Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

10
Mar22

Tudo ao molho e fé em Deus

Citizens vs Partisans


Pedro Azevedo

No futebol, quando a equipa teoricamente mais fraca traça um plano de jogo realista a diferença entre as forças tende a esbater-se. Foi o que aconteceu ontem no Etihad, onde os poderosos Citizens foram travados pelos resistentes Partisans. Definindo a zona de pressão em cima da linha de meio campo, e não à saída da grande área adversária como na primeira mão, os leões conseguiram evitar que o City tivesse os habituais latifúndios por onde jogar entre-linhas. Todavia, durante todo o primeiro tempo os leões apenas conseguiram condicionar onde e como o City jogava, nunca criando constrangimentos defensivos ao seu adversário. As acções sucessivas de sabotagem das linhas do opositor estiveram guardadas para a segunda parte, com Marcus Edwards como o elemento da resistência que pôs em constante sobressalto o último reduto dos ingleses, obrigando o City a reorganizar-se e a não sair já com tantos homens para o ataque. Paulinho teve então a melhor oportunidade de golo de todo o jogo, mas a bola embateu no muro chamado Scott Carson, o veterano guarda-redes que substituíra pouco tempo antes o titularíssimo Ederson. Em conclusão, Ruben Amorim mostrou ter aprendido a lição da primeira mão e a equipa cresceu e deu uma outra imagem de si. Porque há ainda um longo caminho a percorrer até poder enfrentar olhos nos olhos um adversário deste calibre. E, sendo assim, mais vale não ter mais olhos que barriga. (Principalmente quando do outro lado está um "Citizen Kane" catalão que tem o mundo dos petrodólares a seus pés.)

Tenor "Tudo ao molho...": Edwards. Menções honrosas para Neto e Slimani.

rodrigoribeiroDR1.jpg

06
Mar22

Tudo ao molho e fé em Deus

A Vida Natural e a unanimidade de Slimani


Pedro Azevedo

David Attenborough orienta o seu cameraman para captar a acção de um mamífero da família dos Pepus Sanguíneus. Nesse preciso momento, o predador ataca um Casquero em plena savana. Usando as suas patas posteriores, primeiro pontapeia-o, depois, com este já imobilizado no chão, pisa-o barbaramente ao longo da coluna vertebral, finalizando a sua acção com um golpe desferido pelas suas patas anteriores na nuca da presa. É um episódio fulcral da galardoado série "Life in Cold Blood" do consagrado realizador britânico, estrela do canal televisivo BBC. Anos mais tarde, Sir David regressa à savana de Castela, mas o Pepus Sanguínius já migrou para Norte. Incansável, segue o seu trilho até o encontrar. E descobre-o, constatando uma notável evolução da espécie. É que o Pepus é agora um animal domesticado cujas incursões no solo substituíram a imobilização das presas pela captura de bolas de golfe. Um verdadeiro "menino do coro". Nómada, o Pepus por vezes migra até ao sul. E a sua última aparição pública dá-se na pretérita quarta-feira em Alvalade. Simultaneamente nostálgico e entusiasmado, Sir David não resiste e interroga: ficaremos felizes em supor que os nossos netos nunca conseguirão ver um Pepus, excepto no Clube Estela ou em vídeos evocativos do comportamento do Homem de Neandertal? Surpreendentemente, ou talvez não, os avós Sportinguistas respondem que sim...

 

Bom, mas isto foi na quarta-feira. Como a vida não é só história natural, no Sábado o Sporting recebeu o Arouca em mais uma jornada da Primeira Liga, competição outrora também designada por Lampionato e que nos dias de hoje pretende glorificar uma espécie mitológica a que se dá o nome de Dragão (o nosso Campeonato é em si próprio uma figura da mitologia contemporânea). Foi dia de eleições em Alvalade e o mínimo que se pode dizer é que Islam Slimani - os futebolistas quando passam a dirigentes ganham sempre mais um nome - recolheu a unanimidade. Primeiro com cabeça, depois com os membros inferiores (a ausência de partes do corpo humano faz habitualmente a retórica do discurso dos presidentes do clube), Slimani conquistou definitivamente a exigente massa associativa leonina. Mostrando que não só os ponta de lança marcam golos (ah, espera...). Já agora, dizem-me que o Matheus Nunes jogou qualquer coisita, mas ainda não consegui confirmá-lo nas minhas leituras habituais. Será que estão com a cabeça no lugar? Ah, e o Essugo estreou-se a titular aos 16 anos. Uma história natural para os jovens enquanto Amorim estiver ao leme. Das boas, não é Sir David? 

03
Mar22

Tudo ao molho e fé em Deus

Haja fé no Amorinismo!


Pedro Azevedo

Há fenómenos que por contrariarem as leis naturais que regem o cotidiano não se enquadram à luz dos conhecimentos existentes. Foi o caso do título nacional conquistado pelo Sporting em 2021, 19 anos depois do último campeonato ganho e 68 anos após o derradeiro triunfo em ano ímpar na principal competição nacional. Carecendo de explicação científica, estes fenómenos tendem a enquadrar-se no sobrenatural. Aparece assim a expressão milagre, geralmente associada pelos teístas a Deus. Acreditando que Deus teria ligeiramente mais do que se preocupar do que com o mundo do ludopédio, tal como no caso dos antigos gregos ou romanos a essa omnipotência divina ter-se-ia de atribuir um deus dessa religião pagã que atrai tantas fiéis em comunhão que se convencionou designar por Futebol. E assim aconteceu, sendo que para os Sportinguistas essa divindade ganhou o nome de Rúben Amorim, que se consagrou após ter vencido os fariseus das sinagogas da bola e interrompido a actividade dos vendilhões do templo na contratação de jogadores. Nasceu assim o Amorinismo. Expandindo-se por todo o mundo Sportinguista (e não só), o Amorinismo foi conquistando um sem número de fiéis, atraindo inclusivé os agora descrentes do profeta (Jorge) Jesus caído em desgraça e algumas testemunhas de Janelá, aquele que inspirava as "escrituras" (e o comportamento padrão em programas televisivos).

 

Não é que esta época a fé no Amorinismo esteja em crise, mas já há quem diga que o deus Amorim é afinal um homem como nós. Eu não creio que o seja. Todavia, é preciso não esconder que começou a caça a alguns dos seus profetas, nomeadamente ao Pedro (Gonçalves) e ao Matheus (Nunes). E se o primeiro desta vez passou incólume devido a ausência, o segundo voltou a ser contestado pela turba revoltada que inconscientemente alinha nesta carneirada orquestrada pelos Pep Rápidos da má língua do costume que não perdoam não terem sido capazes de o valorizar atempadamente. Quer dizer, o homem passou a primeira parte a evangelizar, estando no cerne das 3 melhores acções leoninas nesse período (em duas delas chegando lá após sprints de 50 metros), combinou com Porro e condicionou a acção dos portistas no nosso maior momento de celebração e comunhão, e é agora contestado desta forma apenas porque em inferioridade numérica clara nem sempre conseguiu passar a sua mensagem? Valha-nos Deus, ou valha-nos o deus Amorim! A mim, sinceramente, o que me preocupa são os 3 que vão à frente, que não deram uma para a caixa. Quer dizer, na verdade o Sarabia até deu uma, uma só(!), para a caixa, mas os outros foram uma completa nulidade. O mesmo se aplicando ao Edwards. E nenhum conjunto se aguenta homogéneo e articulado quando há quem não dê continuidade às suas acções e assim exponha o grupo à contestação. 

 

Há ainda que considerar os erros. Houve muito poucos erros na época passada. Mas esta temporada as distrações e acções irreflectidas têm sido mais do que muitas. Como aconteceu com o Esgaio nos Açores, o Nuno Santos na Madeira ou o Porro ontem à noite, por exemplo. É que ir importunar um tipo com nome de pregador evangélico (Evanilson) justamente quando este se afastava do centro da oração não lembra ao diabo, mas o Porro fê-lo. E levou troco, claro. Com direito a apito e tudo. O desacreditar e falta de confiança na palavra de deus Amorim que se lhe seguiu é que não foi bonito. Na incerteza de atacar com uma linha de quatro ou de três atrás, a mensagem não passou e o dia acabou sem glória. Ora, é dos livros que não pode haver Amorinismo sem glorificação do deus que o inspirou. Têm a palavra os seus profetas.

 

P.S. Uma vergonha o sucessivo lançamento de tochas para o relvado por parte de uma claque do Sporting, lesando o clube financeiramente, em termos de imagem e mesmo desportivamente por assim ajudar a quebrar ainda mais o ritmo do jogo. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sarabia marcou 1 golo mas não fez mais nada de relevante. Matheus, melhor do Sporting na primeira parte, e Porro, igualmebnte bem nesse período, caíram muito no segundo tempo. Neto salvou um golo certo mas não ajudou à saída de bola. Assim sendo, ninguém se mostrou à altura da menção. 

sportingporto15.jpg

01
Mar22

A Guerra


Pedro Azevedo

O pior que se pode fazer perante a infame invasão russa da Ucrânia é subestimar Putin e tratá-lo como um louco. Quer dizer, como tantos líderes na história mundial, Putin apresenta alguns sinais de sociopatia. E é frio, produto certamente do treino na ex-KGB, serviço secreto de segurança que transitou para o centralizador FSB. Mas tem também o sentido táctico de perceber o momento de entrar em acção, a determinação de o levar adiante e a paciência de esperar por esse momento, esta última também uma característica marcante nos chineses e no mundo oriental em geral. O mundo ocidental mudou muito nas últimas décadas. O tecido empresarial ainda mais, substituindo-se empresas de cariz familiar por outras com accionistas diversos sedentos de lucros e CEOs à procura de grandes compensações via bónus, tudo cavalgado em liberalistas ideias de auto-regulação. Este sentido de urgência do mundo ocidental contrasta muito com a visão oriental de longo prazo. E, em nome dessa urgência, muitos erros foram cometidos. Isso criou um problema, que se tentou solucionar com o keynesianismo. Temo, porém, que 13 anos de taxas de juro a zero tenham sido demais. O que gerou inflação, quiçá hiperinflação considerando o cabaz de compras do comum cidadão. O monstro saiu fora do controlo do criador. Que não pode tolerar mais subidas acentuadas no preço da energia, petróleo e gás natural, sob pena de tal matar a produção e estagnar a economia, podendo até trazer uma nova grande depressão. Pelo contrário, os russos beneficiarão pelo menos no curto-prazo, da subida dos preços da energia. (Surpreendidos? Afinal o que teria sido do keynesianismo sem a Segunda Grande Guerra? Não é verdade que o New Deal de Roosevelt ameaçava fracassar e o desemprego não baixara tanto quanto o previsto?) 

Perante este cenário, os russos sabiam que os americanos não iriam além de declarações de circunstância e avisos à navegação. Procurando dissuadir, sim, mas não escondendo fragilidades próprias de uma economia onde a inflação atingiu 7,5% em Janeiro, inflação essa que também ameaça a Europa a partir do momento em que a ortodoxia do Bundesbank - os alemães nunca esqueceram a impressão de marcos pos-Primeira Guerra que conduziu à hiperinflação, queda da República de Weimar e posterior emergência do nacional-socialismo hitleriano - no controlo da massa monetária em circulação (M3) foi substituída pela monetização da dívida pública do BCE. Pior, as taxas de juro a zero criaram a ilusão de riqueza em muitas famílias e alimentaram os mercados de capitais e o imobiliário. Levando também à proliferação das cripto-moedas, altamente especulativas mas também hoje em dia um instrumento de lavagem de dinheiro para quem pretenda contornar as regras de prevenção reforçadas neste século. E é neste contexto débil que Putin ataca e o mundo ocidental pouco mais faz do que sancionar os oligarcas. Teme-se por isso o pior: nova conquista russa. Não é que a preocupação com a integração na NATO de diversos países vizinhos e o cerco a que paulatinamente, desde a desagregação soviética. vêm sendo sujeitos não seja um argumento a ter em conta, mais até do que a propagandista apresentação da Ucrânia como nazi, algo que é falaciosamente retirado da arca da história onde Stepan Bandera e os seus numa primeira fase se juntaram aos nazis para tentarem vencer a histórica opressão soviética, tendo posteriormente voltado-se contra os próprios nazis (além de que a Putin serviu bem avançar com isso antes de que alguém o identificasse com o próprio Hitler ou o Holodomor estalinista). Simplesmente, em pleno século XXI, numa Europa supostamente civilizada, há milhares de pessoas a morrerem devido a uma guerra e muitos refugiados. Pouco depois de uma temível e ainda não totalmente explicada epidemia. E isso é inaceitável, tal como o é a invasão do espaço soberano de um país, salvo pouquíssimas excepções. Ainda mais na Europa, na velha Europa. Inevitavelmente, uma nova ordem mundial chegará, restando também saber se o mundo ocidental retirará algumas lições sobre as fragilidades que o trouxeram aqui. O que me leva a crer que para além de um urgente cessar-fogo na frente ucraniana precisamos de repensar todo o modelo capitalista onde assenta o mundo ocidental. Ou isso, ou seguramente ficaremos à beira do abismo. (Observadores atentos, os chineses aguardam pacientemente, cientes do peso do seu investimento na dívida pública americana.)

PS: Dado a gravidade do que vivemos, abro aqui uma excepção naquilo que pretende ser a exclusividade de temas que nos ligam ao Sporting. 

01
Mar22

Sob o signo do 10


Pedro Azevedo

O mundo do futebol anda louco. Primeiro acabou o "10", o "playmaker", depois deixou de se pedir ao ponta de lança que marcasse golos para passar a exigir-se-lhe que ligue o jogo como um 10, agora há quem lamente a má sorte  de ter de jogar contra 10. Se o 10 é uma especie em vias de extinção mais rara que o lince da Serra da Malcata e o ponta de lança perdeu a ponta... e a lança, o xico-espertismo de Sérgio Conceição ameaça ser a nova coqueluche do futebol mundial, o paradigma da modernidade e da sofisticação. Assim, sob o comando do Sérgio, "blue and white is the new black". A première será já amanhã, em Alvalade, onde se espera que o Porto entre com 10. Ou com 13, descontando já o aVARiado e o quarto auxiliar da passadeira azul e branca que se vai estendendo desde o início da época. Querem apostar? 

27
Fev22

Tudo ao molho e fé em Deus

Derrapagens


Pedro Azevedo

Caro Leitor, o Sporting começou a derrapar nos Açores. Uma derrapagem numa ilha pequena tem a vantagem de não poder ser muito longa e a desvantagem de a máquina poder facilmente acabar a meter água. Quis o destino que esta última hipótese prevalecesse, pelo menos por aquilo que se pode observar pela leitura da generalidade dos blogues leoninos, sempre transfigurados nestas ocasiões em sofás de psicanálise. E o que nos dizem esses consultórios que medem o pulso à sanidade mental dos pacientes Sportinguistas? Que o Pote este ano não marca os golos suficientes para disfarçar o deserto concretizador do goleador que custou o triplo do dinheiro. E que o Matheus Nunes se deixou endeusar pelas palavras do Pep Guardiola e só quer a bola para ele. Ora, como da nova derrapagem numa ilha desta feita o Pote escapou ileso, as atenções centraram-se no Menino do Rio. O que é curioso porque uma simples leitura das estatísticas da Liga mostra à evidência que o Matheus é o jogador dos 3 grandes que mais faltas sofre durante um jogo. E por larga margem. Faltas essas que lhe limitam a explosão, por serem cometidas precisamente no momento em que sai da zona de pressão (e não quando segura a bola à procura de uma linha de passe) e se prepara para embalar e assim potenciar a sua melhor característica (progressão com bola). Por muito menos o Benfica em tempos lançou a campanha "Deixam jogar o Mantorras", mas nós, que somos finos e gostamos de nos virar contra os nossos (os bons), beneficiamos o infractor, o fautor da falta útil, o culpado que quase sempre escapa à condenação. No fundo isso nem é Sportinguista, é português, está bem presente na cultura lusa de secreta admiração pelo truquezinho e pelos bons malandros, a vingança do povo contra os poderosos e privilegiados à nascença. Só que devem haver limites. É que não só o Matheus não é um saco de boxe como também não é ele que escolhe jogar a partir da esquerda (recebe a bola de frente para o jogo, mas perde aquele momento em que tira adversários do caminho quando recebe de costas na zona central e se vira com maestria). Ainda assim é sempre o primeiro a dar uma linha de passe ao portador de bola, a ligar o jogo. E, sinceramente, até gostaria que fosse mais egoísta, que assumisse mais o jogo, rematasse mais, fizesse prevalecer o seu nóvel estatuto. É que se o Matheus peca por algo não é pelo vedetismo mas sim por ainda alguma timidez que se nota em determinados momentos de um jogo. Assim sendo, podemos enfiar a cabeça na areia como a avestruz ou enfrentar a realidade. E a realidade diz-nos que só arranhámos o Marítimo a partir do momento em que o Edwards entrou. Ora, o inglês esteve cerca de 76 minutos fora das operações. Dividido entre o banco e o aquecimento. O aquecimento global dos Sportinguistas, entenda-se, desesperados que estivemos por uma solução que despertasse da letargia que se viu em campo, unicamente interrompida quando Porro imitou o Theriaga numa carambola às 3 tabelas que envolveu trave, poste e linha de golo. Porque até aí cumprimos brilhantemente com o manual do futebol sem balizas. O Paulinho baixou como sempre (a sua cotação, que não o preço) no terreno e interagiu muito bem com o resto da equipa. E o Nuno Santos fez centros rasos e certeiros para os pés dos jogadores insulares. Neste estado de coisas só o Coates nos poderia ter salvo. Mas a estrelinha parece ter abandonado o uruguaio e uns centímetros a mais para cima e para a direita não deixaram que fosse o habitual salvador. Enfim, do mal o menos, o Slimani fez um golo. Parecendo que não, antigamente tal era visto como positivo, lendo-se o antigamente como uma época da nossa história em que a um ponta de lança eram pedidos golos, como por exemplo em 1952, a última vez que fomos bicampeões. Rezam os livros que gostámos tanto que estendemos o momento até ao tetracampeonato. [Ora bem, esta teve profundidade(!), exactamente o que falta ao nosso futebol. Pensem nisso! (Ou não, que hoje até é dia de descanso...)]

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Reis

rubenamorim45.jpg

21
Fev22

Tudo ao molho e fé em Deus

A 18ª regra


Pedro Azevedo

Segundo o International Board, um jogo de futebol tem só dezassete regras. Soa a pouco. Assim sobra muito espaço para as recomendações. Como a da Lei da Vantagem, que o Malheiro tanto desprezou em Alvalade. Não sendo tal ainda suficiente, há então margem para a criatividade. Pululam assim coisas que não são regras mas se praticam em estádios por todo o país. Como a Lei do Mais Forte, que o Luís Godinho mostrou venerar em Moreira de Cónegos ao preferir ver o que não foi nítido e assim poder deixar de vêr o penálti e expulsão (segundo amarelo) a Uribe que se impunham, expulsão essa que mesmo assumindo o penálti já iria aliás perdoar. Essa lei não consta em nenhum manual oficial. Mas acaba por implicitamente se constituir como a 18ª regra do manual de regras do futebol português, o "Pinto da Costa (A)Board" sobre um jogo de futebol. "All aboard? The night train"... (E tudo começou na noite daquele acidental choque do Godinho contra o combóio em movimento que se chamava Danilo.)

 

Na antecâmara do jogo, o Rúben Amorim abraçou efusivamente o Bruno Pinheiro do Estoril. Por momentos, temi que o venerasse tanto quanto ao Guardiola. Mas não, e o Sporting embalou para uma exibição competente e personalizada. Com boas movimentações e trocas de bolas, o Sporting foi-se envolvendo na área onde o Estoril tinha o autocarro estacionado. E o golo finalmente surgiu, com o Pote a aproveitar o facto de o referido autocarro estar mal travado. E depois houve ainda o alegórico Momento Zidane, de passagem de testemunho no casino que também é o futebol, em que o ex-estorilista Matheus Nunes deu à roleta à frente de um croupier Geraldes que muito prometeu dar cartas no passado mas agora precisa que o levantem do chão como no título do livro do Saramago. 

 

O segundo tempo trouxe-nos a expulsão de Raúl Silva e a confirmação de Slimani. Bem sei que esta coisa de um jogador primeiro tocar na bola e depois isso servir de álibi para poder pôr o seu próximo a fazer tijolo no Cemitério dos Prazeres deve ser um caso muito interessante do ponto de vista de um advogado de defesa, mas o bom senso diz-me que, tal como no caso do Bragança, o jogador foi bem expulso. Quanto ao Slimani, para quem dizia que o homem estava velho, corcunda e já nem corria, aquele sprint de costa a costa, com a bola colada ao pé, deve ter emudecido muito boa gente. Além disso, combinou bem com o resto da equipa, participando na elaboração dos segundo e terceiro golos. Só lhe faltou o golo, mas isso ficará certamente para uma próxima oportunidade. Com um homem a mais, o Sporting dominou ainda mais o jogo. E marcou belos golos, o segundo depois de um toque de magia de Paulinho que isolou Matheus Reis, o terceiro num momento de inspiração de Pablo Sarabia.  

 

Temo que este campeonato se vá definir nos detalhes. O detalhe do penálti marcado a Matheus Reis contra o Braga, o detalhe do penálti e expulsão (a Uribe) perdoados ontem em Moreira (e ainda houve uma mão suspeita de Mbemba), já para não falar no detalhe do golo anulado ao Estoril contra o Porto que nem visionamento do detalhista VAR teve (por ter sido imediatamente anulado pelo árbitro). São já muitos detalhes (pouco ou nada nítidos, daqueles que não caberia ao VAR julgar) a depender dos mesmos, pelo que se calhar os mesmos poder-se-iam entregar a actividades que requeressem esse tipo de rigor, como ourivesaria ou mesmo rendas de bilros. Uma coisa é certa, o futebol ficaria mais rico. (E sempre seriam boas alternativas à consultoria informática, que a vida não é só ciberinsegurança ou empresas alegadamente "cibermulas" do dinheiro.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Reis

matheusreis7.jpg

16
Fev22

Tudo ao molho e fé em Deus

Pep Rápido e o caloiro


Pedro Azevedo

Por Toutatis, mais do que o céu lhe cair um dia em cima da cabeça, o que o nosso chefe Amorinix mais teme é a alteração das rotinas. Nesse sentido, um jogo da Champions no nosso estádio vem sempre a calhar, na medida em que não há competição que ofereça tanto a possibilidade de manter tudo igual, desde o intemporal hino do Handel que precede a abertura das hostilidades até à "manita" que com uma infalibilidade igual à da DHL sistematicamente nos entregam em casa no fim do jogo. Ainda assim, subsiste o sucesso de já termos umas rotinas. Sistematizadas. Agora só precisamos de saber quando as utilizar... (Nem os irredutíveis gauleses alguma vez venceriam os romanos sem uma poção mágica.)

 

O problema emerge quando os adversários na Champions partilham do mesmo gosto de Amorinix pelas rotinas. E então é vê-los a asfixiar os nossos jogadores, não lhes dando o tempo e o espaço que sobejam no campeonato português. O que nos traz a lição de que as nossas rotinas dependem sempre das rotinas dos outros. Porque não jogamos sozinhos, por muito que no principal torneio tuga haja jogos em que parece que defrontamos uns bidões. Nada tenho contra bidões, diga-se, até porque eles geralmente comportam-se na justa medida, só que tendem a ser pouco comunicativos, empáticos e não se mexem sem ser por influência de uma mão (livra, outra vez!) externa. Ora, da influência de mãos (apre!) externas estão os Sportinguistas precavidos há muitos anos, bastando consultar a literatura e áudio que pululam por aí, pelo que se torna ainda mais importante o cabal desempenho dentro do campo. Nesse sentido eu entendo o Amorinix: se é para viver uma vida inteira de joelhos, então mais vale "morrer" logo de pé, procurando agilizar os processos contra os melhores do mundo. Perdendo, sim, mas tentando jogar como gente grande, sem complexos nem cadeados ou fechaduras das Chaves do Areeiro. Crescendo a cada jogo. A questão é que quando durante 90 minutos não se faz um remate enquadrado à baliza fica-se com a sensação que a única coisa que cresceu foi o campo, demasiado comprido para o poder dos nossos. E isso significa perder sem glória, o que não pode ser considerado uma boa rotina. 

 

No fim do jogo o Guardiola, que há quem diga que percebe alguma coisa de bola, transmitiu aos repórteres presentes que o Matheus Nunes era um dos melhores jogadores do mundo da actualidade. Pois eu ainda sou do tempo em que o Keizer, o Tiago e o Leonel o ignoravam e o Silas nos dizia que o Menino do Rio estava a bater à porta da equipa principal. Ao que consta a coisa durou ainda alguns meses (15, ao todo) e a porta nunca se abriu. Até que chegou o chefe Amorinix e escancarou-lhe as portas. Tal como a outros jovens. Ora, isso para mim é que foi uma bela rotina inaugurada aí. E nunca me esqueço disso nos dias cinzentos. Disso e do resto, dos troféus conquistados. Por isso, errando ou não, a rotina que eu mais quero ver implementada é a do Rúben Amorim se deslocar diariamente a Alcochete. Para o treino, o jogo a jogo. Ano após ano. Forever! (Ou até ele querer mudar as suas rotinas... rodoviárias.)

 

P.S. Aqueles observadores credenciados das Forças de Paz da ONU, que trocaram o capacete pelo colete azul, já apresentaram às autoridades um relatório pormenorizado sobre as ocorrências de sexta-feira no Dragão? É para hoje ou vai colado a cuspo?

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes

sportingcity11.jpg

Oh para ele a passar pelo De Bruyne...

16
Fev22

Reflexão sobre o jogo de ontem


Pedro Azevedo

O Sporting tem inegavelmente bons executantes técnicos. Nesse sentido, jogadores como Porro, Gonçalo Inácio, Matheus Reis, Matheus Nunes, Pote, Paulinho e Sarabia não envergonham ninguém. O problema é quando essa qualidade técnica é testada numa outra dimensão galáctica onde o tempo e o espaço são bem menores. Aí, francamente, só Porro e Matheus Nunes conseguem conjugar a capacidade técnica com a protecção de bola e a velocidade de execução que é requerida. Isso ficou bem patente na recepção desta noite ao Manchester City, uma equipa de pirilampos que se acendem e se apagam (mas continuam lá, ainda que perigosamente não os vejam) de tal forma que convidam o adversário a uma espécie de caça aos gambuzinos. Adicionalmente, contra uma equipa como a treinada por Pep Guardiola, que se reagrupa e te cerca rapidamente, talvez faça pouco sentido apostar as fichas num ponta de lança que baixa demasiadamente no terreno para organizar jogo. Mais importante seria procurar explorar o espaço existente nas costas de uma defesa sempre muito subida, solução que aconselharia a lançar Islam Slimani. Tal incomodaria mais o City, que teria que se esticar mais como um harmónio e deixaria um espaço entre-linhas que de outro modo raramente se viu num jogo em que os do norte de Inglaterra pareceram sempre demasiado confortáveis no relvado. Também Bragança poderia ter ido a jogo como falso interior esquerdo, dando uma mãozinha a Palhinha e Matheus Nunes na contenção necessária a meio-campo e ajudando a controlar mais a posse de bola, adaptando este Sporting a uma realidade europeia onde as equipas têm o miolo central mais composto. A solução de Esgaio como ala esquerdo foi muito limitativa do ponto de vista ofensivo e provavelmente destinar-se-ia à utilização de um pé direito que desse um melhor acompanhamento aos movimentos interiores de um Cancelo que jogou... no flanco oposto. Por outro lado, à semelhança do já anteriormente visto contra o Ajax, a nossa pressão alta revelou-se ineficaz e expôs demasiadamente os dois jogadores centrais do meio-campo, deixando imenso espaço entre-linhas para o City explorar e os nossos médios preencher. E depois houve a questão dos erros individuais: no golo inaugural, Matheus Reis primeiro, Gonçalo Inácio depois põem em jogo o jogador do City com bola; no segundo golo, Matheus Reis desequilibra-se e dá espaço a Bernardo Silva; no terceiro, três jogadores na linha da bola (Esgaio, Matheus Reis e Coates) deixam-na passar num número semi-cómico que envolveu uma "cueca", uma escorregadela (será que um defesa como Matheus Reis joga com pitons de borracha?) e um ressalto infeliz; no quarto, Sterling foge no limite do fora de jogo, mas recebe um passe de Cancelo executado sem qualquer pressão de jogadores leoninos sobre a bola (erro colectivo); mesmo o excelente quinto golo nasce de um mau passe inicial de Adán. Assim, foi fácil para o City contruir uma goleada. Demasiado fácil. 

 

Rúben falou, e bem, da sua fé na evolução futura da equipa, mas a margem de progressão está limitada por um nível de competitividade do futebol português muito baixo. A intensidade dos jogos é pequena e o ritmo de jogo está constantemente a ser prejudicado por diversas paragens onde jogadores de diversas equipas (Sporting incluído) aproveitam para recriar a intensidade dramática das peças de Shakespeare, tudo isto concorrendo para que a nossa Liga seja apenas a 25ª europeia em tempo útil de jogo. Assim não temos hipóteses na Europa. O formato das nossas competições internas deveria ser urgentemente revisto e adaptado à nossa realidade e necessidades. Volto por isso a insistir num campeonato a 12, com play-off (6 primeiros) e play-out (6 últimos), jogado em "poule", que teria 32 jogos (apenas menos 2 que no formato actual) certamente bem mais interessantes e geradores de receitas. Mas nisso Amorim não tem qualquer culpa. Milagres já ele fez, como a conquista do campeonato na época transacta e os outros 3 troféus ganhos bem o demonstram. O que não quer dizer que esteja isento de erros, apenas indica, isso sim, que muito provavelmente cometerá menos erros que os seus colegas de ofício em Portugal. Nada porém que nos deva incomodar em demasia, desde logo porque sem erro não há crescimento, e Rúben, como homem inteligente que é, saberá evoluir para um outro patamar. Assim o Sporting continue a ter este tipo de experiências europeias, de preferência esbatendo cada vez mais a desproporção de forças dentro do terreno de jogo. (Já agora, sendo a competitividade do nosso campeonato baixa, talvez não fosse má ideia impôr que os nossos jogadores não relaxassem após uma vantagem de por exemplo dois golos e fossem à procura de mais, mentalidade bem patente em equipas como o Manchester City, Bayern, Liverpool ou Ajax, esta última pertencente a um campeonato que não se pode dizer que tenha jogos intensos ou tacticamente muito elaborados, mas onde a procura do golo por parte de qualquer equipa é incessante.)

13
Fev22

Tudo ao molho e fé em Deus

No Reino dos Visigodos


Pedro Azevedo

Os grandes jogos de futebol lusos são também importantes lições de história, um pretexto para melhor se ficar a conhecer a evolução das comunidades humanas no território que hoje se denomina Portugal. Assim, enquanto a influência romana em Portugal pode ser observada pelo latim que se gasta após os jogos, o legado das invasões bárbaras é continuamente renovado a cada clássico no Dragão. Nesse particular, o líder visigodo, Pinto da Costa (e o engenheiro "visigordo" que é seu lugar-tenente), mostra o quão teme os "mouros", especialmente os que vêm de Lisboa, recorrendo por isso frequentemente a ancestrais tácticas de guerrilha que tanto podem envolver a utilização de reagentes anti-sépticos como de agentes da (des)ordem. Tudo em vão, porque, se a história nos ensina algo, ainda vai acabar a andar à nora... (Já a influência castelhana neste território ficou registada com os olés com que cada Sportinguista em casa mentalmente acompanhou a genial jogada do nosso segundo golo.)

 

Continuando a percorrer a história de Portugal, estes jogos trazem sempre à liça as memórias intemporais dos bárbaros Fernando Couto, Paulinho Santos, Jorge Costa ou Secretário, todos eles anos a fio a gozarem (com a alegada excepção do Secretário) connosco. Era um tempo em que os homens voavam sob a influência dos pitons dos visigodos portistas. Voavam, e por voar acabavam expulsos como o beato Ouattara ou o santo Juskowiak, ambos mártires da Areosa. Mas estava tudo bem, com mais ou menos quinhentinhos, fruta ou chocolate, que de apitos ainda não se conhecia o dourado. A coisa julgava-se já ultrapassada, mas eis senão quando regressou em força na última sexta-feira. Porém, se é verdade que a história frequentemente se repete, não deixa também de ser verídico que sempre adquire cambiantes diferentes. Assim, tanto foi possível observarem-se reminiscências de um outro tempo, do tipo do Matheus Nunes voar após cada nova entrada insuficientemente admoestada pelas costas, como nuances modernaças em que quem voa é o prevaricador - no caso um (A)ladino iraniano que para o efeito deve ter um daqueles tapetes persas das mil e uma noites - e "quem se lixa é o mexilhão" (o importado e importante Coates). Tudo sob o olhar inegavelmente assustado de um Pinheiro, mansinho para os portistas e bravo para os Sportinguistas, provavelmente desejoso de sair dali sem que lhe dessem na pinha. (Ainda assim, a vantagem de ser Pinheiro é que se cria raizes, outros como o Pratas até corriam na hora em que os visigodos levantavam o sobrolho na sua direcção.)

 

No final roubaram-nos: subjectivamente, dois pontos; objectivamente, uma carteira e um telemóvel. Não sei como há quem defenda isto (para além obviamente do Baía, que tem de fazer pela vida e afinal até era guarda-redes), mas há tradições que são difíceis de erradicar. Todavia, que me desculpe o PAN: tourada por tourada, eu prefiro a de Barrancos, que é nossa e não produto da cultura latino-americana. (E quem lidera toma o touro pelos cornos.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes

 

P.S. Ah, e os dois golos que ainda assim conseguimos marcar no Dragão foram tirados a papel químico: variação súbita do centro de jogo (da direita para a esquerda e o seu contrário), bola para o meio e golo. À semelhança de tentos obtidos de igual forma na época passada. Isto também é laboratório.

nunosantos7.jpg

10
Fev22

He-Man ou Sli-Man(i)?


Pedro Azevedo

O jornal A Bola diz que Fábio Vieira tem "hímen nos seus pés", algo que assumido literalmente constituirá um inesquecível fenómeno de género que certamente irá ser aprofundado tendo em vista uma melhor ilustração das nóveis aulas de Cidadania. Mas poderá ser também uma notável figura de estilo, que nos revela o quão a bola deve ser tratada com carinho, afagada mesmo, desde o impacto da sua recepção até ao momento em que sai (na ponta) do... pé. Neste sentido, outras metáforas homófonas poderiam ter sido esboçadas à volta do pé do Fábio, por exemplo envolvendo o íman (ou ímã) ou mesmo o He-Man. Esta última seria certamente a mais prazerosa para os portistas, que decerto não enjeitariam ver o alter-ego do Príncipe Adam (Adán, em espanhol) subjugado nos pés ou, mais propriamente, aos pés de Fábio Vieira. Mas, atenção(!), de Alvalade para além do He-Man vem também o guerreiro Sli-Man(i). É que seis golos em oito jogos com os portistas devem ser um suficiente cartão de visita para augurar ir dar água pela barba (o do hímen fica automaticamente livre disso) aos comandados de Sérgio Conceição. Ou não?

he-man2.jpg

slimani.jpg

07
Fev22

Tudo ao molho e fé em Deus

A metafísica do penálti


Pedro Azevedo

A história dizia-nos não ser fácil para o Sporting jogar contra o Famalição. Disse bem, F-a-m-a-l-i-ç-ã-o, ou Fama Lição, que para os jogadores minhotos cada jogo com um grande é uma montra para a fama, para o mercado (uma equipa de um mercador é naturalmente um amontoado de jogadores com os olhos postos no mercado), momento ideal escolhido para vestirem o melhor fato de gala e exibirem dentro do campo tudo o que aprenderam e não mostraram sempre que o palco foi menor ou despertou menos curiosidade mediática. Sabendo-se de antemão que nunca havíamos vencido o Famalicão para o campeonato (em cinco jogos) desde que este regressou das profundezas das divisões inferiores, os Sportinguistas já estavam precavidos para as lições futebolísticas que mais uma vez poderiam advir desta partida. Ninguém porém poderia esperar que desta vez a lição se fosse centrar sobre a metafísica do penálti e englobasse como protagonistas os numerosos comentadeiros de serviço das diversas televisões, todos eles procurando descrever os fundamentos, as leis, as recomendações, as causas ou princípios e o sentido e finalidade de realidade inerentes à marcação de uma grande penalidade. Surpreendentemente, a coisa acabou por ser um jogo dentro do próprio jogo, estendendo-se até para além do jogo, isto é, o jogo já há muito havia terminado quando a metafísica (ou meta fisica, para alguns) do penálti tomou conta do cenário central de abordagem ao próprio jogo. Deve dizer-se que a discussão teve a sua graça e permitiu-me dar algumas bem audíveis gargalhadas. Uma delas soltei quando um senhor da SportTV garantiu que o Porro havia caído em cima da perna de um jogador famalicense, razão substantiva, na sua opinião, para a marcação de um castigo máximo. Ora, eu não vi nada disso. O que eu vi foi o Porro imitar o Cavaleiro Negro do "Em Busca do Cálice Sagrado" (Monty Python), e já sem braços e pernas tentar, primeiro com a cabeça, depois só com as orelhinhas, incomodar o jogador minhoto como se do Artur de Camelot este se tratasse. E não preciso da metafísica, bastam-me os conhecimentos básicos sobre a física e em particular sobre a dinâmica do movimento, para entender que se alguém me cair sobre uma perna eu fico logo ali, com operação garantida à tíbia e perónio e fisioterapia durante meses, não dou nem mais um passo com o pé firme no chão (se a meia do jogador famalicense fosse branca ainda se poderia alegar no sentido da penalidade o "pé de gesso", mas sendo azul...). Outro momento hilariante foi o do penálti do Paulinho. Quer dizer, um jogador famalicense atrasa mal a bola e ao ver que Paulinho se vai aproveitar desse deslize procura emendar o erro através de um carrinho. A sua perna esquerda é consequente nesse acto e chega primeiro à bola enquanto o Paulinho esboça um movimento teatral ao ir de encontro às pernas do adversário. Até aí nada indiciara a existência de uma falta. Só que a perna direita do defensor desliza na relva e acaba por acertar no calcanhar do avançado do Sporting. Penálti nítido, sem sombra de dúvida, independentemente do La Féria ter no Paulinho um elemento em conta para incluir a trupe do Politeama. Penálti cá, penálti lá, a inquisição espanhola voltou a fazer toda a diferença: Sarabia castigou lá, Adán defendeu o castigo cá. E o Sporting foi para o intervalo na frente do marcador.

 

No segundo tempo os minhotos continuaram a mostrar um bom futebol, nomeadamente através de variações constantes do centro de jogo que muito atrapalharam as marcações do meio-campo leonino. Isso, somado à boa técnica de vários dos seus jogadores, foi criando inúmeros problemas aos leões, que muito devem agradecer o resultado à má definição do último passe/remate por parte dos famalicenses e ao monumental golo (o seu primeiro de verde-e-branco) de Matheus Reis que acalmou um pouco as nossas hostes. Enquanto isso, o Sporting procurava ter bola, única forma de esconder uma menor intensidade resultante do facto de 5 dos 11 jogadores em campo estarem à bica de falhar o jogo com o Porto. A fava acabaria por tocar a Porro, confirmado como o Cavaleiro Negro da noite de Alvalade, que assim estará ausente do Jogo do Título. Uma baixa muito importante para nós num jogo que vai pedir muita garra, disponibilidade física e vontade de vencer a cada um dos nossos jogadores. Bom, mas isso é só para a semana que vem. Para já "matámos" o borrego, seguir-se-á o Dragão. Jogo a jogo. E com Slimani como nóvel cavaleiro candidato a São Jorge (e Edwards como opção a ter em conta). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Antonio Adán

porro fama.jpg

(Imagem: A Bola)

01
Fev22

A ginga na cabine telefónica e o regresso do filho pródigo


Pedro Azevedo

Ao Sporting chegou ontem Marcus Edwards, futebolista inglês que actuava no Vitória Sport Clube. Com esta aquisição o Sporting ganha um jogador que desequilibra no 1x1, uma lacuna existente no plantel desde que Raphinha foi vendido aos franceses do Rennes. Bem sei, alguns poderão argumentar que Jovane, de quem eu muito gosto, agora cedido com cláusula de opção aos romanos da Lazio, era esse jogador, mas o cabo-verdiano reunia outras características, mais talvez próprias de um segundo ponta de lança (o Samuel Lino, do Gil Vicente, será o jogador que mais se lhe assemelha), sendo igualmente veloz e com golo mas não possuindo uma finta tão curta e desconcertante quanto a do ex-vimaranense (apesar de sempre ter tido o mérito de ousar ir para cima do seu defensor directo). Além disso, teve sucessivas lesões musculares, o que o impediu de ganhar o ritmo certo que lhe permitisse atingir o patamar que, na minha opinião, as suas qualidades pressagiavam.

 

Edwards tem indiscutivelmente pormenores de craque, aliás bem patentes na forma como progride em velocidade com a bola "colada" ao pé. Adicionalmente, demonstra critério no timing de passe e sabe explorar e solicitar os espaços entre-linhas, seja neles penetrando através do drible ou de tabelinhas curtas com quem já lá esteja. Aliás, a sua ginga permite-lhe tirar com facilidade 1 ou 2 adversários da frente no espaço de uma cabine telefónica, o que se fortemente recomenda contra equipas que estacionem o autocarro. Estas características contrastam com a qualidade de passe (Sarabia), de entendimento do jogo (Paulinho) ou de remate (Pote) dos outros avançados do Sporting, sendo por isso de uma complementariedade indiscutível para o plantel. Deve, porém, melhorar o seu envolvimento defensivo, não sendo crível que Amorim venha a apostar muito nele se não o fizer, pelo que, não suprindo essa lacuna, estar-lhe-ão reservados os momentos finais de jogos já antecipadamente resolvidos a nosso favor ou que necessitem de que "toda a carne seja posta no assador". O bom é que terá tempo para se adaptar, havendo Pote, Sarabia, Nuno Santos e Tabata como opções para o combate ao título de 2021/22. Porém, caso suba os seus níveis de competitividade, quem sabe se o Sporting não terá aqui o joker para o ataque ao título...

 

Regresso festejado é o de Islam Slimani, que um dia se despediu em lágrimas do público de Alvalade após ter contribuído decisivamente para uma vitória num Clássico e agora volta ao nosso convívio para presumivelmente trazer-nos mais sorrisos nos lábios. Para já o Sporting ganha uma solução alternativa a Paulinho através de um jogador diferente, bastante melhor na grande área e igualmente com algum associativismo (como agora se diz em futebolês). Tecnicamente não é tão bom quanto Paulinho, porém também desce no terreno e dá apoios verticais. Todavia, dele não será provavelmente de esperar que arredonde tanto o jogo como Paulinho faz, mas sim que procure a profundidade. Enquanto Paulinho se destaca pela inteligente leitura de jogo e algumas características mais próprias de um armador, Slimani é um avançado móvel que desgasta os defesas com as suas correrias em toda a frente de ataque e depois consegue ainda estar na área no momento da finalização. Nesse detalhe é bem mais frio do que Paulinho, tem o tal "killer instinct" que lhe permite escolher o posicionamento perfeito e não treme na hora de rematar, destacando-se aqui o seu superior jogo de cabeça. Para terminar esta breve análise, estando Slimani em jogo, provavelmente Amorim pedirá a Pote para recuar e daí organizar o jogo, missão actualmente conferida a Paulinho, este último uma espécie de Firmino do Klopp no sistema de Rúben (ao Slimani estará reservado o papel de "moto").

 

Sejam bem-vindos ambos e que nos reiterem as alegrias vividas na época passada e também já nesta temporada (conquistas da Supertaça e da Taça da Liga)!

sli e edwards.jpg

30
Jan22

Tudo ao molho e fé em Deus

Ninguém espera a inquisição espanhola


Pedro Azevedo

Dá-me imenso gozo ouvir e ler aquelas pessoas que analisam um jogo de futebol pelo seu resultado. São pessoas pragmáticas, tanto que se pudessem resumir a vida de alguém provavelmente remeteriam logo para a notícia da sua morte. Exceptuando o facto de não se recomendarem para elogios fúnebres, não aquecem nem arrefecem, não trazem grande mal ao mundo. O problema surge quando algumas dessas análises necessitam de ser feitas em tempo real, isto é, à medida que um jogo decorre. É o caso dos comentários televisivos em directo. Então ocorrem cenas hilariantes como a patética tentativa de explicar por que razão determinado clube ganhou vantagem no marcador apesar de nada de relevante ter feito para tal. Entramos então no reino da metafísica e, porque não dizê-lo, da banha da cobra e do charlatanismo quando essa necessidade de explicar o acaso ou sorte acaba por desvendar mirabolantes teorias que são impingidas ao pobre do telespectador. Ocorre então que em casa o telespectador é convocado para ver no ancião Vertonghen um potencial ganhador do prémio Best da FIFA ou no Morato o novo Beckenbauer. Sem esquecer o João Mário, patinho feio no Sporting e renascido (e principescamente pago) cisne no rival. Quer dizer, uma pessoa consciente apercebe-se da falácia em que está a incorrer, mas a necessidade de explicar as coisas pelo seu resultado pode levar muitos a entrar num torpor que os conduza a compartilhar estas heresias. Para grandes males, grandes remédios, e nada nem ninguém combate tão bem heresias como a inquisição espanhola. Ninguém a espera (como diriam os Monty Python), em particular os tais analistas, mas pode ser extremamente letal quando no relvado junta os inquisidores Pedro Porro e Pablo Sarabia (e Antonio Adán). Em consequência, os analistas a esta hora dedicam-se a acrobáticos números de contorcionismo televisivo. E o telespectador vê tudo mais nítido, como se lhe tivessem retirado as cataratas (analíticas). Cristalino, cristalino. (Só deu Sporting.) 

 

... Vingada uma espinha antiga atravessada na garganta de todos os Sportinguistas, é justo que doravante a Taça Lucílio Baptista se passe a designar por Taça Ruben Amorim. É de magia que falamos, ou não tivesse o homem completado um "hat-trick". Numa competição curiosamente patrocinada pela Allianz, ele é o nosso verdadeiro seguro de vida. 

 

Tenor "Tudo ao molho": Matheus Nunes, Pedro Porro e Pablo Sarabia (ex-aequo)

sporting.jpg

28
Jan22

Bring on the dancing horses


Pedro Azevedo

Estava a ouvir o Disorder dos Joy Division e ocorreu-me pensar na entropia que vem bloqueando o jogo do Sporting que outrora parecia música tocado de ouvido, com as suas rotinas de pressão alta, recuperação de bola e imediata procura da profundidade (o espaço nas costas dos defesas opositores). Não sei se isso terá a ver com a inclusão de Paulinho no onze, o que é certo é que as suas descidas sucessivas no terreno tornaram o nosso jogo mais posicional, mais redondo, bonito até, mas porventura menos eficaz. Uma consequência directa disso foi Pedro Gonçalves ter reduzido o seu horário de trabalho de tempo integral para uma prestação de serviços num regime de "part-time" em zonas próximas da grande área dos adversários, deixando de procurar os espaços mais recuados por onde iniciava combinações rápidas e incisivas com os atacantes que invariavelmente terminavam com ele próprio, vindo de trás e assim iludindo as marcações, a finalizar no aproveitamento de tabelinhas ou segundas bolas. Também as intermitentes chamadas de Daniel Bragança à equipa parecem demonstrar as dúvidas de Mister Amorim sobre o melhor modelo de jogo. Este parece assim em transição, algures entre o "heavy metal" tão do garbo de um Klopp e a balada entorpecedora (do adversário) de um Guardiola. Só que esse meio-caminho precisa urgentemente de ser resolvido no sentido de ter um destino, até para que não fiquemos a meio-caminho de coisa nenhuma (numa encruzilhada). De preferência já na final da Taça da Liga. Cá para mim a coisa resolvia-se assim: Bring on the dancing horses (Matheus Nunes e Pedro Porro) para quebrarmos uma e outra vez as linhas do Benfica. Quem sabe no Sábado, dia de aniversário de quem articula estas linhas, o Amorim faz Echo (ou não) disto e me/nos oferece um belo presente... (Se tiver de arriscar um Homem do Jogo vou para o regressado Porro.)

matheus e porro.jpg

27
Jan22

Tudo ao molho e fé em Deus

Flying Circus


Pedro Azevedo

Sem Coates, voltou a ser um central sul-americano a fazer o papel de Paulinho. Chama-se Villanueva, um venezuelano provavelmente mais habilitado a defender a sua baliza a sete Chavez, e até agora ainda não tinha mostrado dotes goleadores especialmente relevantes. Mas desta feita fez um golo com um disparo indefensável efectuado a 1 metro da baliza, marca de onde Paulinho mais tarde miraculosamente despachou para canto um golo cantado. Tudo está bem quando acaba bem, mesmo que o guião do jogo se tenha assemelhado ao de um filme dos Monty Python. (Pensando bem, nem o John Cleese se lembraria de uma coisa assim.)

Paulinhosantaclara.jpg

24
Jan22

Chuta Matheus, chuta


Pedro Azevedo

Matheus Nunes tem tido uma progressão assombrosa desde que chegou a Alvalade. Hoje já não é só aquele Mustang que se mostra indomável quando existe espaço livre por onde cavalgar, tem outras armas para contornar os autocarros que se dispõem à sua frente. Uma dessas armas é o passe de ruptura, característica que apenas se tornou notória esta temporada, demonstrando a evolução do seu jogo. Fica porém a faltar algo que poderá vir a fazer toda a diferença. É que Matheus continua a revelar timidez na hora do remate e mesmo quando em boa posição, à entrada da área, continua a privilegiar endereçar a bola a um companheiro. Terá, por isso, que assumir um pouco mais para si as decisões, o que poderá catapultar o seu jogo para um patamar superior. Como sempre aqui disse, atendendo ao que cresceu tacticamente com Amorim e às suas inatas qualidades técnicas e físicas, o seu único limite será o mental. Possa ele expandi-lo e teremos um jogador singular no panorama mundial. 

23
Jan22

Tudo ao molho e fé em Deus

O Pinheiro do Paulo Sérgio


Pedro Azevedo

Nos jogos do Sporting há regras específicas para a marcação de grandes penalidades. Pegando no adágio popular que diz que um é pouco, dois é bom e três é demais, se um jogador der duas cambalhotas após um ligeiro encosto então os senhores do apito marcarão o castigo máximo. Foi o que aconteceu ontem com Galeno. Todavia, se um futebolista ousar triplicar o número de reboladelas no chão, como aliás o Paulinho amiúde faz, então o árbitro será tentado a deixar seguir. Quer dizer, a vontade de dissimular é igual, em ambos os casos os jogadores teatralizando a morte iminente na esperança de que o padre de serviço avance com a extrema unção, mas o resultado final marcará toda a diferença. Nem que para tal tudo tenha de ser ungido com a benção e alto magistério do VAR de plantão, claro, ou não tivesse já há muitos anos o Paulo Sérgio diagnosticado correctamente o nosso problema: falta-nos um Pinheiro, é o que é, ontem como hoje. Especialmente um daqueles que não seja manso, como tal originário de um certo velho mundo, de casca grossa e raízes profundas e tentaculares. Tudo o resto, não sendo de todo negligenciável, é uma treta. Como a questão dos erros individuais ou a do... ponta de lança. (Pensando bem, ganhar assim seria, isso sim, uma grandíssima treta.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes 

braga.jpg

23
Jan22

Diagnóstico e soluções


Pedro Azevedo

Uma época não se define apenas por um ou outro pormenor, há um conjunto vasto de situações que pode levar ao sucesso ou ao fracasso. Por exemplo, desta época para a anterior resulta que houve um acréscimo de jogos. Bem sei, o plantel foi estrategicamente definido como curto para que os jovens pudessem aparecer (embora me pareça que não há qualidade semelhante à de Matheus, Inácio ou Nuno Mendes pronta para entrar, o que acaba por enfraquecer as opções da equipa principal), todavia foi precisamente num momento de densidade competitiva menor - a Champions só retornará em Fevereiro - que o Sporting começou a baquear. Será isso atribuível ao cansaço? Ou, tal não poderá estar relacionado com uma menor concentração da parte de alguns jogadores? A parecer justificar esta tese, os erros individuais de Esgaio e Inácio estiveram na origem das duas derrotas registadas já neste ano civil. Quem diz falta de concentração pode dizer nervosismo - é que o muito tempo passado em co-liderança com o Porto, sem nunca conseguirmos ficar isolados, também pode ter provocado alguma erosão psicológica. Outra questão que saltará à vista é a do ponta de lança. O Paulinho é, sem dúvida, um jogador que trabalha muito e ajuda a ligar o jogo da equipa, mas marca poucos golos. E a verdade é que, em jeito de balanço após 19 jornadas, o Sporting leva menos 4 golos marcados do que na época anterior. Ainda assim, dada a segurança defensiva, a equipa foi-se aguentando na frente, mas 7 golos consentidos nos últimos 4 jogos do campeonato acabaram por produzir os efeitos nefastos que estamos a observar. Como alternativas, Pedro Marques foi emprestado e não joga no Famalicão (que contratou um jogador cotado na Ligue 1, o Banza) e TT não parece contar para Amorim como ponta de lança, pelo menos a observar por não ter saído do banco nas duas derrotas observadas neste mês de Janeiro. Em vez disso, o treinador preferiu sempre deslocar o defesa Coates para o centro do ataque, partindo propositadamente os jogos em busca do golo milagreiro. Só que a estrelinha parece arredia nesta época e, havendo relação directa ou não, no final dois empates transformaram-se em duas derrotas. Depois, há também a situação de Porro, um jogador com uma garra incrível e que catapulta a equipa para a frente. Acontece que o espanhol tem estado de fora com uma prolongada lesão muscular, e a equipa sente muito a sua falta. É que uma coisa é o Esgaio tapar um ocasional buraco, outra é pedir-se-lhe que substitua com a mesma eficácia o Porro durante tantos jogos. Acresce que Coates está nitidamente limitado do ponto de vista físico, a contas com recorrentes problemas num joelho, e longe da melhor forma já exuberantemente mostrada em vários momentos nesta época. E Palhinha não regressou tão bem como no momento anterior à sua lesão, questionando-se a eventual titularidade que poderia ser atribuída ao competente Manuel Ugarte. Enfim, mais do que ninguém, Ruben Amorim estará consciente de tudo o que aqui elenquei. E, obviamente, continuará a merecer todo o crédito dos Sportinguistas (isso não se põe em causa), que muito lhe devem. Mas tenho a sensação de que o título nacional será muito difícil de obter esta temporada. É que não só há problemas de difícil resolução como as decisões dos árbitros (deixei para o fim porque me quis concentrar nos motivos internos) desfavorecem-nos relativamente aos nossos principais adversários. Deveremos por isso ser mais competentes em tudo o que dependa de nós. E, por isso e para isso, necessitamos de diagnosticar muito bem as razões que nos trouxeram aqui, o que procurei também eu fazer, ponto essencial de partida para que possamos ter soluções que devolvam as vitórias ao nosso grande clube.  

21
Jan22

Notavelmente notório


Pedro Azevedo

Numa peça assinada no jornal Record, o antigo Director de Comunicação do Sporting, Nuno Saraiva, diz que se "sobressaltou" ao ler que um documento laudatório em relação ao trabalho da actual Direcção assinado por mais de 200 Sportinguistas foi atribuído a um grupo de "notáveis". E acrescenta não ser ele próprio um "notável", pese embora vá adiantando que até foi convidado a assinar o referido documento - algo alegadamente apenas não concretizado por o "documento já estar impresso" -, não fosse provavelmente alguém menos atento esquecer-se da sua relevância no clube. Eu não me esqueço. E, a propósito do contentamento do próprio com o fim (que eu efusivamente, ontem como hoje ou amanhã, sempre aplaudirei) da excessiva adjectivação e linguagem deplorável na instituição, não me esqueço do afã com que Nuno Saraiva semanalmente doutrinava, na Sporting TV, em intermináveis e inesgotáveis homilias destinadas a lavar o cérebro aos Sportinguistas, que muito contribuíram para um inapropriado aumento de crispação interna no clube. Usando, por exemplo, expressões como "sportingados" que agora condena sem acto de contrição, camuflando assim o rasto das suas próprias acções. Pois é, Nuno Saraiva não é de facto notável, mas é notório. Como notório igualmente é que o zircónio também brilha mas nunca será um diamante, e que uma peça não se diz de joalheria por ser executada de joelhos. Notoriamente (que não notavelmente). 

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Siga-nos no Facebook

Castigo Máximo

Comentários recentes

  • Pedro Azevedo

    Pois eu estreei-me ao vivo com um 5-1 ao Porto de ...

  • jpt

    Bela memória (os 7-0 ao Olhanense foram o primeiro...

  • Pedro Azevedo

    Todos eles infelizmente já falecidos, caro João Gi...

  • João Gil

    Eterno, inesquecível. De memória só, pelos golos m...

  • Anónimo

    Eterno, inesquecível. De memória só, pelos golos m...