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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

02
Fev19

A ignomínia


Pedro Azevedo

"...acender a ignomínia.

E a má língua do código pasquim..." - Rui Veloso, Bairro do Oriente

 

 

Na crónica "Tudo ao molho..." dei a entender a minha repulsa perante aquilo que vi bem à frente dos meus olhos no estádio e que esteve na origem da expulsão de Ristovski. Recapitulando, o macedónio viu-se agredido na face por um "cotovelo voador" pertencente ao vitoriano Mendy. O árbitro não marcou a falta, não admoestou o guineense, não parou o jogo para que, como se recomenda, pudesse ser assistido um jogador que sofreu uma pancada violentíssima na cabeça. Foi Nani que finalmente pôs a bola fora, já Ristovski estava prostrado no chão há algum tempo. Quando o lateral leonino se levantou era perfeitamente visível - da Lua - a contusão, vulgo "galo", que tinha na testa. Muito provavelmente irado por não ter sido apitada a infracção, não ter sido sancionado disciplinarmente o infractor e o jogo não ter sido interrompido de forma a que médico e massagista o pudessem ajudar o quanto antes, o macedónio teve uma reacção nervosa para com o árbitro. Em sequência, este expulsou-o.

 

Ponho-me agora "nos sapatos" de Hélder Malheiro: apercebo-me de que avaliei mal o lance (a contusão era evidente), não puni disciplinarmente o faltoso como me competia e não cumpri com normas de protecção da integridade física dos jogadores, ou seja, antes de o "galo (na cabeça) ter cantado"  3 vezes (erros) eu neguei a verdade desportiva. Nesse transe, oiço um insulto do ofendido e expulso-o? Ou, pelo contrário, chamo o jogador à parte, explico-lhe que não vi o lance (sou humano, logo erro) e, então sim, advirto-o de que precisa de se acalmar sob pena de o ter de expulsar? O árbitro tem de ser repressivo e protagonista, ou deve assumir um papel pedagógico (na sequência de lances deste género) em campo?

 

Desde que subiu à primeira categoria da arbitragem, Hélder Malheiro nunca tinha apitado um jogo da Primeira Liga em que tivesse estado envolvido o Sporting. No entanto, apitou uma partida do Porto, duas do Benfica e três do Braga. Todas sem qualquer expulsão directa de jogadores destes clubes. Aos leões calhou-lhes agora a "fava". Eles, que já não tinham tido muita sorte com este árbitro, por diferentes razões, visto terem perdido um jogo em Alvalade contra o Estoril (Taça da Liga), partida que marcou o despedimento de José Peseiro.

 

Ontem, o Conselho de Disciplina da FPF anunciou que Ristovski vai cumprir dois jogos de castigo na sequência da sua expulsão. Falhando assim a jornada dupla com o Benfica. Segundo o relatório do árbitro, entretanto divulgado, o macedónio ter-se-ia a si dirigido de uma forma agressiva, esbracejando e gritando um "para o c...", motivos que o levaram a expulsar o jogador. Mais adiante, e após a expulsão, o árbitro escreveu que o jogador lhe vociferou um triplo "filho da p...".

 

Ora bem, mesmo dando de barato que a versão que corria anteriormente - o jogador teria chamado ao árbitro apenas um quase inocente "tótó" - esteja errada, é legítimo perguntar quantas vezes o árbitro terá ao longo da sua carreira na Primeira Liga ouvido esse tipo de "mimos". E expulsou sempre um jogador de cada vez que sentiu esse destempero de linguagem? O mesmo nos seis jogos em que apitou Braga, Benfica e Porto? Bem, nestes casos, como já vimos que não houve expulsões, depreendemos que os jogadores desses clubes são todos meninos de coro...(Para não falar das atenuantes óbvias que assistiam ao jogador.) 

 

Perante isto, há que dizer o seguinte: sobrou ao árbitro em excesso de zelo disciplinar para com o jogador do Sporting o que lhe faltou em critério técnico e disciplinar no lance em que Ristovski sofreu uma agressão. Isto para não falar de uma total ausência de bom senso. É que, não branqueando que o lateral leonino dever-se-ia ter controlado - sempre difícil quando se sente literalmente na pele a injustiça - , perante tudo o que aconteceu, e sendo certo que quem agrediu Ristovski foi um sadino, o sádico foi o árbitro. Sádico, dada a crueldade da sua decisão, visto não lhe poder imputar um eventual prazer com o sofrimento do macedónio.

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