Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

07
Jan21

Alex Apolinário


Pedro Azevedo

O jogador Alex Apolinário, que me era de triste memória por ter marcado um golo, aliás soberbo, ao meu Sporting em eliminatória da Taça de Portugal, veio a falecer esta madrugada na sequência de uma paragem cardiorrespiratória sofrida Domingo passado durante um jogo contra o União de Almeirim. Pondo tudo em contexto do que é relativo, afinal a recordação que tinha do David do Ribatejo que havia feito frente ao Golias português não era assim tão triste, triste mesmo é ver desaparecer aos 24 anos este médio brasileiro formado no Cruzeiro cuja capacidade técnica augurava outros vôos. Ou não, acreditando que no Céu encontrará a paz eterna. À família enlutada, amigos, Futebol Clube de Alverca e a todos os que gostavam de o ver em campo apresento aqui as minhas sentidas condolências. RIP! 

alex apolinário.jpg

06
Jan21

Foi assim que aconteceu...


Pedro Azevedo

19.04.2019  Nacional - Sporting 0-1

 

Crónica "Tudo ao molho...": Ovos K

 

Mahatma Gandhi, que até gostava muito de futebol, dizia sobre a vida que a alegria está na luta, no sofrimento envolvido, na tentativa e não na vitória propriamente dita. Os jogadores do Sporting pareceram partilhar este pensamento e hoje, na Madeira, esforçaram-se até à exaustão para o pôr em prática. Em particular, o Diaby até se esmerou, cada falhanço na cara de Daniel Guimarães equivalendo-se à nona sinfonia de Beethoven. É certo que a época pascal que vivemos é propícia ao perdão, mas, caramba, também não era preciso exagerar...

 

O jogo até começou de forma auspiciosa - cartão amarelo a Acuña - , o que deve ser considerado como uma importante melhoria face ao acontecido na Vila das Aves. Na ausência de Wendel - Raphinha (lesão) e Renan (castigo federativo, cartão vermelho no jogo anterior) também estavam impedidos - , Idrissa Doumbia foi a jogo. O problema é que o marfinense foi ocupar em simultâneo o mesmo lugar no espaço que Gudelj, desafiando assim o Princípio da Impenetrabilidade da Matéria, algo que não pareceu incomodar demasiado Marcel Keizer mas é coisa para ter perturbado o repouso de um tal Isaac Newton. 

 

Sem quem transportasse o jogo pelo meio, os leões optaram por não fazer recuar Bruno Fernandes. Em vez disso, o maiato deslocou-se para a esquerda, procurando combinar com o falso ala desse lado (alternadamente Diaby ou Jovane) que entretanto se havia aproximado de Luís Phellype no eixo do ataque, ou pedindo a profundidade de Acuña para que este colocasse a bola na área. Perante a dúvida, a defesa nacionalista foi soçobrando e as oportunidades sucederam-se. Nesse transe, Diaby, por três vezes, podia ter marcado e o mesma aconteceu com Jovane, um jovem que parece apostado em aprender o pouco entendível francês do Mali. Em todas as vezes, Daniel Guimarães esteve no caminho da bola. O Felipe das Consoantes também tentou e tirou um coelho da cartola digno de fazer inveja a um qualquer vogal de um conselho de administração. Infelizmente, a bola saiu ao lado. Pese todo o pendor atacante, a falta de eficácia impediu o Sporting de chegar ao intervalo em vantagem no marcador. 

 

Para a etapa complementar, Keizer pareceu ter ordenado a Doumbia que se adiantasse no terreno e tentasse transportar jogo. Embora fora da sua posição natural, Idrissa procurou jogar mais para a frente e numa dessas ocasiões serviu soberbamente Diaby, mas o maliano com a baliza toda à mercê conseguiu encontrar um corpo na direcção da bola.  Logo de seguida, com a baliza escancarada, o suspeito do costume não chegou à bola por um triz. Aos 55 minutos, o Gudelj viu um cartão amarelo, motivo que o impede de jogar a próxima partida contra o Guimarães. O drama, a tragédia, o horror terá pensado a SportTV, que logo o nomeou para "Homem do Jogo"...

 

O Sporting continuava a distribuir Ovos Kinder, ou Keizer, ou lá como se chamam esses presentes de Páscoa, aos nacionalistas, até que Acuña levantou para a área e Luíz Phellype não perdoou. Em vantagem, Jefferson rendeu Jovane (e Miguel Luís substituiu Gudelj), continuando Acuña como lateral. O brasileiro serviu Diaby para golo mas o destino foi o do costume. Houve tempo ainda para vêr o ex-Brugge mostrar os seus dotes de recepção quando isolado para a baliza meteu canela a mais na bola, naquilo que deverá passar a fazer escola na Academia como "domínio à Diaby". Posto isto, a mim é que tiveram que dominar. Os nervos, claro. Ah, e claro, o Xico entrou a 1 minuto do fim, em nova "oportunidade" concedida pelo Keizer. Já dizia a Luísa Sobral: "Ó Xico, ó Xico, onde te foste meter?".

 

Tenor "Tudo ao molho...": Luíz Phellype (marcou o único golo do jogo e lutou bastante). Destaques para Mathieu, que muitas vezes fez de "8" em penetrações pelo meio-campo do Nacional, Acuña, que dominou totalmente o lado esquerdo da defesa, e Gudelj, hoje muito mais intenso defensivamente do que aquilo que tem sido normal nele, embora continue a não dar ao jogo atacante aquilo que é necessário num clube de topo. 

 

P.S. falando agora muito a sério, foi um prazer ouvir Gudelj expressar-se num quase perfeito português e sem aquele sotaquezinho castelhano que poderia advir do facto de ter acompanhado o pai quando este foi profissional de futebol em Espanha. Aliás, tanto quanto sei, o sérvio fala seis linguas. Muitas vezes critico-o pelas suas acções no campo, mas aqui fica o meu apreço por alguém que mostra respeitar o clube e o país, se comporta de forma profissional e é inteligente.   

luíz phellype.jpg

06
Jan21

Estrelinha vs sorte


Pedro Azevedo

Tenho lido nos últimos dias diferentes abordagens ao jogo que no pretérito Sábado disputámos com o Braga. Umas com uma análise que me parece excessivamente resultadista, outras pondo a tónica substancialmente na sorte. Com umas e outras não estou de acordo. Eu explico: quem leu a minha crónica sobre o jogo lembrar-se-á que eu acentuei a questão da estrelinha. Porventura, algumas pessoas terão ligado isso à sorte. Ora, se se relembram, eu associei a estrelinha ao destino, não à sorte. Por algum motivo a estrelinha é uma palavra do jargão futebolístico que habitualmente surge acompanhada por uma outra palavra: campeão. Juntamente com o artigo, compõe-se assim a expressão "estrelinha de campeão", o que no meu entendimento logo sugere uma dissociação face à sorte como factor meramente casual ou aleatório. Ora, em condições normais de pressão e temperatura, não há campeões sem mérito, pese embora em alguns momentos decisivos a tal estrelinha possa estar presente. Foi isso aliás que aconteceu ao Sporting nos jogos com o Famalicão e o Farense, em que golos ao cair do pano nos deram a vitória. Associei isso ao destino, como se o guião já estivesse antecipadamente escrito. Porém, isso não quer dizer que esse guião seja definitivo, a prova disso sendo a grosseira interferência externa que resultou na anulação do golo a Coates em Famalicão. Também com B SAD e Braga se sentiu essa estrelinha nos momentos decisivos, mas tal está mais associado ao imenso mérito de Adán do que à sorte no sentido aleatório do termo. Não que o jogo não tenha também uma componente de sorte. Por exemplo, o mesmo Adán pôs-se a jeito quando deixou a bola passar à sua frente após um pontapé de canto. Por sorte pura, ou demérito dos braguistas, a bola não encontrou o fundo das redes. Adicionalmente, a bola no poste não foi golo por escassos centímetros, eventualmente menos até do que a exígua medida que colocou Paulinho em fora de jogo no lance do golo invalidado ao Braga. Será que a uma diferença que não se nota a olho nu se deve creditar mérito? A não ser que alguém esteja na posse de informações que comprovem as extraordinárias competências como geómetras dos centrais leoninos (quiçá discípulos de Lagrange), na minha opinião não. 

A verdade é que nunca procurei na sorte a explicação para qualquer facto da minha vida. Não que não exista algo de aleatório, mas porque na maior parte das vezes aquilo que chamamos de sorte é essencialmente uma combinação de uma preparação adequada com a oportunidade certa. Isso serve para explicar o nosso primeiro golo: se o Pote tem uma percentagem de eficácia de remate superior a 42%, será assim tão de estranhar que à primeira oportunidade marque um golo? Do meu ponto de vista, insólito seria enviar a bola até ao hipódromo do Campo Grande, algo que não surpreenderia num Bolasie, por exemplo. Outro exemplo: a entrada de Matheus trancou o jogo. Isso foi absolutamente perceptível para quem assistiu à partida. Ainda assim poderia ter havido um momento de sorte pura dos braguistas, um ressalto ou algo do género em que o futebol é fértil, que certamente alteraria, do meu ponto de vista injustamente, o entendimento geral da sagacidade demonstrada por Ruben Amorim no momento de promover essa alteração. Mas não foi isso que aconteceu. Pelo contrário, o Matheus, que entrou para equilibrar o jogo (primeira alteração até hoje do modelo de Rúben), acabou por ser um factor de desquilíbrio ao sentenciar a partida após um ressalto de bola no guarda-redes. A tal estrelinha.

Não sou dado a questões extra-sensoriais, mas acredito que quando se trabalha bem se está mais perto do sucesso. Isso, aliado à energia positiva que sinto à volta da nossa equipa, creio que abre um caminho para o sucesso. Os deterministas chamar-lhe-ão o destino. Todavia, há agentes externos que poderão alterar esse destino que se perfigura. A nós caber-nos-á ser competentes em tudo o que dependa de nós, razão pela qual será sempre mais importante a autoconsciência, aprendendo com os erros e corrigindo-os, em vez de, simplisticamente, ignorá-los em função de um resultado final. Essa pelo menos é a minha opinião, não querendo com isto condicionar o direito à mesma por quem pensa de outra forma. Simplesmente, também tenho direito à minha, sem que de tal se possa creditar menos mérito à nossa saborosa vitória. Daí este esclarecimento. 

05
Jan21

O Sporting de Rúben Amorim


Pedro Azevedo

O futebol é um desporto que combina os aspectos técnicos, tácticos, físicos e mentais, sendo a maior ou menor capacidade de integrar harmoniosamente todos eles um factor crítico de sucesso (considerando apenas o que acontece dentro das quatro linhas e não relevando alegados jogos subterrâneos em que o futebol português frequentemente se vê envolvido). Assim sendo, pensei em deixar aqui a minha avaliação à actual equipa de futebol do Sporting, subordinando-a ao desempenho em cada um dos aspectos acima mencionados. Então, aqui vai:

 

- Técnica: a contratação de Pedro Gonçalves, regresso por empréstimo de João Mário e promoção de Matheus Nunes vieram dar a este equipa do Sporting um toque distintivo de classe. Pote é um jogador que partilha com Bruno Fernandes a capacidade de enquadrar o remate com a baliza. Ilustrativo disso é o facto de deter o melhor registo de eficácia de remate da Primeira Liga,registo esse traduzido no facto de 42,3% dos seus remates terminarem em golo. Raramente o vemos a chutar à toa na hora da finalização, pelo contrário os seus remates mais parecem um passe à baliza onde a colocação da bola é a prioridade. Além disso, é um jogador fino e inteligente, dotado de apurada visão de jogo, que bastas vezes recua da posição de interior para a de médio centro para ajudar na organização de jogo da sua equipa e provocar uma nuance táctica capaz de desequilibrar o opositor. O "Pantufas" é um jogador diferente. Muito hábil, parece bailar com a bola. Não é mais o jogador desequilibrador que vimos em 15/16, mas tem reservado o papel de controlo da qualidade da posse no miolo do terreno. Destaca-se pelo passe preciso nessa zona nevrálgica do terreno, raramente perdendo a bola e ajudando a equipa a sair em segurança desde trás. O "Menino do Rio" é um jogador de técnica finíssima. Por motivos que têm a ver com o rendimento da equipa, essa qualidade foi durante muito tempo desvalorizada por renomados experts do futebol. Talvez por jogar fora da sua posição natural aquando da ausência de Palhinha, Matheus viu-se obrigado a esconder o seu jogo. Mas há pormenores que não escapam a um olhar cuidado sobre o jogador. Desde logo, a forma como recebe de frente para a sua baliza e como roda com facilidade para qualquer um dos lados, independentemente de estar a ser pressionado, e fica a ver o jogo de frente. Depois, a passada larga com bola que lhe permite rapidamente galgar 20 ou 30 metros e criar desequilíbrio. Por fim, a exclusividade do seu "Turn", um tipo de finta que faz lembrar a especialidade desenvolvida por Johan Cruijff e que só está ao alcance de alguns eleitos. Sequeira pôde testemunhá-lo, ao vivo e a cores, no Sábado passado. Além dos supracitados, Bragança tem jogado menos mas tem um toque de bola distintivo e uma capacidade de passe de ruptura frontal que impressiona.

Atendendo às opções tácticas de Amorim, o Sporting tem neste momento 2 jogadores no seu onze titular com imensa categoria e um 12º jogador que não lhes fica atrás. Qualidade de nível mundial, porém não de forma abundante se pensarmos em categoria-extra que faz ganhar jogos individualmente. Nota (0 a 10): 6 

 

- Táctica: o 3-4-2-1 de Rúben Amorim tem potenciado as melhores qualidades dos nossos jogadores e escondido as suas maiores fraquezas. Nesse sentido, é um modelo vencedor, na medida em que a equipa tem sido claramente melhor do que o somatório dos seus valores individuais. Obviamente, há ainda muito a desenvolver. Na minha opinião, ofensivamente, a interligação do meio campo com os interiores está ainda longe de ser bem conseguida. Apesar da qualidade de passe curto de João Mário, há pouca progressão e o jogo empastela muito no meio campo. Nesse sentido, o jogo posicional do Sporting não é muito eficiente, acabando a equipa por tirar mais partido do ataque rápido ou da transição. Jogando João Mário mais longe de Palhinha do que no passado Matheus Nunes, o risco é de o internacional português acabar por roubar espaços que Pote tanto gosta de ocupar quando recua no terreno. Creio que esse aspecto carece de uma melhor articulação e tem estado na origem de um maior apagamento recente do ex-famalicense. Por outro lado, defensivamente, acontece muitas vezes vermos João Mário envolvido com os interiores e o ponta de lança na pressão alta sobre a saída de bola adversária. O risco é o de, passada essa zona de pressão, o adversário surgir em superioridade numérica no miolo do terreno, sendo Palhinha escasso para tanto fogo à sua volta. O B SAD soube explorá-lo, o Braga também com a nuance de Paulinho descer para ajudar a criar superioridade numérica nesse sector. Todavia, este sistema tem funcionado muito satisfatoriamente, permitindo um bom balanceamento ofensivo dos nossos laterais/alas e concomitantes desequilíbrios que permitem aos interiores jogar por dentro e aproveitar os espaços que aparecem por via da dissuasão provocada nas bandas do campo. Adicionalmente, os centrais recolhem conforto com este sistema, escondendo até o défice de velocidade que os caracteriza. A equipa jogo relativamente junta e raramente se desequilibra de uma forma flagrante, os jogadores vão para o campo com o guião certo e sabem exactamente o que fazer. Nota: 8

 

- Físico: os laterais/alas e o ponta de lança são os jogadores sujeitos a um maior desgaste, logo seguidos pelos interiores e médio defensivo. Os restantes quase que jogam de cadeirinha. Neste Sporting, os jogadores não correm por correr, sabem exactamente o que fazer, o que limita as perdas de rendimento do ponto de vista físico. Tiago Tomás (ou Sporar) será o jogador sujeito a maiores gastos de energia, com a equipa muitas vezes recorrendo aos seus apoios frontais à falta de melhor solução. Isso prende-se com a menor capacidade de saída de bola dos centrais e com o condicionamento adversário a Palhinha, o que, mais do que deveria, obriga a chutar a bola directamente para a frente. Os laterais também têm uma função desgastante, sempre acima e abaixo, sendo de destacar a forma física de Porro face a um Nuno Mendes que tem vindo a ser arreliado por algumas lesões. Do ponto de vista físico, a resposta global da equipa tem sido muito positiva, para o qual também contribui a rotação que Amorim sabiamente tem vindo a operar, limitando o desgaste. O não envolvimento nas competições europeus, sendo sempre negativo para um cube que tem como lema "tão grande como os maiores da Europa", tem sido um daqueles males que vêm por bem, permitindo à equipa treinar e não estar permanentemente a ter de jogar. Ainda assim, a sensação que o adepto recolhe é que a equipa vende saúde, tem disponibilidade física e uma "alma até almeida". Nota: 8

 

- Mental: quando vemos um jogador a mimetizar os voleibolistas e a lutar por cada lançamento lateral como se de um ponto se tratasse, então não há como não ficar agradado com o que se observa. Esse jogador, Porro, é claramente diferenciado do ponto de vista mental e parece ser feito daquela massa que consolida os campeões. Não é porém caso único: quando um suplente muito pouco utilizado como Pedro Marques é visto a ir ao fundo das redes adversárias após cada golo que marca, ficamos com a sensação que há muita competitividade e sede de ganhar nesta equipa. Nuno Santos é outro jogador particularmente raçudo, assim como Feddal, qualidade que lhe permite esconder algumas fragilidades. Coates e Neto também são vistos frequentemente a "dar o peito às balas", atirando-se para cima da bola e evitando golos certos, sinal de atitude. E quando à disponibilidade física se une a disponibilidade mental, então temos uma equipa. Nesse sentido, não é dispiciendo observar que 19 jogadores já contribuíram para os nossos golos, o que ilustra também a motivação dos que saem do banco para resolver. A sensação é que não há titulares absolutos, e isso constitui um factor de motivação para todo o plantel. A forma como Sporar entrou contra o Braga denota isso mesmo. Individualmente, há jogadores que podem ser mais fortes no aspecto mental. Por exemplo, a meu ver Matheus Nunes reune todas as condições físicas e técnicas para ser um jogador de topo. Melhorou também muito tacticamente com Rúben Amorim, pelo que o único limite que lhe encontro é o mental. Tem condições para exponenciar a meia-dúzia de intervenções que me fascinam em noventa minutos e traduzi-lo quantitativamente na produção de jogo. Raramente aproveita o remate forte e colocado que já lhe vimos nos sub-23 e ainda se mostra algo tímido em alguns momentos do jogo, parecendo não ter plena consciência das suas inúmeras capacidades. Todavia, não nos podemos esquecer de que há dois anos estava no Ericeirense, pelo que a sua progressão tem vindo a ser astronómica para um jogador que não teve escola e até há pouco tempo atrás conciliava o futebol com a actividade de pasteleiro.

Em traços gerais, gosto muito da atitude mental da equipa. Nota: 9

 

Nota final combinada: (6+8+8+9)/4= 7,75

amorim.jpg

02
Jan21

Tudo ao molho e fé em Deus

Predestinação


Pedro Azevedo

Se não há campeões sem estrelinha, o Sporting precisou da Ursa Maior para bater o Braga esta noite em Alvalade. O facto nem é novo e parece dar razão a quem acredita que o título nacional desta época está predestinado, teoria que começa a reunir simpatia entre místicos e deterministas Sportinguistas. Um dos maiores místicos que alguma vez escreveu sobre futebol foi o famoso cronista Nelson Rodrigues. Fanático do Fluminense, criou o personagem do Sobrenatural de Almeida para explicar fenómenos aparentemente incompreensíveis que assolavam negativamente o tricolar carioca. Porém, quando o Flu finalmente voltou a vencer um campeonato, Nelson jurou ver o fantasma do Gravatinha, o protector do Fluminense, popular adepto que segundo o cronista havia falecido em 1958 em consequência da gripe espanhola. Assim, para os místicos, o Sporting também terá o seu Gravatinha, o que até fará algum sentido na medida em que 1958 marcou a última vitória leonina no campeonato com o que ainda restava (Vasques e Travassos) dos majestosos 5 Violinos, entrando então o clube num ciclo menos virtuoso. Nesse transe, para fechar o ciclo e começar um novo virtuoso, o nosso Gravatinha terá regressado agora como fantasma em tempo de pandemia de Covid-19 com o propósito de nos oferecer o tão desejado título. Já para os deterministas, tudo se deve ao controlo das causas e seu prévio conhecimento. Da mesma forma que o atrito de pau e pedra explica o fogo, um bom treinador e a sua concomitante escolha do plantel adequado estarão na origem do desempenho que nos conduzirá à glória. Não sei se o António Salvador acredita no destino, ele que deixou sair o Rúben Amorim sem que o Sporting batesse a cláusula de rescisão, mas o mais certo é começar a ser acometido de superstições a cada nova visita a Alvalade. É que nunca se sabe o que poderá encontrar à noite no Museu... 

 

O Braga criou e o Sporting marcou, eis o sumário do que foi o jogo. Os arsenalistas tiveram 5 oportunidades claras de golo, os leões responderam com 100% de aproveitamento das ocasiões geradas. Outras situações não foram tão claras, como das duas vezes que Nuno Santos foi desarmado na "hora h", ou quando os pézinhos mágicos de Coates e Feddal impossibilitaram o que parecia inevitável por via dos remates de Iuri e Galeno, respectivamente. Todavia, se a maior ou menor eficácia faz parte do sortilégio do jogo, há que dar mérito às substituições operadas por Rúben Amorim que conseguiram estancar a supremacia que durante meia-hora os arsenalistas tiveram no miolo do terreno, zona nevrálgica onde por muito tempo Palhinha foi impotente para travar a superioridade numérica dos pupilos de Carvalhal. Valeu nesse período Adán, o poste e a desinspiração de Ricardo Horta. E se Adán deve melhorar com os pés, Raúl Silva teve dificuldade em ficar de pé, o que indica que os próximos tempos em Braga deverão ser de intensa terapia: como se já não bastasse o complexo de inferioridade do Salvador, ainda ter-se-ão de avir com o Síndrome de Ménière...  

 

Apesar de ser católico, acredito que Deus terá coisas muito mais importantes com que se entreter em detrimento do futebol, o que em parte ajuda a explicar o livre arbítrio que se vê por aí. Ainda assim, creio que há destinos que são factos inquestionáveis. Por exemplo, a viagem de metropolitano para o Campo Grande é um destino que está antecipadamente programado. Porém, isso não quer dizer que infalivelmente lá chegará, podendo por exemplo descarrilar por motivo de imprudência ou negligência do maquinista. Assim também é no futebol, onde o maquinista que transporta a mais apetecida taça anda geralmente de apito na boca. (E contra isso não há misticismos ou determinismos que nos valham.)

 

P.S. Se eu tivesse antecipadamente escrito o guião deste jogo, dificilmente escolheria um desenlace melhor. Ou não tivessem sido os meus dois jogadores preferidos - Pote (coitadinho, está tão mal que só leva 11 míseros golos no campeonato) e Matheus - os autores dos nossos dois golos. Mas, atenção, que não haja confusões: eu ainda sou de carne e osso e ao fim de semana não uso gravatinha. Outra nota: não conheço a lei do jogo que manda admoestar com amarelo chicuelinas como aquela aplicada pelo Matheus Nunes a um defensor do Braga. É que, em vez de cortar a jogada ao brasileiro, quanto muito o árbitro deveria ter-lhe pedido para cortar as unhas, a única parte do seu corpo que eventualmente terá tocado no bracarense (um pedido de autógrafo também não lhe ficaria mal, o soberbo drible assim o mereceria).

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pedro Porro (um leão de raça a dar o "Rugido" de Ipiranga) 

Festejosbraga.jpg

02
Jan21

Estatísticas da Liga 2020/21 (Jornada 11)


Pedro Azevedo

O Sporting continua a liderar isolado o campeonato. É também a equipa que menos golos sofre (8). Mantém o melhor marcador da competição (Pote). 

 

  1. Melhor rácio de CA p/ falta cometida: Braga (novo) - 10,7% (17º Sporting - 18,9%).
  2. Pior Rácio de CA p/ falta cometida: Famalicão - 20,3%. 
  3. Menos Faltas com. por jogo: Benfica - 13,5 Faltas (10º Sporting - 16,4 Faltas).
  4. Mais Faltas com. por jogo: Paços de Ferreira (novo) - 19,4 Faltas.
  5. Menos CA por jogo: Rio Ave - 1,6 (17º Sporting - 3,1).
  6. Mais CA por jogo: Famalicão - 3,2.
  7. Menos Golos Sofridos: Sporting - 8 golos. 
  8. Mais Golos Sofridos: Tondela - 23 golos.
  9. Mais Golos Marcados: Porto - 28 golos. 
  10. Menos Golos marcados: B SAD e Rio Ave - 6 golos.
  11. Menos Posse de bola: Farense (novo) - 43,5%.
  12. Mais Posse de bola: Porto (novo) - 60,3% (3º Sporting - 57,2%).
  13. O Sporting cometeu 180 faltas que se traduziram em 34 amarelos (rácio de 18,9%).
  14. Os jogadores do Sporting sofreram 212 faltas que deram 37 amarelos (17,5%).
  15. Porro e Tiago Tomás (26) são os leões que sofrem mais faltas.   
  16. Pote (aproveitamento de 40%) é o mais rematador do Sporting (25 remates).
  17. Pote é o Goleador da Primeira Liga (10 golos).
  18. Maior sequência vitórias consecutivas: Braga (6, entre a Jornada 3 e a Jornada 8).
  19. Mais Posse Estéril: Rio Ave (54,5%, 6 golos, 90 minutos de posse para fazer 1 golo).
  20. O crescimento no item acumulado de Posse de Bola do Marítimo pós-Lito Vidigal (de 39,5% para 44,5%) parece ter tido correlação com a melhoria na classificação (de 17º para 10º).
  21. O Paços tem o 3º pior registo de Posse de Bola, mas está em 6º lugar na Liga.
  22. O Paços é a equipa que comete mais faltas (213), mas tem o 5º melhor registo de CA, eficiência que se pode explicar por a equipa raramente ser apanhada desequilibrada em transição (baixa posse de bola).
  23. O Sporting tem menos 1 falta cometidas que o Porto e mais 12 cartões amarelos. 
  24. Para ter atenção hoje, visto defrontarem-se: o Sporting tem apenas mais 3 faltas cometidas que o Braga e mais 15 amarelos.
  25. Angel Gomez (Boavista) e Darwin (Benfica) lideram nas assistências (5). Nuno Santos (4) é o 3º conjuntamente com Gauld (Farense) e Grimaldo (Benfica).
  26. Quaresma (Vitória SC) lidera nos cruzamentos (41). Porro (12º, 31) é o melhor do Sporting.

estatísticas11.png

02
Jan21

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 16 jogos - 11 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa, 2 para a Taça de Portugal e 1 para a Taça da Liga -, obtendo 13 vitórias (81,25%), 2 empates (12,5%) e 1 derrota (6,25%), com 40 golos marcados (média de 2,5 golos/jogo) e 13 golos sofridos (0,81 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (10,1,3), TT (5,1,2), N. Santos (4,8,0);

2) MVP: Pedro Gonçalves (35 pontos), Nuno Santos (28), TT e Sporar (19); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (14 contribuições), N. Santos (12), Sporar (10);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (10 golos), TT (5), Nuno Santos e Sporar (4);

5) Assistências: Nuno Santos (8), Tabata, Porro, Vietto, Feddal, M. Nunes, J. Mário e Jovane (2).

 

Fazendo uma análise por sectores em termos de pontos MVP (golo=3; assistência=2; participação=1), teremos:

 

Pontas de Lança (total=51): Sporar (19), TT (19), Vietto (7), Pedro Marques (6)

(nota: TT também jogou como interior)

 

Interiores (total=88): Pote (35), Nuno Santos (28), Jovane (13), Tabata (12)

(nota: Jovane também jogou como ponta de lança)

 

Médios Centro (total=17): João Mário (7), Matheus Nunes (4), Palhinha (3), Bragança (3)

 

Laterais/Alas (total=20): Porro (12), Nuno Mendes (6), Plata (2)

 

Centrais (total=18): Coates (10), Feddal (5), Gonçalo Inácio (3)

 

Guarda-redes (total=2): Adán (2)

 

Conclusões:

  • A posição de Interior é a que mais contribui em acções de golo;
  • Os nossos Médios Centro têm menos preponderância nos golos que os Laterais/Alas e os Defesas Centrais, o que pode indicar que RA vê-os mais como um factor de equilíbrio defensivo, sendo os desequilíbrios ofensivos mormente produto da circulação em "U";
  • Ordem de importância no golo: Interiores, Ponta de Lança, Laterais/alas, Centrais, Médios Centro, Guarda-redes;
  • Um total de 19 jogadores já contribuiu para os golos leoninos.

 

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

ranking gap 02012021.png

pote.jpg

29
Dez20

Retalhos da vida de um campeonato


Pedro Azevedo

Estádio Afonso Henriques, resultado de 1-0 para o Vitória, 29 minutos de jogo: Romário Baró faz falta que interrompe um contra-ataque vimaranense. O árbitro Hélder Malheiro, o do "galo" dê Ristovski, não mostra o segundo amarelo ao jogador portista, a que se seguiria a consequente expulsão. Imediatamente, Sérgio Conceição substitui Baró por Luís Diaz. 

28
Dez20

Tudo ao molho e fé em Deus

Futebol “brutânico”


Pedro Azevedo

Caro Leitor, é com orgulho que observo que as autoridades desportivas do nosso país, sempre muito escrupulosas na atenção às melhores práticas, têm importado para Portugal o melhor da cultura anglo-saxónica no que ao futebol diz respeito. Essa influência é tão marcante que ontem até tivemos um Boxing Day tuga, um dia de futebol "brutânico", que culminou na visita do Sporting ao pantanal do Estádio Nacional, propriedade do Estado Português. E quem é que se domicilia nesse estádio de todos nós, vizinho da Cidade do Futebol que abriga o Video Assistant Referree (VAR) ? A equipa que não tem nome, uma espécie de Manhattan no directório dos clubes portugueses se trocarmos o Rio Hudson pela peculiar fragrância da Ribeira do Jamor.  

 

O espectáculo também não escapou à influência externa de outros desportos. Por exemplo, verificaram-se rotinas típicas do Ice Skating, embora a nota artística tenha predominado sobre a nota técnica devido às inúmeras quedas observadas durante a "patinagem". Também o rugby foi chamado à colação, com as duas equipas a procurarem recorrentemente colocar pontapés tácticos nas costas do último reduto do adversário. Por via disso, receosa, a nossa equipa baixou a linha defensiva. Porém, a restante equipa não acompanhou esse movimento, tendo Inclusivé João Mário se deixado atrair inúmeras vezes pela armadilha da pressão alta na saída de bola dos azuis. Colocando a bola rapidamente por cima da nossa primeira linha de pressão, "comendo-nos as peças" mais adiantadas como se de um Jogo de Damas se tratasse, os azuis atingiam com facilidade o miolo do campo, criando assim uma boa plataforma para municiarem os seus atacantes. Com Palhinha em inferioridade numérica no sector, os pupilos de Petit imediatamente optavam por lançar ataques rápidos em detrimento de tentar contornar o médio mais defensivo do Sporting, retirando a oportunidade a este de fazer prevalecer o seu físico. Mesmo com bola, a lentidão de processos de centrais e médios foi destruindo sucessivas linhas de passe, restando os lançamentos longos como arma. E foi em duas dessas situações que Tiago Tomás se viria a revelar providencial. Na primeira, ganhou a bola nas alturas e endereçou-a a Tabata para a ir recuperar mais à frente (era o único), rodopiar na área e marcar o primeiro da noite. Na segunda, recebeu um milimétrico passe em profundidade de João Mário, isolou-se e sofreu uma grande penalidade que o jogador emprestado pelo Inter se encarregaria de transformar no nosso segundo golo. Pelo meio, os azuis marcaram exactamente através da exploração do espaço nas costas da nossa defesa, beneficiando ainda da momentânea troca posicional dos nossos centrais (Coates estava na esquerda, Neto no meio e Inácio mais descaído sobre a direita), de escorregadelas diversas e da sorte no ressalto da bola que enganou traiçoeiramente Adán, uma espécie de "Triple Witching" típico dos mercados financeiros (volatilidade elevada causada por datas de expiração simultânea de futuros e de opções sobre índices e acções) aplicado ao último dia do ano do futebol do Sporting. E poderiam até ter-se adiantado no marcador, não fora Adán ter adivinhado o lado para onde o penálti foi direccionado. Até ao intervalo, por mais duas ocasiões o Sporting esteve à beira de sofrer golo após momentos desastrados de Neto, mas Adán defendeu ambas. Contra a corrente do jogo, Tiago Tomás poderia até ter dilatado o placard, mas um defesa azul intrometeu-se no caminho da bola após fífia do seu guarda-redes. 

 

A tónica do segundo tempo não se alterou, pese embora a fluência de jogo dos azuis não tivesse sido a mesma devido ao desgaste sofrido no primeiro período. Ainda assim, as melhores oportunidades continuaram a ser do emblema da Torre de Belém, destacando-se uma saída em falso de Adán a um cruzamento por via de uma descoordenação com Coates.

 

Com o passar do tempo, é notório que as equipas que nos defrontam vão conhecendo melhor a nossa forma de jogar, encontrando antídotos para parar a nossa fluência de jogo. Assim, as vitórias são cada vez mais sofridas. Precisamos de soluções novas, nomeadamente sob a forma de ligação entre os médios centro e os interiores. Nos últimos jogos foi particularmente visível que os adversários expuseram a nossa inferioridade numérica no miolo do campo, condicionando aí a nossa forma de jogar. Tem faltado quem salte linhas de pressão nesse sector do terreno e se aproxime dos interiores. O passe nem sempre é opção porque a distância entre linhas é razoável e faz com que muitas vezes se perca a bola. Ontem acabámos o jogo em dificuldade com mais 1 homem em campo. Com dois interiores que na verdade são dois alas, não tirámos partido da superioridade numérica e faltaram-nos soluções pelo centro do campo. Talvez o regresso de Jovane nos proporcione as movimentações, explosão e imprevisibilidade que vêm faltando, permitindo-nos evoluir o nosso jogo para fora do standard que os nossos adversários já conhecem. Porém, não tenhamos ilusões, um pouco por toda a Europa quem está na liderança enfrenta dificuldades. A maior densidade competitiva neste período retira alguma frescura. Por outro lado, a sagacidade dos treinadores vai colocando mais grãos na engrenagem. Adicionalmente, campos em mau estado como o do Jamor reduzem assimetrias. Ontem, o Liverpool perdeu dois pontos em casa contra o penúltimo classificado da Premier League, algo perfeitamente inesperado. Nesse sentido, ganhar, mesmo sem jogar bem, é determinante. E o Sporting ganhou de duas formas: três pontos e tempo para rectificar o que está menos bem. Agora é preciso fazer valer esse tempo. Para já, passaremos o ano no primeiro lugar. Não me parece mal. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Tiago Tomás

 

P.S. O problema da evolução da nossa espécie futebolística não se coloca só no Sporting. No Benfica a questão é mesmo epistemológica, com Jesus e Darwin presumivelmente em desacordo quanto à Teoria da Evolução, o que explica o desconforto com girafas (Luisão) que é atribuído ao primeiro...

b sad.jpg

27
Dez20

Foi assim que aconteceu... (*)


Pedro Azevedo

26.06.2020  B SAD - Sporting 1-3

 

Crónica "Tudo ao molho...": The Karate Kid e o Koffi Anão

 

Na vida é sempre importante sabermos as linhas com que nos cosemos. O Ruben Amorim tem isso presente e, vai daí, aplica-o literalmente ao futebol. O problema é que muita intersecção de linhas gera obviamente demasiados passes laterais e essa tem sido a óbvia consequência de um sistema táctico do promissor técnico leonino que privilegia o engarrafamento na zona central, com dois médios a par e três defesas por detrás ("O Pentágono"). Assim, muitas vezes o Matheus cose e coze o Wendel e este responde assando (as pernas de) o Matheus com passes miudinhos que no rugby se denominam de "para o hospital", auto-anulando-se os dois no que diz respeito ao processo ofensivo e criando indefinição quando toca a defender. Evidentemente, havendo linhas sobrepostas atrás, faltarão sempre linhas à frente, algo que tentamos contornar com a solução do chutão à procura do Sporar, o 112 dos inermes. Quando o esloveno consegue segurar a bola, então aí aparece Jovane, um cabo-verdiano que se descreve melhor recorrendo ao poeta Régio: "a minha vida é um vendaval que se soltou, uma onda que se alevantou, um átomo a mais que se animou". É tudo isto que o Sporting ganha quando Jovane está em campo, os tais últimos 30 metros que comprometeriam irremediavelmente a eficiência da geringonça de passe/repasse outrora montada por Silas ("A Posse")...

 

Andávamos nós neste empastelamento quando os de Belém meteram também as mãos na massa e, pumba, espetaram-nos um pastel: defesa completamente desposicionada e larga no relvado, transição rápida e golo. Mas eis que o Coates foi gigante e o Koffi anão. Qual alto signatário das Nações Unidas, o burquinês estendeu a passadeira a bem da paz e cooperação entre os povos. O uruguaio dedica o golo ao seu antigo camarada de armas, Monsieur Mathieu. Um-dó-Li-cá, e eis que o Codecity volta a marcar. Anulado, por fora de jogo. Por essa altura andava o Plata numa das suas inconsequências quando avista o Ristovski. O macedónio põe a bola com olhinhos na área, o Sporar arrasta marcações e o Jovane mostra que um leão também pode ser um dragão como o Bruce Lee. Depois, o Matheus consegue sair da cabine telefónica onde o meteram com o Wendel e faz um passe longo para o Nuno Mendes. Este dá ao Jovane e o menino inicia intermináveis tabelinhas com o Sporar que acabam com o esloveno caído na área. Penálti, diz Molero, perdão, Malheiro. O Jovane chuta, mas o Koffi dá 2 passos à frente e defende miraculosamente. Tempo então para nos interrogarmos sobre a identidade Sportinguista e os caminhos possíveis para a sua coabitação com uma pluralidade de formas artísticas no futebol português. Molero, perdão, Malheiro também reflecte sobre o tema e eis que perante a incredulidade de todos os leões confinados nos seus lares vemos um árbitro a cumprir com as regras num jogo do Sporting. O Ristovski, desta vez sem galo, sorri. Novamente chamado a tentar converter a penalidade, Jovane desfere uma bazuca de fazer inveja ao António Costa. 

 

Para a etapa complementar o Jovane ficou no banco. Aparentemente, devido a um traumatismo (que provocou no resultado). Entrou o Geraldes e o cão de Pavlov que existe no subconsciente de cada leão Sportinguista começou a salivar. E a verdade é que o Chico até fez um bom jogo, desmarcando-se sucessivamente e assim dando linhas ao portador da bola. Iniciou então um duelo em 3 actos com o Koffi, agora gigante, com o burquinês sempre a levar a melhor. Do Ensaio sobre a Cegueira para o Levantado do Chão é o mesmo Caminho (NA: editora), um caminho que se faz lendo nas entrelinhas do que são os posicionamentos do Chico, uma alternativa aos atalhos à procura do Sporar. Até ao fim pouco mais houve a declarar e o jogo ainda deu para ver entrar o Ilori e o Doumbia e para que o Borja fizesse os 90 minutos sem que o excesso de desconfinamento contagiasse toda a equipa do vírus da tragicomédia. 

 

P.S. Dois livres directos, igual número de penáltis, um canto - eis o balanço de golos de bola parada pós-desconfinamento (4 jogos). Ristovski substituiu Camacho e com um aproveitamento superior, prenúncio de que Amorim está atento à meritocracia. Muitos jovens lançados na equipa principal, sinal muito positivo. Jovane, com 4 golos, duas assistências e participação nos dois desequilíbrios de onde resultaram os penáltis, está em grande. Coisa para logo se agitarem muitos milhões que não mendilhões. Que continue por cá a afagar-nos os corações!

 

Tenor "Tudo ao molho": Jovane Cabral (póquer de menções e de golos desde o desconfinamento)

 

(*) Nova rúbrica

jovanecabralshow.jpg

27
Dez20

(Ex)citações (9)


Pedro Azevedo

"O Pelé calado é um poeta."

 

"A perna-de-pau até a bola atrapalha."

 

"O casamento começa em motel e termina em pensão."

 

"Treinador bom é aquele que não atrapalha."

 

"Treinar para quê, se eu já sei o que fazer?"

 

"Se você me perguntar por que eu gosto da noite, é simples: é que à noite você só vê o que quer. De dia, é obrigado a ver tudo."

 

"Ninguém aqui tem razão para ficar triste. Todos ganham bem e têm mulheres bonitas." (Sobre os jogadores da Canarinha.)

Romário

romário.jpg

26
Dez20

Estatísticas da Liga 2020/21 (Jornada 10)


Pedro Azevedo

O Sporting continua a liderar isolado o campeonato. Porém, deixou de liderar o ranking de maior número de golos marcados (ultrapassado pelo Porto). Por outro lado, recuperou a liderança no ranking de menos golos sofridos (7), ainda que tendo a companhia de Vitória SC e B SAD (próximo adversário). Por fim, tem o melhor marcador da competição (Pote). 

 

  1. Melhor rácio de CA p/ falta cometida: Paços - 9,0% (17º Sporting - 18,9%).
  2. Pior Rácio de CA p/ falta cometida: Famalicão - 21,4%. 
  3. Menos Faltas com. por jogo: Benfica - 13,1 Faltas (10º Sporting - 16,4 Faltas).
  4. Mais Faltas com. por jogo: Portimonense (novo) - 18,9 Faltas.
  5. Menos CA por jogo: Rio Ave - 1,5 (17º Sporting - 3,1).
  6. Mais CA por jogo: Famalicão - 3,4.
  7. Menos Golos Sofridos: B SAD, Vitória SC (novo) e Sporting (novo) - 7 golos. 
  8. Mais Golos Sofridos: Tondela - 21 golos.
  9. Mais Golos Marcados: Porto - 25 golos. 
  10. Menos Golos marcados: B SAD e Rio Ave - 5 golos.
  11. Menos Posse de bola: Paços de Ferreira - 43,2%.
  12. Mais Posse de bola: Benfica (novo) - 61,0% (3º Sporting - 57,2%).
  13. O Sporting cometeu 166 faltas que se traduziram em 31 amarelos (rácio de 18,7%).
  14. Os jogadores do Sporting sofreram 185 faltas que deram 33 amarelos (17,8%).
  15. Tiago Tomás e Porro (23) e Matheus (20) são os leões que sofreram mais faltas.   
  16. Pote (aproveitamento de 40%) é o mais rematador do Sporting (25 remates).
  17. Pote é o Goleador da Primeira Liga (10 golos).
  18. Maior sequência vitórias consecutivas: Braga (6, entre a Jornada 3 e a Jornada 8).
  19. Mais Posse Estéril: Rio Ave (55,2%, 5 golos, 99 minutos de posse para fazer 1 golo).
  20. O Paços tem o pior registo de Posse de Bola, mas está em 6º lugar na Liga.
  21. O Paços é a 2ª equipa que comete mais faltas (188), mas tem o 2º melhor registo de CA, eficiência que se pode explicar por a equipa raramente ser apanhada desequilibrada em transição (baixa posse de bola).
  22. O Sporting tem menos 7 faltas cometidas que o Porto e mais 10 cartões amarelos. 
  23. Angel Gomez (Boavista) e Darwin (Benfica) lideram nas assistências (5). Nuno Santos (4) é o 3º conjuntamente com Gauld (Farense) e Grimaldo (Benfica).
  24. Quaresma (Vitória SC) lidera nos cruzamentos (38). Porro (11º, 29) é o melhor do Sporting.

estatísticas10.png

 

26
Dez20

(Ex)citações (8)


Pedro Azevedo

"Jogar sem público é como jogar dentro de um cemitério."

 

"Nunca imaginei que haveria gente que se alegrasse com a minha tristeza."

 

"Eu tenho uma vantagem sobre os políticos: eles são públicos, eu sou popular."

 

"Eu cresci num bairro privado. Privado de água, de luz e de telefone."

 

"Com a cocaína não existo. Sou como o Oscar Ruggeri (NA: colega da selecção argentina) que não sabe fazer duas embaixadinhas. A droga deixa-te rígido."

 

"Na clínica há um que acha que é o Robinson Crusoé e não acreditam que eu sou o Maradona." (Após uma desintoxicação.)

 

"Messi às vezes joga para Messi. Esquece-se dos seus companheiros e converte-se no 'Futebol Clube Messi'."

 

"Só vou ao banco para levantar dinheiro." (Quando inquirido por um jornalista se seria suplente num jogo em 96.)

 

"A página de João Havelange (NA: antigo presidente da FIFA) na internet dever-se-ia chamar 'ladrao.com'."

 

"Chegar à área e não chutar à baliza é como dançar com a sua irmã."

 

"É o dia mais duro da minha vida. Sinto-me como se tivesse levado um soco de Muhammad Ali. Não tenho forças para mais nada." (Após a Argentina, treinada por ele, ter perdido por 4-0 contra a Alemanha nos quartos-de-final do Mundial de 2010.)

Diego Armando Maradona

maradona1.jpg

24
Dez20

(Ex)citações (7)


Pedro Azevedo

"O futebol é a coisa mais importante entre as coisas realmente não importantes da vida."

 

"A única loucura que lhe reconheço é a do excesso de virtudes." (Sobre Bielsa.) 

 

"O silêncio é a antecâmara da palavra. Sem se dizer nada, podem dizer-se muitas coisas, pelo que, por vezes, é melhor calar a voz e deixar que seja o próprio interlocutor a imaginar ou interpretar o que se tenta comunicar através da magia do silêncio."

 

"Romário é um jogador dos desenhos animados."

 

"Que ninguém se equivoque, quando se perde um jogo ou um campeonato haverá sempre outras oportunidades. Porém, quando se perde o estilo, perde-se tudo."

 

"Ser endeusado é justificável quando se joga como Deus." 

 

"Diz um adágio japonês que 'é melhor viajar cheio de esperanças do que chegar ao destino'. Essa frase tem a virtude de ajudar-nos a compreender a importância de pormos ilusão (sonho) no nosso caminho."

Jorge Valdano

valdano.jpg

23
Dez20

(Ex)citações (6)


Pedro Azevedo

"O futebol é um jogo simples, inventado pelos ingleses, em que 22 jogadores correm atrás da bola durante 90 minutos e no fim ganha a Alemanha."

 

"Marcar um golo é melhor do que sexo."

 

"Se não tivesse sido um jogo importante para mim, teria aplaudido." (Sobre o Golo do Século apontado por Maradona nos quartos-de-final do Mundial de 86.)

 

"Cristiano Ronaldo é absolutamente implacável na sua busca pela grandiosidade. Que jogador!"

 

"Quando o vejo jogando, fico alucinado com as coisas que faz. É como se ele visse o jogo de cima, ao mesmo tempo que o está jogando. É o melhor driblador que vi jogar, o jogador mais criativo, o mais habilidoso e um dos melhores passadores que o futebol já viu. Então, se unirmos tudo isso, claramente ele não é humano." (Sobre Messi.)

 

“De longe o melhor da minha geração e indiscutivelmente o maior de todos os tempos. Depois de uma vida abençoada, mas difícil, espero que ele finalmente encontre algum conforto nas mãos de Deus.” (Sobre Maradona.)

 

"Nós estamos no negócio do entretenimento e sabemos que no topo da árvore há muito dinheiro. Aqueles como nós que lá chegaram são afortunados, porém entendemos que provavelmente não o merecemos tanto quanto as enfermeiras e os professores."

 

"Eu só estava interessado em marcar golos, nada mais importava."

 

"Você nunca atingirá o topo se só jogar pelo dinheiro."

 

"Para se ser um treinador é preciso viver, respirar e ter um incrível entusiasmo pelo futebol. E, apesar de eu amar o jogo e nele ter passado uma grande parte da minha vida, o futebol não é a única coisa na minha vida."

Gary Lineker

lineker.jpg

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Siga-nos no Facebook

Castigo Máximo

Comentários recentes