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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

04
Jun20

Dia de Sporting


Pedro Azevedo

Hoje é Dia de Sporting. Do Sporting que faz sentido, aquele que vai a campo e nos tocou no coração quando éramos crianças. É certo que sem ninguém nas bancadas, o que já não faz nenhum sentido e parece até entrar em contradição com a origem deste amor. Desta vez, o amor vai ser mesmo fogo que arde sem se ver... no estádio.

 

Mas, finalmente, quase 3 meses depois, a bola vai recomeçar a rolar e a nossa paixão sublimar. Quando o árbitro apitar para o início do jogo, todas as nossas diferenças se dissiparão. Essa é uma premissa que um adepto tem sempre em mente, a simbiose que se estabelece com quem veste de verde-e-branco. O contrário seria parasitismo, indigno de um leão. 

 

Espero que o Sporting ganhe e que faça um bom jogo. Igualmente, desejo que o Ruben Amorim confirme os sinais positivos dados nos treinos, os quais têm chegado até nós pela imprensa. Esta visita a Guimarães recorda-me a minha primeira experiência no então Municipal da cidade berço. Jogava-se a penúltima jornada do campeonato de 79/80 e o Sporting precisava de ganhar para se manter na liderança. Viajei desde Lisboa no Comboio Verde com o meu pai, mudei de composição em Campanhã e lá cheguei a Guimarães. O jogo foi renhido e marcado por dois momentos em que estiveram envolvidos ex-jogadores do nosso clube. Um deles, o Manaca, foi particularmente infeliz quando saltou entre 2 jogadores nossos e com o cocuruto fez o auto-golo que nos adiantou no marcador. O outro, Vítor Manuel, avançado, obrigou o Fidalgo a uma defesa incrível que custou ao nosso corajoso guarda-redes o embate com a cabeça contra o poste esquerdo da baliza. Curiosamente, na semana seguinte festejámos em Alvalade contra uma equipa, União de Leiria, também com muitos antigos jogadores nossos. Entre eles o Dinis, o brinca-na-areia. Nesse dia tínhamos de ganhar, e ganhámos por 3-0. E o Porto tinha de ganhar e esperar que o Sporting perdesse, e perdeu duas vezes. No que dependia de si, em Espinho, contra o Sporting local, treinado pelo Manuel José. Mas voltando a Guimarães lembro-me da alegria do regresso com o título quase no bornal. E do calafrio em Campanhã, quando alguém atirou um paralelipípedo que por pouco falhou a janela do nosso compartimento. Infelizmente, por via disso, neste regresso ao passado, ao contrário do futebol do Sporting que já teve melhores dias, a forma como alguns adeptos estão no desporto não saiu beneficiada.

03
Jun20

The roof is on fire


Pedro Azevedo

Ler Parábola , do José Navarro de Andrade, em És a nossa FÉ.

 

Alternativamente: uma obra começou pelo telhado e não pelas fundações. O telhado está a arder. O Chefe dos Bombeiros escolhe ignorar os sinais de fumo. O Presidente, o da Junta, opta por não pôr água na fervura. O povo divide-se entre os que não veem o fogo, quem o quer atear (o que também não está certo) e aqueles que desejariam combatê-lo mas não têm como. Os teólogos desta religião pagã não põem as barbas de molho e preferem discutir o que é um incêndio. Como diria Rimbaud, isto é como viver uma temporada no inferno, em que todos os sonhos inspiradores se desvanecem e os demónios aterrorizantes aparecem. Mas estamos a discutir o telhado? Este Sporting cada vez mais se assemelha ao escárnio de "Uma Ilha na Lua", do Blake, ou a um castigo de Sísifo, um sem-propósito. Há lá obra que se sustente pelo telhado!? Que se dane o telhado, bom seria tratar-se das fundações! Querem pôr as mãos à obra? Pelo Sporting, e só pelo Sporting? Deixando os maniqueísmos de lado e pensando no bem maior? Todos? Ontem, já seria tarde... 

02
Jun20

Em frente Sporting!


Pedro Azevedo

Os jogadores do Saint-Étienne haviam feito furor cantando "Allez les Verts" em 1976. Seis anos depois, Luís Filipe Barros, radialista da Comercial, lança o repto a João Rocha e os pupilos de Allison reunem-se nos Estúdios Musicorde para gravarem "Em frente Sporting" e assim celebrarem o título recém-conquistado. 

 

Outros tempos: o disco, em vinil verde, foi pago pelos próprios jogadores e a receita reverteu a favor do Sporting. Comprei-o no dia da final da Taça de Portugal, mesmo à entrada do Estádio Nacional. Foi auspicioso, pois nessa tarde o Sporting goleou o Braga, de Quinito, por 4-0. 

02
Jun20

Something in the air


Pedro Azevedo

Por entre o habitual "barulho das luzes" que sempre marca o nosso clube, alguma coisa me diz que andam aí no ar os primeiros sinais de uma disputa pelo controlo da SAD do Sporting, confronto para já liderado por lugares-tenente e onde poderão vir a estar envolvidos no final 2 Bolas de Ouro (entre outros investidores). Nesse sentido, o recente artigo de opinião do Tomás Froes terá servido para marcar território, mostrando haver mais caminhos. Será que o Tomás sabe algo que nós não sabemos? Quem será o agiota que é preciso evitar de que fala no seu artigo? Bom, eu tenho uma pista...

 

Entretanto, por aqui continuarei a defender o controlo da SAD por parte do Sporting. Nada contra o Tomás, pessoa estimável e de óptimo trato, empresário e profissional de sucesso no mundo da publicidade que teve a coragem de trazer a público um assunto que tenho dúvidas (admito que seja especulativo, é apenas intuição) que não possa estar a ser cozinhado, com outros protagonistas, nos bastidores, mas o simples facto de mudarmos de accionista maioritário da SAD não seria nunca garantia de uma melhor gestão. Poderia ser, sim, um incentivo para mais investimento numa política desportiva que sucessivamente se tem vindo a revelar desastrosa, o que levaria a níveis de Passivo insustentáveis que seriam a estocada final no Sporting. Além disso, sinto o Sporting como um facho que recebi de meu pai e entreguei aos meus filhos, continuando a exercer "parental guidance". Gostaria, como tal, de ver o clube chegar ao tempo dos meus (futuros) netos como sempre o conheci e me foi apresentado por meu pai. 

 

Porém, nada tenho contra a entrada de um investidor minoritário. Simplesmente, nunca se deve vender em baixa, pelo que o "timing" não é este. É preciso primeiro acertarmos na política desportiva e, conjuntamente com a reposição da Cultura Sporting como ela deve ser e a implementação de boas práticas de gestão e seu controlo, colocarmos o clube num rumo virtuoso. Ao mesmo tempo, concluir a reestruturação financeira. A partir do momento em que começarmos a conciliar os resultados desportivos com a sustentabilidade financeira que advirá dos Proveitos Ordinários (e não da venda de jogadores) e de custos racionais e controlados, então sim estaremos em condições de procurar um parceiro (a meu ver internacional e com experiência de condução de "franchises" desportivos) que, para além do encaixe financeiro, nos ajude a alavancar e internacionalizar a marca, crescer em receitas de merchandising e atrair mais e melhores patrocínios, continuando o Sporting como maioritário com pelo menos 50% + 1 voto.  

02
Jun20

Duelo de treinadores da moda


Pedro Azevedo

Ivo Vieira vs Ruben Amorim, duas boas ideias de jogo em confronto, um duelo de treinadores da moda para ver na Quinta-feira, às 21h15, no Afonso Henriques (era bom era, é mesmo exclusivamente via SportTV). 

 

Que sistema táctico apresentará o Sporting em Guimarães? 3-4-3 (que na verdade defensivamente é um 5-4-1) ou 3-5-2? Ruben Amorim parece ser mais fã do primeiro, mas talvez as características dos jogadores do Sporting se coadunem mais com o segundo. Exemplo: Vietto renderá sempre mais partindo do centro e Plata pode jogar solto como segundo avançado. No caso do treinador leonino optar pelo 3-4-3, Vietto partirá da ala esquerda e Plata da direita. 

 

Não esquecer também as debilidades defensivas de Vietto, as quais se notarão mais na ala esquerda do que no meio com 2 médios e 3 centrais nas costas. Adicionalmente, nessa ala (direita para o Guimarães) o Vitória tem provavelmente o seu jogador mais valioso, Marcus Edwards, um miúdo formado no Tottenham e internacional em todos os escalões jovens ingleses, que sem marcação forçará muitas vezes o 1x1 contra Acuña. No 3-5-2 poderia ser pedido ao "8" que tivesse mais em atenção as entradas do inglês por esse flanco. A Sporar seria solicitado que fechasse a saída de bola pelo lateral direito (Sacko ou Victor García) vimaranense. 

 

Outra dúvida prende-se com o substituto de Wendel (lesionado) no meio campo. Quem será o escolhido para jogar à frente (previsivelmente) de Battaglia: Matheus Nunes, Eduardo ou Geraldes? 

 

E o Leitor/Comentador, em que sistema jogaria e qual seria o seu "onze"?

 

Tic, tac, está quase a (re)começar a Primeira Liga. Não perca o rescaldo do jogo directamente da cabine de vôo (o único local onde pode estar Tudo ao molho e fé em Deus) de "Castigo Máximo". [É só olhar em frente (para o seu computador).]

01
Jun20

As contas da SAD

3º Trimestre de 2019/20


Pedro Azevedo

Nos 9 meses compreendidos entre 30 de Junho de 2019 e 31 de Março de 2020 a SAD do Sporting registou um lucro de 30,1M€. Esta é a boa notícia e aquilo que fará "soundbyte" em jornais e televisões. No entanto, uma leitura cuidadosa do R&C mostra que sem venda de jogadores a SAD teria perdido 49,3M€ neste período, na medida em que as vendas de jogadores (expurgadas do valor das comissões) tiveram um impacto líquido positivo de 79,4M€. 

 

É certo que Zenha continuará a dizer que as vendas de jogadores fazem parte da actividade operacional da SAD, algo com que estou em perfeito desacordo (são receitas extraordinárias, não ordinárias) - não significa que não vendemos 1-2 jogadores por época, se for bom para o clube e para o jogador, mas o Sporting é um clube de futebol que procura resultados desportivos e não uma "trader" de futebolistas - , desvalorizando assim o défice estrutural existente (cerca de 70M€/ano). No entanto, a realidade apresta-se a bater de frente com esta teoria porque já praticamente foram vendidos todos os jogadores com valor significativo e as compras efectuadas no mercado (15) não permitiram uma reposição de qualidade mínima que garanta futuros encaixes na ordem do que aconteceu nestes 9 meses. Adicionalmente, a má época desportiva mostra à evidência a consequência desta política de compras em quantidade e vendas de qualidade. Compreende-se por isso a necessidade que a SAD sentiu de contratar um treinador para tentar rendibilizar jogadores nos meses que faltavam para acabar a época. A SAD tinha perfeita consciência do desequiíbrio profundo previsível das contas em 2020/21.

 

Comparando os 9 meses de 2019/20 com o período homólogo de 2018/19, verificamos que quase todas as rúbricas da Demonstração de Resultados pioraram. Assim, os Proveitos Operacionais desceram 1,7M€, os Gastos Gerais, contrariando tudo o que se vai lendo por aí, subiram mais 3,2M€ e os Custos Financeiros cresceram 4,1M€. Apenas as Amortizações tiveram um impacto positivo, descendo 2,8M€ (justificado pela venda de alguns dos jogadores mais valiosos). Isto para além obviamente do Rendimento proveniente da Vendas de Jogadores, que incrementou em 42,5M€.

 

Decompondo a rúbrica de Gastos Gerais, é possível observar um crescimento dos Fornecimentos e Serviços Externos em 3M€ e das Provisões e Perdas por Imparidade em 4,5M€. Os Custos com Pessoal desceram modestamente e nada de acordo com notícias postas a circular, reduzindo-se em cerca de 3M€. Sendo certo que a nível de remunerações houve uma descida de 7,8M€, o valor das indemnizações pagas cresceu 5M€. Controversamente, a SAD estabelece a habitual narrativa de que poupou 35M€ para o futuro, desconhecendo-se quais os contratos a que se refere e se nesse valor estão incluídas vendas normais de mercado. No fundo, é como se todos os Sportinguistas tivessem de estar gratos por a administração Varandas já ter tido 6 treinadores (mais respectivas equipas técnicas), dois deles provisórios com ou sem tarefas, desde que tomou posse.

 

Em termos de Balanço, o Passivo decresceu cerca de 24M€ face a Março de 2019 e cerca de 21M€ vs Junho de 2019. Já o Activo cresceu cerca de 4M€ face a Março de 2019 e cerca de 9,3M€ vs Junho de 2019. Mais uma vez à superfície tudo parece estar bem, mas quando entramos no detalhe a sensação é oposta. Comecemos pela rúbrica Fornecedores: o valor em dívida já ascende a 70,4M€, dos quais 61,9M€ são para pagar até 1 ano. De destacar que só nos Fornecedores Correntes (até 1 ano) as responsabilidades cresceram 18,4M€ desde Março de 2019 e 14M€ face a Junho de 2019, o que aumenta significativamente o garrote de tesouraria da Sociedade nos próximos tempos. Por outro lado, do lado do Activo é visível o enfraquecimento geral do nosso plantel de futebol (Activo Intangível), com o valor contabilistico a desvalorizar 16,9M€ desde Março de 2019 e 22,5M€ face a Junho de 2019. Aliás, o valor actual contabilistico do plantel (66,7M€) é pela primeira vez que me lembre inferior ao défice de exploração anual (sem venda de jogadores) da SAD (cerca de 70M€), o que mesmo considerando que os jogadores da Formação têm um valor residual não deixa de ser absolutamente perturbante. Ainda no Activo, a rúbrica Clientes (valores a receber, até 1 ano) não cresceu na proporção das responsabilidades para com Fornecedores, subindo apenas 2,3M€ face a Junho de 2019 e 10,2M€ versus Março de 2019

 

Olhando para a rúbrica de Clientes é também possível verificar que o Manchester United já só nos deve cerca de 27M€ (de um valor acordado de 55M€), o que contraria aquilo que o jornal O Jogo, citando fontes não identificadas do Sporting, em tempos difundiu, transmitindo que no acordo com o Man U só haveria recebimentos a partir de 1 ano, algo perante o qual logo manifestei a minha estranheza. Outros jornais também haviam deixado a entender que o Manchester não tinha pago nenhuma tranche ainda, ficando até a ideia no ar de que poderia ter incumprido. Enfim, em nome do superior interesse do Sporting não abramos mais o véu numa matéria (mais uma) onde os sócios andam a ser desinformados e/ou a ouvir meias verdades (para ser simpático). 

 

No que diz respeitos aos principais credores do Sporting, para além do Braga (Ruben Amorim, 12,3M€) e Slovan Bratislava (Sporar, 4,75M€), as maiores dívidas são a empresários. De entre estes destaca-se Jorge Mendes e a sua Gestifute com 10,9M€ a receber, seguido da Positionumber do empresário de Bruno Fernandes, com 3,9M€ e da D20 Sports, de Deco, com 2,5M€ a haver. 

 

Em termos de Caixa, o valor dos Depósitos Restritos (para pagamento de VMOCs) continua inexpressivo (623.000 euros), registando-se agora um valor aproximado de 13M€ em depósitos à ordem, o qual temo que seja sugado rapidamente pelo pagamento de salários.

 

Finalmente, olhando para as Entidades Relacionadas, verificamos que a dívida do Sporting à SAD continua a aumentar, saldando-se agora num valor de 16,2M€, mais 11,7M€ do que em junho de 2019 e mais 14,8M€ face a Março de 2019, o que parece indicar que a nossa quotização deve ter descido muito nesta época desportiva. 

 

Em suma, as contas da SAD mostram exactamente o cenário para 2020/21 que eu anteriormente havia indicado, sendo que a maior preocupação reside na forma como se vai cobrir e financiar um défice de exploração anual tão grande, nomeadamente quando vemos o valor do plantel a diminuir e é quase certo que voltaremos a não participar na Champions. Exigem-se cortes nos Custos de Pessoal bem mais significativos, sendo certo que eles deverão tocar exactamente numa maioria de jogadores contratados por Frederico Varandas/Hugo Viana que não têm vindo a provar para lá da folha de pagamentos. Fica, no entanto, a pergunta: como vamos ser competitivos com este tipo de política desportiva que compra banalidade em tanta quantidade que depois nos obriga a vender a qualidade existente? Acresce que, a fazer fé na bitola de Frederico Varandas que consoante as publicações (nacionais e internacionais) indicou que o passe de Bruno Fernandes agora só valeria 10, 20 ou 30 milhões de euros, se prevê uma queda generalizada do valor dos Direitos Económicos dos jogadores devido ao efeito secundário na economia da Covid-19.

31
Mai20

Tudo ao molho e fé em Deus

Dicionário Sporting Editora


Pedro Azevedo

A

Academia - Escola certificada sita em Alcochete que forma abundantemente jogadores de futebol de qualidade, mais tarde convertidos em ginastas por uma visão superior em que a equipa principal do Sporting é um trampolim e não um fim.  

 

Alcochete - Espaço vanguardista onde há 2 anos se testaram os primeiros equipamentos de protecção para o rosto no âmbito da prevenção da Covid-19. Os resultados foram muito pouco animadores e para alguns implicou um prematuro confinamento forçado...

 

Alma - O segredo do negócio.

 

Aurélio Pereira - O Descobridor. Responsável pelo aparecimento de Futre, Figo e Ronaldo. O Senhor Formação (menção também para César Nascimento e Osvaldo Silva).

 

B

"Benchmark" - Padrão usado para aferir o mau desempenho dos nossos dirigentes.

 

C

Campeão - O Santo Graal de todos os Sportinguistas. 

 

Cheque - Imortalizado por Luís Duque, quando acompanhado de uma vassoura visa dar provisão a novas investidas ao mercado a fim de que a vassoura volte a actuar, e assim sucessivamente num ciclo infernal de 360º até ao esgotamento de todos os nossos recursos materiais.

 

Claques - Metamorfose do batuque do futebol espectáculo para o petardo do futebol negócio onde todos querem o seu quinhão. 

 

Comunicação - Som desarmónico, de vibrações irregulares. 

 

Contratações cirúrgicas - Operação de barriga aberta (laparotomia) às finanças do leão que deve ser executada com o paciente sócio em estado de completa sedação. 

 

Croquette - Figura da mitologia Sportinguista inspirada no nome de um antigo accionista de referência do Totta (também com 2 "t"). Semelhante a conceitos como "sportingados" ou "esqueletos", no fundo mais uma dispersão de identidade perfeitamente evitável num clube de implantação nacional e com uma base de apoio transversal à sociedade portuguesa.

 

D

Damas (Vítor) - Guardião da verdadeira alma leonina.

 

E

Esqueletos - Expressão dedicada a sócios indeterminados do Sporting que aparentemente saem de um armário na visão delirante de um presidente. (Nota do autor: nos armários cá de casa só há roupas e porcelanas.)

 

Exuberância irracional - Termo popularizado pelo antigo presidente da Reserva Federal norte-americana (FED), Alan Greenspan, para indicar o sobre-aquecimento do mercado accionista. No Sporting refere-se ao desnecessário ímpeto "facebookiano" pós-derrota de Madrid que acabaria por marcar o início do fim da presidência anterior. 

 

F

Figo - Bola de Ouro e fruto da nossa Formação.

 

"Forever" - Estado transitório que não augura nada de bom para o futuro.

 

Formação - Placebo utilizado em momentos de crise para desencadear reacções psicológicas positivas nos pacientes sócios e adeptos.

 

Fraguito - Classe sem rodilhas. 

 

G

Gamebox - Cartão de ingresso ao José Alvalade que dá acesso a grandes espectáculos... de pirotecnia. 

 

H

Herança - Legado que passa de presidente para presidente do Sporting, geralmente usado como desculpa para o insucesso. 

 

I

Idiotas úteis - Todos aqueles que não se resignam com o estado do leão.

 

J

Janela - Antigo dirigente leonino e cartilheiro-mor dos DDT do futebol português conhecido pela difusão da Cartilha de João de Deus dos Pobres de Espírito e da Alegoria da Caserna do filósofo Glutão. Tem um grupo de seguidores denominado de Testemunhas de Janelá. 

 

João Rocha - presidente visionário, inspirador e fomentador do ecletismo do Sporting. Três vezes campeão nacional pós-25 de Abril.

 

Jordão - Pintor de belos quadros dentro e fora do campo. Aquele golo de calcanhar contra o Porto foi uma tela impressionista. A Gazela de Benguela, rápido e enleante com a bola nos pés.

 

Joaquim Agostinho - Paradigma de um leão que passa a vida a pedalar, nunca anda para trás e quando cai é em glória. Um exemplo alegórico para todos nós.

 

K

Kmet - Que mete um buraco na tesouraria. Tipo de contratação favorita de qualquer dirigente leonino.

 

L

Lopes (Carlos) - O maior dos maiores para os Leitores de "Castigo Máximo". Orgulho!

 

M

Mamede - Em Estocolmo, onde morreu a razão (Descartes), (re)nasceu a emoção de ser português. 

 

Maniqueísmo - Divisão inglória entre dois grupos de radicais Sportinguistas estimulada por quem vê nisso uma oportunidade para continuar a reinar. Os moderados continuam a aguardar o resultado de um jogo que terminará com a derrota de ambas as partes e, principalmente, do Sporting.

 

Manual para Burros - Sinal de decadência final de um regime que chegou a revelar-se bastante auspicioso.

 

Manuel Fernandes - O Capitão da minha geração. Duas vezes campeão nacional e 4 golos nos 7-1 ao Benfica. 

 

Moniz Pereira - O Senhor Atletismo.

 

N

Niilismo - Com o vazio vem o deixar de acreditar seja no que for, porta aberta para o indesejável vale-tudo.

 

Novo normal - Termo usado nos negócios para definir as condições financeiras emergentes a uma crise. No Sporting refere-se ao período subsequente à saída do presidente João Rocha, tempo esse entrecortado por alguns óasis no deserto que se viriam a revelar uma miragem. 

 

O

Ó Teresa! - Interjeição repetida 114 vezes por um Sportinguista em banho maria.

 

P

Passivo - Responsabilidades crescentes contraídas perante terceiros aquando de cada nova voltinha no carrossel do mercado.

 

Peyroteo (Fernando) - Sinónimo de golo em todas as línguas. E quem disser o contrário é má língua.

 

Peyrotear - Neologismo de marcar golos.

 

Planos (A, B, C) - "May day, may day". "Houston, we have a problem!".

 

Provisório - Estado transitório que afecta qualquer treinador do Sporting, excepto aqueles que usam risco ao meio (Paulo Bento e Jorge Jesus).

 

Q

Quinze milhões - Mendilhões.

 

R

Resiliência - Anglicismo próprio de um "british" Sporting que tem na resistência dos seus adeptos o seu maior activo. 

 

Ribeiro Ferreira - 6 títulos de campeão nacional (em sete). O presidente com mais vitórias na prova máxima do calendário futebolístico nacional.

 

Ronaldo - O Maior da Cantadeira. Made-in Sporting, está claro. Multi-Bola de Ouro e um número de golos superior ao de mulheres do Rei Salomão (não é fácil).

 

Rulote - Courato de software by Zegna, perdão, Zenha.

 

S

Sportingado - Mais uma expressão evitável dedicada a sócios do Sporting.

 

Sporting - A maior potência desportiva mundial.

 

Sportinguistas - Adeptos do maior clube do mundo.

 

T

Tarefa - Missão de curto-prazo entregue a Leonel Pontes, semelhante aos 12 trabalhos de Hércules.

 

Tronco - parte do corpo humano de um Sportinguista sacrificada pelo actual presidente em nome da adição de mais membros inferiores, ou não fosse o futebol a actividade principal do clube. 

 

U

Unir - Acto de alimentar discórdia ou desarmonia entre sócios e adeptos com o objectivo de manutenção nos cargos. 

 

V

Vazio - Resultado final da subtração das partes obtido por Frederico Varandas.

 

W

Wolverhampton - Sinónimo de Protocolo Chinês.

 

X

Xanax - Futebol de passe/repasse praticado pelo Sporting no tempo de Silas com o objectivo de se sagrar campeão... da posse de bola.

 

Y

Yazalde - Ó Varandas, isto é que é um avançado-centro, pá!

 

Z

Zenha - Introdutor da rulote e do protocolo chinês no léxico leonino e criador de um singular novo conceito de "reforço".  

30
Mai20

(Des)liga de clubes


Pedro Azevedo

Mudar para ficar tudo igual? Numa era em que parece estar na moda o trabalho invisível no futebol, Pedro Proença é um dos ícones dessa singular forma de gerir em que a ponta do icebergue é o icebergue todo. Não se sabe se por falta de jeito, condicionamento dos clubes, ou por falta de apoio de um Estado Português que deveria ser o primeiro interessado na regeneração do nosso futebol, a verdade é que Proença não tem conseguido nestes anos todos ser um agente de mudança. Perguntar-se-á então o que o move? É certo que a fazer fé nas palavras de um antigo presidente do Gil Vicente, o salário de presidente da Liga Portugal é generoso, e essa talvez seja uma atractibilidade a não desprezar, mas, se for isso, confesso que fico sempre desiludido quando vejo alguém a acomodar-se ou conformar-se por motivos financeiros, sem condições para realização de obra. Nesse sentido, invoco aqui o Marquês de Maricá quando dizia que "os homens sem mérito algum, brochados de insígnias e de ouro, são como maus livros ricamente encadernados". 

 

Dito isto, também não me parece que mudar por mudar de presidente altere alguma coisa de fundo no futebol português. A ideia de querer fazer distinto com os de sempre faz-me lembrar aquela máxima de Einstein de que loucura é esperar resultados diferentes fazendo tudo exactamente igual. 

 

Não conheço os bastidores destas coisas e não sei até que ponto o lugar não está condicionado à partida e ao sabor dos mais diversos interesses particulares dos clubes. O que me parece é que só deveria aceitar ser presidente da Liga quem conseguisse à partida um pacto de regime que lhe garantisse liberdade para aplicar as necessárias reformas do futebol português. Doesse a quem doesse. 

 

No outro dia ouvi Frederico Varandas pugnar por um campeonato de 16 equipas. A coisa parece-me um meio caminho para nada. A sério, não é má-vontade contra o senhor, mas uma Liga com menos duas equipas significaria menos jogos, provavelmente menores receitas globais, e não melhoraria a competitividade dos jogos. Aquilo que veria com bons olhos seria um campeonato a 12, jogado em duas voltas, com "play-off" (primeiros 6 da fase regular) e "play-out" (últimos 6 da fase regular), em poule, com os pontos a acumular, num total de 32 jogos. Isso, sim, traria mais patrocínios, maiores receitas e faria com que os jogos fossem mais intensos e se aproximassem do melhor que se vê lá fora.   

 

Outro aspecto onde a Liga poderia actuar seria na limitação no nº de inscritos por equipa. Imaginemos, por exemplo, um limite de 20 jogadores, sendo que os restantes deveriam provir da Formação. Tal obrigaria os clubes a recorrerem às suas Academias e nelas investir e deixaria livres jogadores interessantes que habitualmente os pequenos e médios clubes não conseguem obter, ajudando a dar outro equilíbrio à competição. 

 

Já me manifestei também a favor da centralização de DireitosTV e da existência de um Fundo de Sustentabilidade (ou Competitividade) do futebol português, no sentido de proporcionar mais equidade entre clubes. Esse fundo poderia ser dotado por uma contribuição anual de 0.5% do valor do activo intangível (plantel) contabilistico dos clubes e seria distribuído pelos últimos seis classificados da Primeira Liga. 

 

Igualmente me manifestei a favor de uma muito maior transparência nos campeonatos, que passaria por um código de conduta dos agentes desportivos (dirigentes, treinadores, jogadores, árbitros, delegados Liga, empresários de jogadores, Conselho de Arbitragem, Conselho de Disciplina, etc) com sanções significativas para quem incumprisse com regras e procedimentos, desde irradiação do agente até à descida de divisão do(s) clube(s) infractor(es). Este código, entre outras coisas, deveria ser especialmente robusto no que concerne à prevenção de conflito de interesses, promiscuidade, tráfico de influências e branqueamento de capitais. 

 

Com todos estes ingredientes reunidos, então sim o futebol português seria um produto vendável. Terminariam as subserviências e todos os clubes, pequenos e médios incluídos, se aperceberiam de que as suas cedências individuais haviam gerado ganhos substanciais para todos. 

 

Tudo isto deveria fazer parte de um plano de implementação total a 3/4 anos de qualquer novo presidente da Liga. Infelizmente, nada disto é o que vamos ouvindo e lendo. Nesse sentido, a percepção popular é que mais uma vez iremos mudar para tudo poder ficar exactamente na mesma. E é pena, porque quem resiste à mudança um dia vê-se obrigado a lutar contra a extinção. 

29
Mai20

A minha reflexão sobre o pós-Julgamento


Pedro Azevedo

Hesitei em escrever este texto - na verdade nem tinha razão substantiva para me pronunciar, na medida em que nunca alinhavei uma linha que fosse sobre o Julgamento de Alcochete por não querer fazer de um blogue um tribunal de opinião pública sobre matéria cujo apuramento só deve dizer respeito à Justiça - , mas ainda assim decidi-me por partilhar os meus pensamentos pós-decisão de ontem do Tribunal, que absolveu Bruno de Carvalho.

 

A primeira coisa que gostaria de dizer é que acreditar na Justiça é indissociável de também respeitar o princípio da presunção da inocência, algo que aqui sempre fiz. Em segundo lugar, queria transmitir o meu cepticismo em relação a algo que já por aí vi escrito e dito e que consubstancia a ideia de que finalmente virámos a página no Sporting. Atenção, eu bem gostaria que isso fosse uma realidade. Simplesmente, a reacção de hoje, a quente, em O Jogo, do nosso consócio e, é bom não esquecer, juíz desembargador, Sérgio Abrantes Mendes, aponta para outro caminho bem diverso. Reparem, não se trata só da inoportunidade da intervenção que advém de o cidadão comum ver um magistrado pronunciar-se - num estilo não dizendo, dizendo, ainda que fugindo ao julgamento da matéria de facto - logo após um despacho de um seu colega, criando assim todo um ruído inerente que prejudica a percepção que os portugueses têm da Justiça. Não, isso é também, e principalmente, na medida em que dá argumentos a quem pretende a vitimização, um sinal de que a guerra de trincheiras no Sporting irá continuar. Ora, o maniqueísmo (e niilismo) que se tem vindo a apoderar do Sporting, que sempre tenho dito precisar de 2 polos para se alimentar, está nos antípodas do que é a minha personalidade e da forma como vejo o exercício responsável da cidadania leonina, desde logo porque não vivo de coisas negativas e de ódios e as minhas energias são canalizadas para a criação e não para a destruição, para a dúvida razoável que leva ao conhecimento e não para a presunção de que não preciso de ouvir ideias diferentes das minhas. Creio assim ser chegado o tempo de a ponderação e o bom senso tomarem conta da discussão, sob pena de, tal não acontecendo, irmos assistir à desintegração absoluta do clube.

 

Posto isto, devo dizer que para mim foi um motivo de satisfação ver um ex-presidente e um antigo oficial de ligação aos adeptos serem ilibados pela justiça portuguesa. Enquanto Sportinguista e cidadão, não deixando de considerar que todos os sócios têm a responsabilidade de elevar bem alto o nome da instituição, sinto que são os actos dos seus dirigentes que efectivamente a vinculam directamente. Assim, a sua inocência tem de ser considerada como positiva para a imagem do clube e sua marca, podendo ainda trazer benefícios económicos a jusante por via de dois processos em tribunal que envolvem jogadores que alegaram justa causa para rescindirem. Não deixo porém de lamentar todo o degredo da instituição (e instabilidade criada nos sócios) provocado por inenarráveis acontecimentos que, nunca será de mais referir, jamais se poderão repetir.

 

Não sou pessoa para ataques ad-hominem, pelo que nunca participei nessa singular forma de criação de desumanidade que passou até pelo escrutínio da vida pessoal e familiar de Bruno Carvalho, pessoa que não conheço pessoalmente, e julgamento público do seu carácter. Não tenho espírito de voyeur e sou respeitador de direitos e garantias e das liberdades individuais, pelo que as críticas que lhe deixei (e deixo) foram em relação aos seus actos de gestão, nomeadamente aqueles que marcaram os últimos meses da sua presidência. É um facto que sempre achei que excessos de linguagem da sua parte bastas vezes prejudicaram a mensagem e que deixei de apoiá-lo a partir do momento em que o vi dirigir ataques para dentro do mundo Sporting. Mas reconheço-lhe (e estou-lhe por isso agradecido) o excelente desempenho na temporada de 2013/14, nomeadamente através de um conjunto de difíceis e complexas decisões que permitiram ao Sporting voltar a ter oxigénio para respirar. Outras realizações foram ocorrendo - entrecortadas aqui e ali com algum ruído desnecessário - , onde se destacam a aposta no ecletismo e a construção do nosso bonito Pavilhão João Rocha, entre outras. Infelizmente, para além do equilíbrio instável do clube do ponto de vista económico que marcou os seus dois últimos anos e certamente lhe terá provocado um aumento de crispação, uma certa exuberância irracional e culto de personalidade de que sempre dei conta prejudicou irremediavelmente o seu segundo mandato e fez descer a nota de apreciação global minha e dos Sportinguistas em relação ao seu trabalho. (Mais recentemente, a forma contundente como se referiu a membros do seu antigo CD, que com ele estiveram até ao último dia, também não me caiu bem, por muito que procure justificação no calvário que certamente terá passado.)

No entanto, porque nunca gostei de me enganar a mim próprio, admito que para muitos sócios a sua expulsão de sócio (mais do que a destituição, na minha opinião) tenha tido raiz profunda na percepção generalizada dos acontecimentos de Alcochete. Dito isto, pesando tudo nos pratos da balança, essencialmente devido à linguagem desbragada e clima de intolerância que consigo fez doutrina no Sporting na recta final e à sua interpretação sui-generis dos Estatutos, gostaria de deixar bem claro que não voltaria a votar em Bruno de Carvalho para presidente do clube.

 

Ouvindo ontem Bruno de Carvalho na TVI, acho possível o surgimento próximo de um movimento que defenda a reintegração plena de todos os sócios do Sporting que não foram considerados culpados no Julgamento de Alcochete. Isso seria válido para Bruno de Carvalho como também para Carlos Vieira e restantes elementos suspensos do anterior CD, e até provavelmente beneficiaria de forma mais lata Godinho Lopes, expulso anteriormente na sequência de AG marcada para o efeito após um processo disciplinar sobre outra matéria instaurado pelo CFD presidido por Jorge Bacelar Gouveia. Ao mesmo tempo, todos aqui sabem que tomei a decisão, ponderada, de concorrer a eleições no Sporting assim que elas forem marcadas, uma declaração de interesses que considerei fundamental como forma de transparência e de interpretação a montante (sem instrumentalização) do que aqui escrevo, mas também um sinal claro de que não confundo solidariedade com cumplicidade face ao caminho que tem vindo a ser percorrido. Assim, entendo que não me devo pronunciar sobre a matéria de reintegração. É que se porventura me manifestasse contra a mesma, logo alguém viria clamar que tal se deveria a temer uma oposição futura nas urnas. Por outro lado, se a minha opinião fosse a oposta, ficaria a ideia de menor respeito da minha parte acerca das soberanas decisões dos sócios que se pronunciaram anteriormente em AG convocada para o efeito. Por isso aqui digo que aceitarei sem condicionamento de opinião da minha parte e com humildade qualquer decisão que em total liberdade caiba em consciência aos sócios tomar, caso tal venha a ser suscitado. 

 

Enfim, deixo aqui expresso o meu sentimento. Tudo o que pretendo é que o superior interesse e razões do Sporting prevaleçam sobre os meus e/ou os de qualquer sócio e que tal permita o tal efectivo virar de página que ajude a garantir a perenidade do clube como sempre o conheci e não nas mãos de um qualquer investidor. VIVA O SPORTING!!!

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28
Mai20

O dia em que Peyroteo revolucionou as probabilidades


Pedro Azevedo

Domingo, 25 de Abril de 1948. O Sporting deslocava-se à Estância de Madeira, campo do Benfica, e precisava de ganhar por 3 golos de diferença (na primeira volta fora derrotado em casa por 3-1) para poder ser campeão. Cândido de Oliveira era o Director Técnico e a ele cabia definir a táctica para o jogo, enquanto Robert Kelly orientava a equipa no campo. Apesar de o Sporting precisar de uma vitória robusta, Cândido optou por uma estratégia mais conservadora para o jogo, recuando Travassos para o meio campo. Deste modo o Sporting apresentava-se num 3-3-4 em detrimento do tradicional WM de importação inglesa (criado por Herbert Chapman no Arsenal). 

 

Antes do jogo havia algumas nuvens cinzentas no balneário leonino: embora os jogadores não soubessem, na véspera Mestre Cândido havia sido posto em causa por dirigentes do Sporting que o confrontaram devido à táctica escolhida, desconfiando do seu benfiquismo. Dado o atraso resultante da reunião e enfadado pela ofensa à sua honorabilidade, Cândido de Oliveira acabaria por adiar a prelecção que habitualmente ocorria na sede do clube no dia anterior aos jogos, marcando-a para pouco antes do início da partida. Por outro lado, Peyroteo, o melhor goleador de todos os tempos, passara mal a noite com um síndrome gripal que lhe provocara febre alta. 

 

No entanto, Peyroteo, nascido em Humpata, distrito de Huíla (Angola), viria a ser uma vez mais providencial. Após uma primeira meia hora de estudo mútuo, o ponta de lança colocou os leões em vantagem. E, ainda antes do intervalo, bisou. Regresso dos balneários e Peyroteo volta a marcar. E do hat-trick passou a póquer, antes de um Espírito Santo nesse dia pouco miraculoso finalmente conseguir reduzir para 4-1, o resultado final. Uma tarde de glória para os leões e seu avançado-centro.

 

Vinte e seis anos antes de Salgueiro Maia cercar os ministérios do Terreiro do Paço e forçar a rendição de Marcello Caetano no Quartel do Carmo, Peyroteo subjugou a Estância de Madeira e o Benfica. Em comum, ambos tinham o compromisso com a honra, a humildade, o sentido do dever e a eficácia. O Sporting acabaria por vencer esse campeonato de 47/48 que ficaria para a história como o "Campeonato do Pirolito", berlinde (pequena bola) que se podia encontrar dentro das garrafas de gasosa da época. E foi por apenas uma bola (diferença de golos nos jogos entre si) que o Sporting ganharia, pois no cômputo das 26 jornadas o Benfica terminaria igualado na liderança com 41 pontos. Cândido de Oliveira acabaria por apresentar a demissão a seguir ao jogo, mas um pedido de desculpas do dirigente César Vitorino, que mostrou a intenção de demitir-se caso Cândido saísse, acabaria por o fazer voltar atrás na decisão. Peyroteo só jogaria mais uma época, retirando-se numa altura em que ainda estava na plena posse das suas formidáveis qualidades atléticas. Para a história ficariam os seus 6 títulos de campeão, 4 Taças de Portugal, 7 Campeonatos de Lisboa e a melhor média de golos por jogo (1,68) em campeonatos nacionais de todo o mundo, numa lista onde Pelé aparece na 10ª posição. Pelo Sporting, em jogos oficiais, marcaria 531 golos em 328 jogos. Considerando também as partidas amistosas e de selecções, Peyroteo anotaria 693 golos (428 jogos). Com uma regularidade espantosa com o golo, Peyroteo fez do Belenenses (65) e Benfica (64) as suas principais vítimas. Ao Porto, o outro grande da época, marcaria em 33 ocasiões. O seu maior número de golos num só jogo ocorreu em 41/42. O mártir foi o Leça, que saiu do Stadium com 9 golos do nosso Matador e um resultado final (14-0) que ainda hoje é recorde do campeonato nacional. Ao Boavista marcou 8 golos na época da sua despedida. Por 3 vezes marcou 6 golos e em 13 ocasiões efectuou 5 remates certeiros num jogo. Os Póqueres foram mais comuns (17). Uma lenda!

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27
Mai20

O óbvio ululante


Pedro Azevedo

Conselho Fiscal e Disciplinar deixa sério alerta: "processo de redução de custos não pode ser interrompido e terá de ser reforçado". 

 

Gostaria de perguntar ao Dr Baltazar Pinto a que redução de custos se refere. É que não se pode parar algo que ainda não arrancou. Temo porém que seja fruto de mais um trabalho invisível da Direcção do Dr Varandas (os "célebres" 18 milhões por ano de cortes que "prepararam" a SAD para o advento da Covid-19, referenciados no documento de "visão" estratégica), tão invisível que não se vê nos sucessivos R&C até 31 de Dezembro de 2019. Não se trata só de investir e gastar menos, mas sim de investir e gastar menos e melhor, o que dada a profusão de erros no mercado e falta de aposta numa geração entre os 20 e os 24 anos proveniente da Academia não se me afigura difícil. Aquilo que o CFD deveria ter dito abertamente, elucidando assim devidamente os Sportinguistas, é que o clube foi apanhado na Covid-19 com um défice de exploração antes da venda de jogadores surreal (mais de 70M€), o mais alto da sua história, que os Fornecimentos e Serviços Externos estão igualmente a nível record, o valor do Activo Intangível (plantel) tem vindo a decrescer e a dívida a Fornecedores estava em Dezembro de 2019 nos 57M€, dos quais 51M€ são a pagar num prazo até 1 ano. Isso, sim, seria um serviço prestado aos Sportinguistas: a verdade nua e crua. Porque, se todos souberem onde estamos, mais fácil será reunir consenso sobre o caminho a seguir. Além de que, não é possível determinar um objectivo se dúvidas subsistirem sobre o ponto de partida. Entretanto, passaram 20 meses desde que Frederico Varandas herdou a pasta de José de Sousa Cintra. 

 

P.S. Deixo à consideração do comunidade científica como é que tanto trabalho invisível produz uma visão (estratégica, dizem eles)...

25
Mai20

Os Salteadores da Alma Perdida


Pedro Azevedo

Em cada Sportinguista há um arqueólogo em busca da alma perdida, uma identidade que outrora nos tornou invencíveis e se extraviou algures no inexorável tempo. 

 

A história diz-nos que essa alma foi mais alimentada por vitórias do que propriamente pela força de uma idiossincrasia suficientemente vigorosa que nos unisse. Ora, não ganhando campeonatos de forma consecutiva desde 1954 e não vencendo em ano ímpar a partir de 1953, os Sportinguistas foram perdendo a sua identidade colectiva. O que resta hoje são fragmentos de memórias individuais de grandeza que urge serem colados a fim de formarem um todo que depois de reunido se pretende superior à soma das partes. 

 

Sejamos francos, o Sporting é um enorme clube, mas não está um grande clube. Ainda assim, é muito mais importante ser do que estar, pois isso é o nosso ADN, o que dá sentido à nossa existência em todos os momentos. Nesse sentido, ser Sporting agrega até o verbo que transmite identidade com o substantivo que denomina a nossa tribo. E é pela nossa tribo que devemos começar. O que é um ser do Sporting? Se pensarmos bem, existem demasiados clãs nessa tribo e isso, ao longo dos anos, tem fragmentado o nosso outrora ideário comum. Se não vejamos: já fomos um clube eclético, deixámos de o ser e voltámos a sê-lo, os sócios ora são vistos como sinal de vitalidade ora como um empecilho, há quem queira entregar o futebol a investidores privados, a formação não passa de um slogan tantas vezes apregoado e tão pouco cumprido que mais se assemelha a um placebo destinado a criar um "wishful thinking" no sócio e adepto. E estamos sempre a recomeçar, num sem-propósito, como se de um castigo de Sísifo se tratasse.

 

Ao contrário do que se possa pensar, num clube tantas visões estruturais diferentes não são um sinal de vitalidade. Pelo contrário, são um sinal de fraqueza. Há coisas que não devem ser postas em causa, pois não só confundem as pessoas e atentam contra aquilo que deveria ser a nossa identidade comum como abrem as portas à desagregação e ao radicalismo. É que um clube sem referências está exposto a tudo aquilo que configura o pior da nossa sociedade. E esse é o Sporting dos nossos dias, um clube sem uma Cultura corporativa forte capaz de bloquear determinado tipo de comportamentos, em que o presidente, em vez de doutrinar pelo exemplo e aproximar as pessoas do centro, é ele próprio, por instinto de preservação pessoal, fomentador do maniqueísmo e da guerra de trincheiras que não criou.

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23
Mai20

Pensamento do dia


Pedro Azevedo

A ambição tem de vir sempre acompanhada da preparação. Quando a ambição é apenas cobiça, o caldo fica entornado. 

19
Mai20

Gentle Reminder

A frustração de a minha razão de nada servir ao Sporting


Pedro Azevedo

https://castigomaximo.com/uma-oportunidade-perdida-183792

https://castigomaximo.com/uma-nau-a-deriva-183820

https://castigomaximo.com/o-canario-na-mina-de-carvao-192636

 

Triste, muito triste! O nosso Sporting sempre adiado, emparedado entre lendas e narrativas e trincheiras várias. Pouco adianta agora vociferar ou rasgar as vestes, as coisas têm um tempo para ser ditas e eu já o usei. E sobre o dia-a-dia do Sporting em silêncio permanecerei aqui no blogue. Até ao dia em que aos sócios for anunciado que se poderão pronunciar nas urnas. 

19
Mai20

Gentle reminder

Matheus Nunes


Pedro Azevedo

18
Mai20

O meu Regime de Governo


Pedro Azevedo

Nos últimos dias tem-se falado de modelos de regime de governo no Sporting. Antes de mais, enquanto ponto prévio, gostaria de lembrar que a Sporting SAD, sociedade anónima cotada em bolsa, foi criada como forma de potenciar o futebol do clube através de captação de recursos financeiros e de uma gestão focada e profissional, ou seja, embora do ponto de vista formal tenha havido um efectivo spin-off corporativo a lógica que presidiu à criação da SAD não foi a separação do clube em dois, continuando o Sporting a ter modalidades e futebol (ainda que este através da SAD). É importante entendermos isso, pois esta situação é diferente de haver um grupo de empresas individuais que a dado momento, geralmente por motivos fiscais ou simplesmente por consolidação de contas, ficam sobre a alçada de uma holding, uma SGPS, a qual aparece mais tarde. Também seria diferente se o Sporting perdesse a maioria da SAD, situação em que provavelmente só o nome das suas equipas, o símbolo, as riscas verde-e-brancas da camisola e os calções pretos e, eventualmente, o nome do Estádio continuariam como sempre conhecemos, cabendo a uma administração nomeada pelo novo accionista maioritário a gestão da SAD. 

 

No Sporting existem 3 poderes: o poder executivo, personificado ctualmente no Presidente do Conselho Directivo, em 4 vice-presidentes e no restante CD (vogais); o poder "legislativo", que cabe à Assembleia Geral, onde os sócios aprovam Estatutos, elegem ou destituem Direcções, cujos trabalhos são presididos por PMAG e tem ainda 1 vice-presidente e 3 secretários; o poder de fiscalização (ou controlo), representado pelo Conselho Fiscal e Disciplinar, que aprova as contas e instaura processos disciplinares. 

 

Concentrando-nos no poder executivo, no Sporting foram eleitos 11 membros (mínimo 5, máximo 11) para o Conselho Directivo, presidente incluído, e ainda 2 suplentes (neste momento o CD já não pode estatutariamente substituir o 3º membro que se demitiu pelo que ficou reduzido a 10 elementos). O Sporting, como maior accionista da SAD, indica Presidente e vogais para o Conselho de Administração da SAD, sendo que a Holdimo, tendo uma participação qualificada, fez eleger 1 vogal. Até agora o Conselho de Administração era composto por 5 elementos, Presidente e 4 vogais, mas entretanto o Sporting fez aprovar em AG da SAD a alteração de 5 para 7 membros. A SAD tem igualmente uma MAG e um CF.

 

Neste exercício procurei explicar com a linguagem mais acessível possível a organização actual das sociedades. Mas o que me traz aqui é o meu entendimento sobre a forma de governo do Universo Sporting. Por aquilo que expressei no 1º parágrafo, o presidente do clube deve ser o presidente da SAD. Isso só por si não confere um cunho presidencialista ao modelo, e eu gostava de deixar isso claro. Desde logo porque a SAD pode ter um Chief Executive Officer (CEO), ficando o presidente como Chairman, contrabalançando-se assim os poderes, com o CEO a implementar a sua visão e as decisões colegiais do Conselho e o Chairman como salvaguarda dos interesses dos accionistas e, em particular, do accionista maioritário Sporting (deixo aqui claro que o Sporting deve ter sempre a maioria da SAD). No fundo, um modelo onde coabitam a estratégia (CEO) e a táctica (Chairman). Neste caso, geralmente existe formalmente uma Comissão Executiva que é liderada pela CEO (reuniões geralmente semanais), tendo o Chairman a incumbência de presidir ao Conselho de Administração (reuniões mensais). De todo o modo, o meu modelo também não é esse, podendo novamente supor-se um cunho presidencialista. Creio, no entanto, que não será assim. Passo a explicar: sendo presidente e CEO a mesma figura impõe-se a existência de um Chief Operating Officer (COO) - Director Técnico (profissional com vasta esperiência no sector) capaz de optimizar a Formação (visão do presidente/CEO), que irá ajudar à criação de um modelo de negócio-futebol sustentável, possuindo ainda competências de liderança e conhecimentos que lhe permitam superintender Gestão de Activos e Scouting - que ficará a acompanhar mais de perto o negócio futebol (profissional e de formação).

Não esquecer que o orgão é colegial e nele ainda coabitarão a área financeira, jurídica e comercial (todos executivos nesta nova realidade de 7 membros do CA). Para além disso, a existência de uma área de Compliance independente e um Compliance Officer, em estreita ligação ao Conselho Fiscal, irá garantir que as boas práticas de gestão serão asseguradas, nisso incluindo regras e procedimentos de escrutínio de transferências, de prevenção de conflito de interesses e de branqueamento de capitais, etc. Esse é o meu modelo para o Sporting, e creio não poder dizer-se que se trate de um modelo presidencialista lato sensu.

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17
Mai20

SCP vs PES 2000


Pedro Azevedo

Estes tempos mais recentes vieram mostrar à evidência que para a maioria dos sócios o Sporting que interessa é aquele que vai a campo. Pese embora o meu activismo presente, que tem raiz profunda na preocupação que nutro pela perenidade do clube, comungo desde tenra idade desta forma de estar dos meus consócios. 

 

Tanto é assim que às vezes dou por mim a pensar no Universo Sporting (futebol) como o "onze" que semanalmente se apresenta no relvado. Nessa linha de concepção, o sócio é o guardião do clube, preservando-o directamente com a sua militância ou através da Mesa da Assembleia Geral (representa todos os sócios). A linha defensiva é constituída pelo back office (operações), auditoria e controlo interno, sistemas de informação e compliance (e Conselho Fiscal e Disciplinar), a quem cumpre assegurar que a equipa se mantenha em jogo, garantir que a meta definida de regras e procedimentos não é violada e sair para o ataque através do processamento de informação de gestão. Na frente temos o front-office, formado por Estrutura para o futebol, equipa técnica e jogadores, de cujo sucesso vai depender o crescimento do clube em termos de proveitos, nomeadamente a nível de bilhética, merchandising, patrocínios, publicidade e DireitosTV. A linha média é o cérebro da equipa, a zona nevrálgica onde se define a estratégia (política desportiva) que pode ajudar a ganhar ou perder campeonatos, doutrinam-se atitudes comportamentais positivas e baseadas nas razões do bem-maior clube (e não de quem circunstancialmente o serve), convoca-se e fomenta-se a mobilização de sócios (e adeptos) e zela-se por boas práticas de gestão. Os titulares são os membros executivos do Conselho de Administração ou, se quiserem, a Comissão Executiva. A eles cabe definir os pilares estratégicos que vão suportar toda a actividade e os recursos (humanos e materiais) necessários para o fazer. O "Delegado ao jogo", que em sentido literal antes dos jogos reúne com o juíz (da partida), num sentido mais figurativo e ilustrativo da nossa Organização é o departamento jurídico.

 

Esta semana o Jornal Sporting apresentou a nova visão estratégica do Sporting. Para além da interacção com o sócio, que soa um pouco a interacção com o cliente, são mencionados como pilares as Pessoas, Estrutura e Sistemas de suporte, a base, segundo o referido documento, maioritariamente invisível aos sócios que permitirá a optimização do último pilar (interacção com o sócio). Confesso que esta visão me parece pobre e desfasada dos reais problemas do Sporting, os quais me parecem residir na sustentabilidade da política desportiva (modelo económico do negócio futebol) e financeira, Cultura corporativa do clube e interacção não só dos sócios com o clube mas também entre eles e nos Princípios de governo e boas práticas de gestão (SCP). Ora, eu não consigo ver (daí talvez se ter chamado de invisível) nos pilares anunciados a forma como se atingirão objectivos que estejam de acordo com os pergaminhos do clube e garantam a sua perenidade. Aliás, o que me parece é que a famoso folha de Excel que tudo comporta foi substituída pela PlayStation (PES 2000) - os 3 pilares - , tudo se passando num ambiente virtual desconexo com a realidade como presentemente a vemos. Assim sendo, na minha opinião, a possibilidade de os resultados desta visão estratégica virem a revelar-se, também eles, invisíveis aos sócios é muito grande. Lamento, por isso, que se continue a ignorar um conjunto de ideias que visam objectivos concretos e visíveis para todos e que tais ideias não estejam hoje no centro de discussão no clube.

 

P.S. Não posso deixar de lamentar a referência que é feita no referido documento a cortes de massa salarial de cerca de 18 milhões de euros por ano efectuados por esta Direcção e sua contribuição para prevenir a perenidade do clube em cenário de emergência (Covid-19). E porquê? Porque, simplesmente, esses números não têm qualquer correspondência com os R&C conhecidos até Dezembro de 2019, mesmo considerando o efeito das indemnizações pagas (6,5M€ só no 1º Semestre de 2019/20). Aliás, na comparação que no último R&C é feita entre Dezembro de 2019 e Dezembro de 2018, (semestres) a descida nos Custos com Pessoal é inferior a 1M€ (741.000 euros, para ser exacto).

14
Mai20

Foi bonita a festa!


Pedro Azevedo

A exigência máxima começou logo na pré-época com um estágio massacrante do ponto-de-vista físico para todos os jogadores. Schmeichel, que abandonara no Verão o Manchester United com o título de campeão europeu e rumara a Portugal à procura do sol e de retemperar forças, era um dos que mais se queixava. A verdade é que essas cargas viriam a ser providenciais durante a época, com a equipa a exibir grande intensidade de jogo, facto que ainda hoje granjeia a Materazzi, que não duraria muito em Alvalade, o reconhecimento pelo seu papel no título. Depois veio Inácio, e com ele a afirmação de Vidigal e de Acosta. O plantel era curto, a substituição típica envolvia Pedro Barbosa e Toñito. Na reabertura de mercado chegaram César Prates, André Cruz e Mbo Mpenza e a equipa melhorou. As correrias pela esquerda de De Franceschi, os livres de André Cruz, os golos do ressuscitado Acosta e o dúo dinâmico do meio campo defensivo (Duscher e Vidigal) iam-nos mantendo na luta. O Sporting dava espectáculo e Schmeichel era um espectáculo dentro do espectáculo com as suas "manchas" e as broncas que dava ao pobre do Rui Jorge (grande garra). O Sporting era uma equipa compacta, dirigida por um treinador (Inácio) que conseguiu expremer os recursos à sua disposição ao máximo. Delfim caíra em batalha, Edmilson também, mas havia ainda Beto, Bino e Ayew. Chegou então a altura de salvar o primeiro "match-point" da época, a recepção ao Porto, o até aí líder da competição. Perder era proibido, empatar seria mau, mas André Cruz trocou a aritmética pela trignometria e meteu a bola no ângulo. De seguida, Acosta teve um Secretário a levar-lhe a bola até à bota e não desmereceu o seu epíteto de Matador. Estávamos à frente do campeonato. Por aí continuámos até à recepção ao Benfica, o primeiro "match-point" a nosso favor para sermos campeões. A festa foi rija, mas foi antes. Almoço alargado e bem regado nas imediações do estádio, na ilusão que tudo acabasse como naqueles contos de capa e espada em que os bons no fim vencem. Mas um toque de Sabry deu-nos uma inesperada estocada no estômago e o champanhe regressou à despensa. Uma semana depois fui a casa do Zé. Éramos talvez uma dezena, nervos em franja. Ao intervalo, zero-a-zero. O Porto não fazia melhor em Barcelos, e isso aliviava-nos um pouco o sobressalto. Até que o André afinou aquele pé canhoto mágico que Deus lhe deu e o Jorge Silva foi buscar a bola dentro das redes. Explosão na sala, havia que aliviar a tensão nervosa e vencer a angústia. Logo de seguida, o Ayew apanha um passe do De Franceschi e mete-a dentro da baliza salgueirista. Mais uma erupção, mas 18 anos de contrariedades ainda nos deixavam desconfiados. A certeza da vitória só surgiu quando o Schmeichel fez uma espargata à andebol e negou o golo ao infortunado Feher. Começou a comemoração e os golos de Duscher e André Cruz (novamente de livre directo) já foram saboreados com outra tranquilidade. Agora, a hora era de marcar restaurante. Ouvimos dizer que a equipa ia para a Câmara Municipal e fomos todos jantar ao Pinóquio. Juntou-se um saudoso amigo que, supersticioso e sentindo-se incapaz de aguentar tanta emoção, se refugiara num cinema durante o jogo. Muito nos rimos enquanto ele nos contava as infrutíferas tentativas de se dissociar do que se passava em Vidal Pinheiro, entre gritos de golo à sua volta a entrecortar a fita. Do Pinóquio seguimos para a Câmara, e da Câmara fomos em romaria atras do Iordanov. Até ao Marquês. A noite foi longa e ainda nos unimos a outros amigos que optaram por ir a Alvalade, que a festa aconteceu em estéreo mas duas rectas paralelas encontram-se sempre no infinito... da noite. A noite que não queríamos que acabasse. Nunca. Ai que saudades, meu Deus, que saudades... Há 20 anos atrás o Sporting sagrava-se campeão nacional, 18 anos de espera depois. Soube-me pela vida!

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14
Mai20

Os "americanos" à porta de Bagdad


Pedro Azevedo

Se o 13 de Maio nos revelou um novo Pastorinho, a 14 produziu-se o mais recente milagre de multiplicação dos pães. A capa de hoje do Record é um atentado à inteligência de sócios e adeptos do Sporting e a confirmação do não reconhecimento da grave situação actual por quem nos dirige. Só assim se compreende que a SAD do Sporting continue em negação e ofereça a mirífica promessa de sumptuosos jantares no Gambrinus a quem não tem dinheiro para comer, num momento em que os "americanos" já estão às portas de "Bagdad". Uma capa alternativa? Maior défice de sempre de exploração da SAD antes da venda de jogadores, queda acentuada do valor do activo intangível (plantel), Custos Financeiros a subir, rúbrica de Fornecimentos e Serviços Externos e dívida a Fornecedores em níveis históricos, rácio de Custos com Pessoal/Proveitos Ordinários a aproximar-se dos 100% (5º maior de sempre). Já para não falar de uma época desportiva com um dos piores resultados da nossa história. A maior garantia de um caminho virtuoso é sabermos onde estamos. 

 

P.S. A "eficiente gestão de recursos, concretizada através do corte de 18 milhões de euros por ano em massa salarial" - R&C depositados na CMVM: Custos com Pessoal (68.9M€ em 2018/19 vs 73.8M€ em 2017/18; 35.1M€ no 1º Semestre 2019/20 vs 35.8M€ no 1º Semestre 2018/19 vs 37.6M€ no 1º Semestre de 2017/18 vs 31.5M€ no 1º Semestre de 2016/17 vs 23.4M€ no 1º Semestre de 2015/16 vs 12.1M€ no 1º Semestre de 2014/15). Partindo do pressuposto que as contas estão correctas, gostaria assim que me explicassem onde está o corte de 18M€ por ano ("determinante para a capacidade de resposta ao Covid-19") anunciado no Jornal Sporting e no Record no capítulo que diz respeito à consolidação financeira e estratégia desportiva iniciadas em Setembro de 2018. É que uma coisa é o que deveria ter sido feito - curiosamente, em Julho de 2018 escrevi no EnF que os nossos Custos com Pessoal deveriam imediatamente baixar para os 50M€ por ano - , outra é a realidade patente nos Relatórios e Contas da SAD antes da pandemia. No que diz respeito ao clube e quotizações de sócios, o R&C da SAD, referente ao Primeiro Semestre (Dezembro de 2019) de 2019/20, indica que o saldo devedor do clube à SAD aumentou 10.2M€ em apenas 6 meses (para 14.2M€), o que poderá ser uma pista. 

13
Mai20

Na Dinamarca fazem-se Hamlets sem ovos


Pedro Azevedo

Dois clubes dinamarqueses mostram ao mundo como se podem vencer dificuldades quando nos concentramos nas soluções em detrimento de nos deixarmos abater pelos problemas. No caso do Aarhus, o clube da costa leste da Dinamarca irá montar 22 ecrãs gigantes no interior do seu estádio durante a realização dos jogos, convidando os adeptos a inscreverem-se gratuitamente no Zoom de forma a aparecerem num dos quadradinhos de um ecrã e assim poderem manifestar-se ruidosamente no apoio à sua equipa, procurando assim o clube replicar da melhor forma possível o ambiente nas bancadas de um jogo de futebol. Já em relação ao Midtjylland, o ênfase estará no lado de fora do estádio. Assim, o clube da cidade de Herning anunciou a montagem de ecrãs em redor do seu estádio e a criação de um drive-in (com comida e bebida?) onde os adeptos poderão assistir às partidas da sua equipa no conforto e segurança do seu automóvel, buzinando de cada vez que quiserem expressar o seu apoio. Em ambos os casos é espectável que os clubes venham a contar com patrocínios que os compensem dos custos em que irão incorrer. Um exemplo de como a necessidade aguça o engenho das mentes inconformistas. 

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