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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

25
Jan21

Heróis na Sombra

Rob Rensenbrink, o Homem Serpente


Pedro Azevedo

Quando se fala nos grandes jogadores da década de 70 é comum mencionar-se Beckenbauer, Muller ou Cruijff. Há porém pelo menos um outro que mereceria idêntico reconhecimento. Falo-vos de Rob Rensenbrink, um esquerdino que era simultaneamente um mago do drible, um goleador e ainda possuía uma visão de jogo incomum que lhe permitia recuar e actuar como médio com o mesma eficácia. Durante anos na sombra de Cruijff, Rensenbrink nunca teve o destaque que a sua imensa categoria mereceria. Produto de um pequeno clube de Amesterdão, o DWS, cedo emigrou para a Bélgica, aí actuando primeiro no Club Brugge (dois anos) e depois no Anderlecht (1971-80). E foi no clube da capital belga (Bruxelas) que mais viria a brilhar, com duas Taça das Taças e duas Supertaça Europeia conquistadas. Mais extraordinário ainda, Rensenbrink contribuiu com golos e/ou assistências em cada uma dessas finais: contra o West Ham (1976) marcou dois golos e fez uma assistência na vitória belga sobre os ingleses por 4-2; face ao Áustria de Viena (1978), fez abanar as redes duas vezes no triunfo do Anderlecht por 4-0 que permitiu aos belgas arrecadarem a sua segunda Taça das Taças; na Supertaça de 76, disputada a duas mãos, destruiu o Bayern de Munique (campeão europeu), de Maier, Beckenbauer, Rummenigge e Muller, no segundo jogo (4-1, 5-3 no agregado), com dois golos e duas assistências; finalmente, em 78, voltou a conquistar a Supertaça, com um golo e uma assistência na vitória (3-1) sobre o colosso Liverpool (3-1, 4-3 no agregado).

 

Com uma carreira quase desconhecida na Holanda, pensou-se que Rensenbrink não teria grandes hipóteses de actuar no Mundial de 74. Até porque a Laranja Mecânica, superiormente conduzida por Rinus Michels, tinha o seu núcleo duro formado por jogadores dos dois grandes clubes holandeses da época: Feijenoord (campeão europeu em 70) e Ajax (tri-campeão europeu entre 71 e 73). Além disso, o seu estilo de vagabundear pelo terreno colidia com o de Cruijff, a estrela da selecção do país das túlipas ("Oranje"). Ainda assim, Michels, impressionado com a sua qualidade, deu-lhe a titularidade. Para isso, engenhosamente encostou-o sobre a esquerda, o que viria a custar o lugar a Piet Keizer (tio de Marcel Keizer), até aí titularíssimo. Keizer não aceitou bem a situação e chegou a tomar-se de razões com Michels, mas a verdade é que Rensenbrink apenas falhou um jogo, despedindo-se desse mundial com um golo marcado (Alemanha Oriental, RDA) e o amargo de uma dura derrota na final contra um país anfitrião (Alemanha Ocidental, RFA) com quem os holandeses mantinham ainda alguma animosidade devido à II Guerra Mundial (van Hanegem, um dos craques da selecção, era um dos mais ressentidos, pois havia perdido o pai, a irmã e dois irmãos durante o conflito). Ainda sob a batuta de Cruijff, Rensenbrink disputou o Euro de 1976, competição em que os holandeses terminaram em 3º lugar (a Checoslováquia, com o célebre golo de Panenka, sagrou-se campeã). Porém, em 78, Rensenbrink conseguiu finalmente libertar-se da sombra de Cruijff, alargando assim a sua influência no jogo através de uma posição mais central no terreno. El Flaco recusara-se a ir à Argentina e Rensenbrink passou a ser o novo maestro da Oranje, agora treinada pelo austríaco Ernst Happel, uma velha raposa do futebol mundial. E não desiludiu. Com 5 golos marcados e 3 assistências na competição, esteve a uma unha-negra de simultaneamente ser coroado campeão do mundo, melhor jogador e melhor marcador da competição. Tal acabaria por esbarrar no poste da baliza defendida pelo argentino Fillol, no último minuto do tempo regulamentar de um jogo que, terminando empatado, foi para prolongamento. Os argentinos venceriam (3-1) e sagrar-se-iam campeões e Rensenbrink nunca viria a ter um reconhecimento à altura do seu imenso talento. Ainda assim, a nível individual foi eleito Bola de Prata (76) e Bola de Bronze (78) pela France Football e integrou o "All Star Team" dos mundiais de 74 e 78, honra pequena para este canhoto que colava a bola no seu pé esquerdo e partia a serpentear por entre quem ousasse lhe fazer frente.

 

Rensenbrink, um dos mais completos jogadores da gloriosa história do futebol mundial! 

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