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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

24
Mai21

4 momentos que marcaram a época


Pedro Azevedo

Dezanove de Janeiro, o cenário é o Municipal de Leiria. Disputa-se a meia-final da Taça da Liga. Um golo trapalhão de (who else?) Marega havia adiantado o Porto no marcador. Faltam 2 minutos para se atingir o tempo regulamentar e a perspectiva é de que o Sporting obtenha o terceiro resultado negativo consecutivo, após eliminação aos pés do Maritimo para a Taça de Portugal e empate caseiro com o Rio Ave. Há, porém, um homem que não se conforma, não se resigna. Eterno patinho feio na visão de uns quantos, Jovane volta a mostrar que é afinal um belo cisne. Tudo começa quando, à entrada da área, imagina e executa um pontapé em arco que faz a bola passar por onze jogadores do Porto até anichar-se no ângulo inferior direito da baliza à guarda de Diogo Costa. Pouco tempo depois, como cisne que é, conclui de bico, na sequência de um passe de Coates que encontra Pedro Gonçalves entre-linhas para receber à vontade, progredir com a bola e desmarcá-lo no momento exacto. O Sporting ganha renovada confiança e acaba por vencer a Taça da Liga. 

 

Um de Fevereiro, o Sporting recebe o Benfica na penúltima jornada da primeira volta do campeonato. Após grande polémica, Palhinha está disponível para o jogo, mas Rúben Amorim adverte com antecedência que Matheus Nunes treinou do lado dos titulares durante toda a semana e merece ir a jogo. Dito e feito, o brasileiro fará dupla no miolo com João Mário. O Sporting dá a sensação de ser sempre mais perigoso, mas o jogo já parece estar fechado quando a bola vai e vem, da esquerda para a direita e desta para o centro, até que Matheus Nunes lhe enfia uma cabeçada que viria a ser o início da tregédia grega de Vlachodimos. A jogada de Amorim sai-lhe na perfeição: não só prova estar atento à meritocracia como vence um pretendente ao título, vitória caseira que o Sporting já há algum tempo perseguia contra o rival. 

 

Vinte e sete de Fevereiro, o Sporting desloca-se ao Dragão. Apesar dos 10 pontos de avanço, os observadores ainda veem este jogo como um teste à candidatura ao título do leão. E do Dragão sai a certeza de que há que contar com o Sporting: nulo no marcador, com a melhor oportunidade a sair dos pés de Matheus Nunes - uma brilhante arrancada desde o meio-campo que merecia uma melhor conclusão.

 

Vinte e cinco de Abril. O cenário é a Pedreira de Braga. O Sporting vinha titubeantemente perdendo gás. Para piorar o cenário, Gonçalo Inácio vê o segundo amarelo aos 18 minutos e é expulso. Mas em Dia da Liberdade o Sporting solta-se do fado do costume e com uma exibição que apela à resiliência sustém os braguistas. Até que Matheus Nunes aproveita um livre marcado por Porro, isola-se na meia direita e marca ao outro Matheus, de Braga. Um golo semelhante ao que valeu a Taça da Liga (obtido por Porro). O Evangelho segundo Matheus narra a vitória iminente na Liga. Coates faz um jogo enorme, constitui-se como um autêntico muro contra as aspirações do Braga e demonstra ser um grande capitão. De repente, todos pressentem que o título já não fugirá ao leão. 

 

Todos os jogadores foram importantes pela sua regularidade, com particular ênfase para Pote, Coates e Palhinha, mas estes foram os momentos (e os jogadores) que na minha opinião foram decisivos num contexto em que a história poderia ter sido narrada de forma diferente.

24
Mai21

Ironias do destino


Pedro Azevedo

Benfica: prometeram jogar o triplo e acabaram a rasar o solo. Baixinho, muito baixinho, fugindo assim ao radar dos títulos. Entretanto, conseguiram a proeza de evitar o Sporting na Supertaça. Menos uma dor de cabeça para JJ.

 

Sporar e Borja: justamente criticados, como quem não quer a coisa ganharam o triplete. Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga, a estes papa-títulos não houve competição que lhes fugisse. 

20
Mai21

Tudo ao molho e fé em Deus

A última ceia


Pedro Azevedo

"That's all folks!", este conto de Cinderela terminou para nós. Para o ano haverá mais, assim o esperamos. Na verdade, não queríamos que esta época de sonho acabasse. Talvez por isso, prolongou-se até quase à meia-noite, não indo mais além apenas por receio que a carruagem se transformasse numa abóbora. Para o fim ficou a ceia, um bom caldo verde onde se afundaram uns chouriços madeirenses. Ainda deu para haver um Pote de Ouro no finalzinho do arco-iris, com o nosso Harry Pote a mostrar toda a sua Art Deco naquele seu jeito de quem faz um passe (de magia) à baliza, no processo batendo o Esferovite na disputa pelo melhor marcador do campeonato. 

 

O jogo começou tão tarde que o Jovane entrou em campo à hora do costume, mais um motivo para dar razão a quem acha que o cabo-verdiano é melhor quando entra tarde. Sendo ele geralmente letal entre as 21H45 e as 21H55 (jogos que se iniciam às 20H00), ou entre as 23H00 e as 23H10 (apito de saída às 21H15), não surpreendeu que tivesse começado por assistir o Pote nesse primeiro intervalo de tempo. Por fim, utilizou o último espaço temporal para, num passe à Neymar, fazer a assistência decisiva para a Bola de Prata. Tudo está bem quando acaba bem, e o Jovane acabará sempre por entrar a altas horas. Dizem que está provado ser melhor assim...

 

Pode ser que um jogo que acabou tão tarde tenha sido uma parábola da carreira de João Pereira. Uma pena que a sua despedida tenha ocorrido sem público. Não há duas sem três e à terceira (passagem por Alvalade) foi de vez, o João finalmente arrumou as botas. Obrigado pela raça e empenho. Seguir-se-à uma carreira como treinador e uma forte candidatura a destronar Rúben Amorim como alvo predilecto do Conselho de Disciplina. A coisa promete.

 

Agora vamos para a "silly season" a sonhar com a próxima época. A Olá já anunciou que criará um Perna de Pau à Sporting para nos dessedentar no Verão. Um Perna de Pau à Sporting? Acho a coisa um bocadinho provocativa, até porque neste Sporting 2020/21 não houve pernas de pau, só craques. Por isso, deixo uma sugestão: que tal reeditar o Super Max(i)? Se o Adán se puser a jeito...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pote

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18
Mai21

39º título europeu


Pedro Azevedo

O hóquei, tal como o amor, é fogo que arde sem se ver. Nesse contentamento descontente, de quem apenas imagina a bola, ganhei fascínio pelo bailado inerente ao jogo. Ainda no Pavilhão dos Desportos, admirei a patinagem artística e a condução de bola de António Livramento e fiquei muitas vezes maravilhado com a habilidade e as fintas do Chana, tendo esses sido para mim os maiores expoentes da modalidade. Para quem não valorize a estética, o hóquei não ganhará muito na transposição da rádio para a televisão, podendo até dizer-se que a emoção será maior pela rádio. A propósito, ainda me recordo de um célebre jogo contra o Voltregá, correspondente à meia-final da primeira Taça dos Campeões que vencemos, e do sentimento com que ouvi cada pincelada de génio com que Livramento e Chana iam pontuando uma exibição que constituiu um render da guarda para os até aí campeões Nogué, Ferrer e companhia. Muitos anos se passaram até podermos voltar a ver o Sporting campeão europeu. E este ano conseguimos o bi-campeonato, o nosso terceiro título na Champions do hóquei. O adversário, tal como no título anterior, voltou a ser o FC Porto, num jogo renhido e apenas decidido no prolongamento. Um Ângelo Girão (de novo) em grande nível e um Romero inspirado fizeram a pequena diferença final no marcador, suficiente para o Sporting possuir agora mais títulos de campeão europeu que Benfica e Porto. Parabéns ao Paulo Freitas e aos jogadores, ao Gilberto Borges, Miguel Afonso e, naturalmente, a Frederico Varandas. Com este triunfo, o Sporting obteve o seu 39º título europeu, o 30º se considerarmos apenas a principal competição de cada modalidade. 

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17
Mai21

Tudo ao molho e fé em Deus

O genial Amorim


Pedro Azevedo

O Rúben Amorim é um génio. Como ser superiormente inteligente que é, sabia que o jogo era mais importante para Jesus do que para o Benfica. Se Jesus ganhasse, teria outra margem para fazer os contestatários "acarditarem", entusiasmar-se e arrasar na próxima época da mesma forma que arrasou nesta. Se perdesse, essa margem ser-lhe-ia provavelmente retirada e Vieira poderia ser tentado a pensar que um treinador que inspirasse apenas jogar o essencial fosse mais útil que um que inspirasse jogar o triplo, assim a modos como consequência da reflexão de William Blake quando se interrogava "como saberes o que é suficiente, se não souberes o que é demais?". Por conseguinte, a derrota do Benfica neste jogo poderia ser perigosa para o Sporting no longo-prazo, enquanto a vitória do rival não teria consequências no curto-prazo porque o título já estava no estômago do leão. Vai daí, o Amorim subtraiu o Palhinha do jogo. Em sequência, durante a primeira parte, o Cebolinha usou e abusou do calcanhar, o Seferovic assemelhou-se a um ponta de lança e o Pizzi até fez lembrar o Bruno Fernandes. Tudo simples, tudo fácil, como se estivessem a jogar contra bidons. Rapidamente, o Benfica marcou 1, 2, 3 golos. Em contrapartida, o Sporting ficou a fazer guarda de honra à nota artística do Jesus. Apenas um jogador ousou destoar do tom geral, o Pote. É que o homem não sabe brincar em serviço e, em cima do intervalo, reduziu a desvantagem leonina no marcador. 

 

Ao intervalo o Amorim pareceu ter-se assustado: é que uma coisa é dar moral ao Jesus, outra é oferecer a hipótese ao Benfica de devolver os célebres 7-1 de 86. Querendo conter o prejuízo, decidiu então fazer entrar o Palhinha. O Matheus Nunes é que não se apercebeu que o "chip" tinha mudado. Então, ala que se faz tarde, ofereceu logo um brinde. Com o tempo a presença do Palhinha fez-se notar. Onde antes havia auto-estradas, os benfiquistas começaram a encontrar becos sem saída, sinais de sentido proibido e tabuletas de aviso de piso escorregadio. Tanto que, durante 30 minutos, só deu Sporting. Dois golos, uma bola no poste, os leões fizeram acreditar que iam dar a volta ao jogo. O Pote continuava desenfreado e agora havia também o Jovane para moer o juízo ao Lucas Veríssimo, um vexame para quem chegou agora à Canarinha. A televisão mostrava-nos o Helton Leite a falar sozinho, o Benfica abanava por todos os lados. Com os descontos, faltavam ainda uns 15 minutos, mas o Sporting acabou aí. Amenizada a derrota para níveis não-apocalípticos, o Rúben pareceu conformado. É certo que o Coates ainda foi lá à frente fingir que tinha custado 16 milhões por 70% do passe mais os ordenados do Sporar, mas foram serviços mínimos porque o resultado era, afinal, o ideal.

 

Além de assegurar Jesus no Benfica para 2021/22, o Rúben Amorim preencheu um outro objectivo. Subliminarmente, o nosso treinador enviou a seguinte mensagem que pôde ser lida da Lua: "NÃO VENDAM O PALHINHA". E assim o título do próximo ano pareceu mais perto. Tanto que, se os benfiquistas este ano apanharam com o Cabo Delgado(*), para o ano levarão com o Cabo das Tormentas. Um génio, o Amorim!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pedro Gonçalves ("Pote") 

 

(*) O meu aplauso para a referência a Cabo Delgado nas camisolas, região de Moçambique alvo de ataques armados do grupo jihadista Estado Islâmico que já provocaram mais de 2.500 mortos e 700.000 deslocados. Para ser justo, inclúo neste aplauso o meu colega bloguista José Pimentel Teixeira, que há muito tempo vem estando na linha da frente do alerta na blogosfera sobre esta tragédia que o mundo não pode mais ignorar.

 

P.S. O problema do Benfica de Jesus não foi a Covid, mas sim, quanto muito, o co-video (vulgo VAR), coadjuvante do árbitro e da verdade desportiva, que veio eliminar alguns dos erros mais flagrantes que aconteciam em campo. De resto, o Benfica foi sempre uma equipa sem intensidade no meio campo, e essa foi a principal pecha que se traduziu no resultado final no campeonato. 

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12
Mai21

Tudo ao molho e fé em Deus

Ser grande e estar campeão


Pedro Azevedo

Por vezes a vida não nos faz justiça, aquilo que estamos não se enquadra com o que somos. Porém, é exactamente nesses momentos que vemos quem está ao nosso lado, não nos deixa cair ou nos ajuda a levantar, nos ama incondicionalmente. Então, descobrimos e redescobrimos forças onde outros julgavam ver fraquezas, mostramos a nossa raça, ultrapassamos os obstáculos, superamo-nos. Esta foi a história do Sporting (e dos Sportinguistas) dos últimos 19 anos, uma lenda de resistência, de resiliência de uma tribo leonina que de tanto amar o clube por vezes quase o sufocou, mas nunca o abandonou.

 

Martin Luther King disse um dia que a verdadeira medida do Homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto, mas sim em como se mantém em tempos desafiantes. Se isto é válido para o Homem, também o é para as instituições. E o Sporting, ao longos destes anos, soube no essencial manter a sua matriz de integridade e mostrar uma cultura desportiva assente em valores de respeito pelas competições e concorrentes, tudo alicerçado no esforço, dedicação e devoção que constituem o seu lema. Atingindo agora a tão ansiada glória, o que finalmente lhe fez justiça. Voltando a mostrar, a quem é de modas e não respeita o passado - o que também é uma forma de não se respeitar a si próprio, ou não ter identidade - , que é um grande clube. 

 

Em "Alice's Adventures in Wonderland" há uma frase que me ficou na cabeça em gaiato: "a única forma de chegar ao impossível é acreditar que é possível". Foi isso que Rúben Amorim trouxe para o Sporting, pegando no slogan "impossible is nothing" da Adidas e fraccionando a gigantesca tarefa que tinha pela frente em pequenos segmentos, jogo a jogo. Emocionalmente muitíssimo inteligente, Amorim percebeu que a melhor maneira de lidar com um problema grande é dividi-lo por partes, partindo um pedregulho em um conjunto de pedras de menor dimensão que pudessem ser trabalhadas. Tal só foi porém possível pela sua correcta perspectiva das coisas: se eu tiver um pedregulho à minha frente, provavelmente não conseguirei ver mais nada. Todavia, se recuar dez passos, já irei ver qualquer coisa à volta. E se me afastar mais, então esse pedregulho será apenas uma pedrinha e eu obterei uma visão perfeita sobre tudo o que está em seu redor. Foi aliás essa visão que permitiu abrir as portas a Alcochete na equipa principal do Sporting, vendo soluções onde treinadores mais reconhecidos outrora viram mais problemas e transformando ameaças em oportunidades. 

 

Tal como um golo de bico de Jovane havia sido decisivo na conquista da Taça da Liga, a canela da perna direita de Paulinho põs um ponto final na discussão do título de campeão nacional: dois momentos paradigmáticos de um Sporting de processos práticos e mais focado nos conteúdos que levava para o campo do que na forma. Privilegiando muitas vezes o ataque rápido e a transição, reagrupando-se sempre celeramente aquando da perda de bola. Uma equipa solidária, mais de transpiração do que de inspiração, mas muitíssimo difícil de bater devido à extrema solidariedade entre todos os seus jogadores e ao sistema táctico engendrado e trabalhado por Amorim. Mais do que jogar bonito, o Sporting procurou jogar bem, estar equilibrado no campo, não se desunir. A verdade é que, consciente ou inconscientemente, tal alegoricamente acabou por passar para os adeptos. Também estes se foram unindo por detrás das vitórias, reduzindo-se assim quase a pó o maniqueísmo que ameaçava o clube, como se um compromisso à volta da possibilidade de conquista de algo grandioso se tivesse sobreposto às diferenças. Assim sempre deveria ser. 

 

Sobre o jogo pouco haverá a dizer: domínio total do Sporting com sucessivas oportunidades de golo desperdiçadas. Nesse particular destacar-se-ia Paulinho, que tanto tentou de pé esquerdo, direito e com a cabeça e acabou por encontrar na canela o condimento ideal para deixar a sua marca na partida. Os nossos corações reagiram em consonância, a cada novo falhanço acelerando até ao limite dos limites, o chamado ataque rápido. Em resumo, as coisas poderiam ter sido mais fáceis, mas não saberiam igual. Nem pareceria bem, no jogo do título, estar agora a facilitar a vida aos adeptos e poupá-los às taquicardias que marcaram a nossa epopeia. 

 

A festa foi bonita e correu mundo mesmo em tempo de pandemia. Agora é preciso evitar que este título venha a ser um caso isolado. Existe uma base, é preciso mantê-la no sentido de se criar uma nova era. É que o Sporting está de volta, mas queremos que tenha vindo definitivamente para ficar. Para nunca mais estar diferente daquilo que é: enorme.

 

P.S. Parabéns a Rúben Amorim, jogadores e, naturalmente, a Frederico Varandas e Hugo Viana. Varandas fez uma jogada muito arriscada, mas ganhou. Merece por isso crédito. E finalmente estamos a ver a Formação integrada no plantel principal, o que é uma forma de também ganhar o nosso futuro, a nossa sustentabilidade, sendo esse provavelmente o triunfo maior. 

 

"Tudo ao molho...": Nuno Santos

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10
Mai21

Pensamento de sofá


Pedro Azevedo

Pela festa em si, que merece ser organizada com família e amigos de uma forma condigna com a longa espera que vem testando a resistência dos Sportinguistas, eu preferiria ser campeão amanhã, mas se tal acontecer já hoje também está bem, até porque seria uma forma de definitivamente matar esta ansiedade que nos corrói. Uma coisa é certa: o importante é sermos campeões. De preferência já esta semana. a fim de não deixarmos para o fim aquilo que podemos sentenciar agora (relembro a má experiência vivenciada no final da época passada). 

07
Mai21

Longa se torna a espera


Pedro Azevedo

Dezanove anos após o seu derradeiro título de campeão nacional e sessenta e oito anos depois do último (1953/Cinco Violinos, com Martins no lugar de Peyroteo) campeonato ganho em ano ímpar, o Sporting prepara-se para conquistar o tão ambicionado troféu de vencedor da Primeira Liga. Para tal tem agora disponíveis 3 match-points. O primeiro será já na terça-feira, caso os leões de Faro, nossa filial nº2, não consigam antecipar a nossa festa. Pela frente teremos um tabuleiro axadrezado, o contexto ideal para um xeque-mate. Está quase...

06
Mai21

Tudo ao molho e fé em Deus

Sem espinhas


Pedro Azevedo

O nosso internacionalmente reconhecido artista Julião Sarmento, com quem uma vez coincidi numas férias caribenhas em Cuba e que  fisicamente parecia o produto da fusão entre o Eric Clapton e o Ray Manzarek, disse um dia que lhe interessava muito mais o desequilíbrio do que as coisas estáveis porque estas últimas não levavam a lado nenhum a não ser a uma pasmaceira de café com leite. Enquanto adepto de bancada, eu também vejo as coisas assim. Tal como a pintura, escultura, fotografia e instalação, ou o desenho e filme para o Julião Sarmento tinham de estar à beira do precipício, também eu gosto de sentir a vertigem e de ver em campo os jogadores que não têm medo de arriscar e ir no 1x1. Todavia, o futebol já não é um espectáculo, mas sim uma indústria, um negócio onde estão muitos milhões em jogo. Com isso, a estética foi substituída pela eficácia e os treinadores são os tiranos que transportam o relvado para laboratórios onde engendram burocracias tamanhas capazes de matar o romantismo do jogo. No elenco actual de técnicos poucas são as excepções, e quando as há geralmente acabam vitimas do pragmatismo dos seus adversários. Deveremos conformarmo-nos com isso? No futebol, quem paga não é tido nem achado e o próprio adepto hoje quer é ganhar e pouco gosta do jogo, o que talvez explique o exacerbar de fanatismo e de violência à volta do futebol. Estaremos no caminho certo? Duvido, mas é o que temos. Nesse aspecto, o nosso Rúben não é melhor nem pior que os seus pares, e é por isso que estaremos condenados a ver o Jovane jogar uns poucos minutos. E a ficarmos desiludidos de cada vez que não marca ou não assiste, como se não estivesse a cumprir o seu papel de Walther de 9 mm que secretamente vem do banco com a bala na câmara pronta para disparar para a baliza. 

 

Paradoxalmente, a fobia aos desequilíbrios que caracteriza os treinadores contemporâneos não encontra depois razão quando temos de aturar com o João Mário 70 minutos em campo. O Palhinha que o diga, obrigado que esteve a ser ominipresente, jogando por dois e esfolando-se e estafando-se para equilibrar a contenda a meio-campo e assim evitar as incursões rioavistas. Não admira assim que tenha tido um período anterior de menor  fulgor, felizmente ultrapassado ontem com uma exibição de grandíssimo nível. Tirando estas embirrações, eu vejo o Rúben Amorim como superlativo. Para começar, a nossa eficácia defensiva é uma coisa espantosa, facto a que não é alheio a inspiradora ideia dos 3 centrais. Se é certo que o Sporting vai ficar a dever uma significativa parte do sucesso desta época a Coates, também não é menos verdade que "El Capitán" beneficiou enormemente do dispositivo que Amorim congeminou e onde se sente como peixe na água, sistema esse que lhe permitiu encobrir algumas deficiências e exponenciar as suas maiores qualidades. Depois, o regresso de Palhinha e a contratação de Pedro Gonçalves fizeram toda a diferença. Enquanto um funciona como uma espécie de gigante Adamastor, o outro é pura inteligência em movimento, sempre à procura de descer e receber entre-linhas e daí partir para interacções elucubradas em equações diferenciais que lhe permitem perceber e dar fluidez às dinâmicas no relvado. Como se já não bastassem estes tiros certeiros, ainda há a cereja no topo do bolo, a aposta na Formação. Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Tiago Tomás, entre outros menos utilizados, todos foram tendo as suas oportunidades de uma forma continuada. É certo que eu embirro com a menor utilização do Matheus. Então o homem dá dois nós cegos sucessivos ao sabido do Coentrão, em duas ou três passadas já está na área adversária, tem técnica de filigrana associada a grande dinâmica e passa a maior parte do tempo a ver os jogos do banco? Não me conformo, não. Mas depois reconheço que o Amorim é que lhe pegou, com o Silas estava sempre a uma porta que nunca se abria. E deu confiança, posicionamento e escola a quem há menos de 3 anos era pasteleiro e gozava os bons ares da bela Ericeira. A tal ponto que eu agora o critico, como se o Amorim fosse o Dr Frankenstein e estivesse a ser vítima da sua própria excelsa e frenética criação. No fundo, são nervos. É que nós, Sportinguistas, sofremos tanto que o Marquês mais parece de Sade. E isto nunca mais acaba...

 

Caro Leitor, o Paulinho ontem marcou. E esteve na origem do primeiro golo. Eu bem que havia dito que o Paulinho iria marcar golos impossíveis e falhar muitos outros aparentemente fáceis. Confesso que o homem aparece aos meus olhos cada vez mais como um Postiga: é bom de mais para ponta de lança, a sua verdadeira vocação é de médio de ataque ou de "mezzapunta", aquele nove e meio do futebol italiano. Entretanto, vamos dormir esta noite com 9 pontos de avanço sobre o Porto. Porém, não estou com muita fé que o Porto não ganhe na Luz. Se estiver enganado, óptimo, mas talvez não fosse má ideia suspender o foguetório e mantermo-nos, nós e os jogadores, concentrados para o jogo com o Boavista. Nesse jogo vai ser preciso construir uma Ellis Island e não deixar ponte de comunicação entre o veloz e fisicamente potente, porém trapalhão, avançado axadrezado e as suas fontes de abastecimento preferenciais (Angel Gomez e Paulinho). O Benfica e Porto que o digam, incautos que foram na sua marcação. E, já agora, o Porro que no seu flanco ponha (Ricardo) Mangas curtas, que daí também geralmente surgem incursões terminadas com remates do próprio ou centros a propósito. 

 

E é tudo, que de Vila do Conde, terra piscatória, viemos com uma vitória sem espinhas. Tanto que o Adán manteve os calções imaculados. No fim, o Amorim deu mais um show de comunicação. É verdade, o homem não só é o nosso "coach" como podia fazer "coaching" a gestores públicos e privados. Uma máquina. Até me vieram umas lágrimas aos olhos, e garanto-vos que não foi das alergias da Primavera. Entretanto, já estamos na Champions. O resto? Está quase, mas é preciso continuar a não tirar os olhos da bola. É que para os nossos adversários isto tem sido um 31...

 

P.S. R.I.P. Julião Sarmento, interposto permanente de pessoas e de ideias como cada Homem deveria ser, sem ilhas. A Tate, o MoMA e o Gugenheim também não o esquecerão. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Palhinha, o melhor em campo. Mas o Homem do Jogo foi o Paulinho, que esteve nos dois golos. Menção honrosa para o Pote, um matemático do futebol. Destaque ainda para a titularidade de João Pereira, que jogou como se estivesse no Onze desde sempre. 

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03
Mai21

Honrar o slogan do Visconde


Pedro Azevedo

Ganhar uma segunda Champions de futsal já seria um feito excepcional. Mas o Sporting fê-lo com estilo, derrotando sucessivamente (em apenas 5 dias) os campeões russo, espanhol e europeu em título. Na final, batendo com uma reviravolta (de 0-2 ao intervalo para um 4-3 finalj o todo poderoso Barcelona, o nosso rival pelo epíteto de clube mais eclético da Europa. E com 8 ou 9 jogadores formados no clube, provando que, ganhando hoje, ganharemos também o amanhã. Muitos, muitos parabéns a todos os que contribuíram para esta conquista épica. Com um destaque especial para Nuno Dias, o nosso treinador, homem que ano após ano vem marcando a ouro a sua passagem pelo clube, nunca perdendo a humildade tão própria dos efectivamente grandes. Já merecia uma estátua! Viva o Sporting Clube de Portugal! Viva o nosso Sporting! E obrigado por (mais) este grande momento. 

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02
Mai21

Tudo ao molho e fé em Deus

Poder de síntese


Pedro Azevedo

O Jovane ontem jogou vinte e oito minutos. Tanto tempo em campo na vida do Jovane Cabral é objectivamente um luxo asiático, um motivo de abertura de telejornal e de parangonas de tablóide, pelo menos a avaliar pelos 13 jogos anteriores a contar para a Liga em que jogou menos tempo que isso ou não foi sequer utilizado (no 14º, contra o Benfica, pisou a relva durante 29 minutos). Aliás, se analisarmos as estatísticas, só por seis vezes o cabo-verdiano foi utilizado mais tempo do que ontem, cinco delas como titular, sendo que nunca fez um jogo completo a contar para este campeonato. Porém, no somatório de todas as competições, o Jovane é o nosso segundo melhor marcador, só superado pelo Pedro Gonçalves. Tal deve-se ao seu poder de síntese. Metam o Jovane na barra do Gambrinus e em 28 minutos, sob a supervisão arbitral do excelente senhor Brito, ele terá tempo de despachar uns croquetes, desfazer a empada de perdiz e ter a digestão completa em menos de meia-hora. No campo é igual. Para isso contribuem diversos factores. Em primeiro lugar, ele é claro na linguagem que emprega, não se perde a meio do caminho ou corre o risco de entediar, confundir ou desagradar quem o está a ver. Em segundo, é objectivo, vai vertiginosamente direito ao assunto e traduz em golos e assistências a razão da sua existência. Em terceiro, omite informações desnecessárias: o Jovane não anda por atalhos e não se ilude com rococós efémeros e nada eficazes. Em quarto, não tem medo de ser mal-interpretado. Ele vai sempre contra o adversário que se interpuser face à baliza, e ganhando ou perdendo a bola fá-lo-á uma e outra vez. Finalmente, ele desenvolveu uma capacidade tal de ir lapidando a sua linguagem que 12 minutos contra o Porto para a Taça da Liga são mais do que suficientes para deixar uma marca indelével da sua passagem pelo relvado. 

 

Até à entrada do Jovane em campo, o Sporting caracterizou-se pela capacidade do Bragança de encontrar o Pote entre-linhas, seguida por assistência para o Paulinho se esmerar na arte de perdoar em frente do golo, especialidade onde a sua cotação não poderia estar mais em alta. Tudo o resto foram inuendos sem objectividade nenhuma, formas incipientes encontradas para disfarçar a nossa verdadeira prioridade no jogo. Até que entrou o Jovane. A partir daí um vendavel se soltou, uma onda se alevantou, um átomo a mais se animou (obrigado, José Régio). Assim, logo de entrada isolou o Porro na direita, mas o Paulinho trocou os pés na hora de dar o melhor seguimento à jogada. Não satisfeito, aproveitou uma boa simulação do nosso ponta de lança e deixou o Porro na cara do golo. Depois, pegou na bola no meio-campo e arrancou tão potentemente para a baliza que fez expulsar o pobre do Alhassan, única forma de evitar a jogada de 2x1 que se perspectivava. Mas a "pièce de résistance" ainda estava para vir: primeiro trocando as voltas a um defesa e colocando com precisão a bola na cabeça de Feddal para o golo inaugural, depois sprintando e ganhando a frente a um defesa nacionalista até se isolar e ser por este, já grogue (bebida típica de Cabo Verde), derrubado dentro da área. Na conversão da penalidade não fez por menos: bola na gaveta, no ângulo, indefensável. Tudo natural, porque para o Jovane foi só mais um dia no escritório. No próximo jogo lá voltará ao banco, de onde assistirá, sem um queixume ou dor de alma, à exibição dos seus colegas. Se a coisa estiver a dar para o torto, quem sabe poderá jogar 1, 2 ou 3 minutos. Ganhando nós, lá estará como sempre a festejar efusivamente com a restante equipa no relvado. Em síntese, o Jovane é impagável, não tem preço, deve ficar connosco para sempre. Porque, se é verdade que o seu tempo mede-se em fracções irrisórias, essas parcelas ínfimas são as melhores das nossas vidas de leões. 

 

A 4 jornadas do fim, o Sporting lidera com 6 pontos de avanço. Com apenas 12 pontos em disputa, escusado será dizer que ganhar em Vila do Conde será muito importante. Conseguindo-o, assistiremos de cadeirão ao Clássico, algo que seria invulgarmente tranquilo para um Sportinguista. No entretanto, continuemos a testar a máquina. Sem dispositivo para cortar nas rotações, ontem a verificação começou mais cedo, com o futsal, modalidade que deveria ser acompanhada por um desfibrilador ou só vista em diferido e em slow-motion. Temo porém que tenha de ser encontrada uma solução mais efectiva no futuro. Proponho assim que o hino da Maria José Valério e o "Mundo sabe que..." passem a vir acompanhados de uma pequena palestra do Prof. Fernando Pádua, assim a modo de instruções de bordo para os solavancos que a turbulência poderá provocar na máquina. Tocaria nos nossos corações...

 

P.S. Ah, e por falar em linguagem, aquele manuelmachadês que consistiu em comunicar contra tudo o que mexesse de verde-e-branco foi uma afirmação semântica digna de figurar no Dicionário Canelas do futebol português. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jovane Cabral. Pote foi outro dos destaques. Porro parece ter melhorado face a desempenhos anteriores. Max teve uma intervenção decisiva.

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29
Abr21

Há um Zé Pereira fofinho


Pedro Azevedo

"O Sérgio é um belíssimo treinador, um homem de coração enorme, e tem estas reações, já quando era jogador também tinha. Gosta muito de conseguir os seus objetivos, é muito determinado e às vezes excede-se. Criámos uma imagem de grandes treinadores, de melhores treinadores do mundo, e ainda não a perdemos no aspeto técnico e táctico. Mas precisamos de reforçar também em termos comportamentais aquilo que são as nossas grandes virtudes. Temos de valorizar a nossa competência profissional, acompanhada da competência comportamental que é fundamental" - ABola

 

Favor confrontar com (acerca de Rúben Amorim): "Engolimos os sapos, mas estamos mortinhos por vomitá-los".

 

Entre o pedagógico fofinho e o áspero regurgitante. Elucidativo!

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27
Abr21

Por que não o FC Porto?


Pedro Azevedo

Todos precisamos do sentimento de pertença. Sentimos conforto e resguardo se estivermos rodeados por quem vê o mundo exactamente da mesma forma que nós o vemos. E instintivamente escolhemos a nossa tribo. Foi por isso que, desportivamente falando, eu escolhi o Sporting. E nunca conseguirei ter simpatia pelo FC Porto, por muito que o clube vá acumulando títulos. Pelo menos enquanto o seu presidente e respectiva entourage estiverem no activo. 

26
Abr21

Tudo ao molho e fé em Deus

A normalidade de ter Coates


Pedro Azevedo

Antes do jogo, o senhor Pinto da Costa declarou que em condições normais o FC Porto será campeão. De normalidade percebe o senhor Pinto da Costa. Por exemplo, a distribuição normal dos eventos narrados no Apito Dourado tinha um desvio-padrão muito pequeno. Em consonância, a maioria das observações estava muito próxima da média do que era alegadamente comum acontecer na relação entre o FC Porto e diferentes agentes desportivos, o que convenhamos oferecia muita segurança a quem tinha de fazer "previsões". Tal fez-me lembrar um livro. Em "Repeated games with incomplete information", Aumann e Maschler abordam a teoria dos jogos. Quando as pessoas interagem, elas habitualmente já o fizeram no passado e esperam continuar a fazê-lo no futuro. É este elemento de continuidade que é estudado na teoria dos jogos repetidos, a qual prevê, por exemplo, cooperação, secretismo, castigo ou vingança. E depois há o aspecto da informação, que revela que sinais vitais podem ser implicitamente revelados pela acção de um jogador, sinais esses que o jogador pode pretender mascarar a fim de induzir o oponente ao engano. Foi o caso de Lord Rothschild, que, tendo tido antecipado conhecimento do resultado da Batalha de Waterloo, enviou um seu agente para a Bolsa de Londres com instruções para vender discretamente títulos accionistas. Simultaneamente, contratou diversos indivíduos que geralmente não trabalhavam para si com o objectivo de comprarem títulos o mais que pudessem. Como Rothschild havia antecipado, o seu habitual agente foi reconhecido. Vendo-o a vender, os restantes operadores associaram-se, julgando a sua acção traduzir que a batalha havia sido perdida pelos ingleses. Acabaram por facilitar a vida a Rothschild, que nesse dia conseguiu comprar acções no mercado a preços muito baixos que mais tarde, quando foi do conhecimento geral o sucesso de Wellington, se convertiriam em importantes mais-valias. Tudo isto para dizer que talvez não fizesse mal a Pinto da Costa esconder o jogo, ou, pelo menos, o seu entendimento da "normalidade" do mesmo.

 

Nos modelos de risco, os analistas estimam a máxima perda com níveis de significância que alternam entre 95% ou 99%, considerando-se os 5% ou 1% como eventos com grau de probabilidade muito reduzida e assim desprezíveis, o que leva a acontecimentos como o 11 de Setembro ou a crise de subprime tenderem a ser subestimados, acabando as previsões desses analistas por falhar. Ora, o futebol é um jogo. Como tal, tem uma componente de aleatoriedade. Os adeptos Sportinguistas que acompanharam o desenrolar do nosso jogo em Braga já rezavam por um empate, mas no fim o Sporting ganhou. Costuma dizer-se que é futebol. Num mundo ideal isso nunca seria considerado uma anormalidade, apenas um jogo. Anormal seria por exemplo a corrupção, promiscuidade, tráfico de influências ou falta de ética, ou até mesmo o condicionamento sobre as equipas de arbitragem (supunhamos umas invasões à Maia, ou assim...) eventualmente influenciarem as ocorrências de um jogo ou de um campeonato ou até marcarem golos, mas sobre isso o Nostradamus da Cedofeita não faz previsões, embora prevenido já tivesse ido até à baliza, perdão, Galiza.  

 

Começado o jogo, o Braga cedo descobriu a localização do cofre. Com Galeno, Gaitan e Sequeira permanentemente em superioridade numérica sobre Porro e Inácio, não surpreendeu que o central leonino se visse em apuros. Duas faltas, dois cartões, o Sporting via-se rapidamente a jogar só com 10. Mas uma coisa é ver o cofre, outra é descobrir a sua combinação. Até ao intervalo o Coates e o Adán certificaram-se que tal não aconteceria. Durante o descanso, o Rúben Amorim compreendeu que teria de pôr alguém mais naquele flanco. Com menos 1, convinha ser um jogador versátil, enérgico e também com chegada à área adversária. Vai daí, pensou no Matheus Nunes. Em boa hora o fez, pois numa jogada semelhante à que deu a nossa vitória na final da Taça da Liga, o brasileiro marcaria o golo da vitória. O restante segundo tempo foi uma história de sacrifício e de superação, um épico que certamente faria furor se representado no mundo da Sétima Arte. Como grande protagonista o Coates. O nosso Ministro da Defesa devolveu tudo, foi um muro intransponível. Coadjuvando-o, o Secretário de Estado Adán. Também ajudou ao sucesso o facto de em campo ter estado o Galeno, um artista com o traço impressionista de um Manet e a definição final de um maneta (no caso, perneta).  No fim, o Amorim disse que foi normal. E teve razão. Oscar Wilde teve um grande sucesso com a peça "A importância de se chamar Ernesto", também designada por "A importância de ser honesto", uma sátira sobre a moral vitoriana. Homem reconhecidamente culto, Pinto da Costa certamente conhecerá a obra de Wilde. E saberá também que a normalidade no Sporting está associada à importância de (o capitão) se chamar Coates. Sim, Coates, o que nunca alimentou dúvidas ou angústias pós-Alcochete aos adeptos e sempre alinhou os seus interesses pessoais com o Sporting, aquele que mais do que ninguém merece o título de campeão nacional.

 

Ganhámos um jogo que facilmente poderia ter caído para o outro lado. Mas é importante também compreender que houve jogos que empatámos e deveríamos ter ganho. É o futebol e os seus sortilégios, tudo normal. O que não vinha infelizmente sendo normal no Sporting era a solidariedade e resiliência dos jogadores em campo. E essa será a melhor contribuição de Rúben Amorim para o Sporting versão 2020/21. Podem contestar-se as substituições - ontem só gostei de Matheus e de Neto - , as alterações no modelo de jogo, a parca utilização de Jovane, dispensa de Pedro Marques, etc, mas a verdade é esta: em 47 anos que levo de ver futebol nunca vi uma equipa tão unida em campo. Se é normal, não sei. Mas espero que doravante seja o novo-normal. Força, Sporting!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates

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24
Abr21

Pensamento do dia


Pedro Azevedo

Os pessimistas acertam mais vezes, são amiúde mais analíticos, têm mais vezes razão (ainda que ter razão seja muitos vezes sobrestimado), mas é devido aos optimistas que ao longo da humanidade se vêm conseguindo grandes realizações e são ultrapassados outrora intransponíveis obstáculos. Camões relata-o bem no episódio dos Velhos do Restelo ao descrever a epopeia dos Descobrimentos. 

23
Abr21

Procurar a felicidade


Pedro Azevedo

Muito se tem falado da juventude do plantel do Sporting como causa próxima de algum nervosismo que alegadamente a equipa vem relevando nos últimos jogos. Todavia, sem querer apontar o dedo a alguém, a realidade é que no encontro com o B Sad os erros mais clamorosos foram cometidos por João Mário e Antonio Adán, dois elementos dos mais experientes do lote de jogadores que Rúben Amorim tem à disposição. Bem sei que TT baixou um pouco de produção, que a Gonçalo Inácio são atribuídas criticas neste último jogo - a meu ver injustificadas, porque se é certo que no primeiro golo poderia ter apertado um pouco mais o jogador da B Sad quando este se virou de costas, não deixa de ser verdade que posteriormente Palhinha deixou fugir Varela e Matheus Reis perdeu a noção de marcação ao ponta de lança, fixando-se só na bola (o segundo golo nem tem discussão, pois apertado tem de executar um passe tenso, passe esse ao qual Adán, que já nos salvou em múltiplas ocasiões, até respondeu com uma razoável recepção) - e Porro, após a paragem para as selecções, não regressou no seu nível habitual, mas por exemplo Nuno Mendes (18 anos) foi provavelmente o melhor homem em campo e Jovane, Matheus Nunes e Bragança entraram bem. 

 

O que penso ser importante nesta hora dizer é que este não é um tempo de nos prepararmos para a justificação do desaire, isso só criará crispação nos elementos mais jovens e facilmente escrutináveis em primeiras leituras que muitas vezes se revelam precipitadas. É, sim, o momento de cerrarmos fileiras e procurarmos ser felizes. E isso passa por quem de direito necessariamente analisar friamente o que tem recentemente corrido menos bem e corrigir. Sim, porque não só dos erros individuais resultaram desfechos desfavoráveis, a dinâmica colectiva não é hoje a mesma de há alguns meses atrás. Aos adeptos apenas resta continuarem a fazer uma corrente positiva que transmita confiança à equipa. Pode parecer pouco, mas o contrário seria por demais pernicioso. Força, Sporting!

22
Abr21

Tudo ao molho e fé em Deus

Virgem aos 28


Pedro Azevedo

Na antecâmara do jogo, todo machão, o marialva Petit revelou querer tirar-nos a virgindade. Poderá até ser natural, num cavalheiro tão esbelto, tão formosamente abençoado pela natureza, esse tipo de auto-confiança. Todavia, inusitado, vindo de um benfiquista assumido, terá sido o reconhecimento de que o objecto da sua cobiça permanecia religiosamente sem mácula na alma e corpo, algo que todos nós, Sportinguistas, reconhecemos desde o berço. A verdade é que no fim, acabados de completar 28 (jogos), permanecemos virgens, pelo que o problema não foi o hímen. Não, esse manteve-se inviolado. Já o iman da nossa triste fatalidade não parou de exercer atração entre os dois polos do campo, tantas foram as asneiras que os nossos próprios jogadores cometeram. [O deus do futebol deve ter revelado em sonhos ao Petit que em Alvalade o iman seria seu, mas este ("lost in translation") terá compreendido hímen e daí aquela tirada à manganão.] Foi assim quando João Mário falhou um penálti, assim foi quando Adán se pôs a inventar junto à sua baliza ou Matheus Reis se esqueceu do avançado e só se preocupou com a bola. 

 

Nada contudo acontece por acaso. Por exemplo, o João Mário é um agnóstico do golo, creio (!?) que por experiência própria o rapaz até duvide que o golo exista. Logo, pô-lo a marcar os nossos penáltis talvez seja uma grande penalidade para a equipa em si. Concomitantemente, o Matheus Reis é essencialmente um lateral esquerdo. Foi assim que construiu a sua ainda breve carreira no Rio Ave, clube onde apenas realizou 3 jogos como central num sistema de 3. Assim, tê-lo a titular como central, com Neto disponível no banco, será sempre um risco, o qual visará uma maior produção atacante mas terá como senão uma menor consistência defensiva (mesmo sendo mais lento e a B Sad tendo avançados rápidos, o Neto compensa no posicionamento neste sistema de 3). Para não falar que desde o início da temporada Adán vem revelado fragilidade a jogar com os pés. Por um acaso ou outro, tal ainda não se tinha revelado mortífero. Infelizmente, aconteceu ontem. Também não foi por coincidência que o Jovane entrou e minorizou o prejuízo. O que não se entende é a razão pela qual só entra quando tudo está aparentemente perdido e é preciso ir encontrar no fundo do baú uma última solução de recurso. Ainda assim, o Jovane ameaça tornar-se o jogador mais importante da época. Primeiro evitando um terceiro resultado negativo consecutivo e impedindo a eliminação de uma Taça da Liga que nos viria a encher de confiança e motivação para o resto da temporada. Segundo, ao ter negado a nossa primeira derrota no campeonato, mantendo o factor psicológico da invencibilidade do nosso lado a poucos dias de uma previsivelmente difícil deslocação a Braga. E vamos ver se, como génio da lâmpada que é para Amorim, não nos concederá ainda um terceiro desejo. 

 

Poder-se-á dizer que Rúben Amorim acertou em todas as substituições. É um facto, Nuno Santos (cruzamento para o 1º golo), Tabata (dinâmica), Bragança (circulação de bola rápida), Jovane (penálti e golo) e Matheus Nunes (assistência no lance da penalidade) entraram muito bem. Porém, tal também revela que o onze base foi mal escolhido. Por exemplo, João Mário esteve 67 minutos entediante e exasperantemente a jogar a passo para trás e para o lado, Matheus Reis nunca compensou ofensivamente aquilo que retirou defensivamente e faltaram-nos sempre o dinamismo do Nuno Santos para desorientar marcações apertadas ou a relação com o golo de Jovane. Já em desespero, regressámos ao 3-2-5 (WM) primeiramente testado contra o Gil Vicente em Alvalade. Com Tabata como extremo direito e Nuno Santos no polo oposto, Jovane posicionou-se como o ponta de lança que recuava nas costas de Paulinho e Coates, este último o verdadeiro avançado centro do Sporting versão 20/21. Lá atrás, Matheus Nunes testava (mais) uma posição nova, a de central pela direita. Ao seu lado Gonçalo Inácio (centro) e Nuno Mendes (esquerda). No meio do terreno, Bragança e Pote. E foi assim que aconteceu... evitarmos a derrota. 

 

A fórmula de sucesso está mais do que encontrada e quem a patenteou foi o alquimista Amorim. Os consumidores, após algum cepticismo inicial, receberam-na em euforia. Tal como a Coca-Cola, primeiro estranhou-se, depois entranhou-se. Não fará como tal sentido andarmos a experimentar novas fórmulas quando a competição se encaminha para o fim. Isto é o que eu penso. Temo porém que tantos pensares distintos existentes na cabeça do Amorim nos possam conduzir por um caminho diferente. É a desvantagem das múltiplas opções, umas tornadas realidade por mérito exclusivo de Rúben, outras encontradas no último mercado. O povo, na sua infinita sabedoria, costuma dizer que quem não tem dinheiro não tem vícios. Como virgens não têm vícios, que joguem os melhores e que melhor funcionam em equipa. Vamos, Sporting!!! (Eu continuo a acreditar, afinal antes desta jornada tínhamos 6,12 e 14 pontos de avanço sobre a concorrência. Se não acreditarmos em nós, como poderão eles (a concorrência) acreditar? Repito; serenidade e confiança. E acrescento: convicção.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Nuno Mendes

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19
Abr21

A Superliga Europeia


Pedro Azevedo

Doze clubes europeus de três países diferentes pretendem arrancar com a Superliga Europeia. O desejo não é novo e esteve até anteriormente na origem da cedência da UEFA que provocou uma maior assimetria de distribuição de dinheiro entre clubes históricos fora dos Big 5 e emblemas de Espanha, França, Itália, Alemanha e Inglaterra no que diz respeito à disputa da Champions League.

 

Escrevi na altura aqui que a cedência da UEFA havia sido um erro porque a via como uma ameaça à sustentabilidade do futebol. Primeiro nos países periféricos, depois mesmo no grupo dos Big 5. Eu entendo o que estes 12 clubes pretendem. No fundo querem replicar o modelo da NBA, controlarem eles próprios as suas receitas e eliminar a incerteza quanto aos seus proveitos decorrente de uma má prestação desportiva na competição doméstica. Imaginam assim um futuro onde não haverá uma UEFA a tomar-lhes parte dos proveitos e onde as receitas pingarão abundantemente com uma periodicidade anual. Até aqui parece-me tudo bem. Simplesmente, do que esses 12 clubes (e pelo menos outros 3 que se lhes associarão) estão a esquecer-se é que sem os clubes periféricos (actualmente já em queda acentuada devido à nova distribuição, provocada pela pressão anterior sobre o organismo, de clubes e dinheiros na Champions)  os ordenados e as transferências explodirão para valores estratosféricos que tornarão insustentável o negócio do futebol. E isso acontecerá, não tenhamos dúvidas, a partir do momento em que históricos como o Feijenoord, Anderlecht, Estrela Vermelha, Steaua Bucareste, PSV Eindhoven ou os nossos Sporting, Benfica e Porto, minados pela falta de receitas derivadas do abandono dos patrocinadores, fecharem as portas e, por conseguinte, deixarem de apostar na formação. Sem celeiro europeu para irem buscar o milho de que necessitam a preços em conta, aos clubes que vierem a integrar a tal Superliga restará a médio-prazo comprar jogadores entre si a preços exorbitantes.

 

Não tenho dúvidas de que a Superliga irá para a frente e temo que a UEFA acabe por ceder e reconhecer a competição. Tal aliás aconteceu no basquetebol europeu quando um grupo de clubes, onde curiosamente também constam Real Madrid e Barcelona, criaram a Euroliga, torneio organizado pela Euroleague Basketball. Também aqui a FIBA (a UEFA do basket) prometeu excluir esses clubes e não permitir que os seus jogadores integrassem as selecções nacionais, mas acabou por contemporizar com a existência dessa liga milionária que faz com que a sua Champions seja uma competição de terceiro nível (há um segundo escalão no certame da Euroleague).

 

Vejo a Superliga como um loose-loose, em que no fim os clubes e o futebol perderão. É que ao contrário da NBA, que no recrutamento se apoia nas universidades (não há custos de transferência), no futebol os maiores clubes europeus precisam dos não tão grandes. Porém, temo que no actual cenário a ganância venha a imperar e já não se possa parar este comboio desgovernado. E é pena, desde logo porque para tal também contribuiu o facto dos direitos dos clubes não estarem a ser salvaguardados quando os seus jogadores se encontram ao serviço das selecções nacionais. Não só os clubes não são devidamente remunerados pelo empréstimo como o risco de lesão dos jogadores aumenta. E aquilo a que se tem vindo a assistir é a uma progressiva densificação do calendário competitivo das selecções, a qual inversamente vem determinando cada vez maiores paragens dos jogos dos campeonatos nacionais. 

 

Em suma, tenho severas dúvidas sobre a sustentabilidade do próprio modelo da Superliga. E creio que os seus alicerces abanarão por completo a partir do momento em que aos custos descontrolados (mesmo admitindo a existência de um tecto este não será certamente baixo e os jogadores e seus representantes saberão jogar com a situação de dissidência deste lote de clubes) se somará o incremento das taxas de juro um pouco por todo o mundo (não ficarão para sempre em zero), aumentando os custos do elevadíssimo financiamento e criando a tempestade perfeita que penalizará os gananciosos. Infelizmente, haverá muito poucos clubes que se ficarão a rir. No fim, perderá o futebol, perderá o povo. 

PS: Haverá ainda a questão das regras pelas quais esses clubes se subordinarão, nomeadamente aspectos relacionados com o modelo de financiamento e entradas de capital de países que veem no futebol uma forma de melhoramento da sua imagem internacional, situações que até hoje têm passado incólumes é que vêm contribuindo para maiores assimetrias no futebol mundial. 

18
Abr21

Marxismo-Leoninismo


Pedro Azevedo

Não sei se o Leitor se apercebeu deste facto bastante incomum no futebol mundial, mas o Sporting apresentou-se de início em Faro com uma maioria de jogadores canhotos. Ora então anote lá: Antonio Adán, Gonçalo Inácio, Matheus Reis, Nuno Mendes, Daniel Bragança e Paulinho. Não sei se tal já havia ocorrido alguma vez na nossa história, ou mesmo nos anais do futebol mundial, mas por curiosidade aqui fica a devida nota acompanhada por título espirituoso a dar conta da primazia da esquerda no onze do Sporting.

17
Abr21

Tudo ao molho e fé em Deus

Voando sobre um ninho de cucos


Pedro Azevedo

O edifício em que vive o futebol português é um autêntico manicómio. Não surpreende por isso que, face aos casos detectados e outros que estão sobre suspeita de match-fixing, ninguém se indigne por a Liga escolher como patrocinador principal um site de apostas. Ou que dois treinadores se envolvam numa rixa feia durante 10 minutos e a respectiva suspensão seja levada para as calendas gregas, como por exemplo (suponhamos) a véspera de um certo jogo na Luz ou o defeso (já se sabe, é muito duro estar de castigo na praia no Verão). Não, olhando para a imprensa, os problemas do futebol português são o Sporting e o Rúben Amorim. Assim, não admira que ultimamente joguemos como se estivéssemos dentro de uma camisa de forças. É que o Sporting, nos intervalos em que o deixam, voa sobre um ninho de cucos. Cucos, pardais, milhafres, mitológicos reptéis com asas, papoilas saltitantes que são o ópio do mundo da bola. A droga é dura e cria elevada dependência, há que ganhar custe o que custar. Pode, por exemplo, custar 15 dias a quem ousar se atravessar no caminho, ou pode não custar nada a bem da salvaguarda do ecossistema em que vivemos há para aí uns 40 anos. 

 

Ontem fomos a Faro. Do outro lado estava uma das equipas que melhor joga e menos pontos tem. Um jogo entre leões, do reino animal de Portugal e do Algarve, uma partida que curiosamente não ficou marcada pelos poderosos ataques mas sim pelas felinas defesas. De Adán e de Beto. Há também quem diga que o senhor Macron defendeu bem, mas esses são os mesmos que não atribuíram credibilidade ao (primeiro) penalty sobre o Jovane no jogo pretérito. Mais que perfeito ainda assim para se criar uma narrativa. Estou agora à espera do que se dirá quando o Carvalhal tiver de jogar contra um clube que equipar de Lacatoni. Será que lhe irá pesar a camisola? É estranho e pouco plausível o que se diz, nomeadamente quando antecipadamente se sabe que vamos mudar para a Nike. (O Hugo Miguel revela óbvias dificuldades físicas no acompanhamento dos lances, mas mantém durante o jogo um critério técnico e disciplinar uniforme que muito raramente se pode observar nos seus colegas de profissão.)

 

O Sporting apresentou-se nervoso, a falhar muitos passes. O sistema, o nosso que não o dos outros que é perene, voltou a mudar. Regressámos ao 3-5-2, expondo a indefinição entre o ataque rápido e transições que tão bons resultados nos trouxeram e a recém atracção amorinesca pelo ataque posicional. Talvez por isso sempre tenha transparecido que a equipa se quedava a meio-caminho de qualquer coisa. A meio-caminho de ter um goleador, que desce tanto que raramente se encontra na zona de golo ou revela instinto predador, ou a meio-caminho de controlar um jogo que de facto não raras vezes lhe fugiu das mãos. Valeu-nos este Adán que não come da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele que busca a sabedoria somente a partir da experiência adquirida entre os postes e nos bancos das equipas por onde passou. E deu-nos jeito, mais uma vez, um Pote de Ouro, que esta coisa de saber enquadrar um remate não é para qualquer um. Ontem, pus-me a olhar para a sua movimentação no momento do golo: inicialmente, lá estava ele, naquele emaranhado de jogadores que atacou a primeira bola, porém, ao ver que o esférico o sobrevoara, logo recuou para o espaço livre, assim como quem dá uma linha de passe ao Paulinho ou espera um ressalto entre a densa floresta algarvia. Acabou por prevalecer a segunda hipótese, o décimo sétimo golo do Pedro Gonçalves neste campeonato. Será por acaso? Acaso somente me parece a sua ainda não inclusão na selecção principal de Portugal. Um jogador tão versátil, tão capaz de fazer várias posições em campo, tão ao jeito das metamorfoses tácticas em caos organizado do agrado do Engenheiro, com tanto golo, deverá ser sempre um elemento a contar na Equipa de Todos Nós. 

 

Faltam-nos sete finais. Haverá certamente por aí ainda alguns Pedro Henrique ou Gauld para nos darem água pela barba. Precisamos de serenidade, convicções e confiança. E de golos. Amorim e a equipa precisam de voltar a divertirem-se com o jogo, soltarem-se mais, focarem-se no que até agora foi feito de muito positivo e eliminarem da sua acção e pensamento a ansiedade e tudo o que é medíocre e pobre no futebol português, o que também é fonte de "diversão" para muita gente que por aí anda mas não é para nós. No momento em que querem fazer do Amorim o Jack Nicholson do "Voando sobre um ninho de cucos", libertemo-nos da camisa de forças e mostremos a todos que neste futebol somos o ente sano. Força, Sporting!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Adán

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