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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

01
Jan23

The Goat (resultados)


Pedro Azevedo

Os Leitores de Castigo Máximo votaram e os resultados foram os seguintes:

 

10º Marco van Basten

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9º Luís Figo

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8º Zinedine Zidane

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7º Ronaldo "Fenómeno"

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6º Eusébio da Silva Ferreira

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5º Johan Cruijff

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4º Edson Arantes do Nascimento "Pelé"

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3º Lionel Messi

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2º Cristiano Ronaldo

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1º Diego Armando Maradona ("GOAT")

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R.I.P. Rei Pelé! (Os Grandes sabem reconhecer-se uns aos outros.)

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Um Bom Ano para todos!

25
Dez22

The Goat


Pedro Azevedo

Lanço hoje o desafio aos Leitores de Castigo Máximo de indicarem, por ordem decrescente (do melhor para o menos bom), os 5 melhores jogadores de futebol de sempre ("Greatest of all time" - "GOAT"). Para tal, Castigo Máximo produziu uma primeira Selecção, a saber (a ordem é arbitrária): 

 

1) Alfredo Di Stefano

2) Pelé

3) Mané Garrincha

4) George Best

5) Eusébio 

6) Franz Beckenbauer

7) Johan Cruijff

8) Michel Platini

9) Zinedine Zidane

10) Luis Figo

11) Romário 

12) Ronaldo

13) Lionel Messi

14) Cristiano Ronaldo 

15) Puskas

16) Marco van Basten

17) Ronaldinho Gaúcho 

18) Diego Maradona

19) Iniesta 

20) Bobby Charlton

21) Zico

22) Sócrates 

23) Rivellino 

24) Luca Modric

25) Ruud Gullit

26) Franco Baresi

27) Rivaldo

28) Francesco Totti

29) Gerd Muller

30) Hristo Stoichkov

31) Mbappé 

 

A votação decorrerá até às 23:59 de dia 31. Os resultados serão apresentados no dia de Ano Novo. Nota: Não serão aceites votos de anónimos. 

 

Votacao: cada Leitor indicará os seus 5 jogadores preferidos de todos os tempos. Ao primeiro classificado serão atribuídos 6 pontos, ao segundo 4, ao terceiro 3, ao quarto 2 e ao quinto colocado será dado 1 ponto. O vencedor será aquele que no acumulado das votações individuais mais pontos conseguir obter. Em caso de igualdade,, ganhará o jogador que mais citações para primeiro lugar tiver. Obrigado e boas escolhas! 

21
Dez22

Ronaldo e Messi


Pedro Azevedo

No futebol, como na vida, há várias formas de procurar o sucesso. Messi e Ronaldo tiveram um acompanhamento díspar (Ronaldo, aos onze anos, sozinho em Lisboa, o adolescente Messi acompanhado pelos pais na capital catalã) mas uma formação semelhante, no Barcelona e no Sporting, que lhes moldou a arte e o engenho no um-para-um. Acontece que cedo Ronaldo migrou para Inglaterra, sob a influência de um treinador britânico que lhe depurou as qualidades de explosão e finalização e o fez abandonar o apêndice circense e tudo aquilo que não tivesse golo como código postal. Tornou-se assim um jogador diferente, ainda que diferenciado, produto da visão prática típica da cultura da Grã-Bretanha. O que teria sido, melhor ou pior, se em vez de Ferguson tem encontrado orientação num outro tipo de treinador, nunca o saberemos, mas nos livros de ouro do futebol mundial estará muito bem assim, ele que chegou ao United e apanhou uma equipa já oleada mas teve o mérito de ser a cereja no topo do bolo que fez toda a diferença no título europeu obtido pelos ingleses. Se Ronaldo foi desenvolvido para ser um motor altamente rotativo, Messi cresceu com um sistema de transmissão instalado da cabeça aos pés, incluindo embraiagem, mudanças, eixo cardan e diferencial. Produto de uma escola de futebol onde a vertigem é preterida pelo pensar do jogo, o seu futebol é feito de acelerações, travagens súbitas, mudanças de direcção, desmultiplicações e alta aderência em curvas sinuosas que só umas passagens de caixa perfeitas lhe poderiam dar. Mas também tem passe e repasse, tabelinha, controlo do jogo, sentido colectivo e uma cultura táctica superior que é herança dessa casa, cultura essa que associada à atractibilidade do clube lhe permitiu crescer sem pressão na sombra de Ronaldinho, Deco, Xavi ou Iniesta antes de se tornar o seu timoneiro. No fundo, o futebol de Messi foi desenvolvido para potenciar a ginga e esconder as limitações físicas, o que faz com que tenha a necessidade de pegar na bola mais atrás, em zonas onde o povoamento não é tão intenso, tendo desenvolvido no proceso qualidades de armador de jogo. Já Ronaldo também podia ter ido nesse caminho, mas Ferguson, ao deslumbrar-se com as suas características físicas, apontou-lhe um atalho. Durante anos, o seu futebol não necessitou de caixa de velocidades, era só pôr a potência no chão, independentemente da zona de onde partisse. Perdida alguma da explosão, adaptou-se, continuando a fazer a diferença pelo killer-instinct associado a características como a capacidade de impulsão ou a qualidade do remate, dentro ou fora da área, com o pé esquerdo ou o direito, quando não de cabeça. 

 

Dois grandes jogadores, ícones da modalidade, que nasceram semelhantes e se desenvolveram em direcções diferentes, com Ronaldo mais aventureiro e sempre a procurar novos desafios e Messi mais acomodado na Cidade Condal. Pena foi que ao longo das suas carreiras nunca tenham jogado juntos, porque, egos à parte, teriam sido perfeitamente complementares no que respeita ao plano técnico, táctico, físico e mental do jogo. Ainda assim, tem sido um prazer vê-los a competir um com o outro, mas principalmente com eles próprios, ao longo dos últimos 15 anos. Tão, tão competitivos que bem dispensam médicos legistas e cangalheiros apressados. 

 

P.S. Durante o Mundial, Messi teve toda uma nação e uma equipa por detrás dele, acarinhando-o, dando-lhe força e impulsionando-o para que finalmente fosse coroado com o título mundial que lhe faltava. Enquanto isso, Ronaldo teve de lidar com a ingratidão dos portugueses e, por que não dizê-lo(?), do próprio seleccionador nacional. Ronaldo chegou em forma deficiente, faltando-lhe a pré-época, não foi utilizado no jogo de preparação com a Nigéria e não teve a rodagem suficiente em jogo para que conseguisse ganhar a confiança que lhe elevasse o patamar. Pelo contrário, foi sempre substituído, até perder a titularidade, apesar de ter sido importante dos 2 primeiros jogos e de, com ele em campo, a Selecção não se ter mostrado nunca inferior ao adversário no marcador (contra a Coreia saiu quando estavamos empatados, com Marrocos entrou com Portugal já a perder). Todas as polémicas - alegado toque na bola antes de golo, insatisfação ao sair prematuramente de campo, saída precoce após final dos jogos - foram canalizadas contra si e serviram para o ridicularizar perante o grande público, num julgamento primário que a todos devia envergonhar quando se trata de um ícone que nunca rejeitou a sua Selecção, antes por ela o vimos chorar com emoção ao som dos acordes do hino nacional. Não é perfeito? Não, longe disso. (Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.) Mas que se levantem então esses paladinos da perfeição, num país iminentemente corrupto e pouco meritocrático, de filiações, afiliados e afiliações, e cheio de falsos moralistas que logo se desenganam mal passam o adro da igreja.

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20
Dez22

Tudo ao molho e fé em Deus

AvisoPROCIV


Pedro Azevedo

AvisoPROCIV: previsão de chuva torrencial de golos esta noite em Alvalade. 


A Protecção Civil havia avisado e a Tempestade Messi, proveniente do médio-oriente, não tardou a chegar a Lisboa. Incidindo fortemente em Alvalade, logo foi rebaptizada com o nome de Edwards. Agora, segue-se a naturalização!?

 

Com Edwards, mas também Paulinho, Porro, Santos e Trincão, a soprar a grande velocidade, tornou-se impossível para os minhotos abrigarem-se da tempestade. Foi registada uma mão cheia de danos materiais, e mais teriam acontecido se não fosse a intervenção dos Bombeiros Sapadores de Braga. Cumpridores da sua divisa de socorro a náufragos, apoio às populações em perigo e transporte de acidentados, estes evitaram males maiores, segundo a informação veiculada a Castigo Máximo pelo Chefe Artur Jorge. 

 

No final, o repórter de ocasião pretendeu entrevistar o Edwards. O confronto saldou-se por um resultado de 0-0 entre o parco (jogador, em palavras) e o parvo (jornalista, nas perguntas): "Considera o resultado (Nota do Autor: 5-0) justo?" ou "Está contente com o seu desempenho (NA: Edwards tinha acabado de ser eleito O Homem do Jogo)?" foram algumas das questões que não fizeram funcionar o marcador. Nos penáltis venceu o inglês, sempre eficaz no jogo com os pés. (Graças a Deus que na Taça da liga não há prolongamento.)

 

Desde a paragem do campeonato para a realização da Copa do Mundo, o Sporting venceu 4 jogos, obteve um goal-average de 18-0 e viu o Paulinho marcar meia-dúzia de golos (Taça da Liga). Eu não sou de intrigas, mas talvez não fosse má ideia o Sporting, sempre na vanguarda da inovação no futebol mundial (Academias, VAR, etc), sugerir que o campeonato do mundo passasse a ser disputado de 4 em 4 meses...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcus Edwards. Paulinho seria uma bela alternativa.

 

Notas musicais [de Dó Menor(1) a Dó Maior(8)], porque somos o clube dos "5 Violinos":

 

Adán - Sol

Inácio - Lá

Coates - Lá

Matheus Reis - Sol

Porro - Lá

Ugarte - Lá

Pote - Sol

Nuno Santos - Lá

Edwards - Si

Paulinho - Si

Trincão - Lá

Jovane - Fá

Essugo - Fá

Arthur - Fá

Esgaio - Fá

"Buscapoulos" - sem nota (lesionou-se devido a uma carga dura pouco após ter entrado)

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18
Dez22

Tudo ao molho e fé em Deus

Um guião escrito no Céu


Pedro Azevedo

... E, lá em cima, no Céu, Maradona sorri...

 

Pode uma equipa ser tão superior táctica, técnica, física e mentalmente sobre outra e ainda assim isso no final não ser suficiente? Pode, se do outro lado estiver um Mbappé, e já agora um treinador (Deschamps) capaz de reconhecer o erro em que incorreu desde o início de jogo e adicionar um médio à sua equipa para reequilibrar as forças a meio-campo. Só assim se explica a razão pela qual a Argentina, depois de dar um amasso à França durante 70 minutos, foi para prolongamento e, mais tarde, para penáltis contra uma selecção que lhe foi notoriamente inferior a maior parte do tempo. Com um meio-campo todo-o-terreno onde MacAllister predominou com um jogo sobrenatural e Enzo e De Paul mostraram uma energia muito tipica dos gaúchos, os argentinos desde o início engoliram o meio-campo macio dos gauleses. Com a bola rapidamente recuperada, Messi depois fazia fillet mignon dos restantes franceses, avançando em combinações ou servindo um Di Maria com o diabo no corpo na esquerda. Um primeiro golo surgiu, produto da inépcia defensiva de Dembele, e logo um segundo apareceu após concretização da melhor jogada colectiva da competição. O intervalo chegou sem que a França fizesse um remate à baliza de Emiliano Martinez, que por essa altura estava ainda a aquecer os motores para o que viria a seguir, uma situação provocada também pela ingenuidade de Deschamps, que subestimou a capacidade competitiva argentina ao apresentar uma equipa que do meio-campo para a frente só tinha verdadeiramente um homem (Tchouameni) competente nas tarefas defensivas e com poder de choque para ganhar uma bola dividida. 

 

A toada do jogo manteve-se inalterada até aos 70 minutos, altura em que aconteceram dois factos relevantes: Mbappé fez o primeiro remate da França e Deschamps lançou Camavinga no jogo, sacrificando um defesa, e trocou Griezmann por um extremo (Coman), alterando o seu 4-3-3 para um 3-3-4 com 2 médios de combate e dois alas bem abertos. Contendo finalmente as investidas argentinas, a França pôde finalmente fazer chegar jogo à sua arma Mbappé, pelo que não demorou muito até que este causasse estragos ao adversário, primeiro através de uma penalidade a castigar uma má abordagem de Otamandi, depois num tiro acrobático a que Martinez não conseguiu chegar. O jogo foi empatado para prolongamento.

 

Scaloni demorou demasiado, mas quando mexeu na equipa o impacto foi imediato. Com Paredes fresco em campo, a substituir um De Paul muito castigado por entradas desleais dos franceses, a Argentina voltou a impôr-se na partida. A acabar o primeiro tempo, Lautaro, que entrara para o lugar de um batalhador Álvarez que marcara um golo à Mario Kempes nas meias-finais, desperdiçou ingloriamente duas boas oportunidades de voltar a pôr os argentinos na liderança do marcador. Até que, já no reatamento, Messi surgiu na ressaca de um terceiro golo perdido por Lautaro e... marcou. As semelhanças com a final ganha pela Argentina contra a Alemanha no México 86 vieram-me logo à memória, com o marcha do marcador e a tónica da partida a evoluírem exactamente da mesma forma. Só que haveria ainda um último twist no jogo: após uma mão argentina na sua área, Mbappé completou um hat-trick, o oitavo golo (um mais do que Messi) do avançado na competição. O jogo estava frenético e, no último minuto, Kolo Muani (enorme defesa de Martinez) e Lautaro (pela quarta vez!!!) perderam o golo da vitória, pelo que o jogo foi para decisão da marca da grande penalidade. 

 

Os craques apressaram-se em marcar a primeira, Mbappé para começo das hostilidades, Messi logo de seguida, mas depois Emiliano Martinez defendeu o remate de Coman e fechou a baliza a Tchouameni enquanto os argentinos (Dybala e Paredes) não falharam, cabendo a Montiel a honra de acabar com o sofrimento dos sul-americanos. 

 

Um grande jogo de futebol em que o guião parece ter sido escrito no Céu, privilégio exclusivo de uma estrelinha (d10s) tocada por Deus que mantém a mesma influência junto do "Barbas" (Maradona dixit) que já tinha quando connosco, simples mortais, conviveu no Planeta Terra. A final esteve para ser uma cópia da de 1986? Sim, mas uma mãozinha de Deus na luva de Emiliano Martinez deu-lhe o pico de gallo que faltava ao sabor a México.  

 

Tenor "Tudo ao molho...": Mac Allister. (Messi e Mbappé merecem o empate técnico, pelo que me decidi por um jogador que fez um jogo tremendo, não desprezando a exibição também surreal de Di Maria.)

 

P.S. Parabéns especiais ao nosso ex-jogador Marcos Acuña.

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15
Dez22

Final do Mundial


Pedro Azevedo

Já é finalmente conhecido o par finalista do Mundial de 2022. Assim, no próximo Domingo, pelas 15:00, tendo como palco o Lusail Iconic Stadium, Argentina e França perfilar-se-ão num duelo que muito promete, tanto individual como colectivamente. Desde logo, aguarda-se com expectativa o confronto entre o novo e o velho, Mbappé e Messi, curiosamente colegas num PSG detido pelo estado do Qatar. Nesse sentido, assistiremos já a um render da guarda geracional ou ainda voltaremos a degustar um Malbec vintage? A resposta virá dentro de dias... Também será uma confrontação de estilos entre o tango porteño argentino e o rap dos banlieues franceses, a ginga e o hip-hop em enfrentamento, ambos com origem na colónia de emigrantes de cada país, miscigenações sempre presentes na cultura de cada um e, por conseguinte, igualmente nas suas respectivas selecções, com o futebol como veículo de ascensão social e combate à desesperança como pano de fundo. Alea jacta est - os dados estão lançados. Alguém arrisca uma aposta? Faites vos jeux, rien ne vas plus! A full, como dizem no país das pampas. (Uma coisa é certa, a final do campeonato do mundo será disputada sob a influência do "M".)

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15
Dez22

Leituras que valem a pena (e o lápis, a caneta e o teclado)

André Pipa


Pedro Azevedo

"OUTRA VEZ CURTO"
 
"Marrocos em festa: Portugal tornou-se a primeira selecção a ser eliminada nos quartos de final de um Mundial por uma selecção africana, que não teve culpa de aproveitar um lance marcado por erros do guarda-redes Diogo Costa e do central Rúben Dias.
O balanço final não é famoso. Em cinco jogos (três vitórias e duas derrotas) contei apenas uma exibição empolgante (6-1 à Suíça).
O resto esteve dentro do padrão habitual da «era Santos». Respeito quase doentio pelos adversários que, na óptica do engenheiro, são sempre «fortíssimos», uma obsessão pelos «equilibrios» e uma incapacidade desesperante de pensar e agir como grande.
Para mim, o desempenho português situou-se entre o razoável, o regular, o esforçado, o mediano e o medíocre, com os rasgos de qualidade individual de alguns jogadores a maquilharem a falta de uma ideia de jogo claramente afirmativa - um mal que vem de longe.
Infelizmente, o esplendoroso 6-1 à Suíça foi um epifenómeno sem antecedentes nem continuidade. O nosso normal é isto que vimos hoje. A derrota com Marrocos junta-se às que sofremos em 2021 (Bélgica) e em 2018 (Uruguai). Saídas pela porta pequena. E nem podemos dizer que enfrentámos adversários de primeira linha no Qatar…
O fracasso de Portugal não é caso único neste Mundial dos «equilibrios» (olá Brasil, olá Alemanha, olá Espanha…), mas com o mal dos outros podemos nós bem. Em termos individuais gostei muito de Bruno Fernandes (claramente o novo líder) e do fantástico Pepe, numa selecção com algumas «estrelas» mais jovens que não conseguem pesar e fazer a diferença quando é mesmo preciso. E os anos vão passando…
A «era Santos» acabou, mesmo que o engenheiro continue no cargo.
E é isto."
 
- In Facebook

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14
Dez22

Craque da semana (7)

Samuele Mulattieri


Pedro Azevedo

Na linha da divulgação de jovens jogadores interessantes do ponto de vista da qualidade e preço e ainda não muito badalados - processo que já trouxe aqui talentos precoces como a estrela croata deste Mundial, Josko Gvardiol (Outubro de 2020), o não menos estelar argentino, Julián Álvarez, o checo Adam Hlozek ou o norueguês Jens-Perter Hauge - , retomo agora esta rúbrica com uma esperança do futebol italiano. Samuele Mulattieri é um ponta de lança (1,83m) de 22 anos, actualmente pertencendo aos quadros do Frosinone (líder da Serie B) por empréstimo do Inter de Milão. Internacional sub-21 pela Itália e com um valor de mercado muito acessível (2 M€, Transfermarket), Mulattieri destaca-se pela sua excelente técnica, drible em progessão, velocidade com bola e capacidade de jogar dentro e fora da área, que alia o instinto frio de um matador (menos efectivo de cabeça, por não ser muito alto) à qualidade de saber segurar a bola sob pressão e servir de pivô para o desenvolvimento de jogadas atacantes, características que o tornam um jogador apetecível e certamente de manter no radar. 

14
Dez22

"Argentina va a salir campeón!?"


Pedro Azevedo

Não deixando o futebol de ser um desporto colectivo, as individualidades têm contribuindo muito ao longo dos anos para a sua divulgação. Por essa via, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi dominaram como até aí ninguém no passado o panorama futebolístico na última década e meia, criando para si próprios um duopólio que só por duas ocasiões (2018 e 2022) foi quebrado, sendo Luca Modric e Karim Benzema esses intrusos quase acidentais dos prémios Ballon D'Or ou The Best FIFA Award. Sendo a hegemonia de Ronaldo (5 distinções de "melhor jogador do mundo", 5 Champions e 1 Campeonato da Europa) e Messi (7 distinções de "melhor jogador do mundo", 4 Champions e 1 Copa América) esmagadora, seria justo que ambos não terminassem a sua carreira sem um título de campeão do mundo de selecções, algo atingido no passado recente pelos Bola de Ouro Zinedine Zidane (1998), Ronaldo "Fenómeno" (2002) ou Fabio Cannavarro (2006). Embora outros grandes astros premiados no passado como "Melhor do Mundo" (Alfredo Di Stéfano, Eusébio, George Best, Johan Cruijff, Michel Platini, Marco van Basten ou Luis Figo) nunca tenham conseguido o máximo título planetário pelo seu país, nenhum elevou tanto a fasquia quanto Ronaldo e Messi. Assim, na impossibilidade do português levantar o caneco, gostaria que Leo Messi o fizesse, razão pela qual estarei a torcer pela Argentina na final do próximo Domingo. Não olvidando que o futebol é um desporto colectivo, mas querendo homenagear assim quem, tarde após tarde, noite após noite, procurou a superação e elevou a qualidade para um nível estratosférico, por pleno direito ascendendo a um olimpo de deuses onde até aí só estavam Pelé e Diego Armando Maradona, também eles campeões do mundo. Ganhe então Messi, não podendo ser Ronaldo. Pelo futebol. (Cruijff, pela conjugação do que deu ao futebol enqanto jogador e treinador, merece completar um quinteto muito exclusivo de deuses do olimpo do ludopédio.)

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13
Dez22

O futuro das Quinas


Pedro Azevedo

O fim da era Fernando Santos à frente da Selecção coloca a questão da sua sucessão em cima da mesa. Nestas ocasiões, naturalmente não falta quem lance nomes para o baralho, alguns deles com perfis diametralmente opostos. Muitos apontam Rui Jorge, que pelos indicadores existentes seria uma espécie de evolução na continuidade, outros indicam Mourinho, privilegiando a experiência do treinador português mais titulado na Europa, e depois há todo um contingente de técnicos nacionais e internacionais, jovens e menos jovens, que poderão vir a ser opção. 

Da mesma forma que uma casa não se constrói pelo telhado, mais do que nomes tem de ser o que se pretende da forma de jogar que deve presidir à eleição do Seleccionador Nacional. E aqui penso que temos definitivamente de nos libertar das teias de aranha do passado que nos continuam a constrangir e finalmente assumirmos a qualidade absoluta e relativa dos nossos jogadores. Para tal, necessitamos de um futebol positivo, dominador, que extraía o melhor da criatividade dos nossos. Se o sucesso são as escolhas que fazemos para o perseguir, então que escolhamos tentar ganhar com arte e não com ferrolho, divertindo e não aborrecendo, com o foco mais centrado em nós e menos no adversário. 

As vitórias têm o condão de muitas vezes esconderem erros no processo. Quando assim é, os triunfos serão sempre pontuais. Por isso, o processo é sempre o mais importante. Ninguém tira a Fernando Santos o campeonato europeu de 2016, obtido com tácticas conservadoras mais ajustadas ao elenco da época, mas alguém acredita ser repetível uma nação voltar a levantar um troféu desta importância com apenas uma vitória nos 90 minutos (bem sei, a Croácia está a candidatar-se ao mesmo neste Mundial)? É o "futebol de credo na mão (e na boca)" que  queremos para a nossa Selecção, mais a mais quando temos actualmente em quantidade uma muito boa geração de jogadores de topo? Então assumamos o nosso futebol positivo e deixemo-nos de complexos de inferioridade mais próprios de um tempo que ficou no passado. E, se perdermos, que não fiquem dúvidas de que explorámos toda a nossa qualidade, gastámos todos os cartuchos, caindo assim de pé. Concluindo, escolha-se para Seleccionador quem defenda estas ideias, com a característica adicional de ser alguém totalmente independente na hora do escrutínio dos jogadores. 

11
Dez22

Tudo ao molho e fé em Deus

O (Fema)caos, um anagrama do vazio


Pedro Azevedo

A Selecção foi para casa e estou curioso para ler a imprensa especializada porque a culpa só pode ser do Ronaldo, que ontem esteve apagadíssimo durante os primeiros 51 minutos, nem tocou na bola. Parece impossível, não é? Faltou também intensidade ao Palhinha, o melhor recuperador de bolas da Premier League, que não ganhou uma única contra Marrocos. Incrível! Já para não falar do Matheus Nunes e das suas célebres transições, ontem circunscritas ao espaço compreendido entre o balneário e o banco de suplentes. Malandro! E depois houve um ausente omnipresente na cabeça do Engenheiro, o Moutinho. Só isso explica o que foi pedido a Bernardo neste campeonato do mundo. E não fosse Bernardo falhar, ainda avançou o verdadeiro clone do jogador dos Wolves, o Vitinha. Tudo na tentativa, gorada, de jogar pinball com os marroquinos, de meter a bola entre-linhas, algo infrutífero quando estas se apresentavam coladas com gesso (e ligaduras e adesivos, à medida que os já de si depauperados marroquinos caídos em combate iam sendo substituídos). Antes havíamos tentado a circulação em "U", o que também não tinha resultado, pelo que acabámos o jogo numa homenagem a esta rubrica, em "Tudo ao molho e fé em Deus". O jogo directo é que não passou do papel. Quer dizer, no papel, a entrada a titular do Rúben Neves unicamente visaria pôr a bola atrás das linhas marroquinas e suscitar segundas bolas, mas o ponta de lança esteve sempre desacompanhado, nunca houve alguém por perto que desse consistência a esse plano. E quando o houve, uns parcos 10 minutos, não só o Neves já não estava em campo (lá teve de recuar o Bruno para lançar a bola para a molhada, ele que depois, por não ser omnipresente, faltou com o seu bom remate nas imediações da área marroquina) como logo o Engenheiro se empenhou em matar a solução, fazendo sair o Ramos e voltando ao jogo miudinho que nunca preocupou os homens de barba rija vindos do Magrebe. Assim sendo, Portugal foi quase sempre uma equipa sem arte, com jogadores incapazes de desequilibrar no 1x1, com a honrosa excepção de João Félix. A esperança ainda renasceu quando Ronaldo começou a servir apoios, jogando muito mais para a equipa do que para si próprio, o que deve ter escandalizado os maledicentes e os seus inúmeros médicos legistas espalhadas pela imprensa. Só que faltou um atrelado, alguém por perto que aproveitasse uma segunda bola. Por curiosidade, o jogador com mais características para tirar rendimento dessa situação, o Pedro Gonçalves, ficara em Lisboa, pelo que não houve Pote de Ouro no final do arco-íris. 

 

Confusos? Tudo isto encontra explicação na Teoria do Caos tão do agrado do CEO da Femacosa. Esta trata de sistemas altamente complexos, difíceis de entender por um homem médio que não o Engenheiro, cuja dinâmica acaba por suscitar uma instabilidade que se denomina como "sensibilidade às condições iniciais", que os torna não previsíveis ao longo do tempo. Assim, ao alterar permanentemente o Onze titular, o Engenheiro vai introduzindo o caos determinístico, tornando impossível prever o que se passará a seguir. As correcções que de seguida efectiva no modelo não permitem regressar às condições iniciais, até porque já houve ocorrências intermédias que não podem ser apagadas, pelo que a dado momento o sistema afigura-se aleatório à vista desarmada, dada a sua profunda instabilidade. É o "Efeito Borboleta", como explica Lorenz, e as suas consequências, que em termos de Selecção podem resumir-se ao bater de asa de Ronaldo no Qatar vir a influenciar uma revolução no corpo técnico da Federação em Lisboa. Tão certo como a morte e... os impostos.

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Félix

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11
Dez22

Crónica do Marrocos-Portugal


Pedro Azevedo

Portugal foi eliminado do Mundial do Qatar. Perdemos, mas podíamos ter empatado ou até mesmo ganho, o que decorre da forma como sistematicamente especulamos com o jogo quando defrontamos equipas teoricamente inferiores a nós, expondo-nos assim aos detalhes ou à Santinha. Só que, na ocasião, os detalhes não estiveram connosco e a Santinha, compreensivelmente, teve de se haver com outros males do mundo que não lhe permitiram atenuar os nervosos esgares de pescoço do Engenheiro, razão pela qual já estamos a fazer as malas. Aliás, contrariando o adágio popular que nos diz que as coisas boas vêm aos pares, os detalhes desfavoráveis para nós surgiram em dúo: por duas vezes remates indefensáveis de Bruno falharam o alvo por um fio de cabelo, Bono teve uma parelha de defesas a roubar o golo a Félix e a dupla Ramos e Pepe não teve cabeça para meter a bola nas redes de Marrocos. Já para não falar do momento do jogo, em que Rúben Dias se encolheu a ver En Nesyri saltar e Diogo Costa acertou com os punhos na atmosfera. Caricato, no mínimo.

 

Portugal desperdiçou ingloriamente uma parte da partida a jogar xadrez, algo particularmente imprudente tendo a amostra do que havia acontecido a Espanha. Além disso a escolha do médio defensivo a quem coube o início da construção foi desastrosa. Não é que Rúben Neves não seja um bom jogador, simplesmente a disposição sem bola dos magrebinos pedia um outro tipo de abre-latas. Por exemplo, alguém que saísse em posse com facilidade da pressão e criasse superioridade numérica no miolo (Matheus Nunes), ou que tivesse a qualidade de meter um passe rasteiro e vertical entre-linhas (William), ou que se constituisse como um tampão aos contra-golpes adversários e assim libertasse a criatividade dos restantes colegas do meio-campo (Palhinha). Sem nenhum jogador nessa posição crucial com as características adaptadas ao jogo de Marrocos, Portugal limitou-se a circular a bola pela frente dos africanos. Uma circulação em "U", sem risco nem capacidade de entrar dentro da equipa marroquina, a que se somou negativamente a quase ausência de movimentos 1x1, o não ir para cima do seu adversário directo, uma falta de criatividade da qual só Félix esteve isento. Mas, lá está, quando se escolhe um médio que não tem nenhuma das qualidades supracitadas e nem sequer tem liberdade para aplicar a sua melhor arma (remate), o resultado é ter de recuar Bernardo ou Bruno para posições onde ficam demasiadamente longe da baliza adversária, que é como quem diz afastados do objectivo do jogo (o golo). Como também não faz sentido meter Ronaldo no relvado, a equipa melhorar e depois fazer sair o outro avançado, não potenciando assim as segundas bolas que o choque do 5 vezes Bola de Ouro com os defesas propiciaram. Aliás, nunca houve a aproximação devida do resto da equipa ao seu ponta de lança. Porque a maioria dos jogadores trazia a cartilha errada. Vidé os inúmeros cruzamentos da direita que apanharam Rafael Leão aberto na esquerda, quando deveria ir ao encontro da bola na área, ou as bolas que CR7 amorteceu em zona perigosa e às quais não acolheu ninguém, exceptuando João Félix numa ocasião.

 

Portugal não tem uma identidade, não assume a sua teórica superioridade nos jogos. Os jogadores são bons, habituados a jogar em grandes equipas e grandes palcos, embora me pareça que a selecção final para este certame descurou características como velocidade (Guedes), irreverência e combatividade (Vitinha, do Braga) ou qualidade no ar (Beto) que nos poderiam ter sido úteis. Então qual é o problema? A meu ver o comandante, que faz fracas as fortes gentes, cozinhando uma equipa com medo da própria sombra, o que obriga jogadores que podiam ser decisivos a desgastarem-se fora das suas posições naturais, onde não molestam os adversários. As peças são ordenadas e desordenadas de uma forma algo caótica, o que por vezes surpreende a oposição como no tal Euro que permitiu a Fernando Santos elevar-se a Grande Mestre. Mas o Engenheiro não é um Alekhine, Karpov, Fischer ou Kasparov, longe disso, embora por vezes lhe saia um Éder da cartola. Simplesmente, a ideia com que se fica é que as apostas são tão aleatórias e as convicções tão ténues que em qualquer outra ocasião o próprio ilusionista mata o número do coelho. Com tudo a ficar entregue ao improviso do momento, se a fantasia não sai dos pés dos jogadores, mais se nota a desorganização latente. 

 

Antes do jogo muito se falou de vingar Alcácer-Quibir, como se uma hipotética vitória em 90 minutos de futebol compensasse 60 anos de perda de soberania. Não compensaria. Ainda assim, perdemos. Agora só nos resta esperar pelo dia de nevoeiro em que regressará El Rei... D. Ronaldo. Acreditem ou não, ainda vai ser necessário alimentar o mito. (Será sempre mais autêntico do que alimentar o mito de que sem Cristiano a Selecção fará melhor nos próximos anos. Querem apostar? Eu creio que ainda iremos chorar baba e ranho a sua aposentadoria.)

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08
Dez22

Tudo ao molho e fé em Deus

Pescaria de rio, pescaria de mar


Pedro Azevedo

Ontem convenci uns nómadas digitais a trocarem o teclado por uma cana de pesca. Juntos, seguimos até às ruas de Alcântara, à pesca do achigã. Bom, saímos de lá com o saco cheio(!), razão pela qual já só vi um resumo do nosso jogo, tão resumido quanto o conteúdo desta crónica que aqui Vos trago. Os nómadas ficaram satisfeitíssimos, tanto que até sugeriram atrair para Lisboa outros tão nómadas quanto eles quando toca a não pagar impostos (ou apenas a taxazinha do achigã). A ideia pareceu-me boa, menos para o achigã, claro. O meu medo é que este acabe, porque depois quem se lixa é o mexilhão... Enfim, o que eu não faço pelo modelo de desenvolvimento(?) do meu Portugal...

 

Quem também alinhou na pescaria foi o Sporting. Mas no mar, mais concretamente em Vila do Conde. O Paulinho deitou a minhoca à água por 4 vezes mas acabou com o saco vazio. O Trincão não quis ficar atrás e logo devolveu ao oceano a faneca que tinha no anzol. No fim salvou-nos um peixe que faleceu por vontade própria ao atirar-se para o nosso barco. Isso e a cana do Inácio, que se passou dos carretos e apanhou um outro. 

Bom, peço-vos desculpa mas tenho o Uber Aquático a tocar-me aqui na balsa. Obrigado e um abraço para todos. 

07
Dez22

Tudo ao molho e fé em Deus

Entre o eterno e os adversários que não são internos


Pedro Azevedo

Com a vitória de ontem, Portugal atingiu os quartos de final do campeonato do mundo, patamar unicamente alcançado pelos lusos em duas ocasiões (1966 e 2006) na história da competição. Eu vi o jogo ontem e fiquei com a sensação de que tínhamos ganho à Suiça. Mas hoje, ao analisar os comentários que proliferam pela blogosfera, parece que ganhámos contra o Ronaldo (Uma injustiça face à dimensão universal de um craque com uma ética de trabalho irrepreensível, a quem exigimos que seja perfeito.) Ou contra uns projectados aziados lesa-pátria, que isto de uns opinion-makers dizerem uma coisa e o seu contrário é uma arte só comparável à provocação gratuita destinada a criar uma agitação popular que se insiste em confundir com o sucesso. Pensando bem, é esta falta de unidade que nos caracteriza como nação. Por isso, quando Portugal vence em qualquer actividade é sempre contra outros... portugueses. Para essa singular forma de se ser português, ontem o Gonçalo Ramos ganhou ao Cristiano, olvidando-se que bateu essencialmente o Messi, o Gakpo, o Mbappé, o Kane, o Neymar, o Havertz, o Morata, o Mitrovic e todos os outros brilhantes e celebrados avançados que ainda não conseguiram fazer 3 golos num só jogo deste Mundial. Assim sendo, tenhamos noção das coisas: Portugal ganhou à Suiça, ponto. E Gonçalo Ramos tornou-se o mais jovem jogador desde Pelé a fazer um hat-trick em jogos a eliminar. Tudo motivos para festejar, colectiva e individualmente, o desempenho da nossa Selecção. Que é de todos nós, embora aqui e ali haja divergências entre os portugueses sobre a melhor forma de atingirmos o sucesso, o que é natural. (Já se sabe que para corrigir o que não é natural só há o Restaurador Olex, o resto são disfarces.)

 

Eu afirmei aqui que o Ronaldo ainda era melhor do que o Ramos e os factos da noite passada pareceram desmentir-me. Óptimo, digo eu. Porque muito mais importante do que as minhas razões é a razão colectiva. E Portugal ganhou, as pessoas estão felizes e mais felizes ainda ficarão se sobrepuserem Portugal ao jogador A ou B, ou ao treinador C ou D. Como o futebol é o momento, ontem o Ramos justificou plenamente a titularidade. Se já é melhor do que o Ronaldo é outra questão, até porque não há estatísticamente uma amostra com grau de significância relevante baseada numa única observação e as 118 observações anteriores de Ronaldo não devem ser desprezadas. Certo, certo é que no dia de ontem o Ronaldo dificilmente teria feito melhor do que o Ramos. Poderá uma Argentina dizer o mesmo sem Messi, um Brasil sem Neymar ou uma França sem Mbappé? Pois, feliz de quem substitui pontualmente um 5 vezes Bola de Ouro com aparente vantagem, o resto é conversa autofágica.  

 

Falando do jogo, que é o que essencialmente nos traz aqui, Portugal teve uma largura e profundidade até aí não vistas neste Mundial. Para tal muito contribuíram as prestações de Dalot e de Guerreiro, que assim permitiram a criação de espaço em zonas interiores tão bem aproveitado pelo João Félix, para mim o melhor em campo. [Eu sei, o Homem do Jogo foi o Gonçalo Ramos, com três golos e uma assistência (bom, na verdade duas), mas o Melhor em Campo é outra coisa.] Um destaque também muito especial para o Pepe. O Pepe é aquele jogador que qualquer amante de um clube gostaria de ter do seu lado e odiaria ter do lado oposto. A sua garra, concentração e atleticidade contagiam qualquer um, assim como o seu profissionalismo. Por isso, chega aos 39 anos aparentando estar fresco como uma alface, desafiando a perenidade das coisas e afirmando a sua eternidade na linha do que Ronaldo vinha fazendo até recentemente, o que lhe vem permitindo esconder o momento de forma menos exuberante do colega do lado que é 14 anos mais novo (Rúben Dias), pelo que surpreendente é que esta constatação ainda seja uma surpresa para alguém. Ontem marcou mais um golo pela Selecção, ajudando a consolidar a nossa grande vitória, tornando-se o jogador menos novo a marcar em jogos de mata-mata na história dos mundiais de futebol. (O mais velho a marcar em fases finais ainda é o Roger Milla, 42 anos, com a cortesia do escorpião Higuita.)

 

Como remate final, porque eu também tenho a tentação de marcar um golo, gostaria de dizer o seguinte: há por aí muito boa gente que vê o futebol como uma ciência. Pior, muitos até elevam-no a ciência exacta. Ora, o futebol não é matemática, certamente desafia qualquer silogismo aristotélico (por Portugal ter ganho por 5 à Suiça e o Brasil só lhes ter ganho pela diferença mínima, tal não significa que vençamos os canarinhos por 4 golos de diferença) e tem muitos novos amanhãs que permanentemente desafiam o presente e o estabelecido. Por isso é tão fascinante, e como tal suscita tanta curiosidade. Desde logo porque, sendo de aprendizagem simples, a sua complexidade traduz-se em que quanto mais se julga saber, mais se percebe nada se entender. E é bom assim, que pertença àquelas coisas que aparentemente estão ali à mão mas são inatingíveis. Como, aliás, a lua ou o sol. Talvez por isso gere tantos aluados e gente que parece ter apanhado sol a mais na moleirinha. É dos astros. [Dos astros, de quem se julga astro e de quem veste a pele de lobo e não é (Prof.) Astromar.]

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Félix

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06
Dez22

Telé 2.0


Pedro Azevedo

Do futebol se diz ser a coisa mais importante entre as coisas verdadeiramente não importantes da(s) nossa(s) vida(s), uma frase pelo menos tão batida quanto cada um dos escassos relvados disponibilizados pela organização deste campeonato do mundo. Todavia, de 4 em 4 anos, o futebol aparenta mesmo ser a coisa mais importante de todas as coisas verdadeiramente importantes. Fruto da mega encenação que a FIFA constrói para o evento, cria-se a percepção de que a pátria se decide à volta do jogo da bola, com os generais de ocasião, um corrupio de políticos, a acompanharem de perto cada nova "batalha", como se do desfecho da nação se tratasse. 

 

De todas as selecções presentes em competição a que mais me agradou até ao momento foi o Brasil. Nesse sentido, Tite apresenta-se como o Telé versão 2.0, uma evolução que não desprezando o futebol sambado o compatibiliza com a preocupação de ter o esférico rapidamente recuperado. Ontem, ao olhar para este Brasil, tive a ilusão de estar novamente a ver o Zico, o Sócrates, o Falcão e o Éder, em suma, a brilhante gesta de 82. Os novos craques chamam-se agora Vinícius, Neymar, Richarlison ou Raphinha, e recuperam-nos a ideia de que é possível ganhar e jogar bonito, agradar simultaneamente ao cérebro e ao coração. Por isso este Brasil faz bem ao futebol, não escondendo que o desastre canarinho de 82 conduziu na minha opinião o ludopédio no caminho oposto, para anos de trevas. Evidentemente, um dos segredos deste novo Brasil parece residir nos equilíbrios que se estabelecem quando a equipa não está em posse. Aqui, para além da importância do polvo Casimiro, Tite conseguiu uma solidariedade defensiva entre todos, que faz com que Vinícius, Richarlison e Raphinha rapidamente recuperem posições e briguem pela bola. O próprio Neymar desce e ocupa um espaço, ainda que com um atitude mais passiva que os demais. Não há assim lugar para um Ganso (Paulo Henrique, ex-colega de Neymar no Santos e actual craque do Fluminense), mas obviamente não se despreza a oportunidade de ter um Pombo (Richarlison). Mas é com bola que a equipa delicia: a classe com que Vinícius colocou a bola no primeiro golo ou assistiu para o quarto, o virtuosismo de Neymar a congelar o guarda-redes coreano no segundo ou o momento zoomarine de Richarlison no terceiro foram inolvidáveis. E depois há 2 centrais brasileiros que mais parecem jogadores da posição "10", com uma visão de jogo e um timing de passe insuperáveis para os seus pares de outras selecções. De forma que há muito tempo não me divertia tanto com um jogo de futebol. 

 

Não sei se o Brasil ganhará a "guerra", mas admito que a sua vitória contribuiria para um melhor futebol, um jogo que efectivamente entusiasmasse as pessoas, com menos especulação e mais fantasia, menos negócio e mais espectáculo. Porque o futebol também pode fazer sonhar. E o que o Escrete ontem fez, naquele seu jeito de exportar o futebol da rua para o mundo inteiro, deixou-me a sonhar com as palavras proferidas por Júlio César ao passar o Rubicão: Alea jacta est. Os dados foram lançados e já sabemos que a bola lhes obedece como a ninguém, veremos se o Senado do futebol mundial estará de acordo com esta nova ordem que o tomou de surpresa. Veni, vidi, vici? (Se não puder ganhar Portugal, eu assinarei por baixo.)

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05
Dez22

Futebol sem balizas


Pedro Azevedo

O maior problema de Portugal não é Ronaldo, que ainda é uma solução bem melhor do que André Silva ou Gonçalo Ramos, mas sim não haver quem procure o espaço como Diogo Jota, algo agravado pela indisponibilidade de Rafa, não convocação de Guedes e prestação desapontante de Leão. A Selecção não só se ressente da falta de largura, em virtude de os supostos alas virem sempre para dentro e de os laterais ficarem amarrados atrás, como também da falta de profundidade que a moto Jota trazia, tornando-se assim previsível e mais facilmente controlável. Com este plantel escolhido por Fernando Santos faltam-nos 30 metros de comprimento e 20 de largura. É um regresso ao passado, a um tempo antes de Allison e de Eriksson, em que éramos campeões do futebol sem balizas e a maioria dos nossos médios só queria a bola no pé. (Vamos ver se Dalot consegue trazer aquilo que os alas não têm dado.)

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05
Dez22

Quiz Sporting/Mundial (II)


Pedro Azevedo

Hoje há um Japão-Croácia a contar para os oitavos de final do campeonato do mundo. O Leitor consegue enumerar os 8 naturais dos 2 países que jogam ou jogaram no Sporting? Resposta até ao final do dia. 

Resposta: Petar Krpan, Josep Misic, Daniel Pranjic, Tomislav Ivkovic, Andrija Balajic e Robert Spehar (Croácia), Junya Tanaka e Hidemasa Morita (Japão).

04
Dez22

Quiz Sporting/Mundial


Pedro Azevedo

A propósito do França-Polónia (3-1) de esta tarde a contar para os oitavos-de-final do Mundial de 2022, o Leitor consegue apresentar um onze formado com jogadores dessas duas nacionalidades que jogaram no Sporting? Castigo Máximo apresentará o seu no final do dia. 

Resposta: O Onze (3-3-4) - Roman Salin; Naby Sarr, Michael Ciani e Jeremy Mathieu; Valentin Rosier, Didier Lang e Atila Turan; Sinama-Pongolle, Jean Pierre Serra (64/65, 28 jogos, 14 golos), Andrzej Juskowiak e Hadi Sacko. Treinador - Jean Luciano (64/65)

03
Dez22

Tudo ao molho e fé em Deus

À-vontade e à-vontadinha


Pedro Azevedo

Os jogos da Selecção não se esgotam nos 90 minutos. Na verdade, o jogo em si é apenas um pretexto. O verdadeiro jogo passa-se antes, na antevisão, um terreno fértil para o inuendo ou insinuação, e, principalmente, depois, durante a conferência de imprensa, onde o prato forte é a profanação que é feita ao cadáver após cada nova derrota. Nesse sentido, o dia de ontem não fugiu à regra. Para variar, no pós-jogo, e enquanto o presidente-comentador-tudólogo Prof. Marcelo não dava as suas notas ao melhor estilo do Dr. Rogério Alves, a relação entre Ronaldo e os seus treinadores, na circunstância o próprio do Engº Fernando Santos, tomou o centro como tema de falatório. E houve revelações chocantes. Assim, na ausência de um "bellboy", ficámos a saber que houve um c#!#$&o de um coreano que, fo%#-se, foi o culpado de o Ronaldo ter saído antes do tempo. Tal suscitou a curiosidade de Castigo Máximo, que logo se pôs em campo na pista coreana, contando para isso com a sua vastíssima equipa de investigação. Apurando factos históricos que comprometem outros cidadãos provenientes desse país da Ásia Oriental, que doravante iremos transcrever: assim, durante a XVII Conferência Ibero-americana, o Juan Carlos não dirigiu o célebre "por qué no te callas?" a Hugo Chávez, não senhor. Foi a um empregado de limpeza vindo expressamente de Seul que insistia em segredar-lhe ao ouvido a intenção de higienizar o cinzeiro onde o rei acabara de depositar a cinza de um "puro". E, durante a campanha eleitoral para as presidenciais brasileiras, as acusações de Bolsonaro a Lula sobre má-conduta foram afinal referentes a um cefalópede mal-cozinhado que deu à luz 12 filhotes na boca de uma sul-coreana de 63 anos (para quem tiver dúvidas, faça o favor de confrontar com uma Super Interessante não tão interessante ou bizarra quanto as conferências do CEO da Femacosa). São uns maganos, estes coreanos!!!

 

A derrota com a Coreia não foi diferente de outras derrotas com outras coreias ao longo dos anos. Historicamente, a nossa vocação é mais para o heroísmo, metermo-nos numas cascas de noz e assim pretender abraçar o mundo. Contra todas as probabilidades, como quando o Torres imitou o Martin Luther King e decidiu viver o sonho, mesmo se esse sonho tenha depois virado um chili-pesadelo. Porque quando tudo está a nosso favor é preciso desconfiar, havendo sempre uma Albânia ou uma Malta capazes de nos porem em sentido. Em suma, nós queremos mesmo é Adamastores, se o desafio fica aquém somos uns distratores. Nesse sentido, a milenar instituição militar resume bem o nosso dilema: uma coisa é à-vontade, outra coisa é à-vontadinha. E nós, simplesmente, não conseguimos estar à-vontade sem resvalarmos para o à-vontadinha. Talvez por isso tenhamos vivido tantos anos apertadinhos, em ditadura...

 

A minha grande dúvida é se a Suiça será um Adamastor suficiente para moralizar esta rapaziada, para eles a levarem a sério. Se o for, a vitória é certa, se não temo o pior, podendo até todas as nossas aspirações reduzirem-se a Esferovite (ou Seferovic, ou lá o que é). Terça-feira logo o saberemos, agarrados ao desfibrilador verde-rubro à venda na Cidade do Futebol e a viver o sonho. O sonho que comanda a vida, tal como na Pedra Filosofal do José Freire. Então, deixem-me sonhar que o Bernardo, o Ronaldo, o Leão, o Matheus e companhia comecem a jogar à bola. E que daí resulte um fondue indigesto para os helvéticos. Ou então não, que o nosso caos organizado - a desconstrução pode ser a construção de algo novo - parece que confunde ainda mais os adversários que a nobre lusa arte de bem jogar o futebol. Como já se viu no Euro-2016.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Diogo Dalot

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