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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

10
Nov20

Subliminar


Pedro Azevedo

A propósito de um texto que escrevi há pouco tempo atrás sobre a bipolarização e sua ameaça para o Sporting, leio em um jornal on-line uma entrevista ao filho de Eddy Merckx na qual este afirma ter o hábito de perguntar aos ciclistas portugueses que recruta para a sua equipa se estes são do Benfica ou do Porto. Deste modo, a pretexto de uma notícia velocipédica, o Leitor é conduzido subliminarmente para uma percepção da realidade em que só dois clubes importam: o Benfica e o Porto, os nossos dois rivais. Ora, eu nestas coisas sou partidário de que, se não podes com eles, o melhor é unires-te a eles. Sendo assim aqui apresento algumas sugestões de futuras entrevistas ao cuidado do Tribuna Expresso:

 

  1. Entrevista a Charlie, filho do golfista Tiger Woods, com o propósito de saber o que pensa sobre o buraco (financeiro) de Benfica e Porto, e de que maneira tal poderá constituir um "handicap" no futuro às pretensões de ambos os clubes.
  2. Entrevista a Erik, filho do multicampeão mundial e olímpico Robert Scheidt (classe Laser), a fim de auscultar a sua opinião sobre quem primeiro irá de vela: Benfica ou Porto.
  3. Entrevista a Laila, filha de Muhammad Ali, acerca de quem primeiro irá ao tapete, se Benfica ou Porto (considerando o nível elevadíssimo de gastos face às receitas operacionais antes de venda de jogadores).
  4. Entrevista a Jeffrey, filho de Michael Jordan, sobre a baixa taxa de aproveitamento de Benfica e Porto da zona dos 3 pontos. 
  5. Entrevista a Tirullipa, filho de Tiririca: pior do que está, a imprensa desportiva não fica.

 

Fico a aguardar com redobrada curiosidade...

 

P.S. Que tal, a nossa Comunicação fazer chegar a Axel Merckx a História do Sporting, com um destaque especial para Joaquim Agostinho, um homem por quem o seu pai (Eddy) tinha um profundo respeito? Eu já fiz a minha parte, "retweetando" uma publicação do Axel Merckx e mostrando-lhe que a Agostinho ele não teria a ousadia de perguntar se seria do Benfica ou Porto. 

04
Nov20

O Sporting contra a bipolarização


Pedro Azevedo

Na religião, ética ou filosofia, sob a forma do "bem" e do "mal", ou mesmo no taoismo, que opõe o "yin" ao "yang" (a noite e o dia), a dualidade é uma realidade no nosso universo. No fundo, tal traduz a tendência natural do ser humano de simplificar as coisas, mas quando exacerbado tende a gerar maniqueísmo e intolerância. Já abordei suficientemente essa temática neste blogue, pelo que voltar ao assunto seria redundante. Aquilo que penso não ter ainda sido suficientemente explorado é a tendência dual do universo e a forma como isso se expressa em termos económicos, políticos, sociais ou (o que me traz aqui) desportivos.  

 

A necessidade do ser humano de simplificar opondo uma força a outra tende a aumentar o impacto de duas forças à partida percepcionadas como mais fortes e a diluir todas as outras. Nesse sentido, uma força emergente pode sê-lo toda a vida, traduzindo-se tal mais numa condição que num estado. Olhando para a economia e para o mundo financeiro, vemos que existem duas teorias opostas predominantes - o keynesianismo e a escola austríaca - e que os mercados avaliam o risco entre "investment grade" e "emergentes". Na política existe um bloco central, em Portugal representado por PS e PSD, em Inglaterra por Conservadores e Trabalhistas, nos EUA por Republicanos e Democratas. Socialmente, o mundo está a evoluir para uma batalha entre conservadores e revolucionários, polos opostos mas com alguns elementos comuns de ortodoxia, diluindo-se cada vez mais a força dos moderados e reformistas. Chegamos então ao futebol. Tal como na política americana, o actual futebol português é dominado por "red states" e "blue states". A tendência natural desenhada após o 25 de Abril, período no qual o Sporting foi permitindo a ascensão do FC Porto decorrente da alteração da ordem política e da progressiva predominância do tecido produtivo a norte, é essa, e isso significa uma diluição progressiva do impacto do Sporting Clube de Portugal. Vítima da tal simplificação, ou se quiserem bipolarização, o Sporting terá de lutar bastante contra essa força de forma a não ficar condenado à irrelevância. A meu ver, se quisermos mudar a realidade, então teremos de alterar a percepção da mesma. E é contra o enraizamento dessa percepção que teremos de lutar. O problema é que, criando raizes, essa percepção vai-se incorporando e alimentando e assim criando um paradigma, pelo que combatê-la exige muita dinâmica que desafie a visão predominante cada vez mais estática sobre a correlação de forças. Ademais, é mais fácil a bipolarização vir a transformar-se em hegemonia de um dos contendores do que verificar-se a intrusão de um terceiro. Tal aliás é caucionado na Comunicação Social, nas regras de acesso ao pote de ouro da Champions, ou em termos sociais e económicos pela crescente polarização entre norte e sul. Estando na mesma cidade que o Benfica e enfrentando o poder crescente do norte, o Sporting precisa de se reinventar constantemente. No fundo é a luta desesperada que o Atlético trava em Madrid, a que o United enfrenta face à desvirtuação da concorrência com a emergência de um clube-estado em Manchester, a mesma que o Gran Torino perdeu já há muito tempo para a Juventus em Turim. Olhando para a Europa Ocidental, talvez só em Milão resida a fonte de equilíbrio, com Milan e Inter mantendo uma correlação de forças entre eles, pese embora progressivamente vão perdendo significância na disputa do Scudetto.

 

Einstein dizia ser mais fácil desintegrar um átomo do que destruir um preconceito, pelo que eliminar a percepção que se criou da correlação de forças no futebol português é o desafio enorme que o Sporting tem pela frente. Tal é uma missão do presidente, mas deve ser também o desiderato de todos os Sportinguistas. Se a disponibilidade de cada leão é fundamental, convocar todos os Sportinguistas para essa batalha é um imperativo. Mas é preciso que deixemos de marcar auto-golos, como quando afirmamos que a nossa equipa de futebol está melhor por não haver público nos estádios. A nossa força, a força do adepto comum, nunca pode ser uma fraqueza, e não há nenhum clube no mundo que desvalorize tanto o que é seu como o nosso. Verdade seja dita que também há adeptos que confundem a conjuntura com o Sporting e outros há que vão alimentando o guerrilha interna para interesse próprio, uns e outros assim contribuindo para o definhar da relevância do clube. Mas, fundamentalmente, é preciso não esquecer que a melhor forma de mobilização não é contra alguém - tal pode produzir efeitos a curto-prazo, mas é devastador no longo termo - , mas sim em torno de um elo identificador, projecto comum. Esse, que visará responder ao porquê das coisas (qual o nosso papel?), tem de ser renovador, diria até renascentista, e deve passar por traduzir os Valores Sporting num conjunto de ideias de regeneração do produto futebol português que o tornem mais justo, transparente, competitivo, credível e que deem a oportunidade ao clube de "voltar a contar para o totobola". Esse é o investimento que tem de ser feito. Tudo o resto, como por exemplo os protestos contra o status-quo vigente, serão panaceias que não devem ser desprezadas mas que não se traduzirão em mais do que o estabelecimento de uma linha de defesa contra o inevitável. E nós somos leões, letais no ataque. Não contrariemos a nossa natureza.

 

P.S. Em simultâneo, lideramos o Campeonato Nacional. Bem sei, é cedo e não deveremos entrar em euforias. Mas este período tem de ser aproveitado para reafirmar o Sporting no contexto do futebol português, mostrar as nossas causas. Oxalá ele se perpetue por muito tempo, a fim de ponderadamente podermos ir gerando comunicação que vá restaurando essa influência. O próximo passo será Guimarães, cidade onde em 1980, ainda menino, vivi ao vivo uma das mais bonitas páginas da nossa "leoninidade". Que tal se repita, e que da cidade-berço saiamos com mais 3 pontos. Até porque é mais fácil instaurar a mentalidade do jogo-a-jogo enquanto estivermos no topo. Força, leões!!!

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