Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

09
Abr21

A arte de esconder a guerra


Pedro Azevedo

Rui Santos disse recentemente na Sic Notícias que o Sporting tem um futebol romântico e que se deveria preparar para a guerra (últimas jornadas do campeonato). Não deixando de compreender o pensamento por detrás desta opinião, tendo mais a discordar do que em concordar com ela. Vamos por partes.

 

Na minha opinião, nos últimos jogos o Sporting trocou o "jogar bem" pelo "jogar bonito", privilegiando mais a densidade do seu meio-campo e a posse do que o ataque rápido e a transição que se revelaram tão letais nos dois terços iniciais do campeonato. Dito assim, até parece que estou de acordo com o comentador televisivo. Simplesmente, eu creio que tal mudança nada tem de romântico e decorre da assunção de Rúben Amorim de que há uma liderança a defender, constatação que o levou a adoptar uma estratégia de maior protecção assente na posse de bola. É, portanto, de um maior pragmatismo que falamos, não sendo neste momento indubitável que tal venha no final a jogar a nosso favor. Sendo certo que em número de oportunidades criadas a passagem do 3-4-3 para o 3-5-2 não alterou grandemente o cenário, também não deixa de ser verdade que essas oportunidades são hoje criadas em zonas onde a densidade de adversários é maior, ao contrário do passado em que os nossos jogadores apareciam frequentemente em zona de golo sem marcação. A meu ver, já o disse aqui, se o terceiro homem do meio campo fosse Matheus Nunes a transição de sistema seria muito mais suave por via das características particulares deste jogador (maior capacidade de chegar à área adversária).  

 

Quanto à questão da guerra, a mim parece-me que estamos em "guerra" desde a 1ª jornada. Ora, quando se fala em confronto logo se elude a Sun Tzu, Maquievel, Frederico ("O Grande") ou Clausewitz. E é exactamente a Sun Tzu que vou colher um pensamento que me parece estar na origem da estratégia adoptada por Rúben Amorim desde o momento em que o Sporting se isolou na primeira posição: "Quando o objectivo estiver próximo, faz com que pareça distante". Foi aliás neste faz de conta, expresso através do inteligente "jogo a jogo", que Amorim conseguiu encontrar uma válvula capaz de aliviar a pressão sobre a equipa. Ora, a meu ver, o pior que poderia acontecer seria o próprio Amorim cair agora na esparrela de vir enfatizar a guerra (não creio que o fará). Ela está aí, presente no subconsciente de todos, mas as atenções devem voltar-se apenas para a próxima batalha: a recepção ao Famalicão.

 

Foco então na próxima partida para dar conta que talvez seja o momento ideal para o regresso ao 3-4-3 (3-4-2-1). Para o justificar recorro de novo a Sun Tzu e a Clausewitz, que davam tanta importância ao planeamento quanto à adaptação das forças. Se há coisa em que Ivo Vieira difere da generalidade dos treinadores portugueses é na construção das suas equipas, as quais começam a ser trabalhadas pelo ataque e não pela defesa. Embora dessa visão sobre o jogo sempre tenha colhido mais vantagens que desvantagens, a verdade é que se tivermos de apontar uma debilidade comum às suas equipas ela é a transição defensiva. Isso aliás ficou bem patente na temporada passada quando o Vitória visitou Alvalade e encontrou um Sporting de Silas pouco seguro da sua própria identidade. Como consequência, o Vitória assumiu o controlo do jogo. E perdeu. Por 3-1. Por isso acredito que o 3-4-3, que mais potencia o ataque rápido e a transição, será mais eficaz que o 3-5-2, que apela ao jogo posicional de ataque. 

 

Em todo o caso será "só" mais um jogo. E é nesse faz de conta que deveremos continuar. Sem romantismos, mas também sem proteccionismo excessivo que retire a fluidez e os processos simples que estão na origem da tremenda eficácia do nosso jogo. 

rubenamorim14.jpg

4 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Siga-nos no Facebook

Castigo Máximo

Comentários recentes

  • Liondamaia

    Mas porque raios hão-de correr mal e não hão-de co...

  • Pedro Manso

    A opinião sobre o Tiago é minha.Relativamente ao G...

  • Pedro Azevedo

    Bom dia.Com todo o respeito pela opinião do Latera...

  • Pedro Manso

    Caro Pedro,O Tiago Ferreira perdeu demasiadas bola...

  • Liondamaia

    Podia ter complementado com "e aqui ranho", acho q...