e aos Schock de lógica e filosofia, a atribuição do prémio Salvador à "ciência" do descaramento. 

 

Por falar em Schock, quem choca é a galinha, mas o Ovo de Colombo não é para todos... 

 

 

18
Fev19

Tudo ao molho e fé em Deus - O abre-latas


Pedro Azevedo

Sporting há só um, o de Portugal e mais nenhum, e hoje Salvador nem precisou de ir ao nosso museu para o constatar, bastou-lhe olhar para o relvado. Se o presidente bracarense assistiu da Tribuna, Abel observou tudo do banco. E deve ter-lhe custado muito, pois só assim se compreende que lhe tenham passado pelos olhos 25 anos em apenas 90 minutos, um pequeno remoque que não lhe ficou bem. A um treinador jovem e com qualidade recomenda-se outro poder de encaixe. A este propósito, imagine-se o que após uma derrota tão concludente como esta se diria na imprensa inglesa, caso Abel treinasse na "velha Albion". Logo eclodiriam os trocadilhos com "able" ou "a bell", do tipo he was not Abel to cope with the situation, ou did anyone ring Abel? A rever...

 

Com jogadores frescos, Keizer introduziu uma nuance táctica que consistiu na aproximação de Borja aos 2 centrais - desta vez trocados, com Ilori na direita - , formando-se uma linha de 3 defesas (sistema táctico de 3-5-2), aquando da posse de bola, ou de 5 defesas (um 5-3-2 com Ristovski e Acuña nas laterais), quando o adversário atacava. Adicionalmente, Diaby e Bruno Fernandes foram-se alternando numa posição mais central por detrás de Dost - quando Diaby procurava a ala, Bruno subia e quando Diaby rondava as costas de Dost, Bruno descia para junto dos outros médios - , algo que também ajudou a baralhar os bracarenses. Só a meio da segunda parte se produziu nos espectadores a sensação de que Abel percebeu o que se estava a passar, nomeadamente quando colocou um segundo homem a penetrar na banda esquerda do seu ataque e com isso criou a dúvida em Ristovski, visto Diaby parecer ter instruções para se manter no meio (o que obrigou Gudelj a desposicionar-se umas duas ou três vezes), uma situação entretanto colmatada pelo treinador holandês ao reposicionar o maliano e, mais tarde, ao fazer entrar Raphinha para a ala direita. Em resumo, pode dizer-se que Keizer deu um banho táctico a Abel, o que teve uma influência importante no desenrolar da partida.

 

O Sporting entrou bem no jogo, com Wendel muito activo desde o apito inicial, a arrastar a equipa para a frente com o seu futebol misto de samba e jazz de improvisação, e o maestro Bruno, de batuta na mão, a jogar e a fazer jogar à sua volta. Assim, não demoraria a primeira grande oportunidade (ao quarto-de-hora), quando Bruno encontrou Ristovski desmarcado nas costas da defesa bracarense e o macedónio serviu de imediato o isolado Dost que perderia o duelo individual com Tiago Sá. Depois de um passe de ruptura, logo de seguida Bruno rematou de fora da área com perigo. Tiago Sá voltou a defender, revelando atenção. Até que após uma das inúmeras faltas cometidas por Raul Silva, Jorge Sousa mandou marcar um livre directo a meia dúzia de metros da entrada da grande área do Braga e descaído para a direita. Acuña ajeitou a bola, mas Bruno ligou de novo o GPS e desta vez Tiago Sá nada podia fazer, com a bola a cair subitamente (folha seca) mal avistou a linha de golo. Até ao intervalo, destaque para uma remate fraco de Diaby que saiu ao lado, quando havia superioridade numérica sportinguista na área bracarense e diversas soluções de passe.

 

O segundo tempo praticamente iniciou-se com um novo golo leonino: Diaby pegou na bola sobre a meia direita e a uns bons 50 metros da baliza bracarense e daí traçou o azimute para a baliza de Tiago Sá, que o levou a galgar metros sobre metros e a ultrapassar 3 adversários numa diagonal até ser derrubado, já dentro da grande área, por Claudemir. Jorge Sousa mandou marcar penálti e, na sua conversão, Dost marcou como de costume (Tiago Sá para um lado, a bola para o outro). À hora de jogo, Bruno quase marcou um golo do outro mundo, com um remate fortíssimo de fora da área que errou o alvo por pouco (o guarda-redes estava batido), após um bom movimento de Wendel que criou o espaço para o nosso capitão aplicar o gesto técnico. Mas não tardaria muito o terceiro dos leões, após um momento de habilidade de Bruno Fernandes que lhe permitiu junto à linha de fundo arrranjar espaço para um centro rasteiro que Dost desviou para a baliza. O jogo praticamente terminaria aí e Keizer teve oportunidade então de poupar sucessivamente Dost, Diaby e Wendel, fazendo entrar Phellype, Raphinha e Doumbia, este último com tempo ainda para mostrar 2 pormenores de elevado requinte técnico e facilidade em progredir com a bola. 

 

O árbitro Jorge Sousa teve uma actuação correcta no capítulo técnico, mas disciplinarmente com critério desigual. Ilustrando isso, a dado momento os jogadores do Sporting chegaram a ter 5 cartões amarelos, enquanto os do Braga só tinham aquele mostrado aquando da grande penalidade. Nesse sentido, foi até particularmente risível a segunda admoestação a um bracarense, claramente provocada por um coro de assobios proveniente da bancada. De registar também a negligência com que deixou passar uma clara agressão de Raul Silva a Marcos Acuña, lance em que o VAR também não actuou.

 

No Sporting, destaques principais para Bruno Fernandes e Wendel. Diaby e Dost também estiveram muito bem, tal como de resto toda a equipa. Nesse sentido, devo dizer que Borja (posição no campo diferente), talvez beneficiando da cobertura dada por Acuña, hoje agradou-me sobremaneira.   

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes: Abel chamou-o de "abre-latas" (ele que até é mais um canivete suiço), mas o maiato foi pura poesia em campo. E, como dizia Bukowski, esta estremece a alma, abre os olhos e...cala a boca. Não é assim, Abel?

sportingbraga1.jpg

(Imagem: Record)

24
Jan19

Tudo ao molho e fé em Deus - Brexit/Braxit


Pedro Azevedo

"You like potato, I like potahto

you like tomato, I like tomahto

potato, potahto, tomato, tomahto.

Let`s call the whole thing off" - Louis Armstrong

 

A decisão foi adiada o mais possível, mas finalmente terminou o impasse: Brexit ou Braxit, o Braga está fora da Taça da Liga. Aos bracarenses de nada lhes valeu um bíblico Abel, ou mesmo um Salvador, pois na hora da verdade quem passou à história foi Renan (um herói). 

 

Tive sentimentos mistos ao ler a constituição de equipa do Sporting. Por um lado, fiquei contente por ver que tínhamos reforçado o nosso PH (Raphinha e Luíz Phellype), por outro triste pelas ausências de Geraldes (banco) e de Jovane (bancada). Quem estudou química sabe que um maior PH aumenta a basicidade, de alguma forma aquilo que nos atraiu no jogo posicional ("keep it simple") de Keizer. Por relação simétrica, também diminui a acidez (nossa), mas não impede a de quem connosco interage, podendo até dar azia, algo que foi particularmente visível na "flash-interview" de Abel Ferreira, sempre useiro e vezeiro (e agora, não Peseiro) a destilar a sua bilis quando defronta o Sporting. É que por muito que se peça lucidez, no laboratório do futebol português nada se passa a temperatura e pressão constantes e, como veem, está tudo ligado...

 

Não desprezando que jogava em sua casa, na Pedreira - no final, o Abel e o Salvador fartaram-se de "partir pedra" -, a verdade é que durante os 90 minutos o Braga foi mais equipa. Logo a abrir, demasiado espaço entre as linhas defensiva e média leoninas permitiu à equipa liderada por Abel encontrar um homem solto de marcação (João Novais) à entrada da área e com tempo para mostrar a sua qualidade de passe. Do cruzamento resultaria o golo de Dyego Sousa. Ainda mal refeitos, os leões estiveram quase a sofrer outro golo de seguida. Valeu a mancha de Renan perante Wilson Eduardo. O Braga era mais intenso e os seus jogadores chegavam naturalmente primeiro à bola. Quando isso não acontecia, Manuel de Oliveira marcava falta contra o Sporting, como numa entrada de Bruno Viana a fazer lembrar aquela música do Psycho Killer, dos Talking Heads. Passou mais de um quarto de hora até finalmente os comandados de Keizer levantaram a cabeça. O protagonista foi Raphinha. O brasileiro tomou-lhe o gosto e voltou a ter uma soberana oportunidade após soberba assistência de Nani, mas falhou o chapéu a Marafona. Adivinhava-se o golo do Sporting, mas antes ainda tivemos o primeiro momento de excesso de zelo do jogo, quando o árbitro deixou seguir isolado para a baliza um jogador bracarense que já se encontrava em Guimarães no momento em que lhe passaram a bola. Bem sei que as regras mandam prosseguir os lances até posterior visionamento do VAR, mas um pouco de bom senso não fica mal a ninguém. Finalmente, os leões lograram empatar a partida. E de bola parada, após excelente cabeceamento de Coates, que correspondeu a um canto muito bem marcado por Acuña. Logo de seguida, o argentino falhou o segundo, naquela que foi a melhor jogada colectiva do Sporting no jogo e que envolveu a participação anterior de Bruno Fernandes e Nani.   

 

O segundo tempo começou como o primeiro, com um golo do Braga. Não se compreende bem como é possível anular um golo destes, pois o toque de Dyego Sousa em Acuña pareceu um lance natural no futebol. A verdade é que conseguimos sair vivos e, posteriormente, poderíamos ter matado o jogo, mas aí o árbitro, após visionar as imagens, não conseguiu ver um "penalty" claro para todos (menos para o comentador da SportTV, que disse que " se fosse em Inglaterra...") cometido sobre Coates. Enfim, a fita do costume da arbitragem portuguesa e a certeza de que Manuel Oliveira não terá certamente a longevidade na carreira do seu homónimo realizador cinematográfico, embora se queira fazer parecer que a culpa de tudo é do VARíssimo. Só falta mesmo este meter uma licença por tempo indeterminado... Quanto ao "se fosse em inglaterra...", aguardo com ansiedade o comentário deste senhor a um dos próximos jogos da Premier League, nomeadamente quando um guarda-redes saltar com um avançado adversário e o árbitro nada sancionar...

Para não variar, o Sporting continuou a ser um motor a diesel que foi melhorando com o tempo. Durante bastante tempo voltámos a ser antecipados nas disputas de bola e faltou energia nos duelos individuais. Ainda assim, de realçar uma cavalgada impressionante, costa-a-costa, de Wendel. Mas o Braga poderia ter marcado quando Raul Silva acertou no travessão. De seguida, um momento polémico: Goiano (já tinha um amarelo) estorvou faltosamente Bas Dost quando este iniciava um contra-ataque. Novo amarelo (e concomitante expulsão) por mostrar? Até ao final do jogo conseguimos ficar ligeiramente por cima, embora não o suficiente para fazermos a diferença. 

 

E lá fomos para penáltis. Já sabíamos que Marafona era um especialista e conseguiu defender as penalidades apontadas por Dost (o que se passa?) e Nani (que nunca foi grande marcador). O que desconhecíamos era que Renan ainda era melhor. O brasileiro defendeu por três vezes, negando o golo a Ricardo Horta, Murilo e Ricardo Ryller. Pelo meio, Paulinho e Coates haviam atirado à trave e ao poste, respectivamente. (Ambos os guarda-redes pareciam os únicos elementos sóbrios numa despedida de solteiro que tinha descambado numa bravata de penáltis.) Após a derradeira parada de Renan, pensou-se que o jogo tinha terminado, mas afinal estava a começar: Abel e Salvador logo tomaram conta dos microfones, mostrando a habitual indignação de quando perdem contra o Sporting. Curiosamente, tal nunca ocorre quando o contendor é o nosso vizinho da Segunda Circular, e até andam há mais de 10 anos para lhes bater o pé... O "sindicalista" Abel foi o primeiro a falar, num longo discurso sobre a precariedade laboral dos treinadores e jogadores de futebol face ao seguro emprego dos homens do apito. Depois, falou Salvador, que viu penáltis quase minuto-a-minuto e terminou com uma expressão deliciosa para justificar com indignação a razão pela qual Gudelj deveria ter sido expulso: "1 mais 1 deu 1, e não 2...". Pois, Salvador, eu sei, é chato e, ao mesmo tempo, é a sensação que todos nós, sportinguistas, temos quando o Braga defronta o Benfica. É que, certamente, para muito pesar e infelicidade do Braga, a coisa acaba quase sempre num "E Pluribus Unum"...

 

Nota final: Afinal, o senhor do "em Inglaterra" é um oráculo. É que ele já estava a ver o Brexit (ou Braxit) a desenrolar-se à volta dele...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Renan Ribeiro

renanribeiro.jpg

abel e salvador.jpg

23
Jan19

Oportunidade aos mais jovens


Pedro Azevedo

Hoje, na Pedreira, gostaria que se testassem outras soluções. Por isso, recomendaria que jogassem de início os jovens Francisco Geraldes (ou Miguel Luís), Jovane Cabral e Raphinha (para além de Phellype e de Salin, este último face à rotatividade nas taças). A minha equipa seria: Salin; Ristovski, Coates, Mathieu e Acuña; Gudelj (Idrissa Doumbia, Petrovic), Bruno Fernandes e Xico Geraldes (Miguel Luís); Raphinha, Luíz Phellype e Jovane Cabral. Descansariam, tendo em conta futuras batalhas: Renan, Wendel (um jovem desgastado pelo excesso de jogos), Nani, Diaby e Bas Dost.

geraldes1.jpg

22
Jan19

Abel adormecido (e a laranja mecânica)


Pedro Azevedo

E se, amanhã, Abel encontrar uma laranja no seu caminho, não resistir a tentar descascá-la e acabar adormecido pelo sumarento fluido venenoso preparado por Keizer? Sim, bem sei, a maçã...Bom, a maçã é uma estória para meninos, e Abel é tudo menos um menino (de coro). Pelo menos sempre que tem o Sporting pela frente, pois quando é o Benfica já não é bem assim, aparentemente, e até sorri e tudo. 

Para ganhar amanhã, o Sporting tem de ser uma laranja mecânica e, de forma a poder extrair todo o sumo possível, saber aproveitar as lições da mecânica de fluidos. A primeira coisa a fazer é jogar em campo pequeno (aproximar as linhas). A Teoria de Bernoulli aplicada a um jogo de futebol. Estreitando o campo, a pressão sobre a equipa do Braga será maior (aumenta o erro). Aplicada uma forte tensão nos bracarenses, a deformação do seu jogo ser-lhe-á proporcional (Teoria dos fluidos Newtonianos). Depois, será necessário aplicar velocidade. Como tal, proponho algumas alterações na equipa que vai a jogo, de forma a melhor acomodar a ideia inicial (ao mesmo tempo que pouparia alguns titulares para outras batalhas). Assim, para além da habitual substituição nas Taças, de Renan por Salin - o melhor jogo de pés do francês aumenta a velocidade de circulação de bola - daria uma oportunidade no sector recuado ao supersónico Lumor (importante para dobrar centrais posicionados perto da linha do meio-campo, deixando assim muito espaço nas costas). No meio campo, manteria Bruno Fernandes e Gudelj (não estando ainda em condições o Doumbia) e lançaria Francisco Geraldes como "10" (com Bruno de perfil por detrás), de forma a podermos ter dois "registas", dois lançadores de passes de ruptura para as alas e frente do ataque. Como "cereja no topo do bolo", revolucionaria a linha dianteira, fazendo entrar os velozes Jovane (esquerda) e Raphinha (direita), bem como o "Felipe das consoantes", o nosso recém-chegado ponta-de-lança Luíz Phellype. O que Vos parece?

abel.jpg

(Fonte Imagem: Rogério Ferreira/KAPTA+)

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