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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

11
Fev21

O achamento de Luís Godinho


Pedro Azevedo

Ontem à noite, o FC  Porto deu-se conta de que Luís Godinho é um árbitro incompetente, que revela pouca personalidade dentro do campo e tem uma ainda mais deficiente leitura das jogadas via vídeo do que em tempo real. Assim como Pedro Álvares Cabral achou o Brasil (mas o Brasil já estava lá), os portistas acharam Luís Godinho. Mas a coisa não foi propriamente uma descoberta, o senhor já andava por lá e disso havia amplo conhecimento. Por exemplo, andava por lá em 17 de Outubro do pretérito ano quando no José Alvalade perdoou por duas vezes a expulsão a Zaidu, uma por má avaliação de uma entrada ao tornozelo (é curioso...) de Porro, outra por dar ouvidos ao VAR Tiago Martins em lance que não seria da competência deste avaliar (tanto quanto leio no Protocolo, o VAR não vem munido de amperímetro que meça a intensidade, mas posso estar enganado...) e de onde, cumulativamente, resultou a não-marcação de um penálti favorável ao Sporting. Também andava por lá em 5 de Dezembro de 2020. Nesse dia, para além de uma arbitragem sem qualquer uniformidade de critério disciplinar que prejudicou os leões,  Luís Godinho decidiu acatar nova decisão do VAR sobre intensidade, desta vez cortesia de Artur Soares Dias, e anular um golo a Coates. 

 

Antes tarde que nunca, o Porto finalmente achou Luís Godinho. Mas, o seu a seu dono, a descoberta deve ser creditada ao Sporting.

 

P.S. A inacreditável expulsão de Luis Díaz foi uma dupla-penalização ao jogador. E dupla porquê? Porque, após uma jogada onde desfilou técnica e potência incríveis - isso é que é o futebol, e sobre isso dever-se-ia falar muito mais - , para além de se ver forçado a sair do terreno (deixando o Porto em desvantagem numérica), da sua expulsão resultou o labéu (inaceitável, por não real) de que negligentemente (para não dizer intencionalmente) colocou em risco a carreira de um infortunado colega de profissão (a quem envio votos de o mais rápido restabelecimento). E isso simplesmente não se faz. O resto são narrativas, espuma que o tempo leva. 

luis godinho.jpg

04
Fev21

What???


Pedro Azevedo

"A deficiente calibragem técnica das linhas de fora de jogo originou a má avaliação de um lance de ataque do SC Braga, aos dois minutos do jogo com o Moreirense FC. O jogador do SC Braga encontrava-se em jogo por 1,18 metros e não em fora de jogo" - explicação oficial sobre golo (mal) anulado ao SC Braga 

 

Quer dizer, como se já não fosse mais do que suficiente a subjectividade da intensidade discricionariamente medida pelo VAR, ficámos a saber que as linhas de fora de jogo que nos aparecem no ecrã podem estar deturpadas por um erro de "calibragem técnica". "What"? É verdade, já não bastava o Conselho de Arbitragem, o árbitro, os árbitros assistentes, o quarto árbitro, o VAR e o senhor que traz as bicas para a rulote (assistente de VAR), temos agora de nos preocupar com a figura do "Técnico de Imagem". A quem cabe calibrar referências como as grandes-áreas, linhas laterais, linha do meio-campo, linhas de fundo, etc, de forma a poder medir-se o posicionamento relativo dos jogadores no campo. Diz o Duarte Gomes que havendo 3 câmaras na análise dos potenciais foras de jogo - de topo/master (ângulo aberto), de fora de jogo e de "curtos" (ângulo fechado) - o que falhou foi a triangulação entre elas, uma explicação em forma de assim (grande O'Neill!), como se o Nuno Mendes tivesse colocado a bola nas costas do lateral esquerdo contrário, o Nuno Santos aparecesse e tocasse para o lado e o Pote rematasse cento e dezoito centímetros por cima da barra. Porém, existe uma diferença: é que, enquanto o remate do Pote não deixaria de ter sido um mau gesto técnico, faria parte do futebol. Agora, num país que se pretende civilizado e que defenda a transparência e a integridade como valores de referência em sociedade, a Liga - organizadora da competição - e a FPF - responsável pela arbitragem - deveriam imediatamente ter anunciado a promoção de um rigoroso inquérito para apuramento das causas que originaram o erro, com o fim de as apresentar posteriormente a clubes e adeptos de futebol, dando garantias de eliminação de potencial erro futuro (através do reforço de meios técnicos e de infraestrutura) e blindando assim a competição contra a suspeição. Terá custos? Sim, montar por exemplo uma torre acima das bancadas de forma a se poderem elevar as câmaras (de outro modo colocadas em cima do relvado em estádios sem as melhores condições) terá um custo. Mas, qual é o custo da falta de transparência? 

 

Era só mesmo o que nos faltava: duvidarmos das linhas. Será que, para além do vídeo-árbitro assistente, passaremos também a ter a figura da "Tia" (Técnico de Imagem Assistente)? Este futebol português é um pagode. Oh yeah!

var.jpg

30
Jan21

Não querer chocar de frente com a realidade


Pedro Azevedo

Diz-se por aí que Fábio Veríssimo alegou que os jogadores em disputa estavam de costas para si como justificação para o erro que o levou a mostrar o cartão amarelo a João Palhinha. Ora, sabendo-se que Veríssimo escreveu no relatório de jogo que avaliou a jogada em toda a sua extensão (significando não ter outros jogadores pela frente que lhe perturbassem a visibilidade), a pergunta que fica é por que não consultou o árbitro auxiliar, esse sim de frente para o lance (ângulo oposto ao seu, idêntico ao das imagens televisivas que após visionamento lhe permitiram alegadamente concluir não ter sido o ataque prometedor). Talvez porque, mal se apercebeu de que o jogador do Boavista caíra ao chão, logo tratou de meter o apito à boca e sacar o cartão do bolso, notando-se pelas imagens televisivas que, nesse transe ou afã, nem tempo teve para pedir a opinião do seu fiscal-de-linha que havia tido uma visão privilegiada da jogada. Se tiverem dúvidas, analisem as imagens e verão. Assim sendo, não vou alinhar em manobras de branqueamento de imagem sobre o actual estado da arbitragem em Portugal: há um culpado de Palhinha não poder defrontar o Benfica, e esse culpado chama-se Fábio Veríssimo. 

fábio veríssimo.jpg

13
Jan21

Um Nobre influente em tempo de República


Pedro Azevedo

António Nobre protagonizou ontem mais um dia infeliz da arbitragem portuguesa. Primeiro ao punir com a amostragem do segundo cartão amarelo uma carga de ombro, logo legal, do nacionalista Rui Correia sobre um jogador do Porto. Acresce que, para além do lance ter sido mal ajuizado, a ter havido falta a punição só poderia ser o cartão vermelho pois o avançado do FC Porto ficaria de outro modo isolado e com a baliza à sua frente. Sem aduzir qualquer processo de intenção ao árbitro, a verdade é que a amostragem do amarelo validou automaticamente o primeiro erro, inviabilizsndo a apreciação posterior pelo VAR que decirreria do protocolo caso Antonio Nobre tivesse mostrado a cartolina escarlate. Mas não ficou por aqui a polémica: o golo que permitiu ao Porto levar o jogo para o prolongamento ê precedido por um toque da bola no braço de Taremi. Ora, durante semanas, no seguimento do alegado toque da bola no braço de Pore no decurso do Sporting-Moreirense, andámos a ouvir uma narrativa emanada de sábios da arbitragem que consistia em haver recomendações aos árbitros para invalidar jogadas de golo em que o braço de quem ataca tenha sido protagonista, não sendo relevante para o efeito a questão da intencionalidade ou não. Bom, a verdade é que esse era lance de VAR e este não terá visto nada que revertesse a decisão do árbitro. Chegados a este ponto, já ninguém se entende. As más decisões são mais que muitas, a falta de uniformidade de critérios idém e fica a ideia de que jamais nos libertaremos destas polémicas. Em simultâneo, tudo como dantes no Quartel de Abrantes, o Conselho de Arbitragem continua a assobiar para o lado. Até quando, e com que custos para a credibilidade do produto futebol português ainda não sabemos na sua verdadeira dimensão. 

29
Dez20

Retalhos da vida de um campeonato


Pedro Azevedo

Estádio Afonso Henriques, resultado de 1-0 para o Vitória, 29 minutos de jogo: Romário Baró faz falta que interrompe um contra-ataque vimaranense. O árbitro Hélder Malheiro, o do "galo" dê Ristovski, não mostra o segundo amarelo ao jogador portista, a que se seguiria a consequente expulsão. Imediatamente, Sérgio Conceição substitui Baró por Luís Diaz. 

17
Dez20

Tailor-made


Pedro Azevedo

Nem os melhores alfaiates de Savile Row terão alguma vez produzido um fato tão à medida quanto as nomeações pelo Conselho de Arbitragem de Nuno Almeida para a deslocação do Benfica a Barcelos ou de Manuel Oliveira para a recepção do Porto ao Nacional da Madeira terão assentado a, respectivamente, águias e dragões. Já nós vamos ter o André Narciso (5 amarelos mostrados ao Sporting contra o Gil) e Bruno Esteves será o VAR, esperando e desejando eu que o jogo não venha a ser empastelado com faltas e faltinhas e seja respeitada a lei da vantagem como sugerem as directrizes de fluência do jogo. Evidentemente, não é o fato que faz o homem, pelo que temos todos de acreditar que cada um dos árbitros saberá escolher boas linhas com que coser o seu desempenho. Mas que as nomeações são imprudentes, lá isso são, expondo desnecessariamente o árbitro que vox-populi apelidou de Ferrari (alegadamente citado, à semelhança de Bruno Esteves, nos supostos emails trocados entre Pedro Guerra e Adão Mendes como um dos árbitros em que o Benfica poderia confiar, segundo notícia do DN de 6/6/2017) e um outro que causou polémica por alegadamente ter estado num camarote no Dragão. Ora, numa altura em que a arbitragem portuguesa voltou a estar sob os holofotes mediáticos, com críticas ao sector que se estenderam a observadores percepcionados como independentes, até no sentido da protecção da honorabilidade dos árbitros não seria de todo desapropriado que o Conselho de Arbitragem adoptasse o princípio da mulher de César. Mas isso é matéria para o CA reflectir, aos jogadores do Sporting caber-lhes-á focarem-se no que depende deles e no Farense, e dentro do campo fazerem prevalecer a sua superioridade teórica.

 

P.S. Dando voz ao contraditório, sobre o árbitro Manuel Oliveira a APAF em 25 de Setembro de 2018 emitiu o seguinte comunicado: "Sempre que o árbitro Manuel Oliveira é nomeado para um jogo de maior visibilidade começa a circular uma fotografia nas redes socias de forma a denegrir a imagem do árbitro. Nessa imagem (sempre a mesma), Manuel Oliveira surge ao lado de um amigo de longa data e que ao contrário do que é repetido sobre essa imagem, o árbitro apenas está num momento da sua vida social, não está em nenhum camarote de honra, não foi convidado pelo clube e se o fosse naturalmente não aceitaria. 

Vivemos um tempo em que a propaganda impera e lamentavelmente, os órgãos de comunicação social oferecem o tempo e o espaço de que dispõem a este tipo de campanhas fúteis. Este é um tempo em que os jornalistas deixaram de ser as pessoas mais importantes nos meios de comunicação social, pois se os jornalistas ainda dispusessem de liberdade editorial, um simples telefonema impediria a reprodução de mais uma mentira, que constantemente circula de forma propositada e intencional. Infelizmente este é o tempo de luta de audiências, da caça ao clique, da busca de cada euro de publicidade. Num tempo como este, lamentavelmente para o jornalismo e para os jornalistas os cidadãos devemos desconfiar de tudo o que se ouve e escreve nos media. O caso da foto de Manuel Oliveira é apenas um entre muitos." Sobre Nuno Almeida não encontrei qualquer posição da APAF.

manuel oliveira.jpeg

06
Dez20

Tudo ao molho e fé em Deus

Conto de Natal


Pedro Azevedo

Em cada conto de Natal há geralmente uma moral associada. Em sintonia, aquele que ontem foi narrado em Famalicão versou sobre a precariedade do esbanjamento de recursos em face daquilo que pode vir a ser necessário mais tarde por via de uma conjuntura desfavorável inesperada (ou talvez não).

 

Para ilustrar a alegoria, os jogadores do Sporting desataram a oferecer presentes aos do Famalicão. Um dos pais natais de serviço foi o esloveno Sporar, um "omniausente" capaz de permanecer em campo durante cerca de uma hora sem que se vislumbrasse uma razão plausível para o efeito. Nuno Santos também não resistiu à chamada e aos 21 minutos perdoou uma grande penalidade. Já Adán começou por cometer um pecado original quando permitiu que a bola o sobrevoasse no lance do primeiro golo, para mais tarde vir a orientar audivelmente a barreira para a direita aquando da conversão de um livre em que acabou por se lançar tarde a uma bola que entrou pela sua esquerda. Pedro Gonçalves não quis ficar atrás e fez-se expulsar infantilmente por alegadamente pontapear a bola para longe quando o jogo estava parado. Ainda assim, essa acção tem mais que se lhe diga, pelo que a incluirei num capítulo à parte dedicado ao Scrooge de serviço na Cidade do Futebol. Também João Mário desperdiçou a oportunidade de incensar a exibição leonina, mas o senso do seu pé direito apontou mais para o desporto da bola oval e lá foram 3 pontos para Gales e só um para Alvalade. Por fim, como se os presentes não fossem já em número considerável, Borja entrou e logo entregou o ouro ao bandido, perdendo a bola infantilmente e permitindo o desequilíbrio que viria a resultar no livre que empatou o jogo. É certo que pelo meio houve dois momentos maravilhosos protagonizados por pedros que afagaram o coração dos Sportinguistas: num, o Pote fez recordar o que terão sido os natais dos portistas quando imitou a arte de Deco em jogada e golo de finíssimo recorte técnico terminada com um daqueles passes à baliza indefensáveis a que já nos habituou; no outro, o Porro deu ares de Alexander-Arnold quando de livre fez abanar as redes famalicenses. A estes dois momentos contrapôs Palhinha com um tempo inteiro, noventa minutos de alta intensidade a procurar contribuir para um Natal de felicidade de todos os Sportinguistas.

 

Ilustrada a oferta em demasia, passemos então à conjuntura. Para tal, sirvamo-nos de Luis Godinho, o árbitro que apitou os dois únicos jogos em que o Sporting perdeu pontos no campeonato. Sendo certo que Godinho não deverá ser neste momento benquisto em Alvalade, a verdade é que dentro do campo, tanto no lance de Pote com Zaidu - aquando da deslocação do Porto - como ontem no golo tardio anulado a Coates, sempre decidiu em primeira instância a favor do Sporting. Vendo intensidade no encosto do defesa portista (mais duradouro) e não a vendo no encosto do defesa Sportinguista (um ligeiro toque). Todavia, em ambos os casos reverteu a sua primeira decisão. E porquê? Devido a conselho do VAR, uma espécie de legião de scrooges com suposto apoio tecnológico que ameaça atormentar o Natal dos Sportinguistas. E assim, Tiago Martins não viu suficiente intensidade em Zaidu e Artur Soares Dias viu intensidade suficiente em Coates. Ou, pelo menos, colocaram a dúvida razoável na cabeça de Godinho. Em ambos os casos as decisões finais foram contra nós, pelo que talvez não fosse mal pensado que o Conselho de Arbitragem e os homens do VAR no próximo Natal fossem presenteados com um amperímetro. Com um amperímetro, ou mesmo com um pontapé no rabo. Tudo por motivos científicos, claro está, que o importante é que se possa testar a intensidade. A intensidade e a uniformidade de critérios, bem entendido. Adicionalmente, também me preocupa que nos queiram partir o Pote de Ouro. Começando por o amarelar de uma forma que deixa muitas dúvidas, para depois o tirar deste e de um outro jogo após uma falta que só existiu na imaginação prodigiosa do senhor Godinho. Mesmo dando de barato que a segunda demão de amarelo tenha surgido após extemporânea reacção do Pote e não pela infracção em si, algo que à hora a que escrevo não consigo garantir com toda a certeza, certo certo é que no próximo jogo o Pote será jarra.  

 

Conclusão (para além da moral inerente ao esbanjamento): o futebol português é difícil de compreender mesmo à luz da sapiência de um Aristotéles. E este foi aluno de Platão, o qual por sua vez aprendou com Sócrates, pelo que imagine o Leitor o conhecimento que acumulou! Entre outras coisas não menos célebres, deixou-nos o seu silogismo. Ora, o VAR foi-nos vendido como suficiente para que a verdade desportiva prevalecesse. Seguindo o silogismo aristotélico, se o VAR é composto por árbitros, então os árbitros também seriam suficientes para que a verdade desportiva prevalecesse. Mas então não foi por os árbitros não serem suficientes à verdade desportiva que se criou o VAR? O que nos leva a deitar fora o silogismo aristotélico e evoluir para a adaptação do silogismo nietzschiano à realidade da arbitragem portuguesa: se o árbitro "não existe", então vale tudo, tudo é permitido. Para não sermos tão radicais, recorramos então a Wittgenstein e ao seu "Tractatus Logico- Philosophicus", em que estabelece que uma proposição é uma representação figurativa dos factos, tal como uma maquete é uma representação figurativa de um edifício. Assim, recorrendo ao filósofo austríaco, juntando duas proposições e não perdendo de vista a maquete e o edifício, é possível formular a fortíssima hipótese de que a verdade desportiva está para os árbitros ou ex-árbitros que compõem o VAR como a obra-prima do Mestre está para a prima do mestre-de-obras. Porém, para os mais optimistas do Conselho de Arbitragem a coisa ainda provavelmente ficará inconclusiva na medida em que representará dois estados hipotéticamente reais (o VAR é a verdade desportiva, a prima do mestre-de-obras é a obra-prima do Mestre), sendo certo no entanto que a única salvação do edifício onde se alicerça a arbitragem portuguesa será o mestre-de-obras ser sobrinho do Mestre e a filha deste ser a Kate Beckinsale. Ou isso, ou o VAR ser constituído por não-árbitros. Estamos entendidos? 

 

P.S. Na geometria descritiva aprende-se que duas rectas paralelas só se encontram no infinito. Ontem aprendi que a excepção a esta regra é um ponto localizado no Conselho de Arbitragem onde as rectas se reunem apressadamente aos sábados à noite. Que outra forma haveria para justificar a intersecção de pontos de vista entre alguém conhecido por não ver o que toda a gente viu (João Ferreira, mão de Ronny) e outro alguém famoso por sancionar o que mais ninguém viu (Lucílio Baptista, "mão" de Pedro Silva)?  Enfim, deve ser um erro de paralaxe... 

 

Charles Dickens do "Tudo ao molho...": João Palhinha

palhinha2.jpg

16
Jan20

Coates, Ruben e a dualidade de critérios


Pedro Azevedo

Coates coartado de jogar contra o Benfica, "Rambo" Dias limpo para defrontar o Sporting. Admito sem dificuldades que o uruguaio tenha merecido o amarelo, pese embora a sua movimentação tenha pretendido mais limitar a acção do seu adversário sadino do que propriamente tocar-lhe (não é claro sequer nas imagens televisivas que tenha tocado), já no caso do português torna-se difícil compreender como não foi visto dentro do campo o claro empurrão ao iraniano do Rio Ave (bem visível na TV). Do resultado prático disto tudo é que ninguém tem dúvidas: a falta de equidade no tratamento dos lances por parte de dois árbitros gerou uma situação clara de prejuízo do Sporting face ao rival Benfica a poucos dias do derby da capital. Num país onde a transparência fosse um pilar civilizacional, o Conselho de Arbitragem deveria dizer algo sobre o assunto, desde logo lamentando a dualidade de critérios e seu impacto imediato em prejuízo de um dos clubes e em benefício de outro, mas também dando nota de estar especialmente atento e tudo ir fazer para garantir uma maior uniformidade futura nas decisões dos seus colegiados. Mas isso seria num país onde a necessidade de transparência fosse um pilar civilizacional e um imperativo ético, por aqui achamos que uma polémicazinha à segunda-feira apimenta o interesse pelo jogo e não nos incomodamos que na opinião pública se crie a suspeição de que as assimetrias entre os clubes não existem só dentro do campo...  

coatesruben dias.png

16
Set19

Carnaval d' O VAR


Pedro Azevedo

No Portimonense-Porto, Vasco Santos viu uma mão. O azar dos pupilos de Folha foi serem de Porti...mão. Se fossem de Portipé...

A não uniformização dos critérios do VAR é uma brincadeira. Brincadeira é Carnaval. Carnaval d' OVAR, ou, no caso, de O VAR. Mas, como todos os carnavais, um dia acabam. Às quartas-feiras europeias. De cinzas, obviamente.  

13
Mai19

Cenas eventualmente chocantes


Pedro Azevedo

coentrão rio ave benfica.jpg

Destas e doutras cenas eventualmente chocantes se fez a deslocação do Benfica a Vila do Conde, onde um equívoco ou desconhecimento profundo das regras da arbitragem, por parte de Hugo Miguel (e do VAR), ficou ainda mais a nu (em cima do intervalo, validação do golo de Felix) do que o Samaris. Assim vai o pouco recomendável futebol português. 

 

P.S. Fora das minudências do futebol português, o Sporting obteve ontem o seu 35º troféu europeu, consolidando-se como a maior potência desportiva nacional, isso sim uma "cena" digna de registo. 

03
Abr19

Mota & Companhia


Pedro Azevedo

Ontem à noite, em Braga, mais um recital de Manuel Mota e do VAR. Infalível, como a morte e os impostos, Piscarreta também não faltou à festa: a mão de Manafá foi "sem intenção", porque até estava de olhos fechados(!?); o não-vermelho a Wilson Eduardo, por entrada à perna de Corona ("foi de raspão"), sem tocar sequer na bola, foi "correcto". E assim vai o mundo do ludopédio. Ludo, de divertimento, pois claro. Com o futebol jogado? Não.

 

P.S. Ristovski foi castigado com 1 jogo pelo Conselho de Disciplina...

02
Abr19

O VAR e a física


Pedro Azevedo

O VAR criou uma realidade paradoxal: o cidadão comum mostra mais bom senso na análise dos lances polémicos do que os "especialistas" da arbitragem. As reacções, um pouco por todo o mundo, às imagens do Chaves-Sporting assim o demonstram. Nesse transe, perante o erro, a narrativa dos "entendidos" transferiu-se do "errar é humano" do antes-de-VAR, para a criação de uma realidade paralela, onde os nossos olhos desmentem os nossos ouvidos, como foi o caso do último fim de semana. É que se é certo que o cidadão comum não possui formação específica sobre arbitragem, não deixa também de ser verdade que os árbitros não têm conhecimentos de física para compreenderem o que é a inércia do movimento, pelo que no final deveria prevalecer o bom senso. 

 

P.S. dentro do exposto acima, o Conselho de Arbitragem deve ter considerado fenomenal a arbitragem de Manuel Mota em Chaves. Só assim se justifica ter sido nomeado para a primeira semi-final da Taça de Portugal, a qual se irá realizar hoje.

19
Fev19

Apologia da cacetada


Pedro Azevedo

A minha mulher chamou-me hoje à atenção para a blague que Ricardo Araújo Pereira fez sobre aquele cárcere em que os reclusos promovem festas e não fogem e os guardas prisionais estão de baixa ou não comparecem ao serviço. Ao ver aquilo, de alguma maneira comecei a imaginar o ambiente do futebol português dentro das quatro linhas. Nele habitam caceteiros profissionais, cujo entendimento de marcação à zona é qual a zona do corpo do adversário onde é para deixar marca. Neste status-quo, o infractor vive num oásis  e o ofendido, mesmo com um galo na cabeça, vai para a rua. Ou então não, desde que aceite levar umas cotoveladas e dê a outra face, ou que encaixe uns pisões nos tornozelos, que isto de ser um Aquiles é coisa para meninos. 

 

Não admira por isso que os jogadores com um mínimo de talento se vão embora. Não, não é por uma questão de dinheiro que eles fogem para a Roménia, o Chipre ou a Grécia, mas sim para conseguirem acabar a carreira com a cabeça, o tronco e as pernas...perdão, com a cabeça, membros e pernas...ora bolas (!!), com a cabeça, tronco e membros intactos e bem preservados. E também para evitarem o Hélder Malheiro, o Manuel Mota (por coincidência, carniceiro de profissão) ou o Jorge Sousa. Nesse particular, é uma pena que um indivíduo com um ouvido tão sensível como o senhor Malheiro não possa arbitrar jogos do senhor Jorge Sousa. Caso contrário, imaginaria um diálogo deste tipo; "Ó Jorge, ouve lá, que coisa é essa do artesanato das Caldas que estás para aí a gritar ao Stojkovic? Vais já para a rua, meu menino". 

 

Se as coisas continuarem assim, vou recomendar que em Alvalade se substituam a aprendizagem das regras de jogo e a prelecção táctica pela leitura da Bíblia. É que nos últimos 4 jogos que disputámos para a Liga, em 3 houve adversários que ficaram indevidamente em campo. Já um dos nossos (ofendidos), porque se insurgiu, foi logo tomar banho mais cedo. Os outros, Bruno e Acuña, com fama de refilões, aguentaram estoicamente. Por isso, mais do que o prémio de homem do jogo, mereciam a beatificação. Afinal, são uns Bons Samaritanos.

 

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