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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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08
Fev21

Superbowl LV - A vingança de Tom Brady

A análise conhecedora do Leitor José Lopes


Pedro Azevedo

Só terá ficado surpreendido com a vitória dos Tampa Bay Buccaneers sobre os Kansas City Chiefs por 31–9 na passada noite quem não siga com atenção a NFL. Nas últimas semanas, os Chiefs (quanto tempo conservarão este nome é coisa que não se sabe, já que à luz das novas normas vigentes no desporto americano, referências que possam pressupor conotações ofensivas para sectores da população são condenadas, o que já levou a equipa de Washington a retirar o termo “Redskins” do seu nome) viram o seu plantel dizimado por lesões e infecções por SARS COV 2, o que os enfraqueceu muito.
Do outro lado, o grande Tom Brady, que aproveitou o rio de dinheiro que normalmente existe na Flórida, para levar os irmãos Glazer, donos da equipe dos Bucs (curiosamente também donos dos Boston Red Sox, da cidade de onde Brady transitou para Tampa Bay, e do... Manchester United) a apostar forte numa equipe capaz de acompanhar o seu estelar quarterback à vitória no Superbowl.


Os Bucs fecharam a temporada regular com uma sequência de quatro vitórias consecutivas e não pararam desde essa altuara, vencendo três jogos na pós-temporada na estrada - incluindo viagens para New Orleans e Green Bay para enfrentar Drew Brees e Aaron Rodgers, respectivamente - antes de destronarem os Chiefs na noite de domingo, tornando-se a quarta equipa na história da NFL a ganhar um Super Bowl como equipa que partiu dos wild cards, para mais sem a vantagem de jogar em casa, o que quer que signifique tal coisa nestes temps que vivemos.


Nesta passada noite, jogando no estádio da sua própria equipe, com uma multidão de fãs (sim, houve público!) da equipa da casa e 7.500 profissionais de saúde, o que sucede pela primeira vez no SuperBowl (os Superbowl são normalmente jogados em Atlanta ou Miami, locais com temperatura mais amena, nos normalmente gelados meses de Fevereiro nos Estados Unidos), Brady e os Buccaneers deram aos Bucs o seu segundo troféu Lombardi. Brady conseguiu 21 de 29 passes, para 201 jardas e três “touchdowns”, incluindo dois para o “tight end” Rob Gronkowski, seu antigo companheiro nos New England Patriots. Os Bucs basearam a sua vitória no que já se esperava, um desempenho defensivo brilhante. A defesa dos Bucs, que se vingaram da derrota frente a Kansas City na jornada 12 da temporada regular em que foram trucidados - para mais estando os Chiefs nesse jogo sem o seu estelar “quarterback” Patrick Mahomes - , desta vez quase não deixaram Mahomes jogar, pressionando-o fortemente, já que os Chiefs estavam privados dos seus “ofensive tackles” titulares Eric Fisher e Mitchell Schwartz.


Três jogadores que Brady recrutou pessoalmente para se lhe juntarem em Tampa, o já
mencionado Rob Gronkowski, o “wide receiver” Antonio Brown (também ex-companheiro de Brady em New England) e o “running back” Leonard Fournette – marcaram os “touchdowns” deste Super Bowl, com Gronkowski conseguindo dois ainda na primeira parte do jogo. Portanto, e acima de tudo Brady conseguiu aos 43 anos o seu sétimo anel. Ainda lhe falta muito para superar outras figuras de outros desportos americanos em número de títulos, como sejam Bill Russell, na NBA, que tem onze títulos, Yogi Berra que tem dez na MLB (baseball), entre outros.

 

Pessoalmente, penso que Brady se quis “vingar” de Robert Kraft, dono dos New England
Patriots, e do treinador que o recrutou e formou, Bill Bellichick (BB), com quem ganhou os seis anéis anteriores. Ter levado Rob Gronkowsky, que há dois anos tinha dito que abandonava os Pats e a NFL porque tinha lesões a mais, e Antonio Brown, que tinha sido excluído dos Pats sob pressão da própria NFL por estar envolvido em problemas pessoais, para Tampa com ele cheira muito a vingança pessoal. Há já vários anos que existia uma guerra latente entre Brady e Bellichick nos Pats, uma espécie de concurso pessoal, mais assumido por Brady do que por BB, sobre quem era mais responsável pelos últimos vinte anos de sucesso dos New England Patriots. Brady provou que conseguia vencer sem a férrea disciplina de BB, embora decerto tenha levado
com ele muito do que aprendeu em Boston para Tampa. Ele trocou Boston por uma equipe que há treze anos não chegava à “post season”, que não vencia um jogo nos “playoff” há cerca de duas décadas e que ainda detém a pior percemtagem de vitórias numa temporada na NFL. No entanto, Bellichick, além dos seis anéis com os Pats, tem mais dois como adjunto nos New York Giants, pelo que Brady, que já anunciou não pensar reformar-se antes dos 45 anos, ainda terá que vencer mais dois para o ultrapassar. E, para mais, tem uma folga de cap para o próximo ano de 50 milhões de dólares, o mesmo que Brady vai auferir nos seus dois anos de contrato com os Bucs. Bellichick, que tem agora de volta o seu coordenador defensivo Matt Patricia, vindo de uma má experiência como treinador principal dos Detroit Lions, e mantém o coordenador ofensivo Josh McDaniels, que tem resistido ao assédio para ser treinador principal de várias equipas (e se pensa poder vir a ser o sucessor de Bellichick).
Se os Pats conseguirem no draft um bom quarterback - a experiência deste ano com Cam Newton não resultou muito bem, diga-se em abono da verdade devido a mais jogadores do que qualquer outra equipa terem feito “opt down”, ou seja, escolhido não jogar este ano devido à pandemia Covid, e às inúmeras ausências e lesões que a equipa, já não tão forte como em anos anteriores, sofreu - , ou um “trade” de algum mais experiente, talves tenhamos de volta os Pats dominadores dos últimos anos, para competirem com Brady e com Mahomes, que no próximo ano (na realidade este ano, já que a NFL recomeça em Outubro), já com a equipa recuperada (esperamos todos que esta pandemia já esteja atenuada em Outubro), continuará decerto a ser uma das grandes favoritas à vitória final na próxima edição do Superbowl.


Afigura-se uma “post season” interessante, até porque alguns dos quarterbacks mais estelares da geração mais antiga (Aaron Rodgers, dos Green Bay Packers, e Drew Brees, dos New Orleans Saints, por exemplo) se poderão retirar, fazendo com que haja uma corrida a quartebacks no draft. Também resta saber como vai recuperar Joe Burrow, o novo “wunderkind” quaterback, que perdeu grande parte da sua época de rookie com os Bengals devido a uma rutura de ligamentos cruzados de um joelho.

 

Lá para Outubro há mais...

 

P.S. O meu agradecimento ao nosso Leitor José Lopes pela disponibilidade demonstrada na elaboração desta cuidada análise.

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