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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

03
Mai20

Mudar de paradigma


Pedro Azevedo

Há um pecado original em toda a concepção do futebol do Sporting que passa pela ideia enraízada na SAD de que a venda de jogadores é uma actividade corrente e não extraordinária, algo que tem sido assumido tanto por Frederico Varandas como por Salgado Zenha. A forma como isso tem sido transmitido não se destina apenas a tirar relevo ao facto do défice de exploração sem venda de jogadores ser alarmante no cenário de progressivo enfraquecimento do valor do activo intangível (plantel), mas constitui essencialmente um erro conceptual que tem implicações negativas a vários níveis.

 

O objectivo de formar deve estar sempre acompanhado do objectivo de desenvolver. Ora, eu não consigo desenvolver algo que já vendi prematuramente. O objectivo do Sporting deve ser sempre o de ganhar campeonatos. São as vitórias na competição mais importante do calendário nacional que dão palmarés, prestígio nacional e internacional e garantem qualificações para a fase de grupos da Champions e concomitante aumento de proveitos (receitas). A vantagem de investirmos na Formação é virmos a ter jovens de qualidade no plantel. Essa base evita idas desnecessárias ao mercado que acarretam um custo de aquisição, comissão a agente do jogador e custos fixos anuais com salários, fiscalidade, seguros, etc. Como o custo de aquisição não entra pela totalidade na Demonstração de Resultados, mas sim em amortizações (o custo é dividido pelo número de anos de contrato), o impacto é relativamente reduzido o que parece motivar as transferências. Acontece porém que o custo anual entra na DR e cada má aquisição vai empolar os Custos com Pessoal e, por inerência, os Gastos Gerais. Outra coisa é o efeito em termos de tesouraria, que tem a ver com o prazo de pagamento acordado com o Fornecedor (clube vendedor), geralmente até 1 ano, onde o custo do salário mensal bruto também produz efeito. E quando não há dinheiro e se recorre ao financiamento, crescem os custos financeiros que também irão pesar no Resultado do exercício. 

 

Mas, voltando à Formação, quando o presidente diz abertamente que a ideia é formar e vender está a laborar num erro. A ideia deve ser formar e ganhar, mesmo que recorrendo também ao mercado para se ir procurar a qualidade que pode faltar. Para além de que esta ideia errada cria na mente do jovem jogador a percepção e ansiedade de que pode vir a sair em breve. E quando essa expectativa sai gorada, acaba por pressionar a SAD no sentido de que o vendam, pois desde cedo, mais do que interiorizar como realização pessoal e profissional jogar na equipa principal do Sporting, projectou no seu imaginário a saída para o estrangeiro.. Não creio que tratar publicamente um jogador como mera mercadoria produza qualquer benefício em termos de Cultura Sporting, da nossa alma e identidade, pelo que deveremos repensar tudo isto. Caso contrário, os sócios e adeptos continuarão a queixar-se da pouca ligação afectiva dos jogadores ao clube, esquecendo-se que em muitas situações foi a nossa gestão, um acto nosso, que conduziu a isso. Sem olvidar que muitas vendas prematuras de pérolas da nossa Formação acontecem porque entretanto se gastou dinheiro desnecessariamente em jogadores que só vieram acrescentar à conta de exploração da SAD.

 

Finalizando, acredito num projecto sustentável com custos controlados, eliminação de gorduras estéreis e músculo proveniente de fibras jovens da nossa Formação e jogadores de qualidade indiscutível importados do mercado. O middle-market é a nossa ruína e deve ser erradicado. Não é sustentável gastar 50 milhões de euros num ano em 15 jogadores que não fazem objectivamente a diferença, quando se deveria cirurgicamente (mas com bisturi de cirurgião plástico e não de talhante) comprar 2-3 jogadores de 10 milhões de euros que efectivamente produziriam a diferença e transformariam a equipa para melhor. E ir ano a ano reforçando essa qualidade nos mesmos moldes, de forma a termos uma equipa competitiva e capaz de se bater de igual para igual com os nossos concorrentes no prazo de 2 anos e sem estrangulamentos de tesouraria. Menos quantidade e mais qualidade, menos desperdícios e mais atenção ao que formamos, evitando vender prematuramente jogadores que nos poderão dar outro rendimento (desportivo e financeiro) depois de convenientemente desenvolvidos, essa seria a minha solução. 

 

P.S. O Sporting nasceu com o objectivo do sucesso desportivo. Portanto, é sobre a política desportiva que temos de nos debruçar primeiramente. Resolvida esta, os resultados desportivos virão, as finanças ficarão equilibradas e a Cultura Sporting será restaurada. Isto não pode ser confundido de forma alguma com a ideia que o nosso negócio é compra/venda de jogadores, o que será quanto muito um meio, nunca um fim, e não deve ser o nosso "core business". O crescimento das receitas deve ser proveniente dos títulos, participações na Champions e da união que se conseguir criar na família leonina. Outro tipo de receitas devem sempre ser vistas como extraordinárias, por muito que o facto de estarmos num país periférico obrige a vender um ou outro jogador. Mas que tal decorra de ser bom para o jogador e para nós, não por estarmos em estado de urgência.

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