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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

03
Jun19

As contas da Sporting SAD


Pedro Azevedo

Ao lermos o R&C do 3º Trimestre de 2018/19 verificamos que:

 

  1. Os Custos com Pessoal continuam a níveis insustentáveis, prevendo-se que terminem o exercício anual entre os 68 e os 70M€;
  2. Os Fornecimentos e Serviços Externos continuam a crescer nestes 9 meses face ao período homólogo de 17/18 (+3M€);
  3. Preocupantemente, não houve qualquer corte nos Gastos Gerais Administrativos nestes 9 meses face ao período homólogo da época anterior, orlando estes os 80M€;
  4. Os Proveitos Ordinários (expurgando Champions e vendas de jogadores) desceram ligeiramente face ao período homólogo, essencialmente devido à venda de gameboxes (-13,7%), pese embora a melhoria verificada na venda de bilhetes para a Liga Nacional (+10,8%);
  5. O peso da rúbrica Amortizações é cada vez maior e afecta o Resultado Líquido do exercício. A 31 de Março de 2019 está nos 17,8M€ (+2,3M€ face ao período homólogo);
  6. Sem a venda de jogadores, o Sporting teria perdido mais de 42M€ nestes 9 meses de actividade;
  7. O Resultado Operacional sem venda de jogadores foi de -18,6M€ (9 meses). A este valor ainda é preciso somar o valor das amortizações e o Resultado Financeiro (essencialmente custo do passivo), ambos de valor negativo, para se obter o Resultado Liquido;
  8. O Passivo cresceu cerca de 45M€;
  9. Os Capitais Próprios da Sociedade estão negativos em 21,4M€;
  10. Apenas no Trimestre entre 31 de Dezembro 2018 e 31 Março 2019, a Sporting SAD registou um prejuízo de 12,3M€;
  11. O Resultado Líquido dos 9 meses de actividade foi negativo em 5,9M€.

 

Conclusão:

 

  1. A gestão em cima do trapézio já vinha do segundo ano de Bruno de Carvalho com Jesus. Sem Champions, o Sporting entrou neste exercício sem rede. Restava a venda de jogadores, mas com as rescisões ficámos sem hipótese de tapar o "buraco", pelo que o equilíbrio perdeu-se e a queda pode sentir-se neste R&C. Houve que promover acordos. (Há quem diga que podíamos ir para Tribunal, mas isso não resolveria o problema da liquidez, imediata e de médio-prazo.) A Comissão de Gestão não atalhou imediatamente o problema dos Custos com Pessoal e a situação também não foi devidamente compensada em Janeiro, pese embora as saídas de Montero ou Nani (este último, um dos melhores jogadores da equipa). Enquanto isso, muitos jogadores sem o rendimento desportivo adequado continuam a pesar na conta de exploração e ainda contratámos 6 novos jogadores (Ilori, Borja, Luíz Phellype, Doumbia, Matheus Nunes e Plata), para além dos membros que vieram engrossar o staff da SAD (Scouting e Formação). Continuo a pensar que é possível termos Custos com Pessoal perto dos 50M€ e uma equipa competitiva, à semelhança do ocorrido em 2015/16. Para que tal aconteça, bastará eliminar "gorduras" desnecessárias. Os sócios querem sempre os cromos todos, mas uma Direcção tem de ser racional e saber distrinçar entre quem é fundamental e quem é acessório. Talvez assim se compreenda porque é que entendo que Gudelj, Petrovic, Misic, Jefferson, Borja, Ilori ou Diaby (além de Viviano, Alan Ruiz, Mattheus Oliveira,...) não devem ter lugar num futuro plantel, e porque é que, no meu entendimento, a putativa contratação de Eduardo (bom jogador) faz pouco sentido à luz de contratações efectuadas em Janeiro último e dos constrangimentos evidentes em termos financeiros e de liquidez. Qualquer jogador que venha tem obrigatoriamente que fazer a diferença. Caso contrário, acrescentará ao défice e impedirá a valorização de quem já cá está (Doumbia, Matheus Nunes, Battaglia, por exemplo). Não privilegiando a qualidade em detrimento da quantidade, vamos continuar a ver chegar a Alvalade jogadores em que a SAD não é detentora de 100% dos Direitos Económicos, outro motivo de preocupação. É que, se houver uma emergência que requeira uma venda, o rendimento daí proveniente será afectado.
  2. A não qualificação para a Champions, as rescisões e a entrada em vigor da DMIF2 no sistema financeiro, contribuíram largamente para a situação caótica da Sporting SAD no início deste exercício. Introduzindo mais risco (optando por mais Beta, em detrimento de gerar Alpha), a SAD acabou exposta à Lei de Murphy. Assumindo a questão das rescisões como um imponderável, o erro que se pode e deve apontar a Carlos Vieira (e restante Administração) é o facto de não ter antecipado uma emissão obrigacionista, sabendo que em 1 de Janeiro de 2018 entrava em vigor a DMIF2, a qual iria escrutinar muito mais as alocações de investimento (activos) da banca aos seus clientes. Concomitantemente, alterações na contabilização de imparidades, consequência do pós-2008, levaram a banca a evitar o envolvimento com os clubes de futebol. 
  3. Nada disto obstaria a que se tivesse reagido mais rápido neste exercício. A Sporting SAD tem níveis de GGA insustentáveis neste momento. A indefinição sobre a composição do plantel ( jogadores que regressariam pós-rescisões) teve influência óbvia, mas na minha opinião também não foi devidamente aproveitado o Mercado de Inverno e os sinais para o futuro não indicam uma reversão significativa destas políticas. 
  4. Esta nova não-qualificação para a Champions acentua a necessidade de racionalizar os custos. Ou mantemos os 8/10 melhores jogadores (e apostamos na Formação) e vendemos os restantes, ou arriscamo-nos a ter de vender desordenadamente (a preço abaixo do ideal) os nossos melhores jogadores para fazer face aos nossos compromissos financeiros. Adicionalmente, nada se alterando, num prazo de 6 meses estaremos de novo a antecipar créditos da NOS. 
  5. Será que só quando já não houver nada para antecipar (proveitos) é que vamos fazer aquilo que deve ser feito?

 

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