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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

26
Nov19

Cultura Sporting


Pedro Azevedo

Sporting Clube de Portugal. Não de Lisboa, Varandas, Carvalho, Godinho, Bettencourt, Franco, Dias da Cunha, Roquette, Santana Lopes, Cintra, Gonçalves, Freitas ou Rocha. Apenas Sporting. E de Portugal. O Vosso clube, o meu clube, o Nosso clube. 

 

Mais do que nos focarmos no que nos divide, temos de nos concentrar no que nos une. Desde logo, o que nos aproxima é a vontade de ver o clube prosperar e aquele amor que não se explica, sente-se. A maioria dos sócios e adeptos sportinguistas não são políticos, não têm pretensões de poder ao contrário da ideia que se pretende passar, apenas querem que as coisas corram bem, pelo que um presidente não presta uma bom serviço ao clube ao apontar o dedo a quem critica e expõe o seu ponto de vista. É que o Sporting não pode  ser uma instituição granítica e monilítica, deve ser discutido em casa que não gritado na rua (nesse sentido, o adiamento do Congresso Leonino foi um erro). Divisões existem sobre a forma de se atingir o nirvana. Pessoas, ideias, estratégia. Uns ainda prefeririam Bruno, a esmagadora maioria escolheu entre Frederico e João. Alguns privilegiariam a vertente desportiva, outros quereriam resolver o quanto antes a questão da cultura do clube. Muitos apostariam na Formação e no ecletismo, outros gostariam de obter resultados no imediato e de pôr as fichas todas no futebol. E também há quem defenda que isto só lá vai com a perda de maioria do Sporting na SAD.

 

Como sempre aqui tenho expressado, a união não se pede, conquista-se. Mas não é apenas à Direcção que cabe promover isso, é um desígnio de todos. Cada um, nas suas intervenções públicas, semi-públicas ou privadas, deve procurar encontrar pontos de encontro com outros consócios, em detrimento da exploração das fracturas que nos vão progressivamente afastando. Não pode é uma Direcção, por omissão ou no decurso da sua comunicação aos sócios, ser um factor de desunião, nomeadamente quando da sua acção não resulta qualquer estratégia visível a todos os associados ou quando tenta suprimir a contestação existente à sua volta recorrendo a epítetos aos sócios que em nada dignificam o Sporting Clube de Portugal, permitindo-se a que paire a legítima dúvida se não estará mais empenhada na preservação da sua posição do que com o progresso do clube. (Sim, o maniqueísmo, os "bunkers", as trincheiras não fazem o clube avançar, pelo que a Direcção não os deveria incentivar.).

 

O Sporting tem um problema grave de crise de identidade. Qual é a nossa bandeira, o porquê de estarmos aqui, quais os nossos factores de diferenciação? Enquanto não resolvermos isto, e deveremos fazê-lo internamente, não saberemos qual o nosso posicionamento. E se não se conhece onde se está, como se poderá saber qual o caminho a percorrer para atingir o objectivo que se pretende? Por isso, de pouco valerá prometer conquistas. Primeiro é preciso definir o ponto de partida e apontar um trajecto para a glória.

 

A cultura de um clube mede-se pela sua capacidade em resistir a tudo o que de menos bom gravita à sua volta. Numa cultura forte, existe um elo identificador entre todos os colaboradores, atletas e sócios, os quais absorvem os valores da Organização. No Sporting, a cultura é fraca e isso permite sermos diariamente influenciados negativamente por tudo quanto vem de fora. Sem filtros, completamente à mercê, como os acontecimentos dos últimos anos bem o demonstraram. Então, como resolver isto? Em primeiro lugar, e retomando o início do texto, temos de pensar num Sporting uno. Que começa pela abolição dos termos "sportingados", "brunistas" ou "croquettes", os quais só multiplicam a nossa identidade e, por isso, dividem e, assim, minam a nossa coesão. Depois, é preciso chamar e ouvir os sócios, as suas opiniões. Nesse sentido, o Sporting deve afirmar-se como um clube do Renascimento, com uma capacidade criadora, reformadora, de mudança de paradigma (o status-quo) e que valorize todos os seus associados, com respeito pela integridade das competições, o objectivo de promover um desporto melhor, mais justo, equilibrado e íntegro, tudo assente numa cultura de exigência (que deve ser correctamente implementada), mas também de excelência. Nunca, em circunstância alguma, deveremos importar modelos que funcionem com outros, mas que não respeitem a nossa idiossincrasia e/ou os nossos valores e que criem um choque com o que são os valores tradicionais sportinguistas. Como em tempos disse, a cultura de uma organização desportiva não pode estar nos antípodas do que é a personalidade e o carácter dos seus colaboradores, atletas e sócios/adeptos.

 

Concluindo, se é certo que o caminho se faz caminhando, primeiro é preciso saber onde estamos. Caso contrário, andaremos a caminhar para nada (quando não para trás), perdidos e, provavelmente, cada vez afastando-nos mais do objectivo pretendido, o cenário que acredito ser o actual. Procuremos então situar-nos, através do nosso GPS (glória, princípios, sustentabilidade), sabendo que esse é o passo necessário para a afirmação da nossa cultura, leoninidade, do nosso Ser Sporting . Viva o SPORTING !!!

 

P.S.O papel da Direcção é, como o nome indica, dirigir o clube. A um sócio cabe estar atento e vigilante e, também, contribuír com ideias, sugestões e militância para o crescimento do clube. Não se pode nem deve diminuir o papel (e a importância) de cada uma das partes, nem tal deve ser subvertido pelo jogo político do "deixem-me trabalhar".

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