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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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28
Mai20

O dia em que Peyroteo revolucionou as probabilidades


Pedro Azevedo

Domingo, 25 de Abril de 1948. O Sporting deslocava-se à Estância de Madeira, campo do Benfica, e precisava de ganhar por 3 golos de diferença (na primeira volta fora derrotado em casa por 3-1) para poder ser campeão. Cândido de Oliveira era o Director Técnico e a ele cabia definir a táctica para o jogo, enquanto Robert Kelly orientava a equipa no campo. Apesar de o Sporting precisar de uma vitória robusta, Cândido optou por uma estratégia mais conservadora para o jogo, recuando Travassos para o meio campo. Deste modo o Sporting apresentava-se num 3-3-4 em detrimento do tradicional WM de importação inglesa (criado por Herbert Chapman no Arsenal). 

 

Antes do jogo havia algumas nuvens cinzentas no balneário leonino: embora os jogadores não soubessem, na véspera Mestre Cândido havia sido posto em causa por dirigentes do Sporting que o confrontaram devido à táctica escolhida, desconfiando do seu benfiquismo. Dado o atraso resultante da reunião e enfadado pela ofensa à sua honorabilidade, Cândido de Oliveira acabaria por adiar a prelecção que habitualmente ocorria na sede do clube no dia anterior aos jogos, marcando-a para pouco antes do início da partida. Por outro lado, Peyroteo, o melhor goleador de todos os tempos, passara mal a noite com um síndrome gripal que lhe provocara febre alta. 

 

No entanto, Peyroteo, nascido em Humpata, distrito de Huíla (Angola), viria a ser uma vez mais providencial. Após uma primeira meia hora de estudo mútuo, o ponta de lança colocou os leões em vantagem. E, ainda antes do intervalo, bisou. Regresso dos balneários e Peyroteo volta a marcar. E do hat-trick passou a póquer, antes de um Espírito Santo nesse dia pouco miraculoso finalmente conseguir reduzir para 4-1, o resultado final. Uma tarde de glória para os leões e seu avançado-centro.

 

Vinte e seis anos antes de Salgueiro Maia cercar os ministérios do Terreiro do Paço e forçar a rendição de Marcello Caetano no Quartel do Carmo, Peyroteo subjugou a Estância de Madeira e o Benfica. Em comum, ambos tinham o compromisso com a honra, a humildade, o sentido do dever e a eficácia. O Sporting acabaria por vencer esse campeonato de 47/48 que ficaria para a história como o "Campeonato do Pirolito", berlinde (pequena bola) que se podia encontrar dentro das garrafas de gasosa da época. E foi por apenas uma bola (diferença de golos nos jogos entre si) que o Sporting ganharia, pois no cômputo das 26 jornadas o Benfica terminaria igualado na liderança com 41 pontos. Cândido de Oliveira acabaria por apresentar a demissão a seguir ao jogo, mas um pedido de desculpas do dirigente César Vitorino, que mostrou a intenção de demitir-se caso Cândido saísse, acabaria por o fazer voltar atrás na decisão. Peyroteo só jogaria mais uma época, retirando-se numa altura em que ainda estava na plena posse das suas formidáveis qualidades atléticas. Para a história ficariam os seus 6 títulos de campeão, 4 Taças de Portugal, 7 Campeonatos de Lisboa e a melhor média de golos por jogo (1,68) em campeonatos nacionais de todo o mundo, numa lista onde Pelé aparece na 10ª posição. Pelo Sporting, em jogos oficiais, marcaria 531 golos em 328 jogos. Considerando também as partidas amistosas e de selecções, Peyroteo anotaria 693 golos (428 jogos). Com uma regularidade espantosa com o golo, Peyroteo fez do Belenenses (65) e Benfica (64) as suas principais vítimas. Ao Porto, o outro grande da época, marcaria em 33 ocasiões. O seu maior número de golos num só jogo ocorreu em 41/42. O mártir foi o Leça, que saiu do Stadium com 9 golos do nosso Matador e um resultado final (14-0) que ainda hoje é recorde do campeonato nacional. Ao Boavista marcou 8 golos na época da sua despedida. Por 3 vezes marcou 6 golos e em 13 ocasiões efectuou 5 remates certeiros num jogo. Os Póqueres foram mais comuns (17). Uma lenda!

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