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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

24
Ago22

Para a frente é o caminho


Pedro Azevedo

Não se pode conduzir uma viatura sempre a olhar para o espelho retrovisor porque inevitavelmente acabar-se-á por bater de frente. Esta alegoria rodoviária aplica-se na perfeição à vida e em particular ao futebol. O jogo do Dragão tem sido suficientemente escalpelizado, termo até bem apropriado ou não houvesse para aí alguns "peles vermelhas" a pedir o escalpe do treinador. Ora, não só não devemos fazer o jogo dos nossos adversários como já é tempo de nos focarmos no que temos pela frente. E esse é o Chaves, que eu vi pela primeira vez em Alvalade no tempo daquele temível, irrequieto e guedelhudo ponta direito que dava pelo nome de Antonio Borges, um avançado que fazia jus ao "átomo a mais que se animou" imortalizado pelo também ele imortal Jose Régio.  Pouco tempo depois surgiria outro craque na outrora Aquae Flaviae. Era então o tempo dos bulgaros, a quem o regime simpatizante dos soviéticos só permitia que saíssem do país após completarem 30 anos. Assim chegou a Chaves o Radi Zdravkov, como a Belém atracou o Stoycho Mladenov ou a Alvalade o Vanio Kostov, este último já casado por correspondência e tudo numa daquelas chico-espertices de que o nosso futebol é fértil. O Radi era um grande jogador, búlgaro mas nada bulgar (o homem jogou no Norte, não é verdade?). E a verdade é que, mesmo sofrendo com a interioridade, desde aí o Chaves tem aparecido com alguma regularidade na divisão principal do futebol português. Será por isso, mas também pelas características de resiliência inatas ao povo transmontano, um adversário a não desvalorizar, pelo que se pede um Sporting desempoeirado, liberto de traumas e respeitador de quem terá pela frente. Ora, como isso tem sido o paradigma desde que Ruben Amorim comanda a principal equipa do nosso clube, só nos resta esperar uma boa prestação leonina. Eu aposto num bom dia! E, já agora, que esse dia seja o primeiro do resto da nossa vida neste campeonato. Que está a começar, é bom não esquecermos. 

10
Fev22

He-Man ou Sli-Man(i)?


Pedro Azevedo

O jornal A Bola diz que Fábio Vieira tem "hímen nos seus pés", algo que assumido literalmente constituirá um inesquecível fenómeno de género que certamente irá ser aprofundado tendo em vista uma melhor ilustração das nóveis aulas de Cidadania. Mas poderá ser também uma notável figura de estilo, que nos revela o quão a bola deve ser tratada com carinho, afagada mesmo, desde o impacto da sua recepção até ao momento em que sai (na ponta) do... pé. Neste sentido, outras metáforas homófonas poderiam ter sido esboçadas à volta do pé do Fábio, por exemplo envolvendo o íman (ou ímã) ou mesmo o He-Man. Esta última seria certamente a mais prazerosa para os portistas, que decerto não enjeitariam ver o alter-ego do Príncipe Adam (Adán, em espanhol) subjugado nos pés ou, mais propriamente, aos pés de Fábio Vieira. Mas, atenção(!), de Alvalade para além do He-Man vem também o guerreiro Sli-Man(i). É que seis golos em oito jogos com os portistas devem ser um suficiente cartão de visita para augurar ir dar água pela barba (o do hímen fica automaticamente livre disso) aos comandados de Sérgio Conceição. Ou não?

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28
Jan22

Bring on the dancing horses


Pedro Azevedo

Estava a ouvir o Disorder dos Joy Division e ocorreu-me pensar na entropia que vem bloqueando o jogo do Sporting que outrora parecia música tocado de ouvido, com as suas rotinas de pressão alta, recuperação de bola e imediata procura da profundidade (o espaço nas costas dos defesas opositores). Não sei se isso terá a ver com a inclusão de Paulinho no onze, o que é certo é que as suas descidas sucessivas no terreno tornaram o nosso jogo mais posicional, mais redondo, bonito até, mas porventura menos eficaz. Uma consequência directa disso foi Pedro Gonçalves ter reduzido o seu horário de trabalho de tempo integral para uma prestação de serviços num regime de "part-time" em zonas próximas da grande área dos adversários, deixando de procurar os espaços mais recuados por onde iniciava combinações rápidas e incisivas com os atacantes que invariavelmente terminavam com ele próprio, vindo de trás e assim iludindo as marcações, a finalizar no aproveitamento de tabelinhas ou segundas bolas. Também as intermitentes chamadas de Daniel Bragança à equipa parecem demonstrar as dúvidas de Mister Amorim sobre o melhor modelo de jogo. Este parece assim em transição, algures entre o "heavy metal" tão do garbo de um Klopp e a balada entorpecedora (do adversário) de um Guardiola. Só que esse meio-caminho precisa urgentemente de ser resolvido no sentido de ter um destino, até para que não fiquemos a meio-caminho de coisa nenhuma (numa encruzilhada). De preferência já na final da Taça da Liga. Cá para mim a coisa resolvia-se assim: Bring on the dancing horses (Matheus Nunes e Pedro Porro) para quebrarmos uma e outra vez as linhas do Benfica. Quem sabe no Sábado, dia de aniversário de quem articula estas linhas, o Amorim faz Echo (ou não) disto e me/nos oferece um belo presente... (Se tiver de arriscar um Homem do Jogo vou para o regressado Porro.)

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14
Nov21

À procura do Qatar


Pedro Azevedo

A viagem à Irlanda para pouco mais serviu do que cumprir calendário, um sem-propósito que consistiu em contrariar a lenda e visitar os leprecons sem buscar o Pote de Ouro. Até porque, sabia-se antecipadamente, o Pote já era nosso, ficara em Alcochete, e em Alcochete permanecerá à hora em que defrontarmos a Sérvia, que podendo golear-se por 0-0 não vale a pena desperdiçar trunfos com quem faz do golo uma arte ao alcance de muito poucos. Agora os papéis invertem-se, mas com uma nuance: os sérvios vêm a Portugal, sim, mas deliberadamente à procura do pote de ouro. Pelo menos a julgar pelas declarações do presidente desta república balcânica, o senhor Alexandar Vucic, que prometeu dividir 1 milhão de euros pelos seus jogadores caso estes consigam a qualificação directa para o Qatar 2022. Ainda assim, para Portugal não será o tudo ou nada, até porque o empate garantirá o passaporte rumo ao próximo campeonato do mundo. Habituados que estamos a fazer contas até ao fim, isso poderá constituir uma vantagem para nós. É que podemos não ganhar muitos certames internacionais de selecções - ainda assim, os troféus do Campeonato da Europa de 2016 e da Liga das Nações de 2019, nossas únicas conquistas no escalão sénior, terão obrigatoriamente de ser creditados a Fernando Santos - , mas nas "olímpiadas da matemática" ninguém nos segura. Que Portugal siga em frente! (Em Ronaldo "we trust", e na desinspiração do Tadic, também.)

 

P.S. Alexandre Herculano já não é sede da Federação, mas com a Selecção há sempre espaço para lendas e narrativas. Do Pote de Ouro às goleadas por 0-0, a história vai-se fazendo. Ainda assim, longe vai o tempo das vitórias morais. Eu prefiro este tempo das vitórias amorais, no relvado.

01
Fev21

Match point


Pedro Azevedo

Logo à noite, Sporting e Benfica enfrentam-se no José Alvalade. É o dérbi dos dérbis, o clássico dos clássicos, o jogo sempre mais ansiado pela maioria dos adeptos portugueses. Um confronto com muita história, de supremacia alternada ao longo do tempo. O dérbi dos 64(!) golos de Peyroteo e dos 27 de Eusébio, dos Cinco Violinos e do Benfica campeão europeu, dos imortais duelos entre Damas e o Pantera ou entre Bento e Rui "Gazela" Jordão.  Por vezes decisivo para a atribuição do título de campeão nacional, como naquela tarde de 25 de Abril de 1948 em que o Sporting venceu por 4-1 na Estância de Madeira (antigo campo do Benfica) com um póquer de golos cortesia de Fernando Peyroteo, mítico avançado centro leonino que nesse dia viria a garantir para os leões o celebérrimo Campeonato do Pirolito, título conquistado por apenas um golo de diferença. Abril, mês aziago para o Benfica neste particular, pois a 13 do ano de 1986 viria a perder já no Estádio da Luz um novo confronto decisivo com os leões (2-1). Morato e Manuel Fernandes marcaram nesse dia, mas dessa vez a vitória leonina infelizmente só aproveitou a terceiros (FC Porto). 

 

O jogo de hoje adquire contornos especiais por ocorrer em época de retoma do Sporting e de queda do Benfica, cenário difícil de perspectivar aquando do início da competição dado o milionário investimento efectuado pelos encarnados. Aqui chegados, o jogo é nada mais do que decisivo para as águias, sendo obviamente muito importante para os leões. Ainda assim, a pressão estará repartida, que dérbi é dérbi e todos o querem ganhar. Simplesmente, uma derrota do Benfica deixá-lo-á arredado do título, pelo menos a fazer fé nos números que nos dizem que num campeonato a 18 e com 3 pontos por vitória nunca uma equipa conseguiu recuperar 9  pontos de desvantagem e sagrar-se campeã, possibilidade que deverá funcionar como uma motivação extra para os jogadores do Sporting. Assim sendo, o jogo adquire contornos mais vistos num court de ténis: uma vitória leonina significará a eliminação do adversário por via da concretização do "match point" que tem disponível no seu "serviço", o empate anulará esse "match point" e a vitória do Benfica será como um "break point" para o resto da temporada que há que jogar. Deste modo, aconteça o que acontecer, uma pitada adicional de sal se reunirá aos ingredientes do costume com o intuito de combater o insosso cenário de bancadas despidas de adeptos por via da pandemia.

 

Com toda a história que os enquadra somada às idiossincrasias relativas ao momento presente de cada um, Sporting e Benfica entrarão no relvado para adicionar mais um capítulo à gloriosa gesta dos dérbis. O jogo tem início às 21h30. Faites vos jeux!

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18
Jan21

Foi assim que aconteceu...


Pedro Azevedo

26.01.2019   FC Porto - Sporting 1-1 (1-3 G.P.)

 

Crónica "Tudo ao molho...": O Inverno do nosso contentamento

 

Confesso que não estava especialmente confiante antes do jogo. Vendo e ouvindo a antevisão televisiva, nos vários canais, pior fiquei: a média das probabilidades a nós atribuídas era a alegria dos cemitérios de um sportinguista.

Com esta carga em cima, sentei-me à frente do televisor. Sintonizei a SportTV. Os comentários iniciais foram no mesmo sentido, como se o jogo já tivesse terminado antes mesmo de ter começado e o que nos fosse dado a assistir daí para a frente, uma mera formalidade.  

 

Passado um curtíssimo ímpeto inicial portista, o Sporting pegou no jogo. Incrédulo com o que via no relvado, o comentador tardou a dar o braço a torcer. Pelo menos muito mais tempo do que André Pinto ou Petrovic demoraram a dar o nariz a partir. A verdade é que as melhores oportunidades no primeiro tempo foram dos leões. Com a excepção de uma cabeçada de André Pereira, todos os lances de perigo foram nossos, destacando-se dois remates desenquadrados de Nani, uma carambola em Raphinha que quase tomava o rumo da baliza e um livre de Bruno Fernandes a tirar tinta ao poste, em jogada precedida de um cartão amarelo-alaranjado atrbuído a Felipe. Perante isto, o senhor da SportTV disse que o Sporting tinha conseguido equilibrar o jogo. (Não tenho a certeza, mas talvez não fosse má ideia entregar a decisão das partidas ao senhor comentador da SportTV. Assim, ambos nos poupávamos ao incómodo: nós, de ver os jogos; ele, de ter de se interrogar porque é que tudo correu ao contrário da sua lógica das coisas.)

Entretanto, o árbitro mostrava total desprezo pela "lei da vantagem" e dava cartões conforme a vontade das bancadas, para o efeito transformadas num circo romano de polegares para cima e para baixo consoante a vontade da maioria ruidosa. Em consequência, Acuña viu um amarelo incompreensível e Keizer, assustado, no reatamento decidiu colocar Jefferson no lugar do argentino. 

 

A troca dos laterais esquerdos abria uma perspectiva tenebrosa para o segundo tempo e a expectativa não saiu gorada: entre ajoelhamentos defensivos e perdas de bola no ataque, o brasileiro contribuiu da forma habitual para a (hiper)tensão deste adepto. O que isto foi de dar de fumar à dor (até à exaustão)...Para piorar o cenário, o "soundbyte Abel(ico)" de que o futebol não é basquetebol produziu efeitos e André Pinto caiu por terra - sangrando abundantemente do nariz - após uma cotovelada de Marega, tudo sem qualquer admoestação de João Pinheiro. Sem centrais no banco entrou Petrovic, o qual pouco tempo depois também se magoou na mesma zona. O jogo voltou a ficar interrompido, o sérvio esteve fora do campo a ser assistido (Miguel Luís chegou a estar de prevenção para entrar, de forma a que Gudelj pudesse recuar para a defesa), e as várias adaptações em tão curto espaço de tempo criaram alguma desestabilização (e mesmo pontual desorientação) na equipa leonina. O Porto, liderado por Brahimi, aproveitou, embora sem criar grande perigo, excepção feita a nova cabeçada de André Pereira, desta vez para defesa de Renan Ribeiro. Até que, num lance onde Gudelj estava muito metido na área e Wendel demorou um pouco a fechar, Herrera rematou praticamente sem oposição. O tiro não saiu colocado, mas Renan calculou mal a trajectória e deixou a bola ressaltar para a frente, proporcionando a recarga vitoriosa do recém-entrado Fernando. 

 

A perder a 10 minutos (mais descontos) do fim, Keizer arriscou o que pôde - já só tinha uma substituição possível - e trocou Gudelj por Diaby, recuando Nani para organizar o jogo com Bruno Fernandes. Sob a batuta dos capitães, o Sporting tomou as rédeas da partida e começou a ameaçar as redes de Vanã. Eis então que, num lance insólito, Diaby antecipa-se na área a Oliver e é carregado por este, em jogada sem perigo iminente. João Pinheiro não viu, mas o BiVAR (é verdade!!) chamou-lhe a atenção. Após visionamento das imagens, assinalou "penalty". Bas Dost converteu, igualando o marcador. O Sporting podia ter decidido o jogo ainda no tempo regulamentar, mas Vanã salvou miraculosamente o Porto ao defender um remate de Raphinha que concluiu uma assistência soberba de Bruno Fernandes. 

 

Seguimos para "penáltis" e o Sporting voltou a falhar primeiro. Após novo golo de Dost, Coates repetiu o falhanço da semi-final. Mas Renan tornava a baliza pequena e Militão escolheu (acertar no painel d`) a Super Bock. Bruno marcou com a classe do costume, e quando Hernâni partiu para a bola comentei para o lado que iríamos ganhar. Estatisticamente, os canhotos geralmente cruzam a bola nos penáltis e Renan também assim o pensou e defendeu. A conversão de Nani deixou-nos muito perto da vitória. Ficámos com duas hipóteses em aberto para ganhar o jogo: se o Porto falhasse a penalidade seguinte, ou Raphinha convertesse a última, o Sporting ganharia. Para sossego do meu coração, Felipe acertou no travessão e começou a festa. Abracei todos os que estavam à minha volta e já não ouvi os comentadores, mas admito que tenham tido uma noite longa a explicar como o Porto perdeu um jogo antecipadamente ganho. Deve ter sido coisa para um certo monólogo shakespeariano que envolve a constatação de que a consciência tem um milhão de diferentes vozes...

 

Na Pedreira, o Sporting levou a Taça e Keizer ganhou o seu primeiro título como treinador. Foi a segunda vitória consecutiva dos leões na competição, com a curiosidade dos 4 jogos da Final Four terem sido ganhos por penáltis. Já se sabe, connosco é sempre a sofrer até ao fim. Destaque-se também que ganhámos os últimos 8 jogos (!!) de mata-mata disputados contra o FC Porto (ninguém diria, pois o tratamento dispensado pela CS foi sempre de "underdog"), o que nos torna já numa espécie de São Jorge (proponho-o para padroeiro do clube) para os dragões, mesmo que neste caso tenhamos tido menos um dia de descanso e a erosão psicológica adicional de uma (prolongada) série de grandes penalidades. 

 

E assim, ao contrário das primeiras linhas de Ricardo III - "(Este é) o Inverno do nosso descontentamento" - , ou do livro homónimo de John Steinbeck, somos os CAMPEÕES DE INVERNO!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (mas "Renan é grande", como disse Dost). Num segundo plano, Petrovic, Coates e Nani (quando passou para o meio) estiveram acima dos restantes. Destaque ainda para Diaby, providencial ao ganhar a grande penalidade.

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06
Jan21

Foi assim que aconteceu...


Pedro Azevedo

19.04.2019  Nacional - Sporting 0-1

 

Crónica "Tudo ao molho...": Ovos K

 

Mahatma Gandhi, que até gostava muito de futebol, dizia sobre a vida que a alegria está na luta, no sofrimento envolvido, na tentativa e não na vitória propriamente dita. Os jogadores do Sporting pareceram partilhar este pensamento e hoje, na Madeira, esforçaram-se até à exaustão para o pôr em prática. Em particular, o Diaby até se esmerou, cada falhanço na cara de Daniel Guimarães equivalendo-se à nona sinfonia de Beethoven. É certo que a época pascal que vivemos é propícia ao perdão, mas, caramba, também não era preciso exagerar...

 

O jogo até começou de forma auspiciosa - cartão amarelo a Acuña - , o que deve ser considerado como uma importante melhoria face ao acontecido na Vila das Aves. Na ausência de Wendel - Raphinha (lesão) e Renan (castigo federativo, cartão vermelho no jogo anterior) também estavam impedidos - , Idrissa Doumbia foi a jogo. O problema é que o marfinense foi ocupar em simultâneo o mesmo lugar no espaço que Gudelj, desafiando assim o Princípio da Impenetrabilidade da Matéria, algo que não pareceu incomodar demasiado Marcel Keizer mas é coisa para ter perturbado o repouso de um tal Isaac Newton. 

 

Sem quem transportasse o jogo pelo meio, os leões optaram por não fazer recuar Bruno Fernandes. Em vez disso, o maiato deslocou-se para a esquerda, procurando combinar com o falso ala desse lado (alternadamente Diaby ou Jovane) que entretanto se havia aproximado de Luís Phellype no eixo do ataque, ou pedindo a profundidade de Acuña para que este colocasse a bola na área. Perante a dúvida, a defesa nacionalista foi soçobrando e as oportunidades sucederam-se. Nesse transe, Diaby, por três vezes, podia ter marcado e o mesma aconteceu com Jovane, um jovem que parece apostado em aprender o pouco entendível francês do Mali. Em todas as vezes, Daniel Guimarães esteve no caminho da bola. O Felipe das Consoantes também tentou e tirou um coelho da cartola digno de fazer inveja a um qualquer vogal de um conselho de administração. Infelizmente, a bola saiu ao lado. Pese todo o pendor atacante, a falta de eficácia impediu o Sporting de chegar ao intervalo em vantagem no marcador. 

 

Para a etapa complementar, Keizer pareceu ter ordenado a Doumbia que se adiantasse no terreno e tentasse transportar jogo. Embora fora da sua posição natural, Idrissa procurou jogar mais para a frente e numa dessas ocasiões serviu soberbamente Diaby, mas o maliano com a baliza toda à mercê conseguiu encontrar um corpo na direcção da bola.  Logo de seguida, com a baliza escancarada, o suspeito do costume não chegou à bola por um triz. Aos 55 minutos, o Gudelj viu um cartão amarelo, motivo que o impede de jogar a próxima partida contra o Guimarães. O drama, a tragédia, o horror terá pensado a SportTV, que logo o nomeou para "Homem do Jogo"...

 

O Sporting continuava a distribuir Ovos Kinder, ou Keizer, ou lá como se chamam esses presentes de Páscoa, aos nacionalistas, até que Acuña levantou para a área e Luíz Phellype não perdoou. Em vantagem, Jefferson rendeu Jovane (e Miguel Luís substituiu Gudelj), continuando Acuña como lateral. O brasileiro serviu Diaby para golo mas o destino foi o do costume. Houve tempo ainda para vêr o ex-Brugge mostrar os seus dotes de recepção quando isolado para a baliza meteu canela a mais na bola, naquilo que deverá passar a fazer escola na Academia como "domínio à Diaby". Posto isto, a mim é que tiveram que dominar. Os nervos, claro. Ah, e claro, o Xico entrou a 1 minuto do fim, em nova "oportunidade" concedida pelo Keizer. Já dizia a Luísa Sobral: "Ó Xico, ó Xico, onde te foste meter?".

 

Tenor "Tudo ao molho...": Luíz Phellype (marcou o único golo do jogo e lutou bastante). Destaques para Mathieu, que muitas vezes fez de "8" em penetrações pelo meio-campo do Nacional, Acuña, que dominou totalmente o lado esquerdo da defesa, e Gudelj, hoje muito mais intenso defensivamente do que aquilo que tem sido normal nele, embora continue a não dar ao jogo atacante aquilo que é necessário num clube de topo. 

 

P.S. falando agora muito a sério, foi um prazer ouvir Gudelj expressar-se num quase perfeito português e sem aquele sotaquezinho castelhano que poderia advir do facto de ter acompanhado o pai quando este foi profissional de futebol em Espanha. Aliás, tanto quanto sei, o sérvio fala seis linguas. Muitas vezes critico-o pelas suas acções no campo, mas aqui fica o meu apreço por alguém que mostra respeitar o clube e o país, se comporta de forma profissional e é inteligente.   

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27
Dez20

Foi assim que aconteceu... (*)


Pedro Azevedo

26.06.2020  B SAD - Sporting 1-3

 

Crónica "Tudo ao molho...": The Karate Kid e o Koffi Anão

 

Na vida é sempre importante sabermos as linhas com que nos cosemos. O Ruben Amorim tem isso presente e, vai daí, aplica-o literalmente ao futebol. O problema é que muita intersecção de linhas gera obviamente demasiados passes laterais e essa tem sido a óbvia consequência de um sistema táctico do promissor técnico leonino que privilegia o engarrafamento na zona central, com dois médios a par e três defesas por detrás ("O Pentágono"). Assim, muitas vezes o Matheus cose e coze o Wendel e este responde assando (as pernas de) o Matheus com passes miudinhos que no rugby se denominam de "para o hospital", auto-anulando-se os dois no que diz respeito ao processo ofensivo e criando indefinição quando toca a defender. Evidentemente, havendo linhas sobrepostas atrás, faltarão sempre linhas à frente, algo que tentamos contornar com a solução do chutão à procura do Sporar, o 112 dos inermes. Quando o esloveno consegue segurar a bola, então aí aparece Jovane, um cabo-verdiano que se descreve melhor recorrendo ao poeta Régio: "a minha vida é um vendaval que se soltou, uma onda que se alevantou, um átomo a mais que se animou". É tudo isto que o Sporting ganha quando Jovane está em campo, os tais últimos 30 metros que comprometeriam irremediavelmente a eficiência da geringonça de passe/repasse outrora montada por Silas ("A Posse")...

 

Andávamos nós neste empastelamento quando os de Belém meteram também as mãos na massa e, pumba, espetaram-nos um pastel: defesa completamente desposicionada e larga no relvado, transição rápida e golo. Mas eis que o Coates foi gigante e o Koffi anão. Qual alto signatário das Nações Unidas, o burquinês estendeu a passadeira a bem da paz e cooperação entre os povos. O uruguaio dedica o golo ao seu antigo camarada de armas, Monsieur Mathieu. Um-dó-Li-cá, e eis que o Codecity volta a marcar. Anulado, por fora de jogo. Por essa altura andava o Plata numa das suas inconsequências quando avista o Ristovski. O macedónio põe a bola com olhinhos na área, o Sporar arrasta marcações e o Jovane mostra que um leão também pode ser um dragão como o Bruce Lee. Depois, o Matheus consegue sair da cabine telefónica onde o meteram com o Wendel e faz um passe longo para o Nuno Mendes. Este dá ao Jovane e o menino inicia intermináveis tabelinhas com o Sporar que acabam com o esloveno caído na área. Penálti, diz Molero, perdão, Malheiro. O Jovane chuta, mas o Koffi dá 2 passos à frente e defende miraculosamente. Tempo então para nos interrogarmos sobre a identidade Sportinguista e os caminhos possíveis para a sua coabitação com uma pluralidade de formas artísticas no futebol português. Molero, perdão, Malheiro também reflecte sobre o tema e eis que perante a incredulidade de todos os leões confinados nos seus lares vemos um árbitro a cumprir com as regras num jogo do Sporting. O Ristovski, desta vez sem galo, sorri. Novamente chamado a tentar converter a penalidade, Jovane desfere uma bazuca de fazer inveja ao António Costa. 

 

Para a etapa complementar o Jovane ficou no banco. Aparentemente, devido a um traumatismo (que provocou no resultado). Entrou o Geraldes e o cão de Pavlov que existe no subconsciente de cada leão Sportinguista começou a salivar. E a verdade é que o Chico até fez um bom jogo, desmarcando-se sucessivamente e assim dando linhas ao portador da bola. Iniciou então um duelo em 3 actos com o Koffi, agora gigante, com o burquinês sempre a levar a melhor. Do Ensaio sobre a Cegueira para o Levantado do Chão é o mesmo Caminho (NA: editora), um caminho que se faz lendo nas entrelinhas do que são os posicionamentos do Chico, uma alternativa aos atalhos à procura do Sporar. Até ao fim pouco mais houve a declarar e o jogo ainda deu para ver entrar o Ilori e o Doumbia e para que o Borja fizesse os 90 minutos sem que o excesso de desconfinamento contagiasse toda a equipa do vírus da tragicomédia. 

 

P.S. Dois livres directos, igual número de penáltis, um canto - eis o balanço de golos de bola parada pós-desconfinamento (4 jogos). Ristovski substituiu Camacho e com um aproveitamento superior, prenúncio de que Amorim está atento à meritocracia. Muitos jovens lançados na equipa principal, sinal muito positivo. Jovane, com 4 golos, duas assistências e participação nos dois desequilíbrios de onde resultaram os penáltis, está em grande. Coisa para logo se agitarem muitos milhões que não mendilhões. Que continue por cá a afagar-nos os corações!

 

Tenor "Tudo ao molho": Jovane Cabral (póquer de menções e de golos desde o desconfinamento)

 

(*) Nova rúbrica

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04
Jan20

"Seven" - 7 Desejos para o Clássico


Pedro Azevedo

Domingo teremos Clássico em Alvalade, com a visita do FC Porto. Eis os meus desejos para o jogo:

 

  1. Ambiente no estádio: que seja audível e visível para todos que o Sporting joga em casa e não no Dragão;
  2. Respeito pelos símbolos leoninos: tal como a "Marcha do Sporting", cantada pela Mª José Valério, espero ouvir entoar "O Mundo sabe que..." antes de a bola começar a rolar, à semelhança aliás do que acontece em Anfield com "You`ll never walk alone", ou em Camp Nou com "Cant del Barça". Os hinos são para serem sentidos, interiorizados no seu "tempo" perfeito, pelo que a sua exibição não deve corresponder ao cumprimento de uma mera formalidade burocrática desprovida de alma e identidade;
  3. Fair-play: no relvado, nas bancadas, à entrada e saída do estádio deve imperar o respeito entre os intervenientes, nunca se confundindo a sã rivalidade com a guerra;
  4. Comunhão dos Sportinguistas: por muito que existam diferenças entre todos (e as há), cada Sportinguista presente no estádio tem o dever de apoiar o Sporting. E o Sporting, no caso, será representado por aqueles 11 que irão a campo mais os 7 suplentes e equipa técnica, razão suficiente para não se esperar menos do que o apoio incondicional à nossa equipa durante os 90 minutos do jogo;
  5. Invencibilidade leonina em Alvalade: o Porto não vence em Alvalade desde Outubro de 2008. Que assim continue(!), mas com a vitória do Sporting no final;
  6. Ovo de Colombo: ovo de Colombo, ou de Fernandes, em Bruno depositamos a esperança de tornar possível aquilo que para muitos opinadores se afigura difícil e assim fazer a diferença final no marcador. De Silas não esperamos nenhuma invenção, apenas que coloque os melhores jogadores em campo e mantenha o 4-3-3 que melhores resultados vem apresentando;
  7. Trio Maravilha e fato-macaco: Que a qualidade de Jeremy Mathieu, Marcos Acuña e Bruno Fernandes e o compromisso de Ristovski, Coates e Bolasie contagiem positivamente os seus companheiros. Só assim será possível a tão desejada vitória.

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18
Set19

Ambição na Europa


Pedro Azevedo

Com a viagem a Eindhoven, inicia-se um novo ciclo europeu. Algo que tem caracterizado a última década leonina é a falta de ambição nas provas uefeiras. A única vez que estivemos perto de celebrar foi com Moet&Xandão (o Polga moía-me a paciência...), decorria o ano de 2012. Mas se os santos da casa parecem não fazer milagres no clube, San Mamés também não se mostrou disponível e o Sporting acabou eliminado pelo Atlético de Bilbau nas meias-finais da Liga Europa. 

 

A participação nas provas da UEFA é essencial na valorização da marca Sporting e é também uma montra para exibir os nossos melhores jogadores, cuja cotação se ressente da falta de visibilidade nos grandes palcos. Oxalá saibamos compreender isto e ter uma participação condigna com os pergaminhos do Sporting Clube de Portugal e com o desígnio - "tão grande como os maiores da Europa" - ditado pelo nosso fundador. A começar já em Eindhoven.

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18
Set19

Velocidade furiosa


Pedro Azevedo

Desfalcado de Jeremy Mathieu, o seu central mais rápido, o Sporting vai defrontar um PSV que faz da velocidade do seu trio atacante a sua maior arma. É que Donyell Malen (20 anos), Bruma (24) e Steve Bergwijn (21) são três puros-sangue apontados às redes adversárias. Malen, o ponta de lança, costuma recuar no terreno para organizar jogadas de ataque, momento em que o novato Mohammed Ihattaren, um jovem (17 anos) médio descendente de marroquinos, aproveita para procurar a profundidade e o espaço entre os defesas contrários. Essencial será os nossos laterais fecharem bem por dentro e os médios não permitirem espaço entrelinhas. Provavelmente, jogaremos com um bloco mais baixo do que o habitual, tentando assim não deixar espaços nas costas. O inconveniente poderá ser ter a equipa muito recuada aquando da transição ofensiva e assim não aproveitarmos a maior debilidade dos holandeses: o imenso espaço que deixam livre entre as linhas defensiva e média. Recorreremos a um jogo mais directo, a pedir sacrifício aos nossos 3 da frente? Bolasie já mostrou não regatear esforço e Pedro Mendes faz do dinamismo uma das suas principais armas. Se conseguirem ganhar bolas entre os defesas do PSV, então depois Vietto poderá ser o homem capaz de meter para dentro e explorar o tal espaço livre em alternância com Bruno. Como irá Leonel Pontes resolver este dilema?

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14
Mar19

O meu "onze" para amanhã


Pedro Azevedo

Contra a pobreza franciscana da nossa saída de bola, Doumbia deve alinhar com Santa Clara. Adicionalmente, lançaria Xico Geraldes no meio campo, gerindo o desgaste de Wendel, colocando Acuña como ala (e não como lateral) para equilibrar mais a equipa defensivamente. Este seria o meu "onze": Renan; Ristovski, Coates, Mathieu e Borja; Doumbia, Bruno Fernandes e Geraldes; Raphinha, Dost e Acuña. 

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05
Fev19

Chaves do Areeiro


Pedro Azevedo

Saiu hoje a convocatória para o jogo de Quarta-Feira com o Benfica, a contar para a 1ªmão da meia-final da Taça de Portugal. Surpreendente é a chamada de três trincos - Oh não, outra vez! - , sobrando apenas lugares no meio-campo para Wendel e Bruno Fernandes (a possibilidade de Petrovic poder ser opção como central está posta de lado, visto que Coates, André Pinto e Tiago Ilori foram convocados). Parece-me perigoso, pois em caso de lesão dos médios mais ofensivos nem sequer temos a possibilidade de colocar Nani no miolo. Outra novidade é o facto de terem sido incluidos três laterais esquerdos (Acuña, Borja e Jefferson), a não ser que Keizer esteja a contar com o argentino como ala. Enfim, pode ter a ver com pequenos toques sentidos por jogadores no rescaldo do jogo de Domingo. (Não encontro outra explicação.) Perante isto, acredito que faremos um jogo de contenção, de forma a tentarmos evitar nova debacle como a de Alvalade.

 

De registar ainda, e mais uma vez, as ausências de Miguel Luís, Francisco Geraldes e Montero por opção. Lesionados, e também fora da convocatória, estão Nani e Mathieu. Ristovski está castigado. Enfim, oxalá corra bem!

convocados.png

03
Fev19

Dia de Clássico


Pedro Azevedo

Hoje é dia de Clássico. Não de um clássico qualquer, mas sim d`O Clássico, o derby que transformou o profano jogo no objecto de uma adoração sagrada. Neste dia, Alvalade é um templo, um local divino de comunhão de uma religião sem ateístas, onde os deuses estão ali, de carne e osso, à nossa frente e para gáudio dos nossos sentidos. 

 

Para um adepto, o amanhecer do Clássico é diferente do de um outro dia qualquer. A garganta resseca, o coração lateja, a mão treme, enquanto o corpo se vai libertando progressivamente do entorpecimento matinal. Tudo num compasso mais acelerado do que o normal. A adrenalina vai crescendo à medida dos cenários que se vão construindo na mente e, até à hora do jogo, o adepto estará acometido de um transe que o transportará para múltiplas realidades virtuais. Nesse sentido, a contagem decrescente para o início da partida é, também ela, um jogo dentro do próprio jogo: mais comprido, sublime, genial, este jogo alternativo é todo ele feito de ilusões, quimeras ou fantasias que o jogo real, a maioria das vezes, se encarregará de desmentir.

 

Quando o Sporting e o Benfica se enfrentam há muito mais do que um jogo em disputa. Há uma rivalidade ancestral que faz desse confronto um campeonato à parte dentro do próprio campeonato. Muito mais do que os pontos em disputa, joga-se pelo orgulho e para alimentar a fé. Assim, cada golo, cada triunfo dos nossos, é celebrado como um ritual de sagrada comunhão em que os adeptos se cumprimentam e abraçam em perfeita sintonia, numa catarse que transforma o solitário "eu" num colectivo "nós". 

 

É esse desejo de ser parte de algo grandioso, maior do que nós, que inconscientemente faz o fervor de um adepto. Hoje, quando o jogo acabar, depois de luzes, cheiros, tactos, paladares e ruídos se desvanescerem, o adepto voltará à sua solidão e o Domingo readquirirá a sua típica melancolia. Ou, como diria Galeano, "será como Quarta-Feira de cinzas depois do fim do Carnaval"...

 

P.S. É importante, diria decisivo, criar condições para que um adepto nunca perca a fé, pois desmorecimento e apatia são inimigos da perenidade do clube tal como o conhecemos. Sporting sempre! Vamos!

sporting sempre.jpg

26
Jan19

One too many


Pedro Azevedo

"Dá-me um irreal, um imaginário...dá-me um irreal

 Dá-me um irreal, um imaginário...dá-me um irreal

 Dá-me um ideal, um ar ilusório...dá-me um ideal

 Dá-me um ideal, um ar ilusório...dá-me um ideal

 Popular, surrealizar por aí

 Popular, surrealizar por aí

 Popular

 Não me dês moral...dá-me irreal ideal social popular avançado" - Ban

 

Michel Platini, numa derradeira tentativa de estancar o progresso tecnológico, criou aquela aberrante criatura posicionada atrás de uma baliza, um tipo de placebo que ninguém conseguiu descortinar exactamente para o que servia. Quer dizer, para além de conseguir "pintar" coisas tão surreais como uma mão em forma de rosto numa noite em Gelsenkirchen, ninguém percebeu a sua utilidade. Depois, com o inexorável progresso, chegou o VAR. Uma boa ideia, mas ainda a deixar margem para a natureza humana decidir, ou não decidir, ou indecisamente alegar uma neutralidade helvética. Agora, querem introduzir dois VARs (o BiVAR, de étimo lendário e nobre, a fazer lembrar El Cid, o Campeador). Dá um bom nome, mas faz lembrar aquele trocadilho do "1 ovários" (um ou VARios). Se a coisa der semente, cheira-me que o parto vai ser demorado e que a hora não vai ser pequenina. Árbitro, VAR1, VAR2: um é pouco, dois é bom, três é capaz de ser um bocadinho demais. É que isto pode vir a tornar-se numa conferência de advogados: em cada dois que se juntam, há pelos menos três opiniões. E tudo poderá acabar como na anedota do fanhoso e do coxo (ou na do corcunda). Por isso, ilustres senhores do Conselho de Arbitragem, se pensam que o problema do défice de qualidade pode ser resolvido pela quantidade, vão acabar por enfrentar perdas de produtividade. "Do you wanna bet?"

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26
Jan19

Aí leões!!!


Pedro Azevedo

O jogo não será no (Estádio do) Lima, mas sim na Pedreira. (Pedra lascada, portanto.) Infelizmente, não estará lá presente, pelo menos fisicamente, aquele que considero o melhor actor português de sempre, o sportinguista António Silva, a quem aqui singelamente homenageio. De um leão da Estrela para O Leão da Estrela, com o desejo ardente de que saiamos vitoriosos. Aí leões!!!

 

P.S. Ó Barata (Erico Braga), desculpa lá qualquer coisinha, mas vai ter de ser...

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23
Jan19

Oportunidade aos mais jovens


Pedro Azevedo

Hoje, na Pedreira, gostaria que se testassem outras soluções. Por isso, recomendaria que jogassem de início os jovens Francisco Geraldes (ou Miguel Luís), Jovane Cabral e Raphinha (para além de Phellype e de Salin, este último face à rotatividade nas taças). A minha equipa seria: Salin; Ristovski, Coates, Mathieu e Acuña; Gudelj (Idrissa Doumbia, Petrovic), Bruno Fernandes e Xico Geraldes (Miguel Luís); Raphinha, Luíz Phellype e Jovane Cabral. Descansariam, tendo em conta futuras batalhas: Renan, Wendel (um jovem desgastado pelo excesso de jogos), Nani, Diaby e Bas Dost.

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22
Jan19

Abel adormecido (e a laranja mecânica)


Pedro Azevedo

E se, amanhã, Abel encontrar uma laranja no seu caminho, não resistir a tentar descascá-la e acabar adormecido pelo sumarento fluido venenoso preparado por Keizer? Sim, bem sei, a maçã...Bom, a maçã é uma estória para meninos, e Abel é tudo menos um menino (de coro). Pelo menos sempre que tem o Sporting pela frente, pois quando é o Benfica já não é bem assim, aparentemente, e até sorri e tudo. 

Para ganhar amanhã, o Sporting tem de ser uma laranja mecânica e, de forma a poder extrair todo o sumo possível, saber aproveitar as lições da mecânica de fluidos. A primeira coisa a fazer é jogar em campo pequeno (aproximar as linhas). A Teoria de Bernoulli aplicada a um jogo de futebol. Estreitando o campo, a pressão sobre a equipa do Braga será maior (aumenta o erro). Aplicada uma forte tensão nos bracarenses, a deformação do seu jogo ser-lhe-á proporcional (Teoria dos fluidos Newtonianos). Depois, será necessário aplicar velocidade. Como tal, proponho algumas alterações na equipa que vai a jogo, de forma a melhor acomodar a ideia inicial (ao mesmo tempo que pouparia alguns titulares para outras batalhas). Assim, para além da habitual substituição nas Taças, de Renan por Salin - o melhor jogo de pés do francês aumenta a velocidade de circulação de bola - daria uma oportunidade no sector recuado ao supersónico Lumor (importante para dobrar centrais posicionados perto da linha do meio-campo, deixando assim muito espaço nas costas). No meio campo, manteria Bruno Fernandes e Gudelj (não estando ainda em condições o Doumbia) e lançaria Francisco Geraldes como "10" (com Bruno de perfil por detrás), de forma a podermos ter dois "registas", dois lançadores de passes de ruptura para as alas e frente do ataque. Como "cereja no topo do bolo", revolucionaria a linha dianteira, fazendo entrar os velozes Jovane (esquerda) e Raphinha (direita), bem como o "Felipe das consoantes", o nosso recém-chegado ponta-de-lança Luíz Phellype. O que Vos parece?

abel.jpg

(Fonte Imagem: Rogério Ferreira/KAPTA+)

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