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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

02
Jan21

Tudo ao molho e fé em Deus

Predestinação


Pedro Azevedo

Se não há campeões sem estrelinha, o Sporting precisou da Ursa Maior para bater o Braga esta noite em Alvalade. O facto nem é novo e parece dar razão a quem acredita que o título nacional desta época está predestinado, teoria que começa a reunir simpatia entre místicos e deterministas Sportinguistas. Um dos maiores místicos que alguma vez escreveu sobre futebol foi o famoso cronista Nelson Rodrigues. Fanático do Fluminense, criou o personagem do Sobrenatural de Almeida para explicar fenómenos aparentemente incompreensíveis que assolavam negativamente o tricolar carioca. Porém, quando o Flu finalmente voltou a vencer um campeonato, Nelson jurou ver o fantasma do Gravatinha, o protector do Fluminense, popular adepto que segundo o cronista havia falecido em 1958 em consequência da gripe espanhola. Assim, para os místicos, o Sporting também terá o seu Gravatinha, o que até fará algum sentido na medida em que 1958 marcou a última vitória leonina no campeonato com o que ainda restava (Vasques e Travassos) dos majestosos 5 Violinos, entrando então o clube num ciclo menos virtuoso. Nesse transe, para fechar o ciclo e começar um novo virtuoso, o nosso Gravatinha terá regressado agora como fantasma em tempo de pandemia de Covid-19 com o propósito de nos oferecer o tão desejado título. Já para os deterministas, tudo se deve ao controlo das causas e seu prévio conhecimento. Da mesma forma que o atrito de pau e pedra explica o fogo, um bom treinador e a sua concomitante escolha do plantel adequado estarão na origem do desempenho que nos conduzirá à glória. Não sei se o António Salvador acredita no destino, ele que deixou sair o Rúben Amorim sem que o Sporting batesse a cláusula de rescisão, mas o mais certo é começar a ser acometido de superstições a cada nova visita a Alvalade. É que nunca se sabe o que poderá encontrar à noite no Museu... 

 

O Braga criou e o Sporting marcou, eis o sumário do que foi o jogo. Os arsenalistas tiveram 5 oportunidades claras de golo, os leões responderam com 100% de aproveitamento das ocasiões geradas. Outras situações não foram tão claras, como das duas vezes que Nuno Santos foi desarmado na "hora h", ou quando os pézinhos mágicos de Coates e Feddal impossibilitaram o que parecia inevitável por via dos remates de Iuri e Galeno, respectivamente. Todavia, se a maior ou menor eficácia faz parte do sortilégio do jogo, há que dar mérito às substituições operadas por Rúben Amorim que conseguiram estancar a supremacia que durante meia-hora os arsenalistas tiveram no miolo do terreno, zona nevrálgica onde por muito tempo Palhinha foi impotente para travar a superioridade numérica dos pupilos de Carvalhal. Valeu nesse período Adán, o poste e a desinspiração de Ricardo Horta. E se Adán deve melhorar com os pés, Raúl Silva teve dificuldade em ficar de pé, o que indica que os próximos tempos em Braga deverão ser de intensa terapia: como se já não bastasse o complexo de inferioridade do Salvador, ainda ter-se-ão de avir com o Síndrome de Ménière...  

 

Apesar de ser católico, acredito que Deus terá coisas muito mais importantes com que se entreter em detrimento do futebol, o que em parte ajuda a explicar o livre arbítrio que se vê por aí. Ainda assim, creio que há destinos que são factos inquestionáveis. Por exemplo, a viagem de metropolitano para o Campo Grande é um destino que está antecipadamente programado. Porém, isso não quer dizer que infalivelmente lá chegará, podendo por exemplo descarrilar por motivo de imprudência ou negligência do maquinista. Assim também é no futebol, onde o maquinista que transporta a mais apetecida taça anda geralmente de apito na boca. (E contra isso não há misticismos ou determinismos que nos valham.)

 

P.S. Se eu tivesse antecipadamente escrito o guião deste jogo, dificilmente escolheria um desenlace melhor. Ou não tivessem sido os meus dois jogadores preferidos - Pote (coitadinho, está tão mal que só leva 11 míseros golos no campeonato) e Matheus - os autores dos nossos dois golos. Mas, atenção, que não haja confusões: eu ainda sou de carne e osso e ao fim de semana não uso gravatinha. Outra nota: não conheço a lei do jogo que manda admoestar com amarelo chicuelinas como aquela aplicada pelo Matheus Nunes a um defensor do Braga. É que, em vez de cortar a jogada ao brasileiro, quanto muito o árbitro deveria ter-lhe pedido para cortar as unhas, a única parte do seu corpo que eventualmente terá tocado no bracarense (um pedido de autógrafo também não lhe ficaria mal, o soberbo drible assim o mereceria).

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pedro Porro (um leão de raça a dar o "Rugido" de Ipiranga) 

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02
Jan21

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 16 jogos - 11 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa, 2 para a Taça de Portugal e 1 para a Taça da Liga -, obtendo 13 vitórias (81,25%), 2 empates (12,5%) e 1 derrota (6,25%), com 40 golos marcados (média de 2,5 golos/jogo) e 13 golos sofridos (0,81 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (10,1,3), TT (5,1,2), N. Santos (4,8,0);

2) MVP: Pedro Gonçalves (35 pontos), Nuno Santos (28), TT e Sporar (19); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (14 contribuições), N. Santos (12), Sporar (10);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (10 golos), TT (5), Nuno Santos e Sporar (4);

5) Assistências: Nuno Santos (8), Tabata, Porro, Vietto, Feddal, M. Nunes, J. Mário e Jovane (2).

 

Fazendo uma análise por sectores em termos de pontos MVP (golo=3; assistência=2; participação=1), teremos:

 

Pontas de Lança (total=51): Sporar (19), TT (19), Vietto (7), Pedro Marques (6)

(nota: TT também jogou como interior)

 

Interiores (total=88): Pote (35), Nuno Santos (28), Jovane (13), Tabata (12)

(nota: Jovane também jogou como ponta de lança)

 

Médios Centro (total=17): João Mário (7), Matheus Nunes (4), Palhinha (3), Bragança (3)

 

Laterais/Alas (total=20): Porro (12), Nuno Mendes (6), Plata (2)

 

Centrais (total=18): Coates (10), Feddal (5), Gonçalo Inácio (3)

 

Guarda-redes (total=2): Adán (2)

 

Conclusões:

  • A posição de Interior é a que mais contribui em acções de golo;
  • Os nossos Médios Centro têm menos preponderância nos golos que os Laterais/Alas e os Defesas Centrais, o que pode indicar que RA vê-os mais como um factor de equilíbrio defensivo, sendo os desequilíbrios ofensivos mormente produto da circulação em "U";
  • Ordem de importância no golo: Interiores, Ponta de Lança, Laterais/alas, Centrais, Médios Centro, Guarda-redes;
  • Um total de 19 jogadores já contribuiu para os golos leoninos.

 

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

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28
Dez20

Tudo ao molho e fé em Deus

Futebol “brutânico”


Pedro Azevedo

Caro Leitor, é com orgulho que observo que as autoridades desportivas do nosso país, sempre muito escrupulosas na atenção às melhores práticas, têm importado para Portugal o melhor da cultura anglo-saxónica no que ao futebol diz respeito. Essa influência é tão marcante que ontem até tivemos um Boxing Day tuga, um dia de futebol "brutânico", que culminou na visita do Sporting ao pantanal do Estádio Nacional, propriedade do Estado Português. E quem é que se domicilia nesse estádio de todos nós, vizinho da Cidade do Futebol que abriga o Video Assistant Referree (VAR) ? A equipa que não tem nome, uma espécie de Manhattan no directório dos clubes portugueses se trocarmos o Rio Hudson pela peculiar fragrância da Ribeira do Jamor.  

 

O espectáculo também não escapou à influência externa de outros desportos. Por exemplo, verificaram-se rotinas típicas do Ice Skating, embora a nota artística tenha predominado sobre a nota técnica devido às inúmeras quedas observadas durante a "patinagem". Também o rugby foi chamado à colação, com as duas equipas a procurarem recorrentemente colocar pontapés tácticos nas costas do último reduto do adversário. Por via disso, receosa, a nossa equipa baixou a linha defensiva. Porém, a restante equipa não acompanhou esse movimento, tendo Inclusivé João Mário se deixado atrair inúmeras vezes pela armadilha da pressão alta na saída de bola dos azuis. Colocando a bola rapidamente por cima da nossa primeira linha de pressão, "comendo-nos as peças" mais adiantadas como se de um Jogo de Damas se tratasse, os azuis atingiam com facilidade o miolo do campo, criando assim uma boa plataforma para municiarem os seus atacantes. Com Palhinha em inferioridade numérica no sector, os pupilos de Petit imediatamente optavam por lançar ataques rápidos em detrimento de tentar contornar o médio mais defensivo do Sporting, retirando a oportunidade a este de fazer prevalecer o seu físico. Mesmo com bola, a lentidão de processos de centrais e médios foi destruindo sucessivas linhas de passe, restando os lançamentos longos como arma. E foi em duas dessas situações que Tiago Tomás se viria a revelar providencial. Na primeira, ganhou a bola nas alturas e endereçou-a a Tabata para a ir recuperar mais à frente (era o único), rodopiar na área e marcar o primeiro da noite. Na segunda, recebeu um milimétrico passe em profundidade de João Mário, isolou-se e sofreu uma grande penalidade que o jogador emprestado pelo Inter se encarregaria de transformar no nosso segundo golo. Pelo meio, os azuis marcaram exactamente através da exploração do espaço nas costas da nossa defesa, beneficiando ainda da momentânea troca posicional dos nossos centrais (Coates estava na esquerda, Neto no meio e Inácio mais descaído sobre a direita), de escorregadelas diversas e da sorte no ressalto da bola que enganou traiçoeiramente Adán, uma espécie de "Triple Witching" típico dos mercados financeiros (volatilidade elevada causada por datas de expiração simultânea de futuros e de opções sobre índices e acções) aplicado ao último dia do ano do futebol do Sporting. E poderiam até ter-se adiantado no marcador, não fora Adán ter adivinhado o lado para onde o penálti foi direccionado. Até ao intervalo, por mais duas ocasiões o Sporting esteve à beira de sofrer golo após momentos desastrados de Neto, mas Adán defendeu ambas. Contra a corrente do jogo, Tiago Tomás poderia até ter dilatado o placard, mas um defesa azul intrometeu-se no caminho da bola após fífia do seu guarda-redes. 

 

A tónica do segundo tempo não se alterou, pese embora a fluência de jogo dos azuis não tivesse sido a mesma devido ao desgaste sofrido no primeiro período. Ainda assim, as melhores oportunidades continuaram a ser do emblema da Torre de Belém, destacando-se uma saída em falso de Adán a um cruzamento por via de uma descoordenação com Coates.

 

Com o passar do tempo, é notório que as equipas que nos defrontam vão conhecendo melhor a nossa forma de jogar, encontrando antídotos para parar a nossa fluência de jogo. Assim, as vitórias são cada vez mais sofridas. Precisamos de soluções novas, nomeadamente sob a forma de ligação entre os médios centro e os interiores. Nos últimos jogos foi particularmente visível que os adversários expuseram a nossa inferioridade numérica no miolo do campo, condicionando aí a nossa forma de jogar. Tem faltado quem salte linhas de pressão nesse sector do terreno e se aproxime dos interiores. O passe nem sempre é opção porque a distância entre linhas é razoável e faz com que muitas vezes se perca a bola. Ontem acabámos o jogo em dificuldade com mais 1 homem em campo. Com dois interiores que na verdade são dois alas, não tirámos partido da superioridade numérica e faltaram-nos soluções pelo centro do campo. Talvez o regresso de Jovane nos proporcione as movimentações, explosão e imprevisibilidade que vêm faltando, permitindo-nos evoluir o nosso jogo para fora do standard que os nossos adversários já conhecem. Porém, não tenhamos ilusões, um pouco por toda a Europa quem está na liderança enfrenta dificuldades. A maior densidade competitiva neste período retira alguma frescura. Por outro lado, a sagacidade dos treinadores vai colocando mais grãos na engrenagem. Adicionalmente, campos em mau estado como o do Jamor reduzem assimetrias. Ontem, o Liverpool perdeu dois pontos em casa contra o penúltimo classificado da Premier League, algo perfeitamente inesperado. Nesse sentido, ganhar, mesmo sem jogar bem, é determinante. E o Sporting ganhou de duas formas: três pontos e tempo para rectificar o que está menos bem. Agora é preciso fazer valer esse tempo. Para já, passaremos o ano no primeiro lugar. Não me parece mal. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Tiago Tomás

 

P.S. O problema da evolução da nossa espécie futebolística não se coloca só no Sporting. No Benfica a questão é mesmo epistemológica, com Jesus e Darwin presumivelmente em desacordo quanto à Teoria da Evolução, o que explica o desconforto com girafas (Luisão) que é atribuído ao primeiro...

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27
Dez20

Foi assim que aconteceu... (*)


Pedro Azevedo

26.06.2020  B SAD - Sporting 1-3

 

Crónica "Tudo ao molho...": The Karate Kid e o Koffi Anão

 

Na vida é sempre importante sabermos as linhas com que nos cosemos. O Ruben Amorim tem isso presente e, vai daí, aplica-o literalmente ao futebol. O problema é que muita intersecção de linhas gera obviamente demasiados passes laterais e essa tem sido a óbvia consequência de um sistema táctico do promissor técnico leonino que privilegia o engarrafamento na zona central, com dois médios a par e três defesas por detrás ("O Pentágono"). Assim, muitas vezes o Matheus cose e coze o Wendel e este responde assando (as pernas de) o Matheus com passes miudinhos que no rugby se denominam de "para o hospital", auto-anulando-se os dois no que diz respeito ao processo ofensivo e criando indefinição quando toca a defender. Evidentemente, havendo linhas sobrepostas atrás, faltarão sempre linhas à frente, algo que tentamos contornar com a solução do chutão à procura do Sporar, o 112 dos inermes. Quando o esloveno consegue segurar a bola, então aí aparece Jovane, um cabo-verdiano que se descreve melhor recorrendo ao poeta Régio: "a minha vida é um vendaval que se soltou, uma onda que se alevantou, um átomo a mais que se animou". É tudo isto que o Sporting ganha quando Jovane está em campo, os tais últimos 30 metros que comprometeriam irremediavelmente a eficiência da geringonça de passe/repasse outrora montada por Silas ("A Posse")...

 

Andávamos nós neste empastelamento quando os de Belém meteram também as mãos na massa e, pumba, espetaram-nos um pastel: defesa completamente desposicionada e larga no relvado, transição rápida e golo. Mas eis que o Coates foi gigante e o Koffi anão. Qual alto signatário das Nações Unidas, o burquinês estendeu a passadeira a bem da paz e cooperação entre os povos. O uruguaio dedica o golo ao seu antigo camarada de armas, Monsieur Mathieu. Um-dó-Li-cá, e eis que o Codecity volta a marcar. Anulado, por fora de jogo. Por essa altura andava o Plata numa das suas inconsequências quando avista o Ristovski. O macedónio põe a bola com olhinhos na área, o Sporar arrasta marcações e o Jovane mostra que um leão também pode ser um dragão como o Bruce Lee. Depois, o Matheus consegue sair da cabine telefónica onde o meteram com o Wendel e faz um passe longo para o Nuno Mendes. Este dá ao Jovane e o menino inicia intermináveis tabelinhas com o Sporar que acabam com o esloveno caído na área. Penálti, diz Molero, perdão, Malheiro. O Jovane chuta, mas o Koffi dá 2 passos à frente e defende miraculosamente. Tempo então para nos interrogarmos sobre a identidade Sportinguista e os caminhos possíveis para a sua coabitação com uma pluralidade de formas artísticas no futebol português. Molero, perdão, Malheiro também reflecte sobre o tema e eis que perante a incredulidade de todos os leões confinados nos seus lares vemos um árbitro a cumprir com as regras num jogo do Sporting. O Ristovski, desta vez sem galo, sorri. Novamente chamado a tentar converter a penalidade, Jovane desfere uma bazuca de fazer inveja ao António Costa. 

 

Para a etapa complementar o Jovane ficou no banco. Aparentemente, devido a um traumatismo (que provocou no resultado). Entrou o Geraldes e o cão de Pavlov que existe no subconsciente de cada leão Sportinguista começou a salivar. E a verdade é que o Chico até fez um bom jogo, desmarcando-se sucessivamente e assim dando linhas ao portador da bola. Iniciou então um duelo em 3 actos com o Koffi, agora gigante, com o burquinês sempre a levar a melhor. Do Ensaio sobre a Cegueira para o Levantado do Chão é o mesmo Caminho (NA: editora), um caminho que se faz lendo nas entrelinhas do que são os posicionamentos do Chico, uma alternativa aos atalhos à procura do Sporar. Até ao fim pouco mais houve a declarar e o jogo ainda deu para ver entrar o Ilori e o Doumbia e para que o Borja fizesse os 90 minutos sem que o excesso de desconfinamento contagiasse toda a equipa do vírus da tragicomédia. 

 

P.S. Dois livres directos, igual número de penáltis, um canto - eis o balanço de golos de bola parada pós-desconfinamento (4 jogos). Ristovski substituiu Camacho e com um aproveitamento superior, prenúncio de que Amorim está atento à meritocracia. Muitos jovens lançados na equipa principal, sinal muito positivo. Jovane, com 4 golos, duas assistências e participação nos dois desequilíbrios de onde resultaram os penáltis, está em grande. Coisa para logo se agitarem muitos milhões que não mendilhões. Que continue por cá a afagar-nos os corações!

 

Tenor "Tudo ao molho": Jovane Cabral (póquer de menções e de golos desde o desconfinamento)

 

(*) Nova rúbrica

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22
Dez20

Dobrado o Bojador, venham as Tormentas


Pedro Azevedo

A passagem da Consoada em primeiro lugar no campeonato veio destruir alguns mitos urbanos criados por adversários e Velhos do Restelo conhecedores do nosso costumeiro fado natalício. Nesse sentido foi como dobrar o Cabo Bojador (nem de propósito assinalado a vermelho na infografia que acompanha este texto), sendo Ruben Amorim o nosso Gil Eanes que perante uma nau à deriva soube recuperá-la, manobrando e encontrando ventos amenos que abriram caminho para os grandes descobrimentos. Todavia, entrando agora em mares desconhecidos desde 2002, o navegador Amorim enfrentará no futuro próximo grandes perigos. Para já valeu a pena. Até porque, como diria Pessoa em A Mensagem, "Tudo vale a pena se a alma não é pequena". Porém, para a jornada terminar em sucesso, necessário será chegar e ultrapassar por fim o Cabo das Tormentas, um teste à capacidade de sacrifício e de superação dos tripulantes da nossa embarcação em mares encrespados e com ventos que frequentemente sopram fortemente no sentido contrário às nossas ambições. Simultaneamente, em terra, importante será com inteligência e persuasão saber reunir e alargar apoios para a prossecução desta expedição. Porque, recuperando Pessoa, "Quem quer passar além do Bojador, tem de passar além da dor". Da dor e do nestas gestas sempre encarnado Adamastor. Só assim a hoje legítima esperança se tornará uma Boa Esperança

 

P.S. Inspirado por um texto do José Duarte em "A Norte de Alvalade" onde faz uma alusão ao Cabo da Boa Esperança.

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20
Dez20

Tudo ao molho e fé em Deus

Liberais, keynesianos e monopolistas


Pedro Azevedo

Até ontem supunha-se que o Sporting de Ruben Amorim não se daria bem com o liberalismo. Desde a amarga experiência com a escola austríaca até ao "laissez faire, laissez passer" adoptado pelo nosso Adán Smith (ontem providencial) em Famalicão, os contactos com a versão mais pura do capitalismo não haviam sido nada encorajadores. Como consequência, o afastamento da Europa tornou irrelevante a questão do livre funcionamento dos mercados e chegaram até a ouvir-se justos pedidos de intervencionismo por parte de uma estrutura com uma sensibilidade mais próxima do keynesianismo. Esta introdução é importante para procurar explicar a dualidade dos acontecimentos de ontem, na sequência dos quais uns (os liberais) dirão que um jogador (Feddal) movido pelo interesse próprio foi levado por uma mão invisível (?) a promover o bem-estar do clube e dos seus associados e adeptos, outros (os keynesianos) colocarão a tónica nos méritos do intervencionismo vis-a-vis o livre funcionamento do mercado.

 

Sendo um clube um microcosmos, não será de todo de estranhar que também nele este eterno debate se coloque. Afinal, a disputa entre os partidários de Hayek e os de Keynes é de sempre, com os primeiros a serem preponderantes até à 2ª Guerra Mundial e depois da crise de 70 e os segundos a preencherem o intervalo entre esses acontecimentos e a ganharem novo fôlego após a crise do subprime (2008) que abalou o sistema financeiro e as economias mundiais. A diferença é que no Sporting uma década passa à velocidade de uma semana, podendo até a necessidade urgente de adaptação a uma realidade muito volátil exigir que um hoje convicto keynesiano amanhã venha a ser um Frederico Hayek. Habituados que estavam os dois a jogar alternadamente ao monopólio, funcionando bem nesse sistema e mandando às malvas as preocupações doutrinárias, é possível que esta matéria comece a não passar ao lado dos presidentes de Porto e Benfica. Mas isso será só após o Dia de Reis, que a época agora é de boa-vontade. Feliz Natal a todos os amantes do desporto e aos Sportinguistas em especial (estamos em primeiro!). O Natal é verde!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pedro Porro. Bruno Tabata voltou a mexer no jogo quando entrou e Pedro Gonçalves parece afectado desde o jogo de Famalicão. João Mário está muito abaixo em termos ofensivos daquilo que mostrou antes da sua transferência para Milão. 

P.S. Os últimos dois jogos do Sporting a contar para o campeonato vieram acompanhados de uma intrigante musiquinha. Quiçá pela época natalícia, foi perfeitamente audível ontem durante a transmissão (tal como em Famalicão) a presença do coro de santo Amaro. A diferença é que desta vez o coro não assentou arrais em Oeiras (Cidade do Futebol), mas sim na Alameda dos Oceanos (SportTV)...

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16
Dez20

Tudo ao molho e fé em Deus

O Princípio de Incerteza de Sporar


Pedro Azevedo

Esopo dizia que um pedaço de pão comido em paz era melhor do que um banquete deglutido com ansiedade e o Sporting deu-lhe inteira razão enquanto foi depenicando sob a nova égide da tranquilidade um Pão de Mafra que já se sabia de antemão ter propensão para estaladiço e apresentar alguns buracos no seu miolo.

 

Quem também parece revelar ter buracos no miolo das suas chuteiras na hora de finalizar é o Sporar, fazendo com que as bolas frequentemente as trespassem sem que a olho nu se perceba bem como. O que nos leva ao postulado do Princípio de Incerteza de Sporar que acabei de inventar - o Heisenberg que me desculpe - e reza assim: "Estando bola e Sporar em rota de colisão, quão menor for a incerteza da posição da bola, maior será a incerteza do movimento do esloveno". E assim se vão perdendo golos em barda. Como ontem exclamava um amigo: "C' um cacete!", ou o jogo não fosse contra o Mafra... 

 

Mas o que mais gostei de ver foi o Beckenbauer canhoto que em segredo andámos a formar em Alcochete. Tanta coisa com o Keizer e afinal a solução da Formação estava no Kaiser. É o que se chama "lost in translation"... Gonçalo Inácio é o seu nome. O Bruno Fernandes bem que já havia avisado que ele era o jogador da Formação que mais lhe enchia as medidas, o que dada a classe do Bruno deve ser coisa equivalente em capacidade ao maior tonel do mundo (374 mil litros, para quem tiver curiosidade). Que categoria! 

 

P.S. Pareceu-me penálti (mão) aos 5 minutos. A não ser que por erro de paralaxe meu o contacto do Tiago Tomás (saltou primeiro e sem apoio dos braços) tivesse ocorrido na pequena área (e o guarda-redes do Mafra usasse equipamento de jogador de campo). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Gonçalo Inácio

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16
Dez20

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 14 jogos - 9 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa, 2 para a Taça de Portugal e 1 para a Taça da Liga -, obtendo 11 vitórias (78,6%), 2 empates (14,3%) e 1 derrota (7,1%), com 37 golos marcados (média de 2,64 golos/jogo) e 12 golos sofridos (0,86 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (10,1,3), N. Santos (4,8,0), TT (4,1,1);

2) MVP: Pedro Gonçalves (35 pontos), Nuno Santos (28), Sporar (16); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (14 contribuições), N. Santos (12), Sporar (9 contribuições);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (10 golos), Nuno Santos e TT (4);

5) Assistências: Nuno Santos (8), Porro, Vietto, Feddal, M. Nunes, J. Mário e Jovane (2).

 

Hoje vamos fazer uma análise por sectores em termos de pontos MVP (golo=3; assistência=2; participação=1):

 

Pontas de Lança (total=42): Sporar (16),  Jovane (13), Vietto (7), Pedro Marques (6)

(nota: Jovane circunstancialmente jogou na sua posição natural de interior)

 

Interiores (total=87): Pote (35), Nuno Santos (28), Tiago Tomás (15), Tabata (9)

(nota: TT circustancialmente jogou na sua posição natural de ponta de lança)

 

Médios Centro (total=14): Matheus Nunes (4), João Mário (4), Palhinha (3), Bragança (3)

 

Laterais/Alas (total=20): Porro (12), Nuno Mendes (6), Plata (2)

 

Centrais (total=17): Coates (10), Feddal (4), Gonçalo Inácio (3)

 

Guarda-redes (total=2): Adán (2)

 

Conclusões:

  • A posição de Interior é a que mais contribui em acções de golo (mais do dobro que a de Ponta de Lança);
  • Os nossos Médios Centro têm menos preponderância nos golos que os Laterais/Alas e os Defesas Centrais, o que pode indicar que RA vê-os mais como um factor de equilíbrio defensivo, sendo os desequilíbrios ofensivos mormente produto da circulação em "U";
  • Ordem de importância no golo: Interiores, Ponta de Lança, Laterais/alas, Centrais, Médios Centro, Guarda-redes.

 

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

ranking gap 16122020.png

14
Dez20

Tudo ao molho e fé em Deus

O Sporting-Benfica dos 7-1 (faz hoje 34 anos)


Pedro Azevedo

João Rocha abandonara a presidência do Sporting e havia sido substituído por Amado de Freitas. Apanhando o clube numa fase instável, Manuel José avançara para o estágio de pré-época com apenas 13 jogadores. Obviamente, o campeonato não começa bem. A 14 de Dezembro, dia da recepção ao Benfica (14ª jornada), o Sporting está já atrasado na corrida pelo título após as três derrotas e os dois empates registados em jogos anteriores.

 

Nos dias anteriores ao derby, os jornais multiplicam-se em previsões todas elas desfavoráveis ao clube de Alvalade. Incautos, não terão percebido a tempo que todos os aparentes contratempos se circunscreviam a uma elaborada estratégia de dissimulação leonina com vista a estabelecer o recorde da maior vitória de sempre em confrontos entre os dois rivais. Nesse sentido, a primeira parte ainda foi a esconder o jogo. O Meade falhou propositadamente dois golos cantados. Tudo para não dar nas vistas. Azarado, o Mário Jorge chutou contra o chão com o seu pior pé, mas a bola caprichosamente fez um ricochete que ultrapassou o corpo do Silvino e entrou dentro da baliza encarnada. O Sporting apanhava-se na frente, mas havia ainda muito tempo de jogo pela frente. Demasiado, dir-se-ia. Não fosse a malapata do açoriano e os lampiões nem teriam tempo ao intervalo de antecipar o que viria a seguir. Preocupados, os leões regressaram ao balneário. Só que, no reatamento, o Manuel Fernandes apareceu ao primeiro poste e desviou com sucesso de cabeça um canto marcado pelo Zinho. Por essa altura provavelmente a mostarda já teria chegado ao nariz de Mortimore, o que conhecendo a chaveta do treinador britânico é coisa para ter deixado instantaneamente multi-milionárias a Heinz, a Maille e a cidade de Dijon todas de uma vez só. Vai daí, tira o Shéu e lança o Nunes, um tipo proveniente do sado com um penteado aerodinâmico assim meio alado como algumas coroas de louros romanas que recriavam uma biga. E, como por arte de magia, logo reduz pelo Wando. "I wonder" o que se terá passado na cabeça de Mortimore nesse momento, mas o mais certo é que tenha pensado que ia dar a volta à coisa. Durante cerca de 5 ou 6 minutos o estádio inteiro matutou o mesmo. Até que o Mário Jorge marcou um canto, o pequeno Litos desviou ao primeiro poste e o Meade apareceu ao segundo a dar uma raquetada de cima para baixo ("smash") na direcção da baliza deserta. Uma coisa particular entre os ingleses envolvidos no confronto (Meade e Mortimore), ou não tivessem os súbditos de Sua Majestade inventado o ténis. Seja como for, com esse golo o Sporting tinha match-point. A partir daí não sei explicar muito bem o que se passou. Recorro por isso a José Régio e ao seu Cântico Negro quando diz que foi um vendaval que se soltou, uma onda que se alevantou, um átomo a mais que se animou. Em consonância, o Litos marca um livre, três jogadores do Sporting falham sucessivamente o desvio, o Silvino sacode como pode e o Mário Jorge, agora com o pé esquerdo que isto é tempo de mostrar o jogo todo, pumba lá para dentro. O Benfica estava à nora e mais água meteu quando o Litos faz uma jogada à Platini culminada com um centro de régua e esquadro à maneira do Manuel Fernandes em salto de peixe marcar o quinto. Já que era para o naufrágio, o Mortimore tira o diamante(*) e mete o César Brito, um rapaz que começou no Barco e assim estava bom de ver que era o mais adequado para o naufrágio colectivo ficar completo. No meio de tanta água, eis então que se gera um maremoto quando o Oceano investe contra o mundo benfiquista, a todos derrubando até deixar o Manuel Fernandes de novo na cara do golo. Era o sexto. O Oceano estava imparável e agora era o Meade que tinha tudo para facturar. Mas a bola bateu-lhe num dos tijolos que tinha nos pés, consequência inata do seu ser e próxima dos despojos do tsunami, saltou metro e meio e dificultou-lhe o remate. O pobre do Silvino, que por essa altura só se benzia no desejo de não estar perante o Armagedão, ainda defendeu. Mas o Manuel Fernandes lá voltou a aparecer, desta vez para encerrar a conta. 

 

Bem sei que hoje é que se perfazem 34 anos desta inesquecível efeméride. Mas lembrei-me muito deste jogo este fim de semana quando um amigo benfiquista se veio gabar a mim de a sua equipa de voleibol ter ganho por três set(e)s a zero ao meu Sporting. Sorri e apenas lhe disse que realmente eles eram especialistas em set(e)s. E relembrei-lhe os sete-a-zero de Vigo e os sete-a-um que hoje com gosto aqui recordo convosco.

 

(*) Diamantino, bom jogador, de visão abrangente, por essa altura uma espécie de Medeiros Ferrreira do mundo da bola.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Manuel Fernandes (um póquer)

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14
Dez20

Fábrica de golos


Pedro Azevedo

Pedro Marques voltou a bisar, desta vez contra o Fabril, numa vitória do Sporting B por três bolas a zero, um golo a mais do que o conseguido pelo FC Porto quando derrotou o outrora primodivisionário clube do Lavradio (Barreiro) em anterior eliminatória da Taça de Portugal. Deste modo, o ponta de lança leonino eleva para 9 golos em 7 jogos os seus números na presente época desportiva. A Pedro só faltou mesmo o golo de cabeça, marcando alternadamente de pé direito e de pé esquerdo. O seu primeiro resultou de um remate forte e colocado que não deu tempo ao guardião adversário de esboçar a defesa. Já o segundo foi uma pequena obra de arte, mudando de pé à última hora e colocando a bola lentamente e em jeito no poste mais distante. Não assisto aos treinos e portanto desconheço a prestação do Pedro nos mesmos e a forma como se está a entrosar com a equipa, mas parece-me óbvio que os jogos realizados até agora indicam que vai justificando mais minutos de utilização numa equipa principal onde terá potencialmente golos servidos em bandeja de prata por Pedro Gonçalves, Nuno Santos, João Mário e demais jogadores. Não será ainda certamente na terça-feira - uma pena! - devido ao pouco tempo de recuperação do esforço, mas se Ruben Amorim assim o entender talvez possamos ver o Pedro no banco como alternativa ao TT no jogo contra o Farense. Se o futebol é o momento na medida em que a componente anímica é tão importante quanto a táctica, técnica e física, entre Sporar e não Sporar melhor mesmo será o Pedro não desesperar e começar a ir a jogo. Temos (mais um) Ponta de Lança na cantera.

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12
Dez20

Tudo ao molho e fé em Deus

Um móvel TT feito à medida do Paços de Ferreira


Pedro Azevedo

Muito se fala no futebolês em adaptação ao adversário e ontem a esmagadora maioria dos nossos adeptos deu o exemplo. Vai daí, se de um lado vem o clube da capital do móvel, do outro a gente recebe-os no sofá, assim homenageando o mobiliário e fazendo deste jogo aquele porventura com um maior sentido em tempo de pandemia. Diga-se de passagem que no relvado cada um dos intervenientes também se procurou adequar ao momento: o Paços trouxe Castanheira, a arbitragem fez-se representar por um Pinheiro e o Adán deu umas madeiradas na bola. Houve ainda uma centena de adeptos que louvavelmente foi dar um empurrãozinho até à entrada no estádio, o que não surpreendeu porque já se sabe que nas mudanças requeridas (edifício do futebol português) quando há móveis envolvidos dá sempre jeito uns Urbanos. 

 

Também não foi preciso VAR para se observar que o Sporting é de longe a equipa que melhor futebol pratica em Portugal. Bem sei, não sou o Jorge Jesus e por isso não estou dentro do que é a moda. Ainda assim, não preciso de nuances para constatar o óbvio: dá imenso gozo ver esta equipa jogar. Deste modo, podemos não jogar o triplo, mas ganhamos pelo triplo. É que o jogo de Famalicão ensinou-nos que para evitar azares nada como bater três vezes na madeira...

 

E por falar em madeira, ontem o primeiro golo pareceu Snooker às três tabelas: tacada de Coates para Nuno Santos, carambola deste para Tiago Tomás e bola na rede (caçapa). O segundo já foi mais artístico, com Bruno Tabata a fazer rodar a bola com efeito e caprichosamente a colocá-la no canto oposto. E o terceiro, em "free style", começou no taco de João Mário e teve de passar por um(a) Palhinha até ver a rede. 

 

Durante o resto do tempo, ao melhor estilo da Beatriz Costa em "ai chega, chega, chega, chega, chega ó minha agulha, afasta, afasta, afasta, afasta o meu dedal", o Sporting foi dando a ilusão aos pacenses de que poderiam lá chegar para assim melhor poder coser o avental à sua volta e no fim tudo acabar com a mesma (des)ventura para os pupilos de Pêpa. Impotentes para contrariar a superioridade leonina, estes ainda foram distribuindo alguma lenha com a ajuda de um Pinheiro ali à mão. Mas nada pôde obstaculizar a superioridade dos leões no marcador, naquela que foi a exibição mais uniformemente conseguida da equipa nesta época e que como tal mereceu que o seu treinador a ela assistisse de camarote com o beneplácito de Luis Godinho. Com a noite chuvosa que estava, é de esperar nas próximas horas um comunicado do Sporting a agradecer a gentileza.

 

 Tenor do "Tudo ao molho...": TT. Palhinha, uma espécie de abafador do jogo de berlindes, seria uma excelente alternativa. 

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09
Dez20

Pergunta inocente (2)


Pedro Azevedo

Como é que o Sporting vai descalçar esta bi-bota de Gomes (Fernando & Fontelas)? E como é que estes vão descalçar a bota da desvirtuação do papel do VAR e das decisões absurdas e vazias de uniformidade de critérios que dele emanam? 

 

P.S. A propósito, a célebre Comissão de Análise que ficou de estudar a justa pretensão leonina de considerar os campeonatos de portugal conquistados como títulos de campeão nacional já mumificou?

09
Dez20

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 12 jogos - 9 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa e 1 para a Taça de Portugal -, obtendo 9 vitórias (75%), 2 empates (16,7%) e 1 derrota (8,3%), com 32 golos marcados (média de 2,67 golos/jogo) e 12 golos sofridos (1 golo/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (10,1,3), N. Santos (4,7,0), Jovane (3,2,0);

2) MVP: Pedro Gonçalves (35 pontos), Nuno Santos (26), Sporar e Jovane (13); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (14 contribuições), N. Santos (11), Sporar (8 contribuições);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (10 golos), Nuno Santos (4), Jovane, TT e Coates (3);

5) Assistências: Nuno Santos (7), Porro, Vietto, Feddal, Matheus Nunes e Jovane (2).

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

ranking gap 9.png

07
Dez20

Killer Instinct


Pedro Azevedo

Os melhores plantéis do Sporting de que tenho memória reportam ao tempo da primeira passagem do presidente Sousa Cintra pelo clube. Nesse período chegámos a ter uma linha média constituída por Paulo Sousa, Figo, Balakov e Cherbakov, secundada por uma reserva onde constavam Peixe, Filipe, Capucho e Pacheco (mais tarde, Amunike). Ganhámos zero, nem uma tacinha (a Taça de Portugal conquistada frente ao Marítimo já "viu" Santana Lopes como presidente). Também aí muito se falou de arbitragens e de como isso nos foi letal, porventura de uma forma bem mais clara e desenvergonhada do que hoje. Todavia, dessa era emerge também a profética frase de Bobby Robson: "Ao Sporting falta killer instinct". Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, e precisamos de nos focar no que depende de nós. Nesse sentido, é preciso que aliemos a nossa boa qualidade de jogo à eficácia. E que desenvolvamos o sentido predador inato ao leão. O da savana, não aquele domesticado e cheio de tranquilizantes do circo do futebol português. Procurando de forma insaciável matar os jogos o quanto antes.

 

P.S. O problema de um discurso para o exterior exclusivamente a pôr o ônus do erro (aliás indiscutível) em outrém é que cria, mesmo que sub ou inconscientemente no jogador (como em qualquer ser humano) que o ouve, a desculpa ideal para o insucesso (vidé a "troca de galhardetes" no Instagram entre Adán e Casillas). Evidentemente, não desprezo o efeito positivo que as sensações de protecção e reconhecimento que emergem de um profissional se sentir defendido pela sua instituição provocam. Mas, se essa almofada de conforto for muito grande, isso obrigará posteriormente a um trabalho redobrado de mentalização por parte do treinador, a fim de que o foco volte a estar exclusivamente no desempenho individual do jogador e colectivo da equipa. Por isso, não deixando de ser importante a denúncia de situações de prejuízo claro para o clube como as que ocorreram anteontem, tal deverá ser sempre acompanhado pelo reconhecimento dos erros próprios. 

robson 1.jpg

(ÉPOCA 93/94: FOTO WIKI SPORTING)

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