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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

17
Mai23

Até um dia


Pedro Azevedo

O Sporting é o meu grande amor fora da esfera familiar, mas, tal como alguns amores que são tóxicos, chega a altura em que o afastamento é a melhor solução. O amor continuará a estar lá, mas não poderei mais pactuar com quem não partilha dos mesmos valores. 

A decisão da administração da SAD de aumentar os seus salários, quando sabemos que Matheus foi vendido para "pagar coisas básicas" (Amorim dixit), não é só uma decisão economicamente (e desportivamente) contestável. Ela, principalmente, enferma de um flagrante conflito de interesses, na medida em que os seus proponentes são também os seus principais beneficiários. Proponentes que pegaram no voto do Sporting Clube de Portugal e tomaram-no a favor da sua proposta, sem prévia consulta aos associados. Errado do ponto de vista da higiene democrática e atentatório das regras de boa governance, nomeadamente no que concerne à prevenção de conflito de interesses. 

O Sporting entrou-me pelo ouvido, numa onda média (rádio), em criança, mas rapidamente virou um tsunami aquando da minha aparição em Alvalade. Tinha oito anos de idade. Todavia, nunca esquecendo a origem das coisas, foi mais tarde, com outra consciência, já adolescente, que me revi totalmente no clube, nos seus princípios e valores. E é a presente ausência de correspondência entre estes e os meus que me leva a dizer até já a este compagnon de route de uma vida (fiz-me sócio em 1980, com o dinheiro das minhas mesadas), algo que aliás já se vinha progressivamente materializando

 

O amor nunca acabará e o Sporting estará sempre no meu coração. Mas será sempre o meu Sporting, uma ilha na lua como diria o Rimbaud. Não este, que vende gato em palavras por lebre em acções e já não compagina com a diferenciação que eu tanto estimava. Tanto que pouco ou nada me interessa o que outros clubes façam nesta matéria, porque nós sempre nos afirmámos como diferentes. E, se não somos, não contem comigo para bater palmas. Como não quero contribuir para a verborreia que sinto irá crescer nos próximos tempos, permanecerei em silêncio. Voltarei no dia em que o Sporting coincida de novo com o meu Sporting. Até lá! 

PS1: Em 2018, com as listas de candidaturas ao Sporting já entregues, elaborei um plano estratégico para o clube, definindo aí 3 pilares fundamentais. Ofereci-o a todos os candidatos e a todos os Sportinguistas que se quisessem rever nele. Cheguei até, em tempo de calamidade, a pensar em ter um papel mais actuante, naquilo que pode ser considerado um momentâneo lapso de razão do qual muito me penetencio,. Esse documento dava particular ênfase a regras de boa governação, que continuam arredias ao clube. Assim sendo, entendo não haver interesse do mesmo em se tornar mais transparente e em conformidade com as melhores práticas de gestão. Deste modo, o meu afastamento fica plenamente justificado. 

PS2: Pedindo desde já desculpa pela omissão inicial que justifica esta tardia adenda, gostaria de deixar aqui o meu profundo agradecimento aos Sportinguistas e adeptos do desporto em geral que ao longo destes anos por aqui passaram, com o meu reconhecimento por sempre terem respeitado este espaço, concordando ou discordando das opiniões expressas pelo autor, enobrecendo-o pela riqueza de argumentos e urbanidade usada nos seus comentários. A todos desejo as maiores realizações no plano pessoal e profissional. Bem-hajam! 

PS3: A confirmar-se a presença massiva de benfiquistas em lugares de bancada de exclusiva atribuição a sócios e adeptos Sportinguistas, mesmo considerando questões ponderosas de constrangimento financeiro dos seus habituais titulares,  tal terá de ser encarado como muito triste e preocupante. O que nos deveria remeter para a origem ("Genesis") do nosso amor ao clube. Por falar nisso, os Genesis tiveram um álbum chamado Selling England by the Pound. Estaremos nós na iminência de vender a alma por um punhado de euros?

 

P.S.4. Para lerem sobre futebol puro e duro, podem consultar o meu novo blogue "A Poesia do Drible": apoesiadodrible.blogs.sapo.pt

30
Jan19

Estranha forma de vida


Pedro Azevedo

Vivi intensamente e fiquei louco de alegria com a vitória do nosso Sporting na Taça da Liga. Uma noite fantástica para mim, mas também para os meus filhos, que não tiveram o privilégio que o pai teve de ver o Sporting ganhar mais vezes. Não muitas mais, mas seguramente mais. Mas agora estou triste. Triste por verificar a nossa incapacidade de festejarmos juntos um triunfo do Sporting. Triste pelo nosso sportinguismo ser ultrapassado pelo desejo de revanchismo de uns ou pelo ressabiamento de outros. Triste pelos mais revanchistas serem aqueles que outrora foram indefectíveis do antigo regime, e agora vociferarem como que à procura de redenção. Triste pelos mais ressabiados não gostarem que o clube ganhe e preferirem a adoração a deuses de carne e osso em detrimento do culto ao símbolo do leão rampante e àquilo que representa. Triste por uma vitória nossa ser sempre contra alguém (interno). E uma derrota, também. Uns e outros julgam que são o Sporting, mas não representam a maioria dos sportinguistas. Estes são moderados, souberam fazer a sua reflexão, pesaram os prós e os contras e seguiram numa direcção. Serenamente e convictamente. Acima de tudo, estão com o clube, não precisam de ser contra alguém. Vão aos estádios, apoiam a equipa e não perdem a esperança. Por vezes estão mais em concordância, outras vezes nem tanto. Mas são movidos pelo Sporting. Pelo bem, por aquilo que são sentimentos positivos. Hoje como ontem. Os outros, bem, é só passarmos os olhos pelas redes sociais. E mal passaram 72 horas. A verdade é que a existência de uns radicais alimenta o outro polo radicalizado, e vice-versa. No fim, são como vasos comunicantes que precisam um do outro para sobreviverem. Nem que para isso tenham de regar a gasolina e inflamar tudo à sua volta. 

 

De nada vale batermos no peito e afirmarmos o nosso coração leonino se na hora da verdade as nossas vitórias não forem total e incondicionalmente canalizadas para onde devem ser, o clube que amamos. Que tem de estar acima de cada um de nós. Numa instituição com adeptos tão heterógeneos, só a paixão nos une. Ressabiamentos, revanchismos, cálculos políticos não devem morar aqui, a paixão sim. Porque, de outra forma, esse tipo de comportamento nefasto minará sempre o clube. Têm dúvidas? É assim há 33 anos, e mesmo João Rocha afastou-se diversas vezes devido à guerrilha montada por uma certa oposição. Hoje contra este, amanhã contra outro. Tudo gente que prefere odiar em vez de amar. Muitas vezes instigados por quem se move por interesse, vaidade, necessidade, sibilinamente na sombra. Estranha forma de vida...

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