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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

30
Set20

Ranking de cartões amarelos por falta cometida


Pedro Azevedo

Dado o inusitado nº de cartões amarelos que a nossa equipa viu ser atribuído em Paços de Ferreira, procurei correlacioná-lo com o nº de faltas cometidas. Adicionalmente, tentei encontrar uma relação entre o elevado rácio de cartões amarelos/falta no âmbito de um pior posicionamento defensivo aquando da transição ou de uma menor posse de bola. Entretanto, elaborei estatísticas equivalentes para todas as equipas da Primeira Liga a fim de medir relativamente o observado em Paços e encontrar algumas justificações. Eis as conclusões (agregadas) a que cheguei:

  1. O Sporting é, destacadíssimo, o clube com o rácio mais elevado de cartões amarelos por falta cometida (50%). Os clubes que mais se aproximam são o Nacional (23,1%) e o Farense (20,8%).
  2. O clube com a média mais baixa de faltas por jogo é o Benfica (10,5), seguido de Sporting, Rio Ave e Farense (12).
  3. O clube com média mais elevada de faltas por jogo é o Boavista (20,5), seguido por Nacional (19,5) e Famalicão (19). O Porto é 5º colocado com 18.
  4. Ao contrário do que inicialmente pensei, os seis clubes com melhor rácio de cartões amarelos por falta cometida, logo os mais eficientes na execução da falta útil, não são os que defendem melhor. Assim, enquanto estes apresentam um total de 18 golos sofridos, os seis clubes com pior rácio de cartões amarelos por falta cometida apenas sofreram um total de 13 golos.
  5. Todavia, parece haver uma correlação entre menor posse de bola e o nº de faltas cometidas. Nesse sentido, os 6 clubes com maior posse de bola cometem em média 14,3 faltas por jogo, enquanto os seis clubes com menor posse de bola cometem em média 16,9 faltas por jogo.
  6. Também existe uma correlação entre o nº de cartões amarelos e a menor posse de bola. Enquanto os seis clubes com menos posse de bola apanham 2,5 cartões amarelos por jogo, os seis clubes com mais posse de bola são disciplinarmente mais correctos, com 1,9 cartões amarelos por jogo. No lote dos sétimos classificados em termos de posse de bola, o Sporting é a anomalia estatística que confirma a regra, liderando destacado a classificação (negativa) da média de cartões amarelos por jogo com uma posse de bola acima da média (52%). Dir-se-ia insólito.
  7.  Finalmente, as seis equipas com menos golos sofridos no campeonato têm em média menos cartões amarelos por jogo (2,6) do que as seis equipas que sofrem mais golos (2,9). A anomalia estatística é dada pelo Sporting, que tem uma média de 6 cartões amarelos (o valor mais elevado da competição) e nenhum golo sofrido e contribui para a média de 2,6 (seis equipas com menos golos sofridos) estar empolada. Estranhamente, as seis equipas com menos golos sofridos no campeonato têm em média pior rácio de cartões amarelos por falta (17,9%), ao passo que os seis clubes com mais golos sofridos têm em média um rácio de cartões amarelos por falta inferior (17,1%). Todavia. retirando o Sporting, equipa que ainda não sofreu golos esta época, o rácio de CA/falta das 6 equipas com menos golos sofridos desce para 12,8%, o que dá a entender a anormalidade do indicador referente ao Sporting.

 

Evidentemente, estes indicadores dão apenas pistas. Para conclusões mais definitivas seria necessário conciliá-los com as zonas do campo em que as faltas ocorrem e/ou de que momento do jogo são representativas (organização ofensiva, organização defensiva, transição ofensiva, transição defensiva, bola parada), dados que infelizmente não possuo. 

 

Ainda assim, aqui fica o quadro completo dos elementos disponíveis para análise:

tabela CA.jpg

Legenda:

Faltas (Com.)= Faltas cometidas;

Rácio CA/falta= rácio de cartões amarelos por falta cometida;

FC/jogo= Faltas cometidas por jogo;

CA/jogo= Média de cartões amarelos por jogo;

GS= Golos sofridos;

Posse(%)= Percentagem de posse de bola.

paçossporting.jpg

30
Set20

As causas da coisa (2)


Pedro Azevedo

Causa nº2: Equidade de critério disciplinar por parte dos árbitros

 

Procurando deixar de lado a óbvia parcialidade de quem é Sportinguista e adepto e sócio do Sporting, não deixou de ser notório em Paços de Ferreira que o critério disciplinar usado por Fábio Veríssimo não foi uniforme para as duas equipas. Não se tratou só do facto de a equipa que mais faltas cometeu (18 contra 12) ter sido a que menos vezes foi admoestada com o cartão amarelo (2 contra 6) mas também de faltas cometidas por trás pela equipa pacense - por vezes com infração dupla que consistiu em puxão pelas costas acompanhado de pisão no tendão de aquiles (gravidade extrema) - terem passado impunes do ponto de vista disciplinar. Ao mesmo tempo, irregularidades leves cometidas por jogadores leoninos foram severamente punidas com a cartolina amarela. Desta forma, o jogo terminou com um rácio de cartão amarelo por falta de 11,1% para os pacenses contra 50%(!) para os leões. Um absurdo! Poderá alguém alegar que o árbitro não viu o tal lance faltoso do jogador pacense e que o total de amarelos mostrados no jogo (8) se deveu a ser especialmente rigoroso em matéria disciplinar. Porém, analisando os outros dois jogos que apitou esta época - um jogo da Liga das Nações entre País de Gales e Bulgária e uma partida de qualificação para a Liga Europa entre Riga e Celtic - verificamos que em cada um apenas levou a mão ao bolso por três vezes.

 

Se o critério do árbitro num mesmo jogo não é uniforme, imagine-se a equidade que se pode esperar quando se compara do ponto de vista disciplinar o critério dos "n" árbitros habilitados a apitar jogos da Primeira Liga. Nesse sentido, o Tiago Cabral, no És a nossa FÉ, ontem apresentou números comparativos que evidenciam que o Sporting já tem mais cartões amarelos num só jogo do que o somatório de Benfica e Porto em dois jogos. Enquanto para os leões, 12 faltas cometidas implicaram 6 amarelos (rácio de 50%), Porto e Benfica juntos apenas viram o rectângulo icterícia por 5 vezes após 57 (!) faltas (8,8%). Dirão alguns que portistas e benfiquistas sabem onde fazer faltas e que são especialmente meticulosos na forma de transgredir a regra sem necessidade de infração disciplinar, porém não só quem veja os jogos não tem essa noção como não deve ser desprezado o ilícito disciplinar que decorre da recorrência da falta por parte do(s) mesmo(s) jogador(es). Acrescento ainda aqui o exemplo do Braga, equipa que tem os mesmos amarelos que nós. Acontece que para isso os braguistas cometeram 31 faltas, o que lhes confere um rácio de 19,4%. 

 

Estes números do Sporting não deixam de causar estranheza quando analisados de forma comparativa com outros clubes. Analogia que não fica por aqui e que se pode estender ao desempenho disciplinar dos leões nas provas europeias. Se bem que a amostra é de apenas 1 jogo, na partida contra o Aberdeen os leões viram 2 amarelos e cometeram mais uma falta do que no jogo em Paços. Enfim, usando uma expressão bem cara a O' Neill, a uniformidade de critério disciplinar dos árbitros portugueses é "uma coisa em forma de assim". Assim vai o futebol português...

 

P.S. Algumas notas: Guga, do Famalicão, é o jogador mais faltoso (7) ao fim de 2 jornadas. Não tem nenhum cartão amarelo. Enfim, poder-se-á dizer que é um médio de ataque e como tal as infrações que comete são fora de uma zona de perigo para a sua equipa. De qualquer forma, há aqui a questão da acumulação. O mesmo é válido para Corona, que tem já 6 faltas e ainda não viu o amarelo. Já em relação ao rioavista Borevkovic, igualmente com a folha disciplinar em branco, a coisa não será tão líquida, na medida em que é um central e já cometeu 5 faltas em apenas 132 minutos de utilização. 

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29
Set20

As causas da coisa (1)


Pedro Azevedo

Com a devida vénia ao Miguel Esteves Cardoso, a quem alterei o plural com o singular (e vice-versa) de um dos seus mais famosos livros, aqui irei começar uma nova rúbrica dedicada às causas pelas quais merece a pena lutar no futebol português.

 

Causa nº1: Mais tempo útil de jogo

 

https://castigomaximo.com/tempo-util-de-jogo-140013

https://www.ojogo.pt/futebol/1a-liga/tondela/noticias/o-que-aconteceu-e-uma-vergonha-e-o-cartao-de-visita-do-futebol-portugues-12763903.html

 

O indicador estatístico do tempo útil de jogo aponta que a Primeira Liga portuguesa é aquela a nível europeu onde se joga menos. Tal tem obviamente repercussão na qualidade do espectáculo e intensidade e ritmo de jogo, aspectos que se tornam depois mais notórios quando as nossas principais equipas competem na Europa. É essencialmente uma questão de mentalidade que urge alterar, sendo que para isso se torna necessário envolver dirigentes de clubes, treinadores, jogadores, árbitros e a própria Liga Portugal. Para que o futebol positivo vença e possamos ter equipas mais competitivas deverá haver um maior equilíbrio. Isso passa por uma maior equidade na distribuição das receitas televisivas entre os clubes, mas também encontra raiz profunda nos valores que são trazidos para o jogo: presidentes que ao fim de duas, três derrotas interrompem projectos, treinadores receosos do despedimento e a quererem ganhar a todo o custo, jogadores educados no anti-jogo, árbitros que contemporizam com as simulações dos jogadores e paragens abusivas de tempo para quebra do ritmo do jogo são apenas alguns factores que carecem de uma mudança de mentalidade, processo do qual a Liga não se pode obviamente demitir. 

liga nos.jpg

28
Set20

Craque da semana (3)

Jens Hauge


Pedro Azevedo

O jogador desta semana é Jens Petter Hauge, um ala esquerdo ambidextro (pé direito como preferencial) que actua nos noruegueses do Bodo/Glimt. A realizar uma época espectacular, Hauge leva já 14 golos e 9 assistências em 17 jogos na Eliteserien (campeonato da Noruega), a que soma mais 3 golos e 3 assistências na qualificação para a Liga Europa (3 jogos). O Bodo/Glimt lidera isoladíssimo 

 

Com um valor de mercado apetecível (1M€ pelo Transfermarket) e apenas 20 anos, o norueguês, de 1,84m,  é um dos principais jogadores em destaque no futebol nórdico. Tal voltou a ser evidenciado na pretérita quinta-feira: no palco mítico do San Siro, Hauge foi o inimigo número 1 do AC Milan, marcando um grande golo num tiro de fora da área a dando uma assistência na derrota da sua equipa frente aos "rossoneri", próximo adversário do Rio Ave, por 3-2.  

 

Muito rápido na progressão com bola em transição, Hauge destaca-se em ataque organizado pelo poder das suas diagonais interiores, movimento usado para fazer uso do seu bom remate de fora da área ou procurar homens libertos pela atracção dos defesas na sua direcção. Frio na finalização diante da baliza, Hauge aparenta estar bastante desvalorizado face ao seu rendimento actual e margem de progressão. Uma boa oportunidade de mercado para quem queira compatibilizar velocidade, robustez, golo, inteligência de leitura do jogo e uma técnica muito razoável. 

28
Set20

Tudo ao molho e fé em Deus

Cartão amarelo


Pedro Azevedo

Não sei qual o espanto da generalidade dos comentadores, mas se durante todo o fim de semana só se ouviu falar em cartão amarelo a propósito da actualidade do Sporting teria sido muito difícil isso escapar aos ouvidos do Fábio Veríssimo, não é verdade? É que estas coisas sempre influenciam um bocadinho. Outra coisa: desde o Rui Costa, os árbitros vão todos àqueles cabeleireiros onde lhes fazem um penteado à voleibolista americano dos anos 80 e 90 e à saída começam logo a ouvir piadinhas fáceis do tipo de "sim, senhor, bonito serviço, merece um cartão amarelo!". De seguida vão até Paços, cidade conhecida por o clube da terra ser um submarino amarelo daqueles à portuguesa que já não submerge e anda sempre na linha de água. Como um árbitro gosta sempre de dar nas vistas, um amarelo aos pacenses quase nem se nota, não faz contraste. Vai daí, aponta para o lado, que no caso é verde e branco. Só assim se explica que quem comete 18 faltas escape com 2 amarelos e quem infringe a regra uma dúzia de vezes apanhe com meia-dúzia de admoestações de tom icterícia. É  a mesma razão que justifica o Benfica raramente vêr cartões vermelhos. A excepção só está ao alcance de árbitros daltónicos. E o daltonismo no futebol português não costuma augurar grandes vôos...

 

Por falar em amarelo, quem não se deixou levar em cantigas foi o Ruben Amorim. Sabendo que os eslovenos andam habitualmente de camisola amarela (Tour), não quis arriscar colocar de início o Sporar contra o Paços para não ficar em inferioridade numérica. Perspicaz, o nosso treinador! Assim, o Tiago Tomás foi titular. E não se deu mal. Se é verdade que a abrir falhou um golo cantado, de seguida engendrou uma sofisticada carambola bilharistica que aprendeu com o Theriaga numa daquelas acções de "team-building" leoninas e levou a bola por fim a embater na mão de um incauto pacense que cometeu a ingenuidade de pensar que se podia usar os braços mesmo fora do enquadramento da baliza. O Totói, do União de Tomar dos anos 70, neste futebol actual seria um craque...

 

Quem passa o tempo a esbracejar é o Neto. Já sem o avô (Mathieu) em campo, entretanto reformado, o único que o atura é o Coates. É que o homem, de cada vez que tem a bola nos pés, pensa em 1906 coisas ao mesmo tempo, tempo mais do que suficiente para um adepto em casa sobreaquecer as sinapses antes do nosso defensor acabar por despachar a bola à queima. E, quando não tem bola, geralmente fica a contemplar a sua trajectória, esperando que o pronto-socorro uruguaio faça o resto. Em todo o caso, não há lance por si protagonizado que não acabe em recriminação a alguém. Menos a ele próprio, claro. Dizem que é sintoma de liderança...

 

Anda por aí muito boa gente a embirrar com o Matheus Nunes. Coitado do rapaz, já provou nos sub-23 o que pode fazer com a bola nos pés. Acontece que não é isso que o Ruben lhe pede nos seniores. E ele lá vai fazendo o que lhe é pedido, o que não será o melhor para ele, mas será certamente o que fará mais sentido à equipa na ideia do Ruben Amorim. E, como este não o tira, admitamos que se calhar está a fazê-lo bem. Ontem pelo menos correu o campo todo. Ele e o Wendel. Ambos sem o brilhantismo de um Porro ou de um Nuno Mendes, há que dizê-lo, mas com grande utilidade para uma equipa onde na tracção atrás o Vietto não engrena a marcha. 

 

Mas o Homem do Jogo foi o Coates. Poemas homéricos deveriam ser elaborados sobre a exibição do uruguaio ontem na cidade do móvel. Em tempo de pandemia que recomenda o uso de máscara, o homem parece viver sob o efeito do Mask do Jim Carey, transfigurando-se, com elasticidade desdobrando-se à esquerda e à direita consoante as desatenções dos homens que lhe colocaram ao lado. Na ausência de um ponta de lança, investindo-se ele dessa qualidade. E é verde, obviamente. E grande capitão! Se há quem tenha beneficiado do sistema de 3 centrais para dar um salto de qualidade, esse jogador é Sebastián Coates, El Patrón! 

 

Como o futebol não é só luta e é também arte em movimento, deixem-me destacar para o fim o Daniel Bragança. Pobre do Eustáquio, que ainda deve estar a perceber "o que passou-se" quando o menino lhe passou a bola por cima da cabeça e foi buscá-la mais à frente. Passo a passo, ou paço(s) a paço(s), o miúdo vai mostrando o valor de quem habita a nobre residência leonina sita em Alcochete. E, no entretanto, evidenciando que a celebérrima teoria do "gap" da Formação foi um passo no caminho para o abismo que nos fez ingloriamente perder 1 ano (e muitos jogadores que poderiam estar aqui). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates. Vamos!

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28
Set20

Para a imortalidade


Pedro Azevedo

Se o épico combate travado por "El Patrón" Sebastián Coates em Paços de Ferreira deveria inspirar os poetas homéricos, o lençol protagonizado por Daniel Bragança sobre Eustáquio (o da Tessalónica foi grande estudioso de Homero) mereceria passar à imortalidade num tríptico em pintura a óleo e têmpera sobre madeira (o jogo foi na capital do móvel). 

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27
Set20

O Sporting real que não é capa de jornal


Pedro Azevedo

Uma Assembleia Geral que decorreu com toda a normalidade, com filas a fluir rapidamente, sócios compenetrados apenas e só no sentido do voto, sem berraria nem palavras de ordem ou grupos de pressão que se pudessem facilmente distinguir, é transformada em chamada de capa no jornal "A Bola" em "mais uma assembleia-geral quente em Alvalade". Porquê? Houve dezenas de cadeiras que por vontade própria ganharam um ímpeto voador? O Presidente do CD investiu-se de estrela do MMA e aplicou um "mata-leão" a um consócio? A quem é que isto interessa? Ao Sporting (e aos Sportinguistas) não, certamente. 

 

Estive em Alvalade entre as 14h30 e as 15h30. Deixei o automóvel no parque subterrâneo, subi ao multi-desportivo e dirigi-me a pé até ao local onde decorria a Assembleia. Votei rapidamente, tendo demorado 2, 3 minutos desde o momento que entrei na fila, procedi à minha acreditação e entreguei os boletins na urna. Depois, nas redondezas, tomei um café e aproveitei para pôr a conversa em dia com uns amigos que me acompanharam. Durante todo esse período em que desfrutei da minha cidadania leonina não ouvi um som que se destacasse da monocordia ou observei gestos que indicassem sobressalto, ira ou ânimos exaltados. Tudo isso, mais as conversas que mantive com pessoas que votaram mais tarde, leva-me a concluir que esse foi o padrão observado durante o dia. Aliás, fiquei muitíssimo satisfeito com o comportamento ordeiro dos Sportinguistas e disso dei logo nota à mesa do café, algo que não me surpreendeu e esteve perfeitamente de acordo com o por mim observado em 45 anos de visitas ininterruptas ao nosso estádio.

 

É verdade que terá havido uma desonrosa excepção, a qual foi prontamente reportada de vários ângulos e feitios. Mas isso, de que ninguém do meu grupo se apercebeu aquando da votação, terá sido uma escaramuça, evidentemente lamentável e a merecer o total repúdio, entre quem alegadamente utiliza as redes sociais para provocar, denegrir gratuitamente pessoas e fomentar ódios e aqueles que aparentemente continuam a fazer da intimidação e da violência física uma triste forma de vida assente na bravata neo-medieval, uns e outros com uma agenda infelizmente mais preocupada em marcar (com o teclado ou os punhos) as suas razões do que as razões do Sporting. 

 

Não tomemos a nuvem por Juno. Da mesma forma que uma andorinha não faz a Primavera, um único incidente registado à margem da AG em si - de tanto soar a ajuste de contas poderia ter ocorrido em outro qualquer espaço físico - não pode transmitir de nenhuma forma ao país que os Sportinguistas são uns arruaceiros. Não, a esmagadora maioria dos Sportinguistas deu mais uma vez ontem um exemplo de civilidade e isso é que deve merecer realce. O resto (a agressão) é um caso de polícia. E isso, conjugadamente com o que terá estado na sua origem, configura uma geração de desumanidade que os Sportinguistas querem ver de vez erradicada do nosso clube.

 

P.S. Sobre a AG propriamente dita, seus resultados e leitura que se possa fazer deles falarei no devido momento. Hoje temos jogo em Paços e é para ganhar.

25
Set20

As contas do Sporting Clube de Portugal


Pedro Azevedo

Antes de falar sobre as contas e orçamento do Sporting Clube de Portugal (e não da Sporting SAD) gostaria de fazer um pequeno preâmbulo. Logicamente, eu tenho as minhas crenças sobre a matéria em causa, leia-se, sobre o que tem sido a gestão do Sporting e da sua participada Sporting SAD. Acontece que as minhas crenças se materializam nas minhas razões, e não tomando eu cuidado com isso facilmente se transformariam no meu ego face a outros egos. Esse tem vindo aliás a ser historicamente um dos grandes problemas do clube, o que associado a uma imprudente e irrealista gestão nos conduziu até aqui. Ora, muito mais importante do que as minhas razões são as razões do clube, expressão colectiva que não vale só por si mas sim deriva da soma dos vários indivíduos para os quais ele é relevante e onde se destacam obviamente os seus associados. Nesse sentido, a minha preocupação neste momento é com o todo e a escolha que farei no próximo Sábado em AG terá exclusivamente a ver com o sentido colectivo que dou às coisas através de uma acção individual que pretende fazer alguma diferença, o mesmo aliás que me faz procurar prevenir conflitos de interesse e tráfico de influências no meu clube e no futebol português através da sugestão de medidas concretas vertidas em regras e procedimentos em detrimento de massagear o ego em protesto com o "status quo" como D. Quixote das segundas-feiras. Apesar disso, independentemente do meu sentido de voto, o fundamental neste clube deve ser a criação de um espaço de tolerância onde as ideias, ainda que opostas, se possam discutir construtivamente, com urbanidade e sem dissidências definitivas nem processos de intenção. Esse é o clube com que sonho, o clube que na minha meninice vivi e aquele que não podemos permitir que nos seja roubado pela sucessão de acontecimentos e por gente que, não deixando de ser Sportinguista, está bastas vezes mais preocupada com o seu umbigo do que com o interesse comum ou, por outro lado, se torna obsessiva na consumação de uma paixão que se pretende seja obviamente entusiástica mas também vivida de forma harmoniosa entre todos. Nesse sentido, prezo o ideal de um Sporting democrático onde todos possam comungar da sua paixão. Até pela forma como esta AG, espaço de consulta aos sócios, foi sendo protelada, admito que também isso venha a ser referendado no Sábado.

 

Posto isto, aqui ficam as minhas impressões sobre os indicadores disponíveis: a primeira constatação é a recorrente reserva da parte dos auditores em relação ao método de equivalência patrimonial usado pelo clube que permitiu reconhecer como valor nulo as participações financeiras do clube em entidades cujos capitais próprios eram negativos à data de fecho das contas. Segundo a PWC, caso o clube tivesse reconhecido as responsabilidades que resultam das perdas apuradas nas suas subsidiárias, haveria que acrescer cerca de 257M€ ao Passivo e cerca de 265M€ em Resultados Transitados negativos. E que subsidiárias são essas? Olhando para o R&C, aqui fica a lista completa, com a participação financeira do clube entre parênteses: SAD (26,66%), Soc. Promoção Imobiliária - Quinta das Raposeiras (100%), Sporting Comunicação e Plataformas (100%), SGPS (100%), Construz - Soc. Promoção Imobiliária (100%), Verdiblanc I, II, III e IV (cada uma delas detida a 100%) e Fundação Sporting (100%). Relembro que, exceptuando a SAD, não se conhecem os Resultados discriminados de todas estas empresas do Grupo Sporting. Trata-se de uma situação recorrente (a sua menção nas notas de auditores está presente pelo menos desde 2012, mais antiga data disponível no site do clube, e independentemente da evolução desses valores até será muito anterior a isso), como tive oportunidade de mencionar inicialmente, mas não deixa de ser muito preocupante. Adicionalmente, este exercício ficou marcado pelo aumento do endividamente do clube junto da SAD em cerca de 12,7M€, para uns actuais 17,4M€. Não existe explicação no referido R&C para esta situação, mas é certo que ela não decorre exclusivamente de acertos entre participadas, na medida em que o Activo das entidades relacionadas cresceu apenas 3,6M€, o que não compensa este acréscimo de Passivo. De referir ainda que o Resultado Líquido do exercício se saldou num lucro de 74 mil euros. Porém, analisadas as transacções entre partes relacionadas, retira-se que o Sporting teve um Resultado entre rendimentos e custos com a SAD de cerca de 180 mil euros e de 2,164M€ com a Sporting Comunicação e Plataformas, empresa da qual não se conhecem as contas (mais 50 mil euros facturados à Construz). Esta situação aliás não é original, pois já em 2019 o Resultado das transacções com a SAD fora positivo em 1,4M€ e o Resultado das transacções com a Sporting Comunicação e Plataformas tivera um lucro ligeiramente superior a 2M€. Curiosamente, a Sporting Comunicação e Plataformas é a grande responsável pela subida do Activo do Sporting neste período, dado o incremento da sua dívida para com o clube em cerca de 2,7M€.

 

Em relação ao Orçamento, há um já expectável ajuste das receitas e dos custos ao cenário da Covid-19. Porém, como habitualmente o diabo está nos detalhes e na rúbrica "Outros Rendimentos e Ganhos" o mecanismo de equivalência patrimonial justifica um aumento previsível dos Proveitos em cerca de 40% (para 585 mil euros). Nos Gastos, prevê-se uma queda de cerca de 1M€ nos Honorários (atletas), o que apesar de significar uma descida de 11% não será só por si uma razão definitiva para a assumpção de uma menor competitividade das nossas equipas, vis-a-vis os frutos de uma maior aposta na qualidade existente na Formação aquando da definição dos plantéis. O Orçamento para 2020/21 pressupõe um Resultado positivo de 89 mil euros.

24
Set20

Tudo ao molho e fé em Deus

Antevisão da Liga Europa


Pedro Azevedo

Quando soube que o Sporting iria jogar com esta equipa escocesa lembrei-me da minha estadia em Londres e de um restaurante da cadeia Aberdeen Steak House que se situava perto da minha casa. Fiquei por isso a pensar que Aberdeen o Sporting iria apanhar, se uns “sirloin steak” (vazia), uns “fillet steak” (lombo), ou simplesmente uns bifes cheios de nervos. A própria forma de degustação também me ocorreu: bem passado ou mal passado, cheguei à conclusão que o importante seria a digestão ser proveitosa. Para que tal se processe, talvez seja necessário um catalisador de todo o metabolismo. Como os eslovenos estão na moda desde o Tour, não tendo Pogacar ou Roglic para pedalar por nós, pensei no Sporar. Assim, na antecâmara, ou ante câmara (de ar) do jogo, estou para aqui a sonhar com uma bicicleta decisiva do nosso ponta de lança. O suficiente para não provocar azia no organismo, apesar de como efeito colateral haver decerto algum pneu envolvido. Consequência do consumo em excesso de gorduras, por muito que o músculo estimulado pela recente adição de fibras jovens o disfarce.

 

E o Leitor? Como antevê o jogo de logo à noite?

 

P.S. Não foi de bicicleta, foi mesmo de todo-o-terreno (TT). 

23
Set20

Cesteiro que faz um cesto, faz um cento


Pedro Azevedo

Quarenta e dois anos depois, o basquetebol do Sporting está de regresso à Champions. A última aventura leonina ocorrera em 30 de Novembro de 1978, quando o Sporting se deslocou ao Luxemburgo para defrontar o BBC Amicale. O jogo saldou-se por uma derrota (99-95) que confirmou a já decidida eliminação dos nossos leões na fase de qualificação para a antiga Taça dos Campeões Europeus, num grupo onde para além dos luxemburgueses estavam os poderosos italianos do Emerson Varese. Apenas por curiosidade, nesse dia alinharam Augusto Baganha, Billy Eason, Carlos Lisboa, Hélder Silva, Leonel Santos, Manuel Sobreiro, Mário Albuquerque, Quim Neves, Rui Pinheiro e Tomané, tendo Eason (30 pontos), Pinheiro (21) e Albuquerque (20) se cotado como os nossos melhores marcadores. 

 

Hoje o Sporting regressou à principal competição europeia de clubes e logo com uma vitória. Na Bulgária, contra os suiços do Fribourg Olympic, os leões venceram por 84-78, apurando-se assim para o jogo decisivo que poderá dar a qualificação (inédita) para a fase de grupos, partida essa que ocorrerá na Sexta-feira contra os bósnios do Igokea, equipa difícil e que beneficia da rodagem que a Liga Adriática de Basquetebol (ABA League) - competição que lhe tem permitido defrontar gigantes como o Cibona Zagreb ou o Estrela Vermelha - lhe vem providenciando. Mas cesteiro que faz um cesto, faz um cento, e que bonito seria sairmos da Bulgária com a qualificação e um primeiro cento (100 pontos) nesta nova aventura europeia!

 

Num pavilhão com cadeiras pintadas de verde, a nossa equipa sentiu-se em casa e partiu para uma exibição sólida e apenas contrariada por um terceiro período menos bom que permitiu a aproximação dos suiços no marcador. Os parciais dos 4 períodos foram, respectivamente, 27-18, 23-18, 16-25 e 18-17. Em termos ofensivos, os jogadores de maior destaque foram Travante Williams (23 pontos), o poste John Fields (20 pontos e 11 ressaltos, duplo-duplo) e James Ellisor (10 pontos). Como pontos a corrigir, de destacar o elevado número de turnovers da nossa equipa (10) e a falta de protecção da zona próxima do cesto em alguns ressaltos defensivos que permitiu algumas segundas bolas aos helvéticos. 

P.S. Aquele afundanço do Fields na cara de um jogador da equipa suiça... O jogador do Fribourg nem teve tempo para anotar a "matrícula do carro" que o atropelou...

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22
Set20

Pensamento do dia


Pedro Azevedo

"Um dia tudo será excelente, eis a nossa esperança; hoje tudo corre pelo melhor, eis a nossa ilusão" - Voltaire

 

P.S. Boa sorte para a nossa equipa na Quinta-feira, numa eliminatória fundamental para nós tanto do ponto de vista financeiro como desportivo. Sobre contas, e mais concretamente sobre Orçamento e Relatório e Contas do Sporting Clube de Portugal (e não da Sporting SAD, tema sobre o qual me tenho debruçado em sucessivas análises trimestrais), falaremos na Sexta-feira. (Entretanto, as minhas questões sobre o Orçamento para 2020/21 e R&C de 2019/20 do Sporting já foram formuladas através do "link" que o clube disponibilizou para o efeito.)

21
Set20

Análise à jornada (1)


Pedro Azevedo

Na antecâmara do início da Primeira Liga as expectativas eram elevadas em relação a um maior equilíbrio competitivo do nosso campeonato. Os peritos geralmente ouvidos nestas ocasiões apontavam para um crescimento dos clubes médios habitualmente envolvidos na luta pela qualificação para a Liga Europa e isso era, logicamente, percepcionado como positivo para o futebol português, na perspectiva de jogos mais intensos e competitivos onde os "grandes" viessem a ter um grau de dificuldade superior ao habitual. Pois bem, analisando esta primeira jornada ainda incompleta - Sporting e Gil Vicente viram adiado o seu jogo devido ao surto de casos positivos de Covid-19 e Portimonense e Paços de Ferreira apenas jogam hoje - as expectativas saíram um pouco goradas. A maior desilusão terá vindo de Guimarães, cidade onde mora um Vitória que perdeu em casa com a Belenenses SAD. Mais do que ter ficado por provar a qualidade de tantos jogadores jovens recentemente incorporados, o que mais me surpreendeu pela negativa na equipa da cidade-berço foram os princípios de jogo, com sectores e jogadores frequentemente muito longe entre si. Tiago é um jovem de que sempre gostei dentro e fora do campo, pela inteligência revelada nos relvados e por transparecer ser um "gentleman" e uma pessoa muito equilibrada. Mas, a verdade é que o futebol que apresentou no Sábado não me agradou de todo. Desejo que melhore e que faça uma carreira de treinador de acordo com aquilo que foi o seu desempenho como futebolista. Outra equipa que ficou aquém do por mim esperado foi o Rio Ave. Provavelmente mal habituado com aquilo que lhe vi sob o comando de Carlos Carvalhal, notei a ausência de várias rotinas de jogo interior que eram comuns com o anterior treinador. A equipa não só não foi tão junta como privilegiou muito o jogo exterior e os cruzamentos em detrimento do carrossel por dentro e dos espaços que encontrava para penetrações entre central e lateral (ou orlar uma defesa toda atraída para o centro) que tão bem fazia no passado. Ainda assim, realço como positiva a capacidade de acelerar o jogo revelada na segunda parte contra o Tondela. Também aqui me pareceu que, independentemente da perda de jogadores importantes para os vilacondenses como Taremi ou Nuno Santos, o menor desempenho se deveu a um modelo de jogo menos atractivo e efectivo que o anterior. Já no caso do Famalicão não se pode falar exactamente de alteração de filosofia ou rotinas de jogo. O treinador é o mesmo e os princípios estão lá. O problema é que Pote, Fábio Martins e Nehuén Perez já não moram lá e houve substanciais impedimentos de novos jogadores recém-contratados que não nos permitem agora concluir se a equipa ficou mais fraca ou não, sendo certo que o 11 que jogou contra o Benfica é claramente inferior ao da época transacta. Ainda assim, Ruben Lameiras, agora mais liberto da concorrência de Pote, confirmou todas as qualidades já evidenciadas em 19/20. Do Boavista não se poe dizer que tenha desiludido, porém o seu processo defensivo mostrou inúmeras debilidades. A proposta de futebol de Vasco Seabra, já todos o sabíamos do tempo do Mafra, é muito atractiva mas a equipa ainda pareceu algo desequilibrada. Contudo, o Boavista alterou radicalmente o seu plantel, pelo que aqui provavelmente tratar-se-á mais de um problema de rodagem ou ausência dela. O Braga, de Carvalhal, esteve dentro daquilo que era esperado, jogando olhos-nos-olhos com o campeão Porto. Simplesmente, a sorte que os minhotos tiveram nos primeiros 20 minutos faltou-lhes a partir daí, com algumas perdas escandalosas em frente da baliza. Já não se poderá atribuir a sorte, mas sim a (in)competência dos jogadores envolvidos nesses lances, os dois golos sofridos no período de compensação do primeiro tempo que muito penalizaram a equipa. Porém, é justo realçar, a equipa não acusou o toque do ponto de vista psicológico e voltou após o intervalo com ganas de virar o resultado da partida. Pela positiva devem destacar-se Moreirense e Santa Clara que fizeram um jogo competente. O Belenenses SAD surpreendeu com um futebol mais bonito e harmonioso do que é costume ver nas equipas de Petit. O Nacional, treinado pelo jovem Luís Freire, foi uma equipa que nunca desistiu e soube procurar amiúde superioridade nos flancos, de onde partiram cruzamentos letais para os axadrezados. Porto e Benfica confirmaram-se como sérios candidatos, mas os encarnados impressionaram mais devido à boa ligação entre Darwin e Waldschmidt, com Gabriel a ocupar uma posição de médio mais defensivo não tão habitual para si mas com bons resultados. Obviamente, dado o forte investimento, surpreendente foi a derrota na Grécia, pelo que se espera que o Benfica dê luta até ao fim pelo campeonato. Já os portistas averbaram um resultado bem melhor do que a exibição. Até para a semana (espera-se que já com o nosso Sporting)! 

21
Set20

Craque da semana (2)

Adam Hlozek


Pedro Azevedo

O jogador que vos trago esta semana actua num campeonato periférico, porém tem um valor de mercado (9M€ pelo Transfermarket) proibitivo para a maioria dos clubes portugueses (excepto "Os Grandes"). Ainda assim entendi trazê-lo a este espaço por ser largamente desconhecido em Portugal.

 

Adam Hlozek tem apenas 18 anos, actua no Sparta de Praga (Fortuna Liga/ Primeira Liga checa) e é a grande esperança do futebol checo e uma das maiores promessas do futebol europeu. Com já vários clubes alemães a seguirem-no, onde se destacam Red Bull Leipzig e Borussia Dortmund, Hlozek é um jogador de 1,86m e resistente ao choque, com superior visão de jogo, óptima condução de bola em velocidade e destreza em espaços curtos, qualidades que o recomendam como "10" ou segundo avançado. Também actua por vezes a partir das alas, partindo daí para desequilíbrios em zonas interiores. 

 

Com um passado de destaque nas selecções jovens checas, Hlozek ganhou recentemente a sua primeira internacionalização pela selecção principal do seu país. Nascido em Julho de 2002, estreou-se no campeonato checo com apenas 16 anos em Novembro de 2018. O seu primeiro golo pelo Sparta foi marcado ainda com essa idade, na recepção ao Viktoria Plzen, equipa que finalizou o campeonato numa posição imediatamente superior (2º) à do clube da capital (o campeão foi o rival da cidade, o Slavia). Na época passada deu um salto qualitativo e já realizou 39 jogos, tendo marcado 9 golos e assistido em outras tantas ocasiões. A progressão promete continuar, dado o início de temporada 20/21 em que leva 3 golos e 4 assistências em apenas 4 jogos realizados.

(*) A partir de hoje, sempre às segundas-feiras

20
Set20

Glórias Leoninas

Ricardo Ferraz


Pedro Azevedo

O "Senhor Boxe" um dia entrou-me pelo pequeno ecrã através da primeira telenovela portuguesa. Era o tempo da produção nacional tentar replicar o modelo dos brasileiros da TV Globo ou Bandeirantes e assim nasceu a Vila Faia. Nessa novela, Ricardo Ferraz, esse era o seu nome, piscava o olho à vida real, representando um treinador de boxe empenhado em ensinar o Pedro, personagem interpretada por um então muito jovem Nuno Homem de Sá. 

 

Ferraz foi uma figura mítica do boxe nacional e do nosso clube, tendo entrado no Sporting como treinador e coordenador da secção em 1961, data do reinício (inaugurada em 1923, pouco tempo depois foi suspensa) da prática da modalidade nos leões, mantendo-se nessas funções até 1989. No seu currículo constam vários campeões e uma equipa que venceu o título nacional por 8 anos consecutivos (13 títulos durante o seu "reinado"). A sua coroa de glória aconteceu em Moscovo 1980, quando o seu atleta Paquito (10 vezes campeão nacional) se conseguiu qualificar para os Jogos Olímpicos, tornando-se no primeiro e até hoje único pugilista português a conseguir tal feito. Outro atleta de eleição que treinou foi Vítor Carvalho (8 títulos de campeão nacional individual).

 

Revolucionário dos métodos de treino em Portugal, era particularmente rigoroso em matéria de disciplina dos atletas, factor que conjugado com um inovador plano alimentar e uma adequada preparação física os levava ao sucesso. "Campeão não é aquele que bate com mais violência, mas sim aquele que aplica os golpes nos pontos vulneráveis do adversário", afirmou um dia aquele para quem a resistência estava tanto nos braços e pernas como no cérebro. E ele bem sabia o que era a resistência, afinal era do Sporting, do nosso Sporting, e um leão nunca se verga. Obrigado, Senhor Ferraz!

18
Set20

Voar como o Jardel sobre os centrais


Pedro Azevedo

Mário Jardel perfaz hoje 47 anos. Em dia de aniversário, nada como oferecer de presente, a ele e a todos os Leitores de Castigo Máximo, este golo marcado ao Vitória de Setúbal que me desperta tantas recordações por motivos não exclusivamente relacionados com o futebol. Nessa noite tive um jantar em Alenquer, repasto há muito agendado que não me permitiu ir a Alvalade. A mesa estava quase completamente preenchida por Sportinguistas (cerca de uma dúzia) e o Tomaz, de transistor colado ao ouvido, ia-nos dando novidades sobre o jogo. Ainda antes do intervalo, uma péssima notícia: o Marius Niculae lesionou-se com gravidade. O tempo passava, o marcador não se alterava e o nosso grupo desesperava. Tudo levava a crer que uma vez mais o velho fado leonino se iria entoar. Mas nós tínhamos o Jardel! E em cima da hora ele lá nos salvou. Bom, mas o melhor é deixar correr as imagens. Elas, muito mais do que a minha prosa, farão justiça ao goleador que foi Mário Jardel. Parabéns! E saudades...

 

P.S. No banco do Vitória, após aquele golo de gala, o JJ até teve de dar brilho ao sapato...

17
Set20

"Coitados dos gregos" e o "Cavalo de Tróia"


Pedro Azevedo

Era uma vez uma Cartilha de João de Deus dos pobres de espírito distribuída por um senhor que anteriormente havia ficado tristemente conhecido por infelizes analogias que envolviam padres, vulgo Alegoria da Caserna, alegadamente contidas em emails que supostamente trocara com outros interessados na causa. Lendo essa cartilha, o mesmo senhor, eufórico e possuído de uma razoável dose de soberba, entoava loas ao sonho de expansão europeísta e antecipava o fim de uns gregos pelos quais mostrava até antecipadamente alguma compaixão. Acontece que o que era sonho virou pesadelo e caiu aos pés do "Cavalo de Tróia" de onde saiu Zivkovic, para o efeito investido de um Aquiles sérvio mergulhado de olhos fechados em menino no Danúbio e cuja única vulnerabilidade conhecida (oftalmológica) se revelara recentemente sob injustificado apedrejamento por uma horda irada, desavinda e criminosa. Agora, desacreditado enquanto orixá e desbancado do pedestal que outrora partilhara com uma enfurecida Hera protectora dos gregos, de nigromante transformado em agoureiro, restará ao senhor cartilheiro um papel menor no coro das Testemunhas de Janelá que discretamente ainda andará por aí. É, por isso, caso para se dizer: coitado do "troiano"!

cavalo de tróia.jpg

17
Set20

Craque da semana

Albion Ademi


Pedro Azevedo

Nesta nova rúbrica procurar-se-á mostrar alguns jogadores que se têm vindo a destacar em campeonatos periféricos e cujo preço acessível os torna interessantes para a nossa Liga. 

 

O craque desta semana é Albion Ademi, um jovem (21 anos) ala esquerdo cujo pé preferencial é o direito que actua no IFK Mariehamn, actual sexto classificado da primeira divisão finlandesa (Veikkausliiga). Nascido em Turku, na Finlândia, e filho de albaneses do Kosovo, Ademi representou as selecções jovens finlandeses até que optou pela selecção albanesa de sub-21. Formado no Turun Palloseura (TPS), tornou-se profissional no Inter Turku de onde se transferiu esta época para o Mariehamn. Muito rápido na condução de bola, com boa técnica de drible e remate forte e colocado, despontou esta época a grande nível, assumindo-se como o melhor goleador do campeonato com 12 golos em 14 jogos - mais de metade dos golos da sua equipa - , números impressionantes (a que soma 3 assistências) para quem não joga no centro do ataque. Com um valor de mercado de 300.000 euros (Transfermarket), penso que Ademi se poderia encaixar bem no lote de clubes com aspirações a lutar pela qualificação para a Liga Europa ou mesmo ser testado numa equipa B ou sub-23 de um clube grande. Obviamente, necessita ainda de algum desenvolvimento e exposição a um nível de dificuldade mais elevado, mas há pormenores no seu futebol que me parecem promissores e me trazem à memória Nolito, um jogador com uma carreira interessante que passou por Benfica, Manchester City e Sevilha.

14
Set20

Há um Sporting em destaque na Bélgica


Pedro Azevedo

Na Bélgica, cumpridas que estão 5 jornadas da Jupiter Pro League, a grande sensação é o Sporting Charleroi. Contando por vitórias os jogos realizados, este clube da província de Hainaut está em território inexplorado face aos seus pergaminhos históricos. Numa competição habitualmente dominada pelos clubes da Flandres e de Bruxelas - Anderlecht e Club Brugges têm em conjunto 50 títulos - , o Sporting Charleroi nunca foi além de um segundo lugar na já longínqua época de 68/69, classificação que partilha com as duas finais perdidas da Taça da Bélgica como os maiores feitos de um percurso iniciado há 116 anos. 

 

Porém, esta época, o Sporting Charleroi lidera isolado o campeonato, mantendo os sempre favoritos Anderlecht e Club Brugges a 6 pontos e o Standard de Liege a 5. Mais próximo (3 pontos) está o Beerschot, clube que se destacou entre as Grandes Guerras (7 campeonatos) e que desde aí não mais regressou aos tempos de glória. Com a melhor defesa da Liga (1 golo sofrido) e o quarto melhor ataque (9 golos marcados), o Charleroi é uma equipa equilibrada que se dispõe num 4-2-3-1 e tem no iraniano Ali Gholizadeh o seu melhor jogador. Gholizadeh é um ala direito canhoto de boa técnica que pensa como um "10", pelo que os seus movimentos interiores destinam-se mais a solicitar as desmarcações dos companheiros nas costas dos defesas contrários do que a procurar o remate ou o cruzamento. Na outra ala, o nipónico Morioka procura igualmente o jogo interior, pelo que a profundidade é assegurada pelos laterais Busi (direita) e Kayembe (esquerda), este último um velho conhecido dos portugueses após passagens por Rio Ave e FC Porto. Kayembe é menos estereotipado do que Busi, alternando a verticalidade junto à linha com diagonais poderosas em contra-ataque. A equipa encontra geralmente mais dificuldades em compensar as saídas de Busi quando em transição defensiva, sendo esse o seu ponto fraco mais facilmente detectável. O guarda-redes Penneteau, francês, é competente entre os postes, mas evidencia algumas dificuldades a jogar com os pés. Os centrais Willems e Dessoleil são experientes e conhecem-se bem pois estão no clube há muito tempo, algo que mitiga alguma falta de qualidade extra. Os dois pivôs do meio campo são Ilaimaharitra (Madagáscar) e o veterano belga (36 anos) Gillet, recém chegado ao clube, jogador com uma carreira interessante que teve o seu ponto mais alto no Anderlecht e passou por Nantes, Olympiacos e Lens. Todavia, é no quarteto da frente que se pode encontrar o poder desta equipa: se os alas Gholizadeh e Morioka são no fundo interiores e os pensadores do jogo, o jamaicano Nicholson é muito mais um segundo avançado do que um "10", procurando muitas vezes as deslocações para fora da área (e concomitantes arrastamentos) do outro iraniano da equipa, o ponta de lança Rezaei, para encontrar espaços vazios por onde ferir o adversário. Complementando-se dessa forma, Nicholson e Rezaei partilham a liderança dos melhores marcadores da equipa (3 golos cada) enquanto Ali Gholizadeh já assistiu em 3 ocasiões. 

 

Não sendo nada certo que consigam aguentar este balanço, a verdade é que as "Zebras" orientadas por Karim Belhocine - um francês da diáspora argelina que foi futebolista no Sporting de Espinho (2001-2002) - montaram um sistema que funciona e parecem estar a retirar dividendos na mais recente moda do futebol mundial, a aposta nos mercados japonês e iraniano. A ter em atenção, especialmente se o sortilégio de um sorteio futuro os vier a colocar no caminho do nosso Sporting na Liga Europa.

ali gholizadeh.jpg

14
Set20

Tudo ao molho e fé em Deus

O Homem Duplicado


Pedro Azevedo

Neste cantinho castiço mais ocidental da Europa há um António Costa que por acaso é primeiro-ministro e "vai à bola" com Luis Filipe Vieira. A fim de justificar o seu apoio a um candidato nas eleições de um clube, o senhor propõe que o multipliquemos por dois: há o António Costa político no activo e governante e o António Costa cidadão e sócio do Sport Lisboa e Benfica. A questão em aberto é a seguinte: na medida em que o primeiro-ministro não vê qualquer problema em publicamente se imiscuir nas eleições de um clube, até que ponto o sócio do SLB que há em Costa terá acautelado não se imiscuir em matéria de Estado? 

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