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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

30
Abr20

Tudo ao molho e fé em Deus - Vem aí a bola


Pedro Azevedo

Segundo alguns, o futebol português é uma farsa. Eis então que chega a pandemia e tudo muda, e o futebol português passa a ser a única indústria nacional em que os profissionais andam sem máscara. Sem dúvida, uma vitória da transparência do nosso futebol contra a maledicência. Ou não...

 

Estou curioso para ver como se procedem os jogos. Não pondo totalmente de parte a possibilidade de os jogadores aparecerem em campo com capacetes e viseiras à Girão, o mais certo é a marcação à zona imperar sobre o homem-a-homem. O VAR terá o seu trabalho muito facilitado pelas regras de distanciamento social, especialmente devido aos nítidos (2 metros) foras de jogo e inexistentes penáltis. Idém para o árbitro auxiliar, o qual só terá de se preocupar em proteger a cara caso o vento impulsione a bandeirinha na sua direcção. Em contrapartida, os árbitros terão um trabalho intelectualmente extenuante, na medida em que terão de puxar muito pelas sinapses para descortinarem uma razão para advertirem com cartões os jogadores do Sporting. (Se o "Corona" tivesse ocorrido no tempo do José Pratas, aconselhar-se-ia uma viseira aerodinâmica para facilitar a corrida do árbitro ao longo do campo.) As Tácticas da Tosse, do Corrimento Nasal e da Expectoração serão à partida mais eficientes e capazes de proporcionar desmarcações e oportunidades de golo do que os tradicionais 4-3-3, 4-4-2 ou 4-2-3-1. A Liga de Clubes, atenta às recomendações da Direcção Geral de Saúde, lavará muito bem as mãos (como Pilatos). 

 

À partida vai tudo correr bem. A não ser que um Paulinho Santos ou Rambo Dias desta vida se venham a tornar mais perigosos para a integridade física dos jogadores do que o próprio Coronavírus. Cá estaremos para ver... pela televisão, o futebol como Reality Show. Certo, certo é que no fim vai ser uma alegria. Para os confinados dos Aliados ou do Marquês, obviamente...Liga_NOS_logo.png

29
Abr20

Uma nova visão sobre o futebol europeu


Pedro Azevedo

Há uns tempos atrás falei-vos aqui sobre a minha visão para a reformulação dos campeonatos em Portugal, hoje gostaria de abordar aquilo que na minha opinião deve ser feito a nível das instâncias superiores do futebol europeu a fim de não se matar a galinha dos ovos de ouro. A nível do futebol, o que a situação pandémica a nível mundial trouxe à evidência foi que a maioria dos clubes não estava preparada para um choque sistémico. Na verdade, primeiro devido à conjugação da Lei Bosman com o fim da limitação do número de estrangeiros em diversos campeonatos europeus, depois devido ao novo modelo de distribuição de dinheiros da Champions, é público e notório que a assimetria entre clubes aumentou. E isso não se processou apenas entre os tradicionais clubes grandes e pequenos. Clubes outrora com grande história no panorama europeu, como o Ajax (o caso paradigmático do pequeno milagre da optimização da Formação conjugado com uma criteriosa acção no mercado que ainda lhe vai permitindo aparecer nos grandes palcos de quando em vez), PSV, Feijenoord, Anderlecht, Estrela Vermelha, Partizan, Steaua Bucareste, Celtic, Saint-Étienne ou os nossos Sporting, Benfica e Porto, são hoje pequeno peixe à mão dos novos tubarões do futebol europeu que curiosamente não são detidos por autóctones. Oligarcas russos e do médio e extremo oriente tomaram conta de clubes como o Chelsea, o Manchester City ou o Paris Saint Germain e dotaram-nos de orçamentos que até os colossos Real Madrid, Barcelona, Juventus, Milan ou Bayern Munchen têm dificuldade em acompanhar. Os clubes de países periféricos, que antigamente conseguiam manter por muitos anos os seus melhores jogadores e assim ser competitivos na Europa, transformaram-se em clubes que formam para vender ou, simplesmente, em interpostos de compra/venda de jogadores. De forma a serem mínimamente competitivos quase todos vivem acima das suas possibilidades, com enorme alavancagem dos custos face aos proveitos gerados. Ficam por isso muito dependentes das suas convicções sobre a Formação, ou do acerto (ou não) das escolhas no mercado de transferências. Logicamente, em casos em que a política desportiva é má, o caos fica iminente. Os empresários de jogadores lucram devido à rotação dos negócios; os clubes apenas sobrevivem, ligados à "máquina" e incapazes de respirarem por si. Tudo isto concorre para a pouca sustentabilidade do negócio do futebol, o qual precisa de ser repensado de uma forma que permita que se produza uma desalavancagem sem ainda maior perda de competitividade global de uma série de clubes que hoje em dia constituem uma classe média do futebol europeu e que a este são vitais pela dimensão social de adeptos e paixão que acarretam para o jogo. Simultaneamente, esta classe média europeia de clubes deve ser apoiada por mecanismos de compensação que lhe proporcionem proveitos de forma a protegê-la de uma desregulação, dir-se-ia selvagem, do sector que está a provocar grandes desequilíbrios. Eis portanto algumas ideias que deixo para discussão:

 

  1. Regra UEFA e das Ligas domésticas: os planteis só podem conter 20 jogadores. Isso trará imediatamente 2 benefícios: a) os clubes grandes não poderão secar o mercado e jogadores outrora inacessíveis poderão surgir em equipas médias; b) recurso obrigatório a jogadores da Formação (sub-21) para compôr o plantel;
  2. Regra de cada campeonato: limitação do número de estrangeiros por equipa (apesar da livre circulação comunitária, o exemplo inglês da Premier League mostra que se pode condicionar por determinados critérios a inscrição de jogadores estrangeiros) ;
  3. Regras de acesso à Fase de Grupos da Champions que não discriminem tão negativamente os campeonatos fora dos "Big Five";
  4. Nova distribuição de receitas da Champions. Tem havido muita pressão dos clubes grandes sobre a UEFA com a ameaça da Superliga Europeia. Mas os clubes grandes vão rapidamente entender que se secarem tudo à sua volta vão ficar sem o filão dos pequenos/médios clubes para os abastecer. Se só os clubes grandes resistirem, os custos inflacionar-se-ão e isso exponenciará a alavancagem até níveis que criarão um enorme risco de falência aquando de inversões de ciclo económico;
  5. Fundo de Sustentabilidade: a UEFA deverá aproveitar esta crise sanitária para promover um maior equilíbrio no futebol europeu, distribuindo mais dinheiro por federações europeias pertencentes a países de menor dimensão económica;
  6. Campeonatos periféricos europeus com melhores jogadores e equipas atrairão mais patrocinadores e um valor maior dos direitos centralizados de TV. 

 

Enfim, o espaço de um Post coaduna-se pouco com uma longa dissertação, pelo que hoje ficar-me-ei por aqui. Voltarei em breve com mais ideias para discussão. 

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29
Abr20

Obituário

Robert Herbin


Pedro Azevedo

Aos 81 anos, devido a complicações cardíacas e pulmonares aparentemente não relacionadas com o Coronavírus, morreu Robert Herbin, mítico jogador e treinador do Saint-Étienne no período compreendido entre o final da década de 50 e o final da década de 80, um tempo em que o clube francês teve os seus maiores momentos de glória. 

 

Pouco conhecido em Portugal, Herbin teve uma carreira extraordinária e recheada de títulos nos "verts". Enquanto jogador, esteve no ASSE entre 1957-72 e ganhou o campeonato francês por cinco vezes - quatro delas de forma consecutiva (1964 e entre 1967 e 1970) - e a Taça de França em três ocasiões. Foi um defensor/médio defensivo goleador (99 golos em 509 jogos pelo ASSE) e jogou 23 vezes pela selecção gaulesa. 

 

Após terminar a carreira de jogador, Herbin assumiu a função de treinador no Saint-Étienne em 1972/73. O seu primeiro período (11 anos, até 82/83 com uma pequena passagem por Lyon) ficou marcado pela revolução que operou em termos da preparação física da equipa. Após ter conseguido o tricampeonato entre 1974 e 1976, nesse último ano Herbin liderou a equipa de uma pequena cidade com apenas 170 000 habitantes até à final da Taça dos Campeões Europeus contra o poderoso Bayern de Munique (derrota pr 1-0), partida que ficaria imortalizada como a dos "postes quadrados" devido ao invulgar número de vezes em que os franceses acertaram com a bola nos ferros da baliza à guarda de Sepp Meyer. Após um interregno de títulos na principal competição do futebol francês, Herbin regressaria às vitórias em 1981, época em que contou com uma estrela em ascensão (Michel Platini). Para além dessas vitórias, coleccionou também 3 Taças de França. Foi o final do período de ouro do Saint-Étienne, que teve o seu último grande titulo precisamente em 81. Após 4 anos de ausência, período em que liderou Lyon, Al Nassr e Strasbourg, Herbin regressaria para mais 3 épocas nos "verdes", terminando posteriormente a sua carreira nos parisienses do Red Star (1993-94). 

 

Chorando a sua morte, o AS Saint-Etienne emitiu um comunicado onde deixou claro o imenso legado do antigo treinador. Uma questão da mais inteira justiça, pois embora "O Ruivo" (ou a "A Esfinge") tenha desaparecido, a sua lenda será imortal no clube da região de Rhône-Alpes.

 

"Allez les verts!"

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27
Abr20

Sugestão do dia

Garrincha


Pedro Azevedo

"Garrincha", numa edição inglesa da Yellow House, é uma biografia de Ruy Castro sobre Mané Garrincha, o "anjo das pernas tortas" como Vinícius de Moraes o popularizou em poema. O livro acompanha a ascensão e queda da lenda do drible do futebol brasileiro desde os seus primeiros tempos no Botafogo até à decadência física e financeira, passando pelo esplendor dos seus melhores anos ao serviço do Escrete Canarinho. Se Mané já tinha sido providencial em 58 na Suécia, quando Feola o fez saltar para dentro do campo conjuntamente com Pelé após um decepcionante primeiro jogo da selecção brasileira nesse campeonato do mundo, em 62 ele foi o herói: Garrincha pegou numa equipa orfã de Pelé (prematuramente afastado por lesão) e levou-a ao mais alto patamar, aumentando o moral das tropas com exibições de finíssimo retorne técnico e golos e passes decisivos. 

Quem olhasse para Garrincha já consideraria um milagre ele poder andar, mas com a bola nos pés ele era um furacão que destruía qualquer tentativa de organização adversária. Apaixonado pelo jogo e pela vida, desregrado dentro e fora do campo, não obedecendo a tácticas ou convenções, Mané foi um cometa que passou pelo planeta Terra e prematuramente (49 anos) desapareceu. Uma mistura explosiva de futebol e samba que acabou de forma trágica, mas não fez desvanescer a imensa aura que angariou entre os fãs do desporto-rei. 

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26
Abr20

Pior a emenda que o soneto


Pedro Azevedo

O diário desportivo O Jogo na sua edição de ontem diz, refugiando-se em fontes do Sporting, que a razão do não-pagamento de Ruben Amorim se deveu ao não-recebimento do valor da transferência de Bruno Fernandes. Segundo o jornal, o Sporting apenas receberá o dinheiro referente à venda de Bruno Fernandes em 2021, em 4 tranches de 13,75 M€. Ora, ciente disso a SAD terá tentado antecipar os 55 M€ de valor global da transferência, recorrendo a uma entidade financeira alemã para realizar a operação de factoring. Acontece, segundo ainda O Jogo, que devido ao Coronavírus, a entidade alemã terá recuado no seu propósito de realizar a operação, pretendendo agora apenas adiantar metade do valor.

 

Leio a notícia e fico aturdido. Em primeiro lugar, não é compreensível que uma sociedade que luta diariamente com problemas de tesouraria estabeleça um contrato de venda do seu jogador mais representativo em que os recebimentos ficam adiados para o ano seguinte (recentemente um diário desportivo garantia que em Março tínhamos recebido 13,75 M€ do Manchester). Aliás, não conheço uma operação de contornos semelhantes a este na actividade da SAD. Em segundo lugar, não se entende que tendo a transferência ocorrido em Janeiro a SAD não tenha concluído em tempo útil, antes do aparecimento do confinamento provocado pelo Covid-19, a operação de factoring (antecipação de receita), emergência acentuada pela decisão de contratar Ruben Amorim por 10 M€ (oficializado no dia 5 de Março). Recordo que o Estado de Emergência foi declarado em Portugal no dia 18 de Março. Em terceiro lugar, depois de após uma entrevista de Salgado Zenha ter ficado insolitamente a ideia de termos enganado o Manchester, fazendo-o pagar mais do que deveria por um grande jogador como Bruno Fernandes (com uma cláusula de rescisão de 100 M€), somos agora informados de que ao valor de 55 M€ deveríamos descontar os custos da antecipação desse proveito. 

 

Mais uma vez o dia-a-dia do Sporting parece envolto em meias-verdades. Esclarecimentos na primeira pessoa raramente existem, apontando os jornais quase sempre para fontes não identificadas ligadas ao clube quando se trata de justificar algum acto de gestão. No outro dia era a informação em A Bola de que tínhamos cortado 20 M€ em custos em 2 anos, algo que os R&C desmentem, ontem esta notícia de O Jogo que parece querer justificar o não pagamento da transferência de Ruben Amorim. É caso para dizer que tem sido pior a emenda que o soneto. Aguardemos pois pelo R&C de Março para sabermos mais sobre a transferência de Bruno Fernandes e vermos o que está inscrito na rúbrica de "Clientes" (Dívida de terceiros à SAD do Sporting).

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26
Abr20

Sugestão do dia

Memórias de PEYROTEO


Pedro Azevedo

Peyroteo é o melhor goleador de todos os tempos do futebol mundial, na medida em que ainda detém o maior rácio de golos marcados por jogos efectuados. O presente do indicativo do verbo ser é aqui correctamente empregue pois um vulto da dimensão de Peyroteo nunca morre, ele vive no imaginário colectivo de sucessivas gerações. E não me refiro apenas ao goleador, o homem é igualmente muito especial, dotado de uma personalidade e carácter distintivos. Avesso a qualquer tipo de oportunismos, sofreu agruras em vida que um homem e jogador da sua dimensão não merecia. 

Peyroteo foi tão grande que despertava a admiração dos adeptos rivais. A prova disso foi que comecei a descobri-lo através dos olhos de um avô benfiquista que lhe tinha grande simpatia apesar das inúmeras tardes de infortúnio que o nosso matador lhe terá causado. Exemplo disso é a compreensão que o meu avô demonstrava para com a única expulsão que o nosso avançado sofreu em campo às mãos do defesa encarnado Gaspar Pinto. Este passara o tempo todo a provocar Peyroteo até que a invocação da mãe do temível avançado o fez perder a paciência. Após a expulsão, a reacção do público presente foi de aplauso para com Peyroteo, sportinguistas e benfiquistas incluídos, no que se traduziu numa rara forma de homenagem a quem sempre tivera uma conduta exemplar no campo e na vida.  

Este livro (Edições Afrontamento), uma autobiografia cuja reedição foi coordenada pela "enciclopédia" João Nuno Coelho e por Francisco Pinheiro, conta na primeira pessoa essa e muitas outras histórias da vida do grande Fernando Peyroteo, como os primeiros pontapés na bola em África, a educação futebolística com o velho Szabo, ou a honra de ter encabeçado duas linhas avançadas históricas do Sporting Clube de Portugal, uma com Mourão, Soeiro, Pireza e Cruz, outra a celebérrima dos "Cinco Violinos" onde emparceirou com Jesus Correia, Vasques, Travassos e Albano. 

A não perder.

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25
Abr20

Sporting no fio da navalha


Pedro Azevedo

Anda muita gente a viver da ilusão de ajudas estatais a pessoas e empresas que se expressarão pela emissão de dívida. O problema é que se as economias europeias não crescerem rapidamente, de uma forma que permita absorver o valor da dívida emitida, então os impostos vão continuar a crescer (a alternativa é a inflacção e as altas taxas de juro), reduzindo assim o valor da poupança. A dificuldade de entendimento europeu quanto à emissão dos Coronabonds (Eurobonds europeus de rating AAA) também não ajuda, na medida em que não havendo entendimento cada país ficará por sua conta e risco, ou seja, entregue ao seu rating soberano. Nesse sentido, apesar das compras de dívida da zona euro protagonizadas até agora pelo BCE (71 mil milhões de euros), os juros da dívida portuguesa a 10 anos já subiram cerca de 0,8% desde que começou a pandemia, ficando à consideração do Leitor quais seriam os níveis actuais da mesma caso o banco central europeu não estivesse a intervir no mercado.

 

Ora, é perante este condicionante externa ao seu negócio que o Sporting terá de viver nos próximos tempos, sabendo que qualquer emissão de obrigações terá um prémio de risco muito elevado e que dada a conjuntura não é de todo de esperar qualquer alívio da carga fiscal que incide sobre as remunerações dos jogadores de futebol, carga essa que ao ser uma das mais elevadas da Europa constitui um factor de desvantagem competitiva face a clubes de outras ligas. Mais, o Sporting chega a esta crise sanitária numa situação já crítica, com um défice de exploração anual praticamente equivalente ao valor do seu plantel, um desequilíbrio negativo muito grande entre custos e proveitos e amortizações de direitos económicos e custos financeiros a subirem, tudo produto de uma política desportiva cheia de equívocos e preconceitos. Acresce que será mais difícil no actual cenário anteciparem-se receitas de direitos de transmissões televisivas, não só por não haver jogos como também pelo custo financeiro associado a essa operação de factoring. 

 

Perante este cenário, a um sócio cabem duas opções: ou continua a deixar-se embalar por aquilo que uma CS desportiva muito pouco rigorosa na análise dos números vai difundindo e que quase se confunde com propaganda, ou deve exigir acções que vão ao encontro da redução substancial de despesa que há mais de 1 ano venho aqui dando como um imperativo, o que no actual contexto acredito que tenha de passar por um corte de cerca de 40 milhões de euros, entre Custos com Pessoal (actualmente em 68,5M€), Fornecimentos e Serviços Externos (14,6M€ em apenas 1 semestre de 19/20, nível record), Amortizações (perto de 30 milhões de euros) e Custos Financeiros (menos pressão de antecipação de receitas deve ajudar a limitar um valor de 7,7 milhões em apenas 1 semestre) e por uma austeridade na janela de mercado que contraste fortemente com a absoluta inconsciência das 15 contratações (quem escolheu estes jogadores e com que critérios?) definidas como cirúrgicas executadas pelo actual executivo em apenas 1 ano. E deixemo-nos de politiquices, Bruno Carvalho está lá atrás no passado e por muito que ainda sonhe ser uma solução não deve ser chamado à colação por antis ou prós como forma de sabotar a discussão sobre o óbvio ululante da actual situação dramática do Sporting que é o que deve estar no nosso foco. É hora de pensarmos primeiramente no Sporting e de fazermos aquilo que tem de ser feito. Pelo Sporting! Só assim poderemos em 2 ou 3 anos estar de novo aptos a lutar com os nossos rivais. Caso contrário, será o caos para o qual há tanto tempo venho aqui alertando. E neste momento as "odds" estão mais a favor deste. Por isso, aqui fica o meu último alerta. 

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24
Abr20

Sugestão do dia

Brasil em campo


Pedro Azevedo

De Nelson Rodrigues se dizia ser feio como um sapo, ter uma lingua viperina e trazer azar a todos os que com ele conviviam. Mas Nelson Rodrigues era muito mais do que isso. Irmão de Mário Filho, também jornalista e homem que ficou imortalizado por dar o nome ao estádio vulgarmente popularizado como de Maracanã, Nelson foi um genial cronista, mestre da criação de neologismos que aplicava a personagens de ficção ou para simplesmente reforçar pontos de vista. Fluminense ferrenho, para explicar a má sorte do Tricolor que então encetava uma longa travessia no deserto criou o "Sobrenatural de Almeida". Feroz defensor do "Brasil que vai a jogo", forma como apelidava o Escrete Canarinho , mimoseou os destractores deste como "cretinos fundamentais". Sem esquecer o "óbvio ululante", expressão com que desafiava os lugares comuns.

Idolatrado ou odiado, controverso, Nelson tanto foi apoiante da ditadura militar que governou o Brasil como mais tarde se tornou defensor acérrimo das suas vítimas. Na crónica desportiva destacou-se por fazer de cada golo um acontecimento literário, de cada momento de um jogo de futebol uma parábola da existência, reflectindo em tudo o que escrevia a verdadeira complexidade humana.

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23
Abr20

Sugestão do dia

Big Mal & Companhia


Pedro Azevedo

No Dia Mundial do Livro, uma dose dupla de leituras sugerida. Esta última focada no nosso Sporting.

 

A propósito da dobradinha de 82, Gonçalo Pereira Rosa aproveita para deixar implícito um diagnóstico geral dos males que ainda hoje apoquentam o leão. A autofagia leonina fica expressa ao longo da narrativa do autor e dos testemunhos de quem acompanhou por dentro (algo a que raramente temos acesso) uma época gloriosa mas marcada por inusitadas tensões entre dirigentes e dirigentes e treinador, onde também não faltam alegações de traição de um ou outro jogador. Um ambiente palaciano, cujos contornos permanecem pouco nítidos, aparentemente marcado por personalidades fortes e invejas e ambições pessoais desmedidas que acabam por transformar uma epopeia numa tragédia grega cujo epílogo ainda permanece em aberto nos dias de hoje. Só por isso já valeria a pena ler este livro (edição Planeta), mas Pereira Rosa oferece-nos também a receita do sucesso nessa temporada: a aposta num treinador sem medo, que dá liberdade e pede em troca responsabilidade aos jogadores, capaz de apostar em jovens e de formar uma equipa onde a classe (Meszaros, Eurico, Oliveira, Manuel Fernandes, Jordão) anda de mãos dadas com o fato-macaco (Marinho, Nogueira, Bastos, Barão, Zezinho) e os produtos da "Academia do Pelado" (Carlos Xavier, Mário Jorge, Ademar, Virgílio, Freire, Alberto). Sucesso que terminou em drama, algo que Pereira Rosa explica através de uma entrevista concedida por Malcolm Allison a Neves de Sousa na hora da sáida: "o director compra as sementes e é o jardineiro, o médico aconselha os adubos, o treinador é o Sol. Quando os directores ficam convencidos de que são espertos de mais e sabem tudo, cai o império. É o fim: o Sol não volta e as flores morrem". Lapidar!

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23
Abr20

Sugestão do dia

Selvagens e sentimentais - Histórias de futebol


Pedro Azevedo

Javier Marías é um dos maiores escritores espanhóis contemporâneos. É também um adepto fervoroso do Real Madrid que não dispensa uma biqueirada num rival. Em "Selvagens e sentimentais" (edição D. Quixote), Marías abandona a ficção para falar sobre futebol, aquilo a que o autor chama "a recuperação semanal da infância". Entre vitórias e derrotas, memórias e esquecimentos, nostalgias e vergonhas. Marías faz desfilar heróis, vilões e figurantes que fazem a história deste desporto e do "madridismo", recorrendo para isso a uma engenhosa narrativa que desde o início prende a atenção do leitor. De Puskas a Santillana, de Gento a Raul, sem esquecer o trio argentino Di Stefano, Valdano e Redondo, vários ilustres jogadores do Real (e suas némesis barcelonistas e do Atlético) são evocados nesta selecção de textos originalmente publicados entre 1992 e 2000 no diário El País ou no suplemento dominical El Semanal. Imperdível para quem goste de ser surpreendido por um golo de letra(s).

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22
Abr20

Repor a verdade


Pedro Azevedo

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O jornalista Nuno Raposo, de A Bola, assina uma peça no diário desportivo da Queimada em que dá conta que Frederico Varandas baixou o orçamento da SAD de 90 milhões de euros para 70 milhões de euros em 2 anos. Não teria custado muito ao referido jornalista fazer o trabalho de casa e verificar nos Relatórios e Contas da SAD do Sporting a acuidade da informação que certamente lhe transmitiram, concretizando ainda a que tipo de orçamento se referia (se dos Custos com Pessoal, ou de Gastos Gerais). 

 

Na verdade, eu bem teria gostado que esse corte se tivesse concretizado, necessidade para a qual frequentemente tenho aludido neste espaço. Acontece que tal não aconteceu. Concretizando, a realidade no final da época 17/18 era esta: Custos com Pessoal=73,8M€, Gastos Gerais=110,4M€. Em 2018/19 esta era a realidade: Custos com Pessoal=68,9M€, Gastos Gerais=104,9M€. Já agora, eis a realidade no final do 1º semestre de 2019/20: Custos com Pessoal=35,09M€, Gastos Gerais=59,6M€ (+5,7M€ que em período homólogo de 18/19).

 

Acrescento ainda que os Custos Financeiros subiram bastante desde o final da temporada 2017/18, o que diluiu em termos de impacto nos Resultados a pequena descida verificada nos Gastos Gerais (toda esta informação está disponível no site da CMVM). 

Nota: Custos com Pessoal são uma rubrica dos Gastos Gerais. Tal como os Fornecimentos e Serviços Externos (FSEs), que se encontram num máximo histórico. 


P.S. Tenho muito apreço pelo jornalista André Pipa e não posso esquecer os tempos gloriosos em que na praia bolinava o jornal (antigo formato) para tentar ler as crónicas dos mestres Vitor Santos, Carlos Pinhão, Carlos Miranda ou Homero Serpa, entre outros. Gostaria por isso que o actual director do jornal, Vitor Serpa, se mostrasse atento a este menor rigor "informativo". 

22
Abr20

O "espectáculo" do futebol


Pedro Azevedo

Quem olhe para os clubes portugueses fica com a ideia que não passam de um interposto de compra e venda de jogadores. Tudo em nome do negócio, claro, uma actividade económica que os manuais da especialidade surpreendentemente dizem ter o objectivo de gerar lucro, lição a que os clubes portugueses e o Sporting em particular ainda não terão chegado. 

 

Antigamente, referíamo-nos ao futebol como um espectáculo. Curiosamente, nessa época do entretenimento, os clubes portugueses não padeciam das dificuldades financeiras de hoje, eram bem mais competitivos na Europa e os seus estádios apresentavam uma muito melhor moldura humana. Mas, lá está, eram muito mal geridos. Porquê? Porque não tinham como objectivo o lucro...

 

Nesta lógica de substituição do espectáculo desportivo pelo negócio quem parece ter ficado a perder foi o público que dá cor e vibração aos jogos nos estádios, essa mole de ingratos "clientes" (outrora considerados o sal do futebol) que está sempre a verberar o excelso trabalho de diligentes especialistas na administração dos clubes, que passou a ser subalternizado em função da compra/venda de jogadores e dos horários impróprios dos jogos impostos pelas transmissões televisivas. Até que chegou o Coronavírus, o risco de contágio obrigou ao isolamento e o futebol redescobriu que não pode viver sem público, a razão e a paixão de todo o fenómeno à sua volta. 

 

Bom, na verdade, até pode. É que entretanto há uns senhores que querem servir o futebol pela televisão, sem público nas bancadas. Já sabíamos que tínhamos uns estádios herdados do Euro 2004 que eram uns elefantes brancos, o que não tínhamos enxergado é que ao Sporting e todos os outros teria bastado um terreno relvado em vez de se andarem a endividar para construir uma arena à volta. Agora só falta a moda pegar, ultrapassar fronteiras e alastrar a outros eventos. Desse modo, ainda veremos o público através de tele-chamada a decidir se o Morante corta uma orelha, duas, ou o rabo ao touro, ou uns enxames de melgas a fazerem coro num concerto dos Rolling Stones. Tudo em nome do negócio que está no sangue (o suor é dos jogadores, as lágrimas são nossas) destes promotores. Vai ser o máximo! Ou, um "espectáculo"...

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22
Abr20

Sugestão do dia

Futebol ao Sol e à Sombra


Pedro Azevedo

O uruguaio Eduardo Galeano foi um mago da palavra que, ao contrário de outros vultos da literatura mundial, nunca teve complexos em partilhar o seu amor ao desporto-rei. Ao longo de várias pequenas estórias, Galeano faz emergir em doses equilibradas de raro talento a paixão pelo jogo e a crítica social. Todos os grandes vultos do futebol mundial estão representados neste livro que originalmente me chegou às mãos através da sua versão inglesa ("Football in Sun and Shadow", edição da Penguin). Recentemente, a editora Antígona publicou-o finalmente em Portugal para deleite de todos os amantes lusos do futebol. O Financial Times considerou-o a resposta do desporto a "Cem anos de solidão" (Gabriel Garcia Marquez). O futebol e o seu culto pagão. A não perder!

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21
Abr20

Sugestão do dia

The Last Dance


Pedro Azevedo

O ciclo glorioso dos Chicago Bulls. A ascensão e queda da melhor equipa de sempre da NBA. O impacto imediato de Michael Jordan, MVP no seu ano de "rookie" (proveniente da Universidade da Carolina do Norte). Os reforços Scottie Pippen e Dennis Rodman. O princípio do fim: as tensões emergentes, a batalha de egos entre dirigentes e jogadores sobre a influência de cada parte nas vitórias (Jerry Krause, Director Geral dos Bulls, e a polémica frase "as organizações vencem campeonatos, não os jogadores"). A destruição de uma grande equipa: a não renovação com Pippen, o enfado de Jordan e o despedimento pré-anunciado de Phil Jackson (treinador dos Bulls). A temporada de 97/98, aquela que Jackson apelidou desde início como "The Last Dance", a época da última conquista dos Bulls. Tudo isto para ver num magnífico documentário de 10 episódios (disponíveis 2 até à data) da Netflix centrado em Jordan (melhor jogador da história da NBA), Pippen (maior número de roubos de bola) e Rodman (melhor defensor). Uma oportunidade também para ver as jogadas que fizeram o delírio dos entusiastas da NBA. Imperdível!

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20
Abr20

Ideias para o futebol português


Pedro Azevedo

Em tempos trouxe aqui um modelo competitivo da Primeira Liga que acredito ser decisivo para elevar o patamar do futebol português, com benefícios em termos de intensidade de jogo, atracção de patrocínios, receitas dos clubes mais pequenos e valor global do negócio. Recapitulando, gostaria que em 3-5 anos a nossa Primeira Liga fosse formada por 12 clubes, jogando-se numa primeira fase em "poule" a duas voltas e depois em play-off a duas voltas (primeiros 6 da primeira fase) e play-out (últimos 6 da primeira fase) com os pontos a serem acumulados (total de 32 jogos). Desceriam 1 ou 2 equipas e subiriam igual número de equipas provenientes de uma Segunda Liga jogada nos exactos mesmos moldes.

 

Hoje trago aqui uma fórmula que não passa pelos DireitosTV que permitiria dar um maior equilíbrio à competição. Aflorei o tema brevemente na caixa de comentários do último Post que aqui deixei, mas quero agora desenvolvê-lo. Ora, eu julgo que se deve avançar para a criação de 2 fundos: um Fundo de Garantia dos Salários e um Fundo de Competitividade do Futebol Português. O primeiro teria uma dotação de capital que visaria mitigar os incumprimentos dos clubes para com os seus jogadores. Seriam os próprios clubes (e não o Sindicato dos Jogadores) a contribuir para esse fundo criado pela Liga que seria administrado por uma sociedade gestora. Em caso de ausência de recursos financeiros, os clubes recorreriam ao fundo, havendo no entanto regras que visassem não premiar os incumpridores. Por exemplo, um clube incumpridor teria um prazo limite (1 ano?) para regularizar a situação perante o fundo, findo a qual, caso continuasse a incumprir, seria penalizado com a descida de divisão automática e a impossibilidade de regressar à Primeira Liga nos próximos 3-5 anos. Quanto ao Fundo de Competitividade do Futebol Português, ele visaria dar outra sustentabilidade ao produto futebol, procurando reequilibrar as forças entre os clubes da Primeira Liga. Nesse sentido, os clubes classificados entre o 7º e o 10º (ou 11º) na tabela da Primeira Liga mais o 1º (e o 2º) classificado da 2ª Liga receberiam no final da época uma compensação do fundo por ordem inversa da sua classificação.

 

Em termos operacionais, os clubes descontariam anualmente 0,25% do valor do Activo Intangível (plantel de jogadores) inscrito no seu Balanço para o Fundo de Garantia dos Salários. Por sua vez, para o Fundo de Competitividade do Futebol Português entrariam 50% do excesso de receitas da Liga face aos seus custos (como se de uma Reserva Obrigatória se tratasse) mais uma dotação anual dos clubes de 0,5% do valor do Activo Intangível. Apurado este valor, ele seria depois distribuido de forma inversamente proporcional à classificação dos clubes na época anterior. Por exemplo, imaginando que só desceria/subiria uma equipa, o 1º classificado da 2ª Liga teria uma ponderação de 20% do valor total, o 11º classificado da 1ª Liga 19%,  e depois 18%, 16%, 14% e 13% até ao 7º classificado. Este fundo funcionaria como um mecanismo de solidariedade dos maiores clubes para com os mais pequenos, cientes de que um maior equilíbrio e competitividade dos campeonatos seria benéfico para todos. 

 

P.S. Da mesma forma que o Fundo de Garantia dos Depósitos é constituído por dotações da banca e não dos aforradores (clientes), também não faz sentido que sejam os jogadores a contribuir para o Fundo de Garantia dos Salários. E a Liga deve ser a maior interessada em organizar uma competição onde não aconteçam situações de concorrência desleal que dão mau nome ao futebol profissional português. 

As equipas que se conseguirem apurar para o play-off não receberão qualquer compensação do Fundo de Competitividade, mas em contrapartida terão jogos muito atractivos do ponto de vista da bilhética, por ser de esperar que venham a receber duas vezes durante a época os 3 grandes, para além do acesso às provas europeias (para todos se o ranking de Portugal subisse devido ao acréscimo de competitividade das nossas equipas. Nesse caso, poder-se-ia ainda disputar uma liguilha entre o primeiro classificado do play-out e o último classificado do play-off para apuramento do último lugar europeu disponível, aumentando-se assim o interesse do play-out). 

18
Abr20

Uma crise que é uma oportunidade


Pedro Azevedo

Qualquer crise, seja ela económica, financeira ou sanitária, constitui uma ameaça. Mas é também uma oportunidade, uma forma de reinvenção, renovação, renascimento. Quantas reformas necessárias não ficam na gaveta, vencidas pela inércia e por interesses individuais que não se conjugam com os de um todo, à espera de uma oportunidade como esta? 

 

No caso particular do futebol português urge criarem-se condições para que o produto possa ser mais vendável nacional e internacionalmente, atraindo operadores de televisão além-fronteiras interessados na divulgação da nossa Liga e novos patrocinadores associados. 

 

Em primeiro lugar, há que dotar de outra competitividade o nosso principal campeonato. A Primeira Liga tem de ser o nirvana para quem a alcança e não o purgatório para os clubes do meio da tabela para baixo, sempre numa luta pela sobrevivência desportiva e financeira. Questões como as de uma melhor distribuição das receitas ou do redimensionamento do número de clubes na elite à nossa realidade demográfica serão importantes discutir, assim como as da reorganização dos calendários competitivos ou da eficácia dos regulamentos e transparência, integridade e equidade das decisões arbitrais e disciplinares. 

 

Evidentemente, tudo isto só será possível se tivermos pessoas à frente da Liga de Clubes mais preocupadas com a capilaridade do futebol português do que com a cera para o seu cabelo, empenhadas em garantir a idoneidade e qualidade do produto e dispostas a promovê-lo nesse pressuposto e sem receio de ficarem sem emprego, com sentido de "estado". É que um político preocupa-se com a próxima eleição, um "estadista" deve preocupar-se com a próxima geração, com a sustentabilidade. Que avancem as necessárias reformas!

16
Abr20

O canário na mina de carvão


Pedro Azevedo

Um velho costume dos mineiros consistia em transportar um canário numa gaiola para dentro de uma mina como forma de monitorização dos níveis de monóxido de carbono. Este sinal de alerta, embora muitas vezes radical de uma forma dramática para a pobre ave, permitia aos mineiros retirarem-se atempadamente perante um perigo iminente.

 

No Sporting, o canário na mina do carvão foi o défice de exploração da SAD. Mais, os sinais de ar rarefeito tornaram-se claros a partir do momento em que o valor do activo intangível (cotação do plantel) se aproximou vertiginosamente do prejuízo anual sem vendas de jogadores. 

 

Ontem, os sócios e adeptos do Sporting ficaram a saber que a SAD comprou um treinador no dia 5 de Março e não honrou o compromisso de pagamento de uma prestação ao clube vendedor a 6 de Março (dia seguinte). Esse treinador esteve no banco no dia 8 de Março, liderando oficiosamente a nossa equipa no jogo contra o Desportivo de Aves. É certo que mais tarde, a 18, foi anunciado o Estado de Emergência e isso até poderá ser apresentado como justificação para o não pagamento da moratória dessa primeira prestação de dívida que venceu no final desse mês, mas o que é que este incumprimento leonino (associado a outras medidas recentes) nos diz?

 

Bom, parece-me incontornável que isto vem corroborar o que escrevi aqui e aqui. O Sporting precisava de uma dieta em que a perda efectiva de peso resultasse da queima de gorduras, mantendo-se ou reforçando-se a estrutura muscular (jogadores de top). Em vez disso, o que aconteceu neste último ano e meio foi que o peso manteve-se, sendo que o músculo definhou (podia ter sido reforçado com fibras mais jovens) e as gorduras aumentaram. Em consequência disso, a nossa tonicidade muscular enfraqueceu-se, a flexibilidade diminuiu e as gorduras trouxeram problemas acrescidos de circulação que ameaçam condicionar a mobilidade e mesmo  pôr termo à nossa vida. 

 

Isto para mim é tão evidente que me custa a crer que não seja visível para todos. Entretanto, o tempo passa, o que deve ser feito permanece adiado e o clube/SAD continua em queda livre (o abismo já ficou lá atrás). A próxima paragem (e última) será o chão, uma aterragem forte ("hard landing") e desordenada, perfeitamente evitável se o bom senso tivesse prevalecido a partir do momento em que deixámos de nos qualificar para a Champions, e que se deverá materializar no momento em que deixarmos de conseguir cumprir com os compromissos salariais com o plantel. Alguém de boa fé, ou que saiba fazer contas, acreditará estar esse cenário longe no tempo? Mais do que nunca, o Sporting precisa de racionalidade, equilíbrio e bom senso.

canario.jpg

13
Abr20

Factura vs fartura


Pedro Azevedo

Diz o jornal A Bola que o Sporting facturou 155,45 M€ em vendas de jogadores, em ano e meio de actividade da Direcção presidida por Frederico Varandas. Pensei que era motivo suficiente de festejo e preparei-me para abrir uma Dom Pérignon que guardara para uma ocasião especial. No entretanto, fui dar uma vista de olhos aos Relatório e Contas de 2018/19 e do 1º semestre de 2019/20 à procura dos grandes lucros. Li, reli e concluí que o Resultado acumulado desses 2 exercícios tinha sido negativo em 5,049 M€. Para além disso, não só o Balanço como os indicadores disponíveis através do Transfermarket mostravam um enfraquecimento profundo do valor do plantel em igual período, mesmo considerando a aquisição de 14 novos jogadores. Lá voltou a Dom Pérignon à despensa...

 

P.S. Mesmo considerando a transferência de Bruno Fernandes, ocorrida em Janeiro de 2020, o valor total bruto de vendas acumulado desde 1 de Julho de 2018 é de 178,75 M€. O valor liquido das vendas (expurgado de gastos com transacções), incluindo a trf de Bruno Fernandes (comissão anunciada de 5,5 M€), é de 150,908 M€ (poderá faltar aqui outro valor recebido durante o mês de Janeiro de 2020 que perfaça os tais 155,45 M€ anunciados, o qual já será visível aquando da publicação do R&C de Março de 2020). Entre 1 de Julho de 2018 e 31 de Dezembro de 2019, o valor liquido das vendas de jogadores foi de 101,408 M€ e o bruto de 123,75 M€. Nesse ano e meio, a SAD apresentou um prejuízo acumulado de 5,049 M€.

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