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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

02
Abr20

O Super-Lopes


Pedro Azevedo

A primeira vez que o vi ele flutuava imperialmente sobre uma superfície lamacenta e revolta pelo frequente galope dos cavalos. Estávamos em 1976 (28 de Fevereiro) e disputava-se o Campeonato do Mundo de corta-mato. O local: o Hipódromo de Chepstow, no País de Gales. À época Portugal tinha poucas conquistas de relevo no desporto internacional, pelo que a retumbante vitória de Carlos Lopes não me apanhou apenas a mim de surpresa, mas também todo uma nação. Uns meses mais tarde, num outro país e continente (Montreal, Canadá, América do Norte), ei-lo de novo perante os meus olhos. O cenário agora era ainda mais grandioso, visto que a cidade canadiana do Quebec organizava os grandiosos Jogos Olímpicos de Verão. Lopes competia agora em pista, na prova de 10 000 metros (26 de Julho), e não estava entre os principais favoritos. Estes eram o belga Emiel Puttemans, os britânicos Tony Simmons e Brendan Foster e o finlandês e campeão olímpico em título Lasse Viren. O português, que já mostrara anteriormente estar em forma ao vencer a sua série de qualificação, foi logo para a frente impôr ritmo. Um a um, os seus adversários iam ficando para trás, impotentes para acompanharem a passada do homem de Vildemoinhos. Só Viren resistia quando faltavam 500 metros para o fim. Até que o finlandês, suspeito de fazer transfusões do seu próprio sangue previamente congelado, se foi embora e ganhou a medalha de ouro. Carlos Lopes ficou com a prata, tornando-se o primeiro português a ganhar uma medalha em atletismo nuns Jogos Olímpicos. 

 

Após o exuberante ano de 76, Lopes não teve a progressão desejada. Em 77 ainda se sagra vice-campeão mundial de "cross", mas uma arreliadora lesão no tendão de aquiles afasta-o das principais competições mundiais e a carreira está quase a perder-se. Durante 5 anos, o atleta português enfrenta o calvário, resistindo a uma operação que não dava amplas garantias de continuidade de carreira. Optando por tratamentos conservadores, encontra o mestre Koboyashi, o homem que com as suas agulhas de acupuntura salva o português para a competição. Em Maio de 81 vê o seu compatriota e colega de treino, Fernando Mamede, bater o record da Europa dos 10 000 metros. O feito de Mamede espicaça-o. Até que o viseense renasce das cinzas como a fénix e em Oslo, em 26 de Junho de 82, tira mais de 3 segundos à marca do alentejano do Sporting e torna-se o novo recordista da especialidade. Em 83, nova medalha de prata no Mundial de "Cross". O português volta a sagrar-se campeão mundial de corta-mato em 84, nos EUA, batendo o inglês Hutchings e o galês Steve Jones, prenúncio para um resto de temporada fantástico que inclui a obtenção da segunda melhor marca mundial de todos os tempos nos 10 000 metros, em prova onde Mamede bateu o record mundial (Estocolmo), e a primeira medalha de ouro olímpica portuguesa com a vitória na Maratona dos Jogos de los Angeles, batendo o record mundial da prova que celebra a distância percorrida pelo soldado grego Philippides entre Marathon e Atenas. Em 85, correndo em casa e alegando má forma, bate uma dupla africana formada pelo queniano Kipkoech e o etíope Bulti e realiza o hat-trick de vitórias mundiais em corta-mato. Tem 38 anos e nesse momento não há ninguém no mundo que duvide que ele é o atleta mais complato de sempre no combinado de pista, corta-mato e estrada. 

 

Carlos Lopes, um campeão "made-in Sporting".

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