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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

04
Mar20

Serei candidato!


Pedro Azevedo

Tenho o mais profundo respeito pelos sócios, estatutos, regulamentos, enfim, pelo regular funcionamento da democracia interna do clube. Simplesmente, o Sporting vive hoje um contexto de emergência. Cenários de excepção exigem medidas de excepção, e esse é o caso quando em causa está a perenidade do clube. 

 

Em Maio de 2018, no blogue "És a nossa Fé, em pleno processo eleitoral, apresentei um manifesto, um conjunto de ideais que se articulavam num projecto já com significativo grau de detalhe, que visava um Sporting mais forte, uno e sustentável. Nessa altura, defini 3 pilares que considerei (e considero) essenciais ao futuro do clube. Falei na Sustentabilidade, Cultura (corporativa) e em Princípios (boas práticas de gestão e controlo da actividade), exactamente as siglas do nosso enorme Sporting Clube de Portugal. Dois anos passados, verifico com pesar e desencanto que estamos cada vez mais longe do rumo em que me revejo. 

 

Não sou anti-nada, nunca o fui. Nesse sentido, o único "anti" que cultivo com gosto, pela positiva, é o senhor Thierry do nosso andebol, treinador em quem vou vendo qualidades técnicas, comunicacionais e humanas que muito me agradam. Sou essencialmente uma pessoa criativa, que vive para a realização, não alimenta ódios, detesta maniqueísmos e niilismos e sabe separar a crítica ao acto profissional do ataque pessoal. Acontece que não posso ficar mudo e quedo quando em causa está a sobrevivência do clube pelo qual nutro amor e sou sócio há 40 anos. Não me agrada o conformismo, não acredito na inevitabilidade das coisas (para além da morte e... dos impostos) e sinto que é imperioso devolver a esperança aos Sportinguistas. De resto, o meu sonho sempre foi ver o Sporting a ganhar e pelo recato que sempre conduziu a minha vida nunca antes de Maio de 2018 esteve nos meus planos propor-me para presidente do clube. Após isso, o assunto esteve perdido nas minhas sinapses até que infelizmente a deriva que urge solucionar na gestão se materializou naquilo que está à vista de todos e a todos entristece.

.

 

É, por isso, tempo de tomar uma posição pública. Assim, anuncio que hoje, amanhã ou daqui a 2 anos, assim que o Exmo. Senhor Presidente da MAG decida convocar eleições, serei candidato à presidência do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal, cargo que acumularei, caso eleito, com o de presidente do Conselho de Administração da Sporting SAD e para o qual estou consciente que formarei uma equipa muito competente e à altura dos desafios. Olho para as contas da SAD, sinto os resultados desportivos, apercebo-me com pesar da falta de congruência de inúmeras decisões. O Sporting não pode continuar em queda livre, é urgente actuar enquanto ainda é possível a recuperação. Adicionalmente, é importante que a liderança possa estimular o melhor de cada um de nós em detrimento de deixar vir à tona o pior da nossa condição humana. Espero, e desejo, que outras candidaturas de Sportinguistas se venham a perfilar e que tal venha a contribuir para o enriquecimento da discussão e esclarecimento dos sócios, sempre com elevação e respeito pelos valores do clube e seus associados, mostrando assim ao mundo desportivo nacional e internacional a vitalidade responsável da nossa instituição.

 

Tendo herdado o facho do Sportinguismo de meu pai e passado-o aos meus filhos (continuando a exercer "parental guidance"), sinto a responsabilidade de zelar pela perenidade da instituição, suas memórias e por todos os que elevaram bem alto ao longo da história este enorme clube. Por isso, embora o meu primeiro instinto seja a solidariedade para com os orgãos sociais e as decisões tomadas democraticamente pelos sócios, não quero, por silêncio ou omissão, ser involuntariamente cúmplice de um caminho que está a pôr em causa o bem-maior, o Sporting. Como tal, por amor ao clube me lanço nesta empreitada, ciente de que, tal como o símbolo do Sporting (o leão rampante), se cair, cairei de pé. O Sporting merece ter uma real oportunidade, um projecto construído com cabeça, tronco e membros que potencie a nossa idiossincrasia expressa na Formação e no Ecletismo. O contrário, a gestão por impulsos, acabará por a todos nos deixar como o cão de Pavlov. E nós somos leões. Rampantes.

 

O meu muito obrigado pela Vossa atenção. 

 

P.S. Até ao final da semana enviarei uma carta ao Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal, máximo representante de todos os sócios, dando-lhe conta das minhas preocupações e procurando sensibilizá-lo com argumentos relevantes para o que neste momento está em causa. Espero que exerça o seu magistério de influência e confio que no fim o bom senso prevalecerá e que todos quererão ficar na história desta centenária instituição como pessoas do bem, com sentido de missão, que abnegadamente deram o melhor do seu conhecimento ao clube.

 

Pedro Azevedo

(Sócio nº 8606-0)

 

#SerSporting  #Sporting

03
Mar20

Uma nau à deriva


Pedro Azevedo

Perdida no mar, sem instrumentos nem costa a bombordo que lhe permita sequer uma navegação à vista. Às tantas, tolhido pelo Sol, o capitão-mor da embarcação julga ver uma Ilha dos Amores, ou Amorins. Será certamente mais uma alucinação, semelhante a outras que já custaram as velas do navio. Sem forma de fugir à aguardada tempestade, em breve se perderão também os mastros. O naufrágio está iminente. Em terra, desprezando o que os ventos lhe dizem, o Almirante Alves filosofa sobre a nau catrineta de Almeida Garrett e sonha vê-la a seco, a varar. O povo? Cansado de ser comparado aos Velhos do Restelo, ao povo já falta a energia e a coragem para dar por finalizada a desventura. Mas ainda há quem resista e diga não. É preciso terminar com esta expedição!

 

P.S.1. Ler Eça explica muito bem o momento que se vive no Sporting. Em conversas particulares, existe quase unanimidade na avaliação que é feita ao trabalho desta Direcção. Contudo, ela continua a mover-se tal como a Terra de Galileu. O Sporting não pode ser mais uma Farsa de Aristófanes, é necessário que, com urbanidade e sempre tendo presente os valores do clube, nos manifestemos contra este caminho. Eu serei sempre solidário com o meu clube e os seus sócios. Todavia, não me peçam para, por omissão, ser cúmplice do caminho da desesperança. Por isso, aqui e agora, digo BASTA!

 

P.S.2. Hoje, amanhã, daqui a 2 anos, estarei sempre disponível para ajudar o meu clube a regressar a bom porto. Mas é preciso que todos se consciencializem que há caminhos tempestuosos que uma vez percorridos tornam o regresso à bonança muito mais complicado.

nau.png

02
Mar20

Uma oportunidade perdida


Pedro Azevedo

Ryan Gauld fez um hat-trick no Sábado pelo Farense, depois de ter bisado na semana anterior. Daniel Bragança e Rafael Barbosa marcaram pelo Estoril. Pedro Marques leva 8 golos nos últimos 4 jogos pelo Den Bosch. Matheus Pereira é líder das assistências no Championship, Mama Baldé é o melhor marcador do Dijon na Ligue 1, Domingos Duarte fez parte do 11 Revelação da La Liga para o jornal A Marca, Palhinha tem sido destaque no Braga e já venceu uma Taça da Liga, Leonardo Ruiz é um dos melhores marcadores da Segunda Liga. Para não falar do turco Demiral, contratado pela Juventus e titular nos últimos 7 jogos da equipa de Turim antes de uma lesão o ter deixado inactivo, período durante o qual remeteu para o banco uma contratação de 70 milhões de euros (De Ligt). 

 

A ideia da falta de qualidade da Formação não é provada pelos inúmeros factos. Qual então a razão que justificou esta opinião de Frederico Varandas? Preconceito? Motivos políticos? O que é certo é que a política desportiva assentou neste pressuposto e isso não só provocou o êxodo de vários jovens promissores que poderiam ter melhorado o rendimento desportivo da equipa e constituirem-se futuramente como importantes mais-valias para o clube como motivou uma ida ao mercado que se saldou por 15 jogadores contratados, cerca de 50 milhões de euros investidos, custos salariais desnecessários e incomportáveis para a realidade da SAD, aumento dos custos de financiamento devido à antecipação das receitas da NOS e subida da rúbrica de Fornecedores no Balanço para 56.7 milhões de euros, dos quais 50.7 milhões a pagar no curto-prazo (corrente, até 1 ano). O impacto total desta desastrosa política desportiva ainda está por fazer. Mas olhando para o R&C do 1º semestre de 2019/20 uma coisa é clara e inequívoca: durante o 2º trimestre da corrente época, o Sporting perdeu mais de 18 milhões de euros, facto absolutamente relevante atendendo a que este trimestre é o único que não é influenciado pelas janelas de transferências e reflecte verdadeiramente a realidade operacional da SAD. 

 

Aquando dos terríveis acontecimentos de Alcochete o Sporting tinha 9/10 jogadores de qualidade acima da média. Frederico Varandas herdou 6. Com o tempo foi vendendo quase todos, de Nani a Bruno Fernandes, passando por Raphinha e Dost. Sobram Mathieu e Acuña. Simultaneamente investindo em quantidade, à medida em que ia alienando a qualidade com o pretexto nalguns casos de contenção da despesa. Desperdiçando muito do potencial existente na Academia, subordinando-a à importanção de jogadores de classe média/baixa. Uma crise como a motivada por Alcochete teria sempre de ser encarada como uma ameaça à sustentabilidade do clube. Mas seria também uma oportunidade. Uma oportunidade de saneamento financeiro do clube, potenciando e optimizando os recursos disponíveis na nossa Formação através de uma abordagem transversal ao futebol. Infelizmente, tudo isto foi ingloriamente perdido em nome de uma política desportiva autista que promete vir a transformar o exercício de 2020/21 numa assustadora realidade do ponto de vista económico e financeiro. É impossível rever-me nisto, é impossível não temer o futuro perante isto. 

 

P.S. Agora, posteriormente às minhas críticas sobre os elevados custos do plantel face à sua qualidade e política desportiva em geral, um jornal visto como próximo da actual entourage leonina fala em maior critério na construção do plantel. É curioso e tomo a devida nota, até dado o actual estado das finanças leoninas e a sua debilíssima situação económica (vidé o deterioramento do Activo) que aqui apontei há pouco tempo atrás num artigo a que chamei "A realidade inconveniente". Após terem sido vendidos os anéis e não lapidados os diamantes da Formação. Por isso, candidamente, a Direcção leonina pretende agora que aceitemos os erros cometidos neste ano e meio como um estágio. Transmitindo que vai "emendar a mão", assim pedindo créditos para mais uma "volta". Quando há 6 meses atrás acusava os críticos da sua política desportiva de ignorantes em matéria de futebol e/ou desonestos intelectualmente enquanto destes zombava com o termo "contratações cirúrgicas". Mas alguém no seu perfeito juízo considera ter Frederico Varandas e seus pares condições para planear mais uma época desportiva? Os mandatos são para cumprir? Sim, em teoria. Na prática não, quando o bem maior, leia-se a perenidade da instituição, se sobrepuser. É que uma coisa é a solidariedade com os sócios e suas decisões e a democracia interna do clube, outra, bem diferente, é ser cúmplice e pelo silêncio caucionar um caminho que inevitavelmente conduzirá o Sporting ao abismo (se é que, numa versão não tão optimista, não nos encontramos já à beira do mesmo). 

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