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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

24
Mai21

Ironias do destino


Pedro Azevedo

Benfica: prometeram jogar o triplo e acabaram a rasar o solo. Baixinho, muito baixinho, fugindo assim ao radar dos títulos. Entretanto, conseguiram a proeza de evitar o Sporting na Supertaça. Menos uma dor de cabeça para JJ.

 

Sporar e Borja: justamente criticados, como quem não quer a coisa ganharam o triplete. Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga, a estes papa-títulos não houve competição que lhes fugisse. 

17
Mai21

Tudo ao molho e fé em Deus

O genial Amorim


Pedro Azevedo

O Rúben Amorim é um génio. Como ser superiormente inteligente que é, sabia que o jogo era mais importante para Jesus do que para o Benfica. Se Jesus ganhasse, teria outra margem para fazer os contestatários "acarditarem", entusiasmar-se e arrasar na próxima época da mesma forma que arrasou nesta. Se perdesse, essa margem ser-lhe-ia provavelmente retirada e Vieira poderia ser tentado a pensar que um treinador que inspirasse apenas jogar o essencial fosse mais útil que um que inspirasse jogar o triplo, assim a modos como consequência da reflexão de William Blake quando se interrogava "como saberes o que é suficiente, se não souberes o que é demais?". Por conseguinte, a derrota do Benfica neste jogo poderia ser perigosa para o Sporting no longo-prazo, enquanto a vitória do rival não teria consequências no curto-prazo porque o título já estava no estômago do leão. Vai daí, o Amorim subtraiu o Palhinha do jogo. Em sequência, durante a primeira parte, o Cebolinha usou e abusou do calcanhar, o Seferovic assemelhou-se a um ponta de lança e o Pizzi até fez lembrar o Bruno Fernandes. Tudo simples, tudo fácil, como se estivessem a jogar contra bidons. Rapidamente, o Benfica marcou 1, 2, 3 golos. Em contrapartida, o Sporting ficou a fazer guarda de honra à nota artística do Jesus. Apenas um jogador ousou destoar do tom geral, o Pote. É que o homem não sabe brincar em serviço e, em cima do intervalo, reduziu a desvantagem leonina no marcador. 

 

Ao intervalo o Amorim pareceu ter-se assustado: é que uma coisa é dar moral ao Jesus, outra é oferecer a hipótese ao Benfica de devolver os célebres 7-1 de 86. Querendo conter o prejuízo, decidiu então fazer entrar o Palhinha. O Matheus Nunes é que não se apercebeu que o "chip" tinha mudado. Então, ala que se faz tarde, ofereceu logo um brinde. Com o tempo a presença do Palhinha fez-se notar. Onde antes havia auto-estradas, os benfiquistas começaram a encontrar becos sem saída, sinais de sentido proibido e tabuletas de aviso de piso escorregadio. Tanto que, durante 30 minutos, só deu Sporting. Dois golos, uma bola no poste, os leões fizeram acreditar que iam dar a volta ao jogo. O Pote continuava desenfreado e agora havia também o Jovane para moer o juízo ao Lucas Veríssimo, um vexame para quem chegou agora à Canarinha. A televisão mostrava-nos o Helton Leite a falar sozinho, o Benfica abanava por todos os lados. Com os descontos, faltavam ainda uns 15 minutos, mas o Sporting acabou aí. Amenizada a derrota para níveis não-apocalípticos, o Rúben pareceu conformado. É certo que o Coates ainda foi lá à frente fingir que tinha custado 16 milhões por 70% do passe mais os ordenados do Sporar, mas foram serviços mínimos porque o resultado era, afinal, o ideal.

 

Além de assegurar Jesus no Benfica para 2021/22, o Rúben Amorim preencheu um outro objectivo. Subliminarmente, o nosso treinador enviou a seguinte mensagem que pôde ser lida da Lua: "NÃO VENDAM O PALHINHA". E assim o título do próximo ano pareceu mais perto. Tanto que, se os benfiquistas este ano apanharam com o Cabo Delgado(*), para o ano levarão com o Cabo das Tormentas. Um génio, o Amorim!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pedro Gonçalves ("Pote") 

 

(*) O meu aplauso para a referência a Cabo Delgado nas camisolas, região de Moçambique alvo de ataques armados do grupo jihadista Estado Islâmico que já provocaram mais de 2.500 mortos e 700.000 deslocados. Para ser justo, inclúo neste aplauso o meu colega bloguista José Pimentel Teixeira, que há muito tempo vem estando na linha da frente do alerta na blogosfera sobre esta tragédia que o mundo não pode mais ignorar.

 

P.S. O problema do Benfica de Jesus não foi a Covid, mas sim, quanto muito, o co-video (vulgo VAR), coadjuvante do árbitro e da verdade desportiva, que veio eliminar alguns dos erros mais flagrantes que aconteciam em campo. De resto, o Benfica foi sempre uma equipa sem intensidade no meio campo, e essa foi a principal pecha que se traduziu no resultado final no campeonato. 

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04
Abr21

João Capela e o “limpinho, limpinho”


Pedro Azevedo

"Era (foi) um jogo que necessitava de video-arbitro. A minha carreira teria sido diferente, se tivesse havido VAR nesse jogo" - declarações do ex-árbitro João Capela a A Bola no âmbito do celebérrimo Benfica-Sporting em que ficaram várias penalidades por marcar a favor do Sporting, o mesmo que Jorge Jesus, à época treinador do Benfica, classificou como "limpinho, limpinho" do ponto de vista da influência da arbitragem no resultado final. 

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10
Mar21

A aritmética do campeonato


Pedro Azevedo

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Cenário Limite 1: Sporting ganha os jogos com Braga e Benfica

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Cenário Limite 2: Braga vence Sporting e Benfica

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Cenário Limite 3: Porto vence Benfica

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Cenário Limite 4: Benfica vence Braga, Porto e Sporting

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Worst Case Scenario para o Sporting: perde com Braga e Benfica

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Não esquecer que entre Braga, Porto e Benfica só 1 no melhor cenário possível poderá amealhar o máximo de pontos possível definido na tabela. Para ser campeão com toda a certeza o Sporting precisará de fazer 86 pontos, o que significa que tem uma pequena margem de 1 empate nos restantes jogos do campeonato (admitindo o worst-case-scenario conjugado de perder com Braga e Benfica e o Braga vencer todos os seus jogos até ao fim).

 

Faltam disputar 4 jogos entre os 4 primeiros classificados. A saber (por ordem cronológica): Braga-Benfica, Braga-Sporting, Benfica-Porto e Benfica-Sporting. Havendo 4 jogos, cada um com 3 resultados possíveis, existem 81 combinações possíveis de resultados entre eles, o que seria exaustivo elencar aqui. Assim, optei por apenas considerar cenários limite. 

26
Fev21

Ortega y Gasset


Pedro Azevedo

"O Homem é o Homem e as suas circunstâncias." - Ortega y Gasset

 

Depois dos ditirambos - cânticos como "Vamos arrasar" ou "Jogar o triplo" a enquadrar a coreografia da dança eleitoral  - que marcaram a apresentação de Jesus no Benfica, assistimos agora à deterioração progressiva da sua liderança, provavelmente sacrificada pela soberba com que se tentou rebeliar contra as forças do destino. Um argumento que parece extraído de uma Tragédia Grega, ou não tivesse tudo começado em Salónica (PAOK) e continuado ontem em Atenas, local onde JJ não resistiu a invocar os elogios que recebeu do "Ortega" do Arsenal. 

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02
Fev21

Tudo ao molho e fé em Deus

O Evangelho segundo Matheus


Pedro Azevedo

Eis o que era verdade no início da época: o Benfica partia com 100 milhões de euros de avanço, ia jogar o triplo e estava 10 anos à frente da concorrência. Não sei se os deuses andarão loucos, mas recordo-me de Pimenta Machado, que até é benfiquista, um dia haver avisado que, no futebol, o que hoje é verdade, amanhã poder passar a ser mentira. Não surpreende assim que tenham bastado 6 meses para o antigo presidente do Vitória de Guimarães voltar a provar o seu ponto (ou três). É que ontem, após ter perdido com o Sporting, o Benfica recuou vertiginosamente de 2031 até 1859, ano em que Darwin escreveu a sua Teoria da Evolução, publicação que a entourage de Vieira precisa rever com a maior urgência. [Nesse transe provavelmente envolvendo um(a) girafa (Luisão), que ninguém explica tão bem assim Darwin.]

Como se este Regresso ao Passado não tivesse sido já suficientemente doloroso, tal coincidiu com o dia em que o rival e líder Sporting provou também gastar milhões num jogador. E com o quê contrapôs desta vez o Benfica? Bom, teve de se contentar com o Ficanov (segundo o meu enviado-especial à Ucrânia, pronuncia-se "fica a nove"), coisa para ter deixado Vieira com um traumatismo "ucraniano"... [Também pode ter sido da Galinha (agora) à Kiev estar estragada.]

 

Desde o início do jogo, o Benfica procurou encaixar-se no Sporting, recorrendo até a 3 centrais para que a adaptação fosse mais perfeita. Porém, se defensivamente as águias montaram uma linha de 5, ofensivamente o Vertonghen encostava à lateral esquerda e o Grimaldo surgia como joker solto a tentar beneficiar da fixação que Cervi provocaria em Porro. Com esse sistema, o Benfica pretendia não só travar as investidas ofensivas do lateral/ala leonino como também perturbar a definição das funções defensivas deste e de Neto e criar aí envolvências que suscitassem uma superioridade numérica numa zona do terreno já de potencial perigo. Acontece que o Sporting de Rúben Amorim nunca defende a 5 quando a bola é metida nas alas, na medida em que o lateral/ala do lado da bola logo sai ao encontro dela, pelo que amiúde Porro ia ao encontro de Grimaldo e Neto basculava até à lateral para vigiar Cervi. E quando os dois partiam em simultâneo para cima de Porro, Matheus ocorria e evitava a criação da tal superioridade numérica. Com o tempo, desfeito o elemento surpresa que Jesus engendrou sem o efeito positivo do colhido no Dragão (Nuno Tavares e Grimaldo sem posição claramente definida baralharam as marcações portistas), o Benfica acabaria por desistir desta estratégia, procurando outros caminhos por via, primeiro, da substituição de Cervi por Taarabt e, depois, da troca de Grimaldo por Nuno Tavares, tentando então maior predominância no centro do terreno. 

 

Se a primeira parte terminou com uma única grande oportunidade de golo incrivelmente desperdiçada por Neto e mais acções desequilibradoras do Sporting através de Pote e do diabólico Tiago Tomás (sacou dois amarelos durante o jogo a defesas do Benfica em jogadas que de outra forma terminariam com ele isolado para a baliza), no segundo tempo o Benfica começou a aparecer mais perigoso na frente. Todavia, tendo sido os seus avanços bem contidos por Matheus (mais tarde também por Palhinha) e por uma defesa de betão, ainda assim, as melhores oportunidades foram do Sporting: primeiro numa arrancada de TT que, nada egoísta, serviu Pote para um remate que ficou prensado em Weigl; de seguida, numa brilhante investida de Jovane, que substituíra um pouco feliz Nuno Santos, culminada em remate deflectido de Pote que quase surpreendeu o atento Vlachodimos; depois, através de Palhinha (troca com João Mário) cujo remate falhou o alvo por escassos centímetros. 

 

O jogo caminhava para o fim, os nossos mais perigosos TT e Pote, esgotados, já haviam saído e pensei que o jogo terminaria a zeros. Adicionalmente, Bragança estava em campo ainda não há 30 segundos e aparentemente a sua troca por Pote significaria um pouco mais de contenção. Mas eis que surge mais uma tentativa de exploraçao da profundidade, Tabata em esforço e com o calcanhar leva a bola para a frente, Jovane baila já na área e cruza, como tantas vezes repetido em laboratório a bola vai de costa a costa à procura das costas do lateral adversário, Porro ocorre e centra, Vlachodimos soca como pode e Matheus aproveita o ressalto e marca. Estavam decorridos dois minutos do tempo de compensação, três que mais pareceram uma eternidade ainda haveria com que sofrer, mas a vitória, justíssima, já não fugiria. Afinal de contas, ganhou a equipa que tinha o sistema enraizado e rotinado e não aquela que improvisou e mudou para este específico jogo. Tudo normal, portanto, que esta coisa de génio da lâmpada acontece essencialmente em filmes (de série B).

 

Com Jesus indisponível, o Benfica recorreu a Deus, só faltando o Espírito Santo de outros tempos para completar a Santíssima Trindade. Todavia, o milagre não aconteceu e o "Evangelho" acabou por ser escrito segundo Matheus (5:6): "Felizes (Bem-aventurados sejam) os que têm sede e fome de justiça, porque eles serão saciados". (A propósito da injusta penalização a Palhinha que permitiu a Matheus assumir a titularidade, com um obrigado sentido a Fábio Veríssimo.) 

 

Quem deve estar a fazer horas extraordinárias na Luz é o "anjo" (João) Gabriel, porque os tempos estão difíceis e tal não deve ser simples para um porta-voz da boa nova aos benfiquistas... De forma que, como as coisas estão, talvez seja melhor o Jesus desistir de jogar o terço e passar a rezar o triplo, ou então efectivamente começar a jogar o triplo e rezar o terço à espera que tal ainda venha a ser suficiente. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": O "Menino do Rio" Matheus Nunes. Tiago Tomás seria a alternativa óbvia, mas toda a equipa (incluindo os menos inspirados, mas igualmente transpirados) funcionou como um bloco coeso e acreditou na vitória até ao fim. No final, venceu quem teve mais fé, o que não deixa de ser uma ironia atendendo a quem estava do outro lado. O caso Palhinha? Escreveu-se direito por linhas tortas. Aí Leões!!!

 

P.S. Tanto se falou de arbitragem esta semana que é justo reconhecer que Artur Soares Dias esteve em bom plano. Com um senão: amarelou prematuramente Gilberto e Tiago Tomás por "bocas", o que me pareceu desnecessário, acabando depois por ter de contemporizar com uma falta cometida pelo mesmo Gilberto sobre Nuno Mendes que seria um óbvio segundo amarelo e concomitante expulsão (roçar de pitons no gémeo, deslizando posteriormente na direcção do pé e colocando em perigo evidente a integridade física do nosso jovem defesa, o qual acabou atingido no tendão de aquiles e tornozelo).

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01
Fev21

Match point


Pedro Azevedo

Logo à noite, Sporting e Benfica enfrentam-se no José Alvalade. É o dérbi dos dérbis, o clássico dos clássicos, o jogo sempre mais ansiado pela maioria dos adeptos portugueses. Um confronto com muita história, de supremacia alternada ao longo do tempo. O dérbi dos 64(!) golos de Peyroteo e dos 27 de Eusébio, dos Cinco Violinos e do Benfica campeão europeu, dos imortais duelos entre Damas e o Pantera ou entre Bento e Rui "Gazela" Jordão.  Por vezes decisivo para a atribuição do título de campeão nacional, como naquela tarde de 25 de Abril de 1948 em que o Sporting venceu por 4-1 na Estância de Madeira (antigo campo do Benfica) com um póquer de golos cortesia de Fernando Peyroteo, mítico avançado centro leonino que nesse dia viria a garantir para os leões o celebérrimo Campeonato do Pirolito, título conquistado por apenas um golo de diferença. Abril, mês aziago para o Benfica neste particular, pois a 13 do ano de 1986 viria a perder já no Estádio da Luz um novo confronto decisivo com os leões (2-1). Morato e Manuel Fernandes marcaram nesse dia, mas dessa vez a vitória leonina infelizmente só aproveitou a terceiros (FC Porto). 

 

O jogo de hoje adquire contornos especiais por ocorrer em época de retoma do Sporting e de queda do Benfica, cenário difícil de perspectivar aquando do início da competição dado o milionário investimento efectuado pelos encarnados. Aqui chegados, o jogo é nada mais do que decisivo para as águias, sendo obviamente muito importante para os leões. Ainda assim, a pressão estará repartida, que dérbi é dérbi e todos o querem ganhar. Simplesmente, uma derrota do Benfica deixá-lo-á arredado do título, pelo menos a fazer fé nos números que nos dizem que num campeonato a 18 e com 3 pontos por vitória nunca uma equipa conseguiu recuperar 9  pontos de desvantagem e sagrar-se campeã, possibilidade que deverá funcionar como uma motivação extra para os jogadores do Sporting. Assim sendo, o jogo adquire contornos mais vistos num court de ténis: uma vitória leonina significará a eliminação do adversário por via da concretização do "match point" que tem disponível no seu "serviço", o empate anulará esse "match point" e a vitória do Benfica será como um "break point" para o resto da temporada que há que jogar. Deste modo, aconteça o que acontecer, uma pitada adicional de sal se reunirá aos ingredientes do costume com o intuito de combater o insosso cenário de bancadas despidas de adeptos por via da pandemia.

 

Com toda a história que os enquadra somada às idiossincrasias relativas ao momento presente de cada um, Sporting e Benfica entrarão no relvado para adicionar mais um capítulo à gloriosa gesta dos dérbis. O jogo tem início às 21h30. Faites vos jeux!

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04
Jan21

A aritmética do título


Pedro Azevedo

O caminho para se ser campeão é em teoria muito simples, matematicamente falando. Assim, todos os anos faço o mesmo exercício que consiste em atribuir 30 vitórias ao Sporting contra os clubes ditos "pequenos" e com muito menor orçamento. Adicionalmente, por motivos prudenciais relacionados com o tratamento do risco, considero sempre o "worst-case-scenario" nos nossos embates com os "grandes" (Benfica e Porto), ou seja, a derrota. Deste modo chego ao número mágico de 90 como objectivo pontual para se ser campeão, meta nunca até hoje atingida por qualquer clube num campeonato a 18 e com 3 pontos por vitória (o recorde pertence ao Benfica de 15/16 e ao Porto de 17/18, com 88 pontos). 

 

Partindo destas assunções iniciais, vou actualizando os resultados dos diferentes candidatos. Ora, à 12ª jornada a realidade é esta: o Sporting perdeu apenas 2 pontos contra os denominados "pequenos", correspondentes ao empate em Famalicão. Assim sendo, substraindo ao objectivo de 90 pontos, o Sporting poderia ainda fazer 88 pontos. Acontece, porém, que já empatámos um jogo com o Porto, o que nos dá 1 ponto de bónus face ao cenário traçado inicialmente. Feitas as contas, o nosso objectivo concretizável passa a ser de 89 pontos, marca ainda assim suficiente para se ser campeão, pelo menos à luz do histórico de campeões neste formato de competição. 

 

Vejamos agora os outros 2 candidatos pelo mesmo prisma: o Porto já perdeu 6 pontos contra os "pequenos" (Marítimo e Paços de Ferreira), mais 4 que o Sporting. Além disso, empatou contra nós, o que significa uma redução adicional de outros 2 pontos. Assim sendo, no máximo os dragões poderão somar 94 pontos no total do campeonato. Já o Benfica perdeu igualmente 6 pontos contra os "pequenos" (Boavista e Braga), estando assim limitado a 96 pontos nas contas finais. Acontece que Porto e Benfica ainda se terão de encontrar duas vezes e esses eventos serão mutuamente exclusivos, isto é, Porto e Benfica não poderão ganhar simultaneamente a totalidade dos pontos em disputa. Nesse sentido, vários cenários se poderão perspectivar. Imaginando o Cenário 1, em que o Porto perde os dois confrontos, então os portistas ficariam limitados a um máximo de 88 pontos nas contas finais do campeonato, logo 1 ponto abaixo do Sporting (caso este cumpra com as assunções iniciais). Imaginando o Cenário 2, em que o Benfica perde os dois confrontos, então as águias não poderiam somar mais do que 90 pontos no final, ficando assim à mercê de um desaire adicional para serem ultrapassadas pelo Sporting. Num Cenário 3, em que ambos os confrontos terminam com o empate, águias e dragões não poderiam realizar mais do que 92 e 90 pontos no total. Caso prevaleça o Cenário 4, em que cada equipa vence e perde 1 jogo, então encarnados e azuis-e-brancos teriam um potencial máximo de 93 e 91 pontos, respectivamente. Temos ainda mais 2 cenários, um em que o Porto vence 1 jogo e empata o outro, ficando os dragões com um potencial máximo de 92 pontos e os encarnados de 91, e um outro em que o Benfica vence 1 jogo e empata outro, deixando as águias com um potencial máximo de 94 pontos e os portistas com o horizonte de 89.

 

Como se poderá ver pelos diferentes cenários, Benfica e Porto caminham sobre fino gelo, qualquer novo desaire podendo resultar num acréscimo de pressão em relação aos chamados "jogos do título", aqueles embates entre os "grandes" que, como se pretende provar, não decidem efectivamente nada. Nesse sentido, o Benfica parte em desvantagem na medida em que ainda não realizou qualquer jogo "grande". Em contraposição, o Sporting, estando na frente e já tendo jogado contra o porto, está em clara vantagem, situação que ainda poderá melhorar quando Benfica e Porto se vierem a defrontar, evento que, como expliquei anteriormente, será mutuamente exclusivo no que concerne aos 3 pontos em disputa. Quanto ao Sporting, cumpre-lhe continuar a ganhar todos os jogos aos "pequenos". Se isso ainda não lhe dá (à 12º jornada) matematicamente a garantia de ser campeão, pelo menos garantir-lhe-ia uma pontuação final que dificilmente seria batida, na medida em que até hoje nunca um campeão conseguiu obter 89 pontos. Sigamos, portanto, o nosso caminho. Um jogo de cada vez, tal como os maratonistas que se concentram em ir vencendo Km a Km até à meta. 

14
Dez20

Tudo ao molho e fé em Deus

O Sporting-Benfica dos 7-1 (faz hoje 34 anos)


Pedro Azevedo

João Rocha abandonara a presidência do Sporting e havia sido substituído por Amado de Freitas. Apanhando o clube numa fase instável, Manuel José avançara para o estágio de pré-época com apenas 13 jogadores. Obviamente, o campeonato não começa bem. A 14 de Dezembro, dia da recepção ao Benfica (14ª jornada), o Sporting está já atrasado na corrida pelo título após as três derrotas e os dois empates registados em jogos anteriores.

 

Nos dias anteriores ao derby, os jornais multiplicam-se em previsões todas elas desfavoráveis ao clube de Alvalade. Incautos, não terão percebido a tempo que todos os aparentes contratempos se circunscreviam a uma elaborada estratégia de dissimulação leonina com vista a estabelecer o recorde da maior vitória de sempre em confrontos entre os dois rivais. Nesse sentido, a primeira parte ainda foi a esconder o jogo. O Meade falhou propositadamente dois golos cantados. Tudo para não dar nas vistas. Azarado, o Mário Jorge chutou contra o chão com o seu pior pé, mas a bola caprichosamente fez um ricochete que ultrapassou o corpo do Silvino e entrou dentro da baliza encarnada. O Sporting apanhava-se na frente, mas havia ainda muito tempo de jogo pela frente. Demasiado, dir-se-ia. Não fosse a malapata do açoriano e os lampiões nem teriam tempo ao intervalo de antecipar o que viria a seguir. Preocupados, os leões regressaram ao balneário. Só que, no reatamento, o Manuel Fernandes apareceu ao primeiro poste e desviou com sucesso de cabeça um canto marcado pelo Zinho. Por essa altura provavelmente a mostarda já teria chegado ao nariz de Mortimore, o que conhecendo a chaveta do treinador britânico é coisa para ter deixado instantaneamente multi-milionárias a Heinz, a Maille e a cidade de Dijon todas de uma vez só. Vai daí, tira o Shéu e lança o Nunes, um tipo proveniente do sado com um penteado aerodinâmico assim meio alado como algumas coroas de louros romanas que recriavam uma biga. E, como por arte de magia, logo reduz pelo Wando. "I wonder" o que se terá passado na cabeça de Mortimore nesse momento, mas o mais certo é que tenha pensado que ia dar a volta à coisa. Durante cerca de 5 ou 6 minutos o estádio inteiro matutou o mesmo. Até que o Mário Jorge marcou um canto, o pequeno Litos desviou ao primeiro poste e o Meade apareceu ao segundo a dar uma raquetada de cima para baixo ("smash") na direcção da baliza deserta. Uma coisa particular entre os ingleses envolvidos no confronto (Meade e Mortimore), ou não tivessem os súbditos de Sua Majestade inventado o ténis. Seja como for, com esse golo o Sporting tinha match-point. A partir daí não sei explicar muito bem o que se passou. Recorro por isso a José Régio e ao seu Cântico Negro quando diz que foi um vendaval que se soltou, uma onda que se alevantou, um átomo a mais que se animou. Em consonância, o Litos marca um livre, três jogadores do Sporting falham sucessivamente o desvio, o Silvino sacode como pode e o Mário Jorge, agora com o pé esquerdo que isto é tempo de mostrar o jogo todo, pumba lá para dentro. O Benfica estava à nora e mais água meteu quando o Litos faz uma jogada à Platini culminada com um centro de régua e esquadro à maneira do Manuel Fernandes em salto de peixe marcar o quinto. Já que era para o naufrágio, o Mortimore tira o diamante(*) e mete o César Brito, um rapaz que começou no Barco e assim estava bom de ver que era o mais adequado para o naufrágio colectivo ficar completo. No meio de tanta água, eis então que se gera um maremoto quando o Oceano investe contra o mundo benfiquista, a todos derrubando até deixar o Manuel Fernandes de novo na cara do golo. Era o sexto. O Oceano estava imparável e agora era o Meade que tinha tudo para facturar. Mas a bola bateu-lhe num dos tijolos que tinha nos pés, consequência inata do seu ser e próxima dos despojos do tsunami, saltou metro e meio e dificultou-lhe o remate. O pobre do Silvino, que por essa altura só se benzia no desejo de não estar perante o Armagedão, ainda defendeu. Mas o Manuel Fernandes lá voltou a aparecer, desta vez para encerrar a conta. 

 

Bem sei que hoje é que se perfazem 34 anos desta inesquecível efeméride. Mas lembrei-me muito deste jogo este fim de semana quando um amigo benfiquista se veio gabar a mim de a sua equipa de voleibol ter ganho por três set(e)s a zero ao meu Sporting. Sorri e apenas lhe disse que realmente eles eram especialistas em set(e)s. E relembrei-lhe os sete-a-zero de Vigo e os sete-a-um que hoje com gosto aqui recordo convosco.

 

(*) Diamantino, bom jogador, de visão abrangente, por essa altura uma espécie de Medeiros Ferrreira do mundo da bola.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Manuel Fernandes (um póquer)

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01
Dez20

O "Automendi" do Ferrari


Pedro Azevedo

Na mesma "flash-interview" onde disse a Rita Latas, jornalista da SportTV, que era natural que não soubesse o que era "muita qualidade sobre futebol" (machismo, ou apenas a costumeira soberba qualquer que fosse o género do entrevistador?), Jorge Jesus referiu-se ao "Automendi". Parece nome de stand. Stand-up comedy, quero eu dizer. Ontem, na flash e no campo.

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14
Nov20

O triplo também no feminino...


Pedro Azevedo

Então não é que o Sporting deslocou-se à Tapadinha para bater a equipa do investimento milionário por três bolas a zero? Em mais uma reedição do derby imortal, Ana Capeta foi a figura em grande destaque. A ponta de lança leonina abriu o marcador com um remate colocado de fora da área (37 minutos) e alargou a nossa vantagem ao "peyrotear" a bola à entrada da área benfiquista, levando-a num misto de potência e colocação a entrar junto ao ângulo superior direito (53 minutos). A brasileira Raquel Fernandes encerrou a contagem aos 85 minutos com um toque subtil a desviar a bola da guarda-redes benfiquista após passe de ruptura de Tatiana Pinto. Resultado final: Benfica - Sporting 0-3. 

Em suma, Capeta a marcar à Peyroteo, Benfica a triplicar... em golos sofridos. Tudo certo, portanto, tudo de acordo com a tradição do velho Sporting e este novo Benfica.  

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24
Ago20

A evolução


Pedro Azevedo

O Presidente do Benfica disse em tempos que o seu clube estava 10 anos à frente da concorrência. Para o ilustrar e assim fazer jus à tese da evolução da espécie lampiânica face a opiniões cépticas de adversários internos e externos sobre a sua existência, Luis Filipe Vieira agora pretende contratar o Darwin. Como toda a gente sabe, pela selecção natural, onde há Darwin há um(a) girafa, por isso o Luisão também vai integrar a Estrutura. É que é preciso chegar mais alto (primeiro) à árvore... das patacas (Champions).

 

Por falar em patacas, depois do Cavém bicampeão europeu o Benfica queria o Cavani para reencarnar o sonho continental. Acontece que o Cavani já não (Ca)vem. A imprensa reportou que fiscalistas de 3 países debruçaram-se sobre o acordo, mas aparentemente as reservas (eleitorais) de petróleo descobertas no Seixal não são suficientemente profundas para dar cobertura à operação.

17
Jul20

O amor acontece (Love Actually)


Pedro Azevedo

O filme começa (prólogo) com a voz do "primeiro ministro" narrando que cada vez que fica deprimido com o estado da nação (lampiânica) pensa no terminal de chegadas do Aeroporto de Lisboa e no amor com que amigos e famílias recebem os seus entes queridos. Enquanto a realização nos dá a vêr excertos avulsos desses reencontros, a narração é entrecortada por "Wouldn`t it be nice" dos Beach Boys.  A fita evolui então para a "história de amor" entre Jorge e Luís.

 

O primeiro acto aborda a aposta arriscada que Luís fez em Jorge há 11 anos atrás, o "big break" da carreira do veterano treinador até aí sempre afastado dos grandes palcos. Preparando o novo enlace, a cena é acompanhada pela audição de "Christmas is all around", um "cover" canastrão de Love is all around dos Wet, Wet, Wet.

 

O segundo acto narra o "casamento" entre Jorge e Bruno e os ciúmes sentidos por Luís durante esse período. O divórcio esteve para ser litigioso, mas no fim um acordo acabou por ser selado. Um pungente "Bye bye baby (baby goodbye)", tocado pelos Bay City Rollers, acompanha o enredo.

 

O terceiro acto centra-se em Luís e Rui e como o primeiro voltou a ser feliz, apesar de um primeiro encontro que não pareceu muito prometedor. Dois anos de extrema alegria, esfusiantemente passados para o ecran ao som de "All you need is love". No entanto, ao terceiro ano a relação começa a ter os seus percalços e da ameaça de adultério ao divórcio foi um pequeno passo (ou luz). O realizador ilustra esse doloroso momento com o soberbo "Both sides now" de Joni Mitchell.

 

Epílogo: após breve quimera vivida com Bruno Lage, Vieira volta a aproximar-se de Jorge e... o amor acontece. Jorge Jesus regressa a Portugal, por entre anteriores juras de amor do tipo "o bom filho a casa torna", terminado o seu exílio forçado nas arábias e no Brasil, e tem um reencontro emotivo no Aeroporto de Lisboa com Luís Filipe Vieira. Ao longe, em ruído de fundo, os Beach Boys tocam "God only knows"... (Entretanto, em suas casas, os benfiquistas socorrem-se do sal para engolirem o sapo.)

 

P.S. Baseado num texto originalmente publicado pelo autor em "És a nossa Fé". Para melhor aproveitamento deste "filme", aconselha-se que a leitura de cada parágrafo seja acompanhada pela audição do(s) temas musical(ais) nele inserido(s). 

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24
Jun20

Milagre de Santa Clara


Pedro Azevedo

O Santa Clara venceu ontem o Benfica na Luz. Logicamente, a derrota dos encarnados marcará a actualidade noticiosa, mas seria injusto não reconhecer o mérito desta equipa açoriana que tem, à condição (Sporting e Braga, ambos com o dedo de Ruben Amorim, ainda podem superar essa marca nesta jornada), o segundo melhor registo em pontos da segunda volta do campeonato. Nesses 11 jogos (seis vitórias, três empates e duas derrotas), o Santa Clara fez 21 dos seus 38 pontos na Primeira Liga, o que dá uma média de 1,91 pontos/jogo. Acresce que em apenas 3 jogos actuou verdadeiramente na condição de visitado, no seu estádio, na medida em que os açorianos estão há 1 mês instalados no continente como providência, exemplar diga-se, de contenção da pandemia no arquipélago. Deste modo, tanto do ponto de vista da responsabilidade social como no plano desportivo está de parabéns o emblema açoriano, felicitações extensíveis aos seus dirigentes, jogadores e, naturalmente, ao seu treinador João Henriques. 

 

P.S. Desde que começou a segunda-volta, o Benfica perdeu 10 pontos para o FC Porto, 5 para o Santa Clara, 4 para Sporting e Braga (ambos com menos 1 jogo), 3 para o Rio Ave e tem os mesmos pontos que Boavista e Moreirense (menos 1 jogo). Belenenses SAD e Vitória de Guimarães (ambos com menos 1 jogo) fizeram apenas menos 1 ponto que os encarnados. 

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