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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

30
Jun19

Bruno Fernandes, a revolta do Fado


Pedro Azevedo

Quando observo Bruno Fernandes, eu vejo um menino a fugir ao seu destino. Os seus olhos tristes são reminiscências de um passado sem tempo para sorrir, por cedo ter trocado o ócio pelo ofício, convertendo o brinquedo-bola na arte da sua labuta diária; a sua impaciência, ou permanente insatisfação, ilustrativa de quem não quer chegar atrasado ao encontro com o futuro, pretende ganhar tempo ao tempo e assim vencer para sempre o fatalismo tão português.

 

Se Maradona foi "la revancha del tango", Bruno é a revolta do fado. Ao contrário de d10s, não chegou a Itália como um ídolo de multidões. Não foi ensinar nada aos italianos, mas sim aprender. A distância do pé para a bola, a alavanca da perna, o aproveitamento do peso do corpo, lições úteis da arte de bem rematar que estudou com os mestres transalpinos. Aí também entendeu melhor o jogo, as nuances tácticas, a ocupação do espaço, a intensidade na recuperação de bola. De Novara a Udine, até chegar a Génova, cidade de Colombo e ponto de partida para uma gesta gloriosa com uma primeira escala no porto de abrigo de Alvalade. 

 

Nestes dois anos de leão ao peito tenho-o visto muitas vezes carregar a equipa às costas, marcar 2 golos decisivos como na jornada dupla da Taça de Portugal com o Benfica: o primeiro para alimentar o sonho, o segundo para o tornar realidade, momentos paradigmáticos do jogador em quem as bancadas depositam a esperança em novos dias de glória. Focado como é, aquele ar zangado que permanentemente exibe não esconde a noção de que transporta o peso do mundo sportinguista aos seus ombros, as nossas ambições, os nossos anseios. Dele esperamos sempre o inesperado, o paradoxo do intangível, a fé que não se explica. Ao longo dos anos tivemos grandes jogadores, mas nenhum foi tanto uma equipa como Bruno Fernandes. Ele ataca, ele defende, ele adverte, ele comanda, ele nunca se rende. Marca livres, cantos, penalidades, é o dono da bola. À sua volta todos melhoram, todos ficam mais confiantes, inspirados por este operário-artista, tão capaz de tocar o bongo como de produzir música celestial.

 

Com ele em campo não há derrotas antecipadas, Adamastor e suas tormentas. Ele é a Boa Esperança, o trevo-de-quatro-folhas encontrado para lutar contra a impossibilidade, a desconfiança e a descrença. 

 

Bruno Fernandes, o melhor jogador da Primeira Liga para o autor de "Castigo Máximo"

bruno fernandes.jpg

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