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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

16
Abr20

O canário na mina de carvão


Pedro Azevedo

Um velho costume dos mineiros consistia em transportar um canário numa gaiola para dentro de uma mina como forma de monitorização dos níveis de monóxido de carbono. Este sinal de alerta, embora muitas vezes radical de uma forma dramática para a pobre ave, permitia aos mineiros retirarem-se atempadamente perante um perigo iminente.

 

No Sporting, o canário na mina do carvão foi o défice de exploração da SAD. Mais, os sinais de ar rarefeito tornaram-se claros a partir do momento em que o valor do activo intangível (cotação do plantel) se aproximou vertiginosamente do prejuízo anual sem vendas de jogadores. 

 

Ontem, os sócios e adeptos do Sporting ficaram a saber que a SAD comprou um treinador no dia 5 de Março e não honrou o compromisso de pagamento de uma prestação ao clube vendedor a 6 de Março (dia seguinte). Esse treinador esteve no banco no dia 8 de Março, liderando oficiosamente a nossa equipa no jogo contra o Desportivo de Aves. É certo que mais tarde, a 18, foi anunciado o Estado de Emergência e isso até poderá ser apresentado como justificação para o não pagamento da moratória dessa primeira prestação de dívida que venceu no final desse mês, mas o que é que este incumprimento leonino (associado a outras medidas recentes) nos diz?

 

Bom, parece-me incontornável que isto vem corroborar o que escrevi aqui e aqui. O Sporting precisava de uma dieta em que a perda efectiva de peso resultasse da queima de gorduras, mantendo-se ou reforçando-se a estrutura muscular (jogadores de top). Em vez disso, o que aconteceu neste último ano e meio foi que o peso manteve-se, sendo que o músculo definhou (podia ter sido reforçado com fibras mais jovens) e as gorduras aumentaram. Em consequência disso, a nossa tonicidade muscular enfraqueceu-se, a flexibilidade diminuiu e as gorduras trouxeram problemas acrescidos de circulação que ameaçam condicionar a mobilidade e mesmo  pôr termo à nossa vida. 

 

Isto para mim é tão evidente que me custa a crer que não seja visível para todos. Entretanto, o tempo passa, o que deve ser feito permanece adiado e o clube/SAD continua em queda livre (o abismo já ficou lá atrás). A próxima paragem (e última) será o chão, uma aterragem forte ("hard landing") e desordenada, perfeitamente evitável se o bom senso tivesse prevalecido a partir do momento em que deixámos de nos qualificar para a Champions, e que se deverá materializar no momento em que deixarmos de conseguir cumprir com os compromissos salariais com o plantel. Alguém de boa fé, ou que saiba fazer contas, acreditará estar esse cenário longe no tempo? Mais do que nunca, o Sporting precisa de racionalidade, equilíbrio e bom senso.

canario.jpg

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