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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

22
Fev21

A Vida de "Chirola" Yazalde

Parte IV - Glória


Pedro Azevedo

Casado de fresco, Yazalde apresenta-se em Alvalade com estabilidade e motivação adicionais para a temporada de 73/74. Mário Lino, vencedor da Taça de Portugal, vê renovada a confiança em si e continua como treinador principal. Ao contrário das duas épocas anteriores, que começaram muito bem, o Sporting perde o primeiro jogo do campeonato. O adversário é o Vitória de Setúbal, que com José Maria Pedroto volta a ameaçar discutir o título. Uma derrota é sempre uma derrota, mas esta, tendo ocorrido no Bonfim, acaba por ser o presságio do que está para vir. Nem de propósito, Benfica e Porto perdem, respectivamente, no Bessa e em Belém. O Sporting inicia então uma sequência de 7 jogos consecutivos a vencer. E não são vitórias quaisquer, os leões marcam 31 golos e sofrem apenas 2: Boavista, Leixões, Farense e CUF levam "chapa 3", o Belenenses 4, o Oriental 7 e o Montijo é vergado em Alvalade com 8 golos sem resposta. Yazalde marca em todos esses jogos. No somatório, são 19(!) golos do "Chirola", meia-dúzia contra os montijenses, um póquer face ao Oriental. Segue-se um jogo nas Antas, o único que Yazalde não disputa nesse campeonato. Chico Faria faz de "Chirola" e o Sporting sai do Porto com um empate. Os leões estão definitivamente na corrida pelo título. 

 

A paragem não parece ter feito bem a Yazalde, que nos próximos dois jogos fica em branco. Um deles é na Luz, onde o Sporting perde por 2-0. Porém, rapidamente retoma a sua cadência goleadora: o Sporting vence os 4 jogos que faltam para completar a primeira volta e "Chirola" faz abanar as redes mais 8 vezes. A meio do campeonato, o Sporting lidera a classificação e Yazalde leva 27 golos(!), ficando em branco em apenas 4 jogos (1 ausente). 

 

No início da segunda volta, o Sporting vInga-se da derrota sofrida em Setúbal. Dois-a-um é o resultado e Yazalde marca o golo decisivo. O Chirola fica em branco no Bessa e o Sporting não vence um Boavista que continua a progredir. Estabelece-se então de novo um proporção directa entre os golos de Yazalde e a sina do Sporting: marca ao Leixões e ganhamos, não marca em Belém e o Sporting perde. Como consequência, Benfica e Vitória de Setúbal aproximam-se de novo com perigo. A resposta é concludente: o Sporting vence o Oriental por 8-0 com 5 golos do Chirola. Na baliza dos marvilistas estava Carlos Alberto Azevedo Cunha, Azevedo para o mundo do futebol, meu homónimo, sem parentesco conhecido com o grande João Azevedo (o Gato de Frankfurt e histórico guarda-redes do tempo dos 5 Violinos). A vitória é o prelúdio para uma sequência de 6 triunfos consecutivos e um score de 23-1 em golos. Yazalde divide as coisas: marca 5 ao Oriental, outros 5 nos restantes jogos. Pelo meio, o Sporting vence o Porto, em Alvalade, por 2-0. Nesse dia Yazalde fica de jejum, é o "Brinca n'areia" (Dinis) que bisa. Na 26ª jornada, o Sporting perde em casa com o Benfica por 3-5. Yazalde bisa, o primeiro memorável, com um salto de peixe que não foi do agrado de Zé Gato. Resultado: o guarda-redes encarnado sai ao intervalo e é substituído por Bento, um render da guarda. O jogo é a 31 de Março e Marcello Caetano está na tribuna. Recebe aí a sua última grande ovação (entre alguns apupos), a revolução está a chegar. Com a derrota, o campeonato fica tremido e a 4 dias do 25 de Abril a coisa piora com um empate em Aveiro. Há só agora 1 ponto a separar-nos de Benfica e 2 do Setúbal, é imprescindível ganharmos os 3 jogos que faltam para sermos campeões. 

 

O Sporting apanha a Revolução no regresso da RDA. Umas meias-finais da Taça dos Vencedores de Taças que terminam de forma totalmente desafortunada com um falhanço de baliza aberta de Tomé, que de outro modo nos teria conduzido à final. Cá o fado já havia sido semelhante: penálti falhado por Dinis, auto-golo de Manaca (sim, o infortúnio não lhe aconteceu só em Guimarães) e golo solitário de Chico. Feitas as contas, 1-1 em casa e 1-2 na Alemanha, o Sporting é eliminado pelo Magdeburgo. Yazalde, lesionado com uma micro-rotura, não joga nenhum dos encontros, os alemães de leste aproveitam e acabam por ganhar o troféu após vitória na final sobre o Milão. 

 

Se bem que não totalmente recuperado, Yazalde acede a jogar os 3 jogos decisivos para o campeonato. Primeiro, o Sporting vence em Coimbra os "estudantes" (3-1) e o Chirola faz 1 golo. A seguir, recepção ao Olhanense e uma goleada por 5-0 com 2 de Yazalde. É chegado então o dia do tudo ou nada. O Sporting tem apenas 1 ponto de avanço sobre o Benfica e estes têm vantagem no desempate directo. Desloca-se ao Barreiro, mais concretamente ao Campo D. Manuel de Mello, a fim de defrontar o Barreirense. Paralelamente, o Benfica vai a Setúbal. O Vitória está já afastado do título, a 3 pontos do Sporting. Pelo sim, pelo não, os adeptos Sportinguistas que vão ao Barreiro levam uma telefonia consigo, os jogos são para acompanhar com os olhos num lado e os ouvidos noutro. O Benfica está a vencer durante a maior parte do tempo, aumenta a ansiedade. Até que, em cima do intervalo, Baltazar adianta o Sporting no marcador. No fim, o Benfica empata (2-2), mas nem seria preciso porque o Sporting cumpre a sua obrigação, vence por 3-0, e sagra-se campeão nacional. É também o melhor ataque (96 golos) e a melhor defesa (21) do campeonato, uma limpeza! Yazalde marca o seu 46º no campeonato (média de 1,59 por jogo, semelhante aos números que marcaram a carreira de Peyroteo). No total, são 50 (35 jogos), contando com os 4 na Taça das Taças. [Por curiosidade e para avivar a memória de jogadores de um outro tempo, aqui ficam os melhores marcadores desse campeonato: 1º Yazalde, 46 golos; 2º Duda (Setúbal), 24; 3º Eusébio (Benfica), 16; 4º Jordão (Benfica), 15, 5º Abel (Porto), 15; 6º José Torres (Setúbal), 14; 7º Alemão (Beira Mar), 14; 8º Arnaldo (CUF), 13; 9º Paco Gonzalez (Belenenses), 13; 10º Ademir (Olhanense), 12; 11º Mirobaldo (Farense), 12; 12º Marco Aurélio (Porto), 11; 13º Vala (Académica), 11; 14º Nelson (Sporting), 11; 15º Custódio Pinto (Guimarães), 11; 16º Tito (Guimarães), 11; 17º Móia (Oriental), 10.]

 

Há ainda uma Taça de Portugal por disputar, mas Yazalde não estará disponível, ausente na Alemanha a tentar recuperar para o Campeonato do Mundo. Aliás, não fará qualquer um dos 5 jogos da competição e assim falhará a gloriosa final contra o Benfica, que parecia perdida, é salva por um golo tardio de Chico e finalmente vencida por outro de Marinho já no prolongamento. 

 

O Sporting faz a dobradinha e Yazalde recupera a tempo do Mundial de 74. A campanha da Argentina não é famosa, eliminada na 2ª fase, mas o Chirola (nº 22) ainda marca dois golos ao Haiti. Entretanto, escrutinados todos os golos dos campeonatos europeus, Yazalde é o melhor marcador da Europa. E no Lido de Paris recebe a Bota de Ouro perante um Franz Beckenbauer que lhe diz ter a mulher mais bonita de todas as mulheres de jogadores de futebol. O segundo classificado é o austríaco Krankl (Rapid de Viena, mais tarde estrela do Barcelona), os terceiros, ex-aequo, são o também argentino Carlos Bianchi (jogador e futuro treinador de sucesso) e os alemães Jupp Heynckes (Borussia M'Gladbach) e Gerd Muller (o "Bomber", do Bayern de Munique). Que quinteto! Termina assim da melhor maneira uma temporada de glória. Para Yazalde e para o Sporting. 

(Amanhã: Sob o signo do bronze)

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