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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

30
Set20

As causas da coisa (2)


Pedro Azevedo

Causa nº2: Equidade de critério disciplinar por parte dos árbitros

 

Procurando deixar de lado a óbvia parcialidade de quem é Sportinguista e adepto e sócio do Sporting, não deixou de ser notório em Paços de Ferreira que o critério disciplinar usado por Fábio Veríssimo não foi uniforme para as duas equipas. Não se tratou só do facto de a equipa que mais faltas cometeu (18 contra 12) ter sido a que menos vezes foi admoestada com o cartão amarelo (2 contra 6) mas também de faltas cometidas por trás pela equipa pacense - por vezes com infração dupla que consistiu em puxão pelas costas acompanhado de pisão no tendão de aquiles (gravidade extrema) - terem passado impunes do ponto de vista disciplinar. Ao mesmo tempo, irregularidades leves cometidas por jogadores leoninos foram severamente punidas com a cartolina amarela. Desta forma, o jogo terminou com um rácio de cartão amarelo por falta de 11,1% para os pacenses contra 50%(!) para os leões. Um absurdo! Poderá alguém alegar que o árbitro não viu o tal lance faltoso do jogador pacense e que o total de amarelos mostrados no jogo (8) se deveu a ser especialmente rigoroso em matéria disciplinar. Porém, analisando os outros dois jogos que apitou esta época - um jogo da Liga das Nações entre País de Gales e Bulgária e uma partida de qualificação para a Liga Europa entre Riga e Celtic - verificamos que em cada um apenas levou a mão ao bolso por três vezes.

 

Se o critério do árbitro num mesmo jogo não é uniforme, imagine-se a equidade que se pode esperar quando se compara do ponto de vista disciplinar o critério dos "n" árbitros habilitados a apitar jogos da Primeira Liga. Nesse sentido, o Tiago Cabral, no És a nossa FÉ, ontem apresentou números comparativos que evidenciam que o Sporting já tem mais cartões amarelos num só jogo do que o somatório de Benfica e Porto em dois jogos. Enquanto para os leões, 12 faltas cometidas implicaram 6 amarelos (rácio de 50%), Porto e Benfica juntos apenas viram o rectângulo icterícia por 5 vezes após 57 (!) faltas (8,8%). Dirão alguns que portistas e benfiquistas sabem onde fazer faltas e que são especialmente meticulosos na forma de transgredir a regra sem necessidade de infração disciplinar, porém não só quem veja os jogos não tem essa noção como não deve ser desprezado o ilícito disciplinar que decorre da recorrência da falta por parte do(s) mesmo(s) jogador(es). Acrescento ainda aqui o exemplo do Braga, equipa que tem os mesmos amarelos que nós. Acontece que para isso os braguistas cometeram 31 faltas, o que lhes confere um rácio de 19,4%. 

 

Estes números do Sporting não deixam de causar estranheza quando analisados de forma comparativa com outros clubes. Analogia que não fica por aqui e que se pode estender ao desempenho disciplinar dos leões nas provas europeias. Se bem que a amostra é de apenas 1 jogo, na partida contra o Aberdeen os leões viram 2 amarelos e cometeram mais uma falta do que no jogo em Paços. Enfim, usando uma expressão bem cara a O' Neill, a uniformidade de critério disciplinar dos árbitros portugueses é "uma coisa em forma de assim". Assim vai o futebol português...

 

P.S. Algumas notas: Guga, do Famalicão, é o jogador mais faltoso (7) ao fim de 2 jornadas. Não tem nenhum cartão amarelo. Enfim, poder-se-á dizer que é um médio de ataque e como tal as infrações que comete são fora de uma zona de perigo para a sua equipa. De qualquer forma, há aqui a questão da acumulação. O mesmo é válido para Corona, que tem já 6 faltas e ainda não viu o amarelo. Já em relação ao rioavista Borevkovic, igualmente com a folha disciplinar em branco, a coisa não será tão líquida, na medida em que é um central e já cometeu 5 faltas em apenas 132 minutos de utilização. 

mao-do-arbitro-com-cartao-amarelo_9083-2170.jpg

29
Set20

As causas da coisa (1)


Pedro Azevedo

Com a devida vénia ao Miguel Esteves Cardoso, a quem alterei o plural com o singular (e vice-versa) de um dos seus mais famosos livros, aqui irei começar uma nova rúbrica dedicada às causas pelas quais merece a pena lutar no futebol português.

 

Causa nº1: Mais tempo útil de jogo

 

https://castigomaximo.com/tempo-util-de-jogo-140013

https://www.ojogo.pt/futebol/1a-liga/tondela/noticias/o-que-aconteceu-e-uma-vergonha-e-o-cartao-de-visita-do-futebol-portugues-12763903.html

 

O indicador estatístico do tempo útil de jogo aponta que a Primeira Liga portuguesa é aquela a nível europeu onde se joga menos. Tal tem obviamente repercussão na qualidade do espectáculo e intensidade e ritmo de jogo, aspectos que se tornam depois mais notórios quando as nossas principais equipas competem na Europa. É essencialmente uma questão de mentalidade que urge alterar, sendo que para isso se torna necessário envolver dirigentes de clubes, treinadores, jogadores, árbitros e a própria Liga Portugal. Para que o futebol positivo vença e possamos ter equipas mais competitivas deverá haver um maior equilíbrio. Isso passa por uma maior equidade na distribuição das receitas televisivas entre os clubes, mas também encontra raiz profunda nos valores que são trazidos para o jogo: presidentes que ao fim de duas, três derrotas interrompem projectos, treinadores receosos do despedimento e a quererem ganhar a todo o custo, jogadores educados no anti-jogo, árbitros que contemporizam com as simulações dos jogadores e paragens abusivas de tempo para quebra do ritmo do jogo são apenas alguns factores que carecem de uma mudança de mentalidade, processo do qual a Liga não se pode obviamente demitir. 

liga nos.jpg

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