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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

10
Set21

Os deuses do ténis devem estar loucos


Pedro Azevedo

Emma Raducanu tornou-se hoje na primeira senhora proveniente de um qualifying a atingir uma final do US Open. No jogo decisivo, a inglesa Raducanu (18 anos, nº 150 do ranking mundial ATP), nascida no Canadá e filha de um cidadão romeno e de uma cidadã chinesa, defrontará a canadiana Leylah Annie Fernandez (19 anos acabados de perfazer, nº 73 do ranking mundial ATP), filha de um equatoriano e de uma canadiana com ascendência filipina. A soma dos rankings das duas jogadores (223) será certamente um recorde em finais de torneios de Grand Slam, suspeitando eu que o somatório das suas idades (37 anos) estabeleça também um dos mínimos de sempre em finais deste tipo de torneios (que me recorde, apenas abaixo dos 36 anos envolvidos no duelo entre Monica Seles e Steffi Graf em Roland Garros, no ano de 1990).

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07
Set21

Três-azeri

Crónica da viagem de Portugal ao Azerbeijão


Pedro Azevedo

Portugal ganhou por três-azeri em Baku. Faz sentido! Um belo dia para quem se revê no Portugal que vai a campo, a nossa Selecção, mas também para os "haters" do Ronaldo e defensores da dependência negativa da Equipa de Todos Nós (na feliz expressão de Ricardo Ornellas) ao astro do United. Deverá aliás ter sido devido a essa dependência que alguns cruzamentos foram dirigidos directamente para Manchester. E o Ronaldo, de quarentena, nem abriu a janela para endereçar a bola para a baliza, o malandro! Na ausência do nosso capitão emergiu a classe do Bruno, o maestro da banda esta tarde no Azerbeijão. Cancelo também esteve acima da média, Moutinho e Palhinha tomaram conta do meio campo e não permitiram veleidades aos azeris. Destaque ainda para um grande golo de Bernardo e para a elevação e cabeceamento de Jota (terceiro golo) a fazer lembrar...Ronaldo. No final, mais 3 pontos, e a perspectiva de uma luta pescoço a pescoço com a Sérvia até ao fim do apuramento. 

07
Set21

Pessoa bem colocada encontra alta patente


Pedro Azevedo

Um amigo da prima do tio do presidente do Zenit, que é como quem diz "pessoa muito bem colocada" do clube de São Petersburgo, terá aparentemente questionado uma "alta patente" do Benfica, não se sabe se general ou apenas indivíduo de estatura superior, sobre Rafa. A alta patente não fechou a porta à negociação e alvitrou um preço que ninguém sabe qual foi, desde logo porque o único interesse da "notícia" é informar o mercado de que o Benfica recusou uma proposta de 30 milhões de euros pelo seu avançado. O que não teria sido de todo possível se a pessoa muito bem colocada não tem falado com a alta patente - se estivesse mal colocada, um metro a mais à frente ou atrás, talvez não se tivesse conseguido dar o encontro - , conforme fica bem patente na leitura de A Bola. Resta saber se essa pessoa bem colocada tem alguma coisa a ver com o amigo da prima do tio do presidente de um clube que alegadamente queria dar 60 milhões de euros pelo Carlos Vinícius, proposta imediatamente recusada por um Luis Filipe Vieira que no Seixal viu uma luz, ou neón, com 100 milhões de euros lá inscritos. (Era um pirilampo.)

07
Set21

Sporting vence prémio


Pedro Azevedo

O Sporting venceu o prémio de "Melhor Projecto de Formação" atribuído pela Associação Europeia de Clubes. Tomaz Morais, director da Formação, enalteceu o "modelo centrado no jogador", uma abordagem holística (o todo maior do que a soma das partes) e científica aos jogadores e equipas, que abrange áreas como a táctica, técnica, tecnologia e ciência, realçando o facto de 11 jogadores formados na Academia de Alcochete terem sido campeões nacionais na última época. 

04
Set21

Manchester by the sea


Pedro Azevedo

Ronaldo retorna a uma casa onde já foi feliz para tomar conta de um Manchester United orfão de Sir Alex Ferguson. Com uma última vitória na Premiership a coincidir com a despedida do lendário treinador escocês, o United procura em Cristiano o ingrediente a mais a nível de exigência ou profissionalismo que o conduza à redenção. A seu favor jogam 3 títulos consecutivos no melhor campeonato do mundo (2007, 2008 e 2009), o último na época anterior a sair para o Real Madrid. Não sei se será possível aos Red Devils chegar ao título no final desta temporada, mas que seria como um conto de fadas, lá isso seria. Ou um roteiro para um tocante filme, com Ronaldo perto do epílogo(?) da sua carreira a deixar mais uma marca incontorrnável na história do Man U. Seria uma bela fita, ou não? Depois, só faltaria que voltasse a equipar de verde-e-branco, o que ainda apareceria antes dos créditos finais. 

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03
Set21

O carteiro Pablo Sarabia


Pedro Azevedo

Formado nas escolas do Real Madrid e com passagens pelo também madrileno Getafe, Sevilha e Paris Saint-Germain, Pablo Sarabia é um virtuoso que usa a canhota como uma espada com que inteligentemente esgrime a diferença, estocada a estocada aproximando-se do âmago do adversário. Com uma recepção sempre orientada e a preocupação de rapidamente se posicionar de frente para a baliza adversária, Sarabia evidencia-se pela sua visão de jogo e velocidade com bola, qualidades que lhe possibiitam inúmeras assistências e golos. Nada egoísta, em terrenos perto da baliza procura sempre entregar a carta a Garcia, escolhendo com critério a solução com melhor probabilidade de golo, não se coibindo até de usar o seu pé direito, se essa for conjunturalmente a melhor solução de passe/remate. Em suma, não desprezando nunca o importante papel de Nuno Santos e de Jovane nas conquistas de Campeonato, Taça da Liga e Supertaça, estamos na presença de um jogador de grande classe, que certamente deliciará os nossos adeptos com pormenores de categoria. Se resistir ao vedetismo, respeitar as legítimas aspirações dos concorrentes ao seu lugar e se integrar no bom ambiente de balneário existente em Alvalade, então poderemos estar na presença de um caso muito sério, um candidato natural a melhor jogador da Liga. Médio de ataque ou extremo no sistema de 4x3x3, no esquema de Rúben Amorim deverá ocupar a posição de interior direito, passando Pote a ocupar uma franja de relvado compreendida entre a esquerda e o centro.

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03
Set21

A ver jogar Portugal


Pedro Azevedo

Demasiados jogadores a pedirem a bola no pé e poucos a procurarem o espaço, eis a selecção portuguesa de futebol. Some-se a proverbial falta de objectividade no remate por parte da maioria dos jogadores lusos - demasiados toques na bola na hora de chutar à baliza, a anos-luz daquilo que vemos qualquer inglês ou alemão fazer - e estão explicadas as dificuldades encontradas por Portugal para bater uma frágil República da Irlanda.

 

Com apenas Diogo Jota e os laterais a desmarcarem-se, Portugal torna-se uma equipa previsível e muito dependente do génio da lâmpada que uma das suas inúmeras individualidades pode libertar. Tal torna-se ainda mais evidente quando o adversário estaciona o autocarro, condicionante que geralmente é suficiente para bloquear a engrenagem por as nossas variações do centro de jogo não serem suficientemente rápidas (ou devido à ineficácia do nosso jogo interior). 

 

Não surpreende assim que o suspeito do costume tenha sido a solução para resolver o problema que os "leprechaun" irlandeses colocaram a uns gigantes lusos com os pés fartos do barro que Fernando Santos não há modo de libertar. Uma vez mais, foi Cristiano, em dois momentos de atleticidade tonitruante, que nos salvou, elevando-se nas alturas com a aura de um deus do Olimpo do ludopédio. O que choca, ou talvez não se considerarmos o país onde vivemos, é ver Ronaldo dado como acabado e atacado nos media e redes sociais. A tal questão da dependência negativa, dizem eles. Na quarta-feira viu-se... Temo, porém, que um dia lá para a frente ainda venhamos a lamentar a ausência dessa tal tão danosa dependência. Creio até que nesse dia seremos definitivamente independentes... de ilusões. 

 

P.S. Dos 111 golos (180 jogos) de Ronaldo, 59 (62 jogos) foram marcados depois de completar 30 anos.

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01
Set21

Excelente operação de mercado (*)


Pedro Azevedo

A confirmar-se a opção obrigatória de compra do passe de Nuno Mendes pelo "Qatar Saint-Germain" - questões relacionadas com o cumprimento do fair-play financeiro da UEFA terão ditado os termos em que foi anunciado o negócio - , o Sporting realizou uma excelente operação de mercado. Não que Nuno Mendes não fosse, muito provavelmente, o jogador com mais classe e potencial do plantel, mas porque simultaneamente seria, ainda que possa parecer paradoxal, o mais facilmente substituível em virtude de a sua posição no terreno não integrar a coluna vertebral da equipa. Além do mais, o Sporting acautelou antecipadamente a sua saída ao contratar Rúben Vinagre. Este não dará as mesmas garantias a nível de Champions - não defende tão bem, seja por fora ou, principalmente, por dentro - , mas servirá perfeitamente para um campeonato nacional onde o Sporting terá de assumir o ataque na maioria dos jogos, aspecto onde Vinagre até é provavelmente mais forte do que Nuno Mendes (temos ainda Matheus Reis, Esgaio e a possibilidade de integração de Nazinho ou Gonçalo Costa, além de que Nuno Santos e Gonçalo Inácio podem circunstancialmente no decorrer dos jogos ocupar a posição). Concomitantemente, os leões ganham também um inimaginável reforço. Falo-vos de Sarabia, um internacional espanhol com escola de Real Madrid que ultimamente actuava no clube da Cidade Luz e esteve presente no Euro 2020. Excelente no último passe e com uma razoável relação com o golo, o espanhol será o homem ideal para emparelhar com Pote no jogo entre-linhas afluente a Paulinho. (Teremos oportunidade de brevemente o analisar ao raio-x aqui em Castigo Máximo.)

 

Em termos financeiros, assumindo a cláusula obrigatória de compra, também se poderá considerar uma muito boa operação. Nesse sentido, aos 7 M€ de taxa de empréstimo deverão ser adicionados os 40 milhões da opção, que a verificar-se o pressuposto da sua obrigatoriedade poderão permitir a antecipação dessa receita através do factoring, libertando assim a tesouraria no curto-prazo. Adicionalmente, Sarabia chega a Alvalade a custo zero, por empréstimo de 1 ano, com os franceses a assumirem o seu ordenado (alguma discrepância no que ouvi não permite estimar com exactidão este valor, oscilando as fontes entre os 7,6 M€ e os 3,8 M€ brutos).

 

Em suma, um excelente negócio tanto pela venda como pela oportunidade de negócio que constituiu Sarabia, mercado esse que só não será tão bom caso não se verifique a obrigatoriedade de compra do passe de Nuno Mendes pelos gauleses. É que nessa situação a situação de tesouraria do clube continuaria muito constrangida no curto-prazo. 

 

(*) A verificar-se o supracitado pressuposto

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29
Ago21

Tudo ao molho e fé em Deus

Quarentas, quarentenas e um borrego por matar


Pedro Azevedo

Para gáudio dos "haters" do costume, que escolhem sempre ignorar as suas fulgurantes exibições, e daqueles que olham para a erva de uma forma recreativa e não veem um boi à frente dos olhos, o Matheus ontem foi uma nulidade. É verdade, com a cabeça dividida entre quarentas e quarentenas, que é como quem diz entre a "Equipa de todos nós" e a "Canarinha", o Menino do Rio apresentou um futebol digno da Selecção do Inatel. Assim, em vez de Escrete, esteve discreto. Mas não foi só por ele que a coisa correu mal. Ala que se faz tarde, nas laterais não houve qualquer magia, e Palhinha viu-se desde cedo condicionado por um cartão icterícia cortesia do velho amigo Veríssimo. Quanto ao Paulinho, deu muitos apoios frontais e mostrou um associativismo com a equipa tão digno de registo que convidaria até a que se formasse um clube de futebol na variante sem balizas. 

 

A coisa até poderia ter começado bem, não fora o Jovane ter mostrado uma técnica de recepção digna dos melhores campeonatos amadores. Vindo do mesmo homem que em Braga adestrou na perfeição (golo de Pote) uma bola bem mais difícil de dominar, dir-se-á que o desacerto se deverá atribuir mais a questões de (falta de) concentração do que de perícia. Seja como for, aos 2 minutos de jogo, o Sporting desperdiçou uma soberana oportunidade de golo. Com o Famalicão a pressionar muito os nossos médios centro, faltou paciência e assertividade ao nosso jogo. Prova disso, a quantidade de más decisões e de passes falhados que se verificaram ao longo da partida. Muito ajudaria que um dos centrais avançasse no terreno e ajudasse a libertar os médios centro e alas, e essa não observância foi provavelmente o maior defeito do nosso jogo. Assim, as nossas sucessivas perdas de bola convidaram os minhotos a contra-atacarem com perigo, resultando as suas oportunidades de bolas por nós entregues e não de sábio planeamento na construção de jogo. Valeu aí a presença de Adán, excelente em todas as suas acções, que só não conseguiu lidar com uma jogada de bilhar às 3 tabelas que poderia ter sido desenhada pelo nosso Jorge Theriaga. Do mal o menos, Palhinha ainda conseguiu empatar o prélio, um golo ainda assim insuficiente para que o Sporting conseguisse matar o borrego e finalmente vencer a besta negra famalicense, invicta face aos leões desde que regressou ao convívio com os grandes do futebol português. Que o mercado feche depressa! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Adán

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26
Ago21

O racional das coisas


Pedro Azevedo

Hoje ficámos a saber que Gonçalo Inácio, convocado pela primeira vez para à Selecção A (óptima notícia para o jogador, aniversariante ontem, e para o Sporting), esteve na "short-list" de 40 nomes que Fernando Santos pensou para o Euro 2020. Mais surpreende assim não ter sido convocado por Rui Jorge para a fase final do Europeu de sub-21, o que levanta a questão sobre o que se pretende do espaço da nossa equipa mais jovem. A ideia é ser um clube fechado, aproveitar rotinas entre jogadores que se conhecem muito bem (ex: os Diogos) e assim ganhar competições (algo por cumprir)? É que se, por outro lado, este escalão existe para preparar jogadores para a equipa principal (cenário mais lógico), então é preciso dizer que Diogo Leite, Diogo Queiroz e Tiago Djaló, os centrais convocados por Rui Jorge para o Euro sub-21, não fazem parte da lista do Engenheiro para a jornada tripla que Portugal terá pela frente. Ao contrário de Gonçalo Inácio. Mais racional nas decisões é preciso, sob pena de o seu contrário dar azo a que se pense que a interacção entre selecionadores não é a melhor, ou que são pouco claros em termos de prioridades os objectivos da nossa Selecção afluente da A. A propósito, recordo que até Pote teve dificuldades em se impor como titular absoluto no espaço de sub-21, mesmo sendo destaque principal no Sporting. 

PS: Espero que não se confundam estas legítimas questões, que emanam do que hoje Fernando Santos publicamente afirmou, com clubite aguda.  

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24
Ago21

Só faltava esta...


Pedro Azevedo

Leio um ex-presidente (2006-2009) da Juventus, Giovanni Gigli, afirmar que Ronaldo atrapalha o ataque da Vecchia Signora e chego à conclusão que há quem goste de viver numa realidade paralela. Aparentemente, para este senhor, bons, bons são os Dybalas e Moratas desta vida, o Cristiano é um estorvo. Ainda que com cerca de metade dos jogos de Dybala tenha marcado o mesmo número de golos (101) do argentino, 54 mais do que o espanhol Morata facturou numa maior quantidade de partidas efectuadas. 

 

Há quem perante os problemas veja soluções e também há quem veja nas soluções um problema. Nada de novo, Florentino Pérez, que o deixou sair do Real, também já o experimentou. E desde aí não voltou sequer a ameaçar ganhar a Champions. Ronaldo pode já não estar no auge da sua carreira, mas continua a ser um goleador temível. Ainda assim, no Real nunca se colocou a questão da dependência da equipa face ao jogador ser prejudicial, foram questões financeiras (compreensíveis) que estiveram na origem do timing de venda. Aliás, 4 Champions e 450 golos depois, seria uma cretinice ver o copo meio-vazio em Madrid. Todas as grandes equipas dependem dos grandes jogadores. DiStefano e Puskas no Real, Van Basten e Gullit no Milão, Messi e Neymar no Barcelona disso foram exemplo. E isso é bom, vidé o que ganharam para os seus clubes. Já os jogadores de nível médio nunca criarão dependência. Infelizmente, também não deixarão memória...

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22
Ago21

Tudo ao molho e fé em Deus

“Marvel(ous)”;


Pedro Azevedo

Caro Leitor, com o Homem Aranha (Palhinha) a estender a sua teia aos adversários e o Senhor Fantástico (Matheus Nunes) a esticar-se pelo relvado todo não há meio-campo opositor que resista. É verdade, o Sporting tem no centro do campo um dueto da Marvel, uma parelha "marvelous" (maravilhosa) que nenhum adepto quer que seja para (livro de cheques de) inglês ver, literal e metaforicamente falando, que cresce todos os dias sem que para nossa felicidade se perspective onde estará o seu limite. Ontem, voltaram a ser os melhores em campo, bem secundados pelo Rúben Vinagre e Gonçalo Inácio. Dir-se-ia que, a continuarem com o actual raio de acção, vão remeter a análise comparativa aos jogadores que lhes antecederam para o plano das quadras de futsal.  

 

Se a B SAD é, como diria o O' Neill, uma coisa em forma de assim no que diz respeito a um clube de futebol, o Petit podia perfeitamente trabalhar nas Chaves do Areeiro, tal é a inclinação que revela para fechaduras e cadeados - é caso para se dizer que só se estraga uma casa (às costas), desde que o Palhinha e afins consigam sobreviver com os tendões e os ossos intactos ou não se afoguem no pântano do Jamor. Vai daí, dessa ideia de futebol resultou um zero em remates enquadrados à baliza do Adán, até porque das poucas vezes que a dupla da Marvel foi ultrapassada logo Neto, Coates e Inácio chegaram e sobejaram para as encomendas. 

 

O Sporting marcou cedo na partida e na alvorada do segundo tempo ampliou a vantagem, pelo que o restante tempo de jogo foi utilizado pelos leões para desperdiçarem ingloriamente uma goleada. Uma esmerada arte de perdoar que não há maneira de erradicar de Alvalade, mais de um quarto de século após Bobby Robson ter denunciado a falta de killer instinct dos leões. Talvez Rúben Amorim o venha a conseguir, afinal nenhum desafio para ele parece impossível de concretizar: quem diria que de Palhinha veríamos constantes variações do centro do jogo como as que pudemos observar ontem, ou de Matheus Nunes assistiríamos a passes de ruptura como aquele que deixou Paulinho na cara do golo? Enfim, o céu é o limite, mas por Toutatis esperamos que não nos caia em cima da cabeça nesta janela de mercado. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Palhinha

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18
Ago21

Percepções…


Pedro Azevedo

Para quem nos habituou pelo discurso a viver lá no alto, jogar contra uma equipa dos Países Baixos deveria oferecer uma boa perspectiva das coisas. Mas o Jesus, para além de enaltecer mais o Benfica táctico ("eu") em detrimento do Benfica técnico ("eles"), disse que lá para o fim do jogo teve muita bola. Deve ter sido no balneário, porque no campo não se viu...

 

P.S. Ah, e segundo o próprio, o "Ody" não fez nenhuma defesa de alto grau de dificuldade. Ou como um resultado pode mascarar a realidade e prestar-se a percepções fantasiosas, o que me fez lembrar o Sporting-Lask (2-1) do reinado de Silas. O problema é que o tempo geralmente encarrega-se de corrigir a diferença entre a realidade é a momentânea percepção da mesma. 

18
Ago21

Flavia aurum, o ouro de Chaves


Pedro Azevedo

De entre os vários tesourinhos que o Sporting extraiu na mina de diamantes sita em Alcochete destacam-se Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Matheus Nunes (lapidado na última estação de produção da linha de montagem) e Jovane Cabral. Adicionalmente, Tiago Tomás e Daniel Bragança - o sistema de Rúben só o favorece quando o 3-4-3 transmuta num 3-5-2 - também vêm mostrando brilho, estando ainda em avaliação para apurar se são diamantes ou zircónia. Porém, é de um não formado em Alcochete que mais se fala entre os adeptos leoninos. Refiro-me a Pedro Gonçalves, ou simplesmente Pote, o Pote de Ouro do actual Sporting. O Pedro é um jogador extraordinário. Tão extraordinário que se pertencesse ao clube do outro lado da Segunda Circular já teria merecido inúmeras parangonas nos jornais envolvendo o interesse milionário de todos os gigantes deste mundo e do outro. Além da excelência que exprime em campo, o Pote é um jogador intrigante que deveria suscitar na crítica o interesse pela descodificação do seu ADN futebolístico. Afinal, estamos a falar de um avançado que pensa como um médio ou de um médio que age como um avançado? Eu diria que ambas as premissas são verdadeiras. Pote é essencialmente um mutante que remata como quem passa à baliza ou organiza o jogo desde trás, mas também serve apoios frontais ao portador da bola como se de um ponta de lança se tratasse e revela inteligência muito acima da média na leitura do espaço entre-linhas por onde melhor pode desequilibrar o adversário (típico de um categorizado "nove e meio"). Sim, se tivesse que destacar uma qualidade no Pote seria a sua inteligência superlativa. Os apoios frontais que oferece à continuidade das jogadas (vidé a sua primeira intervenção no segundo golo na Pedreira) ou a forma como estrategicamente desaparece do jogo para logo revelar a sua letalidade ao saber apresentar-se no momento certo assim o mostram à saciedade. 

 

Melhor marcador do último campeonato nacional, primeiro colocado na corrida pela Bola de Prata deste ano e já decisivo na conquista leonina da Supertaça, o que precisa mais Pote de fazer para ser unanimamente reconhecido como o jogador de referência do futebol jogado em Portugal? Na verdade nada, pois tudo o que depende dele merece a nota mais alta. Já o que depende de terceiros é outra conversa. Fernando Santos que o diga. E assim o Pote arrisca-se a ser visto como um engraçado jogador de um tempo em que um Rafa cai mais facilmente em graça...

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17
Ago21

Max(i)


Pedro Azevedo

Olá! Numa altura em que, curiosamente, o Perna de Pau continua a fazer furor entre os adeptos leoninos, ficámos ontem à saber que este Verão não haverá mais Super Maxi em Alvalade, acabado que foi de vender para Espanha (Granada). Acontece que, em condições normais de pressão e temperatura, o Luis Maximiano estaria a valer entre 10 a 15 milhões de euros. Mas para isso seria necessário que fosse titular do Sporting. Porém, Rúben Amorim privilegiou a contratação de um jogador mais experiente para a função. E ganhou a aposta, na medida em que Adán contrariou o seu passado de observador privilegiado no banco de suplentes e provou em Alvalade que a sua chegada não foi um pecado original cometido pela Estrutura leonina. Assim, o nosso jovem guarda-redes estaria condenado a ser um activo imobilizado. Não se mostrando ao mundo, o que implicaria a sua desvalorização progressiva. Deste modo, o negócio (4,5M€) pode ser encarado como um stop-loss que veio evitar maiores perdas futuras de valor, tornando-se assim compreensível. Outra coisa é o lamento que fica pelo potencial do jogador não se ter totalmente expressado no preço da sua venda. São opções que devem ser entendidas à luz de uma posição muito específica no campo. É que o guarda-redes é o último recurso de uma equipa, e dele depende directamente muitas vezes o resultado de um jogo de futebol. Amorim, que tem apostado muito em jovens e assim contribuído para o crescimento do valor intrínseco do plantel, assim o deve ter ponderado. Uma decisão difícil, certamente longe de ser consensual, mas ainda assim uma decisão. O que é sempre melhor que uma não-decisão, o limbo que geralmente está associado a uma política desportiva ruinosa assente em cromos repetidos e idas ao alfarrabista. Toda a sorte do mundo para o Max(i), e o meu desejo de que no futuro a vida lhe sorria e o faça ganhar o posto de titular das balizas da selecção nacional. Podendo, um dia, voltar ao Sporting, o que implicaria um prazeroso novo olá. 

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15
Ago21

Tudo ao molho e fé em Deus

O melhor e o pior na Casa de Matheus


Pedro Azevedo

Caro Leitor, Rúben Amorim aproveitou a Pedreira para esculpir o Colosso de Rodas. Ainda não o conhecem? O homem desliza velozmente no campo, roda para qualquer um dos lados como se não tivesse anca e protege a bola em condução como se desse arrebatamento dependesse a sua própria vida - é uma das 11 maravilhas do mundo leonino que Amorim construiu sobre a rocha, uma garantia de que as nossas investidas chegarão a bom porto. Querem uma pista? (Cuidado que ele acelera por aí fora.) Falo-vos do Menino do Rio. Não, não é um daqueles cariocas bons de bola e habituados a gramado alto, baixa intensidade, bola no pé e chopinho no fim do jogo que quando aterram em Portugal logo se queixam do frio e da mania dos treinadores que lhes pedem para correr atrás dos adversários. Não, este menino está cá desde os 13 anos. E comeu, e cozeu, o pão que o diabo amassou (numa padaria e pastelaria na Ericeira). Até que o Alexandre Santos veio do Estoril para o Sporting B e trouxe-o com ele. Cá chegado, esteve quase a entrar na nossa equipa principal. E ainda estaria quase, povavelmente até à idade de pôr os papéis para a reforma, se Amorim não tivesse dado conta dele (antes já o Bruno, o Fernandes, o tinha realçado, mas esse destaque esbarrara na ilusão daqueles que acham sempre que um jogador não está pronto ainda que na bancada seja difícil para qualquer um mostrar qualquer grau de prontidão). Já adivinharam quem é? Sim, é o Matheus Nunes, o homem que ontem encheu o campo na Pedreira, não perdendo uma bola (recepções imaculadas), saindo da teia que Musrati e Fransérgio lhe entretanto haviam urdido com inusitada facilidade e ainda descobrindo tempo e espaço para patentear talento em passes de trivela como o que deixou Nuno Santos na cara do golo. 

 

Não foi nada fácil o jogo de ontem na Pedreira. A primeira parte foi mesmo muito dividida, valendo a inspiração de Jovane Cabral, o patinho feio que, dizem alguns, deveria sempre partir do banco. Proponho então que se imponha ao cabo-verdiano o ritual de passar pelo banco de cada vez que sair do balneário. Se o banco estiver em resolução pode ser mesmo um novo banco, o fundamental é todos estarmos de acordo quanto à melhor utilização de Jovane. Na Pedreira, o Jovane esticou-se até ao limite que a sua massa muscular lhe permitiu e, chegando à bola, ainda conseguiu direccioná-la com precisão fora do alcance do Matheus, o do Braga, um rapaz cujo nome provavelmente deriva da premonição que os seus pais tiveram de que perante o verde-e-branco passaria provações de proporções bíblicas. Como não há dois sem três, outro Matheus viria ainda a passar pelo relvado. Mas foi breve, tipo visita de médico, acabando expulso da contenda após diagnóstico errado produzido a um tornozelo. A coisa teria dado para o torto se entretanto o Sporting não houvesse conseguido dilatar a vantagem. Numa jogada linda de morrer, começada em Matheus Nunes que amassou e fez farinha com os médios do Braga, continuada na variação do centro do jogo que descompensou a defesa braguista e na consequente recepção extraordinária de Jovane, e finalizada no proverbial passe à baliza que já é uma imagem de marca de Pedro Gonçalves. Esse golo acabaria por se revelar fundamental, como essencial foram as 4 magníficas defesas que Adán realizou durante o jogo: primeiro salvando com o pé, com o corpo todo balançado na direcção oposta; depois, correspondendo a um remate de letra de Fábio Martins com uma parada de nota A; ainda, indo aos pés de Ruíz; finalmente, voando a um remate venenoso de Iuri. Foi tão bom que aquela saída de olhos fechados a um cruzamento em que socou a atmosfera assim como quem sente o ambiente, pressão e temperatura, não aquece nem arrefece o seu desempenho. 

 

Quinto jogo consecutivo contra o Braga, quinta vitória do Sporting. Pode haver quem acredite no acaso, mas eu creio que não há coincidências. E nem se pode culpar o grande Mestre Carvalhal, sempre disposto a criar algo de novo capaz de colocar areia na engrenagem do motor que Rúben Amorim construiu em Alvalade. Simplesmente, este Sporting vende saúde, tem jogadores que fazem a diferença e mostra uma solidariedade em campo difícil de superar. Venha o próximo!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes

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10
Ago21

Matheus e Ugarte


Pedro Azevedo

Se os 3 Mosqueteiros eram na verdade 4, a "santíssima trindade" formada por Pedro Gonçalves, João Palhinha e Sebastián Coates foi recentemente reforçada com Matheus Nunes. Estes são para mim os imprescindíveis para esta época. Gosto muito do Man U (Manuel Ugarte), que além do mais me faz lembrar o Manchester de Sir Alex Ferguson, Matt Busby, Cantona, Giggs, Beckham, Charlton, Best ou Law por quem o meu coração bate em Inglaterra, mas demorará algum tempo até que o onze do Sporting venha a ser Manuel United. Todavia, Ruben Amorim acaba de receber um jogador que lhe poderá ser de grande utilidade. Versátil, tanto pode jogar a 6 como a 8. Tem intensidade defensiva, passe longo com os dois pés e transporte de bola. Não tem a envergadura de Matheus (altura semelhante, mas menos largura de ombros) nem a passada tão larga, a protecção de bola ou a segurança no início da construção do luso-brasileiro, mas será um jogador para ir entrando na equipa. Porém, se queremos ser competitivos na Europa e aproveitar a montra da Champions, então Matheus será o jogador a reter e valorizar. E a sua manutenção será como um investimento a prazo com forte probabilidade de elevado retorno futuro, salvo imponderáveis que podem advir de eventuais lesões. Ganhando-se tempo para que Amorim transforme Ugarte num seu clone perfeito, algo que não me parece de todo despropositado ã luz das características comuns entre os dois (não há em Portugal um jogador que se assemelhe tanto a Matheus como o Ugarte, sendo certo que no caso do ex-Ericeirense o seu potencial é quase ilimitado vis-a-vis estarmos na presença de um Mustang que Ruben tem sabido adestrar sem lhe retirar a explosividade que passou a ser patente apenas no tempo e espaço certos). 

P.S. Tenho enorme apreço pelo Nuno Mendes, um fantástico ala esquerdo de nível mundial, que ataca bem e defende excelentemente (por fora e especialmente na dobra por dentro), mas tenho para mim que a zona central do campo é a verdadeiramente nevrálgica, razão pela qual a sair alguém privilegiaria o Nuno. 

P.S.2 O ano passado o Matheus jogou como 8, 6, ala direito, central pela direita e interior direito. No total, fez 5 posições. Há mais alguém com esta versatilidade no plantel? É que este tipo de versatilidade torna-se fundamental quando o treinador quer mexer na equipa sem necessariamente alterar a sua estrutura. 

08
Ago21

Tudo ao molho e fé em Deus

Bem-aventurado o génio de Pedro no evangelho segundo Matheus


Pedro Azevedo

Foi muito agradável para o adepto voltar ao José Alvalade após lhe ter sido aplicada durante 17 meses uma medida de coação que envolveu prisão domiciliária com obrigatória utilização da box electrónica da SportTV. Carpe Diem, quem lá foi desfrutou como pôde, sem saber o que acontecerá amanhã. Também aí vamos jogo a jogo como o senhor (o Mister) nos ensinou, ainda que o novo-normal imposto pelas autoridades sanitárias implique que a assistência nos estádios não possa ultrapassar um terço da sua capacidade máxima (antes da pandemia era de três terços, mas isso são contas, literal e metaforicamente, de um outro rosário).  

 

E, já que falamos de terços e de rosários, na primeira parte seguimos o evangelho segundo Matheus. Através dele os nossos jogadores foram aconselhados a bem aventurarem-se no terreno, o que fez felizes os adeptos com fome e sede de bola que assim começaram a ser saciados. É certo que alguma inquietação nas bancadas emergiu do facto de o Jovane ter tentado novamente colocar um penálti no ângulo superior de uma baliza, obsessão trignométrica que se tornou secante para o adepto, e que o Harry Pote nesse período andou escondido e sem apresentar os seus habituais números de magia assentes numa Art Deco extraordinária. Todavia, folgadinho após um longo período de descanso que incluiu um mês de férias no centro da Europa, o Pedro estava só à espera do momento certo para abrir o livro de truques.

 

Após o intervalo, logo o Pedro e o Paulinho mostraram que não estavam ali para brincadeiras. Assim, após uma rápida combinação entre ambos, o Pedro passou a bola à baliza com aquela infalibilidade própria dos génios. O Charles seguiu a sua trajectória com a certeza de que nada haveria a fazer. Pouco depois, o Pedro fez lembrar um outro Pedro, o Barbosa (bem lembrado, José da Xã), e nas palavras atribuíveis ao Quinito pintou um Rembrandt. E por falar neste, a ronda da noite só terminou quando o Paulinho molhou o pincél, depois do Vinagre e do Nuno Santos terem combinado na perfeição para que a coisa não se ficasse pelas meias tintas. 

 

Sem bifanas nem roulottes lá saímos de Alvalade. E se o corpo foi deixado à mingua, a alma estava cheia. Tão cheia quanto a lotação máxima que o orgulho nos pode dar após vermos 11 briosos e solidários jogadores vestidos de verde-e-branco evoluirem no campo. Isto, sim, é o Sporting: esforço, dedicação, devoção e glória. Obrigado!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pedro Gonçalves

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