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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

10
Out20

Panenka


Pedro Azevedo

Antonin Panenka, o médio que fez "czech-mate" à Alemanha na final do Euro 76, recuperou do estado crítico e encontra-se agora estável, embora ainda a necessitar de respiração assistida. Sendo, conjuntamente com Cruijff, um dos dois únicos heróis sem passado no Sporting dos muitos que serviram de inspiração a este blogue, Castigo Máximo não pode deixar de se associar a todos aqueles que à volta do mundo têm vindo a manifestar preocupação com o seu estado de saúde. Na esperança, ou ela não fosse bem Sportinguista, que Panenka invente contra a Covid-19 o mesmo tipo de Ovo de Colombo com que um dia deixou Sepp Maier impotente.

08
Out20

Imortal!

Vítor Damas nasceu há 73 anos


Pedro Azevedo

In memoriam do grande Vítor Damas, hoje republico dois textos que originalmente "deram à estampa" neste blogue em 18 de Janeiro e em 6 de Setembro de 2019. Nós, Sportinguistas, jamais o esqueceremos.  

 

"O Leão Branco"

 

Há um antes e um depois de Vítor Damas. Nas peladas de rua ou em terrenos baldios, nos relvados do futebol profissional.

Antes dele, quando um grupo de rapazes traquinas se juntava para "jogar à bola" ninguém queria ir à baliza. Os garotos eram Figueiredo (mais tarde, Peres) ou Eusébio, mais remotamente, Peyroteo ou Espírito Santo, mas nunca guarda-redes. Por isso, o engenho dos rapazolas criou a figura do guarda-redes avançado, limitando os danos de quem era incumbido de tão maçadora, quão castradora, missão. Mais tarde, nova engenhoca dos petizes e o "keeper" ia rodando entre todos os compinchas para não penalizar por muito tempo qualquer um deles.

Até que surgiu Damas. Como outrora dizia Comte, "tudo na vida é relativo, e isso é o único valor absoluto". Damas foi o maior porque enorme era Eusébio e vice-versa, tal "yin" e "yang", dois seres que se complementavam e davam corpo à sua existência, em que o "yin" era Damas, com a sua elegância e sapiência na baliza que transmitiam grande tranquilidade à equipa e aos adeptos, e o "yang" era Eusébio, com a sua vigorosa acção criativa digna de um Rei. Se Eusébio era o Pantera Negra (cientificamente, uma mutação genética da Panthera que se designa por "melanismo"), Damas era o Leão Branco ("Panthera Leo", mutação genética oposta ao melanismo que se designa por "leucismo").

Quando em 9 de Novembro de 1969, Damas realizou a "parada do campeonato", ajudando o Sporting a ser campeão com uma defesa por instinto após cabeçada de Eusébio, não foi só o Pantera Negra que, já festejando de braços abertos, ficou incrédulo. O estádio inteiro "se levantou" para aplaudir, consciente de que tinha assistido a uma impossibilidade física, como se outra dimensão tivesse penetrado no nosso Sistema Planetário. Eusébio teve consciência desse momento e imediatamente, como grande desportista que era, correu a abraçá-lo, contribuindo para elevá-lo à imortalidade.

Este duelo perduraria até Eusébio "pendurar as botas", o que, acto contínuo, foi seguido por a saída de Damas do Sporting, rumo a Espanha, quiçá por falta de motivação ao sentir que o grandioso combate jamais se repetiria.

Assim acabariam 9 anos de expoente máximo, de fábula, de encantamento, embora Damas ainda tenha regressado, anos depois, para cumprir 5 boas épocas.

Outro momento de Ouro, viveu-o em Wembley, ao serviço da Selecção Nacional, em 20 de Novembro de 1974, aguentando estoicamente, com 6 grandes defesas, um empate a zero do Portugal "dos pequeninos" (Octávio, Alves, Osvaldinho,...) contra os super-favoritos ingleses. Uma dessas defesas ficou conhecida nos "media" britânicos como "a defesa do Século " (Vídeo abaixo) e foi mais ou menos assim: perda de bola na esquerda da nossa defesa, por Osvaldinho, contra-ataque inglês, bola em Gerry Francis, isolado na área, pela direita, simulação de remate e cruzamento para trás onde apareceu David Thomas a encostar, a meia altura, para a baliza deserta (Damas ficara a tapar o primeiro poste e a hipótese de remate). Eis que surge então Damas, felino, o Leão Branco, em extensão inimaginável, a sacudir a bola na exacta projecção dos postes perante a incredulidade do jogador inglês.

Com a emergência de Damas, nas peladas, em balizas improvisadas com malas da escola, já todos queriam ser Damas e imitar o ídolo, o mito, a sua elegância, agilidade, elasticidade, diria até, plasticidade entre os "postes".

E nos relvados do futebol profissional, todos os guarda-redes se inspirariam nele, herdando o seu estilo proactivo em detrimento de uma doutrina antiga mais reactiva, passando a ser mais intuitivos, instintivos e antecipativos, procurando adivinhar o movimento do avançado adversário.

Que saudades de ver Vítor Damas, o Eusébio do Sporting nas sábias palavras de outro grande: Carlos Pinhão. Damas já não está entre nós, mas como todos os grandes virou mito e passou à eternidade nas estorinhas que se haverão de contar de avô para neto, de quem o viu jogar e de quem se porá a imaginar como ele era. Tal como sucedeu comigo a propósito de Peyroteo, a lenda alimentar-se-á da descrição dos mais velhos e dos sonhos das crianças. Para sempre! 

 

"O Guarda-redes"

 

Se o objectivo (goal, em inglês) de um jogo de futebol é o golo - o equivalente a um orgasmo, para o bi-bota Fernando Gomes -, impedi-lo é o anti-climax, pelo que o guarda-redes é um desmancha-prazeres por natureza. Talvez por isso, as regras estabelecidas em 1848, na Universidade de Cambridge, não contemplavam a figura do "keeper", posição que só passou a existir em 1871. 

 

Por tudo isto, existe uma não confessada má-vontade contra o guarda-redes, ele é um mal-amado. Se é perdoado a um ponta-de-lança perder um golo de baliza aberta, a um extremo falhar um drible ou um centro, a um médio errar um passe e a um defesa fracassar no desarme, nada é consentido a um guarda-redes. Se der um "frango" e daí resultar a derrota da sua equipa, bem pode efectuar uma mão-cheia de defesas impossíveis que nem assim será absolvido pelo tribunal dos adeptos.

 

Condenado a observar o jogo à distância, isolado, apenas com dois postes e uma barra como companhia, é como um prisioneiro solitário numa cela, somente aguardando a sua própria execução. E quando lhe aparece um adversário sózinho pela frente e sai ao seu encontro, parece percorrer o corredor da morte (Dead man walking) à espera de um indulto de última hora. Isso talvez justifique porque o mais famoso guarda-redes de sempre (Lev Yashin) e alguns dos melhores da história do nosso Sporting (Azevedo, Carlos Gomes e Vítor Damas) escolheram equipar-se de preto: o luto era adequado a quem sabia que a coisa, provavelmente, ia acabar mal.

 

Curiosamente, e em contra-ciclo, à medida que o futebol se foi tornando mais cinzento, cínico, burocrático, cerebral e os treinadores sacrificaram o objectivo do jogo à estratégia e à táctica, os equipamentos dos guarda-redes foram ganhando cor, como se agora acreditassem que tudo vai correr bem. Mas é um engano. Barbosa, arqueiro do Brasil no Mundial de 1950, batido pelo uruguaio Ghiggia na final, resistiu 50 anos como um condenado, tendo de conviver com desconsiderações várias, punido por adeptos, que até, certa noite, furtivamente, lhe colocaram a baliza daquele dia no Maracanã no seu jardim. Para que nunca se esquecesse! Meio-Século pagando por um crime que não cometeu (Barbosa foi considerado o melhor guardião desse Mundial), num país onde a pena máxima para qualquer tipo de crime é de 30 anos...

damas.jpg

08
Out20

Recordes da Primeira Liga


Pedro Azevedo

  • Mais jogos no Campeonato: Manuel Fernandes - 486
  • Mais golos no Campeonato: Peyroteo - 332
  • Mais golos marcados num jogo de Campeonato: Peyroteo - 9 (Sporting - Leça)
  • Maior goleada de sempre no Campeonato: Sporting - Leça 14-0 (1941/42)
  • Mais golos numa temporada do Campeonato: Sporting - 123 golos (1946/47)
  • Mais golos de um jogador num só Campeonato: Yazalde - 46 golos (1973/74)

 

Já agora, o Sporting possui ainda os recordes das maiores goleadas de sempre na Taça de Portugal e nas provas europeias:

  • Taça de Portugal: Mindelense - Sporting 0-21 (1970/71), Fernando Peres (7 golos)
  • Provas europeias: Sporting - Apoel Nicósia 16-1 (1963/64), Mascarenhas (6 golos)

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(Peyroteo e Yazalde, dois goleadores imortais da nossa história: foto blogue Tesouro Verde)

07
Out20

Sabia que...


Pedro Azevedo

... Matheus Nunes é o jogador do Sporting que mais faltas sofre (8) e o nono no ranking geral de mais faltas sofridas da Primeira Liga? Numa tabela liderada pelo vimaranense André "ao Quadrado" (16 faltas) e em que Thiago Santana e Otávio ocupam as restantes posições de pódio, o brasileiro já aparece no Top Ten quando a sua equipa ainda tem um jogo a menos. A ter em atenção, em especial quando pelo menos duas acções faltosas de jogadores do Portimonense no último jogo passaram em claro em sede de acção disciplinar. Não deixa também de ser curioso que um médio cuja percepção generalizada no universo leonino seja a de ter um pendor mais defensivo (mito?) apareça numa lista onde no Top Ten só constam médios de ataque e avançados, o que pode evidenciar a preocupação que os treinadores adversários têm em condicionar as arrancadas para o ataque da jovem promessa leonina. 

 

#deixemjogaromatheus

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06
Out20

O regresso do "Pés de Veludo"


Pedro Azevedo

Saúdo o regresso de João Mário, aquele tipo de jogador capaz de entrar de caras no onze titular que configura o género de contratação/empréstimo que sempre preconizei. Enquanto as compras em quantidade vêm sempre a repercutir-se como um custo e um loose-loose no binómio económico/desportivo, uma aposta em qualidade deste género (empréstimo) é à partida uma garantia de rendimento desportivo. Nesse sentido, o João é um claro "upgrade" para esta equipa do Sporting, um campeão europeu formado nas nossas escolas que retorna numa idade (27 anos) em que os jogadores atingem o pico da sua carreira em termos físicos, técnicos, tácticos e de maturidade. Acresce que o João com a sua versatilidade táctica pode ocupar diferentes posições no terreno, desde actuar como um dos dois médios do sistema de Ruben Amorim até partir de qualquer uma das alas (talvez mais a direita, na medida em que já temos Jovane, Pote - caso não jogue como médio - ou mesmo Nuno Santos sobre a esquerda), o que me parece muito interessante para a equipa. Além destes predicados, João Mário é também um jogador cuja contratação não fractura a massa associativa do Sporting, pormenor que me parece da maior importância à luz do que tem vindo a ser o ambiente maniqueísta e niilista presente no clube. Em todas a entrevistas que concedeu após a sua saída de Alvalade, o João soube sempre colocar o Sporting acima de pessoas e do seu interesse próprio, nunca tendo aproveitado conjunturas específicas para dizer algo que o beneficiasse perante nomenclaturas (aquilo que os brasileiros denominam de "puxa-saco") ainda que pudesse dividir os adeptos, traço de carácter que me caiu particularmente bem. Por tudo isto, vejo com muito bons olhos o regresso do nosso "Pés de Veludo". Seja muito bem-vindo, João Mário!

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06
Out20

Estatísticas da Liga 2020/21


Pedro Azevedo

  1. Melhor rácio de CA por falta cometida: FC Porto - 5,5% (17º Sporting - 21,9%)
  2. Pior Rácio de CA por falta cometida: Farense - 22,2% 
  3. Menos Faltas com. por jogo: Rio Ave e Benfica - 11 Faltas (9º Sporting - 16 Faltas)
  4. Mais Faltas com. por jogo: Paços de Ferreira - 20,7 Faltas
  5. Menos CA por jogo: Rio Ave - 0,7 (18º Sporting - 3,5)
  6. Mais CA por jogo: Sporting - 3,5
  7. Menos Golos Sofridos: Santa Clara, Sporting (-1 j) e Gil Vicente (-1j) - 0 golos
  8. Mais Golos Sofridos: Tondela - 10 golos
  9. Mais Golos Marcados: Benfica e FC Porto - 10 golos [5º Sporting (-1j) - 4 golos]
  10. Menos Golos Marcados: Vitória, Portimonense, Paços de Ferreira e Gil (-1j) - 1 golo
  11. Menos Posse de bola: Marítimo - 35,7%
  12. Mais Posse de bola: Benfica - 59,3% (10º Sporting - 49,5%)

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05
Out20

Tudo ao molho e fé em Deus

Solar dos Nunos


Pedro Azevedo

Há muitas formas de sofrer a ver um jogo de futebol. A mais radical implica ouvir os comentários da SportTV quando em campo está o Sporting, momento em que a experiência adquire contornos de uma realidade paralela que nos deixa em constante sobressalto. Vou dar-vos alguns exemplos: uma pessoa vê o Matheus Nunes e o Pote a serem ceifados como o trigo e é obrigada a esfregar os olhos várias vezes até concluir necessitar com urgência de uma consulta oftalmológica quando ouve o inefável comentador a defender que não há espiga e, por conseguinte, amarelo. Numa outra ocasião, até fui arrancado do sofá. O brasileiro é pisado no pé e de dentro do aparelho surge o som: - "Quem anda à chuva, molha-se!" - , sentencia um orgulhoso Sousa. Assim mesmo, figurativamente, porque precipitação só mesmo na cabeça do senhor e a "chuva" a que ele se refere é de pitóns de alumínio que literalmente incidem sobre o pobre do Matheus e só "molha" os tolos que ainda se dão ao trabalho de manter o som da televisão ligado. Mais à frente, o Coates tem uma entrada perigosa que é logo apelidada de "duríssima". Depreende-se assim que a chuva quando cai não é para todos. Mas quando um algarvio se pendura num dos nossos, logo surge um "É bem!". Faz sentido, quem anda à chuva molha-se, especialmente se não tiver uma sombrinha. Às tantas o Portimonense ia atacando cada vez mais e o bom do comentador saiu-se com um "É um massacre!". Concordei e tirei o som ao aparelho...

 

Comi qualquer coisa ao pé do televisor e o que vi, ao contrário do que ouvi, não foi um calvário. Calvário onde fica o Solar dos Nunes, que por acaso nem é calvário nenhum mas sim um paraíso epicurista. Só que a noite foi mais de "Solar dos Nunos", do Mendes e do Santos, o berço onde nasceu a nossa vitória. O primeiro, o Mendes, caiu mesmo agora do berço e já marca golos deste mundo e do outro como se fora Rei do reino de Aquém e Além Dor, local imaginário onde não há sofrimento dos adeptos Sportinguistas. Pelo que o jogo, em vez do proverbial "Florbela" espanca-me, começou por oferecer uma flor bela do canteiro de Alcochete cujo aroma nos inspirou. E tanto assim é que ainda mal refeitos estávamos da emoção e eis que o Santos aparece à matador e de cabeça, qual lilliputiano investido de Gulliver, faz o segundo. Surpreendidos? Quem anda à chuva, molha-se!

 

Não queiram saber a choradeira que houve antes do jogo. "Ai que o Wendel isto, ai que o Wendel aquilo", segundo a crítica agora é que estávamos feitos ao bife. Acontece que o Wendel para mim sempre foi como os anos bissextos, que acontecem de quatro em quatro. Assim era ele, em jogos. Quando o calendário era comum, o Wendel tornava-se um caminhante. E um contemplativo. Um indivíduo que partia sozinho, sem destino, por estradas secundárias. Parando aqui e ali para observar a paisagem. Eu não percebia bem para onde e por onde ia ele, mas os peritos diziam que ele cumpria a importantíssima função de transporte. Enfim, para essa missão eu até preferia aquela miúda do gás Pluma da Galp, mas com tanta gente a cair-me em cima às tantas conformei-me. Só que o Matheus começou a aparecer na equipa principal e eu, que o tinha visto nos sub-23, achava-o muito atado e longe do que já lhe tinha visto antes do senhor Sousa me levar a crer que precisava de óculos. Se a mim se me oferecia estar atado, para alguns peritos ele era de uma irrelevância total, a velha dicotomia entre o estar e o ser que pendia contra ele (e mim). Até que o Wendel foi para São Petersburgo e o Matheus com toda a sede ao Pote fez-se finalmente ao caminho. Porém, em vez de picadas escolheu vias rápidas, mais directas. E nunca parou. Entregando sempre (não perdeu uma bola) e voltando de seguida para recolher mais inventário. Às tantas o Sousa até disse estar surpreendido por não conhecer essa faceta do Matheus. E não é que quando acabou o jogo fiquei a pensar nisso? Bom, até recuperei o som da SportTV e tudo. Arrependido, porque afinal o senhor até mostrou sabedoria e honestidade intelectual ao não hesitar dar valor a alguém que anteriormente havia desvalorizado e eu calei-o. Olhe, caro Sousa, é como você para os árbitros: para a próxima prometo ter um critério mais largo consigo.

 

Os primeiros 30 minutos foram muito bons, depois a equipa acusou o desgaste físico e psíquico do jogo de Quinta. Primeiro físico, deixando de se desdobrar tanto ofensivamente. Depois psíquico, procurando apenas afastar a bola da sua área, sem critério. Naturalmente, chegado esse momento, os jogadores mais experientes resistiram melhor. Quase todos, com a única excepção de Feddal. Assim, Neto fez provavelmente o seu melhor jogo de leão ao peito, cortando imensas jogadas de perigo. Mesmo cansado, com a bola nos pés não se lhe afiguraram mil novecentas e seis alternativas sobre que destino dar-lhe, mostrando que nem sempre a falta de irrigação do cérebro causada pela falta de oxigenação é contraproducente. Coates foi o colosso a que nos vem habituando e Adán à falta de ter de orientar a barreira foi ele próprio uma barreira às intenções dos algarvios. Nos mais novos, Porro foi um queniano, Pote mostrou qualidade de passe e disciplina no posicionamento à frente da defesa e o TT desta vez fechou mais espaços do que os que abriu. Vietto deu-se ao jogo enquanto durou, perdoando-se-lhe o já habitual desacerto na hora da finalização pela assistência que deu para golo. E, claro, os Nunos foram decisivos.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes

portimonense sporting.jpg

04
Out20

Craque da semana (4)

Mohamed Taabouni


Pedro Azevedo

Descendente de marroquinos e internacional holandês por 40 vezes nos escalões jovens, Mohamed Taabouni actua no Jong AZ, a equipa B do nosso velho clube de Alkmaar que participa na segunda divisão holandesa. Taabouni é um segundo avançado muito inteligente em espaços curtos, bom a jogar a 1 toque e frio na finalização. 

 

Com apenas 18 anos, Taabouni (1,78m) tem já assegurado um lugar no plantel principal do AZ para a próxima época. É mesmo possível que ainda esta época venha a realizar alguns jogos na Eredivisie, a primeira divisão do futebol holandês, juntando-se assim a Dani de Wit (irmão do nosso Mees de Wit e proveniente do Ajax) e ao prodígio Boadu (19 anos), facto que previsivelmente irá empolar o seu actual valor de mercado (2M€ pelo Transfermarket). 

 

Olhando para a sua forma de jogar são visíveis algumas semelhanças com João Felix, nomeadamente na sua acção perto da grande área (o seu raio de acção é mais reduzido que o do jogador do Atlético). A realizar um grande início de temporada na segunda divisão holandesa, Taabouni leva já 6 golos e duas assistências em 6 jogos do campeonato. Um jovem jogador a manter no radar. 

03
Out20

Indagações à volta do sistema


Pedro Azevedo

Começo por dizer que a primeira parte do jogo contra o Linz foi bem mais equilibrada que a de há 1 ano atrás, com a nossa equipa a mostrar-se muitíssimo mais competente e preparada para o desafio, mérito indiscutível do seu treinador. Na época passada contei 0-8 em oportunidades no primeiro tempo e uma equipa leonina completamente perdida no campo, parecendo surpreendida e asfixiada pelo adversário e totalmente à sua mercê. Valeu-nos na altura a falta de eficácia dos austríacos e o Atlas Fernandes que no segundo tempo em dois lances de génio assistiu e resolveu. Ainda assim, recuperando a crónica que na altura escrevi, foram 3-13 em oportunidades claras de golo para um resultado final de 2-1 (0-1 ao intervalo). Enfim, sortilégios do futebol...

 

Todavia, contra uma equipa igualmente disposta em 3-4-2-1 e que colocou duas linhas de 3 homens - uma primeira com os 3 homens da frente, uma segundo com os dois do meio mais o ala do lado da bola - , ficaram evidenciadas algumas contradições da nossa equipa. Anteontem não tivemos Jovane, mas este tem sido deslocado da sua posição natural como o segundo avançado que parte da esquerda (o que parte da direita é Tiago Tomás) para o eixo do ataque. Só que assim, jogando de costas para a baliza, o cabo-verdiano não potencia a sua característica principal de partir, sem medo, para cima dos defesas, utilizando a sua capacidade de explosão, técnica e boa relação com o golo. Sem Jovane, jogou Vietto. Ora, o argentino não só não tem golo como se torna irrelevante se não vir o jogo de frente, pelo que foi uma unidade a menos em campo, sem expressão do ponto de vista ofensivo e uma nulidade em termos defensivos. No entanto, se pudessemos jogar em 4-3-3, então Pote, que tem vindo a jogar onde Jovane actuava no ano transacto, poderia ser o terceiro médio e Jovane voltaria ao seu lugar natural. Três médios dariam outra cobertura à equipa. Contra o Linz foi notório que Matheus e Wendel estiveram muito tempo em inferioridade numérica, algo potenciado por Nuno Santos ter actuado muito junto à linha. É certo que o vilacondense fez um passe para golo, mas também não o é menos que o seu rendimento seria muito mais eficaz se houvesse um ponta de lança clássico para aproveitar os seus cruzamentos. Só que Amorim parece querer 3 avançados móveis, o que me leva à seguinte dúvida: não seria Gelson Dala o homem ideal para actuar no eixo do trio dinâmico da frente, imitando o que Firmino faz no Liverpool? Quando olho para os "Reds" vejo um Firmino que tanto recua para 10 a fim de organizar jogo como aparece mais adiantado a servir apoios frontais e laterais aos dois avançados vertiginosos (Salah e Mané) da equipa que partem das alas, assim como uma correia de transmissão das motos. Ora, nós poderíamos jogar assim, mas ingloriamente vendemos o Dala, um jogador inteligente, rápido a pensar, com visão de jogo e frio na finalização. Será que Amorim não vê isso em Dala? Ou, simplesmente, quando o cedeu ainda não tinha o "trio dinâmico" em mente? São perguntas que gostaria que os jornalistas fizessem a Ruben Amorim, sendo certo que o treinador é que anda lá dentro, saberá coisas que desconhecemos e até já deu mostra de sagacidade em situações semelhantes.

 

Para terminar, olhando para o nosso plantel vejo boas condições para jogarmos em 4-3-3. creio até que o Matheus, que do meu ponto de vista tem recebido críticas injustas por estar atado no sistema de 3-4-2-1, poderia ser um jogador bem mais influente, ele que nos sub-23 criava muitos desequilíbrios com as costas protegidas por Rodrigo Fernandes, alternando com Tomás Silva as saídas para o ataque. Por exemplo, anteontem, quando se libertou, criou o desequilíbrio que deu origem ao primeiro golo. Só que fá-lo muito poucas vezes, por só haver dois médios e por Wendel se desposicionar mais frequentemente. 

02
Out20

A propósito do jogo de ontem


Pedro Azevedo

Média etária dos 14 jogadores utilizados pelo Sporting = 25,57 anos

Média etária dos 14 jogadores utilizados pelo Lask Linz = 25,24 anos

 

Orçamento Sporting 19/20 = 107,43M€ (18/19 = 104,91M€)

Orçamento Lask Linz 18/19 = 15,303M€ (último disponível na net)

 

Custos com Pessoal Sporting 19/20 = 60,542M€ (18/19 = 68,901M€)

Custos com Pessoal Lask Linz 18/19 = 7,704M€ (último disponível na net)

 

Maior contratação Sporting em 20/21: Pote - 6.5M€ (50% passe)

Maior contratação Lask Linz em 20/21: Mads Madsen - 750 mil euros

 

Fontes Sporting: Transfermarket e R&C (CMVM)

Fontes Lask Linz: TransfermarketNachrichten

Informações adicionais: orf.at

 

Nota: A nível de rodagem é um facto indesmentível que os austríacos levavam vantagem, com 6 jogos efectuados contra 2 do Sporting antes das duas equipas se terem encontrado ontem à noite em Alvalade.

 

Conclusão: Enquanto o Lask Linz bem pode ser um "case study" de como fazer muito com pouco, no Sporting gasta-se demasiado para o que se produz. Importa reflectir sobre isto e depois discuti-lo de forma séria e com elevação. Relembro que isto não é um facto isolado, já são dois anos que este Lask bate o pé ao Sporting. É certo que no passado também fomos eliminados por Casino Salzburgo e Rapid de Viena, mas desde aí a disparidade entre o que se gasta nos principais clubes portugueses face aos seus homólogos austríacos (excepto Red Bull Salzburgo) disparou com uma progressão geométrica (principalmente neste século, com o advento das SADs em Portugal).

02
Out20

Uma nota de esperança


Pedro Azevedo

Seria fácil, até natural e humano, que em mais uma noite onde várias coisas que tenho vindo a escrever aqui no blogue se evidenciaram, eu viesse aproveitar para esmiuçar as minhas razões, ou exercer de algum tipo de revanchismo para com quem não me tenha querido interpretar bem ou até tenha ousado fazer juízo de valor sobre a minha pessoa. Porém, não o irei fazer.  Confesso que isso me magoou - e a procissão ainda nem saiu do adro - , mas a quezília não é definitivamente o meu ideal de Sporting e o que mais me interessa são as razões do Sporting e de todos os Sportinguistas enquanto colectivo. Nunca gostei de criar desumanidade, desconversar ou me afastar do essencial e não será num momento de especial gravidade que irá agudizar mais a nossa já debilitada situação financeira que modificarei a minha atitude perante a vida. Peço-vos encarecidamente que procedam de igual forma. Pelo Sporting.

 

De qualquer modo, sinto que devo dizer alguma coisa aos Leitores e de uma forma geral a todos os Sportinguistas que simpaticamente me têm distinguido com as suas palavras. Este é essencialmente um momento (a derrota e, principalmente, as suas consequências) de tristeza e de introspecção para todos os Sportinguistas, dirigentes incluídos, e de cada um perceber o que está aqui a fazer, se está a cumprir bem o seu papel e se isso serve o Sporting. Eu próprio fiz esse exercício nos últimos dias, razão pela qual nesse período estive ausente do comentário à actualidade leonina. (Enfim, mais do que tudo quis dar uma oportunidade àquele Sporting que para mim sempre será o mais relevante, o que vai a campo, independentemente da análise aos acontecimentos que há muito vou fazendo.) O Sporting vive hoje uma profunda crise que assenta essencialmente numa política desportiva errática, numa Cultura e identidade débeis e  com tendência a deteriorarem-se e num conjunto de práticas de gestão muito discutíveis. Isso não é surpreendente para quem acompanhe o clube. Perante isto, o ideal seria que se pudesse suspender o tempo de forma a que a reflexão não fosse contaminada pelo turbilhão de acontecimentos. De certo modo, o destino - por tristes motivos que têm trazido muita contrariedade a vários lares por esse mundo fora - até nos concedeu essa possibilidade, só que mais uma vez desperdiçámo-la de forma inglória e não aprendemos com os erros. Ora, o pior que se pode fazer perante um problema é não tomar consciência dele. E a verdade é que o Problema Sporting diz respeito a todos os Sportinguistas, deve ser reconhecido e enfrentado e só assim daí poderão resultar soluções. Isso implica que haja discussão, logicamente. Porém, exige também responsabilidade. E respeito. Respeito e abertura para ouvir o outro, viajar ao seu "filtro", perceber as suas razões e não fechar portas. Para além do problema económico que está a montante do financeiro e que resulta de um erro conceptual de perspectiva sobre a política desportiva, o Sporting vive hoje um clima de intolerância que gradualmente vai afastando as pessoas do centro e criando trincheiras. Antagonismo gera antagonismo, e na ausência de uma doutrina que aproxime as pessoas temo que o radicalismo tome o centro da discussão. Ora, todos nós que nascemos antes do 25 de Abril sabemos bem o custo de uma revolução. Porém, a história conta-nos que há reformas inadiáveis que a não acontecerem ameaçarão não só terminar de forma desordenada com o actual governo do clube como com o próprio regime. Quem diz regime, diz Sporting, ou pelo menos o Sporting como sempre o conhecemos. E é sobre as reformas que eu gostaria que se falasse nos próximos dias. Porque as coisas não podem mais mudar para tudo ficar na mesma e o Sporting merece ter um projecto com ideias claras e um caminho com um plano de acção pela frente em que uma ampla maioria se possa reconhecer. Tudo o que seja diferente disto será surfar na maionese, o que dará razão ao velho ditado que diz que quem resiste à mudança geralmente acaba a ter de resistir à extinção. É de projectos que eu gostaria verdadeiramente que se falasse. Sem ruído, mas também sem lendas e narrativas, até porque, por muito que se criem artificialmente percepções de uma realidade, há sempre um dia em que a realidade choca de frente com todos nós e da pior forma, já tarde e sem que se possa impedir o então inevitável. Haveria muitas outras coisas que gostaria de dizer à volta daquilo que deveria ser um ideal comum, mas isso levar-me-ia por caminhos que não são para um dia como o de hoje. Apenas gostaria de contribuir com esta reflexão e com isso singelamente transmitir alguma esperança no futuro. Repito, este não é o tempo de reciminações vãs, mas sim de temperança e sentido de responsabilidade para quem conhece a situação social, económica, financeira e desportiva do clube e antevê a sinuosidade do que vem aí a seguir. Não sou, e nunca fui, contra ninguém. Sou, e serei sempre, a favor do Sporting e da perenidade das instituições que efectivamente merecem a pena. Todavia, não posso e não devo ficar indiferente ao facto de o mercado estar praticamente fechado e de qualquer solução directiva no curto-prazo estar amputada pelo constrangimento de não poder agir por essa via, razão pela qual apelei no passado e em tempo útil ao senhor presidente da mesa da Assembleia Geral do clube para que me ouvissse e daí retirasse as conclusões que fossem melhores para esta centenária instituição. Enfim, não se pode mudar o que está lá atrás, concentremo-nos e gastemos as nossas energias sim em mudar o futuro como ele hoje infelizmente se perspectiva e tenhamos a humildade e lucidez de envolvermos todos aqueles que possam ser úteis e quiserem tomar parte nele.

 

Um abraço a todos para quem o Sporting é relevante, que têm o dever de contribuir com elevação e ideias para um clube melhor, mais são e forte, capaz de enfrentar os difíceis desafios que tem pela frente. Mas, o que não nos mata faz-nos mais fortes, pelo que ressurgiremos mais sábios, preparados e capazes de honrar o lema que um dia José Alvalade enunciou, especialmente se soubermos entre nós proceder da exacta mesma forma que um dia o nosso fundador descreveu em carta ao seu amigo José Gavazzo. Sim, porque também é muito de humildade e de se encontrar pontos em comum que vos falo aqui.

 

Viva o nosso Sporting Clube de Portugal!

01
Out20

Vendido! - Craque da semana (3)


Pedro Azevedo

Craque da semana nº 3, Jens Petter Hauge acabou de assinar um contrato com o AC Milan válido até 30 de Junho de 2025. Fazendo parte de uma poule de uma dúzia de jogadores que Castigo Máximo seleccionou para uma mostra inicial (divulgação) na rúbrica "Craque da semana", Hauge confirma assim as boas referências aqui deixadas em primeira mão. Segundo fontes próximas do negócio, os italianos acordaram pagar 5M€ ao Bodo/Glimt (o valor indicativo do Transfermarket era de 1m€) e o norueguês irá auferir um ordenado anual de 1M€. 

vendido.jpg

Jens-Petter-Hauge.jpg

30
Set20

Ranking de cartões amarelos por falta cometida


Pedro Azevedo

Dado o inusitado nº de cartões amarelos que a nossa equipa viu ser atribuído em Paços de Ferreira, procurei correlacioná-lo com o nº de faltas cometidas. Adicionalmente, tentei encontrar uma relação entre o elevado rácio de cartões amarelos/falta no âmbito de um pior posicionamento defensivo aquando da transição ou de uma menor posse de bola. Entretanto, elaborei estatísticas equivalentes para todas as equipas da Primeira Liga a fim de medir relativamente o observado em Paços e encontrar algumas justificações. Eis as conclusões (agregadas) a que cheguei:

  1. O Sporting é, destacadíssimo, o clube com o rácio mais elevado de cartões amarelos por falta cometida (50%). Os clubes que mais se aproximam são o Nacional (23,1%) e o Farense (20,8%).
  2. O clube com a média mais baixa de faltas por jogo é o Benfica (10,5), seguido de Sporting, Rio Ave e Farense (12).
  3. O clube com média mais elevada de faltas por jogo é o Boavista (20,5), seguido por Nacional (19,5) e Famalicão (19). O Porto é 5º colocado com 18.
  4. Ao contrário do que inicialmente pensei, os seis clubes com melhor rácio de cartões amarelos por falta cometida, logo os mais eficientes na execução da falta útil, não são os que defendem melhor. Assim, enquanto estes apresentam um total de 18 golos sofridos, os seis clubes com pior rácio de cartões amarelos por falta cometida apenas sofreram um total de 13 golos.
  5. Todavia, parece haver uma correlação entre menor posse de bola e o nº de faltas cometidas. Nesse sentido, os 6 clubes com maior posse de bola cometem em média 14,3 faltas por jogo, enquanto os seis clubes com menor posse de bola cometem em média 16,9 faltas por jogo.
  6. Também existe uma correlação entre o nº de cartões amarelos e a menor posse de bola. Enquanto os seis clubes com menos posse de bola apanham 2,5 cartões amarelos por jogo, os seis clubes com mais posse de bola são disciplinarmente mais correctos, com 1,9 cartões amarelos por jogo. No lote dos sétimos classificados em termos de posse de bola, o Sporting é a anomalia estatística que confirma a regra, liderando destacado a classificação (negativa) da média de cartões amarelos por jogo com uma posse de bola acima da média (52%). Dir-se-ia insólito.
  7.  Finalmente, as seis equipas com menos golos sofridos no campeonato têm em média menos cartões amarelos por jogo (2,6) do que as seis equipas que sofrem mais golos (2,9). A anomalia estatística é dada pelo Sporting, que tem uma média de 6 cartões amarelos (o valor mais elevado da competição) e nenhum golo sofrido e contribui para a média de 2,6 (seis equipas com menos golos sofridos) estar empolada. Estranhamente, as seis equipas com menos golos sofridos no campeonato têm em média pior rácio de cartões amarelos por falta (17,9%), ao passo que os seis clubes com mais golos sofridos têm em média um rácio de cartões amarelos por falta inferior (17,1%). Todavia. retirando o Sporting, equipa que ainda não sofreu golos esta época, o rácio de CA/falta das 6 equipas com menos golos sofridos desce para 12,8%, o que dá a entender a anormalidade do indicador referente ao Sporting.

 

Evidentemente, estes indicadores dão apenas pistas. Para conclusões mais definitivas seria necessário conciliá-los com as zonas do campo em que as faltas ocorrem e/ou de que momento do jogo são representativas (organização ofensiva, organização defensiva, transição ofensiva, transição defensiva, bola parada), dados que infelizmente não possuo. 

 

Ainda assim, aqui fica o quadro completo dos elementos disponíveis para análise:

tabela CA.jpg

Legenda:

Faltas (Com.)= Faltas cometidas;

Rácio CA/falta= rácio de cartões amarelos por falta cometida;

FC/jogo= Faltas cometidas por jogo;

CA/jogo= Média de cartões amarelos por jogo;

GS= Golos sofridos;

Posse(%)= Percentagem de posse de bola.

paçossporting.jpg

30
Set20

As causas da coisa (2)


Pedro Azevedo

Causa nº2: Equidade de critério disciplinar por parte dos árbitros

 

Procurando deixar de lado a óbvia parcialidade de quem é Sportinguista e adepto e sócio do Sporting, não deixou de ser notório em Paços de Ferreira que o critério disciplinar usado por Fábio Veríssimo não foi uniforme para as duas equipas. Não se tratou só do facto de a equipa que mais faltas cometeu (18 contra 12) ter sido a que menos vezes foi admoestada com o cartão amarelo (2 contra 6) mas também de faltas cometidas por trás pela equipa pacense - por vezes com infração dupla que consistiu em puxão pelas costas acompanhado de pisão no tendão de aquiles (gravidade extrema) - terem passado impunes do ponto de vista disciplinar. Ao mesmo tempo, irregularidades leves cometidas por jogadores leoninos foram severamente punidas com a cartolina amarela. Desta forma, o jogo terminou com um rácio de cartão amarelo por falta de 11,1% para os pacenses contra 50%(!) para os leões. Um absurdo! Poderá alguém alegar que o árbitro não viu o tal lance faltoso do jogador pacense e que o total de amarelos mostrados no jogo (8) se deveu a ser especialmente rigoroso em matéria disciplinar. Porém, analisando os outros dois jogos que apitou esta época - um jogo da Liga das Nações entre País de Gales e Bulgária e uma partida de qualificação para a Liga Europa entre Riga e Celtic - verificamos que em cada um apenas levou a mão ao bolso por três vezes.

 

Se o critério do árbitro num mesmo jogo não é uniforme, imagine-se a equidade que se pode esperar quando se compara do ponto de vista disciplinar o critério dos "n" árbitros habilitados a apitar jogos da Primeira Liga. Nesse sentido, o Tiago Cabral, no És a nossa FÉ, ontem apresentou números comparativos que evidenciam que o Sporting já tem mais cartões amarelos num só jogo do que o somatório de Benfica e Porto em dois jogos. Enquanto para os leões, 12 faltas cometidas implicaram 6 amarelos (rácio de 50%), Porto e Benfica juntos apenas viram o rectângulo icterícia por 5 vezes após 57 (!) faltas (8,8%). Dirão alguns que portistas e benfiquistas sabem onde fazer faltas e que são especialmente meticulosos na forma de transgredir a regra sem necessidade de infração disciplinar, porém não só quem veja os jogos não tem essa noção como não deve ser desprezado o ilícito disciplinar que decorre da recorrência da falta por parte do(s) mesmo(s) jogador(es). Acrescento ainda aqui o exemplo do Braga, equipa que tem os mesmos amarelos que nós. Acontece que para isso os braguistas cometeram 31 faltas, o que lhes confere um rácio de 19,4%. 

 

Estes números do Sporting não deixam de causar estranheza quando analisados de forma comparativa com outros clubes. Analogia que não fica por aqui e que se pode estender ao desempenho disciplinar dos leões nas provas europeias. Se bem que a amostra é de apenas 1 jogo, na partida contra o Aberdeen os leões viram 2 amarelos e cometeram mais uma falta do que no jogo em Paços. Enfim, usando uma expressão bem cara a O' Neill, a uniformidade de critério disciplinar dos árbitros portugueses é "uma coisa em forma de assim". Assim vai o futebol português...

 

P.S. Algumas notas: Guga, do Famalicão, é o jogador mais faltoso (7) ao fim de 2 jornadas. Não tem nenhum cartão amarelo. Enfim, poder-se-á dizer que é um médio de ataque e como tal as infrações que comete são fora de uma zona de perigo para a sua equipa. De qualquer forma, há aqui a questão da acumulação. O mesmo é válido para Corona, que tem já 6 faltas e ainda não viu o amarelo. Já em relação ao rioavista Borevkovic, igualmente com a folha disciplinar em branco, a coisa não será tão líquida, na medida em que é um central e já cometeu 5 faltas em apenas 132 minutos de utilização. 

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29
Set20

As causas da coisa (1)


Pedro Azevedo

Com a devida vénia ao Miguel Esteves Cardoso, a quem alterei o plural com o singular (e vice-versa) de um dos seus mais famosos livros, aqui irei começar uma nova rúbrica dedicada às causas pelas quais merece a pena lutar no futebol português.

 

Causa nº1: Mais tempo útil de jogo

 

https://castigomaximo.com/tempo-util-de-jogo-140013

https://www.ojogo.pt/futebol/1a-liga/tondela/noticias/o-que-aconteceu-e-uma-vergonha-e-o-cartao-de-visita-do-futebol-portugues-12763903.html

 

O indicador estatístico do tempo útil de jogo aponta que a Primeira Liga portuguesa é aquela a nível europeu onde se joga menos. Tal tem obviamente repercussão na qualidade do espectáculo e intensidade e ritmo de jogo, aspectos que se tornam depois mais notórios quando as nossas principais equipas competem na Europa. É essencialmente uma questão de mentalidade que urge alterar, sendo que para isso se torna necessário envolver dirigentes de clubes, treinadores, jogadores, árbitros e a própria Liga Portugal. Para que o futebol positivo vença e possamos ter equipas mais competitivas deverá haver um maior equilíbrio. Isso passa por uma maior equidade na distribuição das receitas televisivas entre os clubes, mas também encontra raiz profunda nos valores que são trazidos para o jogo: presidentes que ao fim de duas, três derrotas interrompem projectos, treinadores receosos do despedimento e a quererem ganhar a todo o custo, jogadores educados no anti-jogo, árbitros que contemporizam com as simulações dos jogadores e paragens abusivas de tempo para quebra do ritmo do jogo são apenas alguns factores que carecem de uma mudança de mentalidade, processo do qual a Liga não se pode obviamente demitir. 

liga nos.jpg

28
Set20

Craque da semana (3)


Pedro Azevedo

O jogador desta semana é Jens Petter Hauge, um ala esquerdo ambidextro (pé direito como preferencial) que actua nos noruegueses do Bodo/Glimt. A realizar uma época espectacular, Hauge leva já 14 golos e 9 assistências em 17 jogos na Eliteserien (campeonato da Noruega), a que soma mais 3 golos e 3 assistências na qualificação para a Liga Europa (3 jogos). O Bodo/Glimt lidera isoladíssimo 

 

Com um valor de mercado apetecível (1M€ pelo Transfermarket) e apenas 20 anos, o norueguês, de 1,84m,  é um dos principais jogadores em destaque no futebol nórdico. Tal voltou a ser evidenciado na pretérita quinta-feira: no palco mítico do San Siro, Hauge foi o inimigo número 1 do AC Milan, marcando um grande golo num tiro de fora da área a dando uma assistência na derrota da sua equipa frente aos "rossoneri", próximo adversário do Rio Ave, por 3-2.  

 

Muito rápido na progressão com bola em transição, Hauge destaca-se em ataque organizado pelo poder das suas diagonais interiores, movimento usado para fazer uso do seu bom remate de fora da área ou procurar homens libertos pela atracção dos defesas na sua direcção. Frio na finalização diante da baliza, Hauge aparenta estar bastante desvalorizado face ao seu rendimento actual e margem de progressão. Uma boa oportunidade de mercado para quem queira compatibilizar velocidade, robustez, golo, inteligência de leitura do jogo e uma técnica muito razoável. 

28
Set20

Tudo ao molho e fé em Deus

Cartão amarelo


Pedro Azevedo

Não sei qual o espanto da generalidade dos comentadores, mas se durante todo o fim de semana só se ouviu falar em cartão amarelo a propósito da actualidade do Sporting teria sido muito difícil isso escapar aos ouvidos do Fábio Veríssimo, não é verdade? É que estas coisas sempre influenciam um bocadinho. Outra coisa: desde o Rui Costa, os árbitros vão todos àqueles cabeleireiros onde lhes fazem um penteado à voleibolista americano dos anos 80 e 90 e à saída começam logo a ouvir piadinhas fáceis do tipo de "sim, senhor, bonito serviço, merece um cartão amarelo!". De seguida vão até Paços, cidade conhecida por o clube da terra ser um submarino amarelo daqueles à portuguesa que já não submerge e anda sempre na linha de água. Como um árbitro gosta sempre de dar nas vistas, um amarelo aos pacenses quase nem se nota, não faz contraste. Vai daí, aponta para o lado, que no caso é verde e branco. Só assim se explica que quem comete 18 faltas escape com 2 amarelos e quem infringe a regra uma dúzia de vezes apanhe com meia-dúzia de admoestações de tom icterícia. É  a mesma razão que justifica o Benfica raramente vêr cartões vermelhos. A excepção só está ao alcance de árbitros daltónicos. E o daltonismo no futebol português não costuma augurar grandes vôos...

 

Por falar em amarelo, quem não se deixou levar em cantigas foi o Ruben Amorim. Sabendo que os eslovenos andam habitualmente de camisola amarela (Tour), não quis arriscar colocar de início o Sporar contra o Paços para não ficar em inferioridade numérica. Perspicaz, o nosso treinador! Assim, o Tiago Tomás foi titular. E não se deu mal. Se é verdade que a abrir falhou um golo cantado, de seguida engendrou uma sofisticada carambola bilharistica que aprendeu com o Theriaga numa daquelas acções de "team-building" leoninas e levou a bola por fim a embater na mão de um incauto pacense que cometeu a ingenuidade de pensar que se podia usar os braços mesmo fora do enquadramento da baliza. O Totói, do União de Tomar dos anos 70, neste futebol actual seria um craque...

 

Quem passa o tempo a esbracejar é o Neto. Já sem o avô (Mathieu) em campo, entretanto reformado, o único que o atura é o Coates. É que o homem, de cada vez que tem a bola nos pés, pensa em 1906 coisas ao mesmo tempo, tempo mais do que suficiente para um adepto em casa sobreaquecer as sinapses antes do nosso defensor acabar por despachar a bola à queima. E, quando não tem bola, geralmente fica a contemplar a sua trajectória, esperando que o pronto-socorro uruguaio faça o resto. Em todo o caso, não há lance por si protagonizado que não acabe em recriminação a alguém. Menos a ele próprio, claro. Dizem que é sintoma de liderança...

 

Anda por aí muito boa gente a embirrar com o Matheus Nunes. Coitado do rapaz, já provou nos sub-23 o que pode fazer com a bola nos pés. Acontece que não é isso que o Ruben lhe pede nos seniores. E ele lá vai fazendo o que lhe é pedido, o que não será o melhor para ele, mas será certamente o que fará mais sentido à equipa na ideia do Ruben Amorim. E, como este não o tira, admitamos que se calhar está a fazê-lo bem. Ontem pelo menos correu o campo todo. Ele e o Wendel. Ambos sem o brilhantismo de um Porro ou de um Nuno Mendes, há que dizê-lo, mas com grande utilidade para uma equipa onde na tracção atrás o Vietto não engrena a marcha. 

 

Mas o Homem do Jogo foi o Coates. Poemas homéricos deveriam ser elaborados sobre a exibição do uruguaio ontem na cidade do móvel. Em tempo de pandemia que recomenda o uso de máscara, o homem parece viver sob o efeito do Mask do Jim Carey, transfigurando-se, com elasticidade desdobrando-se à esquerda e à direita consoante as desatenções dos homens que lhe colocaram ao lado. Na ausência de um ponta de lança, investindo-se ele dessa qualidade. E é verde, obviamente. E grande capitão! Se há quem tenha beneficiado do sistema de 3 centrais para dar um salto de qualidade, esse jogador é Sebastián Coates, El Patrón! 

 

Como o futebol não é só luta e é também arte em movimento, deixem-me destacar para o fim o Daniel Bragança. Pobre do Eustáquio, que ainda deve estar a perceber "o que passou-se" quando o menino lhe passou a bola por cima da cabeça e foi buscá-la mais à frente. Passo a passo, ou paço(s) a paço(s), o miúdo vai mostrando o valor de quem habita a nobre residência leonina sita em Alcochete. E, no entretanto, evidenciando que a celebérrima teoria do "gap" da Formação foi um passo no caminho para o abismo que nos fez ingloriamente perder 1 ano (e muitos jogadores que poderiam estar aqui). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates. Vamos!

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28
Set20

Para a imortalidade


Pedro Azevedo

Se o épico combate travado por "El Patrón" Sebastián Coates em Paços de Ferreira deveria inspirar os poetas homéricos, o lençol protagonizado por Daniel Bragança sobre Eustáquio (o da Tessalónica foi grande estudioso de Homero) mereceria passar à imortalidade num tríptico em pintura a óleo e têmpera sobre madeira (o jogo foi na capital do móvel). 

CoatesLUSA.jpg

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27
Set20

O Sporting real que não é capa de jornal


Pedro Azevedo

Uma Assembleia Geral que decorreu com toda a normalidade, com filas a fluir rapidamente, sócios compenetrados apenas e só no sentido do voto, sem berraria nem palavras de ordem ou grupos de pressão que se pudessem facilmente distinguir, é transformada em chamada de capa no jornal "A Bola" em "mais uma assembleia-geral quente em Alvalade". Porquê? Houve dezenas de cadeiras que por vontade própria ganharam um ímpeto voador? O Presidente do CD investiu-se de estrela do MMA e aplicou um "mata-leão" a um consócio? A quem é que isto interessa? Ao Sporting (e aos Sportinguistas) não, certamente. 

 

Estive em Alvalade entre as 14h30 e as 15h30. Deixei o automóvel no parque subterrâneo, subi ao multi-desportivo e dirigi-me a pé até ao local onde decorria a Assembleia. Votei rapidamente, tendo demorado 2, 3 minutos desde o momento que entrei na fila, procedi à minha acreditação e entreguei os boletins na urna. Depois, nas redondezas, tomei um café e aproveitei para pôr a conversa em dia com uns amigos que me acompanharam. Durante todo esse período em que desfrutei da minha cidadania leonina não ouvi um som que se destacasse da monocordia ou observei gestos que indicassem sobressalto, ira ou ânimos exaltados. Tudo isso, mais as conversas que mantive com pessoas que votaram mais tarde, leva-me a concluir que esse foi o padrão observado durante o dia. Aliás, fiquei muitíssimo satisfeito com o comportamento ordeiro dos Sportinguistas e disso dei logo nota à mesa do café, algo que não me surpreendeu e esteve perfeitamente de acordo com o por mim observado em 45 anos de visitas ininterruptas ao nosso estádio.

 

É verdade que terá havido uma desonrosa excepção, a qual foi prontamente reportada de vários ângulos e feitios. Mas isso, de que ninguém do meu grupo se apercebeu aquando da votação, terá sido uma escaramuça, evidentemente lamentável e a merecer o total repúdio, entre quem alegadamente utiliza as redes sociais para provocar, denegrir gratuitamente pessoas e fomentar ódios e aqueles que aparentemente continuam a fazer da intimidação e da violência física uma triste forma de vida assente na bravata neo-medieval, uns e outros com uma agenda infelizmente mais preocupada em marcar (com o teclado ou os punhos) as suas razões do que as razões do Sporting. 

 

Não tomemos a nuvem por Juno. Da mesma forma que uma andorinha não faz a Primavera, um único incidente registado à margem da AG em si - de tanto soar a ajuste de contas poderia ter ocorrido em outro qualquer espaço físico - não pode transmitir de nenhuma forma ao país que os Sportinguistas são uns arruaceiros. Não, a esmagadora maioria dos Sportinguistas deu mais uma vez ontem um exemplo de civilidade e isso é que deve merecer realce. O resto (a agressão) é um caso de polícia. E isso, conjugadamente com o que terá estado na sua origem, configura uma geração de desumanidade que os Sportinguistas querem ver de vez erradicada do nosso clube.

 

P.S. Sobre a AG propriamente dita, seus resultados e leitura que se possa fazer deles falarei no devido momento. Hoje temos jogo em Paços e é para ganhar.

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