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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

06
Jan21

Estrelinha vs sorte


Pedro Azevedo

Tenho lido nos últimos dias diferentes abordagens ao jogo que no pretérito Sábado disputámos com o Braga. Umas com uma análise que me parece excessivamente resultadista, outras pondo a tónica substancialmente na sorte. Com umas e outras não estou de acordo. Eu explico: quem leu a minha crónica sobre o jogo lembrar-se-á que eu acentuei a questão da estrelinha. Porventura, algumas pessoas terão ligado isso à sorte. Ora, se se relembram, eu associei a estrelinha ao destino, não à sorte. Por algum motivo a estrelinha é uma palavra do jargão futebolístico que habitualmente surge acompanhada por uma outra palavra: campeão. Juntamente com o artigo, compõe-se assim a expressão "estrelinha de campeão", o que no meu entendimento logo sugere uma dissociação face à sorte como factor meramente casual ou aleatório. Ora, em condições normais de pressão e temperatura, não há campeões sem mérito, pese embora em alguns momentos decisivos a tal estrelinha possa estar presente. Foi isso aliás que aconteceu ao Sporting nos jogos com o Famalicão e o Farense, em que golos ao cair do pano nos deram a vitória. Associei isso ao destino, como se o guião já estivesse antecipadamente escrito. Porém, isso não quer dizer que esse guião seja definitivo, a prova disso sendo a grosseira interferência externa que resultou na anulação do golo a Coates em Famalicão. Também com B SAD e Braga se sentiu essa estrelinha nos momentos decisivos, mas tal está mais associado ao imenso mérito de Adán do que à sorte no sentido aleatório do termo. Não que o jogo não tenha também uma componente de sorte. Por exemplo, o mesmo Adán pôs-se a jeito quando deixou a bola passar à sua frente após um pontapé de canto. Por sorte pura, ou demérito dos braguistas, a bola não encontrou o fundo das redes. Adicionalmente, a bola no poste não foi golo por escassos centímetros, eventualmente menos até do que a exígua medida que colocou Paulinho em fora de jogo no lance do golo invalidado ao Braga. Será que a uma diferença que não se nota a olho nu se deve creditar mérito? A não ser que alguém esteja na posse de informações que comprovem as extraordinárias competências como geómetras dos centrais leoninos (quiçá discípulos de Lagrange), na minha opinião não. 

A verdade é que nunca procurei na sorte a explicação para qualquer facto da minha vida. Não que não exista algo de aleatório, mas porque na maior parte das vezes aquilo que chamamos de sorte é essencialmente uma combinação de uma preparação adequada com a oportunidade certa. Isso serve para explicar o nosso primeiro golo: se o Pote tem uma percentagem de eficácia de remate superior a 42%, será assim tão de estranhar que à primeira oportunidade marque um golo? Do meu ponto de vista, insólito seria enviar a bola até ao hipódromo do Campo Grande, algo que não surpreenderia num Bolasie, por exemplo. Outro exemplo: a entrada de Matheus trancou o jogo. Isso foi absolutamente perceptível para quem assistiu à partida. Ainda assim poderia ter havido um momento de sorte pura dos braguistas, um ressalto ou algo do género em que o futebol é fértil, que certamente alteraria, do meu ponto de vista injustamente, o entendimento geral da sagacidade demonstrada por Ruben Amorim no momento de promover essa alteração. Mas não foi isso que aconteceu. Pelo contrário, o Matheus, que entrou para equilibrar o jogo (primeira alteração até hoje do modelo de Rúben), acabou por ser um factor de desquilíbrio ao sentenciar a partida após um ressalto de bola no guarda-redes. A tal estrelinha.

Não sou dado a questões extra-sensoriais, mas acredito que quando se trabalha bem se está mais perto do sucesso. Isso, aliado à energia positiva que sinto à volta da nossa equipa, creio que abre um caminho para o sucesso. Os deterministas chamar-lhe-ão o destino. Todavia, há agentes externos que poderão alterar esse destino que se perfigura. A nós caber-nos-á ser competentes em tudo o que dependa de nós, razão pela qual será sempre mais importante a autoconsciência, aprendendo com os erros e corrigindo-os, em vez de, simplisticamente, ignorá-los em função de um resultado final. Essa pelo menos é a minha opinião, não querendo com isto condicionar o direito à mesma por quem pensa de outra forma. Simplesmente, também tenho direito à minha, sem que de tal se possa creditar menos mérito à nossa saborosa vitória. Daí este esclarecimento. 

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