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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

12
Jan23

O estado da Formação


Pedro Azevedo

O Sporting teve uma boa geração de jogadores da sua Formação que aproveitou a conjugação entre os constrangimentos de tesouraria e a chegada de um técnico à época ousado e destemido (Rúben Amorim) para se impôr na equipa principal do clube. Desse lote destacaram-se essencialmente Gonçalo Inácio e Nuno Mendes, tendo Tiago Tomás igualmente uma presença relevante, sem esquecer Matheus Nunes, que veio completar a sua formação na equipa de sub-23 antes de chegar muito rapidamente ao topo da pirâmide, e Daniel Bragança, que finalmente teve a sua oportunidade. Entretanto, investimentos importantes em infraestruturas, recursos humanos e equipamentos de apoio ao desempenho foram ocorrendo na Academia. Acontece que os frutos desse investimento ainda não são visíveis, em parte porque as reestruturações levam o seu tempo a produzir resultados mas também por algumas incongruências do processo formativo. Nesse sentido, embora entenda ser interessante o conceito da Formação estar centrado no desenvolvimento individual de cada jogador, vejo com maus olhos que a aplicação prática disso não esteja a produzir jogadores altamente diferenciados do ponto de vista técnico, antes, sim, jogadores bastante formatados e que se poderiam encontrar em qualquer outro centro de formação de clube. Não há craques, isso parece-me claro, e eu não sei se isso terá a ver ou não com a capacidade dos formadores e a não-recriação dos fundamentos do futebol de rua (os relvados são perfeitos, mas os desníveis e buracos dos passeios e estradas que geram ressaltos inesperados moldaram a técnica de muitos jovens ao longo dos anos). O que vejo é aposta no desenvolvimento físico dos jogadores, mas talento puro não o sinto a emergir. Além de que há óbvias dificuldades na integração de jovens na equipa principal quando o sistema táctico induzido na Formação (o 4-3-3) não é depois reproduzido na equipa principal (vigora o 3-4-3), ocorrendo os maiores problemas de assimilação em jogadores que ocupam o centro nevrálgico do jogo, o meio-campo. É que o sistema de dois médios centro exige um tipo de jogador com uma morfologia específica, e por causa disso Bragança nunca foi uma aposta consistente de Rúben Amorim. No que diz respeito ao plano mental, uma dimensão do jogo que não deve ser dissociada da técnica, táctica ou física, compreendo que se estejam a estabelecer patamares de dificuldade que apelam à superação, subindo jogadores prematuramente para o escalão superior, mas isso tem de gerar mais tarde oportunidades na equipa principal. Se esta estiver fechada, a promoção antecipada de míudos entre os escalões poderá ser um factor de desmotivação. Nesse sentido, não é boa a percepção que se pode retirar da situação de Rodrigo Ribeiro. Ainda mais, quando Rúben Amorim defendeu durante a pré-época que não necessitaríamos de recrutar um segundo ponta de lança para fazer companhia a Paulinho, visto termos o Rodrigo, algo que só poderá ter sido encorajador para o próprio e seus companheiros das equipas jovens. Acontece que entre as palavras e a prática as coisas não vêm acontecendo exactamente assim, e quando Paulinho esteve lesionado o Rodrigo nunca foi opção. Poder-se-iam alegar constrangimentos ligados a questões contratuais por resolver, mas no Domingo, na Madeira, tendo a renovação já ocorrido, o Rodrigo ficou a ver o jogo na bancada. Um jogo que, curiosamente, o Sporting perdeu e em que não teve um ponta de lança no banco quando se tornou necessário ir a correr atrás do resultado. Como as dificuldades que são impostas aos jovens devem ter um objectivo e este deve ser percepcionado por todos, convém que os próprios jovens não o considerem como inatingível, para que com maior estímulo possam procurar contornar os obstáculos que se lhes apresentam (deve haver um equilíbrio, sabendo-se de antemão que a facilidade nunca é boa conselheira). Enfim, tinha aqui muitos outros pontos a levantar sobre a Formação, nomeadamente sobre como e por quem é avaliado o desempenho de Çelikkaya e de João Pereira, que estão nos escalões afluentes à equipa principal, mas para já vou ficar-me por aqui. 

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