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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

21
Jan21

Ao minuto


Pedro Azevedo

Golos por minuto de utilização.png

 

Legenda: 1º Quadro: minutos necessários para fazer 1 golo; 2º Quadro: minutos necessários para ter influência (golo, assistência, participação importante) em 1 golo; 3º Quadro: minutos necessários para ADG (acção directa para golo=golo ou assistência). 

PS: A estatística junta todos os avançados: pontas de lança e interiores. Os indicadores respeitantes a Pedro Marques não podem ser considerados estatisticamente relevantes dado a amostra possuir um número demasiado reduzido de observações (na realidade, apenas uma). 

21
Jan21

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 21 jogos - 14 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa, 3 para a Taça de Portugal e 2 para a Taça da Liga -, obtendo 16 vitórias (76,2%), 3 empates (14,3%) e 2 derrotas (9,5%), com 47 golos marcados (média de 2,24 golos/jogo) e 17 golos sofridos (0,81 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (12,3,3), Jovane (6,2,0), N. Santos (5,9,0);

2) MVP: Pedro Gonçalves (45 pontos), Nuno Santos (33), Jovane (22); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (18 contribuições), N. Santos (14), Sporar (11);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (12 golos), Jovane (6), TT e Nuno Santos (5);

5) Assistências: Nuno Santos (9), Pote (3), Tabata, Porro, Vietto, Feddal, M. Nunes, J. Mário, Jovane, TT e Plata (2).

 

Fazendo uma análise por sectores em termos de pontos MVP (golo=3; assistência=2; participação=1), teremos:

 

Pontas de Lança (total=54): TT (21), Sporar (20), Vietto (7), Pedro Marques (6)

(nota: TT também jogou como interior)

 

Interiores (total=112): Pote (45), Nuno Santos (33), Jovane (22), Tabata (12)

(nota: Jovane também jogou como ponta de lança)

 

Médios Centro (total=20): João Mário e Matheus Nunes (7), Palhinha e Bragança (3)

 

Laterais/Alas (total=25): Porro (13), Nuno Mendes (8), Plata (4)

 

Centrais (total=19): Coates (11), Feddal (5), Gonçalo Inácio (3)

 

Guarda-redes (total=2): Adán (2)

 

Conclusões:

  • A posição de Interior contribui em acções de golo mais do dobro da posição de Ponta de Lança;
  • Os nossos Médios Centro têm menos preponderância nos golos que os Laterais/Alas e pouco mais que os Defesas Centrais, o que pode indicar que RA vê-os mais como um factor de equilíbrio defensivo, sendo os desequilíbrios ofensivos mormente produto da circulação em "U";
  • Ordem de importância no golo: Interiores, Ponta de Lança, Laterais/alas, Médios Centro, Centrais, Guarda-redes;
  • Um total de 19 jogadores já contribuiu para os golos leoninos. Dos utilizados, Max, Neto, Quaresma, Borja e Antunes ainda não tiveram preponderância nos golos marcados. 

 

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

ranking gap 210121.png

21
Jan21

Jovane, para seu pesar (*)


Pedro Azevedo

Há jogadores que caem no goto do adepto, outros são como patinhos feios sem que exista propriamente uma razão forte para tal. Geralmente, a coisa começa com um preconceito, algo a que Einstein, conhecido por não ser totalmente desprovido de intelecto, se referia como sendo mais difícil de desintegrar do que um átomo. 

 

No caso de Jovane Cabral, o facto de ter ajudado a resolver jogos partindo do banco criou a ideia pré-concebida (por falta de oportunidades de provar ter valor para ser um dos indiscutíveis da equipa) de ser uma "arma secreta", alguém que traria mais rendimento à equipa se utilizado mais tarde, uma espécie de Juary do Sporting. Entretanto, o cabo-verdiano lá foi provando a sua utilidade como titular na recepção aos turcos do Besaksehir e na visita a Famalicão. Até que chegou a deslocação a Guimarães e Jovane pintou a manta. 

 

Sejamos francos, o Sporting não tem nenhum jogador com a coragem de enfrentar o adversário nos olhos e partir para cima dele como Jovane. Ele traz velocidade, imprevisibilidade e golo ao jogo dos leões, algo que qualquer equipa grande não pode desprezar. Acresce que, cada vez que o campeonato retoma, Jovane apresenta-se num nível superlativo, uns bons furos acima dos colegas. Sinal de que se cuida e trabalha bem, com profissionalismo, e assim potencia as evidentes qualidades físicas que possui. 

 

Autofagia para mim é isto: tivesse Jovane nascido Jovanic, Jovanek ou Jovanowski e haveria toda uma outra tolerância consigo. De treinadores e adeptos. Não esquecer também o pouco destaque que vem merecendo da imprensa. Só isso, aliás, pode explicar que num jogo onde esteve a um nível altíssimo, diria até a léguas de todos os outros jogadores, não tenha obtido a unanimidade aquando do julgamento do melhor em campo. Não sei mesmo o que será preciso um jogador fazer a mais num campo de futebol, na medida em que uma assistência, três passes claros para golo - que culpa tem ele que Vietto, por duas vezes, e Sporar tenham falhado golos cantados? - , duas fintas de cabine telefónica, uma expulsão cavada, várias movimentações de ruptura e uma velocidade a mais que qualquer outro dos presentes não foram argumentos suficientes para o destacar dos restantes. Ah, falhou também ele um golo! (Pecado mortal entre tantos "matadores", ainda que tenha sido o único que, falhando, enquadrou o remate com a baliza.)

 

Cabe agora a Jovane provar, a cada nova oportunidade, a razão pela qual deve ser titular deste Sporting. Mas não deveria ser assim, poderia haver uma margem de erro que lhe transmitisse outra confiança. A verdade é que no passado um mau jogo foi suficiente para voltar a relegá-lo para o banco de suplentes, para gáudio de todos os Velhos do Restelo, que também os há em Alvalade, que nestas coisas estão sempre à espreita da oportunidade de provar um ponto, mesmo que olhando para as estatísticas não se compreenda como apenas 6 jogos a titular esta época permitiram sentenciar de forma tão definitiva que o jogador não merece alinhar de início. Outros jogadores há que nem de início nem no fim, mas isso já são contas de outro rosário. Afinal, o muro de lamentações mais à mão é sempre o da Formação. E o Jovane já tem 21 anos, o que pelo nosso calendário, pouco gregoriano, faz dele quase um veterano...

 

P.S. "Filomeno, para meu pesar", inspiração para o título do Post, é um grande romance de Gonzalo Torrente Ballester, autor também de "Don Juan" e do excelente "Crónica do Rei Pasmado". 

 

(*) Republicação. Texto originalmente apresentado neste blogue em 8 de Junho de 2020 (aquando da retoma do pretérito campeonato).

jovane2.jpg

20
Jan21

Tudo ao molho e fé em Deus

Com Jovanotti a música foi outra


Pedro Azevedo

Esta janela de transferências de Janeiro tem habitualmente o seu quê de "silly season" antecipada, servindo essencialmente para que os clubes que não fizeram bem o trabalho de casa no Verão possam retocar os plantéis e para que os empresários de futebol retoquem também um pouco mais a sua conta bancária. Por isso, as primeiras páginas dos jornais enchem-se de putativas compras de alegados craques. Este ano o panorama não tem sido diferente, registando-se um notório acréscimo do número de notícias relacionadas à medida que o mercado se encaminha para o seu fecho. Em conformidade, o grande destaque da semana foi o Unilabs. Porém, consultadas as minhas fontes - até à hora do fecho desta edição as alcoviteiras do Mais Tabasco não estiveram disponíveis, pelo que fui beber inspiração ao Aqueduto das Águas Livres - , estas, apesar de confirmarem a sua certificação de qualidade para a nossa Liga, apontam-lhe alguma inconstância nas acções, pelo que a sua eventual contratação poder-se-á revelar falsamente positiva.

 

Com o mercado a dominar as atenções de toda a gente, quase não se deu conta que Sporting e Porto defrontavam-se para a Taça da Liga. Acabadinho de empatar o Benfica na gloriosa final da Champions League disputada na pretérita Sexta-feira, o Porto de Sérgio Conceição era o grande favorito para a maioria dos analistas. A coisa era de tal modo um pró-forma que seria uma mera questão de tempo. Quer dizer, uma mera questão de tempo até ao Jovane entrar e deixar o Conceição com um positivo para a azia laboratorialmente confirmado. Nesse sentido, o Rúben Amorim foi particularmente cínico, escondendo o jogo e dando a ilusão ao técnico portista de que eram já favas contadas. Como tal, pôs o Inácio de pé trocado (grande personalidade do miúdo), deixou o João Mário 69 minutos a fazer de holograma e só meteu o Jovane a 12 minutos do fim. Atentem bem neste último dado porque ele é particularmente interessante e advoga bem no sentido da sagacidade do nosso treinador. Eu passo a explicar: é que o Jovane tem esta época uma média de 1 golo a cada 78 minutos, o que estatísticamente lhe teria dado uma probabilidade interessante de fazer 1 golo caso tivesse jogado de início e ainda estivesse em campo por essa altura. O Sérgio Conceição sabia disso. O que ninguém suporia, para além do Mister Amorim, é que, tendo passado esse período no banco, ao entrar não só marcaria 1 como também 2 golos. É que para o Rúben onde vai um, vão todos, e o Jovane, assegurado o primeiro, fez logo questão de partir para o segundo. A sorte do Conceição foi que o jogo terminou logo ali, caso contrário a coisa ainda acabava numa quarentena (de golos) ou assim. E que golos marcou o Jovane! Assim, para celebrar o seu (re)descobrimento, o inaugural foi de embandeirar em arco, como os navios quando anunciam festa. Um golo algumas vezes visto em Figo, num misto de técnica e força. E, como muitos Sportinguistas o tratam como um patinho feio, o que encerrou a contagem foi de bico, à Romário. 

 

No final do jogo estava à espera de ver e ouvir os protagonistas: o Jovane, o Amorim e assim. Imaginei a coisa como se fosse na TV inglesa, com o Lineker em estúdio a tecer loas ao nosso "Jovanotti" e tudo e os Sportinguistas a comunharem a emoção do momento. Mas não, quem apareceu foi o presidente Varandas. Para dizer que hoje estaria na tropa. Um, dois, esquerdo, direito, meia-volta volver, agradeci a informação, encaminhei-me para o quarto e dormi muito mais descansado. Eu sei, tudo isto fez parte de uma grande mise-en-scène de desvalorização da vitória. É que o Benfica A e o B estavam de olhos postos em nós e agora ficaram a saber que nós é mais faca na Liga. Assim, confiantes, diria até falsamente positivos para o que se seguirá, irão até Sábado. E nós, como quem não quer a coisa, dando avanço com o Matheus e o Jovane no banco, no fim cantaremos de galo, que é como quem diz, rugiremos como um leão. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": "The one and only" Jovane Cabral 

 

#ondevaiumvaodoisgolosdejovane

jovane2.jpg

Que dupla!

19
Jan21

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 20 jogos - 14 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa, 3 para a Taça de Portugal e 1 para a Taça da Liga -, obtendo 15 vitórias (75%), 3 empates (15%) e 2 derrotas (10%), com 45 golos marcados (média de 2,25 golos/jogo) e 16 golos sofridos (0,8 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (12,2,3), N. Santos (5,9,0), TT (5,2,2);

2) MVP: Pedro Gonçalves (43 pontos), Nuno Santos (33), TT (21); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (17 contribuições), N. Santos (14), Sporar (11);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (12 golos), TT e Nuno Santos (5);

5) Assistências: Nuno Santos (9), Tabata, Porro, Vietto, Feddal, M. Nunes, J. Mário, Jovane, Pote, TT e Plata (2).

 

Fazendo uma análise por sectores em termos de pontos MVP (golo=3; assistência=2; participação=1), teremos:

 

Pontas de Lança (total=54): TT (21), Sporar (20), Vietto (7), Pedro Marques (6)

(nota: TT também jogou como interior)

 

Interiores (total=104): Pote (43), Nuno Santos (33), Jovane (16), Tabata (12)

(nota: Jovane também jogou como ponta de lança)

 

Médios Centro (total=20): João Mário e Matheus Nunes (7), Palhinha e Bragança (3)

 

Laterais/Alas (total=25): Porro (13), Nuno Mendes (8), Plata (4)

 

Centrais (total=18): Coates (10), Feddal (5), Gonçalo Inácio (3)

 

Guarda-redes (total=2): Adán (2)

 

Conclusões:

  • A posição de Interior contribui em acções de golo praticamente o dobro da posição de Ponta de Lança;
  • Os nossos Médios Centro têm menos preponderância nos golos que os Laterais/Alas e pouco mais que os Defesas Centrais, o que pode indicar que RA vê-os mais como um factor de equilíbrio defensivo, sendo os desequilíbrios ofensivos mormente produto da circulação em "U";
  • Ordem de importância no golo: Interiores, Ponta de Lança, Laterais/alas, Médios Centro, Centrais, Guarda-redes;
  • Um total de 19 jogadores já contribuiu para os golos leoninos. Dos utilizados, Max, Neto, Quaresma, Borja e Antunes ainda não tiveram preponderância nos golos marcados. 

 

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

ranking gap 180121.png

18
Jan21

Tudo, assim-assim ou nada?


Pedro Azevedo

Vivemos até hoje na assumpção de que o importante no futebol era a bola, os jogadores e o público. Entretanto, o público desapareceu dos estádios e o tribunal onde se aprovava ou chumbava o desempenho de um jogador passou das bancadas para as enfermarias dos estádios, substituindo-se o aplauso ou assobio à posteriori pela zaragatoa ab initio. É perante este novo-normal de múltiplos condicionalismos que Sporting e FC Porto se apresentarão amanhã em Leiria na primeira semi-final da Taça da Liga, competição sui-generis e com um formato competitivo absurdo que visa apurar por todos os meios legítimos possíveis as teoricamente 4 melhores equipas nacionais para a sua Final Four. Na outra meia-final, um Benfica que parece ter saído do Dragão como vencedor da Champions (apesar do empate) defrontará o actual detentor do troféu, o Sporting de Braga, "Campeão de Inverno" em 2020 com Rúben Amorim ao leme. 

 

Havendo um troféu em disputa ainda que de notoriedade reduzida, a pergunta que hoje formulo aos Leitores é se, por um lado e atendendo à sua grandeza enquanto clube, ambição inata e pergaminhos históricos, deve o Sporting apostar forte no certame ou, por outro, se seria preferível guardar energias para o que resta do campeonato nacional, competição onde à 14º jornada leva 4 pontos de avanço sobre o duo Benfica/Porto e nove pontos à maior sobre o Sporting de Braga. Ainda que esteja por provar que o desgaste de uma Taça da Liga possa provocar assim tantos danos no que resta do campeonato, mais a mais sabendo-se que, eliminados que estamos da Liga Europa e Taça de Portugal, teremos um calendário mais desanuviado que os rivais a partir do mês de Fevereiro, gostaria de auscultar a Vossa opinião. Fico então à espera de saber da Vossa justiça...

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18
Jan21

Foi assim que aconteceu...


Pedro Azevedo

26.01.2019   FC Porto - Sporting 1-1 (1-3 G.P.)

 

Crónica "Tudo ao molho...": O Inverno do nosso contentamento

 

Confesso que não estava especialmente confiante antes do jogo. Vendo e ouvindo a antevisão televisiva, nos vários canais, pior fiquei: a média das probabilidades a nós atribuídas era a alegria dos cemitérios de um sportinguista.

Com esta carga em cima, sentei-me à frente do televisor. Sintonizei a SportTV. Os comentários iniciais foram no mesmo sentido, como se o jogo já tivesse terminado antes mesmo de ter começado e o que nos fosse dado a assistir daí para a frente, uma mera formalidade.  

 

Passado um curtíssimo ímpeto inicial portista, o Sporting pegou no jogo. Incrédulo com o que via no relvado, o comentador tardou a dar o braço a torcer. Pelo menos muito mais tempo do que André Pinto ou Petrovic demoraram a dar o nariz a partir. A verdade é que as melhores oportunidades no primeiro tempo foram dos leões. Com a excepção de uma cabeçada de André Pereira, todos os lances de perigo foram nossos, destacando-se dois remates desenquadrados de Nani, uma carambola em Raphinha que quase tomava o rumo da baliza e um livre de Bruno Fernandes a tirar tinta ao poste, em jogada precedida de um cartão amarelo-alaranjado atrbuído a Felipe. Perante isto, o senhor da SportTV disse que o Sporting tinha conseguido equilibrar o jogo. (Não tenho a certeza, mas talvez não fosse má ideia entregar a decisão das partidas ao senhor comentador da SportTV. Assim, ambos nos poupávamos ao incómodo: nós, de ver os jogos; ele, de ter de se interrogar porque é que tudo correu ao contrário da sua lógica das coisas.)

Entretanto, o árbitro mostrava total desprezo pela "lei da vantagem" e dava cartões conforme a vontade das bancadas, para o efeito transformadas num circo romano de polegares para cima e para baixo consoante a vontade da maioria ruidosa. Em consequência, Acuña viu um amarelo incompreensível e Keizer, assustado, no reatamento decidiu colocar Jefferson no lugar do argentino. 

 

A troca dos laterais esquerdos abria uma perspectiva tenebrosa para o segundo tempo e a expectativa não saiu gorada: entre ajoelhamentos defensivos e perdas de bola no ataque, o brasileiro contribuiu da forma habitual para a (hiper)tensão deste adepto. O que isto foi de dar de fumar à dor (até à exaustão)...Para piorar o cenário, o "soundbyte Abel(ico)" de que o futebol não é basquetebol produziu efeitos e André Pinto caiu por terra - sangrando abundantemente do nariz - após uma cotovelada de Marega, tudo sem qualquer admoestação de João Pinheiro. Sem centrais no banco entrou Petrovic, o qual pouco tempo depois também se magoou na mesma zona. O jogo voltou a ficar interrompido, o sérvio esteve fora do campo a ser assistido (Miguel Luís chegou a estar de prevenção para entrar, de forma a que Gudelj pudesse recuar para a defesa), e as várias adaptações em tão curto espaço de tempo criaram alguma desestabilização (e mesmo pontual desorientação) na equipa leonina. O Porto, liderado por Brahimi, aproveitou, embora sem criar grande perigo, excepção feita a nova cabeçada de André Pereira, desta vez para defesa de Renan Ribeiro. Até que, num lance onde Gudelj estava muito metido na área e Wendel demorou um pouco a fechar, Herrera rematou praticamente sem oposição. O tiro não saiu colocado, mas Renan calculou mal a trajectória e deixou a bola ressaltar para a frente, proporcionando a recarga vitoriosa do recém-entrado Fernando. 

 

A perder a 10 minutos (mais descontos) do fim, Keizer arriscou o que pôde - já só tinha uma substituição possível - e trocou Gudelj por Diaby, recuando Nani para organizar o jogo com Bruno Fernandes. Sob a batuta dos capitães, o Sporting tomou as rédeas da partida e começou a ameaçar as redes de Vanã. Eis então que, num lance insólito, Diaby antecipa-se na área a Oliver e é carregado por este, em jogada sem perigo iminente. João Pinheiro não viu, mas o BiVAR (é verdade!!) chamou-lhe a atenção. Após visionamento das imagens, assinalou "penalty". Bas Dost converteu, igualando o marcador. O Sporting podia ter decidido o jogo ainda no tempo regulamentar, mas Vanã salvou miraculosamente o Porto ao defender um remate de Raphinha que concluiu uma assistência soberba de Bruno Fernandes. 

 

Seguimos para "penáltis" e o Sporting voltou a falhar primeiro. Após novo golo de Dost, Coates repetiu o falhanço da semi-final. Mas Renan tornava a baliza pequena e Militão escolheu (acertar no painel d`) a Super Bock. Bruno marcou com a classe do costume, e quando Hernâni partiu para a bola comentei para o lado que iríamos ganhar. Estatisticamente, os canhotos geralmente cruzam a bola nos penáltis e Renan também assim o pensou e defendeu. A conversão de Nani deixou-nos muito perto da vitória. Ficámos com duas hipóteses em aberto para ganhar o jogo: se o Porto falhasse a penalidade seguinte, ou Raphinha convertesse a última, o Sporting ganharia. Para sossego do meu coração, Felipe acertou no travessão e começou a festa. Abracei todos os que estavam à minha volta e já não ouvi os comentadores, mas admito que tenham tido uma noite longa a explicar como o Porto perdeu um jogo antecipadamente ganho. Deve ter sido coisa para um certo monólogo shakespeariano que envolve a constatação de que a consciência tem um milhão de diferentes vozes...

 

Na Pedreira, o Sporting levou a Taça e Keizer ganhou o seu primeiro título como treinador. Foi a segunda vitória consecutiva dos leões na competição, com a curiosidade dos 4 jogos da Final Four terem sido ganhos por penáltis. Já se sabe, connosco é sempre a sofrer até ao fim. Destaque-se também que ganhámos os últimos 8 jogos (!!) de mata-mata disputados contra o FC Porto (ninguém diria, pois o tratamento dispensado pela CS foi sempre de "underdog"), o que nos torna já numa espécie de São Jorge (proponho-o para padroeiro do clube) para os dragões, mesmo que neste caso tenhamos tido menos um dia de descanso e a erosão psicológica adicional de uma (prolongada) série de grandes penalidades. 

 

E assim, ao contrário das primeiras linhas de Ricardo III - "(Este é) o Inverno do nosso descontentamento" - , ou do livro homónimo de John Steinbeck, somos os CAMPEÕES DE INVERNO!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (mas "Renan é grande", como disse Dost). Num segundo plano, Petrovic, Coates e Nani (quando passou para o meio) estiveram acima dos restantes. Destaque ainda para Diaby, providencial ao ganhar a grande penalidade.

taçadaligacampeões.jpg

16
Jan21

Tudo ao molho e fé em Deus

“The plot thickens!”


Pedro Azevedo

Caro Leitor, depois do Keizer, Leonel e Silas, ficámos convencidos que o Rúben era o careca bom. É certo que sem nível, dizia-nos um Zé Pereira folião e sempre disposto a tocar bombo em carnavais que envolvam o nosso Sporting, mas bom. Bom, na verdade, nós sabíamos de antemão que o Rúben não era propriamente careca, aquilo era mais um pente três ou, melhor dizendo, um pente 3 pontos. E de 3 pontos em 3 pontos, de vitória em vitória, a nação leonina ia regozijando. Mas agora o Rúben deixou crescer o cabelo e ao contrário de Sansão parece que perdeu a sua força. Para piorar o cenário, passou a ter nível. Ora, sobre o nível apropriado para treinar o Sporting os nossos adeptos até podiam ser dramaturgos. Tanto que cada um poderia substituir Ésquilo ou Sófocles e escrever uma tragédia grega sobre o tema. A coisa geralmente envolve peripécias com mestres da táctica, apostas enfáticas em pernas-de-pau (e tímidas na Formação) e rios de dinheiro fluindo qual êxodo ladeira abaixo. Foi o que me ocorreu ontem ao ver o Borja no relvado e o Gonçalo Inácio no banco. Acresce que pouco depois observei que o Vertonghen fez para aí uns 100 passes tensos e bem medidos a lançar o Nuno Tavares no corredor. Ora, o nosso Borja, que foi contratado para lateral e acabou a central por aí supostamente causar menos dano, no seu total inconseguimento não fez mais do que passar a bola para o lado e para trás durante 90 minutos. Além disso, no golo vilacondense que bem poderia ter sido nosso tais os seus protagonistas, não fez linha com a restante defesa, afundou-se no terreno, pôs em jogo todos os rioavistas e ainda ficou a olhar só para a bola saída dos pés do Geraldes e deixou o Mané entrar-lhe pelas costas. Em suma, se fosse possível elaborar um manual do que um defesa não deve fazer, o Borja poderia ilustrar a capa. Outra coisa que me intriga é o futebol do João Mário. Quer dizer, eu já fui um grande fã daquele futebol de corte e costura do João Mário de 15/16, mas a esta versão 20/21 falta muito corte a direito e em viés (com bola), ou mesmo cortar as vazas aos adversários. Tanto assim é que no golo do Rio Ave o João Mário adoptou o seu heterónimo Joãozinho Caminhante e foi acompanhando com os olhos a progressão do Xico Geraldes sem nunca lhe passar pela cabeça pôr o pézinho. Tudo somado, a razão pela qual permaneceu todo o jogo em campo é um daqueles mistérios tipo Roswell que ficará para sempre por desvendar. Mais fácil de compreender será o facto de um treinador levar um ponta de lança para o banco e não o utilizar quando precisa de ganhar o jogo. Neste caso, só pode mesmo ser castigo. Afinal, quem mandou o Pedro Marques marcar golos de contrafacção em Sacavém? O Jovane teve mais sorte e ainda conseguiu jogar 11 minutos. Suponho que está a ser guardado para o jogo do Benfica, caso os problemas musculares não o voltem a atormentar. Ainda assim, deu logo nota da sua principal qualidade ao apanhar uma bola perdida e caminhar frontalmente para a baliza. Depois de atrair 2 defesas, tocou para o Tiago Tomás. Foi a nossa melhor oportunidade do segundo tempo, mas, pronto, já se sabe que o Jovane é o patinho feio para uma grande parte da nossa massa associativa que só usa (cola) Cisne nos cromos que todos os anos se compram para a caderneta. Cromos tipo Plata: um craque, dizem alguns com olhos doces, um jogador de futebol de rua, dizem outros com olhos lassos como eu. E mesmo assim... É que na minha rua havia uns rapazes que tinham o mesmo entendimento do jogo colectivo do equatoriano. A diferença é que os melhores levavam a bola colada no pé, mesmo o piso sendo de paralelipípedo, e não a 1 metro de distância e aos repelões como o Plata a leva em perfeitos relvados enquanto, trapalhão, prepara o choque inevitável com o adversário e o ressalto subsequente. Um homem até ficaria deprimido, não houvesse Pote, Porro, Palhinha e TT (grande jogada individual a finalizar a primeira parte) para aquecer a alma. Diga-se porém que do antigo Rúben ainda resistiu uma jogada de laboratório. Só que desta vez a iniciativa não partiu da esquerda com o Nuno Mendes, mas começou na direita com o Porro. O passe, cruzado para a zona do lateral contrário, apanhou o Plata desmarcado. O cruzamento deste, deflectido ligeiramente, alcançou o Pedro Gonçalves. Até aqui tudo bem, o guarda-redes, expectante, aguardava um sinal proveniente do pé direito do ex-famalicense. Mas eis que o moço antecipa com o pé esquerdo e o polaco Kieszek nem se mexeu. Mais uma vez, o Sporting inaugurava o marcador com uma eficaz triangulação a toda a largura do terreno.

 

Catorze jornadas decorridas, o Sporting é primeiro. Se me dessem tal como certo no início da temporada, eu teria assinado logo por baixo. Esse é o copo meio cheio. O copo meio vazio é o facto de o nosso futebol recentemente se ter perdido algures na Ilha da Madeira. Também o Amorim não parece o mesmo, com substituições à Jesus e tudo e o Coates a ponta de lança. Eu tenho uma teoria, tudo ainda é consequência da Filomena, a tempestade que deve ter revolucionado a cabeça do Rúben e está a deprimir todos os Sportinguistas que queriam mesmo era ganhar o campeonato com 6 pontos à maior (eu por mim já me bastava que o Rúben usasse as 5 substituições permitidas pelo regulamento). Mas acredito que brevemente as coisas irão mudar. A chave? O Rúben volta ao pente 3, não se deixa impressionar com passagens de nível fechadas para circulação de comboios de mercadorias no mês de Janeiro e manda o Ferro às entrevistas rápidas e conferências de imprensa. O nosso pobre coração agradece. Estava tudo a ser tão previsível, para quê estragá-lo com suspense no novo ano? Entretanto, Porto e Benfica empataram e o Braga perdeu. Dir-se-ia que todos os testes realizados pelos candidatos já em pleno confinamento deram resultados negativos. Resta saber se algum é um falso negativo. Ou, se antes houve falsos positivos. "The plot thickens"!

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13
Jan21

Um Nobre influente em tempo de República


Pedro Azevedo

António Nobre protagonizou ontem mais um dia infeliz da arbitragem portuguesa. Primeiro ao punir com a amostragem do segundo cartão amarelo uma carga de ombro, logo legal, do nacionalista Rui Correia sobre um jogador do Porto. Acresce que, para além do lance ter sido mal ajuizado, a ter havido falta a punição só poderia ser o cartão vermelho pois o avançado do FC Porto ficaria de outro modo isolado e com a baliza à sua frente. Sem aduzir qualquer processo de intenção ao árbitro, a verdade é que a amostragem do amarelo validou automaticamente o primeiro erro, inviabilizsndo a apreciação posterior pelo VAR que decirreria do protocolo caso Antonio Nobre tivesse mostrado a cartolina escarlate. Mas não ficou por aqui a polémica: o golo que permitiu ao Porto levar o jogo para o prolongamento ê precedido por um toque da bola no braço de Taremi. Ora, durante semanas, no seguimento do alegado toque da bola no braço de Pore no decurso do Sporting-Moreirense, andámos a ouvir uma narrativa emanada de sábios da arbitragem que consistia em haver recomendações aos árbitros para invalidar jogadas de golo em que o braço de quem ataca tenha sido protagonista, não sendo relevante para o efeito a questão da intencionalidade ou não. Bom, a verdade é que esse era lance de VAR e este não terá visto nada que revertesse a decisão do árbitro. Chegados a este ponto, já ninguém se entende. As más decisões são mais que muitas, a falta de uniformidade de critérios idém e fica a ideia de que jamais nos libertaremos destas polémicas. Em simultâneo, tudo como dantes no Quartel de Abrantes, o Conselho de Arbitragem continua a assobiar para o lado. Até quando, e com que custos para a credibilidade do produto futebol português ainda não sabemos na sua verdadeira dimensão. 

13
Jan21

Vamos lá virar a página


Pedro Azevedo

Foi triste e dolorosa a eliminação da Taça de Portugal, mas agora temos vinte e uma finais pela frente. Próxima final: sexta-feira, dia 15 de Janeiro, recepção ao Rio Ave. Não vale a pena ficarmos a carpir mágoas porque assim não avançaremos. Acresce que não é possível reescrever a noite de segunda-feira, pelo que deve-se, isso sim, daí retirar ilações de molde a podermos justificadanente alimentar a esperança de que o futuro venha a estar em consonância com o caminho que temos vindo a trilhar até aqui no campeonato. Nesse sentido, não justificando a actual conjuntura quaisquer poupanças, têm de jogar de início aqueles que o treinador percepcione serem os melhores e há que manter o foco no que de nós depende e não cairmos na tentação de especular com o(s) jogo(s), usando sabiamente as substituições para que a equipa possa sempre manter um elevado ritmo em campo. Jogo a jogo... Vamos! 

12
Jan21

Reflexões sobre o jogo de ontem


Pedro Azevedo

- Os golos do Marítimo não foram consequência do processo colectivo, antes resultaram do somatório de erros individuais: passe errado na saída de bola de Neto e posterior abordagem macia de Feddal no primeiro golo, antecipação falhada de Nuno Mendes e não ataque ao espaço por parte de Sporar no segundo golo (defesa à zona na bola parada). 

- Os nossos interiores de ontem  (Tabata e Nuno Santos) pensam essencialmente como alas. Pode jogar um com Pote mais por dentro, mas os dois ao mesmo tempo diminuem-nos o jogo interior e a associação com os médios. Assim, ficámos reduzidos à procura da profundidade (na primeira parte mais efectiva por o Marítimo ter as linhas mais subidas, no segundo tempo infrutífera). Pote e Jovane são mais perfurantes com bola. O primeiro é muito inteligente a explorar os espaços entre-linhas, o segundo ataca o defesa que o está a marcar e com a sua mobilidade obriga-o a desposicionar-se e abre espaços para a entrada de outros jogadores.

 

- Não entendi a razão pela qual Jovane não entrou durante o jogo (só não sugiro que o tivesse iniciado por vir de lesão). Não conheço o estado físico de cada jogador, mas compreendo a gestão de esforço que Ruben Amorim operou após o desgastante jogo com o Nacional ocorrido apenas 3 dias antes. 

 

- Plata foi uma aposta falhada no corredor direito. Cometeu inúmeros erros defensivos e só no final do jogo fez alguma coisa de relevante ofensivamente. Antes, ao vir sistematicamente para dentro, anulou Tabata, ao contrário do que habitualmente faz Porro que atrai adversários na largura e assim abre espaços no centro. O equatoriano continua a demonstrar pouco entendimento do jogo e dos seus momentos. 

 

- Sporar é um ponta de lança com boa associação com o resto da equipa, mas sem instinto matador ou faro de golo. Isso é gritante em certos posicionamentos (falta de reacção adequada ao cabeceamento/assistência de Coates). Para além disso falha habitualmente golos cantados (ontem mais um). 

 

- O Sporting dominou a maior parte do tempo. Podia ter inaugurado o marcador logo aos 7 minutos ( TT, passe de Matheus), mas a partir daí os desequilíbrios que provocou no adversário não tiveram consequências por má definição do último passe/remate. No segundo tempo, o Marítimo foi um pouco mais afoito no ataque, curiosamente numa fase em que tinha até o bloco mais baixo e procurava mais a transição do que o ataque continuado. As entradas de Pote e Porro pareceram-me tardias, sendo que o espanhol foi ocupar a posição de central pela direita.

 

- O estado do terreno (muito irregular) dificultou obviamente o trabalho à equipa com melhores valores individuais. A bola saltava no contacto com a relva, e isso prejudicou mais os médios e os seus arrastamentos. 

- Será provavelmente só uma coincidência, mas num contexto em que se fala tantos dos méritos dos treinadores portugueses, não deixa de ser curioso que as únicas derrotas esta época do Sporting de Ruben Amorim tenham ocorrido em confronto com treinadores estrangeiros. 

 

- Sendo uma realidade que chegados a Janeiro já estamos fora em 2 das 4 competições em que entrámos (as nossas únicas duas derrotas significaram o afastamento prematuro de duas competições), não deixa também de ser digna de todos os encómios a nossa prestação  no campeonato. É preciso continuar a apoiar a equipa, a qual tem demonstrado até aqui uma óptima mentalidade competitiva. Se uma andorinha não faz a Primavera, também não podemos deixar que uma derrota nos abata ao ponto de nos retirar confiança no caminho meritório que Ruben Amorim e os jogadores vêm percorrendo. Isto é válido para nós, adeptos, mas também para o próprio grupo de trabalho que não se pode deixar afectar por este percalço. Ganhando na sexta-feira ao Rio Ave, a equipa ficará sempre numa posição privilegiada na tabela classificativa (Porto e Benfica defrontam-se no Dragão). E isso deverá ser motivação mais do que suficiente para reentrarmos num ciclo de vitórias. 

 

Na vitória como na derrota, Sporting sempre! Força! 

11
Jan21

Não há marca sem adeptos


Pedro Azevedo

Só há 3 coisas que fazem todo o sentido no futebol: a bola, os jogadores e o público. Sem bola não há jogo, sem jogadores não há arte, sem público essa arte nunca seria devidamente reconhecida. Nenhum clube se pode dar ao luxo de prescindir do seu público, do seu mercado. Sem adeptos que consumam o espectáculo do futebol não haveria direitos de TV, receitas de merchandising ou bilhetes vendidos. Sem proveitos, os clubes definhariam. Nesse sentido, entendo que a discussão à volta de ser benéfico para a equipa de futebol do Sporting não ter adeptos no seu estádio não faz qualquer sentido. Não se trata de ser verdade ou não - quantas e quantas vezes não disse aqui que mais importante que as razões de cada um é a razão do Sporting? - , trata-se, sim, de essa discussão ser lesa-Sporting porque deprecia a sua marca. Uma marca vale pelos seus consumidores, sem estes não tem valor. Ora, devemos repudiar e erradicar comportamentos como os da invasão a Alcochete ou certos "espectáculos pirotécnicos" em jogos de futebol, mas não se pode tomar a nuvem por Juno e confundir a massa associativa do clube com grupos de degenerados. Acresce que no Sporting a exigência tem sempre de ser máxima. Ela deve é ser corretamente aplicada. Nesse aspecto, o calibrar da linguagem por parte de quem dirige é fundamental no sentido de não se fomentarem ódios que colidam com o amor ao jogo e ao clube. Talvez se possa fazer mais alguma coisa em nome da promoção do jogo e dos seus valores, e isso se vir a traduzir em novos espectadores mais apaixonados pelo jogo e sua compreensão e não a querer ganhar a qualquer preço. Mas no alto rendimento há pressão, não há como escamoteá-lo. Michael Jordan não tinha pressão nos Bulls? Basta ver o documentário Last Dance, da Netflix, para percebermos que sim. Para além das 2 claques desavindas, muitas vezes senti-me revoltado com a nossa Bancada Central. Quantas vezes não vi e ouvi Nani ser assobiado por alegadamente prender a bola, quando o nosso ídolo apenas pretendia não a entregar à toa? Mas isso tem de se inscrever dentro de uma cultura de exigência. Por vezes a paixão tolda o adepto, outras vezes o seu não entendimento do jogo fá-lo invectivar este ou aquele jogador sem sentido. Porém, quem defende as cores verdes e brancas tem de estar à altura do desafio. Porque a recompensa também é grande, e não há adeptos como os do nosso clube na hora de acarinhar os feitos dos seus jogadores. Deste modo, temos de pensar na nossa massa associativa e de adeptos como um factor crítico ao nosso sucesso. O peso dos 3,5 milhões assim o determina e o valida. Pelo que, dizer que essa massa é contraproducente não é só insensato e lesivo do clube, está em dissonância com aquilo que dá sentido ao futebol. Que pare então esta discussão sobre os efeitos nocivos dos adeptos, pois ela só nos enfraquece. Além disso, está em contra-ciclo com a nossa brilhante carreira no campeonato, que nos fortalece. E quantos adeptos não dariam tudo para poderem manifestar in-loco nas bancadas o seu incorruptível apoio à nossa equipa, o seu agradecimento aos nossos briosos jogadores? Pensem nisso antes de ingenuamente começarem a desvalorizar o que é nosso. 

10
Jan21

Golo, influência e acções directas ao minuto


Pedro Azevedo

Golos por minuto de utilização.png

Legenda: 1º Quadro: minutos necessários para fazer 1 golo; 2º Quadro: minutos necessários para ter influência (golo, assistência, participação importante) em 1 golo; 3º Quadro: minutos necessários para ADG (acção directa para golo=golo ou assistência). 

 

Descontando os números de Pedro Marques (impressionantes, mas de amostra muito curta para ser conclusiva), há algum indicador que surpreenda o caro Leitor?

10
Jan21

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 18 jogos - 13 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa, 2 para a Taça de Portugal e 1 para a Taça da Liga -, obtendo 15 vitórias (83,3%), 2 empates (11,1%) e 1 derrota (5,6%), com 44 golos marcados (média de 2,44 golos/jogo) e 13 golos sofridos (0,72 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (11,2,3), N. Santos (5,9,0), TT (5,2,2);

2) MVP: Pedro Gonçalves (40 pontos), Nuno Santos (33), TT (21); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (16 contribuições), N. Santos (14), Sporar (11);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (11 golos), TT e Nuno Santos (5);

5) Assistências: Nuno Santos (9), Tabata, Porro, Vietto, Feddal, M. Nunes, J. Mário, Jovane, Pote e TT (2).

 

Fazendo uma análise por sectores em termos de pontos MVP (golo=3; assistência=2; participação=1), teremos:

 

Pontas de Lança (total=54): TT (21), Sporar (20), Vietto (7), Pedro Marques (6)

(nota: TT também jogou como interior)

 

Interiores (total=101): Pote (40), Nuno Santos (33), Jovane (16), Tabata (12)

(nota: Jovane também jogou como ponta de lança)

 

Médios Centro (total=20): João Mário e Matheus Nunes (7), Palhinha e Bragança (3)

 

Laterais/Alas (total=22): Porro (12), Nuno Mendes (8), Plata (2)

 

Centrais (total=18): Coates (10), Feddal (5), Gonçalo Inácio (3)

 

Guarda-redes (total=2): Adán (2)

 

Conclusões:

  • A posição de Interior contribui em acções de golo praticamente o dobro da posição de Ponta de Lança;
  • Os nossos Médios Centro têm menos preponderância nos golos que os Laterais/Alas e pouco mais que os Defesas Centrais, o que pode indicar que RA vê-os mais como um factor de equilíbrio defensivo, sendo os desequilíbrios ofensivos mormente produto da circulação em "U";
  • Ordem de importância no golo: Interiores, Ponta de Lança, Laterais/alas, Médios Centro, Centrais, Guarda-redes;
  • Um total de 19 jogadores já contribuiu para os golos leoninos. Dos utilizados, Max, Neto, Quaresma, Borja e Antunes ainda não tiveram preponderância nos golos marcados. 

 

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

ranking gap 100121.png

09
Jan21

Tudo ao molho e fé em Deus

Contra ventos e marés


Pedro Azevedo

Foi uma semana estranha. Nos EUA, um homem vestido com pele de bisonte tomou o controlo da Câmara dos Representantes no Capitólio em nome de uma alegada revolução popular alimentada por um discurso anti-democrático onde sobra o ódio e escasseiam as subtilezas. Em Portugal, onde os lobos até ver vestem pele de cordeiro, a revolucionária foi a bola: no Domingo porque não rolou (milagre de Santa Clara), anteontem porque não parou de rolar (depressão Filomena). Na Choupana ainda houve quem jurasse que a bola era chata, mas Galileu Mota Galilei sentenciou "e pur si muove" (contudo, ela move-se). Dito isto, a talho de foice cortou a direito e mandou toda a gente para os balneários, adiando para ontem a realização do jogo.

 

Quais intrépidos marinheiros portugueses que em cascas de noz expostas às intempéries se dispuseram a descobrir novos mundos, os bravos jogadores do Sporting apresentaram-se de um imaculado branco perante a chuva tocada por rajadas de vento e um relvado enlameado. Ainda para mais, o comentador da SportTV anunciava - o drama, a tragédia, o horror - que na primeira parte o Nacional ia atacar no sentido para onde sopravam os ventos da Filomena. Estava lançada a epopeia. Num terreno onde os Ferraris atascariam, primeiramente houve que adaptar a forma de circulação. Muito jeito deu então o tractor de Palhinha e o arado de Pedro Gonçalves, oferecendo mobilidade e ajudando a revolver o último reduto nacionalista. Mesmo João Mário fazia por não desmerecer. Ainda que se sentindo como um bailarino do Bolshoi num hexágono do MMA, o internacional emprestado pelo Inter lá ia procurando através de processos simples soltar a bola o melhor possível. Não se aventurando no ataque, algo que Pote agradeceu para cultivar a sua semente de médio centro e daí criar raizes que dessem fruto ao nosso caudal ofensivo. Até que surgiu o golo. Como não há coincidências, o lance que inaugurou o marcador nada teve de acaso. Tanto assim foi que pareceu tirado a papel químico do nosso primeiro golo com o Braga, trocados apenas os protagonistas das duas acções decisivas: o Nuno Mendes como de costume centrou para as costas do lateral esquerdo adversário, o Pote antecipou-se e assistiu, o Nuno Santos finalizou. Íamos para o intervalo em vantagem e o Nacional mancomunado com a Filomena não havia sequer incomodado o Adán. Filomena? Ainda se fosse a Eva...

 

Na etapa complementar a toada manteve-se, agora com o vento a nosso favor. Na frente, o Pote prometia ganhar o Arado d'Ouro, no miolo o intratável Palhinha fazia e desfazia como se nada fosse com ele e lá atrás o Neto afastava para longe com o pé mais à mão. Puro azar, ou sede a mais ao pote, o Pedro Gonçalves por três vezes não conseguiu marcar: uma foi do Pote ao poste, outra o guarda-redes defendeu, outra ainda mostrou que os grandes jogadores até em cima de uma cama de pregos sabem jogar. O Palhinha também tentou de longe, mas o mais que conseguiu foi encher de lama a cara do desafortunado brasileiro que defende as redes do Nacional. Quem diria que este viria a precisar de uma viseira, e não necessáriamente devido ao Coronavírus? Com o tempo sentiu-se que o Nacional subira um pouco no terreno. O Rúben também o sentiu e mandou entrar dois tractores (Matheus e Jovane) e um todo-o-terreno (TT) para não sofrermos mais sobressaltos. O jogo lá se foi encaminhando para o fim. Estávamos em período de descontos. Tempo ainda para o Matheus avançar pela direita e centrar. Um defesa madeirense afastou atabalhoadamente. A bola ficou ali ao pé do TT que de pronto a endereçou para o coração da pequena área. O Jovane, que não precisa de muitos minutos para marcar um golo, não perdoou e sentenciou o jogo. "Pormaior": passava dos 90 minutos e nesse lance tínhamos 3 jogadores na área. 

 

Esforço, dedicação, devoção e glória, ou a superação da pista de lodo da Choupana como uma parábola da nova vida do leão com Rúben Amorim ao leme. Uma equipa híper-solidária, física e mentalmente fortíssima, ao ponto de até comover vê-la a laborar (a de Silas também comovia, o problema é que o sentimento depois perdurava durante toda a semana e quando dávamos por nós estávamos encharcados de Prozac). Com este carácter, o Sporting produz um "statement", impondo-se e mostrando a qualquer equipa que nos defronte que esta está sempre à beira de sofrer um golo. Ou, como se diz em carvalhalenglish, "You are here, you are eating", lema que talvez melhor reflicta a vontade quase "brutânica" com que estamos em campo. 

 

Tenor "Tudo ao molho..." : Pote

pedrogoncalves10.jpg

08
Jan21

A guerra do Solnado


Pedro Azevedo

Já após serem conhecidas as previsões meteorológicas para a Madeira e a Protecção Civil ter emitido um aviso, o telefone toca na sede da Liga Portugal. O seu presidente, Pedro Proença, atende e segue-se este diálogo:

 

- "Alô!?"

- "Pedro? Daqui fala a Depressão!"

- "Como ousais? Toda a gente no mundo do futebol sabe que deprimente só há um, o Proença e mais nenhum..."

- "Sim, reconheço que na tua cabeça não sopra uma aragem, mas eu sou o vento, um furacão, outro tipo de Depressão, Filomena..."

- "Ah, bom! E que desejais, Filomena?"

- "Era só para comunicar que Quinta-feira, a partir das 18h, vou atacar forte na Choupana."

- "Ó Filomena, mas tu metes medo a alguém? Ainda se fosses bruma ou nevoeiro (ou stock de gel para o cabelo)... Bate mas é a bola baixinho."

 

E ela bateu... E a bola lá foi rolando, baixinho, junto à relva...

 

O diálogo terá terminado por aqui. Nada foi feito atempadamente no sentido de antecipar ou adiar o jogo. Este, como seria abundantemente de esperar, nunca chegou a começar à hora marcada. 

(Está lá, é do inimigo?/Dailymotion)

(A Guerra de 1908/YouTube)

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