Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

07
Mai21

Longa se torna a espera


Pedro Azevedo

Dezanove anos após o seu derradeiro título de campeão nacional e sessenta e oito anos depois do último (1953/Cinco Violinos, com Martins no lugar de Peyroteo) campeonato ganho em ano ímpar, o Sporting prepara-se para conquistar o tão ambicionado troféu de vencedor da Primeira Liga. Para tal tem agora disponíveis 3 match-points. O primeiro será já na terça-feira, caso os leões de Faro, nossa filial nº2, não consigam antecipar a nossa festa. Pela frente teremos um tabuleiro axadrezado, o contexto ideal para um xeque-mate. Está quase...

06
Mai21

Tudo ao molho e fé em Deus

Sem espinhas


Pedro Azevedo

O nosso internacionalmente reconhecido artista Julião Sarmento, com quem uma vez coincidi numas férias caribenhas em Cuba e que  fisicamente parecia o produto da fusão entre o Eric Clapton e o Ray Manzarek, disse um dia que lhe interessava muito mais o desequilíbrio do que as coisas estáveis porque estas últimas não levavam a lado nenhum a não ser a uma pasmaceira de café com leite. Enquanto adepto de bancada, eu também vejo as coisas assim. Tal como a pintura, escultura, fotografia e instalação, ou o desenho e filme para o Julião Sarmento tinham de estar à beira do precipício, também eu gosto de sentir a vertigem e de ver em campo os jogadores que não têm medo de arriscar e ir no 1x1. Todavia, o futebol já não é um espectáculo, mas sim uma indústria, um negócio onde estão muitos milhões em jogo. Com isso, a estética foi substituída pela eficácia e os treinadores são os tiranos que transportam o relvado para laboratórios onde engendram burocracias tamanhas capazes de matar o romantismo do jogo. No elenco actual de técnicos poucas são as excepções, e quando as há geralmente acabam vitimas do pragmatismo dos seus adversários. Deveremos conformarmo-nos com isso? No futebol, quem paga não é tido nem achado e o próprio adepto hoje quer é ganhar e pouco gosta do jogo, o que talvez explique o exacerbar de fanatismo e de violência à volta do futebol. Estaremos no caminho certo? Duvido, mas é o que temos. Nesse aspecto, o nosso Rúben não é melhor nem pior que os seus pares, e é por isso que estaremos condenados a ver o Jovane jogar uns poucos minutos. E a ficarmos desiludidos de cada vez que não marca ou não assiste, como se não estivesse a cumprir o seu papel de Walther de 9 mm que secretamente vem do banco com a bala na câmara pronta para disparar para a baliza. 

 

Paradoxalmente, a fobia aos desequilíbrios que caracteriza os treinadores contemporâneos não encontra depois razão quando temos de aturar com o João Mário 70 minutos em campo. O Palhinha que o diga, obrigado que esteve a ser ominipresente, jogando por dois e esfolando-se e estafando-se para equilibrar a contenda a meio-campo e assim evitar as incursões rioavistas. Não admira assim que tenha tido um período anterior de menor  fulgor, felizmente ultrapassado ontem com uma exibição de grandíssimo nível. Tirando estas embirrações, eu vejo o Rúben Amorim como superlativo. Para começar, a nossa eficácia defensiva é uma coisa espantosa, facto a que não é alheio a inspiradora ideia dos 3 centrais. Se é certo que o Sporting vai ficar a dever uma significativa parte do sucesso desta época a Coates, também não é menos verdade que "El Capitán" beneficiou enormemente do dispositivo que Amorim congeminou e onde se sente como peixe na água, sistema esse que lhe permitiu encobrir algumas deficiências e exponenciar as suas maiores qualidades. Depois, o regresso de Palhinha e a contratação de Pedro Gonçalves fizeram toda a diferença. Enquanto um funciona como uma espécie de gigante Adamastor, o outro é pura inteligência em movimento, sempre à procura de descer e receber entre-linhas e daí partir para interacções elucubradas em equações diferenciais que lhe permitem perceber e dar fluidez às dinâmicas no relvado. Como se já não bastassem estes tiros certeiros, ainda há a cereja no topo do bolo, a aposta na Formação. Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Tiago Tomás, entre outros menos utilizados, todos foram tendo as suas oportunidades de uma forma continuada. É certo que eu embirro com a menor utilização do Matheus. Então o homem dá dois nós cegos sucessivos ao sabido do Coentrão, em duas ou três passadas já está na área adversária, tem técnica de filigrana associada a grande dinâmica e passa a maior parte do tempo a ver os jogos do banco? Não me conformo, não. Mas depois reconheço que o Amorim é que lhe pegou, com o Silas estava sempre a uma porta que nunca se abria. E deu confiança, posicionamento e escola a quem há menos de 3 anos era pasteleiro e gozava os bons ares da bela Ericeira. A tal ponto que eu agora o critico, como se o Amorim fosse o Dr Frankenstein e estivesse a ser vítima da sua própria excelsa e frenética criação. No fundo, são nervos. É que nós, Sportinguistas, sofremos tanto que o Marquês mais parece de Sade. E isto nunca mais acaba...

 

Caro Leitor, o Paulinho ontem marcou. E esteve na origem do primeiro golo. Eu bem que havia dito que o Paulinho iria marcar golos impossíveis e falhar muitos outros aparentemente fáceis. Confesso que o homem aparece aos meus olhos cada vez mais como um Postiga: é bom de mais para ponta de lança, a sua verdadeira vocação é de médio de ataque ou de "mezzapunta", aquele nove e meio do futebol italiano. Entretanto, vamos dormir esta noite com 9 pontos de avanço sobre o Porto. Porém, não estou com muita fé que o Porto não ganhe na Luz. Se estiver enganado, óptimo, mas talvez não fosse má ideia suspender o foguetório e mantermo-nos, nós e os jogadores, concentrados para o jogo com o Boavista. Nesse jogo vai ser preciso construir uma Ellis Island e não deixar ponte de comunicação entre o veloz e fisicamente potente, porém trapalhão, avançado axadrezado e as suas fontes de abastecimento preferenciais (Angel Gomez e Paulinho). O Benfica e Porto que o digam, incautos que foram na sua marcação. E, já agora, o Porro que no seu flanco ponha (Ricardo) Mangas curtas, que daí também geralmente surgem incursões terminadas com remates do próprio ou centros a propósito. 

 

E é tudo, que de Vila do Conde, terra piscatória, viemos com uma vitória sem espinhas. Tanto que o Adán manteve os calções imaculados. No fim, o Amorim deu mais um show de comunicação. É verdade, o homem não só é o nosso "coach" como podia fazer "coaching" a gestores públicos e privados. Uma máquina. Até me vieram umas lágrimas aos olhos, e garanto-vos que não foi das alergias da Primavera. Entretanto, já estamos na Champions. O resto? Está quase, mas é preciso continuar a não tirar os olhos da bola. É que para os nossos adversários isto tem sido um 31...

 

P.S. R.I.P. Julião Sarmento, interposto permanente de pessoas e de ideias como cada Homem deveria ser, sem ilhas. A Tate, o MoMA e o Gugenheim também não o esquecerão. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Palhinha, o melhor em campo. Mas o Homem do Jogo foi o Paulinho, que esteve nos dois golos. Menção honrosa para o Pote, um matemático do futebol. Destaque ainda para a titularidade de João Pereira, que jogou como se estivesse no Onze desde sempre. 

palhinha rio ave.jpg

03
Mai21

Honrar o slogan do Visconde


Pedro Azevedo

Ganhar uma segunda Champions de futsal já seria um feito excepcional. Mas o Sporting fê-lo com estilo, derrotando sucessivamente (em apenas 5 dias) os campeões russo, espanhol e europeu em título. Na final, batendo com uma reviravolta (de 0-2 ao intervalo para um 4-3 finalj o todo poderoso Barcelona, o nosso rival pelo epíteto de clube mais eclético da Europa. E com 8 ou 9 jogadores formados no clube, provando que, ganhando hoje, ganharemos também o amanhã. Muitos, muitos parabéns a todos os que contribuíram para esta conquista épica. Com um destaque especial para Nuno Dias, o nosso treinador, homem que ano após ano vem marcando a ouro a sua passagem pelo clube, nunca perdendo a humildade tão própria dos efectivamente grandes. Já merecia uma estátua! Viva o Sporting Clube de Portugal! Viva o nosso Sporting! E obrigado por (mais) este grande momento. 

sporting champions.jpg

02
Mai21

Tudo ao molho e fé em Deus

Poder de síntese


Pedro Azevedo

O Jovane ontem jogou vinte e oito minutos. Tanto tempo em campo na vida do Jovane Cabral é objectivamente um luxo asiático, um motivo de abertura de telejornal e de parangonas de tablóide, pelo menos a avaliar pelos 13 jogos anteriores a contar para a Liga em que jogou menos tempo que isso ou não foi sequer utilizado (no 14º, contra o Benfica, pisou a relva durante 29 minutos). Aliás, se analisarmos as estatísticas, só por seis vezes o cabo-verdiano foi utilizado mais tempo do que ontem, cinco delas como titular, sendo que nunca fez um jogo completo a contar para este campeonato. Porém, no somatório de todas as competições, o Jovane é o nosso segundo melhor marcador, só superado pelo Pedro Gonçalves. Tal deve-se ao seu poder de síntese. Metam o Jovane na barra do Gambrinus e em 28 minutos, sob a supervisão arbitral do excelente senhor Brito, ele terá tempo de despachar uns croquetes, desfazer a empada de perdiz e ter a digestão completa em menos de meia-hora. No campo é igual. Para isso contribuem diversos factores. Em primeiro lugar, ele é claro na linguagem que emprega, não se perde a meio do caminho ou corre o risco de entediar, confundir ou desagradar quem o está a ver. Em segundo, é objectivo, vai vertiginosamente direito ao assunto e traduz em golos e assistências a razão da sua existência. Em terceiro, omite informações desnecessárias: o Jovane não anda por atalhos e não se ilude com rococós efémeros e nada eficazes. Em quarto, não tem medo de ser mal-interpretado. Ele vai sempre contra o adversário que se interpuser face à baliza, e ganhando ou perdendo a bola fá-lo-á uma e outra vez. Finalmente, ele desenvolveu uma capacidade tal de ir lapidando a sua linguagem que 12 minutos contra o Porto para a Taça da Liga são mais do que suficientes para deixar uma marca indelével da sua passagem pelo relvado. 

 

Até à entrada do Jovane em campo, o Sporting caracterizou-se pela capacidade do Bragança de encontrar o Pote entre-linhas, seguida por assistência para o Paulinho se esmerar na arte de perdoar em frente do golo, especialidade onde a sua cotação não poderia estar mais em alta. Tudo o resto foram inuendos sem objectividade nenhuma, formas incipientes encontradas para disfarçar a nossa verdadeira prioridade no jogo. Até que entrou o Jovane. A partir daí um vendavel se soltou, uma onda se alevantou, um átomo a mais se animou (obrigado, José Régio). Assim, logo de entrada isolou o Porro na direita, mas o Paulinho trocou os pés na hora de dar o melhor seguimento à jogada. Não satisfeito, aproveitou uma boa simulação do nosso ponta de lança e deixou o Porro na cara do golo. Depois, pegou na bola no meio-campo e arrancou tão potentemente para a baliza que fez expulsar o pobre do Alhassan, única forma de evitar a jogada de 2x1 que se perspectivava. Mas a "pièce de résistance" ainda estava para vir: primeiro trocando as voltas a um defesa e colocando com precisão a bola na cabeça de Feddal para o golo inaugural, depois sprintando e ganhando a frente a um defesa nacionalista até se isolar e ser por este, já grogue (bebida típica de Cabo Verde), derrubado dentro da área. Na conversão da penalidade não fez por menos: bola na gaveta, no ângulo, indefensável. Tudo natural, porque para o Jovane foi só mais um dia no escritório. No próximo jogo lá voltará ao banco, de onde assistirá, sem um queixume ou dor de alma, à exibição dos seus colegas. Se a coisa estiver a dar para o torto, quem sabe poderá jogar 1, 2 ou 3 minutos. Ganhando nós, lá estará como sempre a festejar efusivamente com a restante equipa no relvado. Em síntese, o Jovane é impagável, não tem preço, deve ficar connosco para sempre. Porque, se é verdade que o seu tempo mede-se em fracções irrisórias, essas parcelas ínfimas são as melhores das nossas vidas de leões. 

 

A 4 jornadas do fim, o Sporting lidera com 6 pontos de avanço. Com apenas 12 pontos em disputa, escusado será dizer que ganhar em Vila do Conde será muito importante. Conseguindo-o, assistiremos de cadeirão ao Clássico, algo que seria invulgarmente tranquilo para um Sportinguista. No entretanto, continuemos a testar a máquina. Sem dispositivo para cortar nas rotações, ontem a verificação começou mais cedo, com o futsal, modalidade que deveria ser acompanhada por um desfibrilador ou só vista em diferido e em slow-motion. Temo porém que tenha de ser encontrada uma solução mais efectiva no futuro. Proponho assim que o hino da Maria José Valério e o "Mundo sabe que..." passem a vir acompanhados de uma pequena palestra do Prof. Fernando Pádua, assim a modo de instruções de bordo para os solavancos que a turbulência poderá provocar na máquina. Tocaria nos nossos corações...

 

P.S. Ah, e por falar em linguagem, aquele manuelmachadês que consistiu em comunicar contra tudo o que mexesse de verde-e-branco foi uma afirmação semântica digna de figurar no Dicionário Canelas do futebol português. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jovane Cabral. Pote foi outro dos destaques. Porro parece ter melhorado face a desempenhos anteriores. Max teve uma intervenção decisiva.

jovane nacional.jpg

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Siga-nos no Facebook

Castigo Máximo

Comentários recentes