Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

20
Fev19

Os Cavaleiros da Ordem de Alvalade


Pedro Azevedo

O futebol debate-se com os constrangimentos inerentes a ser simultaneamente um espectáculo e um negócio. Nesse sentido, o treinador deixou de ser somente um táctico para ser também um estratega, um gestor de activos do clube. Bem sei que essa área está consignada a um departamento específico, mas o treinador está a montante de todo o processo e é das suas convocatórias que depende o aparecimento de um ou outro talento. Para defesa do grupo, raramente o treinador destaca individualmente um jogador. Tal não significa que não haja uma ordem de mérito no balneário, simplesmente não é só a técnica ou a habilidade individual que é valorizada. Uma equipa é como um exército e nela coabitam a infantaria, a cavalaria e a artilharia. Por vezes, reforçada pela força aérea, procurando no ar as soluções que não se encontram por via terrestre. Não desprezando o papel dos sapadores de infantaria, sempre disponíveis para minar e dinamitar os avanços do adversário, ou dos artilheiros, que através de apontadores e municiadores tentam posicionar o poder de fogo da equipa de forma a destruir e/ou neutralizar o moral do oponente, é a mobilidade, velocidade, destreza e flanqueamento da cavalaria que salta mais à vista do comum adepto. Nesse sentido, vou aqui apontar aqueles que para mim são os "cavaleiros" deste Sporting versão 2018/19:

 

Bruno Fernandes - Todas as estações do ano são Outono, quando ele bate os livres em folha seca. É a alegria do povo e este põe todas as fichas na sua roleta, uma peça de arte anteriormente popularizada por Zinedine Zidane.

 

Wendel - Por vezes vai por ali fora sem destino certo, como se apenas se pretendesse evadir de um imobilismo fatal. A equipa nem sempre consegue acompanhar esses momentos de jazz de improviso, dada a sua variação harmónica bem distante da música dentro de um tom a que está habituada. É mais eficiente quando o conjuga com o samba, e o som imaginário das palmas e dos batuques dão-lhe o compasso certo para variar o seu andamento em função da equipa. 

 

Raphinha - Nascido em Porto Alegre, no sul do Brasil, o seu futebol sofre a influência gaúcha também comum aos argentinos. O ar geralmente reservado, os olhos tristes e o bailado que suscita com a bola fazem lembrar um dançarino de tango. Este género aparece ainda intermitentemente combinado com movimentos de capoeira, visível na ginga com que por vezes se desfaz dos adversários. 

 

Mathieu - Transmite aquela sensação de que poderia estar a dar umas passas nuns Gauloises e a despachar o expediente ao mesmo tempo, tal o ar "négligé" que sempre exibe. Mas isso apenas esconde a confiança ilimitada que tem nas suas capacidades técnicas e atléticas, as quais lhe permitem sair a jogar como um médio e recuperar a profundidade como um jovem de 20 anos. 

 

Acuña - É raro o jogador que consegue associar doses semelhantes de intensidade e capacidade técnica. O argentino é um infante que pelos seus feitos virou cavaleiro. Nesse sentido, não herdou o "savoir faire" típico da nobreza e continua a jogar de faca nos dentes, o que gera sentimentos contraditórios nas bancadas. Incensado nas curvas, repudiado nos camarotes, todos coincidem nisto: a sua entrega ao jogo e capacidade de cruzamento são imaculadas.

 

Doumbia - Se para Gudelj um m2 é um latifúndio, o marfinense é o homem dos grandes espaços, da savana africana. Poderoso, possui na finta o seu grande argumento para rapidamente sair da zona de pressão. Dá verticalidade ao jogo do Sporting. Na minha opinião, uma das duas contratações do Mercado de inverno que de facto pode fazer a diferença.

 

Matheus Nunes - Igualmente jovem e ainda mais desconhecido, é o mais recente produto da ilustre(?) casa de Mateus nas suas diferentes variantes (Mathieu, Matheus Pereira, Mattheus Oliveira). Podendo jogar em qualquer posição do meio-campo, é como pivot que tem vindo a ser testado. Tem uma velocidade com a bola nos pés incomum, parecendo deslizar no campo como se tivesse skis e não botas nos pés, acção que o faz libertar-se com facilidade da zona de pressão adversária. Para além disso, tem uma excelente técnica de passe à distância e sabe aparecer em zonas de finalização. Um excelente projecto em desenvolvimento.

 

Assim termino este breve resumo sobre aqueles que considero serem os mais dotados jogadores do nosso plantel. Oxalá tenham gostado ou, de alguma forma, Vos possa ter sido útil.

cavaleiros.jpg

2 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Siga-nos no Facebook

Castigo Máximo

Comentários recentes

  • Pedro Azevedo

    Obrigado Miguel! Infelizmente, o biótipo é o que é...

  • Anónimo

    Boa noite Pedro:Futebol, economia, sociologia e hi...

  • Pedro Azevedo

    É engraçado que fisionomicamente sendo muito difer...

  • Anónimo

    Slimani, que saudades!..atitude irrepreensível que...

  • Pedro Azevedo

    * desmarcação