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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

07
Set19

Adjectivos a mais, união a menos


Pedro Azevedo

À margem da entrega dos prémios Leões D`Ouro, prestigiada gala organizada conjuntamente pelos núcleos de Matosinhos, de Vila do Conde/Póvoa do Varzim e pelo Solar do Norte, Frederico Varandas afirmou que "quem acha que num ano se resolve um fosso de dezoito, ou é louco ou desonesto". No mesmo discurso, o presidente do Sporting mencionou ainda que ter gastado 10/12 milhões de euros na contratação de um avançado teria sido uma medida popular, mas que preferiu investir na Academia e na Formação. 

 

A meu ver, Frederico Varandas precisa rapidamente de encontrar o equilíbrio. As suas criticas a sócios do Sporting começam a ultrapassar o limite da razoabilidade. De facto, não pode ser de maneira nenhuma considerado admissível que quem detém o poder executivo no clube (des)trate o universo que o elegeu com epítetos como "esqueletos", "cientistas" (este ainda vá lá...), "cães a ladrar" e agora "loucos" ou "desonestos intelectualmente" (se queria vincar um ponto, não lhe bastaria ter usado a expressão "irrealista"?). Há limites para tudo, nomeadamente para não termos a reprise aditivada dos epítetos de "sportingados", "melancias" e "croquetes", formas de tratamento entre os sócios absolutamente desagregadoras e lesivas para a identidade do clube, aquilo que costumo denominar de Cultura Sporting.  Mais uma vez, sem nomear ninguém e assim pondo todos no mesmo saco, Varandas dá-se ao topete de voltar a destratar sócios, muitos deles certamente com mais anos de associativismo no clube do que ele tem de idade, esquecendo-se de que como membro dos Orgãos Sociais do clube a eles deve prestar contas. No meu caso particular e de tantos outros, sócios que sempre deram o que puderam ao clube e que do clube nunca receberam um centavo, e que ainda assim se consideram profundamente em dívida com uma instituição centenária que os tem acompanhado ao longo da vida. 

 

Dá vontade de perguntar o que é que o senhor presidente da mesa da AG, Dr. Rogério Alves, pensará disto tudo. É que se torna cada vez mais difícil esconder a minha vergonha alheia perante o actual estado de coisas. Acresce que no início de Julho, o próprio Varandas elevou as expectativas ao transmitir estar certo de que esta época iria ser melhor do que a anterior. Não querendo ter com o senhor presidente a mesma desconsideração com que brindou os sócios do clube, resta-me apenas dar conta da contradição no seu discurso escassos dois meses depois, algo que já não é propriamente novo como pode ser aferido quando pede estabilidade no clube e fala em projecto, ele que já vai no quarto treinador de futebol em apenas 1 ano e crê que os ciclos duram 10 meses. E já agora, uma nota: após ter comprado um lateral direito por 8 milhões de euros e 50% do passe de um segundo avançado por 7,5 milhões de euros, não fica bem a Varandas o argumento de que quis poupar num ponta de lança, principalmente quando qualquer sócio ou adepto tinha no início da época essa contratação como prioritária (com ou sem Dost). 

 

Eu sei que haverá franjas de sócios do Sporting com quem não será fácil lidar. Durante anos ouvi e li apreciações sobre Sportinguistas que se preocupariam mais com o seu umbigo do que com o clube e demorei muito a perceber o clube. As coisas são os que são, não o que desejaríamos que fossem. Confúcio dizia que se um problema tem solução, então uma pessoa dever-se-ia concentrar nessa solução; caso o problema não tenha solução, então para quê preocupar-se? O "umbiguismo" é o que é, a feira de vaidades é o que é, e na verdade tudo isso não é exclusivo do Sporting nem provoca grande mossa a um verdadeiro líder, que até o poderá reverter em seu favor. Acresce que o clima tenso pós saída de Bruno de Carvalho adicionou outros focos de tensão, esses sim dignos de merecer a maior atenção. A missão nunca seria fácil, mas Varandas propôs-se a ter esse privilégio e submeteu-se a votos. Como tal deveria ter definido como prioridade do seu mandato a união no clube. Não como slogan eleitoral, mas como prática. Ora, este tipo de comportamento está nos antípodas desse caminho e não traz a paz. O velho discurso do implícito "deixem-me trabalhar" - sempre acompanhado de vitimização - como resposta aos criticos é uma táctica herdada do pior da política. Destina-se apenas e só a ganhar tempo e é próprio de quem já sente esse tempo a fugir, no caso por mau planeamento da temporada desportiva. Deveria, por isso, acusar a recepção da mensagem que os sócios lhe estão a passar sob a forma de uma critica, assinalando que os valoriza, que os escuta até à "ultima gota", o que indubitavelmente reduziria o ruído (quem nunca errou que atire a primeira pedra). Em vez disso, qual animal acossado, isola a sua base de apoio ao dar nota de ignorar o que lhe tentam transmitir e, pior, parte ele para o ataque com adjectivações que revelam pouca elevação e só contribuem para tornar as questões pessoais e aumentar a divisão, recorrendo ainda em discurso indirecto aos nossos rivais, e à sua compreensão - "não lhe dão descanso", "esse clube não tem emenda" - sobre as agruras por que passa, para reforçar o seu próprio ponto de vista sobre os sócios do Sporting, esquecendo-se que mais uma vez o vexado principal é o clube do nosso amor comum. Pelo caminho, não hesitando em flagrantemente encenar uma realidade alternativa, falando em "aposta na Formação" e "contratações Cirúrgicas". Neste estado de coisas, enfraquecida a base de apoio dos moderados, Varandas torna-se precocemente refém dos resultados desportivos. Serão eles a ditar o seu futuro no clube.

 

P.S. Em qualquer organização encontramos sempre pessoas mais bem ou menos bem formadas em termos de valores comportamentais. Mais do que estarmos preocupados negativamente com as criticas, deveremos usar o tempo para analisar a qualidade dos nossos processos. A critica, desde que não seja destrutiva, deve ser vista como algo de positivo, sinal de vitalidade, e dela podem surgir pistas que permitam melhorar aquilo que já existe. Cumpre a um presidente mostrar maturidade para lidar com as diversas sensibilidades e com as tormentas próprias de uma nau da dimensão do Sporting que se move nas águas encrespadas do futebol.

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