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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

19
Out22

As causas das coisas


Pedro Azevedo

Quando se fala do actual momento da equipa de futebol do Sporting é possível fazer uma súmula das principais críticas efectuadas por sócios e adeptos. Estas são: 1) A protecção que alegadamente Amorim dá a certos jogadores do plantel; 2) A ausência de um ponta de lança matador; 3) A falta de aposta na Formação; 4) A venda não devidamente compensada (desportivamente) de Matheus Nunes; 5) A menor qualidade dos reforços; 6) A imutabilidade do sistema táctico. 

 

A meu ver as críticas fazem sentido nos 4 primeiros pontos, são apenas em parte justificadas no ponto 5 e duvido que tenham nexo de causalidade no 6º ponto. Adicionalmente, creio haver um 7º ponto, que correlaciona com o 4º, não tão falado e que eventualmente estará a ter mais peso nos resultados e exibições que quaisquer dos outros comumente apontados por sócios e adeptos. 

 

Vou passar a explicar: é certo que a insistência em Esgaio e Paulinho parece carecer de meritocracia. O lateral/ala tem cometido arros sucessivos (Braga, Boavista, Santa Clara, Marselha cá e lá...) que na sua esmagadora maioria custaram pontos e o ponta de lança ainda só marcou 1 golo (ainda que importante, contra o Tottenham) desde o início da época. Se no caso de Esgaio tal mais realça o enigma do empréstimo do jovem Gonçalo Esteves ao Estoril (ainda mais sabendo-se do histórico de lesões musculares de Porro), no que concerne a Paulinho questiona-se a razão pela qual a ida ao mercado para buscar uma alternativa não foi equacionada. Poderia ter sido para dar oportunidades a Rodrigo Ribeiro, mas não, pelo que num e noutro caso emerge a falta de aposta na Formação: não só o jovem e promissor lateral/ala deixou o plantel como a única alternativa a Paulinho (Rodrigo Ribeiro) não tem tido possibilidade de jogar. Rúben alega que o momento não é o melhor para lançar jovens, mas sendo o momento de uma equipa uma situação imprevisível no mundo do futebol pergunta-se porque então foi entendido ser Rodrigo a única alternativa a Paulinho. É-se alternativa para nunca jogar? Claro, pode sempre invocar-se a opção pelo ataque móvel como justificação, mas no ponto 7 procurarei explicar que essa opção trouxe mais inconvenientes que vantagens à equipa do Sporting. Ainda no que respeita aos jovens, só à luz de pura propaganda se entende a aposta não continuada em Dario Essugo ocorrido na época passada. Já no que se refere a Mateus Fernandes é difícil de perceber o motivo de ainda não ter sido opção, dado o actual elenco de médios. (Uma nota: Rúben diz que o momento não é o melhor para lançar jovens, mas curiosamente a única oportunidade que concedeu a Rodrigo Ribeiro ocorreu quando o Sporting já perdia por 2 a 0, em casa, contra o Chaves.) Esta tergiversão no que respeita à Formação, bem como a insistência no mesmo ponta de lança e a protecção a jogadores "preferidos", tem tido impacto nos resultados desportivos. Mas, mais até do que nos resultados, tem tido repercussão no estado de espírito de sócios e adeptos, o que faz com que o que ontem seria impensável (haver já quem veja o treinador mais como um problema do que como uma solução) hoje esteja a ser equacionado. Do meu ponto-de-vista precipitadamente, até porque não trocaria um treinador que ainda recentemente nos deu um campeonato e mostrou consistência numa segunda época completa por outro (Abel Ferreira) que pode ter ganho duas Libertadores e vir a ser campeão brasileiro esta época mas não me dá a garantia de triunfos similares no Sporting. Além disso, se li bem o que se tem passado, o que está mais a constrangir a equipa nem é da responsabilidade directa de Rúben. Passo a explicar: para mim, a saída de Matheus Nunes, pelo que individualmente valia e pela compatibilidade com o jogo da equipa/características dos colegas, não foi devidamente colmatada e está na origem directa de um jogo ofensivamente arrastado e sem acelerações e de uma maior exposição dos nossos defesas. Não é que Morita não tenha imensa qualidade (e aqui entramos no tema dos reforços), mas embora partilhe com o luso-brasileiro a técnica apurada não tem o motor nem a presença física deste. Já o jovem grego (Alexandropoulos) tem apenas o transporte de bola em comum com Matheus, pois fica bastante aquém na capacidade técnica (passe, recepção, remate, drible), explosão no arrranque (Matheus era especialmente imprevisível quando recebia de costas para a baliza adversária, rodando com igual facilidade para a esquerda ou direita) e decisão (timing de largar a bola). St Juste é um central com técnica e velocidade, qualidades que lhe permitiriam facilmente ocupar a posição de lateral. Infelizmente, cada vez mais se assemelha a um homem de cristal (lembram-se do Jeffren?) e a gestão do seu estado físico aparenta ser pouco coerente. (Apressa-se o seu regresso para depois numa perspectiva conservadora jogar o mínimo de tempo possível e ser substituído, mas muitas vezes nem a perspectiva conservadora o salva e sai novamente lesionado.) Depois há o Edwards, que é claramente o malabarista desta equipa, um jogador com grandes recursos ofensivos mas com carências que explorarei no tal 7º ponto. O inglês destaca-se de Trincão por jogar de cabeça levantada, ter um drible mais imprevisível e uma melhor decisão. Com Edwards e Trincão na equipa, Fatawu parece redundante. E ainda chegou Arthur, que impressionou no pouco tempo que esteve em campo com o Tottenham e só voltou a jogar com o Santa Clara, desaparecendo depois. Quantos aos outros, o Marsá pode vir a fazer a diferença, o Israel nem tanto. Em resumo, não creio que globalmente os reforços sejam maus. Por exemplo, o Morita é um excelente jogador de futebol e o Edwards é um extraordinário jogador de bola (futebol de rua), a precisar de mais compromisso com a equipa e o jogo. O St Juste sem lesões será muito útil e o Marsá tem uma saída de bola que impressiona. Outros há que parecem não aquecer nem arrefecer, sendo de questionar se não haveria na Formação igual ou melhor. Já Trincão não tem justificado até agora o racional da sua contratação, seja em termos absolutos ou por via da comparação com Sarabia.   

 

A alegada imutabilidade do sistema táctico muitas críticas tem valido a Rúben Amorim. Mas aqui estou com ele. Os sócios e adeptos dizem não haver um Plano B, mas a verdade é que já vi o Sporting terminar a jogar em 3-2-5, o célebre WM (exemplo: Gil Vicente, em casa, no ano do título). Além disso, várias nuances têm vindo a ser adicionadas ao nosso tradicional 3-4-3: Paulinho chegou a jogar a partir da esquerda com Slimani no meio, a lembrar o que Mourinho fez com Derlei e McCarthy  no Porto campeão europeu; Matheus passou para a meia-esquerda e Pote ficou a jogar de perfil com Palhinha; a dado momento da época passada houve uma clara intenção de dar mais dinâmica atacante à equipa, com Amorim a preterir Palhinha em detrimento de Ugarte. Em todas essas alterações notou-se a preocupação de Amorim em melhorar a equipa e/ou torná-la menos previsível, porém nem sempre resultaram. (Ainda hoje não sei se não teríamos ganho o campeonato, se o Matheus tem continuado a jogar a partir do centro e não derivado mais para a esquerda.) De notar que com o plantel actual o 4-3-3, o 3-5-2 ou mesmo o 4-4-2 seriam sistemas ainda mais desadequados a um único ponta de lança e com as características de Paulinho. Por fim, cumpre lembrar a todos os  que gostam de mudanças de sistema operadas durante os jogos que o nosso antigo treinador, Silas, mudava de sistema como quem substitui um jogador. Com os resultados conhecidos... (E é difícil alterar um sistema à terceira jornada de um campeonato e quando se trabalhou na pré-época a contar que Matheus ficasse e ajudasse a mitigar os possíveis desequilíbrios defensivos que jogadores entretanto adquiridos com menor propensão para pressionar na frente poderiam previsivelmente causar.)

 

Analisados os principais pomos de discórdia, entro agora no tal enigmático ponto 7 que imediatamente desvendarei: defensivamente a equipa comporta-se muito pior do que em 20/21 ou 21/22 por motivos muito concretos. Senão vejamos: o Sporting de 20/21 tinha Sporar como ponta de lança. Ofensivamente falhava golos incríveis, mas defensivamente trabalhava que nem um mouro. O Sporting pressionava muito à frente, no que também Tiago Tomás era bastante útil (e o raçudo Nuno Santos, que nessa era jogava lá na frente, como interior). Depois havia Palhinha, que era um polvo e disfarçava a menor intensidade de João Mário. Este acabava quase sempre substituído por Matheus Nunes, que trazia a força que começava a faltar ao meio-campo e ainda como "plus" marcava golos decisivos como contra o Benfica, em Alvalade (onde foi titular), ou ao Braga (cá e lá). Com a substituição de Sporar por Paulinho e o gradual apagamento de TT, o Sporting começou a ser mais permável defensivamente. Tal pode ser atestado pelo maior número de golos sofridos nessa segunda volta, mas também pelo desempenho na época seguinte. Ainda assim, os números eram perfeitamente razoáveis e dignos de um sério candidato ao título. Todavia, este ano tudo mudou. Para pior. E a meu ver há uma razão para isso. Com o ataque móvel passámos a ter dois dianteiros (Edwards e Tricão) que não defendem, a que acresce um Pote menos lutador que em anos anteriores. Isso poderia ter sido mitigado havendo Palhinha e Matheus Nunes. Ambos porém foram vendidos, o que justifica o mal-estar que Amorim não se coibiu de exibir publicamente. Aliás, em defesa do treinador é preciso dizer que estava bem consciente do desequilíbrio que a saída de Matheus poderia provocar, nomeadamente quando antes da sua saída afirmou preferir manter todos os jogadores a ir ao mercado. Ora, não estando em causa a valia de Ugarte ou de Morita, nenhum deles consegue impôr tanto o corpo, esticar o jogo, desgastar os adversários e regressar á posição inicial (como se estivesse ligado à equipa por um elástico) tantas vezes num jogo como o Matheus Nunes. E se o adversário tem fôlego e encontra menos oposição, então tem a sua vida facilitada, o que é inversamente proporcional à vida da nossa defesa. Acresce que o nosso jogo ofensivo também se tornou mais pastoso após a saída de Matheus, facto aliás reconhecido pelo olho certeiro de vários Leitores deste blogue. É que o Menino do Rio tirava rapidamente a bola da zona de pressão e em duas/três passadas já ameaçava a área contrária. Morita é um belíssimo jogador, mas é mais de passe e menos de transporte, o que significa que tem dificuldade em produzir jogo atacante se não tiver referências de passe, mas Matheus estava num patamar superior. Havia melhorado muito o passe frontal e o remate à baliza (aspectos da "decisão") e conciliava agilidade com técnica irrepreensível e velocidade de condução de bola. Sem ele, hoje em dia há uma inglória sobreutilização dos flancos e dos cruzamentos para um ponta de lança com características mais eufemisticamente ditas de associativas e menos de finalização nata, o qual fica a parecer pior do que é precisamente devido ao menor fluxo de jogo interior (a lentidão no transporte de bola leva ao reposicionamento do adversário e congestão da zona central, restando as alas para tentar criar o desequilíbrio). Por isso digo que a saída de Matheus desestabilizou treinador e equipa e dou mérito ao treinador por imediatamente ter percebido a falta que o Menino do Rio viria a fazer, não esquecendo que se não fosse Rúben o Matheus provavelmente ainda andaria a bater à porta da equipa A (ideia peregrina anunciada por Silas aquando da sua passagem pelo Sporting). 

 

Olhando para todos os aspectos aqui considerados e pensando eu que a serenidade voltará à acção e ao discurso de Rúben, não tenho dúvidas de que apesar da sua quota de responsabilidade na nossa actual crise ainda é o treinador que nos dá mais garantias no presente. E para o futuro, caso retorne a interrompida aposta na Formação. Creio é que os sócios e adeptos estão fartos de assistir a este jogo de espelhos, de fontes luminosas, novas ou pereira de melo citadas por jornais, por onde Direcção e treinador vêm vendendo as suas razões. Entendam-se! (É que os jogadores também assistem a estas coisas e a autoridade de quem os lidera não se pode perder.) 

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17
Out22

Tudo ao molho e fé em Deus

A (des)culpa


Pedro Azevedo

Este fim de semana foi por mim vivido por entre paradoxos vários: ainda mal-refeito de assistir a uma abençoadíssima cerimónia de casamento católico realizada em Meca (freguesia) que se prolongou pelo Sábado adentro, acabei o Domingo a ver o nosso ponta de lança a dar razão a quem defende ser mais um armador de jogo e a assistir para golo... do adversário. No entretanto, li que o responsável pela venda do Matheus Nunes considera que não há sucesso financeiro sem sucesso desportivo, o que me deixou muito mais aliviado. E ouvi o Rúben Amorim dizer que lá para o fim do ano vamos voltar a cantar as janeiras, pré-anunciando a boa-nova da retoma da aposta na Formação (aquela que ao ler o jornal do regime eu julgava já estar a acontecer, com tantos novos "colchoneros" a aparecerem devido aos belos relvados e outra propaganda assim).

 

A minha presença na igreja não deixou de ser aproveitada para reflectir sobre a culpa, essa reminiscência da educação judaico-cristã (e da ética, para quem a pratique mais do que a apregoe) com que crescemos. Por isso, não deixei de achar curioso que na conclusão do fim-de-semana o Rúben Amorim tenha dito que a culpa não vai morrer solteira. Ora, sabendo eu que o Rúben está casado com o Sporting, vi isto como estranho, logo questionando-me sobre o regime de convenção nupcial: terá sido este de comunhão total de bens, de comunhão de adquiridos ou de separação total? É que me parece que no tal jornal do regime anda para aí uma campanha que é capaz de estar a desgastar e desenfocar um bocadinho o treinador, ao ponto de a coisa poder acabar em divórcio. 

 

Por entre o mal-estar causado após o duelo com um clube do terceiro escalão realizado em campo neutro, sobrou uma boa notícia: é que o Paulinho vai ser poupado nos jogos da Taça de Portugal até ao final da época. Entretanto, o presidente falou. E veio dar razão aos que teriam preferido que não tivesse falado. É que sempre que Frederico Varandas fala, algo acontece que imediatamente desactualiza aquilo que deixou expresso, como o facto de não ter dúvidas de irmos lutar até ao fim pela vitória em todas as competições, nós que acabámos de ser eliminados ao "primeiro round" da prova-rainha do futebol português. Por isso, Varandas fala pouco, para não ter de falar ao quadrado ou ao cubo - afinal, o Sporting é uma potência, não é verdade? - para rectificar as afirmações anteriores, o que só demonstra a sua clarividência e a da equipa que o assessoria (as pessoas podem não querer entender, mas é mesmo assim...). 

 

Dizem que o karma é tramado e lembrei-me dessa expressão aquando do golo e especialmente depois do Jovane ter entrado em campo. Principalmente aquando da marcação de um livre directo a nosso favor, nos últimos instantes da partida. Aí o Rúben Amorim levantou-se e disse, alto e a bom som: "Marca o Jovane, o Jovane...". Com a câmara a apanhá-lo nesse flagrante, foi como se a tão proclamada ansiedade do nosso patinho feio se tivesse transferido para a face do nosso treinador e este, ironia do destino, estivesse a apostar todas as fichas no nosso cabo-verdiano, uma espécie de redenção amorinesca em forma de justiça poética. Mas o Jovane não marcou, que esta coisa de arma secreta não resulta tão bem quando já não é secreta, a pólvora está ocasionalmente seca ou o tempo escasseia, e se calhar o melhor é lançá-lo mesmo de início para ver se se põe fim a este tricô-traque que implode mais do que explode com os adversários. 

 

Segundo o que ouvi no final, agora é levantar a cabeça. Espero que o Trincão também tenha ouvido... (Não sei bem porquê, mas desconfio que talvez de cabeça levantada possa observar melhor onde andam os companheiros no campo.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Nuno Santos

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13
Out22

Tudo ao molho e fé em Deus

Atração pelo abismo


Pedro Azevedo

A noite de ontem trouxe-me à memória um velho hábito dos mineiros que consistia em preventivamente transportarem consigo para as minas um canário numa gaiola. Se o pássaro morresse, então tal seria encarado como um sinal cabal de ar rarefeito e recomendaria que se evacuasse imediatamente o local. Na vida também há momentos em que parece que nos falta o oxigénio, mas tal deve-se muitas vezes apenas a termo-nos esquecido de respirar. Como tal, a solução afigura-se simples, só que nem sempre é assim tão fácil. Na minha modesta opinião, Rúben Amorim precisa de respirar, de ganhar afastamento dos problemas e assim mais facilmente encontrar as soluções. Nesses momentos, um bom amigo (o "canário"), um daqueles que nos dizem sempre a verdade nua e crua na cara, pode ajudar. Porque só querem o nosso bem e nos dizem muitas vezes aquilo que não queremos ouvir, o que a carapaça que erguemos como defesa não permite enxergar. Essa carapaça tem a vantagem de reforçar a nossa resistência ou resiliência e o inconveniente de obrigar a sublimar as nossas convicções de uma forma em que ocasionalmente os malfadados orgulho e ego se irão sobrepor à virtuosa auto-estima. Ora, é aí que os verdadeiros amigos nos podem ser muito úteis, porque nos querem bem e nos trazem a perspectiva de quem observa de longe, e portanto de forma não contaminada pelo "ruído", e por isso capta um espectro muito mais alargado do que quem está tão tão de perto, que vê tudo desfocado. 

 

Amorim perde-se em sucessivos erros de casting. Pior, isso cada vez mais repercute-se na deriva da sua comunicação, outrora uma das suas competências mais fortes e aglutinadoras usada com maestria para passar mensagens quer de dentro para fora quer de fora para dentro. Senão vejamos: a propósito da sucessiva insistência em Esgaio, o treinador vem falar-nos de uma massa de adeptos que tem um suposto preconceito contra jogadores provenientes do Braga. Ora, eu já ando neste mundo há tempo suficiente para saber que coisas como essa existem, simplesmente tal não reflecte o sentimento da maioria. E, se não reflecte o sentimento da maioria, não é importante, não deve ser assumido, desde logo porque, se assumido, tomará a nuvem por Juno e terá um efeito Boomerang na tal maioria de adeptos que não têm esse preconceito, logo a mensagem torna-se mais desagregadora que agregadora, ou seja, não deve ser dita ou repetida por não trazer nada de positivo para a união. O que verdadeiramente preocupa os sócios e adeptos não é os jogadores virem do Braga, mas sim o não serem suficientemente bons para o nível do Sporting ou serem demasiado caros face ao seu desempenho no campo e a nossa realidade económico/financeira (a mesma que nos é vendida como justificação para a alienação dos passes de Matheus Nunes ou Palhinha). Além disso, Rúben Amorim comete um erro básico de comunicação quando nos diz que esses jogadores são sua aposta. Porque num plantel de cerca de 25 jogadores todos devem ser sua aposta, e não apenas estes dois. O que leva à legítima interrogação da razão pela qual é tão fácil para o treinador deixar cair um Vinagre ou um Jovane e não um Esgaio ou um Paulinho. Não deveriam ser todos iguais e estar a sua menor ou maior utilização dependente dos méritos demonstrados em campo? E não mereceriam todos por igual a possibilidade de redenção, caso tivessem uma exibição menos conseguida? Porque é que um Jovane, providencial na primeira meia-época de Amorim e instrumental na conquista do seu primeiro título no Sporting (Taça da Liga) e na Supertaça, tem tão poucas oportunidades? Não está o cabo-verdiano liberado pelo departamento médico há mais de 1 semana? Então, porque razão nem para o banco vai, com Amorim simultaneamente a perorar ardilosamente sobre a sua ansiedade, enquanto o mal-recuperado Porro aí tem lugar ainda que sabendo o treinador que só pode fazer 25 minutos? Eu poderia até juntar aqui as recidivas constantes de St Juste ou de Coates e pôr em causa a gestão de esforço e a forma como certos atletas são lançados em competição após lesões, mas volto a focar-me na comunicação: não se concebe que na véspera de uma deslocação a Marselha o treinador reagite a bandeira de um Sporting Europeu para depois conceder o jogo ao fim de 30 minutos. E menos ainda se entende que após admitir, em conferência de imprensa de antevisão do jogo de retorno, que a saída prematura de Edwards em Marselha foi um erro venha um dia depois a repetir a dose. O que nos faz aqui cruzar os erros comunicacionais com os erros tácticos, o terceiro problema. Para além de o nosso jogador mais criativo estar sempre a ser sacrificado e dessa punição nada resultar de bom para a equipa (vidé dois jogos com o Marselha e o jogo com o Santa Clara), também não se entende a razão pela qual Morita saiu precocemente neste último jogo para 13 minutos depois entrar o bem menos competente e experiente Alexandropoulos, uma demonstração de que o treinador se equivocou inicialmente quando operou a primeira substituição. Resistindo sempre a alterar a linha defensiva para 4, o treinador pura e simplesmente entregou os pontos, voltando mais tarde a mexer com a recorrente e incompreensível entrada de Nazinho, como se a bandeira da tardia aposta na Formação o salvasse do disparate ululante para as massas. Nem está em causa o Nazinho, mas não foi o próprio treinador que anunciou que os jovens devem ser lançados com critério? É um bom critério lançar um jovem para a fogueira? E o que se passa com os mais promissores Mateus Fernandes, Essugo ou Rodrigo Ribeiro? Será que o Mister vai continuar a invocar (Amorim dixit) o quão difícil se tornou em dois anos entrar na equipa? Realmente, dado o "altíssimo" rendimento observado a Esgaio ou Paulinho (mas poderia também aqui falar de Pote, a quem parece faltar um banho de humildade no banco ou na bancada), os nossos jovens vão ter de nascer 100 vezes para terem uma oportunidade... (Súbita e inesperadamente, as parecenças com o Mestre da Táctica realçam-se.)

 

Amorim está numa encruzilhada, mas ainda tem o crédito do campeonato nacional que deu aos Sportinguistas. Estes são na sua maioria gratos e não esquecem quem lhes deu alegrias. Mas é importante que o nosso treinador redescubra o caminho. O seu, o nosso, o do Sporting. Por isso, dirijo-me directamente ao treinador para lhe enviar um voto de confiança e uma recomendação: reflicta, procure dialogar com os mais próximos e os que gostam de si e arrepie caminho enquanto é tempo. Ninguém o vai crucificar por erros pontuais, mas por favor não repita erros básicos reiteradamente, é preciso cabeça fria e a noção de que o todo é sempre mais importante que o nosso umbigo. O seu melhor, o melhor de Rúben Amorim foi a melhor coisa que aconteceu ao Sporting nos últimos 20 anos. Esse Rúben dava-nos o presente e o futuro. Reencontre-o dentro de si e faça-nos ( e  a si) felizes de novo. Eu acredito!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Manuel Ugarte (um leão!!!)

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10
Out22

Matemática do título


Pedro Azevedo

À sétima jornada tínhamos um combinado de 26 pontos de atraso em relação a Benfica (11), Braga (9) e Porto (6). Duas jornadas depois, a nossa diferença para este trio diminuiu para 18 pontos, o que é um ritmo encorajador, à custa de 2 pontos ganhos ao Benfica e 6 ao Braga. Não se iluda porém o Leitor, é que a matemática encerra as suas próprias manhosidades. Neste caso, porque agregadamente podemos recuperar todos estes pontos e mais alguns e ainda assim tal não ser o suficiente para ganharmos o campeonato. Basta, por exemplo, que os pontos recuperados em relação a um ou dois dos contendores seja grande. Se o(s) outro(s) contendor(es) não ceder(em) a totalidade dos pontos que leva(m) de dianteira, o título nacional não será possível. 

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09
Out22

Tudo ao molho e fé em Deus

Elegia a Nuno Santos num dia em que Adán deu o que Adán tirou


Pedro Azevedo

Caro Leitor, eu quero reparar aqui a injustiça que tenho cometido com um jogador, iniquidade essa produto de uma mente orientada para valorizar em excesso o génio em detrimento do trabalho. Esta falha, de que me penetencio, teve na sua origem o meu conceito de equipa grande, que sempre associei a jogadores que façam a diferença. E foi aqui que errei, porque não é só a genialidade que faz a diferença, o compromisso com a equipa e a não aceitação da derrota também têm de ser características diferenciadores em quem vista a camisola verde-e-branca. Por isso, hoje venho aqui em modo de elegia a um jogador. Não, não se trata de Adán, de quem nunca duvidei das qualidades (bem como dos defeitos), que ontem foi o melhor em campo e o garante dos 3 pontos que trouxemos dos Açores. Não, o jogador de que Vos quero falar, de quem já Vos devia ter falado há muito tempo e justamente enaltecido aqui é o Nuno Santos. Mas hoje vou reparar este meu descuido. A verdade é que se estivessemos em guerra e eu alistado numa qualquer fileira em prol da lusa pátria e me entregassem uma missão quase suicidária e de baixa probabilidade de sobrevivência para a qual teria de nomear um combatente para me ajudar eu escolheria o Nuno Santos. E escolheria bem, porque sei que ele daria tudo para vencer, nunca se resignaria à sua sorte. Como pude subvalorizar isto ao longo destes últimos 2 anos e meio é que não sei, ou melhor, até sei e já o expressei em cima. Por isso é que desde cedo admirei o Matheus Nunes - até chegar ao Liverpool, um desperdício imenso de talento neste purgatório que constitui os Wolves (qualquer dúvida, recomendo visionamento de um lance ocorrido aos 20 minutos da partida de ontem em Stanford Bridge), ele que tanto nos poderia ter ajudado até ao Mercado de Inverno - e o Pote, como hoje valorizo o Edwards ou o Morita, tudo jogadores de uma classe à parte. Mas depois há o Nuno Santos, que é sólido, fiável e competente. Eu sei, pode não ter a estética de um bólide italiano, mas é seguro como um familiar alemão. Falando de teutónicos, diria até que não há um jogador tão germano como ele no futebol português desde os tempos de Maniche. Senão atente-se: ele recebe bem, passa bem (até de letra), chuta bem e tem uma mentalidade vencedora. Ok, não é inventivo nos dribles, não deslumbra no 1x1, não se perde em rodriguinhos para a bancada e para quem confunda habilidade com técnica até pode passar despercebido. Mas numa equipa onde muitos se acham melhores do que verdadeiramente o são, dá sempre jeito ter alguém que é muito melhor do que o olho mal treinado pode observar. E isso é tão válido para o Sporting como para a nossa Selecção, que talvez precise de gente pouco aburguesada e ainda com muita fome de ganhar. Porque uma equipa campeã também se faz desta massa que lhe dá consistência. Por isso, será bom não esquecer que por detrás de cada Pirlo há um Gattuso, por cada Figo ou Zidane um Makelele, por cada Ronaldo um Casemiro. E essa é tanto a essência do futebol como da própria vida.  

 

Ontem ficámos a dever a vitória a Adán, mas também a Nuno Santos. Porque apesar de o espanhol ter sido um gigante entre os postes, foi a inquietação contra a moleza ou molenguice de um jogador que nos garantiu um segundo golo providencial. Sim, foi de moleza ou molenguice que se viveu no segundo tempo, e não pode haver campeões com esse espírito. Por isso a nossa chama foi ficando cada vez mais pequenina, quase se apagando quando Morita e Edwards foram mal substituídos, valendo-nos na parte final o Bico de Bunsen do Nuno Santos, um homem que parece sempre estar preparado para uma semana de campo a dormir numa tenda, a comer ração e beber de um cantil e a rastejar em cantos lodacentos por baixo do arame farpado. E como de arame farpado vamos estar sempre rodeados, que o diga mais uma exibição para esquecer do melhor árbitro internacional não reconhecido pela FIFA para os seus certames quadrienais, o Nuno Santos altamente recomenda-se. Tenho dito.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Antonio Adán

 

P.S. Gostei muito do St Juste (que até mostrou dotes de poder ser um bom substituto para o Porro), mas ainda anseio pelo dia em que o verei fazer os 90 minutos...

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07
Out22

Obviamente admito-o!


Pedro Azevedo

Nos Açores o titular nas balizas deverá ser o Adán. Por uma simples razão: se a narrativa oficial é a de que a prioridade é o Campeonato, então o espanhol, pese embora o desastre da sua actuação em Marselha e as limitações inerentes ao seu jogo de pés, ainda é o guarda-redes que oferece mais garantias. Logo, deve jogar de início, até porque os sinais deixados por Israel no sul de França estiveram longe de ser animadores. [Aliás, se André Paulo mereceu a confiança de ser contratado e Diego Callai está na forja para vir a ser o guarda-redes de futuro, pouco se entende, na lógica de uma gestão eficiente dos recursos humanos e financeiros, a opção de mercado por um jogador igualmente inexperiente (apesar de já ter 22 anos) e que veio tapar os que já cá estavam.]

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06
Out22

Irritações


Pedro Azevedo

Irrita-me que:

 

1) o Edwards seja sempre o primeiro avançado a sair;

 

2) durante os jogos andemos sistematicamente a trocar de centrais (posição nevrálgica);

 

3) não tenhamos alternativas de qualidade idêntica nas laterais, no meio campo e na posição de guarda-redes;

 

4) tenhamos um ponta de lança que não marca golos e não seja dada uma oportunidade decente a outro que marca (na Youth);

 

5) a equipa não seja consistente e mais solidária no campo como em 20/21 ou 21/22;

 

6) muitas vezes os laterais sejam adaptados a centrais;

 

7) Rúben Amorim cometa alguns erros absolutamente dispensáveis (todavia, para que não fiquem dúvidas sobre a minha posição, continua a ser de longe a melhor coisa que nos aconteceu nas últimas duas décadas);

 

8) a saída de Matheus Nunes ocorrida no início de um ciclo infernal de jogos não tenha sido devidamente colmatada a fim de não se alterarem as rotinas da forma de jogar dos nossos médios/equipa;

 

9) não havendo dois jogadores de valor idêntico para a mesma posição, o suplente não seja um jovem da Formação (e quando é, não é utilizado: ponta de lança);

 

10) haja vacas-sagradas no plantel (e não estamos na Índia);

 

11) não se assuma institucionalmente que nesta época a prioridade foi a área financeira e não a desportiva;

 

12) a atestar pela quantidade anormal de lesões em treinos ou jogos-treino (Bragança, Jovane, St Juste, Adán, Paulinho, Porro), não se jogue sistematicamente de forma tão intensa como aparentemente se treina.

05
Out22

Tudo ao molho e fé em Deus

A Lei da Atra(i)ção


Pedro Azevedo

A Lei da Atração enuncia que os pensamentos das pessoas, conscientes ou inconscientes, ditam a realidade das suas vidas. A actual equipa do Sporting poderia ser uma base científica para a demonstração dessa teoria. Senão vejamos: o Rúben Amorim quer que a bola saia desde trás, de forma a atrair os adversários e criar espaço mais à frente. No seu pensamento, esta experiência será recompensadora e a base de sucesso da sua equipa. Todavia, se um jogador dela duvida, tudo poderá ir pelo cano abaixo. É o caso da Adán. O espanhol tem a sua melhor qualidade na excelência das "manchas" que executa. Porém, jogar com os pés é o seu ponto fraco, a sua grande limitação. Se lhe é pedido algo que em tese seria bom para a equipa, mas que não é adequado às suas características, então o pior poderá acontecer. Ocasionalmente, em catarse, como ontem ocorreu no Vélodrome, de uma forma em que quem quis atrair acabou emboscado nessa mesma atração. No fundo, tal faz sentido com a  nossa história dos últimos 60 anos e poderia ser definido como a Lei da Atração... pelo abismo. Ontem, à beira dele, o Adán deu o passo em frente, como anteriormente o Costinha em Salzburgo, o Dani em Viena, Cintra quando despediu o Robson ou o Carlos Queiroz ao tirar o Paulo Torres no intervalo dos 3-6 em Alvalade. Poderia ter sido diferente? Sim, mas não seria a mesma coisa, ou, pelo menos, o mesmo Sporting, a mesmíssima sina. 

 

Depois, também há outras coisas que não ajudam. Como, por exemplo, existindo até já um precedente no clube, não haver um (ontem) capitão a tirar uma licença sem vencimento. O homem até poderia concorrer a uma Junta (Médica? Aos pés?), ou mesmo à Câmara (da Nazaré), dentro do campo é que, pese a sua boa-vontade, amor ao clube e indiscutível profissionalismo, actualmente constitui um passivo, tão passivo que o pré-reformado Alexis Sanchéz ao pé dele parecia ir de mota. Ora, na vida não devemos ser reféns das nossas escolhas. O que também se aplica ao Paulinho. Principalmente quando acertamos muito mais do que falhamos, o que indubitavelmente é o caso de Rúben Amorim. Por isso talvez fosse melhor reconhecer o erro de emprestar o Gonçalo Esteves ao Estoril e começar a dar minutos a sério ao miúdo Rodrigo Ribeiro (5 golos em 3 jogos na Youth League), apostar efectivamente na Formação. 

 

Também não gostei que tivéssemos desistido do jogo antes dele acabar. Foi o que me ocorreu quando vi o único jogador capaz de segurar a bola e atormentar o adversário ser sacrificado. Com a saída prematura de Edwards, a que se pode adicionar a substituição ao intervalo de Pote, o Sporting abdicou de ousar vencer. E não, ao contrário do que vou lendo por aí, o Buscapoulos não jogou nada (inúmeras perdas de bola), o Nazinho praticamente nem se viu e o Paulinho só se enxergou... no chão. Já o Marsá não me pareceu em nada inferior ao Elevador de St Juste, o qual passa mais tempo em manutenção do que em acção. E depois há um tal francês e de Israel que por acaso até é uruguaio e saiu a um cruzamento com os olhos tão fechados que parecia estar a rezar no Muro das Lamentações. Ora, para lamentações já bastam os últimos 60 anos... Por isso, levantem-se, uma e outra vez, até que os cordeiros (de Deus) voltem a ser Leões!!! [Caso contrário continuaremos a chegar atrasados (sim, não será só o autocarro) ao encontro com a nossa história.]

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcus Edwards

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01
Out22

Tudo ao molho e fé em Deus

A arte do Samurai


Pedro Azevedo

A bola cai perpendicularmente como que orientada por um fio-de-prumo. Espera-se um violento ressalto no solo, mas eis que encontra um pé que a aconchega como uma luva, a afaga com carícia e envolve num ninho que a protege de qualquer tipo de intrusão. Se este movimento encontra eco nas expressões de espanto na bancada, aguarde pelo que imediatamente se lhe seguirá: desse ninho provisório, a bola evade-se com um subtil toque de calcanhar por entre as pernas do predador que a cobiça - "taco" e "cano" em simultâneo - e encontra Pedro Gonçalves que lhe dá conforto e propósito e a anicha definitivamente entre as redes sob vigilância de um galo muito pouco madrugador. Já sabíamos que tínhamos entre nós o Pote de Ouro, mas ontem tivemos a epifania da existência da Galinha dos Ovos (Golos) de Ouro. Haverá melhor definição para a arte de Morita expressa em golos perante os Galos? Acreditam agora que Hidemasa é o super-herói, o Olivier Tsubasa desta manga ilustrada por Mestre Amorim? Só Vos digo o seguinte: por breves segundos tive a ideia de ver Sócrates, o filósofo da Democracia Corinthiana, e o Brasil de 82 em campo. E tudo graças a dois momentos seguidos de sortilégio protagonizados por Mr Hide, a que se poderia juntar um outro instante de génio (toque de calcanhar a pôr a bola jogável a 15 metros) que fez levantar as bancadas de Alvalade. Para além do seu golo, claro.

 

Depois de uma catarse destas que varreu o Gil do campo, é natural que o resto do jogo a pouco mais tenha obedecido do que ao cumprimento de uma mera formalidade. Ainda assim, destaque-se o inglório desperdício de inúmeras oportunidades de golo por parte dos nossos, num jogo que nos deu o vislumbre do que é um ponta de lança. Infelizmente, residiu no outro lado do campo... Quem esteve sempre do meu lado, bem juntinho a mim e animada com a arte que via a desenrolar-se no relvado, foi a minha filha mais nova, que assim fez a sua estreia em Alvalade. Um baptismo feliz, que é o que mais se pode desejar a uma criança neste longo culto de passagem de testemunho entre pai e filhos, que foi também um ritual de ligação entre a ficção technicolor dos desenhos animados do Oliver e Benji e a realidade ao vivo e a cores no solo sagrado de Alvalade (e não se notou a diferença). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Hidemasa Morita. Destacaram-se ainda acima da mediania os seguintes jogadores: Nuno Santos e Ugarte. De nota ainda a exibição positiva de Marsá, em estreia absoluta no Campeonato, e novos indicadores animadores de Buscapoulos, um dínamo no meio campo leonino. 

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27
Set22

Tudo ao molho e fé em Deus

O Santos Contestável


Pedro Azevedo

Um Portugal vs Espanha traz-nos sempre à memória Aljubarrota, o "Mestre de Avis", e D. Nuno Álvares Pereira, o mestre da táctica, que passou à história como o Santo Condestável. Nesse tempo "jogávamos" em inferioridade numérica, apesar dos ocasionais reforços provenientes de Inglaterra, mas no final o Quadrado, a Ala dos Namorados e o jóquer Brites faziam toda a diferença. Mas esse era um outro tempo, de antes quebrar que torcer, onde o engenho e a arte abundavam e compensavam as limitações próprias de um país pequeno. 

 

Hoje em dia a realidade é outra, vivemos em abundância (de talento): Portugal teve, entre o relvado e o banco de suplentes, 13 jogadores que actuam nos melhores clubes do mundo (Man City, Man Utd, PSG, Liverpool, Atlético de Madrid, Nápoles e Milan), um luxo. Cumprindo a velha tradição da aliança com os ingleses, outros 5 vieram de clubes da Premier League, o campeonato dos campeonatos europeus. Bem sei, o Quadrado, que Fernando Santos no passado recente adaptou como losango, desfez-se num triângulo. Mas tivemos duas (dois!) alas de grande nível, pelo que uma coisa compensou a outra. O que nos faltou, então? Bom, uma coisa é ter do nosso lado o Santo Condestável, outra é ter o Santos Contestável. E se quem dirige não ajuda a assegurar o ganha-pão, não admira que a Padeira tenha falta de comparência. (A Espanha a meter a alta cilindrada, o Palhinha e o Matheus a criarem raízes no banco e o João Mário, aquele que no Sporting-campeão não era opção para o seleccionador, a entrar quando o motor espanhol estava muitas rotações acima da sua trotinete, eis um breve resumo do inglório desperdício de talento operado pelo nosso seleccionador.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Diogo Jota. Nota alta também para Nuno Mendes e Danilo.  

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24
Set22

A ameaça que aí vem


Pedro Azevedo

Na nova ordem do futebol mundial coexistem Caçadores e Jardineiros. Estes últimos são o celeiro, os que deitam as sementes e visam colher para uma venda posterior. Os primeiros preferem investir no produto acabado, reservando o seu tiro para a ocasião certa. No meio estão os intermediários, que ganham faça chuva ou sol. Acontece que este ecossistema assente na economia de subsistência dos mais pobres, os que semeiam, e no poder aquisitivo dos mais ricos, poderá muito brevemente vir a ser posto em causa., bastando para isso a laxidão da FIFA, entidade reguladora mundial do sector. É que começa a haver sinais de que os mais ricos pretendem criar conglomerados assentes em subsidiárias provenientes de países celeiro de jogadores. Sendo isso permitido, e há sinais perturbantes a partir do momento em que o regulador europeu (UEFA) autorizou que dois clubes (Leipzig e Salzburgo) sob domínio da mesma empresa (Red Bull) jogassem na mesma competição (Liga Europa), então o negócio dos pequenos que fiquem fora desses conglomerados será posto em causa, podendo condenar a sua viabilidade económica. A alternativa será a perda da sua independência, cenário que pessoalmente não gostaria sequer de equacionar. Assim sendo, talvez fosse o tempo de os milhares de financeiros que compõem a base de sócios do meu clube parasse de pensar num modelo sustentado nas vendas e se pusessem a magicar num modelo verdadeiramente sustentável em que os proveitos ordinários fosses o garante da nossa sobrevivência. Potenciando as receitas do negócio futebol para sustentar as equipas e não pensando na venda de jogadores como o negócio. É só uma ideia, mas se calhar o esforço pedido às meninges ocorrerá muito mais cedo do que a maioria neste momento parece prever. Aguardemos...

23
Set22

Autómatos


Pedro Azevedo

Muito se fala de formação de futebolistas e muito dinheiro é aí investido anualmente por clubes de todo o mundo numa época em que, curiosamente, o epicentro do jogo parece estar cada vez mais longe dos... jogadores. Amarrados desde muito cedo a tácticas e estratégias, bem como a espartilhos físicos, técnicos e comunicacionais, os jogadores perderam há muito o controlo do processo. Tal não deixa de ser estranho, desde logo porque no final do dia são eles que estão lá dentro, isolados, no relvado, e é a eles que cabe a tomada de decisão. Só que o jogador de hoje em dia, com raríssimas excepções, é quase um autómato. Por isso as análises aos jogos acabam invariavelmente por abraçar os treinadores e até os presidentes, e menos os outrora protagonistas do jogo. Estes são hoje a extensão do joystick da consola da playstation de qualquer treinador, formatados que estão até à exaustão. Longe vão por isso os tempos de um Garrincha, que fintava de uma forma que ninguém podia ensinar, de um Pelé, que usava as pernas dos adversários como tabelinha ou assistência para meter o esférico dentro da baliza, ou de um Yazalde, que de costas para a bola já cheirava o golo. Para não falar de um Maradona, cujo segundo golo à Inglaterra desafiaria quaisquer cânones do futebol actual e o poder do seu treinador. (Eu se fosse o Billardo tinha naquele momento despido a gravata, desabotoado o botão da camisa, retirado o fato, feito as malas e regressado imediatamente à Argentina.) 

 

Esses jogadores que faziam a diferença, que ganhavam jogos sozinhos, estão em extinção. E porquê? Porque falta actualmente a base do futebol de rua. A verdade é esta: a base hoje em dia é dada nas academias, e os novos jogadores aí formados estão desde muito cedo sobre a égide de treinadores com ambição de fazerem carreira no futebol profissional. Estes, com a vontade de controlar todo o processo, acabam por transformar os jogadores em robôs de decisão padronizada. Porque onde ontem havia ousadia, hoje em dia há medo. O medo levou à aversão ao risco, ao horror ao erro, como se o erro e a aprendizagem que daí se retira não fosse fundamental ao crescimento de qualquer indivíduo. Daí a cultura de posse de bola, um meio que na cabeça de alguns virou um fim. Por isso, os treinadores que potenciavam a criatividade do jogador, homens como César Nascimento, Ferreirinha ou Óscar Marques, foram substituídos por burocratas encartados com nível para expropriar e colectivizar o talento individual. É como se uma Cortina de Ferro tivesse invadido o futebol e a classe de treinadores fosse agora o poder totalitário. Poder que será quão maior quanto menor for a autonomia do jogador de futebol dentro do campo. Restam porém meia-dúzia de irredutíveis, para gáudio da urbe que ainda tem paciência para se deslocar às bancadas de um estádio de futebol.  

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22
Set22

Sociedade por quotas


Pedro Azevedo

Sai o Rafa, entra o Gonçalo Ramos. Com este tipo de critério podia até ser o Vlachodimos, mas desgraçadamente (uma tragédia!) é grego. Para comédia à La Carte só falta o António Silva (e talvez o Vasco Santana). São estes os misteriosos desígnios do Senhor: enquanto uns (Bruno Fernandes, Palhinha, Matheus Nunes, Pote) tiveram de percorrer o caminho das pedras, outros mal levantam pó logo são elevados ao mais alto pedestal. Depois não digam que Santos da casa não fazem milagres...

19
Set22

Adaptações


Pedro Azevedo

Sempre que se adapta um jogador a uma posição que não lhe é natural não só se corre o risco dessa desadequação desequilibrar a equipa como também se está a transmitir aos substitutos naturais para essa posição que não contam. É, por isso, uma opção a evitar, porque mesmo que resulte há sempre algo que tem a ver com a coesão de um grupo que se perde. Ademais, adaptar um ala a lateral é diferente de encaixá-lo como central. Um ala tem rotinas de corredor, actua predominantemente em espaços exteriores, enquanto um central tem outra cultura de preenchimento dos espaços interiores. Além disso, se para o actual sistema de Rúben Amorim (3-4-3), a posição de ala se confunde com a convencional posição de lateral (típica do 4-3-3), ter um central com 1,72m parece mirífico perante as exigências do futebol actual. Acresce que o jogador em questão já havia comprometido o ano passado nos Açores, o que não recomendaria uma nova experiência nessa posição. Bem sei que o Sporting e os Sportinguistas muito devem a Rúben Amorim e isso não deve ser posto em causa. Mas é preciso evitar que a continuação deste tipo de erros tão óbvios que adquirem uma forma ululante venha a comprometer no futuro uma avaliação globalmente muito positiva, diria até brilhante, do seu trabalho. 

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18
Set22

Tudo ao molho e fé em Deus

De volta à Liga... Europa


Pedro Azevedo

Cada vez que no miolo do meio-campo jogamos em inferioridade numérica de dois contra três é uma aflição e mais se nota a ausência de um jogador (Matheus Nunes) potente e capaz de quebrar linhas em progressão. Acrescente-se uma manta curta e a cheirar a mofo, a má onda do canhão da Nazaré, o pé direito cego de Trincão e a sorte (ou a falta dela, porque é bom não esquecer que o futebol é um jogo) e fica explicado o xeque-mate ontem sofrido no tabuleiro axadrezado.  

 

Com 2 médios incapazes de acenderem a luz no meio-campo (o Buscapoulos grego ficou no banco), um conjunto de jogadores globalmente pouco frescos (não deixa de ser paradigmático da nossa falta de dimensão física que o mesmo Tottenham que na terça-feira foi surpreendido por nós tenha também ontem despachado o Leicester por 6-2), um Esgaio com muita vontade e nenhuma arte, um Trincão que por duas vezes optou por uns rodriguinhos em vez de colocar a bola num isolado Pote - alguém diga ao rapaz o quão previsível se torna quando insiste em só fintar para fora - e pouca fortuna nos vários ressaltos ocorridos em ambas as áreas, o Sporting pôs-se a jeito para perder com o Boavista. Ainda assim, houve sempre Edwards, a nossa grande esperança na vitória. E o inglês não desiludiu, marcando até impensavelmente de cabeça após um cruzamento com letras maiúsculas saído da imaginação de Nuno Santos, um jogador que não gosta de perder nem a feijões e que por isso tanto custou ver poupado ao penoso final de jogo da nossa parte. Mas não chegou. O sortilégio de um pontapé indefensável de Bruno Lourenço e uma precipitação inaceitável de Esgaio sentenciaram o jogo. 

 

A culpa desta derrota é incerta. Há quem a associe tanto ao Petit como ao Big Bang e à instantânea criação de supostas estrelas. Ao Bosão ou ao Gozão do Higgs. E até ao Pinheiro manso ou ao bravo (assim como assim, vamos acabar o campeonato a jogar a pinhões). O que é certo é que à sétima jornada corremos o risco de ficar a 11 pontos da liderança e a 9 pontos da vice-liderança, para lá de estar confimado que o FC Porto leva-nos já meia-dúzia de avanço. Assim sendo, o melhor é pensar já em vender outro Matheus Nunes (suspeito que será uma metade do Edwards, uma versão ainda com mais baixo centro de gravidade). E assim sucessivamente, ano após ano, a fim do Balanço ficar positivo e compensarmos a ausência na Champions, completando-se assim um ciclo "virtuoso" em que vendemos indo à Champions para depois vendermos a dobrar ou a triplicar por não irmos à Champions. Dizem que é o negócio. (O negócio deveria libertar verbas para o futebol, não o futebol libertar verbas para o... negócio.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Edwards

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14
Set22

Tudo ao molho e fé em Deus

Citizen Edwards


Pedro Azevedo

O futebol é um jogo que à sua volta mobiliza uma multidão de fiéis em comunhão como se de uma religião pagã se tratasse. Mas depois há os agnósticos, de entre os quais se destacam os cientologistas. Gente como o Jota-Jota, por exemplo, para quem o que Arthur Gomes ontem fez constitui um perigo porque expõe o logro das mezinhas ditas científicas com que o Mestre da Táctica lá vai enganando alguns papalvos. (Não se deve confundir um Melquíades com um Pasteur. Bom, com um pastor, talvez.) Aliás, que ciência poderia explicar que a primeira vez que um jogador em estreia no Sporting e na Champions pegue na bola dê golo? Por isso, é bom não esquecer que antes de tudo o futebol é um jogo, quiçá o mais imprevisível de todos os jogos, aquele onde num dia de inspiração o David pode bater o Golias, o que só encontra paralelo na bíblia, dando razão à evocação religiosa com que abrimos esta crónica. 

 

Blasfémias à parte, no futebol por vezes o pagão chega até a confundir-se com o sagrado. Tal aconteceu na Argentina, para dar um exemplo, quando um bando de maduros decidiu criar a igreja maradoniana para celebrar o seu d10s. Por falar em Maradona, ontem o Edwards teve uma jogada de génio que pareceu saída da cabeça e dos pés de El Pibe. Pena foi ter tido o mesmo destino da de Paulo Futre na final da Champions contra o Bayern, mas lá que merecia golo disso ninguém terá dúvidas. (Mais uma vez, que ciência haverá na bola ter ultrapassado o corpo de Lloris para depois caprichosamente tocar-lhe num cotovelo e sofrer um efeito estranho que a conduziu para fora da baliza? O futebol é um jogo, ponto.)

 

Mesmo sendo um jogo em que por vezes a bola parece ter vida própria, há toda uma preparação estratégica e táctica antes de cada embate. Além da preparação física, tão importante como base do trabalho anual - aplicada com mais ênfase na pré-época - , da mental ou da técnica, esta última treinada desde as camadas jovens, tudo isso contribuindo para o aumento das probabilidades de sucesso num jogo que não é uma ciência e, muito menos, exacto. Estudando e procurando progredir todos os dias, há treinadores que, reunindo todas as competências enunciadas em cima, conseguem esbater a correlação de forças entre os contedores. Um desses treinadores chama-se Rúben Amorim e nós, Sportinguistas, temos a sorte de o ter por cá. E isso acrescenta sempre algo a uma equipa, ainda que no futebol por vezes se escreva direito por linhas tortas e possa aparecer um Arthur que na hora de congelar a bola se atire afoito contra dois adversários e no fim termine a fazer uma maldade a um dos melhores guarda-redes do mundo. 

 

Então, e o Citizen Kane? Bom, em Alvalade quem teve o mundo a seus pés foi o Edwards. E o Paulo, que se agigantou e antecipou e fez de um grande adversário um Hurricanezinho. A tal ponto que já no fim da linha julgo ter ouvido o inglês a balbuciar esta palavra: Rosebud. E lá foi ele de trenó para Inglaterra, à falta de um bom par de patins. (Pensando bem, o que o Arthur fez foi um trinó, ou tri nó.) 

 

P.S. O Porto foi cilindrado em casa por uma equipa de baixa cotação europeia. Pus-me então a pensar: o que seria de nós se tívessemos dado 20M€ por um certo central proveniente do Braga que ontem teve uma actuação desastrosa? Certamente caíria o (David) Carmo e a Trindade (que nos governa). Dá que pensar, não dá? IN AMORIM, WE TRUST!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Edwards

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13
Set22

Tudo ao molho e fé em Deus

Trio dinâmico


Pedro Azevedo

O Rúben já se havia afirmado como entusiasta de um trio de duendes que alegadamente saberiam onde encontrar o Pote de Ouro. Mas nós, longe de vislumbrarmos o arco-íris, insistíamos na necessidade de um ponta de lança daqueles à antiga. O "presunto" flaviense parecia dar razão a quem contestava os fundamentos da decisão do treinador, porém o jogo contra as águias de Frankfurt tinha reforçado a opção de Amorim. A prova dos 9 estaria entaria assim reservada para a recepção ao Portimonense: é que uma coisa é jogar no contra-pé, outra seria ter de assumir o jogo e não ter um poste, um farol de referência no centro do ataque. Chegou então o jogo, e com ele a clarificação que todos nós procurávamos. E o resultado foi eloquente: Rúben Amorim 4 - Treinadores de Bancada 0, uma goleada! Temo porém que o "campeonato" ainda não tenha terminado. É que, parafraseando o próprio treinador, isto vai ser jogo-a-jogo. 

 

Não há muito a dizer sobre um jogo onde o Golias do Campo Grande aniquilou completamente o David da Praia da Rocha, uma vitória do liberalismo futebolístico (se até há o político, depois do social e económico...) - "laissez faîre la nature" - implementado por Rúben Amorim para o ataque às balizas adversárias. Sem classificação ou uma ideologia que obedeça a cânones, o Amorim montou um trio de hiperactivos (financeiros), de saltimbancos, de nómadas que ora vão para dentro, ora vêm para fora, baralhando qualquer rótulo que lhes queiram dar. A coisa não parece real, e para adensar mais essa irrealidade por detrás do trio o Rúben Amorim posicionou um herói das Mangá, o nosso simpático Oliver Tsubasa, um craque com tanta técnica que até parece extraído da banda desenhada nipónica. Todavia, aparentemente, funciona. Que o digam os davides algarvios que, sem norte (o que para quem é do sul não é de estranhar) e à falta de outros argumentos, se fartaram de fisgar as canelas dos nossos jogadores até os deixar amarelados (cortesia do Senhor Árbitro de serviço)...

 

Para piorar o cenário dos algarvios, o novo Trincão não perdoa uma maçã. Quer dizer, durante uns tempos eram mais caroços ou maças reineta, mas agora descobriu as Golden, o que já se sabe combina com o ouro que há no Pote. Para além de ajudar a digerir melhor os resultados, sempre do agrado dos adeptos. Por isso, o Trincão até poderá não ser o tal ponta de lança, mas a ponta da sua lança visa uma maçã que nem um Guilherme Tell. Poderá ele volta a fazê-lo contra os galos do Tottenham? Vamos ver quem, entre um Trincão e os galos, dará mais bicadas, sendo certo que os galos geralmente acordam mais cedo (daí parte do seu favoritismo, mas se conseguirmos evitar que marquem primeiro...).

 

Tenor "Tudo ao molho...": Trincão

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08
Set22

Tudo ao molho e fé em Deus

Duas colheres de Edwards para curar a Kamada de nervos inicial


Pedro Azevedo

Os dois Sporting que há no Sporting teriam tido sempre ontem um dia de glória: o desportivo, porque regressava à maior competição à escala planetária; o do negócio, na medida em que visitava o maior centro financeiro europeu, sede do Banco Central Europeu, da Bolsa de Valores alemã e dos colossos Deutsche Bank e Commerzbank. Se os indicadores eram positivos, a verdade é que a realidade superou as expectativas e saímos da Alemanha com uma vitória importante e o reforço da marca Sporting. Não houve relatórios sobre se Zenha foi convidado ou não para tocar o sino da Bolsa de Frankfurt, mas o carteiro Edwards tocou duas vezes no umbigo dos teutónicos. Aliás, mais do que um carteiro, o inglês foi o remédio para o nosso proverbial problema do mau-olhado, para tal bastando a ingestão germânica de duas colheradas do seu já famigerado veneno. Outro jogador em destaque foi o nosso Oliver Tsubasa, o Morita. Já Vos tinha dito aqui que o homem era muito bom e ontem tiveram a confirmação. Com ele, a bola até pode vir em formato oval que ele logo a cóloca redondinha. Isso é que é técnica, que muitos confundem com habilidade... Gostei também bastante daquele atleta dos 110m barreiras que dá pelo nome de Pedro Porro. Esteve genial na jogada do terceiro golo, com um tempo de reacção à partida muito bom e uma técnica de transposição de obstáculos excepcional. Como os 3 Mosqueteiros na verdade eram 4, não esquecer o Adán. Como na Bíblia, ele esteve no princípio de tudo. A diferença é que não trincou a maçã que o Kamada por várias vezes lhe sugeriu.. [E também não enfiou nenhuma batata (ou salsicha Frankfurt).] 

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