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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

21
Set20

Análise à jornada (1)


Pedro Azevedo

Na antecâmara do início da Primeira Liga as expectativas eram elevadas em relação a um maior equilíbrio competitivo do nosso campeonato. Os peritos geralmente ouvidos nestas ocasiões apontavam para um crescimento dos clubes médios habitualmente envolvidos na luta pela qualificação para a Liga Europa e isso era, logicamente, percepcionado como positivo para o futebol português, na perspectiva de jogos mais intensos e competitivos onde os "grandes" viessem a ter um grau de dificuldade superior ao habitual. Pois bem, analisando esta primeira jornada ainda incompleta - Sporting e Gil Vicente viram adiado o seu jogo devido ao surto de casos positivos de Covid-19 e Portimonense e Paços de Ferreira apenas jogam hoje - as expectativas saíram um pouco goradas. A maior desilusão terá vindo de Guimarães, cidade onde mora um Vitória que perdeu em casa com a Belenenses SAD. Mais do que ter ficado por provar a qualidade de tantos jogadores jovens recentemente incorporados, o que mais me surpreendeu pela negativa na equipa da cidade-berço foram os princípios de jogo, com sectores e jogadores frequentemente muito longe entre si. Tiago é um jovem de que sempre gostei dentro e fora do campo, pela inteligência revelada nos relvados e por transparecer ser um "gentleman" e uma pessoa muito equilibrada. Mas, a verdade é que o futebol que apresentou no Sábado não me agradou de todo. Desejo que melhore e que faça uma carreira de treinador de acordo com aquilo que foi o seu desempenho como futebolista. Outra equipa que ficou aquém do por mim esperado foi o Rio Ave. Provavelmente mal habituado com aquilo que lhe vi sob o comando de Carlos Carvalhal, notei a ausência de várias rotinas de jogo interior que eram comuns com o anterior treinador. A equipa não só não foi tão junta como privilegiou muito o jogo exterior e os cruzamentos em detrimento do carrossel por dentro e dos espaços que encontrava para penetrações entre central e lateral (ou orlar uma defesa toda atraída para o centro) que tão bem fazia no passado. Ainda assim, realço como positiva a capacidade de acelerar o jogo revelada na segunda parte contra o Tondela. Também aqui me pareceu que, independentemente da perda de jogadores importantes para os vilacondenses como Taremi ou Nuno Santos, o menor desempenho se deveu a um modelo de jogo menos atractivo e efectivo que o anterior. Já no caso do Famalicão não se pode falar exactamente de alteração de filosofia ou rotinas de jogo. O treinador é o mesmo e os princípios estão lá. O problema é que Pote, Fábio Martins e Nehuén Perez já não moram lá e houve substanciais impedimentos de novos jogadores recém-contratados que não nos permitem agora concluir se a equipa ficou mais fraca ou não, sendo certo que o 11 que jogou contra o Benfica é claramente inferior ao da época transacta. Ainda assim, Ruben Lameiras, agora mais liberto da concorrência de Pote, confirmou todas as qualidades já evidenciadas em 19/20. Do Boavista não se poe dizer que tenha desiludido, porém o seu processo defensivo mostrou inúmeras debilidades. A proposta de futebol de Vasco Seabra, já todos o sabíamos do tempo do Mafra, é muito atractiva mas a equipa ainda pareceu algo desequilibrada. Contudo, o Boavista alterou radicalmente o seu plantel, pelo que aqui provavelmente tratar-se-á mais de um problema de rodagem ou ausência dela. O Braga, de Carvalhal, esteve dentro daquilo que era esperado, jogando olhos-nos-olhos com o campeão Porto. Simplesmente, a sorte que os minhotos tiveram nos primeiros 20 minutos faltou-lhes a partir daí, com algumas perdas escandalosas em frente da baliza. Já não se poderá atribuir a sorte, mas sim a (in)competência dos jogadores envolvidos nesses lances, os dois golos sofridos no período de compensação do primeiro tempo que muito penalizaram a equipa. Porém, é justo realçar, a equipa não acusou o toque do ponto de vista psicológico e voltou após o intervalo com ganas de virar o resultado da partida. Pela positiva devem destacar-se Moreirense e Santa Clara que fizeram um jogo competente. O Belenenses SAD surpreendeu com um futebol mais bonito e harmonioso do que é costume ver nas equipas de Petit. O Nacional, treinado pelo jovem Luís Freire, foi uma equipa que nunca desistiu e soube procurar amiúde superioridade nos flancos, de onde partiram cruzamentos letais para os axadrezados. Porto e Benfica confirmaram-se como sérios candidatos, mas os encarnados impressionaram mais devido à boa ligação entre Darwin e Waldschmidt, com Gabriel a ocupar uma posição de médio mais defensivo não tão habitual para si mas com bons resultados. Obviamente, dado o forte investimento, surpreendente foi a derrota na Grécia, pelo que se espera que o Benfica dê luta até ao fim pelo campeonato. Já os portistas averbaram um resultado bem melhor do que a exibição. Até para a semana (espera-se que já com o nosso Sporting)! 

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