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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

28
Ago22

Tudo ao molho e fé em Deus

Desarmados contra os defensores de Chaves


Pedro Azevedo

O Sporting das últimas décadas é um bocado como os elevadores, umas vezes para cima, outras para baixo. Esta época parece estar para baixo e para o ilustrar até recorremos recentemente ao Elevador de St Juste, que, já se sabe, está em Baixa, tão em baixa que são mais às vezes que está em manutenção do que aquelas em que está no activo. Assim, não admira que acabemos à Bica. O estranho disto tudo é que nas duas últimas temporadas parecíamos ter estabilizado num patamar superior, afinal aquele mais fiel aos pergaminhos do nosso centenário clube. Mas, infelizmente, o nosso destino assemelha-se ao de Sísifo e acabamos sempre a viver num sem-propósito, subindo até ao topo da montanha para depois ingloriamente enviarmos o pedregulho ladeira abaixo, chame-se o pedregulho Matheus, Palhinha ou Nuno Mendes. E assim sucessivamente, num ciclo vicioso e viciante que curiosamente está absolutamente interiorizado e é aceite pelos nossos adeptos. Qual alegoria da caverna, estes vivem na cegueira de um clube que é essencialmente uma trader de jogadores que ao fim de semana tem a maçada de ir a jogo. Uma inevitabikidade, dizem-nos, como se a vida das empresas de sucesso não fosse a procura da maximização dos proveitos. Ordinários, que no futebol, já se sabe, até abundam...

 

Algo está mal quando uma equipa perde o trinco e arranja o único Trincão para tentar arrombar as Chaves do Areeiro, o que obviamente é uma contradição nos termos. O meu medo é que tenhamos atingido a Silas Season. Depois do Keynesianismo-Keyzerismo (o período em que a aposta na Formação não contemplava jogadores da... Formação) e do Marxismo-Leoninismo (do Pontes, com a equipa toda sub-virada para a esquerda, a entortar como o Titanic), todos vimos o período de Ruben Amorim como providencial. Nele, primeiro a Direcção depois nós todos, apostámos as fichas na senda do êxito desportivo. E ele disso tem sido amplamente merecedor. Só que à primeira contrariedade parece que nos esquecemos do que deveria ser o nosso objectivo e começamos a gerir o "day after" do insucesso, cada um aligeirando as suas responsabilidades e procurando o bode expiatório no outro. Contudo, como nas tragédias gregas ou nas farsas de Aristófanes, tal não ocorre em campo aberto. Não, há toda uma encenação prévia, um por baixo do pano como diria o Ney Matogrosso, onde se arquitectam essas estratégias em que quem representa são uns amanuenses que com zelo se dedicam à cópia. Sim, porque há quem faça valer a pena a pena com que escreve. Enfim, (in)dependências... 

 

No entretanto, ontem lá voltámos ao sistema dos avançados móveis. A nossa paixão pelo móvel é uma coisa tão enternecedora que um dia destes ainda mudamos a sede para Paços de Ferreira. Ou isso, ou tornamo-nos pontas de lança do IKEA. Por falar em pontas de lança, o nosso único que conta é muito bom sem bola, dizem-nos alguns com olhos doces, seguros de que seria melhor que os ouvíssemos quando nos dizem "vem por aqui" (olá, José Régio). O único problema é que as regras do futebol actual estranhamente ainda não contemplam golos sem a bola entrar numa baliza, o que talvez recomende alguém que não seja tão bom sem bola mas que seja minimamente competente com ela ou que, pelo menos, a saiba fazer passar pelo risco de baliza. O problema é que não há dinheiro, dizem-nos. Todavia, um cartão de crédito pode arrombar uma boa fechadura. Que o diga a seita do olho vivo. E seita do olho vivo é coisa que não falta no nosso futebol. 

24
Ago22

Para a frente é o caminho


Pedro Azevedo

Não se pode conduzir uma viatura sempre a olhar para o espelho retrovisor porque inevitavelmente acabar-se-á por bater de frente. Esta alegoria rodoviária aplica-se na perfeição à vida e em particular ao futebol. O jogo do Dragão tem sido suficientemente escalpelizado, termo até bem apropriado ou não houvesse para aí alguns "peles vermelhas" a pedir o escalpe do treinador. Ora, não só não devemos fazer o jogo dos nossos adversários como já é tempo de nos focarmos no que temos pela frente. E esse é o Chaves, que eu vi pela primeira vez em Alvalade no tempo daquele temível, irrequieto e guedelhudo ponta direito que dava pelo nome de Antonio Borges, um avançado que fazia jus ao "átomo a mais que se animou" imortalizado pelo também ele imortal Jose Régio.  Pouco tempo depois surgiria outro craque na outrora Aquae Flaviae. Era então o tempo dos bulgaros, a quem o regime simpatizante dos soviéticos só permitia que saíssem do país após completarem 30 anos. Assim chegou a Chaves o Radi Zdravkov, como a Belém atracou o Stoycho Mladenov ou a Alvalade o Vanio Kostov, este último já casado por correspondência e tudo numa daquelas chico-espertices de que o nosso futebol é fértil. O Radi era um grande jogador, búlgaro mas nada bulgar (o homem jogou no Norte, não é verdade?). E a verdade é que, mesmo sofrendo com a interioridade, desde aí o Chaves tem aparecido com alguma regularidade na divisão principal do futebol português. Será por isso, mas também pelas características de resiliência inatas ao povo transmontano, um adversário a não desvalorizar, pelo que se pede um Sporting desempoeirado, liberto de traumas e respeitador de quem terá pela frente. Ora, como isso tem sido o paradigma desde que Ruben Amorim comanda a principal equipa do nosso clube, só nos resta esperar uma boa prestação leonina. Eu aposto num bom dia! E, já agora, que esse dia seja o primeiro do resto da nossa vida neste campeonato. Que está a começar, é bom não esquecermos. 

21
Ago22

Em Ruben Amorim eu confio


Pedro Azevedo

Quem é que se lembrará que o Paulinho custou 16 M€ (70% dos direitos económicos) se a aposta que Ruben Amorim promete fazer em Rodrigo Ribeiro vier a render 40 ou 50 M€ no futuro? No futebol, como na vida, existe um deve e um haver e o saldo de Amorim é francamente positivo. Vidé os casos de Nuno Mendes, Palhinha, Inácio ou Matheus Nunes na rendibilização dos activos formados em casa, ou de Pote, Nuno Santos, Matheus Reis ou Sarabia no que respeita a activos encontrados no mercado. A não ser que se queira voltar ao tempo das "contratações cirúrgicas" e conseguirmos o pleno de 11 erros em 11. Ruben preferia manter os que tinha do que ir ao mercado? Acho muito bem! Mal seria vê-lo a patrocinar o carrossel do costume. A memória dos adeptos é que me parece ser curta, assim como roça a ingratidão a tentação de oferecer o treinador como bode expiatório na hora da derrota. Porque se há constrangimentos de ordem financeira e económica que implicam com a constituição do plantel de 2022/23, então teria de ser a administração da SAD a assumi-lo desde o primeiro dia da época perante os sócios e adeptos do clube. O contrário faz lembrar os tempos de Paulo Bento, sozinho nas conferências de imprensa e a ter de dar a cara pelo que não era da sua competência. Com a diferença de que contra todas as expectativas o Ruben até já foi campeão, um milagre em que ninguém acreditava e que, a manterem-se os actuais constrangimentos de tesouraria, dificilmente se repetirá. Com ele ou com qualquer outro, que até Jesus Cristo quando veio à Terra não abusou dos milagres. 

P.S. Está na hora de reforçar o "Onde vai um, vão todos". Unam-se internamente, e assim unam também os adeptos. É na hora da adversidade que se vê quem são os Homens. E os líderes, já agora. Por isso, resolvam os problemas internamente e deixem-se de mensagens subliminares através do jornal do costume. 

20
Ago22

Tudo ao molho e fé em Deus

Campeões de inferno (do mercado)


Pedro Azevedo

Sem quem transportasse a bola a meio campo, consequência do tributo ao dízimo, o Sporting abusou da troca de passes, o que é coisa para ter custado uma fortuna em intermediáções do agente Mendes. (A única boa notícia da noite foi o Porro ter mostrado que não tem passe.)

 

O jogo do Dragão opôs um clube sempre assediado pelo fair-play da UEFA a um novo-rico do futebol português, pelo que só poderia ter terminado em goleada do Sporting ao FC Porto. Ora, somem lá comigo, por favor: 37 M€ do Nuno Mendes + 20 M€ do Palhinha + 5 M€ do Tabata + 45 M€ do Matheus Nunes = 107 M€. Do outro lado umas vendazinhas pelas cláusulas de rescisão (baixas) do Vitinha e do Fábio Vieira. Resultado final: uma goleada das antigas. Espanta-me porém que em vez de ver leões a comemorar no Marquês, o sorriso esteja, sim, estampado no rosto do Marques. Não percebo a que campeonato está gente liga... O meu, já sei, é a Premier League. 

Não percebo também o escândalo que se faz por se abdicar do melhor jogador antes de uma visita a casa do campeão nacional. Parece de gente sem memória. Tão desmemoriada que se esquece que se abdicou de 37 campeonatos nas últimas 4 décadas. É por isso normal abdicarmos de mais um. O desvio-padrão à normalidade das coisas chama-se Ruben Amorim. Dizem que ele faz de CEO, de CFO, de responsável pelo Marketing ou Comunicação e tudo o mais no clube, mas tal não é verdade. O que ele é na realidade é um adepto. Daqueles à antiga. E por isso quer ganhar no campo, o que contrasta com o novo-adepto-novo-rico que esfrega as mãos de contente com a nossa conta DO. Mete dó, não é? 

Gosto muito do Ruben, mas há uma coisa que me incomoda: se é para só ter um ponta de lança suplente e se esse ponta de lança se chama Rodrigo Ribeiro, então por que razão o miúdo não joga? Alguém está a ver o Slimani ser opção ao Paulinho e na ausência deste o argelino não ser titular? Pelo menos escusávamos de passar 90 minutos a procurar o jogo aéreo do... Edwards, esse calmeirão de metro e meio e envergadura de vespa. 

Após uma semana marcada por um pecado original, não foi de estranhar que o Adán estivesse no centro das atenções por acções de proporções bíblicas. Enfim, como o povo sabiamente diz, o que nasce torto (gestão do mercado) tarde ou nunca se endireita. Por contraste, o Diogo Costa tirou 3 golos feitos ao Sporting, e isso no final fez toda a diferença. 

Tenor "Tudo ao molho...": Morita (foi o apagão após a sua saída) 

17
Ago22

Substituir o quê?


Pedro Azevedo

Não concordo nada com aquela máxima de que não há jogadores insubstituíveis. Como algumas outras dentro do mesmo tom é uma expressão oca, um "wishful thinking" com pouca adesão à realidade. A verdade é que, como em tantas outras profissões, a qualidade é sempre difícil de substituir, mais ainda quando falamos de qualidade extra, como manifestamente é o caso. Por isso, talvez faça muito pouco sentido trocar Matheus por um jogador de 10 M€ para a mesma posição. Pois, se o luso-brasileiro vale actualmente cerca de 50 M€ (o preço contratado), como poderia ele ser substituído por alguém que vale cinco vezes menos? Não, o melhor que temos a fazer é dar minutos aos miúdos, ao outro Mateus (Fernandes) e a Essugo, que assim poderão alternar com Morita e Ugarte (e ainda há Pote como solução de recurso e Bragança como opção para a segunda metade da época) , desenvolverem o seu potencial e valorizarem-se. Afinal, o nosso projecto não passa pela aposta na Formação? Guardemos assim as gorduras geradas por este negócio para o reforço de posições onde é possível substituir com mais qualidade. Como é o caso da posição de ponta de lança. O contrário será um "loose-loose", na medida em que nem substituiremos com a mesma qualidade, nem aproveitaremos o trabalho feita na base. Esse seria um meio-caminho, e meios-caminhos já se provaram não ser caminhos nenhuns. Pelo menos se o objectivo for chegar a um bom fim. 

16
Ago22

A notícia que eu não queria dar


Pedro Azevedo

Matheus Nunes, um jogador que os Leitores de Castigo Máximo sabem que me encanta desde o primeiro dia, vai sair. Para o Wolverhampton, um clube que com o devido respeito fica aquém do seu grande valor e enorme potencial. Talvez por isso a proposta inglesa parece nunca ter seduzido por aí além o jogador, ainda que estivesse em cima da mesa muito dinheiro, tanto para ele como para o Sporting. Agora parece ter-se estabelecido um acordo, restando perceber-se quem terá forçado mais o negócio. Uma coisa é certa, Jorge Mendes está na jogada, ou não fosse conhecida a sua ligação aos Wolves, pelo que só nos resta esperar que nesse "trade-off" venha aí o Cristiano Ronaldo. Porém, nada me tirará o azedume produzido por esta notícia que eu não queria dar. Acresce que o Sporting perde este Verão a dupla de médios da época passada, a que se soma a saída no defeso anterior de João Mário. Ou seja, em pouco mais de 1 ano desaparecem do plantel os 3 médios mais influentes no título de 20/21. 

 

P.S. Há duas formas de analisar este negócio: se pensarmos que o Matheus custou 1 M€ e vai ser vendido por 45 M€+5 M€ (objectivos), então o negócio é excelente; porém, atendendo às qualidades diferenciadoras de Matheus, que o tornam um jogador singular no panorama mundial, uma venda abaixo da cláusula de rescisão (60 M€), que ainda assim poderia ser bem mais alta, parece-me pouco. Acresce que o jogador mereceria um Liverpool ou City, na minha opinião. 

matheus nunes despedida.jpg

15
Ago22

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2022/2023, o Sporting disputou até agora 2 jogos - todos para o Campeonato Nacional -, obtendo 1 vitória (50%) e 1 empate (50%), com 6 golos marcados (média de 3 golos/jogo) e 3 golos sofridos (1,5 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas de golo):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (3,0,0), Edwards (1,2,0), Matheus N. (1,1,1);

2) MVP: Pedro Gonçalves (9 pontos), Edwards (7), Matheus N. (6); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (3 contribuições), Matheus N. e Edwards (3);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (3 golos), Matheus N., Edwards e N. Santos (1);

5) Assistências: Edwards (2), Porro, Matheus N., Trincão e Rochinha (1).

 

Fazendo uma análise por sectores em termos de pontos MVP (golo=3; assistência=2; participação=1), teremos:

 

Pontas de Lança (total=0): -

Interiores (total=21): Pote (9), Edwards (7), Rochinha (3) e Trincão (2);

Médios (total=6): Matheus Nunes (6);

Alas/laterais (total=6): Nuno Santos e Porro (3);

Centrais (total=0):-

Conclusões:

  • A posição de ponta de lança ainda não contribuiu com golos. Paulinho ficou em branco em Braga e Rodrigo Ribeiro ainda não se estreou; 
  • Ordem de importância no golo: Interiores, Laterais/Alas, Médios Centro, Centrais e Pontas de Lança;
  • Um total de 7 jogadores já contribuiu para os golos leoninos. 

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

ranking gap 2023.png

14
Ago22

Tudo ao molho e fé em Deus

Pote renascido e um Matheus para a história


Pedro Azevedo

Fitar o alvo, olho director apontado à mira, culatra puxada atrás e pum(!), golo. Não sei se o golo de Matheus Nunes valeu o bilhete ou se o remate em si foi um bilhete (de despedida?), o que sei é que levou um selo que o fez chegar ao seu destinatário, ainda que a violência do impacto o tenha feito saltar da "caixa do correio". 

O golo de Matheus foi o momento lusco-fusco de um jogo disputado ao entardecer, um render da guarda entre o dia e a noite, como se o pôr-do-sol anunciasse uma iminente saída do luso-brasileiro, muito pretendido em Inglaterra e a reservar-se para um City ou Liverpool. Se assim foi, a despedida ocorreu em beleza. Obrigado, Matheus, especialmente por todo o respeito que sempre demonstraste pela grandeza do Sporting. 

 

Mas o jogo não se resumiu ao golo de Matheus. Não, valeu desde logo pelo trio dinâmico da frente do nosso ataque, com Edwards e Pote en grande nível e Trincão à procura da melhor forma. Pedro Gonçalves que marcou 2 golos, esbanjando outros 2 pelo caminho naquele seu jeito em "souplesse" que às vezes roça o displicente. Todavia, é essa frieza, essa sustentável leveza do seu alter-ego Pote, que faz de Pedro Gonçalves o matador que é, disputando jogos a sério como se estivesse numa peladinha entre amigos. 

Uma palavra também para a nossa defesa, que ganhou com o comprometimento, concentração e atitude de Neto. O que demonstra que nem sempre é preciso ter uns pés de ouro, nomeadamente quando o coração é grande e a cabeça está no lugar certo (com a equipa). 


E assim terminou a première do Dragão, um ensaio geral para o que iremos encontrar no Porto. Onde também não haverá Paulinho- o drama, a tragédia, o horror... - , mas talvez ainda haja Matheus Nunes, uma espécie de milagre da multiplicação dos peixes (custou 1 e pode sair por 60 milhões), ou não tivesse passado toda a sua adolescência na vila piscatória da Ericeira.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pote

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12
Ago22

Samuel e Fran


Pedro Azevedo

Dos jogadores mais interessantes da Primeira Liga que vêm escapando ao radar dos Grandes destaco o Samuel Lino e o Fran Navarro. Ambos coexistiram no Gil Vicente na temporada passada - algo de muito bom o clube de Barcelos anda a fazer em termos de scouting... - , constituindo uma dupla de forte propensão goleadora. 


Lino é um avançado móvel que geralmente parte da esquerda para o centro à procura de combinações ou de utilizar o seu remate colocado de pé direito. Além disso, defensivamente dá-se à equipa, fechando a sua ala e pressionando não apenas com os olhos. Tem golo nos pés. 

Navarro impressiona pela qualidade das suas movimentações e último toque na bola. É um finalizador nato, com bom jogo de pés e de cabeça, muito frio na hora de enfrentar os guarda-redes. 

Surpreendentemente, ou talvez não, o Atlético de Madrid antecipou-se aos nossos Grandes e levou o Lino. Fala-se que para ser emprestado e rodar noutro clube nesta época.  Navarro permaneceu em Barcelos até agora. Pergunto aos Leitores: não seriam 2 jogadores (Lino cedido) interessantes para o nosso clube? 

PS: Bem sei, para a posição de Lino (interior) já temos Edwards, Trincão,Rochinha e o inevitável Pedro Gonçalves, mas destes só Pote mostra a vocação goleadora do ex-gilista, que além do mais seria ideal num sistema de 3 avançados móveis. 

10
Ago22

Eterno


Pedro Azevedo

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Quando um jogador é muito bom, mesmo que pertencente à um clube rival, ele passa a ser de todos os adeptos. Essa, aliás, é uma das raras ocasiões em que a clubite cede ao gosto pelo futebol, esmagada que fica pela excelência do futebolista. Foi exactamente isso que se passou com Fernando Chalana, a quem um dia Neves de Sousa (o seu a seu dono) apelidou de O Pequeno Genial, um apodo mais do que justo para quem surpreendeu o mundo como um meteoro no Euro-84 e inspirou futuros craques como Paulo Futre. Com o seu bigode farfalhudo e jeito de homem simples, humilde e bom, Chalana virou após esse Europeu um ícone, o Chalanix, consequência da sua transferência para Bordéus e da semelhança fisionómica com o herói gaulês criado pelo traço de Uderzo. Mas os seus melhores tempos haviam ficado para trás. Lançado na equipa principal do Benfica com 17 anos acabados de perfazer, Chalana cedo chamou a atenção pela imprevisibilidade do seu drible, finta estonteante que executava muitas vezes parado. Raras aliás eram as vezes em que os adversários não ficavam no chão, bastando-lhe o desarmante ulular dos braços para produzir esse efeito. Além disso possuía a visão de jogo de um "10", um entendimento do jogo muito superior ao habitual num extremo. Tudo alicerçado numa técnica apuradíssima que lhe permitia jogar com igual rendimento com qualquer um dos pés. Mestre na arte do engano no terreno de jogo, até nisso Chalana foi diferente: destro, levou a maioria das pessoas ainda hoje a pensar que era um canhoto natural. Um grande. E, como grande, eterno. 

09
Ago22

Uma pedrinha de gelo


Pedro Azevedo

Não tomo um whiskey há mais de 20 anos mas recordo-me que o novo sugeria a aplicação de uma ou duas pedrinhas de gelo. O facto veio-me à memória a propósito do jogo do Sporting em Braga. Por 3 vezes tomámos a dianteira no marcador, por 3 vezes o Braga acertou-nos o passo. O que é que nos faltou, então? Na minha opinião foram as tais pedrinhas de gelo. Porque o nosso jogo foi muito "heavy metal", sempre a rasgar, faltou-lhe temporizações, esconder a bola, situações que ajudassem o adversário a desgastar-se sem posse. Na verdade, no nosso plantel não abundam esses jogadores cerebrais que põem gelo no jogo. Certamente o Bragança, mas está lesionado. Porventura o Morita, mas saiu precocemente. Talvez o Pote, mas conviria o Ruben tê-lo recuado para a linha de médios. Sem esse tipo de solução individual, teria de ser a equipa a resolvê-lo colectivamente. Mas aí faltou uma maior aproximação entre os sectores. Terá sido do desgaste da intensidade do primeiro jogo da época? Ou será que a estratégia de esticar o jogo esboçada pelo Braga partiu a nossa equipa ao meio? Para quem viu no sofá, o Sporting pareceu amiúda um harmónio descompassado, muitas vezes todo aberto aquando dos ataques braguistas. E isso foi-nos fatal. 

Parece um paradoxo, não é (?), mas na Pedreira ao leão faltou uma pedrinha. De gelo. 

07
Ago22

Tudo ao molho e fé em Deus

Da Pedreira sem amor


Pedro Azevedo

A ida a Braga é uma forma de nos lembrarmos que o futebol português é uma Pedreira habitada por homens das cavernas que querem fazer-nos crer que acreditam na equidade e transparência das competições quando na verdade estão prisioneiros de um sistema antigo que confundem com a realidade. É como se numa dimensão paralela a Alegoria da Caverna encontrasse o Fred Flinstone e o seu amigo Barney, e o cenário fosse o de BedRock, um local onde se esboçam versões primitivas para inglês ver de conveniências modernas como - "Yabba-Dabba-Doo!" - a centralização dos direitos televisivos, e a brilhantina é feita de baba de dinossauro.  

 

Bom, mas isso é uma coisa. Outra coisa, bem mais assustadora, foi o Esgaio fresco ter mostrado a velocidade de uma tartaruga cansada. Ou o Paulinho não ter falhado nenhum golo pelo simples facto de nem uma vez ter chutado à baliza. Nada porém que amanhã os desportivos não componham entre elogios à versatilidade de um e qualidade sem bola do outro, atributos que assentariam indubitavelmente bem a... uma ginasta rítmica. Também não gostei de ver o nosso Oliver Tsubasa (Morita) ser rendido pelo Ugarte (de que até gosto) e disso se ressentiu a fluidez da nossa saída de bola. É o que dá uma "manga" (anime nipónico) curta, metáfora que se poderia estender a uma equipa que pareceu sempre menos solidária que em qualquer momento dos dois últimos anos do consulado de Rúben Amorim.

 

Perante tudo isto, valeu-nos um grande Matheus Nunes. O homem foi um Colosso! Primeiro desmarcando o Porro no primeiro golo com um passe milimétrico de 30 metros, depois levando o mundo às suas costas pela direita para depois cruzar para o único homem que havia ficado à esquerda finalizar. Para não enfatizar demais que logo no arranque da partida queimou 40 metros em sprint com a bola dominada até ser travado em falta à entrada da área braguista, ou que durante o resto do jogo deu sempre critérios às suas acções através, nomeadamente, de passes a variar o centro do jogo. 

 

Matheus foi muito bom, mas não chegou para todas as encomendas. Porque nenhuma equipa resiste a uma desatenção numa bola parada seguida de um défice de velocidade na lateral direita que faz pensar se o Gonçalo Esteves não teria sido mais rápido mesmo partindo da Amoreira. Também não é fácil jogar com um ponta de lança dito associativo, quiçá até distributivo, mas que continua a não ser cumulativo em termos de golos, podendo até considerar-se um elemento neutro na adição e absorvente na multiplicação (o zero), propriedades que os prémios nobel da matemática que se podem encontrar nos jornais portugueses certamente não deixarão uma vez mais de destacar.  

 

Ainda assim o Pote assinou o ponto e o Nuno Santos marcou um golo à Jordão no Euro-84. Ah, e como o futebol não é mímica, senão jogava sempre o Marcel Marceau, o introvertido do Edwards deixou-nos mais alegres do que o extrovertido do Trincão. Para o que também contribuiu o Rochinha, um rapaz com habilidade para encontrar espaço até numa cabine telefónica. 

 

Tenor "Tudo ao molho": Matheus Nunes 

bragasporting1.jpg

06
Ago22

Mr. Hide


Pedro Azevedo

Hidemasa Morita é até ver a grande contratação do Sporting para esta temporada. Calmo, com olhos de falcão, Mr. Hide distingue-se pela segurança dos seus passes rasteiros de primeira que sucessivamente vão quebrando as linhas do adversário. Dotado de uma técnica perfeita, Morita bem poderia ter adoptado o estilo exuberante de Oliver Tsubasa, o herói das "mangas" nipónicas dedicadas ao futebol. Mas não, o japonês é um jogador de equipa e por ela sobrepõe a discrição de processos ao brilharete individual. Como tal, até pode escapar ao olho menos atento do adepto puramente emocional, sempre tentado a louvar os malabaristas da bola, porém não nos iludamos: já dizia Cruijff que jogar simples é o mais difícil no futebol, e o Morita fá-lo, com quilos de classe, ou não fosse ele um craque, um senhor jogador do mundo do ludopédio. Atenção a Mr. Hide!!!

hidemasa morita.jpg

03
Ago22

Matheus e os Lobos


Pedro Azevedo

A última vez que vimos Matheus Nunes em campo foi contra o clube a quem deu uma nega, o Wolverhampton. Não deixa de ser até irónico que o luso-brasileiro se tenha tão declaradamente demarcado dos Wolves, sabendo-se de antemão que em condições similares a esmagadora maioria dos seus colegas de profissão trocaria a pele de cordeiro pela de lobo e logo levantaria problemas a fim de forçar a saída. Ora, eu não vejo isto suficientemente valorizado pela opinião escrita de adeptos do Sporting, que preferem criticar um suposto apagamento de Matheus em campo. Como a meu ver o seu menor rendimento tem tudo a ver com um sistema táctico de apenas dois médios centrais que o condiciona e desgasta sobremaneira - não é uma critica a Rúben Amorim, mas se há jogador cujo tremendo potencial ofensivo se desenvolveria muito mais rapidamente num sistema de 3 médios centro é o Matheus, que no contexto actual mais parece um puro-sangue emparedado numa cabine telefónica - , eu sinto que devo devidamente apreciar o homem que, vindo de uma favela, tomou a opção consciente de continuar num clube com história e pergaminhos europeus e que disputa os títulos nacionais em detrimento de embarcar na alcateia de lobos de um novo-rico do meio da tabela com sede em solo da Velha Albion (contrastes...). Deixando de ganhar, devido a essa opção, a módica quantia de 8 milhões de euros anuais. Não sei se para os mais distraídos isto faz alguma diferença, mas eu, que me lembro de um tal de Renato (entre tantos outros que podia dar como exemplo...), proveniente do Salgueiros, chegar a Alvalade e logo debitar que via o nosso clube como um trampolim para o Inter de Milão, sinto-me recompensado no meu orgulho Sportinguista por tão nobre atitude. Adiantando que, neste enquadramento, saber esperar é uma virtude e um sinal de inteligência e de confiança nas suas capacidades. Sinal esse que deve ser premiado. Pelo que o Matheus merece tudo, seja o tudo o City ou... o Liverpool, este último um clube com história e com um futebol mais dentro daquilo que são as qualidades do nosso número 8.  

 

P.S. É verdade, no sistema de dois médios centro o Matheus fez um grande jogo na Luz, mas não só o Benfica também alinhou no mesmo sistema (o que na Europa raramente se vê) como Weigl e João Mário marcaram-no com os olhos. 

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