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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

30
Mai20

(Des)liga de clubes


Pedro Azevedo

Mudar para ficar tudo igual? Numa era em que parece estar na moda o trabalho invisível no futebol, Pedro Proença é um dos ícones dessa singular forma de gerir em que a ponta do icebergue é o icebergue todo. Não se sabe se por falta de jeito, condicionamento dos clubes, ou por falta de apoio de um Estado Português que deveria ser o primeiro interessado na regeneração do nosso futebol, a verdade é que Proença não tem conseguido nestes anos todos ser um agente de mudança. Perguntar-se-á então o que o move? É certo que a fazer fé nas palavras de um antigo presidente do Gil Vicente, o salário de presidente da Liga Portugal é generoso, e essa talvez seja uma atractibilidade a não desprezar, mas, se for isso, confesso que fico sempre desiludido quando vejo alguém a acomodar-se ou conformar-se por motivos financeiros, sem condições para realização de obra. Nesse sentido, invoco aqui o Marquês de Maricá quando dizia que "os homens sem mérito algum, brochados de insígnias e de ouro, são como maus livros ricamente encadernados". 

 

Dito isto, também não me parece que mudar por mudar de presidente altere alguma coisa de fundo no futebol português. A ideia de querer fazer distinto com os de sempre faz-me lembrar aquela máxima de Einstein de que loucura é esperar resultados diferentes fazendo tudo exactamente igual. 

 

Não conheço os bastidores destas coisas e não sei até que ponto o lugar não está condicionado à partida e ao sabor dos mais diversos interesses particulares dos clubes. O que me parece é que só deveria aceitar ser presidente da Liga quem conseguisse à partida um pacto de regime que lhe garantisse liberdade para aplicar as necessárias reformas do futebol português. Doesse a quem doesse. 

 

No outro dia ouvi Frederico Varandas pugnar por um campeonato de 16 equipas. A coisa parece-me um meio caminho para nada. A sério, não é má-vontade contra o senhor, mas uma Liga com menos duas equipas significaria menos jogos, provavelmente menores receitas globais, e não melhoraria a competitividade dos jogos. Aquilo que veria com bons olhos seria um campeonato a 12, jogado em duas voltas, com "play-off" (primeiros 6 da fase regular) e "play-out" (últimos 6 da fase regular), em poule, com os pontos a acumular, num total de 32 jogos. Isso, sim, traria mais patrocínios, maiores receitas e faria com que os jogos fossem mais intensos e se aproximassem do melhor que se vê lá fora.   

 

Outro aspecto onde a Liga poderia actuar seria na limitação no nº de inscritos por equipa. Imaginemos, por exemplo, um limite de 20 jogadores, sendo que os restantes deveriam provir da Formação. Tal obrigaria os clubes a recorrerem às suas Academias e nelas investir e deixaria livres jogadores interessantes que habitualmente os pequenos e médios clubes não conseguem obter, ajudando a dar outro equilíbrio à competição. 

 

Já me manifestei também a favor da centralização de DireitosTV e da existência de um Fundo de Sustentabilidade (ou Competitividade) do futebol português, no sentido de proporcionar mais equidade entre clubes. Esse fundo poderia ser dotado por uma contribuição anual de 0.5% do valor do activo intangível (plantel) contabilistico dos clubes e seria distribuído pelos últimos seis classificados da Primeira Liga. 

 

Igualmente me manifestei a favor de uma muito maior transparência nos campeonatos, que passaria por um código de conduta dos agentes desportivos (dirigentes, treinadores, jogadores, árbitros, delegados Liga, empresários de jogadores, Conselho de Arbitragem, Conselho de Disciplina, etc) com sanções significativas para quem incumprisse com regras e procedimentos, desde irradiação do agente até à descida de divisão do(s) clube(s) infractor(es). Este código, entre outras coisas, deveria ser especialmente robusto no que concerne à prevenção de conflito de interesses, promiscuidade, tráfico de influências e branqueamento de capitais. 

 

Com todos estes ingredientes reunidos, então sim o futebol português seria um produto vendável. Terminariam as subserviências e todos os clubes, pequenos e médios incluídos, se aperceberiam de que as suas cedências individuais haviam gerado ganhos substanciais para todos. 

 

Tudo isto deveria fazer parte de um plano de implementação total a 3/4 anos de qualquer novo presidente da Liga. Infelizmente, nada disto é o que vamos ouvindo e lendo. Nesse sentido, a percepção popular é que mais uma vez iremos mudar para tudo poder ficar exactamente na mesma. E é pena, porque quem resiste à mudança um dia vê-se obrigado a lutar contra a extinção. 

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