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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

05
Abr21

Mais uma vez bem, caro Amorim


Pedro Azevedo

Saúdo o discurso de Rúben Amorim na antevisão do Moreirense-Sporting de hoje, o qual vem ao encontro de um Post que aqui publiquei recentemente. Reitero a importância de abandonarmos a ilusão dos milhões e de nos focarmos numa estrutura de custos eficiente e assente na Formação que assegure um ciclo virtuoso do clube, com estabilidade no núcleo duro do plantel, uma equipa vitoriosa em Portugal e capaz de dar cartas na Europa. Nesse sentido, o ciclo recente do Ajax (finalista da Liga Europa em 2016/17 e semi-finalista da Champions em 2018/19) deve servir de inspiração para  o que virá a seguir. Bom, mas isso será o futuro, hoje há que bater o Moreirense. Força, Leões!

04
Abr21

João Capela e o “limpinho, limpinho”


Pedro Azevedo

"Era (foi) um jogo que necessitava de video-arbitro. A minha carreira teria sido diferente, se tivesse havido VAR nesse jogo" - declarações do ex-árbitro João Capela a A Bola no âmbito do celebérrimo Benfica-Sporting em que ficaram várias penalidades por marcar a favor do Sporting, o mesmo que Jorge Jesus, à época treinador do Benfica, classificou como "limpinho, limpinho" do ponto de vista da influência da arbitragem no resultado final. 

joao capela.jpg

30
Mar21

Sporting em alta também na Selecção


Pedro Azevedo

Na primeira parte dei por mim a pedir a entrada de Palhinha, naquela fase em que Portugal não tinha controlo do jogo no meio campo e parecia que faltava intensidade e pressão sobre a bola à Equipa de Todos Nós. No segundo tempo entrou... e marcou. A jornada tripla acabou por ser muito importante para a valorização dos activos do Sporting. Palhinha e Nuno Mendes estrearam-se como internacionais e não deixaram os seus créditos por mãos alheias. Se Palhinha fez 1 golo, o nosso lateral/ala esquerdo destacou-se por este parecer ser o seu habitat natural, não se perturbando com o peso da responsabilidade. Foi titular em dois jogos, fez a assistência para o golo (da "vitória") incorrectamente não validado na Sérvia e hoje protagonizou um lance (52 minutos) que não terá escapado ao olhar atento e conhecedor dos grandes clubes europeus. Oxalá o consigamos manter por mais algum tempo, sendo certo que havendo propostas deveremos ser irredutíveis em relação ao valor da cláusula de rescisão, porque precisamos do Nuno, como do João e de todos os outros jovens que se vêm afirmando, para finalmente impormos um ciclo de Sporting que se assemelhe ao que mediou entre 46 e 54. Bom, mas isso já sou eu a sonhar, a realidade agora são os 10 jogos de campeonato que ainda temos pela frente, os quais teremos de ir superando um a um. Cada coisa a seu tempo, ainda que o futuro não só traga água na boca como deva ser encarado com grande responsabilidade e precisão de ourives. 

29
Mar21

A todo o gás em Sines


Pedro Azevedo

Sines foi este fim de semana uma porta de entrada para o contentor de golos com que a equipa de futsal do Sporting presenteou a sua homóloga do Benfica. Em jogo estava a Taça da Liga e a amarração dos encarnados iniciou-se com um golo de Merlim, o mago leonino. Antes do intervalo, Rocha refinou um pouco mais o marcador. No segundo tempo o Sporting chegou até aos 5-0, cortesia de Zicky (por duas vezes, há petróleo na nossa Formação!!!) e Pauleta. O Benfica ainda reduziu para 5-2, mas um último golo do capitão João Matos deixou a diferença final no resultado em águas profundas. Uma grande vitória do Sporting e mais um título na carreira do nosso Nuno Dias.

sporting futsal.jpg

24
Mar21

Meia palavra devia bastar...


Pedro Azevedo

À chegada ao Equador, onde foi integrar a sua selecção, Plata mostrou não compreender a razão pela qual foi alocado à equipa B. Eu diria que o facto de 2 anos depois o seu entendimento colectivo do jogo ter evoluído pouquíssimo poderá ser uma pista. O resto já Rúben Amorim, subliminarmente, deu a entender de forma pública. Por comparação, atente-se, por exemplo, nos desempenhos de Tiago Tomás, Matheus Nunes, Gonçalo Inácio ou Nuno Mendes: TT já jogou como ponta de lança, interior e lateral/ala (em casa, contra o Gil Vicente, marcando até um golo em que revelou excelente entendimento do que era pedido quando Sporar fez um deslocamento lateral seguido de apoio para Bragança e ele teve a inteligência de vir para dentro e concretizar), Matheus teve boas prestações como médio, interior e lateral/ala, Inácio adaptou-se a qualquer posição da linha de 3 (inclusivé a jogar de pé trocado) e Mendes chergou à selecção e já foi lateral/ala e central pela esquerda com um excelente aproveitamento. Para bom entendedor...

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24
Mar21

Dário, Isnaba, Guilherme, Octávio...


Pedro Azevedo

A surpreendente chamada de Dário Essugo ao plantel principal do Sporting veio mais uma vez chamar à atenção para o talento que existe nos escalões de formação do Sporting. Para quem não acompanhe tanto, junto aqui mais alguns nomes que têm estado desaparecidos no radar dos adeptos em virtude da interrupção dos campeonatos jovens: Guilherme Santos, Saná Fernandes, Francisco Silva, Salvador Gomes, Tiago Octávio, Isnaba Mané, Martim Marques ou Mateus Fernandes. O Guilherme é aquele jovem que um dia a todos surpreendeu na Pontinha quando revelou um discurso muito maduro e com todos os valores Sportinguistas presentes. Habitualmente escolhido como capitão, o Guilherme é um médio de grandes recursos técnicos e grande chegada à área (pode também jogar como segundo avançado, ao estilo de João Vieira Pinto), a quem faltará porventura um crescimento físico ao nível do seu talento. De apenas 15 anos, Saná é um jovem extremo muito forte no drible, característica aliás comum ao seu irmão Joelson. Chamo também a atenção para os guarda-redes Francisco Silva (só perfaz 16 anos em Novembro) e Salvador Gomes, ambos muito fortes na mancha e com excelente presença entre os postes. Um pouco mais velhos (7, 8 meses), Tiago Octávio e Mateus Fernandes são dois médios de excelente técnica. Octávio destaca-se mais pelos deslocamentos frontais com bola, Mateus é um organizador que revela excelente leitura de jogo e circula mais o esférico, juntos reeditam um pouco as características da dupla Matheus Nunes/Daniel Bragança. Mané é um quebra-cabeças na ala esquerda, um jogador de desequilíbrios. Martim Marques é um lateral esquerdino que sobe muito, com excelente técnica, habilidade na finta e qualidade no cruzamento. Outros miúdos como Mamadu Djaló ou Pedro Sanca poderiam também merecer destaque. Queremos vê-los muito mais e vamos certamente ouvir falar deles no futuro, assim as condições sanitárias o permitam. Mantendo a estratégia de aproveitamento da sua formação, o futuro do Sporting continuará assegurado nestas duas gerações de jogadores.

23
Mar21

NextGen 2021


Pedro Azevedo

O Sporting é o único clube português representado na lista "NextGen 2021: as 50 maiores revelações do futebol mundial" publicada hoje pelo portal Goal.com. E logo com 3 jogadores: Nuno Mendes, Eduardo Quaresma e Joelson Fernandes. Nesta lista, que contempla apenas jogadores nascidos a partir de 1 de Janeiro de 2002, onde surpreendentemente não consta Tiago Tomás (Gonçalo Inácio nasceu em Agosto de 2001), Nuno Mendes é o mais bem classificado dos leões, aparecendo na 23ª posição. Dos restantes, Quaresma figura no 36º posto e Joelson é o 44º colocado. O pódio é composto por Ansu Fati (1º, Barcelona), Eduardo Camavinga (2º, Rennes) e Gio Reyna (3º, Borussia Dortmund). Mais um bom sinal de valorização da Academia Sporting e da sua formação. 

nuno mendes nextgen.jpg

eduardo quaresma nextgen.jpg

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23
Mar21

Penso, logo desisto


Pedro Azevedo

Leio que fizemos uma parceria com uma instituição especializada em encontrar jovens talentos escandinavos "cognitivamente desenvoltos". Parece-me uma boa forma de reformular o Gabinete Olímpico. Assim, se os meninos e meninas não souberem dar dois pontapés na bola, podemos sempre inscrevê-los nas Olimpíadas da Matemática. Ou no Xadrez. E na Sueca, também, obviamente. Com a vantagem, dada a púbere idade, de tal contributo poder ser dado por correspondência. 

 

P.S. Diz o Director da instituição, que tem sede na Ericeira, que esses jovens "contrastam com os portugueses". Entretanto, no seu site anunciam que no Verão irão visitar 30 diferentes locais na Escandinávia.

23
Mar21

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 32 jogos - 24 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa, 3 para a Taça de Portugal e 3 para a Taça da Liga -, obtendo 26 vitórias (81,25%), 4 empates (12,5%) e 2 derrotas (6,25%), com 63 golos marcados (média de 1,97 golos/jogo) e 19 golos sofridos (0,59 golos/jogo).

 

Individualmente, Rúben Amorim mantém o 3º lugar no Top 5 da exclusiva lista de treinadores do Sporting com maior percentagem de vitórias. Numa altura em que já realizou 43 jogos pelo clube em diversas competições, Rúben apresenta um registo de 74,4% de vitórias (32 em 43) em todos os jogos, superando homens como o húngaro József Szabó e o tri-campeão Randolph Galloway. O líder continua a ser o também inglês Robert Kelly (79,2%), seguido por Cândido de Oliveira (75,3%), por Amorim, pelo húngaro Alexander Peics (73, 1%) e József Szabó (72, 2%).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas de golo):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (15,4,6), N. Santos (7,9,1), TT (6,2,4);

2) MVP: Pedro Gonçalves (59 pontos), Nuno Santos (40), TT (26); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (25 contribuições), N. Santos (17) e Porro e TT (12);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (15 golos), Nuno Santos (7) e TT, Jovane e Coates (6);

5) Assistências: Nuno Santos (9), Pote (4), Porro, Tabata, João Mário e Feddal (3).

 

Fazendo uma análise por sectores em termos de pontos MVP (golo=3; assistência=2; participação=1), teremos:

 

Pontas de Lança (total=59)TT (26), Sporar (20), Vietto (7), Pedro Marques (6)

(nota: TT também jogou como interior)

tt1.jpg

Interiores (total=136)Pote (59), Nuno Santos (40), Jovane (23), Tabata (14)

(nota: Jovane também jogou como ponta de lança)

pote3.jpeg

Médios Centro (total=34): João Mário (13), Matheus Nunes (10), Palhinha (8) e Bragança (3)

joaomario.jpg

Laterais/Alas (total=40)Porro (23), Nuno Mendes (11), Plata (4), Antunes (2)

Pedro-Porro.jpg

Centrais (total=43)Coates (22), Feddal (11) e Gonçalo Inácio (10)

Coates.jpg

Guarda-redes (total=2): Adán (2)

adan1.jpg

Conclusões:

  • A posição de Interior contribui em acções de golo cerca de 2,3 vezes mais do que a posição de Ponta de Lança; A posição de Médio Centro tem menos preponderância nos nossos golos que a de Lateral/Ala e de Central, o que pode indicar que RA vê-os mais como um factor de equilíbrio defensivo, sendo os desequilíbrios ofensivos mormente produto da circulação em "U";
  • Ordem de importância no golo: Interiores, Ponta de Lança, Centrais, Laterais/Alas, Médios Centro, Guarda-redes;
  • Um total de 20 jogadores já contribuiu para os golos leoninos. Dos utilizados, apenas Max, Neto, Quaresma, Borja, João Pereira, Paulinho, Matheus Reis e Dário Essugo ainda não tiveram preponderância nos golos marcados. 

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

RANKING GAP 230321.png

21
Mar21

Tudo ao molho e fé em Deus

Cinderella Man


Pedro Azevedo

Imaginem um clube com sorte madrasta, durante anos tratado como o enteado pobre do futebol português. Desprezado pelos dois filhos do sistema, que nunca perdiam uma oportunidade de dele troçarem, viu-se obrigado a desde cedo trabalhar na regeneração do nosso futebol. Um trabalho na sombra, anos e anos a fio convertido em retalhos por acção directa dos filhos do sistema e assim condenado a nunca emergir no baile de gala de encerramento da época desportiva, um motivo de redobrado sofrimento para todos os que dele gostavam.

 

O sofrimento como marca de existência e uma resiliência a dar razão a Schopenhauer quando classificava o sofrimento como positivo porque não inebriante ou ilusório como a felicidade e portanto revelador da condição humana. "Sofro, logo existo", como paradigma do ser Sportinguista. Até que um dia surgiu uma fada que tudo encantou. De uma abóbora fez uma carruagem dourada, seis ratinhos foram transformados em majestosos cavalos, um rato maior tornou-se cocheiro. Uns sapatinhos feitos à medida de campeão apareceram como que por encantamento, calçando-o para o baile. Logo todos os que gostavam dele se interrogaram se seria real. Poderão anos e anos de sofrimento terminarem com um passe de magia? O nosso receio, o que nos inquieta à noite, é que a carruagem se volte a transformar em abóbora.

 

Vem esta alegoria a propósito do papel de Rúben Amorim na afirmação deste novo Sporting. Amorim é o nosso "Cinderella Man", capaz de mostrar que é de ouro que se fazem os produtos da nossa Academia. Com ele, a nossa existência passou a ser um transcender de liberdade, aquilo que Jaspers ensina que abre caminhos. Como a caminho entre Alcochete e Alvalade, aberto por Amorim quando colheu 6 dos semeados por Aurélio Pereira e seus seguidores e os exibiu na grande montra de ontem. Com outros dois a preencherem a segunda parte. À semelhança de outros jogos em que fomos reganhando a nossa identidade. Dando assim um sentido às coisas. E logo quando tudo parecia perdido, o que dá à emergencia de Amorim um toque de transcendental, como na parábola de Kierkegaard onde um homem determinado a pôr fim ao seu sofrimento e prestes a atirar-se ao Tamisa (o Tejo, para o efeito) é salvo por uma picada de um mosquito que lhe interrompe o movimento. Abençoada picada, certamente. E encantado mosquito.

 

E que bonito é observar os nossos produtos de Alcochete. Com simplicidade, tudo se poderia reduzir à iluste Casa de Bragança, senhorial na arte da posse, douta em conhecimentos aprofundados de geometria e impenetrável às vagas de ataque do "inimigo", onde coexistem o tiki-taka do João e do Daniel, o GPS do Inácio, o rochedo Palhinha, o colosso Tomás - dois fins de semana consecutivos a mandar centrais para o estaleiro com caîbras aos 60 minutos de jogo - e a serpente Mendes, mas também o belo cisne Cabral e o bebé Essugo. Não sei como esta bela aventura irá terminar, mas volto a Kierkegaard para recuperar os seus 3 estádios da existência humana: tendo nós sempre desprezado o estético, em que o prazer momentâneo do belo e de um desejo imediatista (a "facilidade") é garantia de felicidade, encontrámos nas leis da moral e da conduta universais um patamar melhor para a nossa existência. Porque a ética é universal, ao contrário do ser que é único e individual. E assim, arregimentados por um valor comum, contra ventos e marés procuramos a nossa verdade comum. O que nos leva ao último estádio, o do compromisso com a nossa fé. De ser Sportinguista, de ser (Ser?) Sporting.  

 

P.S. Espero que o senhor José Pereira da Inspecção do Trabalho não nos multe por fraude na atribuição de contrato de trabalho ao jovem Dário.  

 

Tenor "tudo ao molho...": João Palhinha. Gonçalo Inácio, Daniel Bragança, Tiago Tomás, Pote e Jovane mostraram pormenores distintivos. E estreou-se o jovem Dário Essugo, 16 aninhos acabados de perfazer, com dedicatória para todos os papás de meninos que querem jogar futebol ao mais alto nível e tudo. Uma palavra final para a estupenda arbitragem de Tiago Martins, um árbitro não poucas vezes traído pela vaidade mas que ontem deixou o palco para os músicos e permitiu que sobressaísse a qualidade das partituras. Grande trabalho!

DarioEssugo.jpg

19
Mar21

O trio de trás


Pedro Azevedo

Com Coates indisponível por suspensão devida a acumulação de amarelos, Rúben Amorim terá de operar uma alteração no habitual trio de centrais titular. Nesse sentido, entrará Neto ou Matheus Reis. Na minha opinião será Neto, porque não é crível que Amorim queira jogar com 3 centrais esquerdinos em simultâneo. Por outro lado, coloca-se a questão se a entrada de um jogador mexerá, ou não, com as posições dos restantes. Creio que Amorim não prescindirá de Feddal ao meio, solução sempre encontrada nas ausências de Coates, pelo que o mais certo é Neto aparecer pela direita, o marroquino no centro e Inácio voltar à esquerda. Não me parece que a questão das rotinas recentes deva prevalecer sobre o maior à vontade que os jogadores têm em certas posições, razão pela qual a solução de Neto entrar directamente para o centro (posição natural de Coates) parece-me pouco concretizável. Aliás, Neto tem vindo sempre a ser utilizado como central pela direita. E o Leitor? Como perspectiva o que Amorim virá a fazer?

17
Mar21

0 seu a seu dono


Pedro Azevedo

Para que fique claro, todo o imbróglio à volta do "caso Palhinha" deriva de duas situações:

1) O árbitro não se mostrou à altura do seu ofício quando se precipitou e tirou apressadamente do bolso o cartão amarelo. A prová-lo o facto de, posteriormente, ter alegado que o seu ângulo de observação não era o melhor, o que deixa a questão da razão pela qual um árbitro internacional, e como tal experiente, não teve a frieza de espírito de em campo consultar o seu auxiliar, esse sim com uma visão privilegiada (jogadores de frente para si) do lance em discussão.

2) A posterior admissão pública do erro por parte do árbitro seria perfeitamente inócua em sede de justiça desportiva caso o Sporting não tivesse recorrido para o TAD e, dada a impossibilidade deste de decidir em tempo útil, para os tribunais (providência cautelar), facto que não poderia deixar de ser do conhecimento do árbitro aquando da sua declaração pública. Tratou-se assim de um lavar de mãos como Pilatos, deixando a batata quente para o Conselho de Disciplina (este só teria tomado uma decisão diferente caso o árbitro no relatório tivesse indicado não ter visibilidade perfeita do lance, algo que aliás não alegou na medida em que não tinha qualquer obstáculo à visão do lance, os jogadores não estavam era de frente para si). Este só fica mal visto junto da opinião pública devido ao procedimento que tinha montado, o qual não lhe permitia ouvir o árbitro (o relatório não é suposto narrar uma versão diferente daquela que o árbitro "viu" no campo, pois não é suposto incluir o visionamento de imagens televisivas), provavelmente a fim de não criar um precedente de sucessivos recursos que pusessem em causa a celeridade da justiça desportiva em matéria de aplicação do regulamento disciplinar. Ora, pesando os dois pratos da balança, ainda assim penso dever ser sempre de fazer prevalecer a verdade desportiva, ainda que não seja completamente certo que futuramente todos os árbitros instados a se pronunciar em matéria que possa conduzir a despenalizações venham a ter tal como prioridade mediante eventuais pressões mediáticas (directores de comunicação, nomeadamente) a que estejam sujeitos. Adicionalmente, ao contrário do que já li por aí, o TAD não foi sensível à alegação feita pelo Sporting de que o jogador Palhinha não foi ouvido, mas sim ao facto de o árbitro ter publicamente reconhecido o erro (ainda que isso perante as antigas regras do CD fosse, repito, inócuo).  

 

À boa maneira portuguesa, o árbitro, que cometeu o pecado original, está aí a apitar sem consequências de maior. Não foi para a "jarra", pelo contrário apitou logo uma série de jogos de seguida, sinal inequívoco da confiança que merece para o Conselho de Arbitragem. Em oposição, sobrou para Cláudia Santos o ónus da ira popular. Quanto ao Sporting, aproveitou bem os mecanismos jurídicos à sua disposição, defendendo os seus direitos e os do seu jogador. O TAD decidiu bem, dando prioridade à verdade desportiva e considerando a opinião posterior do árbitro.

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