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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

17
Ago19

Na na na na na não!?


Pedro Azevedo

"When the music`s over"...

 

Já vinha pré-anunciado no meu Post anterior e é agora uma realidade: Bas Dost vai sair do Sporting. Inclusivé, no meu esboço de plantel para esta época havia admitido vendê-lo desde que por um valor superior a €20 milhões. 

 

Não é que não goste de um jogador que connosco marcou 93 golos em 127 partidas, olho é para as contas da SAD, para a redundância de contratações sem qualquer sentido e percebo que não há milagres. Com um défice estrutural anual de cerca de 60 milhões de euros, ir ao mercado comprar 11 jogadores desde Janeiro - já nem falo do Lico, Ronaldo e Wang, ou Tang, ou lá o que é... - só pode ser uma brincadeira, na medida em que não só nos constringe ainda mais a tesouraria como aumenta o peso das amortizações nos Resultados, valor que se encontrava nos €8 milhões em Junho de 2014 e que agora, 5 anos depois, deverá andar já acima dos €30 milhões (28 milhões de euros em 30 de Junho de 2018). Tenho vindo a tentar alertar os Sportinguistas sobre as consequências desta política desportiva que se assemelha (em compras em quantidade) à praticada na temporada de 2016/17, mas talvez agora este acontecimento-choque alerte para o real estado das nossas contas e para a necessidade emperiosa de se apostar na Formação, sob pena de, não o fazendo, termos de vender a SAD para não fechar as portas. O mais curioso é que, apostando na Formação, poderíamos ter os tais jogadores que fazem a diferença. A continuar neste caminho, teremos uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma.

 

Está em marcha aquilo que eu previa: gradualmente vamos assistir à venda dos nossos melhores jogadores a fim de tapar o buraco financeiro agravado pelas compras. Aqueles serão substituídos por jogadores de classe média/baixa com os quais o nosso desempenho desportivo se irá sucessivamente deteriorar. É evidente que tudo teria sido diferente se tivessemos apostado na Formação - melhor ou pior, não me parece inferior aos que chegaram desde Janeiro - e procurado no mercado 1 ou 2 jogadores que pudessem fazer a diferença, conseguindo-se assim compatibilizar na folha de pagamentos os jogadores mais caros do plantel, nomeadamente Dost que tinha um vencimento muito elevado (ainda assim de cerca de 1/7 do valor gasto em transferências este ano). Não foi o caso e agora, depois dos 35 milhões de euros investidos (fora as comissões ainda não reveladas do Mercado de Verão) em 11 jogadores, dos quais apenas 1 é titular (Doumbia), corremos o risco de ainda ter de vender mais alguém, com um dos 3 melhores jogadores da equipa (Acuña) à cabeça. E isto se Bruno não vier ainda a sair. 

 

Não sei qual o valor de venda de Dost e repugnam-me estas "coincidências" de nas vésperas destes acontecimentos serem postas a circular notícias sobre custos adicionais com empresários, etc. Gostaria, sim, que quem estivesse à frente do meu clube o pusesse sempre em primeiro lugar. Em termos genéricos, penso que não precisamos da Comunicação para defender pessoas, mas sim o clube. Só espero que essas notícias não sirvam para nos fazer compreender que Dost tinha de ser dado, para que assim se pudessem pagar salários... 

 

Quero confiar, pelo menos, que a venda do holandês permita que se compre o avançado móvel e letal na área de que necessitamos. Estranho é não ver Gelson Dala na convocatória (cheia de defesas e médios) para o Braga, ele que tem essas características e só precisa de um treinador que lhe dê confiança. Afinal, porque razão se travou o empréstimo do angolano ao Antuérpia de Boloni? Para não o ter num jogo importante para nós, quando só Luíz Phellype está disponível? E Pedro Mendes, para que serve? Enfim, a celebérrima aposta na Formação que está a caminho. Por um caminho de cabras, é certo.

 

Termino, desejando a Bas Dost as maiores felicidades. Gostaria de lhe deixar um singelo tributo, pois sempre me emocionou a sua alegria no campo, o seu companheirismo (procurando logo os colegas após os golos) e o seu profissionalismo. Ele parecia genuinamente feliz de estar connosco! Bas Dost sempre foi um senhor, assim continuando mesmo após o drama de Alcochete, em que ele foi o nosso atleta mais violentado. Regressou cheio de ganas, mas após a lesão não voltou ao mesmo nível. Mais do que vítima de um sistema que não o favorecia - marcou muitos golos nos primeiros tempos de Keizer - , nos últimos tempos parecia não tão transbordante de alegria. Talvez já estivesse a sentir os empurrões. E não me refiro àqueles que ocorrem na grande área... 

 

Obrigado Bas Dost! (E que continues a "dostar" por aí.)

 

P.S. Seria interessante alguém analisar o rácio de golos por remate de Bas Dost e compará-lo com o de outros "artistas do golo". Dost nunca teve muita bola na área, mas quando a bola lhe chegava era quase sempre letal.

bas dost 1.jpg

20
Dez18

Tudo ao molho e fé em Deus - O segredo do Mona Lisa


Pedro Azevedo

Mais um jogo e as redes a abanarem por mais sete vezes, algo que nem é estranho às gentes da cidade piscatória de onde o Rio Ave é natural. Este jogo de passe/desmarcação do Sporting parece futsal e tem resultados próprios do futsal. Um banquete para os sentidos! Os jogadores são os do início da época, os adeptos são os mesmos, então qual é o ingrediente secreto? O segredo é Keizer. Este treinador é como a Savora, com ele toda a “comida” melhora: Diaby, um jogador de classe média que não tinha marcado nos primeiros dezassete jogos, já leva seis golos nas últimas sete partidas, os outrora mal-amados Gudelj (hoje menos bem) e Petrovic cumprem alternadamente como trincos, Miguel Luís vai crescendo a olhos vistos (precisa de tentar o passe de ruptura), Wendel aprendeu mandarim numa semana, Acuña está feito um senhor lateral, Bruno Fernandes é hoje pouco menos do que omnipotente e até “Bis”(!) Dost marca (ainda) mais, com 10 golos (4 bis) nos 6 jogos que disputou nesta nova era, colocando sempre o seu nome nos goleadores de cada partida. E se Bruno Gaspar ou Jefferson ainda não denotam grandes progressos é porque, pese embora a época natalícia, Keizer é o homem do Renascimento mas não é Deus (embora ameace vir a converter-se num deus para os adeptos leoninos), nem faz milagres.

 

O jogo começou com Renan a tirar o pão da boca de Coentrão, para logo na resposta Acuña (isolado por Jovane) pôr a comida na mesa de Diaby, naquilo que se pode chamar uma entrada à leão. À meia-hora, uma combinação sul-americana (canto de Acuña, cabeçada de Coates) levou a bola a embater no poste da baliza vila-condense. Na recarga, Bas Dost marcou o segundo da noite. Por essa altura, a nossa jovem promessa Gelson Dala começava a evidenciar-se: numa diagonal rápida deixou Mathieu e Acuña presos ao solo e falhou na cara de Renan. Um golo marcado por um jogador sportinguista ao Sporting não seria natural (alô Peseiro), mas a verdade é que se confirmou quando o infeliz Rei Mago Gaspar foi portador de um presente de Natal para os rio-avistas, em cima do intervalo, deixando um suave odor (incenso) de incerteza no ar. Pouco antes houvera ópera, quando Bruno Fernandes com uma recepção perfeita a um centro tenso de “Muttley” Acuña e um pontapé violento alterara uma vez mais o placard, subindo mais uma oitava a sua produção de jogo.

 

Antes do reinício, Bas Dost e Gelson Dala confraternizaram, como que preparando a parceria para 19/20. O jogo reatou-se e o Rio Ave voltou a ter a primeira oportunidade, mas Bruno Gaspar antecipou-se a Carlos Vinícius e salvou um golo iminente. Petrovic já entrara para o lugar de Gudelj, quando Bruno Fernandes tentou por duas vezes, à bomba, desfeitear o guardião vila-condense. Leo Jardim, todavia, já não conseguiu evitar um novo golo de Dost – jogada espectacular entre Acuña, Bruno Fernandes e Jovane, com cruzamento deste último – nem outro de Diaby, assistido por Bruno Fernandes. (Não deixa de ser irónico que, tendo sido o nosso antigo treinador Leonardo Jardim a recomendar Keizer, um seu homónimo já tenha encaixado oito golos com a brincadeira.) Pelo meio, uma enorme jogada de Gelson Dala, ingloriamente desperdiçada por Carlos Vinícius, e um remate de João Schmidt à barra haviam assustado os leões. Já perto do fim, num penálti duvidoso, Vinícius reduziu para 5-2, já André Pinto (contratação para o Ferrari de Jesus que se move à velocidade do carro dos Flinstones) e Ristovski (sério candidato ao prémio de trapalhão do ano) estavam em campo.

 

O Sporting continua imparável, com 30 golos em 7 jogos (média de 4,29) e está a dar-me algum gozo vêr que os comentadores desportivos, que nem sequer deram o benefício da dúvida a Keizer, já não sabem bem o que dizer sobre este fenómeno. Hoje, tivemos um Quinteto Fantástico absolutamente imparável: Bruno Fernandes, Bas Dost, Diaby, Marcus Acuña (o melhor na primeira parte) e Jovane Cabral.

No fim, quando questionado sobre o futebol “simples” do Sporting, Marcel Keizer foi lapidar: "simples é o mais difícil". Este futebol dos leões não é de “descansar com bola” como oiço por aí. Pelo contrário, exige movimentações constantes aos jogadores no sentido de serem criadas linhas de passe. Como tal, precisamos do mercado de Inverno para que se reforcem algumas posições, a fim de que a factura do desgaste não se venha a pagar mais tarde. Para já, a fadiga verga-se ao peso das vitórias, mesmo que hoje só tenham estado pouco mais de 12 mil a apoiar nas bancadas. E não há um sportinguista, jogadores incluídos, que queira acordar deste sonho de Outono, mesmo que Guimarães seja já no Inverno. É que ainda somos um clube desportivo e não um partido político…

 

"Venham mais cinco, de uma assentada que eu pago já..."

 

Tenor “Tudo ao molho…”: Bruno Fernandes

BF sportingrioave.jpg

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