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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

24
Mar21

Meia palavra devia bastar...


Pedro Azevedo

À chegada ao Equador, onde foi integrar a sua selecção, Plata mostrou não compreender a razão pela qual foi alocado à equipa B. Eu diria que o facto de 2 anos depois o seu entendimento colectivo do jogo ter evoluído pouquíssimo poderá ser uma pista. O resto já Rúben Amorim, subliminarmente, deu a entender de forma pública. Por comparação, atente-se, por exemplo, nos desempenhos de Tiago Tomás, Matheus Nunes, Gonçalo Inácio ou Nuno Mendes: TT já jogou como ponta de lança, interior e lateral/ala (em casa, contra o Gil Vicente, marcando até um golo em que revelou excelente entendimento do que era pedido quando Sporar fez um deslocamento lateral seguido de apoio para Bragança e ele teve a inteligência de vir para dentro e concretizar), Matheus teve boas prestações como médio, interior e lateral/ala, Inácio adaptou-se a qualquer posição da linha de 3 (inclusivé a jogar de pé trocado) e Mendes chergou à selecção e já foi lateral/ala e central pela esquerda com um excelente aproveitamento. Para bom entendedor...

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24
Mar21

Dário, Isnaba, Guilherme, Octávio...


Pedro Azevedo

A surpreendente chamada de Dário Essugo ao plantel principal do Sporting veio mais uma vez chamar à atenção para o talento que existe nos escalões de formação do Sporting. Para quem não acompanhe tanto, junto aqui mais alguns nomes que têm estado desaparecidos no radar dos adeptos em virtude da interrupção dos campeonatos jovens: Guilherme Santos, Saná Fernandes, Francisco Silva, Salvador Gomes, Tiago Octávio, Isnaba Mané, Martim Marques ou Mateus Fernandes. O Guilherme é aquele jovem que um dia a todos surpreendeu na Pontinha quando revelou um discurso muito maduro e com todos os valores Sportinguistas presentes. Habitualmente escolhido como capitão, o Guilherme é um médio de grandes recursos técnicos e grande chegada à área (pode também jogar como segundo avançado, ao estilo de João Vieira Pinto), a quem faltará porventura um crescimento físico ao nível do seu talento. De apenas 15 anos, Saná é um jovem extremo muito forte no drible, característica aliás comum ao seu irmão Joelson. Chamo também a atenção para os guarda-redes Francisco Silva (só perfaz 16 anos em Novembro) e Salvador Gomes, ambos muito fortes na mancha e com excelente presença entre os postes. Um pouco mais velhos (7, 8 meses), Tiago Octávio e Mateus Fernandes são dois médios de excelente técnica. Octávio destaca-se mais pelos deslocamentos frontais com bola, Mateus é um organizador que revela excelente leitura de jogo e circula mais o esférico, juntos reeditam um pouco as características da dupla Matheus Nunes/Daniel Bragança. Mané é um quebra-cabeças na ala esquerda, um jogador de desequilíbrios. Martim Marques é um lateral esquerdino que sobe muito, com excelente técnica, habilidade na finta e qualidade no cruzamento. Outros miúdos como Mamadu Djaló ou Pedro Sanca poderiam também merecer destaque. Queremos vê-los muito mais e vamos certamente ouvir falar deles no futuro, assim as condições sanitárias o permitam. Mantendo a estratégia de aproveitamento da sua formação, o futuro do Sporting continuará assegurado nestas duas gerações de jogadores.

23
Mar21

NextGen 2021


Pedro Azevedo

O Sporting é o único clube português representado na lista "NextGen 2021: as 50 maiores revelações do futebol mundial" publicada hoje pelo portal Goal.com. E logo com 3 jogadores: Nuno Mendes, Eduardo Quaresma e Joelson Fernandes. Nesta lista, que contempla apenas jogadores nascidos a partir de 1 de Janeiro de 2002, onde surpreendentemente não consta Tiago Tomás (Gonçalo Inácio nasceu em Agosto de 2001), Nuno Mendes é o mais bem classificado dos leões, aparecendo na 23ª posição. Dos restantes, Quaresma figura no 36º posto e Joelson é o 44º colocado. O pódio é composto por Ansu Fati (1º, Barcelona), Eduardo Camavinga (2º, Rennes) e Gio Reyna (3º, Borussia Dortmund). Mais um bom sinal de valorização da Academia Sporting e da sua formação. 

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23
Mar21

Penso, logo desisto


Pedro Azevedo

Leio que fizemos uma parceria com uma instituição especializada em encontrar jovens talentos escandinavos "cognitivamente desenvoltos". Parece-me uma boa forma de reformular o Gabinete Olímpico. Assim, se os meninos e meninas não souberem dar dois pontapés na bola, podemos sempre inscrevê-los nas Olimpíadas da Matemática. Ou no Xadrez. E na Sueca, também, obviamente. Com a vantagem, dada a púbere idade, de tal contributo poder ser dado por correspondência. 

 

P.S. Diz o Director da instituição, que tem sede na Ericeira, que esses jovens "contrastam com os portugueses". Entretanto, no seu site anunciam que no Verão irão visitar 30 diferentes locais na Escandinávia.

23
Mar21

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 32 jogos - 24 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa, 3 para a Taça de Portugal e 3 para a Taça da Liga -, obtendo 26 vitórias (81,25%), 4 empates (12,5%) e 2 derrotas (6,25%), com 63 golos marcados (média de 1,97 golos/jogo) e 19 golos sofridos (0,59 golos/jogo).

 

Individualmente, Rúben Amorim mantém o 3º lugar no Top 5 da exclusiva lista de treinadores do Sporting com maior percentagem de vitórias. Numa altura em que já realizou 43 jogos pelo clube em diversas competições, Rúben apresenta um registo de 74,4% de vitórias (32 em 43) em todos os jogos, superando homens como o húngaro József Szabó e o tri-campeão Randolph Galloway. O líder continua a ser o também inglês Robert Kelly (79,2%), seguido por Cândido de Oliveira (75,3%), por Amorim, pelo húngaro Alexander Peics (73, 1%) e József Szabó (72, 2%).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas de golo):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (15,4,6), N. Santos (7,9,1), TT (6,2,4);

2) MVP: Pedro Gonçalves (59 pontos), Nuno Santos (40), TT (26); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (25 contribuições), N. Santos (17) e Porro e TT (12);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (15 golos), Nuno Santos (7) e TT, Jovane e Coates (6);

5) Assistências: Nuno Santos (9), Pote (4), Porro, Tabata, João Mário e Feddal (3).

 

Fazendo uma análise por sectores em termos de pontos MVP (golo=3; assistência=2; participação=1), teremos:

 

Pontas de Lança (total=59)TT (26), Sporar (20), Vietto (7), Pedro Marques (6)

(nota: TT também jogou como interior)

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Interiores (total=136)Pote (59), Nuno Santos (40), Jovane (23), Tabata (14)

(nota: Jovane também jogou como ponta de lança)

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Médios Centro (total=34): João Mário (13), Matheus Nunes (10), Palhinha (8) e Bragança (3)

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Laterais/Alas (total=40)Porro (23), Nuno Mendes (11), Plata (4), Antunes (2)

Pedro-Porro.jpg

Centrais (total=43)Coates (22), Feddal (11) e Gonçalo Inácio (10)

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Guarda-redes (total=2): Adán (2)

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Conclusões:

  • A posição de Interior contribui em acções de golo cerca de 2,3 vezes mais do que a posição de Ponta de Lança; A posição de Médio Centro tem menos preponderância nos nossos golos que a de Lateral/Ala e de Central, o que pode indicar que RA vê-os mais como um factor de equilíbrio defensivo, sendo os desequilíbrios ofensivos mormente produto da circulação em "U";
  • Ordem de importância no golo: Interiores, Ponta de Lança, Centrais, Laterais/Alas, Médios Centro, Guarda-redes;
  • Um total de 20 jogadores já contribuiu para os golos leoninos. Dos utilizados, apenas Max, Neto, Quaresma, Borja, João Pereira, Paulinho, Matheus Reis e Dário Essugo ainda não tiveram preponderância nos golos marcados. 

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

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22
Mar21

Delegado de propaganda médica


Pedro Azevedo

O Otávio sem "c" (vocês sabem do que eu estou a falar) renovou com o Porto e o senhor Pinto da Costa, investido de delegado de propaganda médica, logo alertou que as farmácias vão continuar a vender muito Rennie. Tomando como certo que a Estrutura portista e seu treinador serão clientes certos da pastilha contra a azia, aguarda-se que a próxima promoção de PdC venha a ser um medicamento para incontinentes verbais. É que só o Sérgio Conceição seria menino para esgotar o stock completo. Entretanto, a Federação Portuguesa de Lutas Amadoras ainda não se pronunciou sobre a possibilidade de vir a utilizar alguns vídeos de Sérgio Conceição para a promoção da modalidade. Teme-se porém que a Liga Portugal se tenha antecipado na compra dos direitos. Pelo menos a julgar pela ligeireza com que vem contemporizando com as atitudes do treinador portista. Bem sei, a Comissão de Instrutores anda mais à caça de fraudes na inscrição de treinadores, ainda que tal acção não lhe permita remontar ao tempo em que Sérgio era treinador do Olhanense...

21
Mar21

Tudo ao molho e fé em Deus

Cinderella Man


Pedro Azevedo

Imaginem um clube com sorte madrasta, durante anos tratado como o enteado pobre do futebol português. Desprezado pelos dois filhos do sistema, que nunca perdiam uma oportunidade de dele troçarem, viu-se obrigado a desde cedo trabalhar na regeneração do nosso futebol. Um trabalho na sombra, anos e anos a fio convertido em retalhos por acção directa dos filhos do sistema e assim condenado a nunca emergir no baile de gala de encerramento da época desportiva, um motivo de redobrado sofrimento para todos os que dele gostavam.

 

O sofrimento como marca de existência e uma resiliência a dar razão a Schopenhauer quando classificava o sofrimento como positivo porque não inebriante ou ilusório como a felicidade e portanto revelador da condição humana. "Sofro, logo existo", como paradigma do ser Sportinguista. Até que um dia surgiu uma fada que tudo encantou. De uma abóbora fez uma carruagem dourada, seis ratinhos foram transformados em majestosos cavalos, um rato maior tornou-se cocheiro. Uns sapatinhos feitos à medida de campeão apareceram como que por encantamento, calçando-o para o baile. Logo todos os que gostavam dele se interrogaram se seria real. Poderão anos e anos de sofrimento terminarem com um passe de magia? O nosso receio, o que nos inquieta à noite, é que a carruagem se volte a transformar em abóbora.

 

Vem esta alegoria a propósito do papel de Rúben Amorim na afirmação deste novo Sporting. Amorim é o nosso "Cinderella Man", capaz de mostrar que é de ouro que se fazem os produtos da nossa Academia. Com ele, a nossa existência passou a ser um transcender de liberdade, aquilo que Jaspers ensina que abre caminhos. Como a caminho entre Alcochete e Alvalade, aberto por Amorim quando colheu 6 dos semeados por Aurélio Pereira e seus seguidores e os exibiu na grande montra de ontem. Com outros dois a preencherem a segunda parte. À semelhança de outros jogos em que fomos reganhando a nossa identidade. Dando assim um sentido às coisas. E logo quando tudo parecia perdido, o que dá à emergencia de Amorim um toque de transcendental, como na parábola de Kierkegaard onde um homem determinado a pôr fim ao seu sofrimento e prestes a atirar-se ao Tamisa (o Tejo, para o efeito) é salvo por uma picada de um mosquito que lhe interrompe o movimento. Abençoada picada, certamente. E encantado mosquito.

 

E que bonito é observar os nossos produtos de Alcochete. Com simplicidade, tudo se poderia reduzir à iluste Casa de Bragança, senhorial na arte da posse, douta em conhecimentos aprofundados de geometria e impenetrável às vagas de ataque do "inimigo", onde coexistem o tiki-taka do João e do Daniel, o GPS do Inácio, o rochedo Palhinha, o colosso Tomás - dois fins de semana consecutivos a mandar centrais para o estaleiro com caîbras aos 60 minutos de jogo - e a serpente Mendes, mas também o belo cisne Cabral e o bebé Essugo. Não sei como esta bela aventura irá terminar, mas volto a Kierkegaard para recuperar os seus 3 estádios da existência humana: tendo nós sempre desprezado o estético, em que o prazer momentâneo do belo e de um desejo imediatista (a "facilidade") é garantia de felicidade, encontrámos nas leis da moral e da conduta universais um patamar melhor para a nossa existência. Porque a ética é universal, ao contrário do ser que é único e individual. E assim, arregimentados por um valor comum, contra ventos e marés procuramos a nossa verdade comum. O que nos leva ao último estádio, o do compromisso com a nossa fé. De ser Sportinguista, de ser (Ser?) Sporting.  

 

P.S. Espero que o senhor José Pereira da Inspecção do Trabalho não nos multe por fraude na atribuição de contrato de trabalho ao jovem Dário.  

 

Tenor "tudo ao molho...": João Palhinha. Gonçalo Inácio, Daniel Bragança, Tiago Tomás, Pote e Jovane mostraram pormenores distintivos. E estreou-se o jovem Dário Essugo, 16 aninhos acabados de perfazer, com dedicatória para todos os papás de meninos que querem jogar futebol ao mais alto nível e tudo. Uma palavra final para a estupenda arbitragem de Tiago Martins, um árbitro não poucas vezes traído pela vaidade mas que ontem deixou o palco para os músicos e permitiu que sobressaísse a qualidade das partituras. Grande trabalho!

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19
Mar21

O trio de trás


Pedro Azevedo

Com Coates indisponível por suspensão devida a acumulação de amarelos, Rúben Amorim terá de operar uma alteração no habitual trio de centrais titular. Nesse sentido, entrará Neto ou Matheus Reis. Na minha opinião será Neto, porque não é crível que Amorim queira jogar com 3 centrais esquerdinos em simultâneo. Por outro lado, coloca-se a questão se a entrada de um jogador mexerá, ou não, com as posições dos restantes. Creio que Amorim não prescindirá de Feddal ao meio, solução sempre encontrada nas ausências de Coates, pelo que o mais certo é Neto aparecer pela direita, o marroquino no centro e Inácio voltar à esquerda. Não me parece que a questão das rotinas recentes deva prevalecer sobre o maior à vontade que os jogadores têm em certas posições, razão pela qual a solução de Neto entrar directamente para o centro (posição natural de Coates) parece-me pouco concretizável. Aliás, Neto tem vindo sempre a ser utilizado como central pela direita. E o Leitor? Como perspectiva o que Amorim virá a fazer?

17
Mar21

0 seu a seu dono


Pedro Azevedo

Para que fique claro, todo o imbróglio à volta do "caso Palhinha" deriva de duas situações:

1) O árbitro não se mostrou à altura do seu ofício quando se precipitou e tirou apressadamente do bolso o cartão amarelo. A prová-lo o facto de, posteriormente, ter alegado que o seu ângulo de observação não era o melhor, o que deixa a questão da razão pela qual um árbitro internacional, e como tal experiente, não teve a frieza de espírito de em campo consultar o seu auxiliar, esse sim com uma visão privilegiada (jogadores de frente para si) do lance em discussão.

2) A posterior admissão pública do erro por parte do árbitro seria perfeitamente inócua em sede de justiça desportiva caso o Sporting não tivesse recorrido para o TAD e, dada a impossibilidade deste de decidir em tempo útil, para os tribunais (providência cautelar), facto que não poderia deixar de ser do conhecimento do árbitro aquando da sua declaração pública. Tratou-se assim de um lavar de mãos como Pilatos, deixando a batata quente para o Conselho de Disciplina (este só teria tomado uma decisão diferente caso o árbitro no relatório tivesse indicado não ter visibilidade perfeita do lance, algo que aliás não alegou na medida em que não tinha qualquer obstáculo à visão do lance, os jogadores não estavam era de frente para si). Este só fica mal visto junto da opinião pública devido ao procedimento que tinha montado, o qual não lhe permitia ouvir o árbitro (o relatório não é suposto narrar uma versão diferente daquela que o árbitro "viu" no campo, pois não é suposto incluir o visionamento de imagens televisivas), provavelmente a fim de não criar um precedente de sucessivos recursos que pusessem em causa a celeridade da justiça desportiva em matéria de aplicação do regulamento disciplinar. Ora, pesando os dois pratos da balança, ainda assim penso dever ser sempre de fazer prevalecer a verdade desportiva, ainda que não seja completamente certo que futuramente todos os árbitros instados a se pronunciar em matéria que possa conduzir a despenalizações venham a ter tal como prioridade mediante eventuais pressões mediáticas (directores de comunicação, nomeadamente) a que estejam sujeitos. Adicionalmente, ao contrário do que já li por aí, o TAD não foi sensível à alegação feita pelo Sporting de que o jogador Palhinha não foi ouvido, mas sim ao facto de o árbitro ter publicamente reconhecido o erro (ainda que isso perante as antigas regras do CD fosse, repito, inócuo).  

 

À boa maneira portuguesa, o árbitro, que cometeu o pecado original, está aí a apitar sem consequências de maior. Não foi para a "jarra", pelo contrário apitou logo uma série de jogos de seguida, sinal inequívoco da confiança que merece para o Conselho de Arbitragem. Em oposição, sobrou para Cláudia Santos o ónus da ira popular. Quanto ao Sporting, aproveitou bem os mecanismos jurídicos à sua disposição, defendendo os seus direitos e os do seu jogador. O TAD decidiu bem, dando prioridade à verdade desportiva e considerando a opinião posterior do árbitro.

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15
Mar21

La Vecchia Macchina


Pedro Azevedo

Zurzido de alto a baixo por imprensa, antigos jogadores e treinadores de referência após a eliminação da Vecchia Signora aos pés do FC Porto, Cristiano Ronaldo respondeu à bomba: hat-trick perfeito na Sardenha (cabeça, pé direito, pé esquerdo), liderança alargada da tabela de "capocannonieri" da Serie A, 770 golos na carreira e recorde de Pelé superado. Nada mal para quem está acabado...

 

O problema da análise que muitas vezes se faz sobre Ronaldo é descurar que o futebol não é ténis, mas sim um jogo de 11 contra 11. Os seus maiores detratores não perdem uma oportunidade para o subalternizar a Messi, desvalorizando o trabalho árduo aliado a uma boa base de talento face ao talento puro extraordinário, como se o esforço de superação constante não fosse algo de valorizar. Quais abutres, qualquer desfalecimento do grande campeão português é logo aproveitado para servir uma determinada narrativa, o que não surpreenderá numa sociedade onde há demasiada gente mais preocupada com as suas razões do que em dar um sentido colectivo às coisas. Não que a apreciação do talento natural de alguém não nos remeta para os deuses e o Olimpo e não encerre em si suficientes elementos de sedução. Nesse sentido, é tão impossível ficar indiferente ao teto da Capela Sistina como à esquerda a uma só mão de Federer, ao toque de pulso de McEnroe ou ao íman com que Messi prende à bola à canhota, assim a sensibilidade esteja treinada para entender a excelência de qualquer um destes artistas, mas a obra de Ronaldo fala por si e ficará para sempre como um exemplo de tenacidade, competitividade e proficiência.   

 

Além do mais, olhando para o conjunto das 3 últimas temporadas europeias da Juve é mais fácil concluir que a Vecchia Signora perdeu apesar de Ronaldo do que por sua causa. Senão vejamos: em 18/19, a Juve encontrou o Atlético de Madrid nos oitavos-de-final da Champions e foi derrotada por 2-0 em Madrid. Os "colchoneros" eram os favoritos à passagem da eliminatória, mas um hat-trick de Ronaldo em Turim inverteu os acontecimentos a favor das "zebras". De seguida, o sorteio colocou a Juve frente ao Ajax. A Juve acabou eliminada pelos "lanceiros", mas Ronaldo marcou os dois golos dos italianos (1-1 e 1-2); em 19/20, a Juve foi eliminada pelo Lyon, valendo o critério do desempate pelos golos fora (1-0 e 1-2). Ronaldo bisou em Turim, ainda assim pecúlio insuficiente para permitir aos "bianconeri" vir a Lisboa disputar a Champions. Pelo que só nesta época Ronaldo não inscreveu o seu nome na lista de marcadores da sua equipa na fase a eliminar da Champions, o que não justifica de todo o conjunto de mensagens negativas que a seu respeito se leram durante a última semana. Não, o problema da Juventus não é Ronaldo, como aliás não o é a ausência de bons jogadores. É, sim, de uma política desportiva que gerou insuficiências numa posição vital como a de ponta de lança e multiplicou os clones no meio-campo, da falta de associação entre os jogadores e de um conceito de jogo mastigado e sem génio que tem hoje Pirlo como principal responsável.

 

De acordo com aquilo que temos vindo a permitir que se transforme a sociedade, a existência simultânea de dois craques do gabarito de Messi e Ronaldo não é festejada ou glorificada como deveria. Não, a mediocridade geral destes tempos leva-nos a procurar desvalorizar cada um deles em função do outro, situação a que nem um treinador de prestígio como Capello conseguiu fugir. Ora, é contra este tipo de narrativas bipolares que nos devemos rebeliar e perceber que nos foi concedido a distinção única de num só período termos a oportunidade de ver não um mas 2 jogadores que irão marcar para sempre os livros de registos do futebol mundial. Podendo cada um preferir o seu, naturalmente. Mas pela positiva. Agradecendo o enorme privilégio. E desfrutando. Até porque um dia irá acabar. Então sobrar-nos-á o consolo de transmitir às novas gerações que vimos jogar Ronaldo e Messi, sortilégio que lhes permitirá continuar a "jogar" na imaginação de cada um.

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14
Mar21

Tudo ao molho e fé em Deus

“Inimigo” invisível


Pedro Azevedo

Uma pessoa olha para as primeiras imagens emitidas directamente do Regimento de Milícias de Tondela e começa logo a interrogar-se sobre a forma como se deve combater um "inimigo" que não se vê. É que aparentemente estavam só 11 jogadores do Sporting em cima do terreno do jogo, mas os tondelenses haviam vestido camuflado, preparado uma emboscada e agora camaleonicamente confundiam-se com a vegetação enquanto aguardavam o início das hostilidades. Não os víamos, mas sentíamos que eles estavam lá, ou anos e anos de sistema do futebol português não nos tivessem já suficientemente desenvolvido a intuição (e a visão noturna). O mote estava traçado, a estratégia deles passava por extrema mobilidade oculta, íamos ter uma luta de guerrilha. Instintivamente pensei que o tempo da camisola, calções, botas e caneleiras já era e o jogador do futuro equiparia com capacete binocular de infravermelhos e assim. Veio-me logo à cabeça o Platoon e imaginei o filho do Martin Sheen a fumar umas cenas e a pensar no White Rabbit que seria preciso tirar da cartola para ganhar o jogo. (Mais tarde na carreira o rapaz dedicar-se-ia mesmo a da cartola tirar coelhinhas... da Playboy.)

 

Rapidamente se percebeu que os Beir'altacongs queriam-nos meter a encher chouriços, atar e pôr no fumeiro. As nossas movimentações eram constantemente vigiadas, o que nos colocava num espartilho. E não tínhamos quem conseguisse saltar as trincheiras que os tondelenses haviam montado com snipers como linha de defesa ao longo do terreno. Entretanto, desperdiçámos ingloriamente 45 minutos a tentá-lo com as mesmíssimas soluções ("I'm sitting on the dock of the bay, watching the tide roll away, ooh I'm just sitting on the dock of the bay, wasting time..."). Do meio campo para a frente os únicos homens com poder de choque eram Palhinha e TT, mas estes não são propriamente criativos, pelo que pensei que as entradas ao intervalo de Jovane e de Matheus Nunes poderiam complementar essas outras duas unidades, juntando mais força física a velocidade, imprevisibilidade e capacidade de ultrapassar linhas. Mas não, voltámos exactamente com o mesmo onze. E a primeira alteração também não foi de ruptura com o andamento do jogo, visando mais posse de bola e passe à distância quando este jogo específico estava a pedir essencialmente capacidade de penetração e dinamite. Obviamente, não resultou. Por essa altura já eu andava a ouvir o Adagio e com tendência para passar ao original do Albinoni , aquele que o Morrison escolheu para o seu "An American Prayer". O jogo continuou exactamente no mesmo enervante rame-rame até que Tabata e Jovane finalmente o conseguiram agitar. Nomeadamente o cabo-verdiano, que se posicionou mais perto de TT e obrigou os beirões a dispersarem atenções. E de uma bola recuperada por Jovane à entrada da área viria a resultar o envolvimento que permitiria a Pote assistir TT para o golo da vitória. 

 

O Sporting cumpriu com o essencial dos 3 pontos. No entanto, independentemente da inquestionável valia dos nossos jogadores, hoje não foi nada claro que tivéssemos escolhido o onze mais adaptado às circunstâncias que fomos encontrar em Tondela (não é com "Bolshoi" que se ataca "Hanói"). Mas ganhámos, e isso nunca defrauda ninguém, logo em princípio não deverá ser alvo de processo por parte da Comissão de Inquisidores, perdão, de Instrutores da Liga. Em princípio. R-E-S-P-E-C-T!

 

Tenor "Tudo ao molho...": TT. Uma palavra de apreço para a forma como defendemos. Noutros tempos, um falhanço como o de Feddal geraria logo o pânico e seria um golo certo. Hoje em dia não. E porquê? Porque os restantes jogadores sabem exactamente como colectivamente se posicionar e que linhas de passe encurtar. E isso é muito trabalho de treinador e da sua equipa técnica, sem desprimor pela forma como os jogadores apreenderam rapidamente os conceitos, que isto de atrás não deixar ninguém entregue à sua sorte tem muito que se lhe diga. Assim, podemos não impressionar ofensivamente, mas esta equipa continua a ser muito difícil de bater. E isso é meio-caminho andado para o sucesso.  

P.S. Retalhos da vida do futebol português: o João Pereira no Sporting nem precisa de jogar para apanhar vermelhos. Quando estava do outro lado da Segunda Circular, o Hugo Viana é que nem precisava de lhe tocar para ver um vermelho. Ah, e o pisão no pé do Tiago Tomás? Lá por o homem ser TT não quer dizer que valha tudo, não é? 

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11
Mar21

Parabéns, Monsieur Boloni!!!


Pedro Azevedo

Monsieur Boloni, treinador do último campeonato conquistado pelo Sporting, completa hoje 68 anos. Para além do título nacional, a que aliás adicionou a conquista da Taça de Portugal (e da Supertaça, no arranque do ano seguinte), László Boloni destacou-se pelo lançamento dos jovens Ricardo Quaresma, Hugo Viana e Cristiano Ronaldo. Homem de grande dedicação ao presente e compromisso com o futuro do clube, Boloni viveu depois um período difícil em Alvalade quando a desestabilização provocada pelo empresário José Veiga deixou severas marcas no nosso goleador Mário Jardel. Ai voltou a revelar-se a nobreza do seu carácter, exorbitando em muito as suas competências face às circunstâncias que estavam a minar o leão. Nesse período foi ama-seca de Jardel com a mesma naturalidade com que apostava coca-colas nos treinos com o então muito jovem Yannick Djaló, um jogador cuja velocidade sempre o fascinou e em quem depositava a esperança de vir a moldar para suceder ao trio supramencionado. Sempre mais preocupado com o clube do que com a sua própria imagem, nunca deixou cair a toalha, mostrando uma dedicação digna do apreço de todos os Sportinguistas. Simultaneamente, a todos evidenciou os seus dotes de artesão de diamantes em bruto, domando o Mustang, melhorando a decisão e o compromisso defensivo de Viana ou apurando as qualidades atléticas do Goat, jogadores que o Sporting viria a vender nos melhores marcados europeus (Espanha e Inglaterra). Foi por isso não só um treinador vitorioso do ponto de vista desportivo como também muito importante para as finanças do clube, o que nem sempre lhe terá merecido o devido realce por parte de dirigentes, sócios e adeptos do clube. 

 

Nascido na Transilvânia, fronteira entre a Roménia e a Hungria, foi um grande centrocampista da selecção romena (mais de 100 jogos disputados) e do Steaua de Bucareste, equipa com que se viria a sagrar campeão europeu. Emigrou depois para a Bélgica - primeiro jogador a ser autorizado a sair do país no tempo do ditador Ceausescu - e mais tarde para França, país onde iniciou a carreira de treinador nas camadas jovens do Nancy, clube formador por natureza, célebre por ter apresentado Michel Platini ao mundo do futebol. Aí tornar-se-ia primeiro Director do Centro de Formação e posteriormente treinador principal. Com a queda do regime na Roménia, acabaria por aceitar regressar para orientar a sua selecção. Seguir-se-ia então o Sporting, clube a quem endereçou a então grande promessa Marius Niculae. 

 

Dotado de uma grande capacidade de organização do trabalho, Boloni foi claramente um indivíduo que acrescentou valor ao projecto do clube. Infelizmente, os maus resultados averbados no segundo ano acabariam por ditar a quebra da relação. Na minha recordação ficou para sempre um ser humano de personalidade austera, um pouco rígido até, características certamente moldadas por um regime totalitário, mas que se dedicou de corpo e alma e tinha uma visão clara para o futuro do Sporting. Um homem-projecto que ainda assim conseguiu importantes resultados desportivos na sua passagem por Alvalade. (Ahhh!, e era dotado de um peculiar sentido de humor, característica que só emergia em momentos muito particulares.)

 

Parabéns, Monsieur Boloni. E obrigado para sempre pela sua extrema dedicação e profissionalismo.

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11
Mar21

Lost in translation


Pedro Azevedo

Esta CI da Liga denomina-se Comissão de Instrutores ou Comissão de Inquisidores?

 

Tendo em conta a observância em média de um evento por mês relacionado com o Sporting, não sei se devo circunscrever este tipo de sinal que a CI ciclicamente transmite ao Conselho de Disciplina da FPF no âmbito da convolação ou da... ovulação. Temo porém que os actos não estejam a ser praticados em segurança e que venham a traduzir-se em abortos (jurídicos) quando devidamente apreciados pelos tribunais comuns.

10
Mar21

A aritmética do campeonato


Pedro Azevedo

pontuação máxima.png

campeonato a 4.png

Cenário Limite 1: Sporting ganha os jogos com Braga e Benfica

sporting vence.png

Cenário Limite 2: Braga vence Sporting e Benfica

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Cenário Limite 3: Porto vence Benfica

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Cenário Limite 4: Benfica vence Braga, Porto e Sporting

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Worst Case Scenario para o Sporting: perde com Braga e Benfica

WCS.png

Não esquecer que entre Braga, Porto e Benfica só 1 no melhor cenário possível poderá amealhar o máximo de pontos possível definido na tabela. Para ser campeão com toda a certeza o Sporting precisará de fazer 86 pontos, o que significa que tem uma pequena margem de 1 empate nos restantes jogos do campeonato (admitindo o worst-case-scenario conjugado de perder com Braga e Benfica e o Braga vencer todos os seus jogos até ao fim).

 

Faltam disputar 4 jogos entre os 4 primeiros classificados. A saber (por ordem cronológica): Braga-Benfica, Braga-Sporting, Benfica-Porto e Benfica-Sporting. Havendo 4 jogos, cada um com 3 resultados possíveis, existem 81 combinações possíveis de resultados entre eles, o que seria exaustivo elencar aqui. Assim, optei por apenas considerar cenários limite. 

10
Mar21

360º


Pedro Azevedo

Pelos ecos que nos chegam de ontem, a derrota do FC Porto em Turim foi festejada como se da vitória na final da Champions se tratasse. Por ironia, quem para tal mais contribuiu foi Sérgio Oliveira, autor de uma frase polémica na sequência do jogo com o Sporting, que marcou os dois golos dos portistas. Sinceros parabéns ao Sérgio e ao FC Porto por mais um relevante serviço prestado ao futebol português no melhor palco europeu e também por nos mostrarem que numa volta de 360º o ponto de chegada é exactamente igual ao de partida. 

PS: Ficaram-lhes bem os festejos, o futebol é alegria. E é também respeito pelos vencedores ou vencidos, reconhecendo que num determinado dia se foi pior ou melhor que o adversário e não deixando de o saudar pela luta que nos deu. 

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