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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

04
Jan21

A aritmética do título


Pedro Azevedo

O caminho para se ser campeão é em teoria muito simples, matematicamente falando. Assim, todos os anos faço o mesmo exercício que consiste em atribuir 30 vitórias ao Sporting contra os clubes ditos "pequenos" e com muito menor orçamento. Adicionalmente, por motivos prudenciais relacionados com o tratamento do risco, considero sempre o "worst-case-scenario" nos nossos embates com os "grandes" (Benfica e Porto), ou seja, a derrota. Deste modo chego ao número mágico de 90 como objectivo pontual para se ser campeão, meta nunca até hoje atingida por qualquer clube num campeonato a 18 e com 3 pontos por vitória (o recorde pertence ao Benfica de 15/16 e ao Porto de 17/18, com 88 pontos). 

 

Partindo destas assunções iniciais, vou actualizando os resultados dos diferentes candidatos. Ora, à 12ª jornada a realidade é esta: o Sporting perdeu apenas 2 pontos contra os denominados "pequenos", correspondentes ao empate em Famalicão. Assim sendo, substraindo ao objectivo de 90 pontos, o Sporting poderia ainda fazer 88 pontos. Acontece, porém, que já empatámos um jogo com o Porto, o que nos dá 1 ponto de bónus face ao cenário traçado inicialmente. Feitas as contas, o nosso objectivo concretizável passa a ser de 89 pontos, marca ainda assim suficiente para se ser campeão, pelo menos à luz do histórico de campeões neste formato de competição. 

 

Vejamos agora os outros 2 candidatos pelo mesmo prisma: o Porto já perdeu 6 pontos contra os "pequenos" (Marítimo e Paços de Ferreira), mais 4 que o Sporting. Além disso, empatou contra nós, o que significa uma redução adicional de outros 2 pontos. Assim sendo, no máximo os dragões poderão somar 94 pontos no total do campeonato. Já o Benfica perdeu igualmente 6 pontos contra os "pequenos" (Boavista e Braga), estando assim limitado a 96 pontos nas contas finais. Acontece que Porto e Benfica ainda se terão de encontrar duas vezes e esses eventos serão mutuamente exclusivos, isto é, Porto e Benfica não poderão ganhar simultaneamente a totalidade dos pontos em disputa. Nesse sentido, vários cenários se poderão perspectivar. Imaginando o Cenário 1, em que o Porto perde os dois confrontos, então os portistas ficariam limitados a um máximo de 88 pontos nas contas finais do campeonato, logo 1 ponto abaixo do Sporting (caso este cumpra com as assunções iniciais). Imaginando o Cenário 2, em que o Benfica perde os dois confrontos, então as águias não poderiam somar mais do que 90 pontos no final, ficando assim à mercê de um desaire adicional para serem ultrapassadas pelo Sporting. Num Cenário 3, em que ambos os confrontos terminam com o empate, águias e dragões não poderiam realizar mais do que 92 e 90 pontos no total. Caso prevaleça o Cenário 4, em que cada equipa vence e perde 1 jogo, então encarnados e azuis-e-brancos teriam um potencial máximo de 93 e 91 pontos, respectivamente. Temos ainda mais 2 cenários, um em que o Porto vence 1 jogo e empata o outro, ficando os dragões com um potencial máximo de 92 pontos e os encarnados de 91, e um outro em que o Benfica vence 1 jogo e empata outro, deixando as águias com um potencial máximo de 94 pontos e os portistas com o horizonte de 89.

 

Como se poderá ver pelos diferentes cenários, Benfica e Porto caminham sobre fino gelo, qualquer novo desaire podendo resultar num acréscimo de pressão em relação aos chamados "jogos do título", aqueles embates entre os "grandes" que, como se pretende provar, não decidem efectivamente nada. Nesse sentido, o Benfica parte em desvantagem na medida em que ainda não realizou qualquer jogo "grande". Em contraposição, o Sporting, estando na frente e já tendo jogado contra o porto, está em clara vantagem, situação que ainda poderá melhorar quando Benfica e Porto se vierem a defrontar, evento que, como expliquei anteriormente, será mutuamente exclusivo no que concerne aos 3 pontos em disputa. Quanto ao Sporting, cumpre-lhe continuar a ganhar todos os jogos aos "pequenos". Se isso ainda não lhe dá (à 12º jornada) matematicamente a garantia de ser campeão, pelo menos garantir-lhe-ia uma pontuação final que dificilmente seria batida, na medida em que até hoje nunca um campeão conseguiu obter 89 pontos. Sigamos, portanto, o nosso caminho. Um jogo de cada vez, tal como os maratonistas que se concentram em ir vencendo Km a Km até à meta. 

14
Dez20

Tudo ao molho e fé em Deus

O Sporting-Benfica dos 7-1 (faz hoje 34 anos)


Pedro Azevedo

João Rocha abandonara a presidência do Sporting e havia sido substituído por Amado de Freitas. Apanhando o clube numa fase instável, Manuel José avançara para o estágio de pré-época com apenas 13 jogadores. Obviamente, o campeonato não começa bem. A 14 de Dezembro, dia da recepção ao Benfica (14ª jornada), o Sporting está já atrasado na corrida pelo título após as três derrotas e os dois empates registados em jogos anteriores.

 

Nos dias anteriores ao derby, os jornais multiplicam-se em previsões todas elas desfavoráveis ao clube de Alvalade. Incautos, não terão percebido a tempo que todos os aparentes contratempos se circunscreviam a uma elaborada estratégia de dissimulação leonina com vista a estabelecer o recorde da maior vitória de sempre em confrontos entre os dois rivais. Nesse sentido, a primeira parte ainda foi a esconder o jogo. O Meade falhou propositadamente dois golos cantados. Tudo para não dar nas vistas. Azarado, o Mário Jorge chutou contra o chão com o seu pior pé, mas a bola caprichosamente fez um ricochete que ultrapassou o corpo do Silvino e entrou dentro da baliza encarnada. O Sporting apanhava-se na frente, mas havia ainda muito tempo de jogo pela frente. Demasiado, dir-se-ia. Não fosse a malapata do açoriano e os lampiões nem teriam tempo ao intervalo de antecipar o que viria a seguir. Preocupados, os leões regressaram ao balneário. Só que, no reatamento, o Manuel Fernandes apareceu ao primeiro poste e desviou com sucesso de cabeça um canto marcado pelo Zinho. Por essa altura provavelmente a mostarda já teria chegado ao nariz de Mortimore, o que conhecendo a chaveta do treinador britânico é coisa para ter deixado instantaneamente multi-milionárias a Heinz, a Maille e a cidade de Dijon todas de uma vez só. Vai daí, tira o Shéu e lança o Nunes, um tipo proveniente do sado com um penteado aerodinâmico assim meio alado como algumas coroas de louros romanas que recriavam uma biga. E, como por arte de magia, logo reduz pelo Wando. "I wonder" o que se terá passado na cabeça de Mortimore nesse momento, mas o mais certo é que tenha pensado que ia dar a volta à coisa. Durante cerca de 5 ou 6 minutos o estádio inteiro matutou o mesmo. Até que o Mário Jorge marcou um canto, o pequeno Litos desviou ao primeiro poste e o Meade apareceu ao segundo a dar uma raquetada de cima para baixo ("smash") na direcção da baliza deserta. Uma coisa particular entre os ingleses envolvidos no confronto (Meade e Mortimore), ou não tivessem os súbditos de Sua Majestade inventado o ténis. Seja como for, com esse golo o Sporting tinha match-point. A partir daí não sei explicar muito bem o que se passou. Recorro por isso a José Régio e ao seu Cântico Negro quando diz que foi um vendaval que se soltou, uma onda que se alevantou, um átomo a mais que se animou. Em consonância, o Litos marca um livre, três jogadores do Sporting falham sucessivamente o desvio, o Silvino sacode como pode e o Mário Jorge, agora com o pé esquerdo que isto é tempo de mostrar o jogo todo, pumba lá para dentro. O Benfica estava à nora e mais água meteu quando o Litos faz uma jogada à Platini culminada com um centro de régua e esquadro à maneira do Manuel Fernandes em salto de peixe marcar o quinto. Já que era para o naufrágio, o Mortimore tira o diamante(*) e mete o César Brito, um rapaz que começou no Barco e assim estava bom de ver que era o mais adequado para o naufrágio colectivo ficar completo. No meio de tanta água, eis então que se gera um maremoto quando o Oceano investe contra o mundo benfiquista, a todos derrubando até deixar o Manuel Fernandes de novo na cara do golo. Era o sexto. O Oceano estava imparável e agora era o Meade que tinha tudo para facturar. Mas a bola bateu-lhe num dos tijolos que tinha nos pés, consequência inata do seu ser e próxima dos despojos do tsunami, saltou metro e meio e dificultou-lhe o remate. O pobre do Silvino, que por essa altura só se benzia no desejo de não estar perante o Armagedão, ainda defendeu. Mas o Manuel Fernandes lá voltou a aparecer, desta vez para encerrar a conta. 

 

Bem sei que hoje é que se perfazem 34 anos desta inesquecível efeméride. Mas lembrei-me muito deste jogo este fim de semana quando um amigo benfiquista se veio gabar a mim de a sua equipa de voleibol ter ganho por três set(e)s a zero ao meu Sporting. Sorri e apenas lhe disse que realmente eles eram especialistas em set(e)s. E relembrei-lhe os sete-a-zero de Vigo e os sete-a-um que hoje com gosto aqui recordo convosco.

 

(*) Diamantino, bom jogador, de visão abrangente, por essa altura uma espécie de Medeiros Ferrreira do mundo da bola.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Manuel Fernandes (um póquer)

manuel fernandes.jpeg

01
Dez20

O "Automendi" do Ferrari


Pedro Azevedo

Na mesma "flash-interview" onde disse a Rita Latas, jornalista da SportTV, que era natural que não soubesse o que era "muita qualidade sobre futebol" (machismo, ou apenas a costumeira soberba qualquer que fosse o género do entrevistador?), Jorge Jesus referiu-se ao "Automendi". Parece nome de stand. Stand-up comedy, quero eu dizer. Ontem, na flash e no campo.

jorge-jesus.jpg

14
Nov20

O triplo também no feminino...


Pedro Azevedo

Então não é que o Sporting deslocou-se à Tapadinha para bater a equipa do investimento milionário por três bolas a zero? Em mais uma reedição do derby imortal, Ana Capeta foi a figura em grande destaque. A ponta de lança leonina abriu o marcador com um remate colocado de fora da área (37 minutos) e alargou a nossa vantagem ao "peyrotear" a bola à entrada da área benfiquista, levando-a num misto de potência e colocação a entrar junto ao ângulo superior direito (53 minutos). A brasileira Raquel Fernandes encerrou a contagem aos 85 minutos com um toque subtil a desviar a bola da guarda-redes benfiquista após passe de ruptura de Tatiana Pinto. Resultado final: Benfica - Sporting 0-3. 

Em suma, Capeta a marcar à Peyroteo, Benfica a triplicar... em golos sofridos. Tudo certo, portanto, tudo de acordo com a tradição do velho Sporting e este novo Benfica.  

ana capeta.jpg

24
Ago20

A evolução


Pedro Azevedo

O Presidente do Benfica disse em tempos que o seu clube estava 10 anos à frente da concorrência. Para o ilustrar e assim fazer jus à tese da evolução da espécie lampiânica face a opiniões cépticas de adversários internos e externos sobre a sua existência, Luis Filipe Vieira agora pretende contratar o Darwin. Como toda a gente sabe, pela selecção natural, onde há Darwin há um(a) girafa, por isso o Luisão também vai integrar a Estrutura. É que é preciso chegar mais alto (primeiro) à árvore... das patacas (Champions).

 

Por falar em patacas, depois do Cavém bicampeão europeu o Benfica queria o Cavani para reencarnar o sonho continental. Acontece que o Cavani já não (Ca)vem. A imprensa reportou que fiscalistas de 3 países debruçaram-se sobre o acordo, mas aparentemente as reservas (eleitorais) de petróleo descobertas no Seixal não são suficientemente profundas para dar cobertura à operação.

17
Jul20

O amor acontece (Love Actually)


Pedro Azevedo

O filme começa (prólogo) com a voz do "primeiro ministro" narrando que cada vez que fica deprimido com o estado da nação (lampiânica) pensa no terminal de chegadas do Aeroporto de Lisboa e no amor com que amigos e famílias recebem os seus entes queridos. Enquanto a realização nos dá a vêr excertos avulsos desses reencontros, a narração é entrecortada por "Wouldn`t it be nice" dos Beach Boys.  A fita evolui então para a "história de amor" entre Jorge e Luís.

 

O primeiro acto aborda a aposta arriscada que Luís fez em Jorge há 11 anos atrás, o "big break" da carreira do veterano treinador até aí sempre afastado dos grandes palcos. Preparando o novo enlace, a cena é acompanhada pela audição de "Christmas is all around", um "cover" canastrão de Love is all around dos Wet, Wet, Wet.

 

O segundo acto narra o "casamento" entre Jorge e Bruno e os ciúmes sentidos por Luís durante esse período. O divórcio esteve para ser litigioso, mas no fim um acordo acabou por ser selado. Um pungente "Bye bye baby (baby goodbye)", tocado pelos Bay City Rollers, acompanha o enredo.

 

O terceiro acto centra-se em Luís e Rui e como o primeiro voltou a ser feliz, apesar de um primeiro encontro que não pareceu muito prometedor. Dois anos de extrema alegria, esfusiantemente passados para o ecran ao som de "All you need is love". No entanto, ao terceiro ano a relação começa a ter os seus percalços e da ameaça de adultério ao divórcio foi um pequeno passo (ou luz). O realizador ilustra esse doloroso momento com o soberbo "Both sides now" de Joni Mitchell.

 

Epílogo: após breve quimera vivida com Bruno Lage, Vieira volta a aproximar-se de Jorge e... o amor acontece. Jorge Jesus regressa a Portugal, por entre anteriores juras de amor do tipo "o bom filho a casa torna", terminado o seu exílio forçado nas arábias e no Brasil, e tem um reencontro emotivo no Aeroporto de Lisboa com Luís Filipe Vieira. Ao longe, em ruído de fundo, os Beach Boys tocam "God only knows"... (Entretanto, em suas casas, os benfiquistas socorrem-se do sal para engolirem o sapo.)

 

P.S. Baseado num texto originalmente publicado pelo autor em "És a nossa Fé". Para melhor aproveitamento deste "filme", aconselha-se que a leitura de cada parágrafo seja acompanhada pela audição do(s) temas musical(ais) nele inserido(s). 

Jorge-Jesus-e-Luis-Filipe-Vieira2.jpg

24
Jun20

Milagre de Santa Clara


Pedro Azevedo

O Santa Clara venceu ontem o Benfica na Luz. Logicamente, a derrota dos encarnados marcará a actualidade noticiosa, mas seria injusto não reconhecer o mérito desta equipa açoriana que tem, à condição (Sporting e Braga, ambos com o dedo de Ruben Amorim, ainda podem superar essa marca nesta jornada), o segundo melhor registo em pontos da segunda volta do campeonato. Nesses 11 jogos (seis vitórias, três empates e duas derrotas), o Santa Clara fez 21 dos seus 38 pontos na Primeira Liga, o que dá uma média de 1,91 pontos/jogo. Acresce que em apenas 3 jogos actuou verdadeiramente na condição de visitado, no seu estádio, na medida em que os açorianos estão há 1 mês instalados no continente como providência, exemplar diga-se, de contenção da pandemia no arquipélago. Deste modo, tanto do ponto de vista da responsabilidade social como no plano desportivo está de parabéns o emblema açoriano, felicitações extensíveis aos seus dirigentes, jogadores e, naturalmente, ao seu treinador João Henriques. 

 

P.S. Desde que começou a segunda-volta, o Benfica perdeu 10 pontos para o FC Porto, 5 para o Santa Clara, 4 para Sporting e Braga (ambos com menos 1 jogo), 3 para o Rio Ave e tem os mesmos pontos que Boavista e Moreirense (menos 1 jogo). Belenenses SAD e Vitória de Guimarães (ambos com menos 1 jogo) fizeram apenas menos 1 ponto que os encarnados. 

João-Henriques.jpg

18
Jun20

Tudo ao molho e fé em Deus

O Lampionato voltou!


Pedro Azevedo

O futebol português é muito divertido. Por exemplo, na conferência de imprensa após o jogo em Vila do Conde, os jornalistas indagaram Bruno Lage sobre as razões da reviravolta benfiquista. O tom geral entusiástico das perguntas fez-me por um momento acreditar que estariam a interrogar um Prémio Nobel da Física sobre a descoberta da radiação cósmica de fundo e seu contributo para um melhor conhecimento da estrutura do Universo. Em resposta, não perdendo a compostura, o próprio treinador benfiquista pareceu personificar o papel de laureado, valorizando muito as virtudes da tal Estrutura e das opções de fundo que tomou. Curioso, fui ver as imagens do jogo. Devo dizer que fiquei um bocadinho decepcionado. É que se por um lado confirmei, e por duas vezes, a (ir)radiação de fundo, vermelha por sinal, por outro verifiquei que ela deveria ter sido atribuída a Luis Godinho e não a Lage. E ainda apanhei o Carvalhal a dizer que já conhecia muito bem o futebol português. Qualquer adepto do Sporting também. Como tal, nem estranhei que o treinador vilacondense, certamente com medo de um castigo, não tenha apontado o dedo a ninguém. O problema é que, se o braço estiver sempre encostado ao corpo (*), não só apontar o dedo se torna humanamente impossível como o contorcionismo e o ilusionismo irão continuar. E, para completar o circo, os palhaços também. Diz(em) que é da educação (física, não cívica)... 

 

(*) O braço encostado ao corpo não cauciona que um jogador o use ostensivamente para desviar a trajectória da bola dentro da área. Na minha opinião, ficou um penálti por marcar a favor do Rio Ave quando o jogo estava empatado e os vilacondenses tinham menos 2 jogadores em campo. 

07
Jun20

Pedras na engrenagem encarnada


Pedro Azevedo

A  semana do Benfica ficou marcada pela pedrada. Tudo começou na demissão do seu presidente da AG, uma pedrada no charco, ou melhor, um canhão de Nazaré, abrindo uma onda de contestação à Direcção que foi logo surfada por putativos candidatos à presidência do clube. Seguiu-se-lhe mais um episódio canalha de violência no futebol português novamente perpetrada contra os profissionais do chuto na bola. Da pedrada alegórica passou-se (o que "passou-se"?) para a literal, com um ataque ao autocarro do Benfica do qual resultou ferimentos em dois jogadores (Zivkovic e Weigl). Um momento de terror para os visados, pelo menos a atestar pelas declarações da mulher de Weigl, que se encontrava a falar telefonicamente com o marido quando o incidente ocorreu. Finalmente, o jornal Público denunciou alegados "acordos de dependência" entre o clube da Luz e o Desportivo das Aves que o Benfica classificou de "legais e normais no futebol e em outras sociedades comerciais", ficando a ideia que do ponto de vista estrictamente da ética as explicações se assemelharam a um 'quem nunca pecou que atire a primeira pedra'. 

weigl.jpg

18
Jan20

Tudo ao molho e fé em Deus - Apocalypse mau


Pedro Azevedo

É complicado um homem chegar a uma idade adulta e descobrir que foi enganado pelo seu progenitor durante uma vida. O mesmo que desde tenra idade me afiançou coisas que aliás de tão verosímeis à época tomei como absolutamente axiomáticas, do tipo de o Sporting ser um clube diferente para melhor, o nosso fundador ter sido José Alvalade, ou o verde ser a cor da esperança. Até que um dia um homem acorda, choca de frente com a realidade e, enquanto coloca o penso (logo existo) na cabeça e induz o método cartesiano, vê a verdade passar-lhe perturbantemente pelos olhos. E nesse processo vislumbra um clube de niilistas, provavelmente fundado por um tal de Nietzsche, onde impera o vale-tudo, não se acredita em nada e a única Esperança é a filha de um consócio vindo de Marte. 

 

No actual estado de coisas, para muitos parece ponto assente que enquanto uma nave alienígena não aterrar em Alvalade, raptar parte dos ocupantes da Bancada Sul e levá-los para experiências numa galáxia distante que envolvam nuvens de poeira semelhantes a fuminhos, estrelinhas e outras cenas psicadélicas, Varandas continuará a presidir aos destinos do clube e estaremos condenados a (des)entendermo-nos. Imagine agora o Leitor que isso só acontecerá no ano 3000. Vai ser um fartote de famílias sportinguistas a fazerem a arvore geneológica à procura do último antepassado que viu o Sporting ganhar um campeonato. Ano 3000 em que se irão perfazer 998 anos sem ver o Sporting campeão. Pensem nisto apenas como uma ideia em construção, mas, se a única razão para manter Varandas, que curiosamente tal como Nitzsche é Frederico, é a repressão às claques, então talvez fosse melhor substitui-lo por algum sportinguista com as quotas em dia que actualmente integre o Comando Geral da Polícia de Segurança Pública. É que sendo certo que parte da Bancada Sul, com um comportamento que nos enche de vergonha, é hoje o seguro de vida de Frederico Varandas, importará saber o que será no futuro próximo o seguro de vida do Sporting. Desconfio que talvez passe pela fidelidade de sócios e adeptos ao clube e por um maior escrutínio aquando dos actos eleitorais. Só assim virá a bonança. 

 

O actual Mundo Sporting divide-se entre os que não aceitam opiniões diferentes sobre o que aconteceu no passado, os que não se entendem sobre o que está a acontecer no presente e os que discutem sobre o que virá a acontecer no futuro. Aparentemente, a única preocupação de sócios e adeptos é essa: divergir. E assim darem largas ao seu desporto favorito, o maniqueísmo, a grande marca do nosso ecletismo. Entretanto, numa realidade alternativa e sem grande relevância parece que o contador do Sporting-Benfica desta época está em 0-7. E estamos a 19 pontos do primeiro lugar no Lampeonato, ainda esta popular competição criada com o único propósito de glorificar o clube da Farmácia Franco vai a meio. Não que isto evidentemente cause qualquer tipo de preocupação, pelo contrário. Um sportinguista que se preze aguarda é pela abertura da London Stock Exchange para saber como estará a cotação do activo Bruno Fernandes. Lá está, tudo isso é um sinal de progresso: em tempos idos teria sido o LSD a nos fazer navegar para uma determinada percepção da realidade, agora é o LSE. Uma evolução, portanto, na linha de uma gestão de topo sempre à procura da inovação...

 

Se as claques são o seguro de vida de Frederico Varandas, teme-se que só Silas segure Tiago Ilori. Este - informação reputada de fidedigna que recolhi "à la carte" enquanto comia um bacalhau à braz numa tasca junto a um estúdio da TVI - , é um dos 4 Cavaleiros do Apocalipse que nos vem revelar no presente as coisas que acontecerão em breve à medida que se vai desenrolando o manuscrito já composto por sete selos vermelhos. 

 

Porém, estamos condenados a estar juntos. Podemos mudar de carro, de casa, de namorada ou namorado, de emprego, cidade, país, ou até de nacionalidade, mas a natureza do amor a um clube é incorruptível. Tão incorruptível que preferiremos sempre os sócios e adeptos moderados que nos criticam, porque nos corrigem, aos que nos elogiam, porque nos corrompem. Já o dizia Santo Agostinho e é bem verdade. Sporting sempre!

 

"Always look on the bright side of life"

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcos Acuña

 

P.S. Apocalyse=revelação

sportingbenfica (1).jpg

16
Jan20

Coates, Ruben e a dualidade de critérios


Pedro Azevedo

Coates coartado de jogar contra o Benfica, "Rambo" Dias limpo para defrontar o Sporting. Admito sem dificuldades que o uruguaio tenha merecido o amarelo, pese embora a sua movimentação tenha pretendido mais limitar a acção do seu adversário sadino do que propriamente tocar-lhe (não é claro sequer nas imagens televisivas que tenha tocado), já no caso do português torna-se difícil compreender como não foi visto dentro do campo o claro empurrão ao iraniano do Rio Ave (bem visível na TV). Do resultado prático disto tudo é que ninguém tem dúvidas: a falta de equidade no tratamento dos lances por parte de dois árbitros gerou uma situação clara de prejuízo do Sporting face ao rival Benfica a poucos dias do derby da capital. Num país onde a transparência fosse um pilar civilizacional, o Conselho de Arbitragem deveria dizer algo sobre o assunto, desde logo lamentando a dualidade de critérios e seu impacto imediato em prejuízo de um dos clubes e em benefício de outro, mas também dando nota de estar especialmente atento e tudo ir fazer para garantir uma maior uniformidade futura nas decisões dos seus colegiados. Mas isso seria num país onde a necessidade de transparência fosse um pilar civilizacional e um imperativo ético, por aqui achamos que uma polémicazinha à segunda-feira apimenta o interesse pelo jogo e não nos incomodamos que na opinião pública se crie a suspeição de que as assimetrias entre os clubes não existem só dentro do campo...  

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