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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

24
Jan22

Chuta Matheus, chuta


Pedro Azevedo

Matheus Nunes tem tido uma progressão assombrosa desde que chegou a Alvalade. Hoje já não é só aquele Mustang que se mostra indomável quando existe espaço livre por onde cavalgar, tem outras armas para contornar os autocarros que se dispõem à sua frente. Uma dessas armas é o passe de ruptura, característica que apenas se tornou notória esta temporada, demonstrando a evolução do seu jogo. Fica porém a faltar algo que poderá vir a fazer toda a diferença. É que Matheus continua a revelar timidez na hora do remate e mesmo quando em boa posição, à entrada da área, continua a privilegiar endereçar a bola a um companheiro. Terá, por isso, que assumir um pouco mais para si as decisões, o que poderá catapultar o seu jogo para um patamar superior. Como sempre aqui disse, atendendo ao que cresceu tacticamente com Amorim e às suas inatas qualidades técnicas e físicas, o seu único limite será o mental. Possa ele expandi-lo e teremos um jogador singular no panorama mundial. 

23
Jan22

Tudo ao molho e fé em Deus

O Pinheiro do Paulo Sérgio


Pedro Azevedo

Nos jogos do Sporting há regras específicas para a marcação de grandes penalidades. Pegando no adágio popular que diz que um é pouco, dois é bom e três é demais, se um jogador der duas cambalhotas após um ligeiro encosto então os senhores do apito marcarão o castigo máximo. Foi o que aconteceu ontem com Galeno. Todavia, se um futebolista ousar triplicar o número de reboladelas no chão, como aliás o Paulinho amiúde faz, então o árbitro será tentado a deixar seguir. Quer dizer, a vontade de dissimular é igual, em ambos os casos os jogadores teatralizando a morte iminente na esperança de que o padre de serviço avance com a extrema unção, mas o resultado final marcará toda a diferença. Nem que para tal tudo tenha de ser ungido com a benção e alto magistério do VAR de plantão, claro, ou não tivesse já há muitos anos o Paulo Sérgio diagnosticado correctamente o nosso problema: falta-nos um Pinheiro, é o que é, ontem como hoje. Especialmente um daqueles que não seja manso, como tal originário de um certo velho mundo, de casca grossa e raízes profundas e tentaculares. Tudo o resto, não sendo de todo negligenciável, é uma treta. Como a questão dos erros individuais ou a do... ponta de lança. (Pensando bem, ganhar assim seria, isso sim, uma grandíssima treta.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes 

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23
Jan22

Diagnóstico e soluções


Pedro Azevedo

Uma época não se define apenas por um ou outro pormenor, há um conjunto vasto de situações que pode levar ao sucesso ou ao fracasso. Por exemplo, desta época para a anterior resulta que houve um acréscimo de jogos. Bem sei, o plantel foi estrategicamente definido como curto para que os jovens pudessem aparecer (embora me pareça que não há qualidade semelhante à de Matheus, Inácio ou Nuno Mendes pronta para entrar, o que acaba por enfraquecer as opções da equipa principal), todavia foi precisamente num momento de densidade competitiva menor - a Champions só retornará em Fevereiro - que o Sporting começou a baquear. Será isso atribuível ao cansaço? Ou, tal não poderá estar relacionado com uma menor concentração da parte de alguns jogadores? A parecer justificar esta tese, os erros individuais de Esgaio e Inácio estiveram na origem das duas derrotas registadas já neste ano civil. Quem diz falta de concentração pode dizer nervosismo - é que o muito tempo passado em co-liderança com o Porto, sem nunca conseguirmos ficar isolados, também pode ter provocado alguma erosão psicológica. Outra questão que saltará à vista é a do ponta de lança. O Paulinho é, sem dúvida, um jogador que trabalha muito e ajuda a ligar o jogo da equipa, mas marca poucos golos. E a verdade é que, em jeito de balanço após 19 jornadas, o Sporting leva menos 4 golos marcados do que na época anterior. Ainda assim, dada a segurança defensiva, a equipa foi-se aguentando na frente, mas 7 golos consentidos nos últimos 4 jogos do campeonato acabaram por produzir os efeitos nefastos que estamos a observar. Como alternativas, Pedro Marques foi emprestado e não joga no Famalicão (que contratou um jogador cotado na Ligue 1, o Banza) e TT não parece contar para Amorim como ponta de lança, pelo menos a observar por não ter saído do banco nas duas derrotas observadas neste mês de Janeiro. Em vez disso, o treinador preferiu sempre deslocar o defesa Coates para o centro do ataque, partindo propositadamente os jogos em busca do golo milagreiro. Só que a estrelinha parece arredia nesta época e, havendo relação directa ou não, no final dois empates transformaram-se em duas derrotas. Depois, há também a situação de Porro, um jogador com uma garra incrível e que catapulta a equipa para a frente. Acontece que o espanhol tem estado de fora com uma prolongada lesão muscular, e a equipa sente muito a sua falta. É que uma coisa é o Esgaio tapar um ocasional buraco, outra é pedir-se-lhe que substitua com a mesma eficácia o Porro durante tantos jogos. Acresce que Coates está nitidamente limitado do ponto de vista físico, a contas com recorrentes problemas num joelho, e longe da melhor forma já exuberantemente mostrada em vários momentos nesta época. E Palhinha não regressou tão bem como no momento anterior à sua lesão, questionando-se a eventual titularidade que poderia ser atribuída ao competente Manuel Ugarte. Enfim, mais do que ninguém, Ruben Amorim estará consciente de tudo o que aqui elenquei. E, obviamente, continuará a merecer todo o crédito dos Sportinguistas (isso não se põe em causa), que muito lhe devem. Mas tenho a sensação de que o título nacional será muito difícil de obter esta temporada. É que não só há problemas de difícil resolução como as decisões dos árbitros (deixei para o fim porque me quis concentrar nos motivos internos) desfavorecem-nos relativamente aos nossos principais adversários. Deveremos por isso ser mais competentes em tudo o que dependa de nós. E, por isso e para isso, necessitamos de diagnosticar muito bem as razões que nos trouxeram aqui, o que procurei também eu fazer, ponto essencial de partida para que possamos ter soluções que devolvam as vitórias ao nosso grande clube.  

21
Jan22

Notavelmente notório


Pedro Azevedo

Numa peça assinada no jornal Record, o antigo Director de Comunicação do Sporting, Nuno Saraiva, diz que se "sobressaltou" ao ler que um documento laudatório em relação ao trabalho da actual Direcção assinado por mais de 200 Sportinguistas foi atribuído a um grupo de "notáveis". E acrescenta não ser ele próprio um "notável", pese embora vá adiantando que até foi convidado a assinar o referido documento - algo alegadamente apenas não concretizado por o "documento já estar impresso" -, não fosse provavelmente alguém menos atento esquecer-se da sua relevância no clube. Eu não me esqueço. E, a propósito do contentamento do próprio com o fim (que eu efusivamente, ontem como hoje ou amanhã, sempre aplaudirei) da excessiva adjectivação e linguagem deplorável na instituição, não me esqueço do afã com que Nuno Saraiva semanalmente doutrinava, na Sporting TV, em intermináveis e inesgotáveis homilias destinadas a lavar o cérebro aos Sportinguistas, que muito contribuíram para um inapropriado aumento de crispação interna no clube. Usando, por exemplo, expressões como "sportingados" que agora condena sem acto de contrição, camuflando assim o rasto das suas próprias acções. Pois é, Nuno Saraiva não é de facto notável, mas é notório. Como notório igualmente é que o zircónio também brilha mas nunca será um diamante, e que uma peça não se diz de joalheria por ser executada de joelhos. Notoriamente (que não notavelmente). 

17
Jan22

Tudo ao molho e fé em Deus

Chapéus há muitos (mas da cartola de Pote saiu a diferença)


Pedro Azevedo

A história do futebol português está repleta de treinadores icónicos. Uns pelo que ganharam, como Mourinho, Artur Jorge e Béla Guttmann, outros pelo seu desassombro, onde por exemplo perfilam Joaquim Meirim, António Medeiros e Quinito. E depois há ainda aqueles cujo carisma pessoal se viu reforçado por um detalhe de indumentária que virou imagem de marca. Desses, o mais célebre é o José Maria Pedroto, um técnico com obra feita no Vitória (de Setúbal), Boavista e Porto. Porém, se o Pedroto passou à história como o Zé do Boné, no distrito de Braga mora actualmente uma sua versão moderna, o Senhor da Boina. Falamos de Álvaro Pacheco, que me faz lembrar um simpático Pai Natal que trocou o domicílio na gélida Lapónia pelo parisiense Quartier Latin antes de pegar nas renas para tomar o gosto por entregar presentes (duas subidas de divisão) ao povo de Vizela. De Meirim, que tinha um espírito flamejante, se conta que um dia, num treino, motivando um dos seus guarda-redes lhe disse ser o melhor da Europa. Intrigado, o "keeper" interrogou-o então sobre a razão pela qual não jogava, mas Meirim logo sentenciou: "porque o Benje é o melhor do mundo". Eram os tempos da Póvoa de Varzim, onde Meirim deixou a marca de uma obra de arte, o seu maior sucesso. Já Medeiros, o Tó de Leça, tinha um jeito peculiar de lidar com as frustrações alheias. De tal forma que um dia, por entre apupos e pedidos de explicação dos adeptos, os mandou falar com o cavalo de Gary Cooper, actor famoso de "westerns" americanos justamente evocado, ou não fosse a realidade do futebol português da época(?) um faroeste. E houve (e felizmente ainda há, embora retirado) Quinito, que se tivesse dinheiro suficiente teria comprado Pedro Barbosa para o pôr a jogar no seu quintal, o homem que compareceu no Jamor de casaca branca e "papillon" (laço) porque de uma gala se tratava essa final da Taça de Portugal em que o Braga defrontou o Sporting de Big Mal (Malcolm Allison), o saudoso inglês que nunca prescindia do seu chapéu Fedora (e do charuto). Álvaro é bem mais comedido no estilo do que estes antigos treinadores, mas partilha com eles uma visão romântica do futebol. Vai daí, tira a(s) barba(s) de molho e põe a sua equipa a jogar à "grande", o que para um "pequeno" é um grande feito. Ontem, mesmo defrontando o campeão Sporting, o Vizela não fugiu à regra e durante os primeiros 10/15 minutos assumiu de peito feito o jogo, contribuindo assim para a qualidade do espectáculo a que se assistiu. E se Adán não tem realizado uma parada brilhante não sei como seria...

 

Em cima falámos de arte. Ora, foi pela arte que o Sporting começou a desbloquear a partida em Vizela. O protagonista (who else?) foi Pote, "Art Deco" em movimento. A mesma elegância do antigo craque do Porto, o toque fino na bola para a levantar ligeiramente antes de a colocar, como se de um passe à baliza se tratasse, de uma forma que guarda-redes vizelense nem com asas lhe chegaria. Lembram-se da final de Gelsenkirchen? Na hora de rematar à baliza, é deste nível Champions que falamos quando invocamos o (con)sagrado - sim, o futebol, com a tribo que arrasta em sua devoção, configura uma religião pagã - nome de Pote. Pouco depois, Nuno Santos fez de pivô atacante e Bragança colocou no ângulo superior com a ajuda de uma pequena deflecção minhota pelo meio. Com a vantagem de dois golos ao intervalo, o Sporting entrou para o segundo tempo a procurar manter a bola na sua posse. Assistiu-se então a uma perspectiva heliocêntrica de futebol onde Bragança é o sol, o Plano B de Amorim, um "tiki taka" luso que personifica Guardiola em contraponto com o habitual "heavy metal" que vai beber ao Gegenpressing de Klopp (quando Matheus Nunes está em campo). Todavia, com o aparente controlo das operações veio a descontração (a "posse estéril"), e com ela a desconcentração. Valeu então Matheus Reis, o lateral que Amorim transformou num centralão de primeira apanha. Ao ponto de ontem ter sido de longe o melhor central leonino. Com Inácio a voltar de uma infecção por Covid e Coates, a contas com limitações do seu joelho, fora da sua melhor condição física, foi Matheus quem pôs ordem na casa na altura de maior aflição. Evitando males maiores. 

 

Mais 3 pontos, aumento da vantagem sobre o terceiro classificado para seis pontos, a jornada não se pode dizer que não tenha sido produtiva. Mas já todos vimos que o Porto este ano está fortíssimo. Como tal, não há como facilitar até ao fim. E a verdade é que este Sporting quebrou um pouco nos últimos jogos, não está tão sólido como noutros momentos desta época. Dir-se-á que e normal, todas as equipas oscilam de forma durante uma época e o Porto também terá a sua quebra, mas é fundamental não perder pontos até ao tão aguardado confronto no Dragão. Que ocorrerá só em Fevereiro, eventualmente até já sem Diaz, esse diabrete à solta que tanto fez a diferença em Alvalade. No nosso caminho segue-se agora o Braga. Já que falámos aqui de chapéus, um "hat-trick" do Paulinho (trabalhou muito ontem) vinha mesmo a calhar no reencontro com a sua antiga equipa. Haveria melhor imagem de marca para ilustrar a sua contratação do que ver o João Paulo de cartola? Haja ilusão. E magia. (O futebol também é feito disso.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Reis

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13
Jan22

Tudo ao molho e fé em Deus

L’ Eça de Queiroz


Pedro Azevedo

Esta deslocação leonina à Capital do Móvel fez-me pensar em divãs e, mais especificamente, no divã de um psicanalista, tanta é a autofagia que ocorre no nosso clube após uma derrota. Sim, de uma derrota, uma única entenda-se, se tratou, pelo menos no que concerne às competições domésticas. Ainda assim, logo os fantasmas do passado vieram ao de cima e não faltaram profetas da desgraça a ensombrar o já de si difícil caminho que temos pela frente. Ora, na minha opinião, tal não faz sentido. Desde logo porque temos o Rúben Amorim entre nós, uma espécie de anjo da guarda que nos protege nas horas mais complicadas. E como o faz? Diagnosticando correctamente os problemas, propondo soluções ao grupo de trabalho e comunicando claramente com os adeptos. Isso dá-me confiança de que as coisas voltarão a entrar nos eixos. Não fará por exemplo do Esgaio um Beckenbauer, mas torná-lo-á mais competente, focado, solidário e consciente das suas melhores qualidades e limitações. Também enviará pistas ao Matheus Nunes sobre aquilo que lhe falta desenvolver para se tornar um jogador ímpar a nível europeu, nomeadamente uma maior desenvoltura no momento do remate à baliza que acompanhe o progresso já registado em termos do timing dos passes de ruptura. Adicionalmente, fará com que todos os jogadores sejam mais intensos nos momentos sem bola e assim contribuam para esbater o habitual défice de 2 contra 3 com que nos deparamos no miolo do terreno. 

 

Matutei sobre isto antes do jogo com o Leça, mas a análise posterior à partida reforçou a minha convicção sobre o impacto do Rúben Amorim no Mundo Sporting. Com ele podemos regular a hipertensão e dormir descansados, descartando os Xanaxs e os Lexotans de outros tempos. O que nos leva a substituir os proverbiais cinismo e apreensão antes de um jogo pela confiança total na equipa. Terá sido por isso, devido à enorme confiança, que a derrota nos Açores foi para todos surpreendente. Mais até do que a derrota, diria a atitude de deixar correr o marfim que acabou por a todos deixar de trombas. Porém, tratou-se de um mal menor, mau mesmo era quando uma derrota era vista como uma fatalidade, e a desesperança minava-nos a visão sobre o futuro. 

 

Outra coisa que me dá confiança é sentir que o destino joga por nós. Quer dizer, eu já na época passada havia sentido o mesmo. Dúvidas? Ora bem, o Porro estava para alinhar de início, mas quis a Divina Providência que este jogo servisse à redenção do Esgaio. E lá vieram duas assistências, uma mais que a outra que isto de pôr a bola nos pés de um tipo e reclamar os louros de uma assistência é como alguém cortar o cordão umbilical a um bebé e reivindicar o mérito de essa pessoa ao longo da sua vida adulta se ter mostrado independente. Outro exemplo foi o do Matheus Nunes. Tanto aqui reclamara para ele chutar que ao primeiro remate meteu a bola lá dentro! E ainda houve o Tabata, ele também a mostrar ser mais útil como interior do que como ala de pé trocado (o que em nada condisse com o adiantamento do "pinheiro" Coates para ponta de lança, o qual ficou à espera de Godot, que é como quem diz a aguardar sem esperança por cruzamentos que favorecessem mais quem atacava do que quem defendia). Já para não falar do Ugarte, o uruguaio que eu, sem saber se o jogador acabado de regressar de uma infecção por Covid estava em perfeitas condições, imaginei poder ter sido útil entrar contra o Santa Clara. Pois, o Ugarte é um miúdo que me enche as medidas, intenso e tecnicista, patrão e operário em partes iguais, que não perde uma oportunidade de morder os calcanhares ao Palhinha, situação da qual o Sporting só pode vir a beneficiar no futuro, desportiva e financeiramente. 

 

Contra o Leça, equipa que já havia aviado o Arouca e o Gil, o Sporting carimbou a passagem às meias-finais. Não fizemos mais do que a nossa obrigação, é evidente, jogando contra uma equipa do 4º escalão nacional, mas a atitude dos nossos jogadores prevaleceu sobre o resultado final e merece uma referência. Mostrando que a lição foi aprendida e apreendida entre todos. E tornando o futuro novamente mais previsível. Quer dizer, previsível de uma forma positiva que envolve unicórnios e estrelinhas e trevos de quatro folhas e corações verdes, et caetera e tal, e não como antigamente, um tempo de fado e de desventura que não augurava nada de bom. Mesmo que não se tenha tudo aquilo de que se gosta (também não há dinheiro para tal). Até porque, como dizia o Eça, quando não se tem aquilo de que se gosta é necessário gostar do que se tem. Viva o Esgaio!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Tabata

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12
Jan22

Ecletismo!


Pedro Azevedo

Nesta época de 2021/22 o Sporting continua a mostrar o seu ecletismo. E na Europa, onde o Visconde de Alvalade sempre sonhou ver o clube bater-se com os melhores! Aqui fica um resumo sobre a prestação de várias modalidades: apurados para os oitavos de final na Champions de futebol, os leões irão defrontar o Manchester City; em ténis de mesa, o Sporting logrou igualmente passar a fase de grupos da Champions, indo agora jogar contra os russos do Orenburg nos quartos de final; já no andebol, o Sporting está neste momento entre os 16 clubes que se a fase de grupos terminasse agora (faltam 4 jornadas) estariam qualificados para os oitavos de final. A competição é a segunda por ordem de importância da EHF e denomina-se Liga Europeia: no basquetebol, o Sporting joga na quarta competição europeia por ordem de importância (há uma Euroliga que organiza as duas competições de maior prestígio, onde Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique estão. e à FIBA cabe organizar a Champions e a Europe Cup, prova onde compete o Sporting). A manter-se o actual segundo lugar no seu grupo (faltam 4 jogos), os leões classificar-se-ão para os quartos de final: no voleibol, os leões estão nos oitavos de final da Taça Challenge, a terceira em ordem de importância. De referir que no hóquei em patins, o Sporting, à semelhança de Benfica, Barcelos, Porto, Oliveirense, Barcelona e seis outros, enquanto integrante da Associação Europeia de Clubes, recusou participar nesta edição da Liga Europeia por não concordar com os moldes em que se disputa.

08
Jan22

Tudo ao molho e fé em Deus

Maldição insular


Pedro Azevedo

Já se sabia que os termos nazareno e catolicismo andavam de mãos dadas, mas ontem tivemos a sua confirmação ao vivo e a cores num jogo de futebol quando o Esgaio incorporou de tal modo o espírito de Santa Clara que acabou a notabilizar-se por uma exibição de uma pobreza franciscana. Paradoxalmente, houve logo quem visse nisso um pecado, imagine-se, mas o Esgaio é um santo homem. Pelo menos, nos Açores. E em Assis, claro. Continuando na senda da dádiva, alguém deveria dizer ao Matheus Nunes que tem de rematar à baliza. São já incontáveis as jogadas que se perdem ingloriamente por optar por um último passe em detrimento do chuto. É uma pena, até porque toda a construção que antecede esse(s) momento(s) tem sido brilhante, mas o excesso de altruísmo do Menino do Rio à entrada da área está a prejudicar o seu desempenho e o da equipa. A ausência no banco de Ruben Amorim foi também uma benesse concedida aos açorianos. O seu adjunto, Carlos Fernandes, ouviu mais pelo auricular do que aquilo que viu com os seus próprios olhos no relvado. O que não viu, e nós também não, foi aquele tocar a reunir que nos caracteriza nos momentos difíceis, deixando que a equipa frequentemente partisse o jogo e deixasse avenidas para circulação pouco comuns em ilhas de pequena dimensão. Com Pote e Paulinho perdulários e a classe de Sarabia a ser sistematicamente mal-aproveitada através de passes em profundidade a solicitar uma velocidade que não tem, o Sporting acabou por deixar 3 pontos nos Açores neste início do ano. A fazer lembrar a eliminação (Taça dê Portugal) aos pés do Marítimo em igual momento do ano transacto, o que configura uma maldição insular de ano novo. Ele há coisas... Como dizem os espanhóis: "yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay". Terá sido por efeito da Madalena Aroso?

07
Jan22

O fim do oásis


Pedro Azevedo

A inflação homóloga nos EUA aproximou-se dos 7% no mês de Novembro e os juros das obrigações americanas a 10 anos estão apenas nos 1,75%, o que se traduz numa taxa de juro real de cerca de -5,25% para quem invista na dívida pública do "Tio Sam". Com a Reserva Federal americana (FED) a anunciar que restringirá a compra de obrigações, não tardarão a ser explícitos ou visíveis os efeitos colaterais à política keynesiana levada a cabo desde 2009. Os juros terão inevitavelmente de subir, e incrementarão mais acentuadamente se os bancos centrais demorarem a tirar o incentivo monetário. As hipotecas e os empréstimos bancários em geral passarão a ser muito mais onerosos para famílias e empresas, indexados que estão em geral à taxa variável. E as "bolhas" espalhadas pelo mercado accionista detonarão pela subida dos juros, o mesmo se podendo passar com o imobiliário. Perante isto, como deverá um clube de futebol reagir? Desde logo, procurando reduzir a dívida. É que os custos com o serviço da dívida irão subir, e eles já têm um peso significativo (entre 10% e 15% nos últimos anos, no caso do Sporting) no total dos custos de exploração. Serão também de evitar todo o tipo de défices de exploração, que gerarão inevitavelmente o recurso a endividamento, pelo que a aposta na Formação preconizada pelo Sporting terá de ser seguida por todos. E, claro, dado o baixo nível de receitas dos clubes portugueses (mesmo nos anos em que a colheita da Champions é favorável), o recurso anual à venda de pelo menos um activo, leia-se jogador de futebol,  será inevitável. Chegou assim o tempo de apertar o cinto e de enfrentar a realidade, período em que efectivamente se verá quem melhores omeletes fará com os poucos ovos disponíveis. Nisso, o Sporting parte à frente. É que o Chef Amorim já mostrou saber combinar na perfeição os ingredientes postos à sua disposição para que o produto final agrade ao consumidor, o que lhe tem merecido a justa aclamação.  

30
Dez21

Tudo ao molho e fé em Deus

O WM contra o autocarro


Pedro Azevedo

Caro Leitor, os jogos em Alvalade estão cada vez mais difíceis de vencer! Ontem, por exemplo, deparámo-nos com um daqueles autocarros antigos de passageiros da Eva que já se julgava estarem fora de circulação, com um veio posterior que, qual elástico ou fisga (de David), impulsiona a traseira para a frente nalgumas curvas mais sinuosas. Partindo de uma espécie de um 6-3-1, desse desdobramento portimonense resultou que, subitamente, vários algarvios se abeirassem da nossa baliza, daí nascendo uma interacção entre Adán e Eva que terminou com o pecado original de sofrermos um golo primeiro que o adversário. Na sua génese esteve o Reis, curiosamente um dos melhores em campo. Seguiu-se um jogo de ténis, com a bola a ir e vir constantemente para e da área portimonense sem que o Sporting conseguisse marcar um ponto. Para tal muito contribuiu a robustez do quadrunvirato de centrais algarvio, que impôs a lei perante o marxismo-leoninismo patenteado por uma equipa leonina sub-virada à esquerda, com a ala direita amputada pela inibição de Esgaio e as ligações de jogo interior coartadas pela extrema vigilância dos médios algarvios a Matheus Nunes. O intervalo chegou com o Sporting em desvantagem no marcador.

 

Não demorou muito tempo até que Rúben Amorim mexesse na equipa, Primeiro trocando Palhinha por Bragança, depois abdicando de Esgaio em função do estreante Geny Catamo, um jovem que revelou ter grande personalidade ao procurar constantemente o 1x1, com o suplemento de inteligentemente ter variado as suas acções, alternando os movimentos para fora e para dentro. Com as duas alas finalmente a carburarem em sintonia, os portimonenses viram-se obrigados a bascular sucessivamente a sua linha defensiva como se de uma equipa de andebol se tratasse. Por essa altura já Pedro Sá havia sido expulso por acção de um Reis Mago que assim entregou o ouro a Amorim, pelo que o esforço pedido aos algarvios acabou por provocar uma erosão de onde começaram a surgir falhas. E como tantas vezes acontece no andebol, o espaço para o pivô (atacante) apareceu. Assim, Paulinho acabaria por marcar de cabeça, primeiro, e depois por duas vezes com o pé direito, materializando um hat-trick, um sortilégio digno da magia do Natal que, pasme-se, nem sequer envolveu o seu melhor pé ou o remate de fora da área. Nuno Santos, no segundo tempo muito mais ala que lateral, esteve na origem dos dois primeiros.

 

Para ganhar ao Portimonense, qual "remake" da recepção ao Gil Vicente no ano passado, Rúben Amorim teve de pôr o Sporting a jogar em 3-2-5, o célebre WM popularizado por Herbert Chapman e tão caro aos nossos saudosos 5 Violinos. Curiosamente, Amorim surge agora entre Robert Kelly (79,2%) e Cândido de Oliveira (75,3%), os treinadores dos verdadeiros 5 Violinos que ainda incluíam Peyroteo, no segundo lugar da lista histórica dos treinadores do Sporting com maior percentagem de vitórias (75,31%, 61 em 81 jogos) por jogo realizado, deixando ainda mais atrás nomes como Alexander Peics (4º), Jozsef Szabo (5º), Randolph Gallloway, Mário Lino, Fernando Vaz, Malcolm Allison ou Bobby Robson. E como o nosso treinador diz que o melhor ainda está para vir...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Paulinho

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23
Dez21

Tudo ao molho e fé em Deus

Faroeste lusitano


Pedro Azevedo

No Lucky Luke, imortalizado pelo Morris, o mau da fita geralmente terminava coberto de alcatrão e penas. Mas isso era o faroeste americano, por onde o "poor lonesone cowboy" vagabundeava. Nós por cá, felizmente, somos civilizados e não fomentamos essas práticas indecorosas. Caso contrário, poderíamos ser tentados a pensar que o mundo da bola tuga também é um faroeste, o que com um árbitro com muitos Km de estrada de Primeira Liga num jogo que envolvia uns gansos certamente não auguraria nada de bom.  

O Sporting começou por dar avanço aos casapianos, histórico clube dos internacionais Roquete, que era da PIDE, e de Cândido de Oliveira, mais tarde nosso treinador no tempo dos 5 Violinos, que reza a lenda foi preso pelo primeiro. Presos ao chão pareceram os nossos na alvorada do jogo, e Jota voou para colocar o Casa Pia em vantagem. O golo não mudou a letargia geral dos nossos, e durante um período o futebol foi incaracterístico. Tempo então para Daniel Bragança entrar no jogo e todos deslumbrar com o seu toque fino, acelerações com bola e, imagine-se, até com recuperações de bola aéreas(!!). Porém, seria por intervenção do laboratório de bolas paradas que Amorim montou em Alcochete que o Sporting voltaria e equilibrar a contenda: para não variar, o capitão Coates foi lá à frente fazer a diferença.

Após o intervalo o Sporting entrou com Paulinho no lugar de Nazinho. Quer dizer, mais do que uma substituição de diminutivos houve uma  efectiva troca de posições, com Tabata a recuar para o lugar do muito jovem lateral/ala esquerdo e o Sporting a ganhar finalmente quem fosse capaz de pensar o jogo de cabeça levantada, o que como se sabe ajuda a perceber melhor o que se passa em redor (o Tabata geralmente concentra mais os seus olhos na relva, o que até poderá vir a revelar-se útil no combate a térmitas e fungos que vêm afectando o estado do nosso terreno). 

Com melhor dinâmica, fomos então dominando o jogo. O Pote, às voltas com o mau-olhado, até voltou a passar à baliza, coisa que, já se sabe, o tornou letal. Mas o poste ou o guardião dos Gansos conseguiram adiar o golo. Até que o Sarabia arrancou um remate que fez a bola bater na trave, ressaltar para dentro da baliza e voltar a tocar na trave antes de sair para fora da baliza. Ora, quem perceba um pouco de geometria percebeu logo que a bola só podia ter entrado, mas Rui Costa e companhia não terão sido assíduos nas aulas de matemática e mandaram seguir. Salvou-nos o VAR, como em tantas outras vezes, que em tempos natalício bem merece um "Hosana ao VAR". Ele é o caminho, a verdade e a vida, pelo menos para nós que com os meios de antigamente já estaríamos remetidos ao "nosso lugar" de sempre. É verdade, o VAR para nós é como um profeta que nos ilumina o caminho e nos mostra que afinal não somos filhos de um Deus menor. Pena é que sempre que há margem para a invenção o assistente vídeoarbitral não cumpra o seu papel: ontem, por exemplo, o Tabata viu-se expulso quando tentava fugir a um tackle deslizante perpetrado por um jogador do Casa Pia. Em inferioridade numérica, o que nos valeu foi a sagacidade do Amorim, que de uma penada refrescou todo o meio campo e meteu ainda o Homem Prevenido (aquele que vale por dois). 

Bom, chegámos ao Natal, barreira que noutros tempos era vista com um pessimismo digno de uma profecia de Nostradamus. E estamos em todas as competições: primeiros, ex-aequo, no Campeonato; nos quartos-de-final da Taça de Portugal; na "Final Four" da Taça da Liga; nos oitavos-de-final da Champions. Agora é pensar em trinchar o peru e continuar a encher a pança, sabendo de antemão que a azia ficará para um dos nossos rivais que se degladiarão hoje a partir das 20H45. Feliz Natal para todos os Sportinguistas. (E para todos os outros também, que são igualmente filhos de Deus pese embora o Jesus de Carnide ande a deixar os fiéis em brasa com o namoro com o Flemengo.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Daniel Bragança 

21
Dez21

Gonzalo Plata


Pedro Azevedo

Com um percurso fora do campo aparentemente atribulado, Gonzalo Plata está na iminência de ver o seu empréstimo ao Valladolid terminar antes do prazo antecipadamente previsto. Eu, que nunca fui um fã do equatoriano, apesar de tudo tenho pena que o jogador não tenha evoluido praticamente nada desde que chegou a Alvalade. Diga-se, porém, que a culpa é maioritariamente dele próprio, podendo assacar-se ao sistema preferido de Rúben Amorim alguma dificuldade adicional na imposição de Plata. Este, para mim, sempre me pareceu um brinca-na-areia, um jogador de revienga, de 1x1, rápido mas a meu ver com uma finta larga demais para desbloquear autocarros apertadamente estacionados. Além disso, sempre denotou grandes dificuldades em entender o jogo, em nele se envolver colectivamente. Por isso, Rúben Amorim procurou colocá-lo na lateral/ala, evitando zonas interiores do terreno onde essa limitação mais fosse visível. No meu entendimento, e provavelmente no de Amorim, o Plata seria mais útil como extremo aberto num declarado 4-3-3, mas como sabemos o Sporting não joga nesse sistema. Restaria então que se adaptasse ao que existe, e que na lateral/ala conseguisse conjugar o equilíbrio defensivo com o desequilíbrio ofensivo que provocaria no adversário. Umas vezes de pé trocado, a ver se despertava para o jogo interior e de entre-linhas, outras na esquerda (mais por fora). Todavia, tirando alguns fogachos, nunca pareceu consistente no seu desempenho. Apenas deu nas vistas em transições rápidas, de cada vez que encontrava um latifúndio para explorar. E ao fim de 3 anos continua a não desenvolver o potencial que os olheiros leoninos cedo lhe detectaram, pelo que ir-se-á perder caso não venha a revelar uma melhor aprendizagem. Em suma, é um caso que nos alerta para a prevalecência dos aspectos mental e táctico sobre a técnica e o físico num jogador de futebol. É que um jogo de futebol também se joga muito com o cérebro e quem tiver uma boa atitude e conhecer bem o jogo (veja-se o Neto, por exemplo) poderá alicerçar uma carreira melhor do que a sua qualidade técnica poderia antever. Já a Plata competirá provar que é muito mais do que um jogador de futebol de rua, de pelada. Afinal, não é à toa que os ingleses, seus inventores, denominam o futebol como "association", e associação aos movimentos colectivos é coisa em que o equatoriano não deslumbra. 

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19
Dez21

Tudo ao molho e fé em Deus

Um homem prevenido


Pedro Azevedo

O Nuno Santos é um homem prevenido, como tal vale por dois. Por isso, mesmo com apenas 9 jogadores de campo e um guarda-redes, o Sporting jogou sempre num 3-4-3 e não no 3-4-2 que toda a crítica apontou. Mérito total do ex-jogador da Formação do Benfica, que foi um dois-em-um, defendendo como um Matheus e passando a bola a si próprio como se de um Sarabia se tratasse. Foi assim aliás que nasceu o nosso primeiro golo: o Nuno Reis recuperou a bola na saída para o ataque dos gilistas e lançou o Pablo Santos que logo desferiu um remate que carambolou para dentro da baliza. Na verdade, as expulsões fizeram toda a diferença no jogo: é que enquanto o Ruben Amorim trocou um por dois, o pobre do Ricardo Soares soube de antemão ser impossível substituir uma (Fuji) moto e ficou apeado. Foi galo! 

Quem parece andar às voltas com a sua essência é o Pote. Então não é que o homem decidiu começar a rematar à baliza? Como consequência, os seus golos deixaram de existir. Quando simplesmente passava à baliza o desfecho era inevitável, o golo, mas agora, ao parecer forçar a barra, a bola deixou de entrar. Do mal o menos, se antes marcava como quem assistia, em souplesse, ontem assistiu (Inácio) como quem marca, em força. 

Com o jogo partido entrou o Bragança. Aquilo foi uma delícia, uma coisa a fazer lembrar o Brasil de 82, do Zico e do Sócrates, um festival de toque e retoque que desmaquilhou o resto da compostura barcelista. Como corolário, mais um golo, com classe, obviamente. Bem também o Esteves, o puto faz-se jogador e não tem medo de nada nem de ninguém. 

Do árbitro Tiago Martins será melhor nem falar. Desde confundir o Neto com o avô - sim, o Ugarte joga com tanta personalidade que mais parece um veterano de 20 anos - até não ver um penalty do tamanho do Cidade de Barcelos, passando por ignorar um golpe de MMA perpetrado pelo Fujimoto ou por impedir sucessivos contra-golpes leoninos alegando faltinhas daquelas a que os árbitros por toda a Europa não dão ouvidos (sim, a encenação vem geralmente acompanhada de gritinhos agudos e manhosos), o Tiago Martins fez de tudo um pouco. Em suma, uma arbitragem própria de um jogo de solteiros e casados, do Inatel, com paragens ideais para se tomar uma cervejinha ou fumar um cigarrinho. 

E assim chegou a décima (vitória consecutiva), com o Ruben já a alertar para a urgência da décima primeira. É assim também que se faz este novo Sporting, olhando para a frente e não para o retrovisor. Sem madeixas. Eu gosto. 

Tenor "Tudo ao molho...": Nuno Santos

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14
Dez21

Tudo ao molho e fé em Deus

No sorteio da UEFA(?)


Pedro Azevedo

De manhã começa o dia a aviarmos a Juventus para a Champions. De tal forma que à tarde já estamos no Campeonato do Mundo, a jogar contra o campeão dos Emirados Árabes Unidos. Ad(e)mirados? É esta a inebriante vida de um grande clube, o Sporting Clube de Portugal. E contra o Manchester City, que como o nome indica é uma agremiação do Abu Dhabi, marcharemos. Com a Ala dos Namorados, a Padeira Brites, o Quadrado e a Táctica do nosso Condestável (que nunca contestável) Dom Rúben Nuno Álvares Pereira Amorim. Mas também com a Ínclita Geração, os infantes Porro, Inácio, Matheus, Ugarte e Pedro, este último o das Sete Partidas (as necessárias até ao final), um homem tão à frente do seu tempo que tanto redige uma carta de Bruges como é bem capaz de despachar um Manifesto de Manchester enquanto o diabo esfrega um olho. Acompanhados pelos mais experientes, mas nada Velhos do Restelo, que são Adán, Coates, Feddal, Neto, Palhinha, Sarabia, Paulinho e companhia. O City, pois, que se ponha a pau, que da ocidental praia lusitana vem uma gente que não torce e tem a ambição de vencer. Mesmo que do outro lado esteja o mestre do trique-traque, ou tique-taque, ou lá o que é, até porque, não havendo uma segunda oportunidade de deixar uma primeira boa impressão, teremos de "matá-los" logo à primeira oportunidade. Portanto, eles que fiquem com a posse e nós com o passe. O passe social para o sorteio da próxima eliminatória. Que bem poderá passar por de manhã nos calhar uma equipa alemã e de tarde outra de Omã (ou do Qatar). Senhores da UEFA, vós Paris com cada sorteio... Já vos havia falado dos Jogos repetidos com informação incompleta , para aquilo que não vos preparei foi para sorteios repetidos com informação incompleta (não sei se não seria aqui de invocar o João das Regras...). Mas a UEFA educa, oh se educa...

 

P.S.1. Nestas coisas de David contra Golias há que sempre contar com a fisga, quiçá reforçada com a tão aguardada bazuca. Aguardemos então...

 

P.S.2. Os sorteios de ontem foram paradigmáticos destes novos tempos: da Vecchia Signora para os novos-ricos europeus há toda uma nova ordem do futebol a passar-nos pelos olhos. 

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09
Dez21

As vantagens do copo meio-cheio


Pedro Azevedo

Paulinho, Palhinha, Feddal, Jovane, Vinagre e Coates serão baixas leoninas para a recepção ao Boavista. Para além de um impedimento disciplinar e de um caso detectado de Covid-19, algumas lesões estão na origem destas ausências que necessariamente impactam num plantel curto. Mas isso será ver o copo meio-vazio e Rúben Amorim já nos mostrou, com o seu proverbial optimismo, que percepciona nas ameaças também grandes oportunidades. Será por isso a oportunidade de Nuno Santos (ou Esgaio) jogar na ala esquerda, de Ugarte consolidar o seu estatuto natural de primeiro candidato à sucessão de Palhinha e de TT ganhar minutos e confiança. À espreita, Tabata e Bragança deverão ser opções para entrar mais tarde no jogo, sendo de prever que vários jovens venham a completar a convocatória e quiçá virem a ter mais alguns minutos para ganharem tarimba. Tal só é possível por o plantel (22 jogadores) ser curto e requerer constantemente o recurso às equipas de formação. Assim, em vez de um monte de "consagrados" pagos a peso de ouro e cheios de azia por estarem no banco (ou na bancada), Amorim ganha um conjunto de jovens que já se sentem privilegiados por poderem calçar com os craques, jovens esses para os quais o copo está sempre meio-cheio. Tal como o Rúben o vê. A isto chama-se sintonia. E soma ao espírito de grupo, evidentemente. 

09
Dez21

JJ a olhar pelo retrovisor, Amorim a enfrentar o presente


Pedro Azevedo

O Benfica apurou-se para a fase a eliminar da Champions ao ficar à frente do actual sétimo classificado do campeonato espanhol. O Sporting também atingiu esse patamar, mas para tal teve de superar o presente segundo classificado do campeonato alemão. É certo que historicamente o Barcelona é um colosso, ostentando 5 taças de campeão europeu no seu palmares, mas não esqueçamos que o Borussia Dortmund não é um clube qualquer, também já ganhou a Champions. Aliás, se é para falar de história, então deveremos dar relevo ao facto de o Porto ter terminado o seu grupo à frente do AC Milan, um clube que venceu 7 Champions (o segundo melhor registo, logo atrás do Real Madrid). Assim, atendendo à realidade actual de cada clube e sua equipa de futebol, entendo que o feito do Sporting foi mais relevante que o do Benfica. Mas, claro, posso fechar os olhos e imaginar que o Messi ainda equipa de "blaugrana". (E, já agora, o Sammer, o Moller, o Riedle e o Paulo Sousa de amarelo e preto.) 

 

De qualquer forma, Sporting e Benfica estão de parabéns pela qualificação para a fase seguinte. Assim, Portugal terá 2 equipas na fase a eliminar, uma mais do que a Alemanha, país com um ranking de clubes da UEFA bem superior. De referir ainda que fora do G5 só os Países Baixos e a Áustria conseguiram acompanhar Portugal no apuramento, ainda assim só com uma equipa. Por último, além da Inglaterra (4 concorrentes), só Espanha ou Itália poderão ainda ter mais concorrentes na próxima fase que Portugal. Hoje, Villareal ou Atalanta decidirão qual destes países será representado por 3 clubes. 

08
Dez21

Tudo ao molho e fé em Deus

Derrota com moral


Pedro Azevedo

Com Rúben Amorim ganhamos sempre, mesmo quando perdemos. No passado, o Sporting perder era previsível, hoje passou a ser determinístico, obedece a uma causa. Sabemos quando podemos perder, e até ousamos perder para podermos ganhar diferentes coisas: novos jogadores, experiência, foco, humildade, pés bem assentes na terra. Uma causa assim é justa: perdemos hoje rumo à vitória final. Além disso, deixamos de banalizar a vitória. Vencer exige trabalho, concentração e organização permanentes. As vitórias alimentam-se a si próprias, acrescentam aos factores que conduzem ao êxito porque dão um moral que eleva a parte mental para o nível do físico, técnico e táctico. Mas também podem conduzir à soberba, atribuirmos a nós próprios um valor acima do real. A derrota tem o condão de nos fazer reflectir, rever processos, crescer. Por isso também é importante perder, nomeadamente quando a derrota não tem impacto no atingir de objectivos. Escolhendo criteriosamente o momento da derrota, mais perto estaremos de alimentar o sonho de vitória. E ganhamos tempo. Tempo de recuperação para jogadores fatigados, tempo de jogo para os menos utilizados, antecipação do lançamento de jovens. E prevenimos contratempos: lesões e impedimentos disciplinares. Pensando bem e analisando todos os factores, o Sporting goleou ontem à noite em Amesterdão. É que se há vitórias que são à Pirro, também há derrotas que deixam um sabor doce na boca.  Este, aliás, é o paradigma do novo Sporting: deixámos para trás o tempo das vitórias morais (derrotas injustas) e encaramos o novo tempo das derrotas justas e que dão moral (e ensinamentos). Procurando nas derrotas identificar os problemas que depois de solucionados nos levam às vitórias. Se isso só pode acontecer perdendo, percamos então com estilo. O que me leva à seguinte interrogação: não terá sido o 1-5 com o Ajax a nossa maior vitória da época? No fim se verá, mas hoje tudo leva a crer que sim...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Ugarte

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06
Dez21

Como o Sporting venceu o Benfica


Pedro Azevedo

Táctica, técnica, física e estrategicamente o Sporting dominou o Benfica na Luz. Optando por entregar a posse ao adversário (estratégia), o Sporting pôde exercer a pressão alta de que tanto gosta a fim de recuperar a bola e rapidamente explorar os espaços deixados em aberto pelo Benfica. Por via disso, a zona do terreno mais massacrada pelos leões foi a compreendida entre Lázaro e André Almeida, por onde aliás Sarabia emergiu para marcar o primeiro golo. Pouco depois, uma combinação entre Matheus e Sarabia voltou a expôr o lado direito da defesa encarnada, valendo ao Benfica a anormal má finalização de Pote. As águias nunca conseguiram durante o jogo estabilizar o seu flanco direito defensivo, nem mesmo após Cebolinha ter rendido Lázaro. Apesar de ter explorado prioritariamente as transições ofensivas, o golo inaugural do Sporting surgiu em ataque organizado, com Matheus Nunes a receber um lançamento lateral de Matheus Reis e a fugir à pressão que Weigl e João Mário lhe teceram. A bola chegou depois a Pote, que baixou linhas e combinou com Porro. O passe do espanhol tirou 3 jogadores benfiquistas da jogada e permitiu a Pote receber sem marcação mais à frente. Este, com duas opções de passe (Paulinho e Sarabia), serviu com êxito o ex-PSG porque Lázaro não acompanhou a sua movimentação. Do trio PSP (Pote, Sarabia e Paulinho) houve sempre um jogador a baixar linhas para pegar na bola e desmontar marcações. Isso criou inúmeros desequilíbrios ao Benfica, o qual apostara em marcações praticamente individuais ao longo do campo. Com o passar do tempo, o jogo partiu-se, cenário ideal para o Sporting, em duas transições rápidas, decidir a partida. Mérito para Matheus Nunes, que então dinamitou um meio campo do Benfica absolutamente impotente para o travar. Aliás, o meio campo do Sporting ofuscou todo o jogo o do Benfica. Foi como se tratasse de um confronto de estilos musicais: de um lado, os metaleiros Matheus e Ugarte, do outro os baladeiros João Mário e Weigl. No fim, o heavy-metal superou os "slows", deixando Jorge Jesus à beira de ter de ir cantar de galo para outra freguesia. 

P.S. (Jorge) Jesus virou-se para Lázaro e disse-lhe "levanta-te e anda" mas o Lázaro deixou-se ficar pelo chão, algo mais tarde replicado pelo André Almeida  quando Matheus "escreveu" o seu capítulo nesta história. É verdade, para o Benfica as incidências do jogo ganharam proporções bíblicas...

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04
Dez21

Tudo ao molho e fé em Deus

Dinamatheus


Pedro Azevedo

Com o Rúben Amorim a degustar ao jantar o Mestre da Tactica com 3 batatinhas e o Matheus Nunes a recordar-nos que o Ruca é uma estorinha para embalar meninos, o Sporting venceu sem espinhas na Luz. Durante a semana muito se havia falado das ausências de Palhinha e Coates, como se o Sporting, à laia da B SAD, se fosse apresentar apenas com 9 jogadores em campo. Acontece que o Ugarte e o Neto jogaram mesmo, e o uruguaio destacou-se em particular pela audácia com que encarou o seu novo habitat, não deixando crescer a relva à sua volta. Depois, os movimentos entre-linhas de Pote, a utilização por parte de Sarabia da via verde na auto-estrada existente entre Lázaro (mais tarde, Cebolinha) e André Almeida e a capacidade de pressão alta de Paulinho ajudaram a cavar a diferença. De tal forma que só por sorte o Benfica não chegou ao intervalo a perder por 2 ou 3 golos, algo visível para todos os espectadores excepto para o Mr Magoo que se sentou no banco dos encarnados. Com muitas soluções entre os suplentes para refrescar a equipa, no segundo tempo o Benfica cresceu na partida. Mas então entrou em acção Matheus Nunes: foram duas cavalgadas (eu já tinha dito que ele é um Mustang) de 50 metros que dinamitaram e aniquilaram por completo a resistência encarnada, a primeira concluída com um passe de ruptura(!) a servir de bandeja Paulinho, a segunda directamente a pô-lo na cara do golo e assim permitir-lhe sentenciar o jogo. O que deixa a seguinte questão: quão mais tempo conseguiremos manter o  Matheus afastado da cobiça dos gigantes europeus? É que ele assentaria que nem uma luva no Liverpool de Klopp, por exemplo. Bom, mas isso só acontecerá numa das próximas janelas de transferências, por isso desfrutemos ao máximo dele enquanto podemos. Todavia, será possível ter saudades de alguém ainda presente? Eu já tenho. Ah, e não esquecer o Gonçalo Inácio! Vinte aninhos apenas, mas uma saída de bola a fazer lembrar o Kaiser Beckenbauer e uma coordenação da linha defensiva que deve ter rebentado de orgulho o grande capitão Coates. E assim, com este espírito e esta classe, vai crescendo a onda Sporting. Na crista, a surfá-la com maestria, está o Amorim. Deus o guarde connosco por muitos anos, que não há preço para a felicidade e a alegria nos lábios de crianças e de adultos que há muito já mereciam isto. 


P.S.1. Qual a diferença entre o golo de Sarabia e o tão aclamado golo de Bernardo Silva a meio da semana? 

P.S.2. Sem querer "puxar o saco", já dizia o Cruijff que os sacos de dinheiro não ganham jogos. 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes. Paulinho, Sarabia, Gonçalo Inácio, Ugarte e Pote (anormalmente perdulário na finalização) estiveram também em excelente plano, mas todos os utilizados passaram no teste. 

29
Nov21

Tudo ao molho e fé em Deus

À margem do Lampionato Nacional


Pedro Azevedo

O Sporting fez mais um jogo para o seu campeonato. Por seu campeonato entenda-se um conjunto de jogos que se amontoam num determinado calendário a duas voltas onde todos os adversários se apresentam com 11 jogadores em campo. Bem sei, uma competição assim poderá ser considerada um pouco exótica para a maioria dos cidadãos deste país que torce por outro clube, mas é o que temos. Já o Benfica concorre numa prova à parte, o Lampionato Nacional. Diga-se de passagem que a coisa é bastante desigual, em forte prejuízo dos encarnados. Senão vejamos: se os doutores da bola afirmam convictamente que jogar contra 10 é mais difícil do que jogar contra 11, imaginem o que será jogar contra 9... E, depois, um a um, para aumentar ainda mais o grau de dificuldade, vão-se retirando jogadores de campo da equipa adversária até que fiquem reduzidos a 6 unidades, o que, como se sabe, torna impossível ao Benfica marcar mais golos e mostrar a sua superioridade. Tal é bastante injusto para os actuais pupilos de Jorge Jesus, mas ao mesmo tempo evoca na nossa memória colectiva as origens do futebol: haverá maior pureza do que uma competição que nos remete para as peladinhas da escola, onde havia guarda-redes avançado e tudo? Pois é, o Benfica pode estar 10 anos à frente da concorrência, mas o Lampionato é o seu contributo para o revivalismo do período da Idade da Pedra do futebol. Esbatendo diferenças e promovendo o equilíbrio, nem que para isso tenha de carregar o terrível "handicap" de começar os jogos com homens a mais em campo. Em nome da verdade desportiva, "what else"?

 

Ainda que participando numa competição diferente, o Sporting recebeu ao final de tarde de ontem o Tondela. Estranhamente, a Liga de Clubes não pugnou pelo adiamento do jogo em virtude dos tondelenses se apresentarem completos pelo que a partida realizou-se mesmo, o que com certeza não deixará de merecer parangonas pouco elogiosas nos principais periódicos internacionais. Até parece que já estou a ver um dos títulos: "Doze indomáveis patifes", estrelando os 11 beirões mais o presidente da Liga, com o Proença a fazer o personagem do Lee Marvin, mas com brilhantina e Restaurador Olex quanto baste (o futebol português, os seus "Restauradores" e os Amigos de Olex). Uma vergonha!

 

Esta coisa de ter 11 em campo complica a vida a qualquer equipa. É que há sempre homens a mais em campo, uns dispostos a tocar na bola de forma inadvertida, outros a não saber sair de cena na altura certa. Por isso vimos um tondelense isolar o Sarabia para o nosso primeiro golo e um outro a pôr em jogo o mesmo espanhol aquando do nosso segundo golo, no momento do passe de ruptura do Matheus Nunes (quão mais jogadores, maior a probabilidade de o adversário não estar em fora de jogo). O resto do jogo até foi entretido, com o antigo cérebro (Ayestaran) por detrás do Quique Flores a mostrar que sabe montar uma equipa de futebol. Mas ontem o Neto parecia ter asas e até o Murillo foi apanhar em excesso de velocidade, pelo que a coisa não passou da ameaça. Para piorar a vida aos beirões, o Paulinho marcou um golo - já não bastava aos tondelenses terem de jogar com onze, ainda levaram com um ponta de lança leonino a cumprir com o seu papel. Enfim, um "nonsense" completo... 

 

Na próxima jornada iremos à Luz. À hora que Vos escrevo ainda não sei se o jogo contará para o Campeonato, Lampionato Nacional, ou até se se disputará. É que tanto poderá cair lã dos céus a dar um toque de Natal como a convocatória da omicron alterar os planos a muita gente. Em todo o caso, a Liga deverá dizer qualquer coisa o quanto antes. Ou não, e continuar em isolamento profilático. É que há precauções higiénicas que devem tomar-se para evitar o contágio no futebol. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Luis Neto

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