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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

09
Jan19

Dr. Feelgood ou contramestre das tácticas?


Pedro Azevedo

A propósito das recentes derrotas leoninas, na minha opinião Marcel Keizer começou a dar ouvidos aos criticos e, ao tentar melhorar a descompensação defensiva, acabou por estragar o ataque, também. Vejamos, a saída de bola deixou de ser feita pelos centrais, o trinco recuou mais do que o costume para vir organizar o jogo, Wendel e Bruno Fernandes apareceram em linhas iguais, em vez de estabelecerem a habitual "escadinha" no centro. Para além disso, Diaby, que jogava a partir da ala e aparecia em diagonais para finalizar - a ala nos primeiros tempos de Keizer era usada para dissuadir o adversário, pois o objectivo era a condução da bola pelo meio - veio para ponta-de-lança ou "mezzapunta", onde estraga muita ligação de jogo ofensivo e desperdiça oportunidades de golo em catadupa, ocasiões essas que, ao contrário do que se passa com Raphinha que muitas vezes origina os seus próprios lances, são criadas pelos seus companheiros. 

 

Por tudo isto, o que mais desejo é que Keizer volte a ser Keizer e que não substituamos o Keizerbol (condução do jogo pelo centro e procura de retomar a posse em 5 segundos) pelo Cruzabol, ou até pelo chuveirinho dos últimos minutos, de Jesus. O primeiro, muito mais interessante, de inspiração no xadrez e no rugby, perceptível no domínio do centro e na quantidade de jogadores dispostos em triângulos e que conseguem chegar à área em simultâneo; o segundo, baseado nos movimentos de basculação do andebol e a pedir profundidade nas alas. Pouco me importa a musiquinha dos "flautistas de Hamelin" à volta dos golos sofridos, sabendo que nos primeiros 7 jogos, para além de os termos vencido todos, marcámos 30 golos e consentimos 8. Ora, isto dá uma média de vitória por jogo superior a 3 golos de diferença.

 

É inteiramente verdade que a maioria dos treinadores dos chamados pequenos em Portugal não tem propriamente uma ideia de jogo, limitando-se a adaptarem-se e assim condicionar o adversário - as excepções recentes serão Miguel Cardoso e Silas -, mas o grau de eficácia dessa adaptabilidade deve medir-se pelo conjunto dos jogos com os "grandes" e pelos jogos europeus das equipas treinadas por eles. Analisando estes últimos, conclui-se que o Guimarães perdeu por um agregado de 6-2 face aos austríacos do Altach, o Nacional foi derrotado por 5-2 pelo Dinamo Minsk, da Bielorrússia e o Rio Ave sofreu um 5-0 quando encontrou pela frente os ucranianos do Dinamo de Kiev. E isto só para citar exemplos mais ou menos recentes. De resto, a amostra face aos principais clubes portugueses também não é famosa, como se comprova pelos 88 e 86 pontos que Benfica e Sporting, respectivamente, amealharam na época de 2015/16 ou os 88 pontos que o Porto fez em 2017/18.

 

Por tudo isto, temos é de entrar "com tudo" e deixarmo-nos de adaptações. Há uma passagem do livro sobre Malcolm Allison e a dobradinha de 1982 em que os jogadores estranham que Allison não apareça no balneário durante o intervalo. O Sporting perdia 1-2, em casa, contra o Boavista, em partida a contar para a Taça de Portugal. Quando os jogadores, atónitos, se preparavam para regressar ao relvado, eis que Big Mal abre a porta do balneário, chama rápidamente os jogadores e diz-lhes apenas isto (antes de voltar imediatamente a sair): "rapazes, se querem ganhar o jogo ponham a bola no Mário Jorge". Resultado: ganhámos por 3-2, com 1 golo e uma assistência do esquerdino açoriano. O futebol não é rocket-science, não é física nuclear, e isso é o que me fascina no Keizer original e não contaminado pelos "opinion-makers". Pelo menos, divertia-me a ver os jogos. Keep it simple, Keizer! E, se perderes, perde pelas tuas convicções. Se correr mal e se este vier a ser o Inverno do nosso descontentamento, sempre preferirei recordar o sonho de uma(s) noite(s) de Outono que Keizer me proporcionou do que a crónica de uma morte anunciada que nos estava reservada com Peseiro. keizer2.jpg

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