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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

29
Mai20

A minha reflexão sobre o pós-Julgamento


Pedro Azevedo

Hesitei em escrever este texto - na verdade nem tinha razão substantiva para me pronunciar, na medida em que nunca alinhavei uma linha que fosse sobre o Julgamento de Alcochete por não querer fazer de um blogue um tribunal de opinião pública sobre matéria cujo apuramento só deve dizer respeito à Justiça - , mas ainda assim decidi-me por partilhar os meus pensamentos pós-decisão de ontem do Tribunal, que absolveu Bruno de Carvalho.

 

A primeira coisa que gostaria de dizer é que acreditar na Justiça é indissociável de também respeitar o princípio da presunção da inocência, algo que aqui sempre fiz. Em segundo lugar, queria transmitir o meu cepticismo em relação a algo que já por aí vi escrito e dito e que consubstancia a ideia de que finalmente virámos a página no Sporting. Atenção, eu bem gostaria que isso fosse uma realidade. Simplesmente, a reacção de hoje, a quente, em O Jogo, do nosso consócio e, é bom não esquecer, juíz desembargador, Sérgio Abrantes Mendes, aponta para outro caminho bem diverso. Reparem, não se trata só da inoportunidade da intervenção que advém de o cidadão comum ver um magistrado pronunciar-se - num estilo não dizendo, dizendo, ainda que fugindo ao julgamento da matéria de facto - logo após um despacho de um seu colega, criando assim todo um ruído inerente que prejudica a percepção que os portugueses têm da Justiça. Não, isso é também, e principalmente, na medida em que dá argumentos a quem pretende a vitimização, um sinal de que a guerra de trincheiras no Sporting irá continuar. Ora, o maniqueísmo (e niilismo) que se tem vindo a apoderar do Sporting, que sempre tenho dito precisar de 2 polos para se alimentar, está nos antípodas do que é a minha personalidade e da forma como vejo o exercício responsável da cidadania leonina, desde logo porque não vivo de coisas negativas e de ódios e as minhas energias são canalizadas para a criação e não para a destruição, para a dúvida razoável que leva ao conhecimento e não para a presunção de que não preciso de ouvir ideias diferentes das minhas. Creio assim ser chegado o tempo de a ponderação e o bom senso tomarem conta da discussão, sob pena de, tal não acontecendo, irmos assistir à desintegração absoluta do clube.

 

Posto isto, devo dizer que para mim foi um motivo de satisfação ver um ex-presidente e um antigo oficial de ligação aos adeptos serem ilibados pela justiça portuguesa. Enquanto Sportinguista e cidadão, não deixando de considerar que todos os sócios têm a responsabilidade de elevar bem alto o nome da instituição, sinto que são os actos dos seus dirigentes que efectivamente a vinculam directamente. Assim, a sua inocência tem de ser considerada como positiva para a imagem do clube e sua marca, podendo ainda trazer benefícios económicos a jusante por via de dois processos em tribunal que envolvem jogadores que alegaram justa causa para rescindirem. Não deixo porém de lamentar todo o degredo da instituição (e instabilidade criada nos sócios) provocado por inenarráveis acontecimentos que, nunca será de mais referir, jamais se poderão repetir.

 

Não sou pessoa para ataques ad-hominem, pelo que nunca participei nessa singular forma de criação de desumanidade que passou até pelo escrutínio da vida pessoal e familiar de Bruno Carvalho, pessoa que não conheço pessoalmente, e julgamento público do seu carácter. Não tenho espírito de voyeur e sou respeitador de direitos e garantias e das liberdades individuais, pelo que as críticas que lhe deixei (e deixo) foram em relação aos seus actos de gestão, nomeadamente aqueles que marcaram os últimos meses da sua presidência. É um facto que sempre achei que excessos de linguagem da sua parte bastas vezes prejudicaram a mensagem e que deixei de apoiá-lo a partir do momento em que o vi dirigir ataques para dentro do mundo Sporting. Mas reconheço-lhe (e estou-lhe por isso agradecido) o excelente desempenho na temporada de 2013/14, nomeadamente através de um conjunto de difíceis e complexas decisões que permitiram ao Sporting voltar a ter oxigénio para respirar. Outras realizações foram ocorrendo - entrecortadas aqui e ali com algum ruído desnecessário - , onde se destacam a aposta no ecletismo e a construção do nosso bonito Pavilhão João Rocha, entre outras. Infelizmente, para além do equilíbrio instável do clube do ponto de vista económico que marcou os seus dois últimos anos e certamente lhe terá provocado um aumento de crispação, uma certa exuberância irracional e culto de personalidade de que sempre dei conta prejudicou irremediavelmente o seu segundo mandato e fez descer a nota de apreciação global minha e dos Sportinguistas em relação ao seu trabalho. (Mais recentemente, a forma contundente como se referiu a membros do seu antigo CD, que com ele estiveram até ao último dia, também não me caiu bem, por muito que procure justificação no calvário que certamente terá passado.)

No entanto, porque nunca gostei de me enganar a mim próprio, admito que para muitos sócios a sua expulsão de sócio (mais do que a destituição, na minha opinião) tenha tido raiz profunda na percepção generalizada dos acontecimentos de Alcochete. Dito isto, pesando tudo nos pratos da balança, essencialmente devido à linguagem desbragada e clima de intolerância que consigo fez doutrina no Sporting na recta final e à sua interpretação sui-generis dos Estatutos, gostaria de deixar bem claro que não voltaria a votar em Bruno de Carvalho para presidente do clube.

 

Ouvindo ontem Bruno de Carvalho na TVI, acho possível o surgimento próximo de um movimento que defenda a reintegração plena de todos os sócios do Sporting que não foram considerados culpados no Julgamento de Alcochete. Isso seria válido para Bruno de Carvalho como também para Carlos Vieira e restantes elementos suspensos do anterior CD, e até provavelmente beneficiaria de forma mais lata Godinho Lopes, expulso anteriormente na sequência de AG marcada para o efeito após um processo disciplinar sobre outra matéria instaurado pelo CFD presidido por Jorge Bacelar Gouveia. Ao mesmo tempo, todos aqui sabem que tomei a decisão, ponderada, de concorrer a eleições no Sporting assim que elas forem marcadas, uma declaração de interesses que considerei fundamental como forma de transparência e de interpretação a montante (sem instrumentalização) do que aqui escrevo, mas também um sinal claro de que não confundo solidariedade com cumplicidade face ao caminho que tem vindo a ser percorrido. Assim, entendo que não me devo pronunciar sobre a matéria de reintegração. É que se porventura me manifestasse contra a mesma, logo alguém viria clamar que tal se deveria a temer uma oposição futura nas urnas. Por outro lado, se a minha opinião fosse a oposta, ficaria a ideia de menor respeito da minha parte acerca das soberanas decisões dos sócios que se pronunciaram anteriormente em AG convocada para o efeito. Por isso aqui digo que aceitarei sem condicionamento de opinião da minha parte e com humildade qualquer decisão que em total liberdade caiba em consciência aos sócios tomar, caso tal venha a ser suscitado. 

 

Enfim, deixo aqui expresso o meu sentimento. Tudo o que pretendo é que o superior interesse e razões do Sporting prevaleçam sobre os meus e/ou os de qualquer sócio e que tal permita o tal efectivo virar de página que ajude a garantir a perenidade do clube como sempre o conheci e não nas mãos de um qualquer investidor. VIVA O SPORTING!!!

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