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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

23
Mar21

NextGen 2021


Pedro Azevedo

O Sporting é o único clube português representado na lista "NextGen 2021: as 50 maiores revelações do futebol mundial" publicada hoje pelo portal Goal.com. E logo com 3 jogadores: Nuno Mendes, Eduardo Quaresma e Joelson Fernandes. Nesta lista, que contempla apenas jogadores nascidos a partir de 1 de Janeiro de 2002, onde surpreendentemente não consta Tiago Tomás (Gonçalo Inácio nasceu em Agosto de 2001), Nuno Mendes é o mais bem classificado dos leões, aparecendo na 23ª posição. Dos restantes, Quaresma figura no 36º posto e Joelson é o 44º colocado. O pódio é composto por Ansu Fati (1º, Barcelona), Eduardo Camavinga (2º, Rennes) e Gio Reyna (3º, Borussia Dortmund). Mais um bom sinal de valorização da Academia Sporting e da sua formação. 

nuno mendes nextgen.jpg

eduardo quaresma nextgen.jpg

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23
Mar21

Penso, logo desisto


Pedro Azevedo

Leio que fizemos uma parceria com uma instituição especializada em encontrar jovens talentos escandinavos "cognitivamente desenvoltos". Parece-me uma boa forma de reformular o Gabinete Olímpico. Assim, se os meninos e meninas não souberem dar dois pontapés na bola, podemos sempre inscrevê-los nas Olimpíadas da Matemática. Ou no Xadrez. E na Sueca, também, obviamente. Com a vantagem, dada a púbere idade, de tal contributo poder ser dado por correspondência. 

 

P.S. Diz o Director da instituição, que tem sede na Ericeira, que esses jovens "contrastam com os portugueses". Entretanto, no seu site anunciam que no Verão irão visitar 30 diferentes locais na Escandinávia.

23
Mar21

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 32 jogos - 24 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa, 3 para a Taça de Portugal e 3 para a Taça da Liga -, obtendo 26 vitórias (81,25%), 4 empates (12,5%) e 2 derrotas (6,25%), com 63 golos marcados (média de 1,97 golos/jogo) e 19 golos sofridos (0,59 golos/jogo).

 

Individualmente, Rúben Amorim mantém o 3º lugar no Top 5 da exclusiva lista de treinadores do Sporting com maior percentagem de vitórias. Numa altura em que já realizou 43 jogos pelo clube em diversas competições, Rúben apresenta um registo de 74,4% de vitórias (32 em 43) em todos os jogos, superando homens como o húngaro József Szabó e o tri-campeão Randolph Galloway. O líder continua a ser o também inglês Robert Kelly (79,2%), seguido por Cândido de Oliveira (75,3%), por Amorim, pelo húngaro Alexander Peics (73, 1%) e József Szabó (72, 2%).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas de golo):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (15,4,6), N. Santos (7,9,1), TT (6,2,4);

2) MVP: Pedro Gonçalves (59 pontos), Nuno Santos (40), TT (26); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (25 contribuições), N. Santos (17) e Porro e TT (12);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (15 golos), Nuno Santos (7) e TT, Jovane e Coates (6);

5) Assistências: Nuno Santos (9), Pote (4), Porro, Tabata, João Mário e Feddal (3).

 

Fazendo uma análise por sectores em termos de pontos MVP (golo=3; assistência=2; participação=1), teremos:

 

Pontas de Lança (total=59)TT (26), Sporar (20), Vietto (7), Pedro Marques (6)

(nota: TT também jogou como interior)

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Interiores (total=136)Pote (59), Nuno Santos (40), Jovane (23), Tabata (14)

(nota: Jovane também jogou como ponta de lança)

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Médios Centro (total=34): João Mário (13), Matheus Nunes (10), Palhinha (8) e Bragança (3)

joaomario.jpg

Laterais/Alas (total=40)Porro (23), Nuno Mendes (11), Plata (4), Antunes (2)

Pedro-Porro.jpg

Centrais (total=43)Coates (22), Feddal (11) e Gonçalo Inácio (10)

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Guarda-redes (total=2): Adán (2)

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Conclusões:

  • A posição de Interior contribui em acções de golo cerca de 2,3 vezes mais do que a posição de Ponta de Lança; A posição de Médio Centro tem menos preponderância nos nossos golos que a de Lateral/Ala e de Central, o que pode indicar que RA vê-os mais como um factor de equilíbrio defensivo, sendo os desequilíbrios ofensivos mormente produto da circulação em "U";
  • Ordem de importância no golo: Interiores, Ponta de Lança, Centrais, Laterais/Alas, Médios Centro, Guarda-redes;
  • Um total de 20 jogadores já contribuiu para os golos leoninos. Dos utilizados, apenas Max, Neto, Quaresma, Borja, João Pereira, Paulinho, Matheus Reis e Dário Essugo ainda não tiveram preponderância nos golos marcados. 

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

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21
Mar21

Tudo ao molho e fé em Deus

Cinderella Man


Pedro Azevedo

Imaginem um clube com sorte madrasta, durante anos tratado como o enteado pobre do futebol português. Desprezado pelos dois filhos do sistema, que nunca perdiam uma oportunidade de dele troçarem, viu-se obrigado a desde cedo trabalhar na regeneração do nosso futebol. Um trabalho na sombra, anos e anos a fio convertido em retalhos por acção directa dos filhos do sistema e assim condenado a nunca emergir no baile de gala de encerramento da época desportiva, um motivo de redobrado sofrimento para todos os que dele gostavam.

 

O sofrimento como marca de existência e uma resiliência a dar razão a Schopenhauer quando classificava o sofrimento como positivo porque não inebriante ou ilusório como a felicidade e portanto revelador da condição humana. "Sofro, logo existo", como paradigma do ser Sportinguista. Até que um dia surgiu uma fada que tudo encantou. De uma abóbora fez uma carruagem dourada, seis ratinhos foram transformados em majestosos cavalos, um rato maior tornou-se cocheiro. Uns sapatinhos feitos à medida de campeão apareceram como que por encantamento, calçando-o para o baile. Logo todos os que gostavam dele se interrogaram se seria real. Poderão anos e anos de sofrimento terminarem com um passe de magia? O nosso receio, o que nos inquieta à noite, é que a carruagem se volte a transformar em abóbora.

 

Vem esta alegoria a propósito do papel de Rúben Amorim na afirmação deste novo Sporting. Amorim é o nosso "Cinderella Man", capaz de mostrar que é de ouro que se fazem os produtos da nossa Academia. Com ele, a nossa existência passou a ser um transcender de liberdade, aquilo que Jaspers ensina que abre caminhos. Como a caminho entre Alcochete e Alvalade, aberto por Amorim quando colheu 6 dos semeados por Aurélio Pereira e seus seguidores e os exibiu na grande montra de ontem. Com outros dois a preencherem a segunda parte. À semelhança de outros jogos em que fomos reganhando a nossa identidade. Dando assim um sentido às coisas. E logo quando tudo parecia perdido, o que dá à emergencia de Amorim um toque de transcendental, como na parábola de Kierkegaard onde um homem determinado a pôr fim ao seu sofrimento e prestes a atirar-se ao Tamisa (o Tejo, para o efeito) é salvo por uma picada de um mosquito que lhe interrompe o movimento. Abençoada picada, certamente. E encantado mosquito.

 

E que bonito é observar os nossos produtos de Alcochete. Com simplicidade, tudo se poderia reduzir à iluste Casa de Bragança, senhorial na arte da posse, douta em conhecimentos aprofundados de geometria e impenetrável às vagas de ataque do "inimigo", onde coexistem o tiki-taka do João e do Daniel, o GPS do Inácio, o rochedo Palhinha, o colosso Tomás - dois fins de semana consecutivos a mandar centrais para o estaleiro com caîbras aos 60 minutos de jogo - e a serpente Mendes, mas também o belo cisne Cabral e o bebé Essugo. Não sei como esta bela aventura irá terminar, mas volto a Kierkegaard para recuperar os seus 3 estádios da existência humana: tendo nós sempre desprezado o estético, em que o prazer momentâneo do belo e de um desejo imediatista (a "facilidade") é garantia de felicidade, encontrámos nas leis da moral e da conduta universais um patamar melhor para a nossa existência. Porque a ética é universal, ao contrário do ser que é único e individual. E assim, arregimentados por um valor comum, contra ventos e marés procuramos a nossa verdade comum. O que nos leva ao último estádio, o do compromisso com a nossa fé. De ser Sportinguista, de ser (Ser?) Sporting.  

 

P.S. Espero que o senhor José Pereira da Inspecção do Trabalho não nos multe por fraude na atribuição de contrato de trabalho ao jovem Dário.  

 

Tenor "tudo ao molho...": João Palhinha. Gonçalo Inácio, Daniel Bragança, Tiago Tomás, Pote e Jovane mostraram pormenores distintivos. E estreou-se o jovem Dário Essugo, 16 aninhos acabados de perfazer, com dedicatória para todos os papás de meninos que querem jogar futebol ao mais alto nível e tudo. Uma palavra final para a estupenda arbitragem de Tiago Martins, um árbitro não poucas vezes traído pela vaidade mas que ontem deixou o palco para os músicos e permitiu que sobressaísse a qualidade das partituras. Grande trabalho!

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19
Mar21

O trio de trás


Pedro Azevedo

Com Coates indisponível por suspensão devida a acumulação de amarelos, Rúben Amorim terá de operar uma alteração no habitual trio de centrais titular. Nesse sentido, entrará Neto ou Matheus Reis. Na minha opinião será Neto, porque não é crível que Amorim queira jogar com 3 centrais esquerdinos em simultâneo. Por outro lado, coloca-se a questão se a entrada de um jogador mexerá, ou não, com as posições dos restantes. Creio que Amorim não prescindirá de Feddal ao meio, solução sempre encontrada nas ausências de Coates, pelo que o mais certo é Neto aparecer pela direita, o marroquino no centro e Inácio voltar à esquerda. Não me parece que a questão das rotinas recentes deva prevalecer sobre o maior à vontade que os jogadores têm em certas posições, razão pela qual a solução de Neto entrar directamente para o centro (posição natural de Coates) parece-me pouco concretizável. Aliás, Neto tem vindo sempre a ser utilizado como central pela direita. E o Leitor? Como perspectiva o que Amorim virá a fazer?

17
Mar21

0 seu a seu dono


Pedro Azevedo

Para que fique claro, todo o imbróglio à volta do "caso Palhinha" deriva de duas situações:

1) O árbitro não se mostrou à altura do seu ofício quando se precipitou e tirou apressadamente do bolso o cartão amarelo. A prová-lo o facto de, posteriormente, ter alegado que o seu ângulo de observação não era o melhor, o que deixa a questão da razão pela qual um árbitro internacional, e como tal experiente, não teve a frieza de espírito de em campo consultar o seu auxiliar, esse sim com uma visão privilegiada (jogadores de frente para si) do lance em discussão.

2) A posterior admissão pública do erro por parte do árbitro seria perfeitamente inócua em sede de justiça desportiva caso o Sporting não tivesse recorrido para o TAD e, dada a impossibilidade deste de decidir em tempo útil, para os tribunais (providência cautelar), facto que não poderia deixar de ser do conhecimento do árbitro aquando da sua declaração pública. Tratou-se assim de um lavar de mãos como Pilatos, deixando a batata quente para o Conselho de Disciplina (este só teria tomado uma decisão diferente caso o árbitro no relatório tivesse indicado não ter visibilidade perfeita do lance, algo que aliás não alegou na medida em que não tinha qualquer obstáculo à visão do lance, os jogadores não estavam era de frente para si). Este só fica mal visto junto da opinião pública devido ao procedimento que tinha montado, o qual não lhe permitia ouvir o árbitro (o relatório não é suposto narrar uma versão diferente daquela que o árbitro "viu" no campo, pois não é suposto incluir o visionamento de imagens televisivas), provavelmente a fim de não criar um precedente de sucessivos recursos que pusessem em causa a celeridade da justiça desportiva em matéria de aplicação do regulamento disciplinar. Ora, pesando os dois pratos da balança, ainda assim penso dever ser sempre de fazer prevalecer a verdade desportiva, ainda que não seja completamente certo que futuramente todos os árbitros instados a se pronunciar em matéria que possa conduzir a despenalizações venham a ter tal como prioridade mediante eventuais pressões mediáticas (directores de comunicação, nomeadamente) a que estejam sujeitos. Adicionalmente, ao contrário do que já li por aí, o TAD não foi sensível à alegação feita pelo Sporting de que o jogador Palhinha não foi ouvido, mas sim ao facto de o árbitro ter publicamente reconhecido o erro (ainda que isso perante as antigas regras do CD fosse, repito, inócuo).  

 

À boa maneira portuguesa, o árbitro, que cometeu o pecado original, está aí a apitar sem consequências de maior. Não foi para a "jarra", pelo contrário apitou logo uma série de jogos de seguida, sinal inequívoco da confiança que merece para o Conselho de Arbitragem. Em oposição, sobrou para Cláudia Santos o ónus da ira popular. Quanto ao Sporting, aproveitou bem os mecanismos jurídicos à sua disposição, defendendo os seus direitos e os do seu jogador. O TAD decidiu bem, dando prioridade à verdade desportiva e considerando a opinião posterior do árbitro.

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15
Mar21

Histórias de Sporting

Fernando Mamede


Pedro Azevedo

Se Descartes foi o mestre que no seu tempo nos indicou a razão como única via segura para o conhecimento do mundo, Mamede involuntariamente aos nossos olhos surgiu como a cobaia que demonstrava que o processamento das emoções podia alterar a percepção da realidade e impactar com o somático até ao ponto de o bloquear. Dueto aparentemente improvável, mas com muito mais a ligá-los do que à primeira vista seria imaginável, ambos partiam do "penso", mas depois divergiam entre o "existo" do francês e o "desisto" do português. Caminhos diferentes, como se duas rectas paralelas se tratassem, e que no entanto num certo ponto se encontrariam. No infinito, como reza a geometria descritiva, para o efeito localizado em Estocolmo. Pelo menos para Descartes, que na capital sueca encontrou a eternidade enquanto trabalhava para a rainha Cristina. E se em Estocolmo se pode dizer, usando de alguma liberdade poética, que morreu a razão, também aí (re)nasceu a emoção de ser português quando Mamede bateu o recorde mundial dos 10 000 metros e entrou definitivamente para a história do atletismo mundial. (Ou como deixar de pensar pode ser uma forma de sublimar a existência.)

 

Vi sempre no Fernando Mamede um excelente atleta e um homem bom. E sempre pensei que o fardo que ele transportava dos seus fantasmas pessoais já era suficientemente pesado para que ainda o fosse sobrecarregar com a factura de uma madrugada mal dormida de Los Angeles. O Mamede tanto me fascinava como me inquietava. Tinha a resistência de um queniano e a velocidade de um jamaicano, o que lhe permitia aguentar o ritmo de um super-atleta como o Carlos Lopes para na última volta lhe fugir como um foguete. E mostrava-o. Na pista. Em competições nacionais. Em meetings internacionais. Aí não havia Lopes, Cova, quenianos ou etíopes que o conseguissem parar. E o nosso querido Professor Moniz Pereira sabia-o como ninguém. O pior acontecia nas grandes competições de atletismo, em jogos olímpicos, mundiais ou europeus. Então o seu corpo sofria um "shut-down" e era vê-lo desde as primeiras voltas na cauda do pelotão, à espera de encontrar a porta certa por onde fugir ao pesadelo vivido no estádio. Vendo-o nesse transe, já não se fazia de decepção o sentimento de um português. E quando a imprensa, que o achincalhava após cada nova desilusão, lhe arrancava palavra polémica, qualquer potencial ira nossa era trocada pela comiseração. No fundo, ele era um de nós, com as nossas fraquezas, o nosso medo de vencer. O outro, o Lopes, era de outro planeta. Adoptavamo-lo porque nos dava pedigree, mas até nos causava desconforto por mais realçar a nossa fragilidade. Com aquela inquebrantável confiança? Com aquela mentalidade de aço? Não, não podia ser um dos nossos. Mas era. (Grande Lopes, meu ídolo, fundista completo e campeão!!!)

 

Um dia um amigo chamou-me para conhecer o Mamede. Apresentou-se-me inconsolável, de lágrimas a escorrerem-lhe incontrolavelmente pela face. Havia estado minutos antes com um antigo presidente do Sporting e o estado de saúde debilitado deste ainda o perturbava. Senti-me esmagado pela sua sensibilidade, grandeza de alma. Lembrei-me então de 1987 e de um campeonato nacional de corta-mato disputado já na recta final da sua carreira. Nesse dia Mamede estava imparável. Não havia Regalo ou Pinto que o alcançassem. Passada após passada, volta após volta ao circuito, o seu avanço ia criando um fosso cada vez maior para o seus adversários. Entramos então na última volta e, subitamente, vejo-o a abrandar e olhar para trás e para o lado, preocupação inusitada para quem sabia ter a corrida perfeitamente controlada, com a meta à vista. E então entendo tudo: Dionísio Castro, um dos jovens e promissores gémeos Castro recentemente chegados a Alvalade, isolara-se na segunda posição e Mamede localizara-o no cotovelo oposto de um percurso com o seu quê de serpenteante e decidira esperar por ele. E assim viria a acontecer, com Mamede esperando largos segundos para que ele e Dionísio atravessassem a meta de mão dada, assim ainda mais realçando o domínio do Sporting. No fim até foi o Dionísio que acabou por ser declarado vencedor, mas o Mamede não ficou nada incomodado com a situação. O seu rosto apenas irradiava a satisfação de ter contribuído para a afirmação do clube do seu coração e, simultaneamente, haver ajudado o jovem colega a subir ao patamar da fama, mal sabendo aí que essa viria a ser a única vitória, e como tal ainda mais significativa, da carreira do Dionísio no Nacional de Crosse. Nesse dia, com a sua nobre atitude, com a sua generosidade, o Mamede foi o mais campeão dos campeões, razão pela qual o relembro aqui.

 

Nota: Fernando Mamede, nascido em Beja, chegou ao Sporting com 17 anos. Aí permaneceu por mais de 20 anos, ganhando 6 Campeonatos de Portugal em pista e 6 Campeonatos Nacionais de Corta-mato. Foi recordista nacional dos 4x400m, 800m, 1500m, 5000m e 10000m, entre muitas outras especialidades não-olímpicas. Recordista europeu dos 10000m por 3 vezes e recordista mundial dos 10000m, a sua única medalha individual em grandes competições acabou por ser o bronze no Campeonato do Mundo de Crosse de 1981. Com o Sporting sagrou-se por 9 vezes campeão europeu de corta-mato de clubes, em duas delas ganhando a prova individualmente.

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14
Mar21

Tudo ao molho e fé em Deus

“Inimigo” invisível


Pedro Azevedo

Uma pessoa olha para as primeiras imagens emitidas directamente do Regimento de Milícias de Tondela e começa logo a interrogar-se sobre a forma como se deve combater um "inimigo" que não se vê. É que aparentemente estavam só 11 jogadores do Sporting em cima do terreno do jogo, mas os tondelenses haviam vestido camuflado, preparado uma emboscada e agora camaleonicamente confundiam-se com a vegetação enquanto aguardavam o início das hostilidades. Não os víamos, mas sentíamos que eles estavam lá, ou anos e anos de sistema do futebol português não nos tivessem já suficientemente desenvolvido a intuição (e a visão noturna). O mote estava traçado, a estratégia deles passava por extrema mobilidade oculta, íamos ter uma luta de guerrilha. Instintivamente pensei que o tempo da camisola, calções, botas e caneleiras já era e o jogador do futuro equiparia com capacete binocular de infravermelhos e assim. Veio-me logo à cabeça o Platoon e imaginei o filho do Martin Sheen a fumar umas cenas e a pensar no White Rabbit que seria preciso tirar da cartola para ganhar o jogo. (Mais tarde na carreira o rapaz dedicar-se-ia mesmo a da cartola tirar coelhinhas... da Playboy.)

 

Rapidamente se percebeu que os Beir'altacongs queriam-nos meter a encher chouriços, atar e pôr no fumeiro. As nossas movimentações eram constantemente vigiadas, o que nos colocava num espartilho. E não tínhamos quem conseguisse saltar as trincheiras que os tondelenses haviam montado com snipers como linha de defesa ao longo do terreno. Entretanto, desperdiçámos ingloriamente 45 minutos a tentá-lo com as mesmíssimas soluções ("I'm sitting on the dock of the bay, watching the tide roll away, ooh I'm just sitting on the dock of the bay, wasting time..."). Do meio campo para a frente os únicos homens com poder de choque eram Palhinha e TT, mas estes não são propriamente criativos, pelo que pensei que as entradas ao intervalo de Jovane e de Matheus Nunes poderiam complementar essas outras duas unidades, juntando mais força física a velocidade, imprevisibilidade e capacidade de ultrapassar linhas. Mas não, voltámos exactamente com o mesmo onze. E a primeira alteração também não foi de ruptura com o andamento do jogo, visando mais posse de bola e passe à distância quando este jogo específico estava a pedir essencialmente capacidade de penetração e dinamite. Obviamente, não resultou. Por essa altura já eu andava a ouvir o Adagio e com tendência para passar ao original do Albinoni , aquele que o Morrison escolheu para o seu "An American Prayer". O jogo continuou exactamente no mesmo enervante rame-rame até que Tabata e Jovane finalmente o conseguiram agitar. Nomeadamente o cabo-verdiano, que se posicionou mais perto de TT e obrigou os beirões a dispersarem atenções. E de uma bola recuperada por Jovane à entrada da área viria a resultar o envolvimento que permitiria a Pote assistir TT para o golo da vitória. 

 

O Sporting cumpriu com o essencial dos 3 pontos. No entanto, independentemente da inquestionável valia dos nossos jogadores, hoje não foi nada claro que tivéssemos escolhido o onze mais adaptado às circunstâncias que fomos encontrar em Tondela (não é com "Bolshoi" que se ataca "Hanói"). Mas ganhámos, e isso nunca defrauda ninguém, logo em princípio não deverá ser alvo de processo por parte da Comissão de Inquisidores, perdão, de Instrutores da Liga. Em princípio. R-E-S-P-E-C-T!

 

Tenor "Tudo ao molho...": TT. Uma palavra de apreço para a forma como defendemos. Noutros tempos, um falhanço como o de Feddal geraria logo o pânico e seria um golo certo. Hoje em dia não. E porquê? Porque os restantes jogadores sabem exactamente como colectivamente se posicionar e que linhas de passe encurtar. E isso é muito trabalho de treinador e da sua equipa técnica, sem desprimor pela forma como os jogadores apreenderam rapidamente os conceitos, que isto de atrás não deixar ninguém entregue à sua sorte tem muito que se lhe diga. Assim, podemos não impressionar ofensivamente, mas esta equipa continua a ser muito difícil de bater. E isso é meio-caminho andado para o sucesso.  

P.S. Retalhos da vida do futebol português: o João Pereira no Sporting nem precisa de jogar para apanhar vermelhos. Quando estava do outro lado da Segunda Circular, o Hugo Viana é que nem precisava de lhe tocar para ver um vermelho. Ah, e o pisão no pé do Tiago Tomás? Lá por o homem ser TT não quer dizer que valha tudo, não é? 

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12
Mar21

O ciclismo e o Sporting


Pedro Azevedo

O Sporting deve muito da sua implantação popular ao ciclismo. Era um tempo em que o país não tinha grandes infraestruturas, os acessos às principais metrópoles faziam-se com grande dificuldade, não havia televisão e as notícias do Sporting chegavam ocasionalmente via rádio ou através dos jornais. Mas faltava aquela ligação emocional que decorreria de ver as cores verde-e-brancas ao vivo. Com o ciclismo, e nomeadamente com o advento da Volta a Portugal em bicicleta, o Sporting passou a bater à porta de toda a gente, no litoral como no interior. Ainda não havia um movimento migratório para a capital tão pronunciado como nos dias de hoje, pelo que os ciclistas enfrentavam verdadeiros banhos de multidão nas diversas regiões do país. Disso se fez muito do fascínio pelo clube. 

 

O nosso primeiro grande campeão foi Alfredo Trindade. Para apimentar ainda mais a coisa, o Benfica também tinha por esse tempo um ciclista de grande valor (José Maria Nicolau), pelo que Sporting e Benfica viriam a colher um aumento da sua base de adeptos na directa proporcionalidade da rivalidade que se foi semeando entre ambos os ciclistas. Terminados os anos 30, a década seguinte trouxe-nos mais 2 campeões: José Albuquerque, "o Faísca", e Francisco Inácio. A década de 50 foi de seca para o ciclismo leonino, período dominado por dois grandes campeões do norte, Ribeiro da Silva (Académico) e Alves Barbosa (Sangalhos), ambos com presenças relevantes em grandes voltas internacionais (4º lugar de Ribeiro da Silva na Vuelta, 10ª posição de Alves Barbosa no Tour). Chegámos então aos anos 60, o nascimento de um grande campeão. O Sporting começara por ganhar a Volta com João Roque. Este, habituado a treinar na zona saloia, um dia deparou-se com um jovem montado numa pasteleira que ia respondendo ao seu progressivo aumento de ritmo sem mostrar sinais de dificuldade. Intrigado, acabou por o convidar para um treino em Alvalade. Nascia assim a lenda de Joaquim Agostinho, começo tardio para um homem na altura nos seus 25 anos e que não tinha técnica velocipédica. Porém, o que faltava em formação específica compensava em força bruta, tal era a potência em watts que o seu corpo conseguia desenvolver. Com estas características singulares, Agostinho viria a marcar um reinado em Portugal. Logo na sua primeira Volta, em 68, perdeu a vitória final apenas porque a equipa investiu até tarde demais em Leonel Miranda como chefe-de-fila. Resultado: Américo da Silva (Benfica) ganhou e Miranda fez só terceiro. Agostinho terminou em segundo. No ano seguinte viria a vencer, tal aliás como nos 4 anos seguintes. Porém, tanto no primeiro como no último ano seria desclassificado. Não que alguma vez tivesse precisado de doping, tão claro era o seu domínio. A comprová-lo, o 8º lugar na estreia no Tour (69), a melhor classificação até aí de um ciclista português na mítica prova francesa. 1973 viria a marcar a sua despedida da Volta, mas o Sporting muito lhe pode agradecer o fortíssimo crescimento de adeptos em zonas como Loures, Malveira e Torres Vedras, tornando a zona a noroeste de Lisboa um baluarte de Sportinguismo. 

 

Pós-revolução o Sporting terminou e fez regressar a secção de ciclismo em diversas ocasiões. O período mais brilhante terá sido aquele em que Marco Chagas venceu por duas vezes a Volta (85 e 86), uma pequena compensação para a tristeza vivida por todos os Sportinguistas aquando do falecimento de Agostinho, o campeão que voltou e acabou por em circunstâncias trágicas cair de pé, morrendo de amarelo vestido.   

 

Infelizmente, o ciclismo de hoje em Portugal não atrai público como no passado. Existem diversas razões para isso, desde o despovoamento do interior à concorrência de outros eventos desportivos, passando pela ausência de um grande e carismático campeão no pelotão nacional e não-participação dos melhores ciclistas do pelotão internacional nas nossas provas (excepto Volta ao Algarve). Curiosamente, o ciclismo internacional não para de crescer mediaticamente, com a televisão a cumprir um importante papel de divulgação da modalidade e a apresentar-nos imagens apaixonantes das mais importantes etapas de montanha das grandes voltas velocipédicas. No entanto, não deixamos de assistir à festa que as pessoas continuam a fazer na estradas. 

 

Sendo o nível do ciclismo praticado em Portugal relativamente baixo, é natural que algum desinteresse se tenha apoderado junto dos aficcionados. Daí o menor impacto mediático. Ainda assim é justo destacar que Raul Alarcon, do W52/FC Porto, por anomalias registadas no seu passaporte biológico foi desclassificado como vencedor da Volta a Portugal de 2018. Assim, Joni Brandão, do Sporting/CC Tavira, será declarado brevemente vencedor dessa edição, obtendo assim a 10ª vitória individual do ciclismo do Sporting na prova maior do calendário velocipédico nacional. Um triunfo a título póstumo dir-se-á, no que concerne estritamente ao ciclismo do Sporting (que o Joni Brandão felizmente está de boa saúde). 

 

Não existem clubes de primeiro plano no futebol em competições velocipédicas. Há uma boa razão para isso e prende-se com as elevadas verbas que já são necessárias para manter uma equipa no World Tour. Obviamente, os resultados obtidos e a exposição em frente das câmaras traz retorno, mas esse é muito mais facilmente mesurável para uma empresa do que para um clube. Ainda assim, que não seja essa a razão. No meu entendimento o Sporting só deve voltar ao ciclismo caso consiga montar um orçamento apoiado em fortes patrocinadores que nos permita competir no estrangeiro e mostrar a nossa camisola nos ecrãs do Eurosport, canal preferencial do melhor ciclismo que se pratica no mundo. Só assim simultaneamente se dará retorno a quem investe e se cumprirá o desígnio do nosso fundador de ter o clube entre os maiores da Europa Adicionalmente, será necessário que as melhorias que se vêm verificando na formação de ciclistas em Portugal continuem a bom ritmo de forma a podermos ter um recrutamento em qualidade no país e com um preço ainda acessível. Trinta e seis anos após a morte de Agostinho, finalmente apareceu um ciclista especialista em provas de 3 semanas. Chama-se João Almeida e é a grande esperança de todos os amantes do ciclismo em Portugal. Sonhamos vê-lo a competir com os canibais Roglic e Pogacar e a subir aos degraus de pódio nos grandes certames por etapas. A loucura que por cá se viveu aquando da sua participação no Giro d'Itália foi a prova inequívoca de que a paixão pelo ciclismo não morreu, está bem viva. Falta tudo o resto. 

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11
Mar21

Parabéns, Monsieur Boloni!!!


Pedro Azevedo

Monsieur Boloni, treinador do último campeonato conquistado pelo Sporting, completa hoje 68 anos. Para além do título nacional, a que aliás adicionou a conquista da Taça de Portugal (e da Supertaça, no arranque do ano seguinte), László Boloni destacou-se pelo lançamento dos jovens Ricardo Quaresma, Hugo Viana e Cristiano Ronaldo. Homem de grande dedicação ao presente e compromisso com o futuro do clube, Boloni viveu depois um período difícil em Alvalade quando a desestabilização provocada pelo empresário José Veiga deixou severas marcas no nosso goleador Mário Jardel. Ai voltou a revelar-se a nobreza do seu carácter, exorbitando em muito as suas competências face às circunstâncias que estavam a minar o leão. Nesse período foi ama-seca de Jardel com a mesma naturalidade com que apostava coca-colas nos treinos com o então muito jovem Yannick Djaló, um jogador cuja velocidade sempre o fascinou e em quem depositava a esperança de vir a moldar para suceder ao trio supramencionado. Sempre mais preocupado com o clube do que com a sua própria imagem, nunca deixou cair a toalha, mostrando uma dedicação digna do apreço de todos os Sportinguistas. Simultaneamente, a todos evidenciou os seus dotes de artesão de diamantes em bruto, domando o Mustang, melhorando a decisão e o compromisso defensivo de Viana ou apurando as qualidades atléticas do Goat, jogadores que o Sporting viria a vender nos melhores marcados europeus (Espanha e Inglaterra). Foi por isso não só um treinador vitorioso do ponto de vista desportivo como também muito importante para as finanças do clube, o que nem sempre lhe terá merecido o devido realce por parte de dirigentes, sócios e adeptos do clube. 

 

Nascido na Transilvânia, fronteira entre a Roménia e a Hungria, foi um grande centrocampista da selecção romena (mais de 100 jogos disputados) e do Steaua de Bucareste, equipa com que se viria a sagrar campeão europeu. Emigrou depois para a Bélgica - primeiro jogador a ser autorizado a sair do país no tempo do ditador Ceausescu - e mais tarde para França, país onde iniciou a carreira de treinador nas camadas jovens do Nancy, clube formador por natureza, célebre por ter apresentado Michel Platini ao mundo do futebol. Aí tornar-se-ia primeiro Director do Centro de Formação e posteriormente treinador principal. Com a queda do regime na Roménia, acabaria por aceitar regressar para orientar a sua selecção. Seguir-se-ia então o Sporting, clube a quem endereçou a então grande promessa Marius Niculae. 

 

Dotado de uma grande capacidade de organização do trabalho, Boloni foi claramente um indivíduo que acrescentou valor ao projecto do clube. Infelizmente, os maus resultados averbados no segundo ano acabariam por ditar a quebra da relação. Na minha recordação ficou para sempre um ser humano de personalidade austera, um pouco rígido até, características certamente moldadas por um regime totalitário, mas que se dedicou de corpo e alma e tinha uma visão clara para o futuro do Sporting. Um homem-projecto que ainda assim conseguiu importantes resultados desportivos na sua passagem por Alvalade. (Ahhh!, e era dotado de um peculiar sentido de humor, característica que só emergia em momentos muito particulares.)

 

Parabéns, Monsieur Boloni. E obrigado para sempre pela sua extrema dedicação e profissionalismo.

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11
Mar21

Lost in translation


Pedro Azevedo

Esta CI da Liga denomina-se Comissão de Instrutores ou Comissão de Inquisidores?

 

Tendo em conta a observância em média de um evento por mês relacionado com o Sporting, não sei se devo circunscrever este tipo de sinal que a CI ciclicamente transmite ao Conselho de Disciplina da FPF no âmbito da convolação ou da... ovulação. Temo porém que os actos não estejam a ser praticados em segurança e que venham a traduzir-se em abortos (jurídicos) quando devidamente apreciados pelos tribunais comuns.

10
Mar21

A aritmética do campeonato


Pedro Azevedo

pontuação máxima.png

campeonato a 4.png

Cenário Limite 1: Sporting ganha os jogos com Braga e Benfica

sporting vence.png

Cenário Limite 2: Braga vence Sporting e Benfica

braga vence.png

Cenário Limite 3: Porto vence Benfica

porto vence.png

Cenário Limite 4: Benfica vence Braga, Porto e Sporting

benfica vence.png

Worst Case Scenario para o Sporting: perde com Braga e Benfica

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Não esquecer que entre Braga, Porto e Benfica só 1 no melhor cenário possível poderá amealhar o máximo de pontos possível definido na tabela. Para ser campeão com toda a certeza o Sporting precisará de fazer 86 pontos, o que significa que tem uma pequena margem de 1 empate nos restantes jogos do campeonato (admitindo o worst-case-scenario conjugado de perder com Braga e Benfica e o Braga vencer todos os seus jogos até ao fim).

 

Faltam disputar 4 jogos entre os 4 primeiros classificados. A saber (por ordem cronológica): Braga-Benfica, Braga-Sporting, Benfica-Porto e Benfica-Sporting. Havendo 4 jogos, cada um com 3 resultados possíveis, existem 81 combinações possíveis de resultados entre eles, o que seria exaustivo elencar aqui. Assim, optei por apenas considerar cenários limite. 

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