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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

18
Set20

Voar como o Jardel sobre os centrais


Pedro Azevedo

Mário Jardel perfaz hoje 47 anos. Em dia de aniversário, nada como oferecer de presente, a ele e a todos os Leitores de Castigo Máximo, este golo marcado ao Vitória de Setúbal que me desperta tantas recordações por motivos não exclusivamente relacionados com o futebol. Nessa noite tive um jantar em Alenquer, repasto há muito agendado que não me permitiu ir a Alvalade. A mesa estava quase completamente preenchida por Sportinguistas (cerca de uma dúzia) e o Tomaz, de transistor colado ao ouvido, ia-nos dando novidades sobre o jogo. Ainda antes do intervalo, uma péssima notícia: o Marius Niculae lesionou-se com gravidade. O tempo passava, o marcador não se alterava e o nosso grupo desesperava. Tudo levava a crer que uma vez mais o velho fado leonino se iria entoar. Mas nós tínhamos o Jardel! E em cima da hora ele lá nos salvou. Bom, mas o melhor é deixar correr as imagens. Elas, muito mais do que a minha prosa, farão justiça ao goleador que foi Mário Jardel. Parabéns! E saudades...

 

P.S. No banco do Vitória, após aquele golo de gala, o JJ até teve de dar brilho ao sapato...

17
Set20

"Coitados dos gregos" e o "Cavalo de Tróia"


Pedro Azevedo

Era uma vez uma Cartilha de João de Deus dos pobres de espírito distribuída por um senhor que anteriormente havia ficado tristemente conhecido por infelizes analogias que envolviam padres, vulgo Alegoria da Caserna, alegadamente contidas em emails que supostamente trocara com outros interessados na causa. Lendo essa cartilha, o mesmo senhor, eufórico e possuído de uma razoável dose de soberba, entoava loas ao sonho de expansão europeísta e antecipava o fim de uns gregos pelos quais mostrava até antecipadamente alguma compaixão. Acontece que o que era sonho virou pesadelo e caiu aos pés do "Cavalo de Tróia" de onde saiu Zivkovic, para o efeito investido de um Aquiles sérvio mergulhado de olhos fechados em menino no Danúbio e cuja única vulnerabilidade conhecida (oftalmológica) se revelara recentemente sob injustificado apedrejamento por uma horda irada, desavinda e criminosa. Agora, desacreditado enquanto orixá e desbancado do pedestal que outrora partilhara com uma enfurecida Hera protectora dos gregos, de nigromante transformado em agoureiro, restará ao senhor cartilheiro um papel menor no coro das Testemunhas de Janelá que discretamente ainda andará por aí. É, por isso, caso para se dizer: coitado do "troiano"!

cavalo de tróia.jpg

17
Set20

Craque da semana

Albion Ademi


Pedro Azevedo

Nesta nova rúbrica procurar-se-á mostrar alguns jogadores que se têm vindo a destacar em campeonatos periféricos e cujo preço acessível os torna interessantes para a nossa Liga. 

 

O craque desta semana é Albion Ademi, um jovem (21 anos) ala esquerdo cujo pé preferencial é o direito que actua no IFK Mariehamn, actual sexto classificado da primeira divisão finlandesa (Veikkausliiga). Nascido em Turku, na Finlândia, e filho de albaneses do Kosovo, Ademi representou as selecções jovens finlandeses até que optou pela selecção albanesa de sub-21. Formado no Turun Palloseura (TPS), tornou-se profissional no Inter Turku de onde se transferiu esta época para o Mariehamn. Muito rápido na condução de bola, com boa técnica de drible e remate forte e colocado, despontou esta época a grande nível, assumindo-se como o melhor goleador do campeonato com 12 golos em 14 jogos - mais de metade dos golos da sua equipa - , números impressionantes (a que soma 3 assistências) para quem não joga no centro do ataque. Com um valor de mercado de 300.000 euros (Transfermarket), penso que Ademi se poderia encaixar bem no lote de clubes com aspirações a lutar pela qualificação para a Liga Europa ou mesmo ser testado numa equipa B ou sub-23 de um clube grande. Obviamente, necessita ainda de algum desenvolvimento e exposição a um nível de dificuldade mais elevado, mas há pormenores no seu futebol que me parecem promissores e me trazem à memória Nolito, um jogador com uma carreira interessante que passou por Benfica, Manchester City e Sevilha.

14
Set20

Há um Sporting em destaque na Bélgica


Pedro Azevedo

Na Bélgica, cumpridas que estão 5 jornadas da Jupiter Pro League, a grande sensação é o Sporting Charleroi. Contando por vitórias os jogos realizados, este clube da província de Hainaut está em território inexplorado face aos seus pergaminhos históricos. Numa competição habitualmente dominada pelos clubes da Flandres e de Bruxelas - Anderlecht e Club Brugges têm em conjunto 50 títulos - , o Sporting Charleroi nunca foi além de um segundo lugar na já longínqua época de 68/69, classificação que partilha com as duas finais perdidas da Taça da Bélgica como os maiores feitos de um percurso iniciado há 116 anos. 

 

Porém, esta época, o Sporting Charleroi lidera isolado o campeonato, mantendo os sempre favoritos Anderlecht e Club Brugges a 6 pontos e o Standard de Liege a 5. Mais próximo (3 pontos) está o Beerschot, clube que se destacou entre as Grandes Guerras (7 campeonatos) e que desde aí não mais regressou aos tempos de glória. Com a melhor defesa da Liga (1 golo sofrido) e o quarto melhor ataque (9 golos marcados), o Charleroi é uma equipa equilibrada que se dispõe num 4-2-3-1 e tem no iraniano Ali Gholizadeh o seu melhor jogador. Gholizadeh é um ala direito canhoto de boa técnica que pensa como um "10", pelo que os seus movimentos interiores destinam-se mais a solicitar as desmarcações dos companheiros nas costas dos defesas contrários do que a procurar o remate ou o cruzamento. Na outra ala, o nipónico Morioka procura igualmente o jogo interior, pelo que a profundidade é assegurada pelos laterais Busi (direita) e Kayembe (esquerda), este último um velho conhecido dos portugueses após passagens por Rio Ave e FC Porto. Kayembe é menos estereotipado do que Busi, alternando a verticalidade junto à linha com diagonais poderosas em contra-ataque. A equipa encontra geralmente mais dificuldades em compensar as saídas de Busi quando em transição defensiva, sendo esse o seu ponto fraco mais facilmente detectável. O guarda-redes Penneteau, francês, é competente entre os postes, mas evidencia algumas dificuldades a jogar com os pés. Os centrais Willems e Dessoleil são experientes e conhecem-se bem pois estão no clube há muito tempo, algo que mitiga alguma falta de qualidade extra. Os dois pivôs do meio campo são Ilaimaharitra (Madagáscar) e o veterano belga (36 anos) Gillet, recém chegado ao clube, jogador com uma carreira interessante que teve o seu ponto mais alto no Anderlecht e passou por Nantes, Olympiacos e Lens. Todavia, é no quarteto da frente que se pode encontrar o poder desta equipa: se os alas Gholizadeh e Morioka são no fundo interiores e os pensadores do jogo, o jamaicano Nicholson é muito mais um segundo avançado do que um "10", procurando muitas vezes as deslocações para fora da área (e concomitantes arrastamentos) do outro iraniano da equipa, o ponta de lança Rezaei, para encontrar espaços vazios por onde ferir o adversário. Complementando-se dessa forma, Nicholson e Rezaei partilham a liderança dos melhores marcadores da equipa (3 golos cada) enquanto Ali Gholizadeh já assistiu em 3 ocasiões. 

 

Não sendo nada certo que consigam aguentar este balanço, a verdade é que as "Zebras" orientadas por Karim Belhocine - um francês da diáspora argelina que foi futebolista no Sporting de Espinho (2001-2002) - montaram um sistema que funciona e parecem estar a retirar dividendos na mais recente moda do futebol mundial, a aposta nos mercados japonês e iraniano. A ter em atenção, especialmente se o sortilégio de um sorteio futuro os vier a colocar no caminho do nosso Sporting na Liga Europa.

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14
Set20

Tudo ao molho e fé em Deus

O Homem Duplicado


Pedro Azevedo

Neste cantinho castiço mais ocidental da Europa há um António Costa que por acaso é primeiro-ministro e "vai à bola" com Luis Filipe Vieira. A fim de justificar o seu apoio a um candidato nas eleições de um clube, o senhor propõe que o multipliquemos por dois: há o António Costa político no activo e governante e o António Costa cidadão e sócio do Sport Lisboa e Benfica. A questão em aberto é a seguinte: na medida em que o primeiro-ministro não vê qualquer problema em publicamente se imiscuir nas eleições de um clube, até que ponto o sócio do SLB que há em Costa terá acautelado não se imiscuir em matéria de Estado? 

antónio costa.jpg

12
Set20

Electrizante!


Pedro Azevedo

O jogo terminou agora e confesso que ainda estou cansado. Um sentimento que se justifica após o futebol "Heavy Metal" do Liverpool de Klopp ter encontrado dificuldades esta tarde perante o "Rock and Roll" do Leeds de Marcelo Bielsa. Electrizante do princípio ao fim, o jogo saldar-se-ia por 7 golos marcados e mais 4 anulados. 

 

Na sua estreia em nova edição da Premier League, o Liverpool, campeão inglês e mundial em título, defrontava o recém-promovido Leeds. À partida tratar-se-ia de uma vitória fácil para os púpilos de Klopp, mas isso seria menosprezar a capacidade táctica de "El Loco" Bielsa. Assim, o jogo evoluiu para uma batalha entre dois gigantes do treino com princípios semelhantes, com o Liverpool de Klopp a evoluir num sistema de 4-3-3 e o Leeds de Bielsa a alternar entre o 4-1-4-1 e o 3-3-3-1 consoante os momentos do jogo. E se é verdade que os "metaleiros" pressionaram sempre muito o último reduto do Leeds, também não é mentira nenhuma que nunca conseguiram estar absolutamente confortáveis no jogo dada a forma célere como os púpilos de Bielsa se reagrupavam à volta da bola e, ela conquistada, procuravam sair rapidamente com muita gente para o ataque. 

 

No fim, ganharam essencialmente o futebol e os espectadores que puderam acompanhar o jogo pela televisão. No campo, o Liverpool acabou por levar a melhor (4-3) quase no fim após uma infantilidade da mais cara contratação do Leeds neste mercado, o outrora benfiquista Rodrigo que chegou proveniente do Valência. Cada equipa viu ainda dois golos anulados. Salah, com um "hat-trick", foi o melhor jogador. Jack Harrison foi o "Guitar Hero" da equipa do Yorkshire, com um solo artístico que redundou num grande golo.

 

Com o regresso da Premiership, volta também uma forma sublime de encarar o jogo que a todos deve merecer respeito e admiração. Sonho por isso com o dia em que em Portugal teremos semelhantes sentimentos pelo jogo, aquele que só importa ser jogado dentro das 4 linhas, onde os ídolos são os jogadores e treinadores e que se destina a divertir, e não alienar, o adepto. 

klopp e bielsa.jpg

09
Set20

Ronaldo e a (in)dependência


Pedro Azevedo

Portugal é um país curioso onde até as poucas soluções (e excepções) são muitas vezes vistas como um problema. Caso isso carecesse de explicação, vidé o falatório à volta de Cristiano Ronaldo e a suposta maior fluência de jogo da selecção na sua ausência. Tal só pode ser uma brincadeira daquelas bem à portuguesa. 

 

Bastou um jogo particularmente bem conseguido contra a Croácia para Ronaldo ser prescindível para alguns. Já se sabia que nós, portugueses, somos peritos em sondagens com base em amostras com uma única observação, mas sempre pensei que 101 demonstrações de peso fossem suficientes para tal não ser levado a sério.

 

Antigamente a selecção era a "Equipa de todos nós". Foi assim aliás que o brilhante Ricardo Ornellas um dia a baptizou. Acontece que depois do baile aos croatas parece que se tornou a "Equipa do Félix". O Félix isto, o Félix aquilo, é o pormenor técnico aqui, a inteligência ali, ainda que o único golo marcado até hoje pelo menino prodígio tenha resultado de um frango do guarda-redes da Croácia. Foi neste contexto que o Ronaldo se juntou à equipa em Solna. E lá resolveu mais um jogo da selecção, pelo meio marcando mais dois golaços. (Evidentemente, o Félix é um bom jogador e terá um futuro radioso à sua frente, especialmente se não lhe colocarem a pressão de o compararem com o incomparável.)

 

Agora o discurso mudou: a equipa joga muito para o Ronaldo quando este está em campo. Parece-me bem, incompreensível seria a equipa jogar muito para o Ronaldo quando este não estivesse em campo, pois tal significaria uma utilização literal do chavão "jogar para o espaço vazio". Pergunto-me até porque razão não deveria uma equipa jogar para o "Melhor do Mundo". Haveria de jogar para quem? Para o Tozé Marreco? Ainda assim, não há como não gabar todo o jogo de equipa que permitiu ao Ronaldo marcar o primeiro golo. Aquilo é que foi procura da profundidade, basculações, transições, jogo entre-linhas e todo um novo léxico de futebol compreendido numa só jogada. Porém, é verdade que a bola parou à frente de Ronaldo e tal tirou fluência ao jogo. E após sair do seu pé direito voltou a parar. Nas malhas da baliza sueca. Não há o direito de um só jogador prejudicar tanta associação... 

 

Falar de Portugal sem Ronaldo faz tanto sentido como discorrer sobre o Brasil de 70 sem Pelé, a Holanda de 74 sem Cruijff ou a Argentina de 86 sem Maradona. Ainda assim é deixá-los falar. É que o Ronaldo depois fala mais alto. Em campo. E continuará a "falar" até que os joelhos lhe doam. E assim Portugal continuará a ser mais do que Ronaldo. Enquanto houver Ronaldo, claro, como brilhantemente o Rui Monteiro descreve no Insustentável Leveza de Liedson

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08
Set20

Análise ao R&C da Sporting SAD (19/20)


Pedro Azevedo

Demonstração de Resultados

  • A Sporting SAD apresentou um lucro do exercício anual findo a 30 de Junho de 2020 de 12.5M€.
  • Excluindo os rendimentos líquidos (já expurgados de comissões de 22.7M€) provenientes da venda de jogadores, o Resultado teria sido negativo em 71.7M€ (-70.2M€ se não considerarmos Perdas por Imparidade que podem estar relacionadas com alienação de direitos económicos), valor (recorde) em linha com aquilo que aqui tenho vindo a transmitir aos Sportinguistas.
  • O desequilíbrio entre Proveitos e Custos (ordinários) atingiu um valor recorde de -38.9M€.
  • Os juros pagos atingiram o valor de 15.4M€ (10.4M€ em 18/19).
  • Considerando apenas os últimos 3 meses do exercício, a SAD perdeu 18M€ nesse período (inclui venda de Matheus Pereira por um total líquido de 8.2M€).
  • Ao contrário do que havia sido divulgado aquando da divulgação da Estratégia PES (Pessoas, Estruturas e Software) e mais recentemente em editorial do Jornal Sporting, os custos com Pessoal não desceram 18M€ ao ano nem baixaram 18M€ nesta época. Houve sim um decréscimo de 9.6M€ em salários e encargos e menos 2.4M€ atribuídos a título de prémios de desempenho, mas esse valor foi em parte diluído por indemnizações de 7.1M€ (treinadores e jogadores), mais 5.5M€ que em 18/19. Relembro ainda que houve 3 meses de lay-offs que justificam parte significativa da queda dos custos, na medida em que foi anunciada uma redução de 40% dos ordenados durante 3 meses (com posterior redução a apenas 20% caso o campeonato se reiniciasse, valor que desconheço se já foi compensado ou entrou neste Relatório).
  • Ademais, os Gastos Gerais da sociedade subiram para 107.4M€, mais 2.5M€ que em 18/19. Em contraciclo, os Proveitos quedaram-se pelos 68.5M€, menos 7.3M€ que em 18/19. De referir a queda dos DireitosTV em cerca de 2.7M€ face a 18/19, bem como da Bilhética (efeito Covid) em cerca de 2.4M€.

Balanço

  • O Activo reduziu-se em 12.5M€, sendo que as principais descidas registaram-se a nível do Valor Bruto do plantel (-19.2M€) e da rúbrica de Clientes/valores a receber de clubes (-6.2M€, para 17.2M€). A contribuir para uma queda menos pronunciada do Activo esteve a rúbrica Outros Devedores, a qual subiu em 12.3M€, destacando-se aqui o crescimento da dívida de entidades relacionadas e em particular a do Sporting Clube de Portugal que é a 30 de Junho de 17.3M€. Neste Relatório foi possível observar que já não consta qualquer dívida do Manchester United à nossa SAD, sinal de que os 55 milhões de euros já estão integralmente pagos. (Recordo que em termos de Balanço o valor contabilístico dos formandos em Alcochete é próximo de zero, o que não reflecte o seu real valor de mercado, valor esse que cresceu intrinsecamente a partir do momento em que vários jovens foram postos a jogar na 1ª categoria.)
  • O Passivo baixou em 26.2M€, sendo que os Financiamentos desceram em cerca de 23M€ (Passivo bancário).
  • Em Clientes (17.2M€), o maior devedor é o WBA (9.1M€, o valor de venda de Matheus Pereira).
  • Por outro lado, a rúbrica de Fornecedores subiu face a período homólogo em 8M€, situando-se agora nos 55.9M€. Os Fornecedores não-correntes desceram em 4.6M€, estando agora nos 9.7M€ (Total de Fornecedores= 65.6M€). 
  • Após ter vendido, no final de Janeiro, Bruno Fernandes por 55M€ (integralmente pagos), a Sporting SAD tem a 30 de Junho cerca de 14M€ em Depósito à Ordem.  
  • A conta restrita para pagamento de VMOCs continua apenas com cerca de 600 mil euros (necessitamos de 40.5M€), dando a ideia que o acordo que reestruturação financeira que obriga a provisionar essa conta numa determinada proporção após vendas de jogadores ainda não está totalmente fechado. 
  • Os Capitais Próprios da SAD continuam negativos, agora em 9.9M€.
  • A SAD informou que 4 adjuntos do treinador Mihajlovic, invocando terem celebrado, em Junho de 2018, contratos de trabalho com a Sporting SAD, apresentaram uma acção junto do TAS em que peticionam a SAD a pagar-lhes o valor de 2.95M€. A SAD mais informa que não celebrou quaisquer contratos com os autores.

Conclusão

  • A Sporting SAD tem hoje pela frente um cenário de um quadrado com 4 faces iguais, todas elas a mirrarem e a necessitarem da maior atenção dos Sportinguistas. Cada face corresponde a um problema de dimensão idêntica. Os problemas são sociais, económicos, financeiros e desportivos, todos de alguma forma se interligam (e interagem) e merecem uma resposta de todos os Sportinguistas que amam o clube e o colocam acima de quaisquer proselitismos. Do ponto de vista social, eu fico chocado com o nível de discussão que se estabelece entre todos, desde ataques pessoais até aos proverbiais processos de intenção sempre colocados a quem não partilhe exactamente da nossa opinião. Eu penso que isso é indecente, não está de todo de acordo com os pergaminhos deste grande clube e com os valores que propagandeamos e tem de acabar, sob pena de o clube acabar primeiro para futuro desespero de todos os que se consideram actualmente cheios de uma razão que passará a ser inútil. Se evitar este tipo de coisas é o que cada Sportinguista pode fazer pelo clube, à Direcção caberá informar correctamente os sócios sobre a actividade do clube. Não vejo isso. De todo. Seja na forma como meias-verdades (passe o eufemismo) são plantadas para satisfação de uma certa narrativa, seja pela ausência de comunicação oficial sobre dispensas, jogos, etc. No prisma económico, o clube continua a laborar num paradoxo, mantendo custos com pessoal altíssimos e promovendo elevadíssimo número de contratações todos os anos (21 para a equipa principal desde que Frederico Varandas lidera o clube). O problema já vem de trás, mas a falta de acerto na maioria das contratações na época passada agudizou-o, levando a mais venda de qualidade e concomitante enfraquecimento do plantel. Financeiramente, o clube tem inúmeros problemas de tesouraria, deve 65 milhões a Fornecedores, renegoceia pagamento ao Braga, tem umas VMOCs integralmente por pagar e não tem novos meios de financiamento que não sejam a antecipação de receitas da NOS. O problema são os altos juros da operação (8,25% segundo foi dito por um dos participantes do "Rumo Certo"). Estamos a pagar 15 milhões de euros só em juros, anualmente, ou seja, entramos em cada novo exercício já a perder esse valor. Desportivamente é o que se vê, quarto lugar no campeonato, eliminados pelo Alverca na Taça e pelo Basaksehir na Liga Europa. Como sair disto? Cortando em gorduras desnecessárias, diminuindo peso adiposo e compensando-o com músculo proveniente de fibras jovens e 2-3 craques que peguem de estaca na equipa. Aproveitar a boa base da Formação (e não desperdiçar ingloriamente gerações como as de Demiral, Domingos Duarte, Matheus Pereira, Mama Baldé e afins) e complementá-la, ano a ano, com qualidade indiscutível. Ter uma política que privilegie os sócios, os aproxime do clube. Ter um discurso de verdade, que arregimente, evitando desculpas do passado que criam ainda maior afastamento entre consócios. É preciso acabar também com lendas e narrativas e a forma como se vertem em documentos estratégicos do clube ou nos seus meios. Só trabalhando bem todas estas faces do problema poderemos vir a ter uma solução. Evidentemente, um Sportinguista que se preze quer sempre que o Sporting ganhe, chame-se o presidente Varandas, Carvalho, Godinho ou Bettencourt. O fundamental é conseguir-se transformar esta massa imensa actualmente amorfa num mecanismo oleado onde todos caminham para o mesmo lado, juntos naquilo que a todos deve unir: o amor ao Sporting. Por isso, precisamos de doutrina como necessitamos de boas práticas de gestão e de bom entendimento do que deve ser uma política desportiva. E por aqui me fico presentemente, independentemente de asegurar a minha presença na AG ainda sem data marcada, que o campeonato começa dentro de dias e quero ficar focado no apoio (mesmo que no sofá) ao Sporting que para mim sempre foi mais relevante, aquele que todas as semanas vai a campo. Estes são e sempre foram os meus princípios. Ao contrário do que alegava Groucho Marx, peço desculpa mas não tenho outros. 
05
Set20

Notas breves sobre o jogo de ontem


Pedro Azevedo


  • A equipa deu uma boa resposta num jogo com um grau de intensidade superior aos dois anteriores;

  • Wendel, Jovane e Palhinha foram as figuras do Sporting. Coates foi o melhor defesa;

  • A boa exibição de Palhinha não deve, à boa maneira portuguesa, ser depreciativa para Matheus Nunes. Ambos têm lugar no plantel, porém as suas características são diferentes: enquanto Palhinha é um jogador que ataca o portador da bola, Matheus fecha o espaço. Com bola, Matheus tem maior visão periférica e capacidade de passe à distância, Palhinha distingue-se pela simplicidade das suas ações e é eficaz no passe curto que quebra a primeira linha de pressão adversária. Ontem, com Matheus em campo a equipa poderia ter ganho vantagem no marcador não fora a deficiente finalização de Jovane e Tiago Tomás. Com Wendel mais expansivo, Matheus distinguiu-se pelo equilíbrio que deu. A realidade é que o Valladolid não teve uma única oportunidade de golo. Concordo, no entanto, que Matheus não fez um jogo exuberante. O que me dá confiança nele é que os melhores jogos que lhe vi foram contra os grandes, Porto (melhor em campo) e Benfica (teria sido o melhor em campo não fora aquele bico da sua bota branca a pôr Vinícius em jogo). Seja como for, Palhinha dá poder de choque e com a sua entrada a equipa melhorou. Obviamente, é mais um jogador da nossa Formação que eu gostaria que ficasse;

  • Feddal mostrou o melhor e o pior que já lhe vira no Bétis. Ofensivamente, distingue-se pelo seu poder nas alturas. Ontem, acrescentou uma excelente colocação na sua cabeçada de que resultou o golo do nosso momentâneo empate. Porém, defensivamente cometeu 2 ou 3 erros básicos. Na primeira parte, perdeu o duelo nas alturas com Gassama, mas o remate saiu à figura de Adán. No segundo tempo, mostrou o seu imprudente tempo de entrada aos lances e levou um cartão amarelo. O penalty que concedeu foi uma ingenuidade difícil de entender a este nível. Um sinal positivo foi a reacção ao erro, indo à outra área com personalidade corrigi-lo;

  • Porro mostrou bons pormenores ofensivos. O jogo não deu para o testar defensivamente;

  • Antunes não deu à equipa ofensivamente aquilo que Porro deu. Além disso, pela segunda vez consecutiva o Sporting sofreu um golo em desequilíbrio nascido pelo seu lado;

  • Tiago Tomás parece jogar com a mesma naturalidade que lhe vi nos juvenis e sub-23. Excelente pormenor a isolar Jovane em lance que terminou com penalty a nosso favor;

  • Jovane não perdeu a sua melhor característica de ir para cima dos defesas. Ontem, semeou o pânico em três ocasiões, marcou um golo e deu outro incorrectamente anulado. Senhores árbitros, até na pré-época temos de levar com estas decisões? É que já com o Belenenses SAD houve no mínimo 3 foras-de-jogo não assinalados aos de Belém.

05
Set20

Tudo ao molho e fé em Deus

Baywatch - Marés Vivas


Pedro Azevedo

A "silly season" dos clubes portugueses assemelha-se a uma versão futebolística do "Baywatch". Por exemplo, com eleições à porta no Benfica, Luís Filipe Vieira procurou um salva-vidas no Uruguai. Assim, tendo metido água com Cavani, esbracejou apressadamente para Darwin. Em teoria é o que se chama uma selecção natural, facto científico e como tal irrebatível para a sua oposição. Já o Boavista foi ainda mais longe. À procura de uma bóia de salvação, não podendo contar com a estrela da série, Pamela Anderson, contratou o seu antigo marido, o francês (e campeão do mundo) Adil Rami. Temo, porém, que não fique tão bem nas repetições em "slow motion" (enfim, há gostos para tudo). Quem tem procurado um salvamento do "fair-play" financeiro é o Porto. Ainda assim, para além de uma Zundapp foram comprar um persa. Já se sabe, futebol é farsi... Entretanto, chegámos a Setembro. Em mês de marés vivas, ajuda sempre haver mais um nadador Salvador. Menos, claro, se este der uma de Cobrador do Fraque numa área onde habitualmente se anda de tanga. (Bom, na verdade, eu penso que seria de bom tom que pelo menos se usasse uns calçõezinhos.)

Boas ondas! 

baywatch.jpg

03
Set20

Ainda Samatta


Pedro Azevedo

Velocidade, instinto, técnica, potência, inteligência, bom jogo de cabeça, finalização...

02
Set20

Miguel Oliveira e Carlos Lopes


Pedro Azevedo

Há pouco mais de uma semana atrás, Miguel Oliveira deu novos mundos ao mundo desportivo português. Esse seu pioneirismo no desporto motorizado internacional lembra-me o imortal Carlos Lopes, o primeiro português a ganhar uma medalha de ouro nuns jogos olímpicos. Se os obstáculos fizeram-se para serem ultrapassados, não é menos verdade que muitas vezes o principal bloqueio é mental. Não é por isso despicienda a cronologia de eventos: ser o primeiro a ultrapassar o Cabo das Tornentas é um sinal de que nada é impossível e um incentivo para outrém no sentido de tentar replicá-lo. É desse pioneirismo com contornos de heroicidade que se vão ultrapassando as condicionantes económicas e psicológicas e as desigualdades e se deve afirmar o novo Homem português, aquele que recupera o aventureirismo e audacidade dos antigos marinheiros lusos e ousa vencer sem aquelas vantagens competitivas, truques, esquemas  e/ou favorecimentos de que o "tuga" raramente prescinde. Não enferma por isso de um nacionalismo bacoco o justo enaltecimento das proezas de Oliveira ou Lopes, pelo contrário isso deve ser encarado como a visão do Portugal que queremos. Miguel Oliveira não venceu apenas uma corrida da classe rainha de MotoGP, ele deu também o primeiro triunfo a esse nível a uma equipa (Tech 3) com 40 anos de existência e a um país com 9 séculos de história. Da mesma forma que a madrugada gloriosa de Carlos Lopes em Los Angekes não foi só uma vitória individual de um homem cuja tenacidade permitiu ultrapassar uma persistente e debilitante lesão, mas também o triunfo de um planeamento de largos anos desenvolvido pelo Professor Moniz Pereira que teve a apoteose nessa primeira grande afirmação lusa no maior evento desportivo mundial. É bom termos isso bem presente nestes tempos em que o politicamente correcto nos quer impelir para dizer mal do que é nosso e da nossa história, desprezando a visão de todos aqueles que ao longo dos tempos ousaram sonhar e assim ousaram vencer, fazendo a diferença por uma ideia de Portugal que é muito mais do que uma área ou um território, é  a superação individual de cada um e o seu contributo para animar o sentido de um projecto colectivo comum alicerçado no trabalho, na inspiração e numa peculiar alma até Almeida nunca arredada de um certo sentir, resistir e acreditar tão lusitanos. 

01
Set20

Mbwana Samatta


Pedro Azevedo

Pretendido por Fenerbahçe e Galatasaray, este ponta de lança tanzaniano, o primeiro natural do seu país a jogar na Premier League, poderá custar cerca de 10 milhões de euros. Esta seria uma das 3 únicas contratações que promoveria nesta época desportiva, qualquer uma delas visando um impacto imediato na equipa. 

 

Samatta ofereceria ao nosso jogo não só o aproveitamento de transições rápidas como também frieza na finalização e instinto matador na área. É que se Sporar garante o primeiro, a verdade é que não temos ninguém que se possa denominar como "rato de área". Ademais, o tanzaniano é um jogador de refinada técnica e capaz de ligar o jogo fora da área em construção, não apenas um ponta de lança. Logo, seria um elemento que caíria muito bem no esquema de Ruben Amorim. 

 

Na minha opinião, para além do contributo que daria ao jogo ofensivo da equipa, Samatta facilmente faria entre 20 e 30 golos por época pelo Sporting. Aos 27 anos, e depois de uma passagem de grande sucesso pelos belgas do Genk (onde foi colega do ucraniano Malinovskyi), que incluiu 3 golos na última edição da Champuons, e um até agora curto percurso num frágil Aston Villa (salvou-se da despromoção na última jornada) onde a bola raramente lhe chega em condições, o tanzaniano está a chegar ao pico da sua condição física e técnica. Vamos aproveitar? 

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    O Sporting conta sempre, nem que seja para a sua e...

  • Anónimo

    Sim grande golo. Beto foi campeão, tempos em que o...

  • Pedro Azevedo

    O Beto colocou lá a bola, é bem lembrado. Mas quan...

  • Anónimo

    Grande passe de Beto.GOLO às 3 pancadas : gandula,...

  • Pedro Azevedo

    Um golo ao cair do pano que nos fez a todos (adept...