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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

06
Mar21

Tudo ao molho e fé em Deus

Stent a stent até à artéria do Marquês


Pedro Azevedo

Caro Leitor, já não sei se isto é jogo a jogo ou stent a stent, se devemos primeiro desobstruir o caminho do título ou antes dar prioridade ao fluxo de circulação sanguínea nas artérias, o que sei é que o Miguel Cal deve andar a roer-se de inveja porque finalmente temos uma Experiência Sporting capaz de apelar ao coração de cada Sportinguista. Senão vejamos: o adepto está em casa a ver o jogo e a ouvir o Vidigal, coisas que cumulativamente obrigam logo um homem a activar o desfibrilador até levar um número de descargas em joules suficiente para acordar a colónia inteira de moradores do Panteão Nacional. Subitamente, recebe uma mensagem da Loja Verde on-line para não perder e encomendar desde já a a promoção pague-2-leve-3 da nova colecção de stents verde-e-brancos. Dizem-nos haver em aço inoxidável, crómio e até cobalto, às risquinhas horizontais, tipo Stromp ou alternativo. E a malta compra, claro, ou não se tratasse de uma compra por impulso... cardíaco. Um sucesso de vendas garantido. Depois, é só marcar a operação e aplicá-los. A Clínica CUF do estádio estenderá a sua experiência (e artérias).

 

Devo porém dizer que no final do dia não sei se sofreremos mais nós ou os nossos concorrentes directos. É que não deve ser nada fácil para quem está de fora levar constantemente com golos depois da hora do Sporting. Eu estou a imaginá-los, cada vez mais confiantes que desta vez é que é, vão encurtar a distância, tudo daqui para a frente será diferente, e de repente, PUMBA, golo do Sporting. E depois é vê-los a destruir ardósias e ábacos e máquinas de calcular, a rasgar as cartas da Maya ou amaldiçoar as feiticeirias do Nhaga... Não se faz, isto é elevar a crueldade humana até ao expoente máximo na escala de Rúben!

 

O jogo? Foi um bocado como as Escondidas. Começou o Santa Clara a apalpar terreno e logo veio com uns inuendos, umas aproximações. Tudo mais para o frio, embora por vezes aquecesse até ficar morno. Na resposta, deixámo-nos de mariquices, fomos por ali fora sem perguntar nada a ninguém e, quando o Pote já estava a ferver, descobrimos o esconderijo. Entretanto, o Crysan anti-caspa teve o azar de não ser também anti-queda e abandonou o terreno, pelo que até ao intervalo a promoção do Turismo dos Açores ficou entregue ao Luis Vidigal. A disposição das equipas na etapa complementar fez-me temer o pior, ou seja, adormecer. Porém, tal gradualmente foi passando a um estado de alerta à medida que o Sporting ia transformando o futebol em flippers: a bola era mandada para a frente como se impulsionada por uma mola e depois batia em inúmeros martelinhos, voltava para a frente e para trás, parecendo que o nosso objectivo era fazer jackpot no meio. Só que numa dessas idas e vindas ressaltou mal no pino do Feddal e lá perdemos uma vida. Com Santa Clara a renunciar ao voto de pobreza franciscana a que o jogo tinha estado sujeito, foi tempo de no Sporting se tocar a rebate. Importante reforço de Inverno, o nosso novo ponta de lança uruguaio entrou mais uma vez lá para a frente. E logo ganhou 3 bolas de cabeça, algo até aí impensável na área açoriana. Na primeira ainda tentou assistir Jovane, mas este não conseguiu encontrar uma quina do seu corpo que desse intensidade à bola, de seguida atirou ao lado, até que o Nuno Santos lançou a enésima edição de uma bola que vem da esquerda para a direita, daí é amortecida (João Mário, na circunstância) para o centro e depois dá golo. Na extremidade estava o uruguaio. Eram jogados 90+3 minutos, nada mais haveria a declarar para lá dos sorrisos de todos os Sportinguistas. 

 

Para dizer a verdade, no fim festejei abundantemente. Não é que nós não acreditemos sempre até ao último minuto (hoje em dia então...), mas ainda há reminiscências do passado que por vezes nos atiram para a fatalidade. Como o facto de desde 1953 não ganharmos um campeonato disputado em ano ímpar. Há 68 anos! Faltam 9 vitórias(*). Haja coração! Entretanto, lá em cima, a estrelinha da Maria José Valério brilha e brilha, ofuscando as demais...

 

(*) Assumindo uma derrota em Braga por diferença inferior a 3 golos

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Mário (esteve nos dois golos e este foi o jogo em que o vi mais vezes perto da área adversária). Coates (uma vez mais salvador), Gonçalo Inácio (sempre seguro na saída de bola curta) e Pote (procurou espaço entre-linhas e marcou um belo golo) estiveram acima dos outros. 

coates4.jpg

05
Mar21

Longo caminho pela frente


Pedro Azevedo

O caminho aritmético para o título não se alterou grandemente com o empate no Dragão. Para ter a certeza de que será campeão o Sporting continua a precisar de fazer 86 pontos, 85 se não perder em Braga por mais de 2 golos. Ora, admitindo que o nosso adversário mais directo não perderá mais pontos até ao final da temporada, 86 pontos corresponderão a 10 vitórias e 1 empate ou 9 vitórias e 4 empates nos 13 jogos que faltam cumprir até ao fim. (Se um dos empates for com o Braga, então 85 pontos serão definitivamente suficientes.)

 

Por aqui se perceberá que muito ainda há a fazer. Na época passada, o Benfica terminou a primeira volta com 48 pontos correspondentes a 16 vitórias e 1 derrota, mais 3 pontos que o Sporting de 2020/21. Simplesmente, na segunda volta apenas realizou 29 pontos, perfazendo assim um total de 77 pontos, valor insuficiente para se sagrar campeão. Outro exemplo, e este mais relacionado com a nossa história, é o Sporting de 76/77. A equipa, treinada à época por Jimmy Hagan, arrancou fulgurantemente o campeonato nacional com uma vitória por 3-0 sobre o Benfica, triunfo que aliás replicou em eliminatória da Taça de Portugal (um hat-trick de Manoel em estreia absoluta). Dando sequência ao bom início, os leões chegaram a ter 6 ou 7 pontos de avanço sobre o Benfica (a vitória só valia 2 pontos), mas durante a segunda volta foram progressivamente perdendo essa vantagem e acabaram num segundo lugar final a 9 pontos da liderança das águias.

 

Ao contrário daquilo que se possa pensar, estes súbitos desfalecimentos de equipas que lideram o campeonato durante muito tempo não são assim tão incomuns. O exemplo do Liverpool nesta época desportiva é aliás disso paradigmático. Lesões, castigos, euforia mal controlada, densidade competitiva, pressão, abaixamentos de forma são razões que se podem habitualmente associar a estas situações. Evidentemente, umas poder-se-ão aplicar melhor ou pior à realidade que o Sporting ainda terá pela frente, mas o certo é que há ainda um longo caminho que precisa de ir sendo percorrido semana a semana para que possamos garantir o título. Voltemos então à matemática para compreendermos o que está em causa: com 9 pontos de avanço e 39 por disputar, apenas 23% do caminho está cumprido. Ou seja, embora só faltem 13 de 34 jornadas para acabar o campeonato e isso dê a ilusão de que o fim está perto,  há mais de 3/4 (77%, mais concretamente) do caminho do título ainda por percorrer. Vamos por isso jogo a jogo, procurando assim a cada jornada estender as nossas probabilidades. No fim, ou quando e se for matematicamente impossível alcançarem-nos, então sim, far-se-ão as contas totais. Para já, foco no Santa Clara.

04
Mar21

Matador!


Pedro Azevedo

Na sua ainda curta carreira desde cedo tudo pareceu fazer sentido. Iniciou-se como "novilheiro" num picadeiro ali para os lados de Pina Manique. A alternativa recebeu-a das mãos de Salvador, que lhe cedeu a arena em Braga. Em pouco tempo Varandas chamou-o, e ele desceu até Lisboa à procura da glória. A princípio participou nuns festivais taurinos de fim de época, foi-se mostrando. Até que entrou em cartel grande. Como mais novo, era a terceira figura do cartaz: no meio estava Conceição, um clone de Ponce, de estilo vigoroso adornado a lidar com os Vitorinos da sua predilecção; à cabeça, Jesus, o Curro Romero da Reboleira. Cabia-lhe iniciar a lide. O sol ia ainda alto e ele escolhera trajar de esmeralda e ouro como se a esperança se mesclasse com o seu desejo de ostentar um valor para quase todos então ainda desconhecido. O inteligente já dera o sinal, o cornetim tocara a condizer, começava o primeiro tércio. O touro saía do curro e já o caPote de um dos seus peões de brega arrancava bruás em cada lar. Atento, foi lendo os movimentos do touro, apercebendo-se como investia ao engano. Entre chicuelinas e verónicas, lidou com todas as ameaças sem perder a graciosidade, entrando mesmo nos perigosos terrenos do touro sem dar a ilusão de poder ser colhido. Com uma revolera rematou o toureio de capote. Novo toque de cornetim e eis que, qual Morante, ele próprio assume as bandarilhas. Um par logo de entrada, de poder a poder, mostra que Braga já ficou lá para trás. As sortes de bandarilhas saem-lhe como o capote, mas ainda há mais uma para completar o segundo tércio. Não será fácil, como nunca o foi. Entretanto, vem até à barreira limpar o suor e tomar um pouco de água. Segredam-lhe que acabam de estender por mais uma temporada o contrato que lhe permitirá continuar a exibir os seus dotes em praças de primeira. Vem aí a lide a pé, muleta e espada, onde sempre se decide o destino da Corrida. A multidão, em casa, sempre em casa, agita-se. O sol já baixa, o tércio decisivo está mesmo aí a chegar. Passo a passo, como desde cedo nos ensinou, procurará superá-lo. Passo a passo, interiorizando nós, procuraremos durante mais dois meses resistir a pensar vê-lo sair pela Porta Grande a caminho do Marquês, a caminho de todos nós. Boa sorte, Rúben Amorim. Que sejas "Matador"!

03
Mar21

Maria José Valério


Pedro Azevedo

Aos 87 anos, faleceu a cançonetista Maria José Valério. Quer dizer, desapareceu fisicamente, pois viverá para sempre na alma de cada Sportinguista. Com um repertório variado, viria a ser com a "Marcha do Sporting" que garantiria a imortalidade. Uma prova indelével da grandeza do clube e o resultado feliz da sua associação com uma senhora que sempre o soube estimar, participando activamente em diversos eventos da vida associativa leonina. Um exemplo para todos. 

 

Aos seus familiares, amigos e universo Sportinguista em geral, o blogue quer expressar o seu voto de pesar. Que descanse em paz!

maria josé valério.png

03
Mar21

Um conto de futebol


Pedro Azevedo

Justino e Saturnino nunca até aí se haviam conhecido. O primeiro era um homem apaixonado, cego por uma paixão que quando em excesso sufoca o alvo da sua afeição, tira perspectiva e clarividência, se torna insana. Nesse não-respirar, perdera a noção do suficiente, só via as suas cores. E gabava-se disso como se de um troféu se tratasse, ou para ele o amor não se medisse em quantidade mais do que em qualidade. Saturnino era o oposto: frio, calculista, sibilino, pérfido, mas indubitavelmente inteligente, com ele todas as manhãs eram promissoras e envelheciam mal por sua exclusiva opção. Verdadeiramente até não gostava de futebol, mas via nele uma forma de se manter à tona de água, de alimentar a trica que lhe estava no sangue, o dito e o desdito supersónico, a incoerência, a vaidade. Um dia a vida lembrou-se de os juntar. Alguém avisou que desse casamento só poderia resultar um conjunto vazio, mas ninguém ligou. E com a omissão e cumplicidade dos restantes, da união vazio se fez, até que juntos mataram o futebol. Diz-se por aí que o Justino nunca recuperou, não conseguiu substituir o objecto da sua opressora paixão, anda a comprimidos. Mas o Saturnino adaptou-se bem. Agora só liga a tauromaquia. Parece que por lá, qual cabo forcado, pode dar finalmente nome aos bois. Em campo aberto. E pegar de caras...

01
Mar21

Não há coincidências...


Pedro Azevedo

O que têm em comum Carlos Xavier, Ademar, Virgílio, Freire, Alberto e Mário Jorge? Em 1981/82 eram jovens da nossa Formação que Malcolm Allison não hesitou em aproveitar nessa campanha gloriosa que terminou em dobradinha. No total, os seis realizaram 187 jogos nessa época (que incluiu também jogos europeus e Taça de Portugal), 123 deles a contar para o campeonato. A enquadrar estes, com mais experiência, estavam outros 4 jogadores formados no clube. A saber: Zezinho, Barão, Inácio e Bastos. Realizaram 71 jogos nessa temporada, 42 para o campeonato. Juntando todos (10!), tivemos um total de 258 jogos (165 para o campeonato) disputados nessa época por jogadores formados no clube.

 

O que têm em comum Max, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Daniel Bragança, Jovane Cabral, Gonzalo Plata, Tiago Tomás e Pedro Marques? São jogadores formados no clube (Matheus e Plata no último estádio de desenvolvimento) que Rúben Amorim não tem hesitado em desenvolver e apostar no decurso desta ápoca. Todos juntos, até agora realizaram 152 jogos, 98 deles a contar para o campeonato. Enquadrando-os, com mais experiência, estão também Palhinha e João Mário, igualmente formados no clube, que combinadamente já jogaram por 48 vezes, 36 das quais referentes a jogos de campeonato. Somando ambos os grupos, temos (até agora) um total de 12(!) jogadores formados no clube com 200 jogos (134 para o campeonato) de utilização.

 

Os números, muito semelhantes, serão certamente chocantes para quem habitualmente não valoriza a nossa Formação ou pensa que não se ganham títulos com plantéis com muitos jogadores formados no clube. Aceitemos assim que a Formação é um bom ingrediente para manjares epicuristas condenados ao sucesso, porém não esqueçamos que o tempêro faz toda a diferença. É que a equipa de 81/82 tinha uma espinha vertebral de luxo formada por solistas como Meszaros, Eurico, Oliveira, Manuel Fernandes e Jordão e carregadores de piano de primeira água como Nogueira e Marinho. Já a actual, não possuindo tanto génio como aquela com que Allison contou, teve até agora em Amorim o artífice do todo, o Chef, que como sabemos na boa cozinha produz resultados superiores à soma das partes.  

Aproveitar a Formação é o único caminho para se ganharem campeonatos? Seguramente que não, mas não há outro que simultaneamente garanta tanto a sustentabilidade de um clube como este. 

01
Mar21

Matheus Nunes


Pedro Azevedo

Em cada jornada os diários A Bola, O Jogo e Record pontuam a actuação de cada jogador. Os dois primeiros fazem-no numa tabela de 0 a 10, o último usa uma bitola de 0 a 5, estabelecendo-se assim, no somatório das notas dos 3 diários desportivos, uma pontuação global por jogo que vai de 0 a 25. Considerando os 4 jogos que o Sporting já realizou esta época para o campeonato contra Porto (duas vezes), Braga e Benfica, equipas que vêm logo a seguir na tabela, eis as classificações individuais acumuladas dos jogadores do Sporting (máximo 100 pontos) nesses jogos de grau de dificuldade teoricamente superior:

notas jornais.png

Conclusão: desta informação, recolhida através do apanhado de cada jogo fornecido pelo blogue És a nossa Fé, resulta que Matheus Nunes é o líder da tabela combinada das notas dadas pelos diários desportivos nos jogos contra as 3 equipas que imediatamente seguem o Sporting na classificação do campeonato. O facto impressiona por Matheus apenas ter sido titular em metade dos jogos (Porto e Benfica em casa) e estar há menos de 1 ano integrado no plantel principal, demonstrando inequivocamente que o carioca não só rende indiferentemente de ser titular ou começar do banco como até eleva o seu jogo consoante o grau de dificuldade (média mais elevada do que nos restantes jogos do campeonato), não se atemorizando nada (pelo contrário) ante adversários mais cotados. Uma dor de cabeça, certamente, para Rúben Amorim, mas daquelas positivas em que no fim quem fica a ganhar é a equipa, que pode contar com médios como Palhinha, João Mário, Matheus Nunes e até Bragança e assim mudar a sua forma de jogar sem ter de alterar a base do 3-4-2-1. De notar ainda que Coates teve a pontuação combinada mais elevada nos outros 2 jogos extra-campeonato realizados com as equipas mais cotadas (Taça da Liga, Porto e Braga). Nesses dois confrontos, Jovane obteve a nota mais alta atribuída num só jogo (22 de um máximo de 25).

matheus nunes slb.jpg

28
Fev21

Tudo ao molho e fé em Deus

Matheus contra a burocracia


Pedro Azevedo

Tenho vindo aqui a escrever em inúmeras ocasiões que o maior mérito (e são vários) que deve ser creditado a Rúben Amorim é ter feito com que o todo seja maior que a soma das partes. Não sei se Vos parece pouco, mas esta ideia do colectivo, quando comparada com a dos nossos adversários, a mim afigura-se como muito boa. Vejam, por exemplo, o caso do FC Porto: ontem à noite, no Dragão, eles tinham dois Sérgios. Tal presumivelmente configuraria um Sérgio ao quadrado. Só que não, eles empataram-se, não remaram para o mesmo lado, extremaram posições entre a soberba de um e a humildade do outro, enfim anularam-se. Senão vejamos: no final do jogo, enquanto o Oliveira, cheio de fanfarronice, altaneiramente se arvorava em finalista vencido da Champions, ele que no único ano (dos 12 que leva como profissional do clube) em que o Porto conseguiu chegar a uns quartos-de-final da prova milionária estava emprestado ao PAOK, o Conceição, muito comedido, não se queixou de não ter o Garrido, o Martins dos Santos ou mesmo toda a família Calheiros por atacado a apitar, antes pelo contrário ter-lhe-ia modestamente bastado o silvo do Soares Dias para que um sorriso lhe iluminasse a face. Ora, está bom de ver, com esta divergência de postura não há colectivo que resista. Depois não se venham queixar de outrém. Basta! Organizem-se, por favor.

 

Não se pense porém que o Porto jogou apenas contra si próprio, do outro lado estava um Sporting apostado em não deixar jogar o Porto do Conceição e em jogar contra o Porto do Oliveira. Para não deixar jogar o primeiro, o Rúben Amorim meteu o João Mário desde início a esconder a bola, a arrefecer o jogo e os colegas mais jovens de forma a que a tensão não lhes induzisse uma expiração mais forte dentro da própria área que levasse homens reconhecidamente franzinos como o Taremi ou o Marega a caírem para o lado como tordos. Já para jogar contra o segundo, o Rúben fez entrar o Matheus Nunes. Foi remédio santo, a tal ponto que os portistas ainda não devem estar refeitos do susto que apanharam. Estava o Porto meter a carne toda no assador e logo teve que pensar duas vezes antes de entrar em aventuras que lhe poderiam ter custado uma severa indigestão...

 

Parafraseando o grande Gabriel Alves, o jogo não foi bom nem mau, antes pelo contrário. Em comprimento, a maior parte do tempo jogou-se em 40 metros, o que talvez tivesse recomendado transferir a partida para uma quadra de futsal no topo de uma montanha, evitando-se assim o restante tempo ingloriamente perdido pelas equipas no patético esforço de tentar meter a bola por cima das defesas contrárias. (Era pô-los ribanceira acima e abaixo a procurarem a bola perdida para verem o que é bom para a tosse.) É que com tanto tráfego concentrado em tão pouco espaço, nem a circunvalação lhes valeu, até pela desinspiração de quem utilizou essas duas faixas de rodagem. Deste modo, o jogo ficou condenado a resolver-se por quem conseguisse romper o cerco no meio. O Porto tentou, mas também aí a perna esquerda de Taremi não esteve em consonância com a sua direita, anulando-se ambas e inviabilizando um golo cantado. Que culpa temos nós disso? O Sporting procurou-o também num raide em excesso de velocidade de Matheus Nunes, o único alta cilindrada que se mostrou capaz de acelerar em zona urbana, tão cheia de urbanidade que foi uma enfadonhice quase todo o tempo. A bola saiu a tirar tinta à barra. Nada mais houve a registar. O Porto diz que teve mais 4 oportunidades? Sim, o Sérgio Oliveira perdeu uma boa oportunidade de estar calado, o Conceição deixou passar a oportunidade de pedir mais 13 penáltis até ao final do campeonato e ainda houve duas bicicletas do Taremi que a esta hora ainda devem estar a circular no Freixo. O que houve, sim, foi aproximações à baliza. E dessas o Sporting também teve, com Matheus Nunes como denominador comum: primeiro, a flectir para dentro e rematar contra Mbemba; depois, a driblar 3 numa cabina telefónica com o seu "M Turn" e a servir Pote na área; finalmente, após tirar dois adversários do caminho com uma simulação e servir Jovane na esquerda para um contra-ataque perigoso.

 

No fim do jogo não foram só os Sérgios que falaram. O Amorim também falou. E disse qualquer coisa, o que em si não é de todo de estranhar. Disse, por exemplo, que após uma jornada em que o segundo classificado previsivelmente encurtará a distância para o primeiro não se pode afirmar que o título está mais perto. Fez bem. É que uma coisa é termos 10 ou 9 pontos de avanço, outra é ignorarmos que há ainda 39 pontos em disputa e vários jogos complicados pelo caminho, pelo que o que a matemática nos diz é que apenas cerca de 25% do trabalho está feito. Como tal, o resto precisa de ser confirmado. Jogo a jogo.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes. Eu sei, jogou pouco tempo. Mas jogou muito, todas as suas acções tiveram um toque de brilhantismo e o Olimpo do futebol para mim ainda é reservado àqueles poucos que conseguem desequilibrar. Belíssimas exibições também de João Mário, Palhinha, Coates, Feddal e Adán, todos num plano superior ao dos restantes.  

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(Imagem: A Bola)

26
Fev21

Quintana


Pedro Azevedo

Morreu Alfredo Quintana, guarda-redes do FC Porto e da Selecção Nacional de andebol. "Kingtana", como era conhecido no meio, foi um astro das balizas, um muro onde frequentemente esbarravam as pretensões das equipas adversárias, o nosso Sporting incluído. Os seus cerca de 2m de altura e extrema flexibilidade marcaram uma época no andebol nacional e internacional, período em que Portugal conseguiu os seus melhores resultados de sempre em europeus (6º) e mundiais (10º). 

 

Aos adversários nunca desejamos sequer uma lesão, queremos, isso sim, que se mantenham sempre a grande nível para que assim os nossos se possam também superar e melhorar. Imagine-se então o que se sente num caso extremo como este. Não há palavras que possam descrever isto, ainda mais ocorrendo num atleta controlado recorrentemente por cardiologistas, traumatologistas, ortopedistas, especialistas em medicina de recuperação, nutricionistas, etc. Tudo concorrendo para nos mostrar o quão ténue é a chama da vida.  

 

À família do Alfredo Quintana, aos seus amigos, ao FC Porto e ao universo do andebol em particular envio daqui o meu sentido pesar pelo desaparecimento de uma das mais insígnes figuras que algum dia pisaram um pavilhão em Portugal, ciente de que a memória dos seus feitos permanecerá na mente de todos nós. 

 

O blogue permanecerá com o título a preto durante o dia de hoje em sinal de respeito para com tão grande jogador que precocemente nos deixou. RIP. 

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26
Fev21

Ortega y Gasset


Pedro Azevedo

"O Homem é o Homem e as suas circunstâncias." - Ortega y Gasset

 

Depois dos ditirambos - cânticos como "Vamos arrasar" ou "Jogar o triplo" a enquadrar a coreografia da dança eleitoral  - que marcaram a apresentação de Jesus no Benfica, assistimos agora à deterioração progressiva da sua liderança, provavelmente sacrificada pela soberba com que se tentou rebeliar contra as forças do destino. Um argumento que parece extraído de uma Tragédia Grega, ou não tivesse tudo começado em Salónica (PAOK) e continuado ontem em Atenas, local onde JJ não resistiu a invocar os elogios que recebeu do "Ortega" do Arsenal. 

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25
Fev21

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 28 jogos - 20 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa, 3 para a Taça de Portugal e 3 para a Taça da Liga -, obtendo 23 vitórias (82,1%), 3 empates (10,7%) e 2 derrotas (7,1%), com 59 golos marcados (média de 2,11 golos/jogo) e 18 golos sofridos (0,64 golos/jogo).

 

Individualmente, Rúben Amorim mantém o 3º lugar no Top 5 da exclusiva lista de treinadores do Sporting com maior percentagem de vitórias. Numa altura em que já realizou 39 jogos pelo clube em diversas competições, Rúben apresenta um registo de 74,4% de vitórias (29 em 39) em todos os jogos, superando homens como o húngaro József Szabó e o tri-campeão Randolph Galloway. O líder continua a ser o também inglês Robert Kelly (79,2%), seguido por Cândido de Oliveira (75,3%), por Amorim, pelo húngaro Alexander Peics (73, 1%) e József Szabó (72, 2%).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas de golo):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (14,3,6), N. Santos (7,9,0), Jovane (6,2,1);

2) MVP: Pedro Gonçalves (54 pontos), Nuno Santos (39), Jovane e Porro (23); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (23 contribuições), N. Santos (16) e Porro (12);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (14 golos), Nuno Santos (7) e Jovane (6);

5) Assistências: Nuno Santos (9), Pote, Porro e Feddal (3).

 

Fazendo uma análise por sectores em termos de pontos MVP (golo=3; assistência=2; participação=1), teremos:

 

Pontas de Lança (total=55)TT (22), Sporar (20), Vietto (7), Pedro Marques (6)

(nota: TT também jogou como interior)

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Interiores (total=128)Pote (54), Nuno Santos (39), Jovane (23), Tabata (12)

(nota: Jovane também jogou como ponta de lança)

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Médios Centro (total=29)Matheus Nunes e João Mário (10), Palhinha (6) e Bragança (3)

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Laterais/Alas (total=39)Porro (23), Nuno Mendes (10), Plata (4), Antunes (2)

Pedro-Porro.jpg

Centrais (total=37)Coates (19), Feddal (11) e Gonçalo Inácio (7)

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Guarda-redes (total=2): Adán (2)

adan1.jpg

Conclusões:

  • A posição de Interior contribui em acções de golo cerca de 2,3 vezes mais do que a posição de Ponta de Lança; A posição de Médio Centro tem menos preponderância nos nossos golos que a de Lateral/Ala e de Central, o que pode indicar que RA vê-os mais como um factor de equilíbrio defensivo, sendo os desequilíbrios ofensivos mormente produto da circulação em "U";
  • Porro tem números ofensivos superiores a qualquer ponta de lança;
  • Ordem de importância no golo: Interiores, Ponta de Lança, Laterais/Alas, Centrais, Médios Centro, Guarda-redes;
  • Um total de 20 jogadores já contribuiu para os golos leoninos. Dos utilizados, apenas Max, Neto, Quaresma, Borja, João Pereira, Paulinho e Matheus Reis ainda não tiveram preponderância nos golos marcados. 

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

ranking gap 250221.png

24
Fev21

A Vida de "Chirola" Yazalde

Parte VI (última) - Até sempre, Chirola!


Pedro Azevedo

Após uma boa primeira época em França, nada faria supor que estaria iminente o seu regresso à Argentina. Inclusivé, Carmen acaba de dar à luz o único filho do casal, Gonzalo, em terras francesas. Yazalde tem uma vida estável, tranquila e confortável na Riviera Francesa, mas a ilusão de voltar a jogar um Mundial, ainda mais na Argentina (anfitriã do Mundial de 78), fá-lo esticar a corda e regressar a casa. Perde muito dinheiro (com contrato por mais dois anos, tem de pagar 500.000 dólares de valor de rescisão ao Marselha) no processo, mas no início de 77 (a meio da temporada em França) assina pelo Newell's Old Boys, um clube argentino da cidade de Rosário, 300 km a noroeste de Buenos Aires. 

 

Estreia-se pela sua nova equipa no Campeonato Nacional (hoje Clausura), competição que funcionava como segundo turno do campeonato argentino. O primeiro jogo é em Mar del Plata, contra o Círculo Deportivo. Fica em branco. Em 4 de Fevereiro, contra o San Martin de Tucumán, o primeiro golo. Mas não é só 1, são 3 de uma vez, um hat-trick. Acaba o ano com 7 golos. Reencontrado com a forma de jogar na Argentina, inicia o Metropolitano de 78 em grande forma. Logo a abrir, 2 golos ao Argentinos Juniors, a equipa de "El Pibe" Maradona, mago que tem em Yazalde um dos seus ídolos de criança. O Newell's vence por 3-0 e os dois craques tiram uma foto que um dia Maradona utilizará para homenagear nas redes sociais o seu ídolo (entretanto já falecido). Os golos voltam-lhe aos pares, marca a dobrar ao Colón, Chacarita e San Lorenzo. Acaba o primeiro turno do campeonato com 10 golos. Yazalde está novamente em grande, mas a tristeza por não ter sido incluído na convocatória de Menotti para o Mundial deixa-o inconsolável. Entra em depressão. Como se não bastasse, segundo Carmen, leva uma injecção contra a gripe e é contagiado com hepatite num tempo em que as seringas são muitas vezes reutilizadas. Começa a ter recorrentes problemas de fígado.  Na 2ª parte da época, disputada pós-Mundial, o Chirola só faz 4 golos. Mais animado, regressa em 79 com um bis ao Racing de Avellaneda, rival dos tempos em que esteve no Independiente. De seguida, um hat-trick ao Velez Sarsfield. Acaba 1979 com 14 golos marcados, o mesmo registo do ano anterior. Em 80 está em grande evidência no dérbi de Rosário, o Classico Rosarino, que põe em confronto "leprosos" (Newell's) e "canalhas" (Rosário Central). Marca por duas vezes e o Newell's vence por 3-0. Em finais de Outubro, volta a bisar. Desta vez contra o seu antigo clube, o Independiente. Um mês depois, faz 2 golos no espaço de 3 dias. A vítima é o "all mighty" River Plate. Acaba o ano com 13 golos, como um relógio suiço. Ainda faz uma perninha no Metropolitano de 81. São apenas 2 meses, o suficiente para se despedir com 6 golos. No total, são 54 pelo Newell's. Por fim, é visto em 82, num jogo pelo Huracán, mas é o canto do cisne. 

 

Terminada a carreira de futebolista, Yazalde assume funções no staff directivo do Huracán e chega até a treinar o clube durante um curto período de tempo. No Natal de 84 vem a Lisboa para apresentar Saucedo, compatriota que jogava no Equador. Entra em Alvalade, é recebido e saudado pela direcção presidida por João Rocha e regressa à Argentina. Nunca se esquecerá do Sporting, vivendo-o sempre com intensidade, fazendo fé nas próprias palavras de Carmen Yazalde. Carmen de quem se separa em 87, nunca porém se divorciando. E morre, em 97, a 18 de Junho, aos 51 anos. Conta Carmen ao "As": "o meu filho ligou-me pelas 6h30, mas quando cheguei já o Yazalde estava morto. Tinha vindo de jantar, sentiu-se indisposto. Não estava bem desde há 2 anos atrás, tinha uma úlcera perfurada e muitas hemorrogias internas". 

 

Um Homem só verdadeiramente morre quando já não existe ninguém para o lembrar. Assim, estou em crer que Yazalde viverá enquanto existir pelo menos 1 Sportinguista, logo eternamente (assim o espero). Para a história ficarão essencialmente os seus 50 golos em 73/74 (apenas 35 jogos) - 46 dos quais, no campeonato, valer-lhe-iam a Bota de Ouro - , marca só muitos anos mais tarde batida por outro "leproso" (Messi) e por um jogador da Formação do Sporting (Ronaldo). Não digam que não há coincidências...

 

P.S. Termino hoje, no dia em que se perfazem 50 anos desde a data em que Yazalde se estreou em Alvalade, este ciclo de Posts sobre a vida de Héctor Yazalde. Uma homenagem ao Chirola em que procurei trazer alguns novos, ou pouco divulgados, dados sobre a sua carreira desportiva e vida fora das quatro linhas. Foram 6 capítulos escritos com amor, ciente do impacto (não querendo desvalorizar a importante acção do meu pai) que o meu 1º ídolo teve na minha decisão de ser do Sporting. Era algo que um dia teria de fazer, assim como que uma espécie de chamamento, eu que me estreei na blogosfera exactamente a escrever sobre Yazalde. Ficará em arquivo, espero que vivo, deste blogue enquanto acervo da vida deste enorme futebolista que tão bem serviu o nosso Sporting. Nunca se esqueçam que, tal como as nossas referências, princípios ou valores, as pessoas só morrem verdadeiramente se nos esquecermos delas. 

 

Obrigado, Yazalde!

 

Bibliografia: Esquadrão Imortal (site brasileiro); Jornal AS (Espanha, artigo de Topo López); Puntal Villa María (jornal argentino); En Una Baldosa (site argentino); Cápsulas de Carreño (site colombiano); Clarin (jornal argentino); Infobae (site de notícias argentino propriedade de Daniel Hadad), Bifana Bifana (blog, Inglaterra); OM4ever.com (blog de apoiantes do Marselha); Entrevista de Rui Miguel Tovar a Carmen Yazalde; WikiSporting. O meu agradecimento especial ao Francisco Navarro. 

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24
Fev21

O feitiço do tempo


Pedro Azevedo

O Leitor atente no seguinte exercício: se pudesse marcar 1 golo, 1 golo apenas, que alterasse o desfecho final conhecido de 1 jogo e isso fizesse toda a diferença na nossa centenária história futebolística, que jogo escolheria para esse efeito? Eu marcaria ao Casino, lá em Salzburgo. Passaríamos a eliminatória, o Robson não seria despedido e o Cherbakov não teria o acidente (pelo menos naquele dia, ou por aquele motivo). 

23
Fev21

A Vida de "Chirola" Yazalde

Parte V - Sob o signo do bronze


Pedro Azevedo

Como tantas vezes na nossa história, após uma gloriosa época culminada com uma dobradinha nas provas nacionais e presença nas meias-finais da Taça dos Vencedores das Taças, a instabilidade regressa ao clube. Mário Lino e João Rocha têm opiniões distintas sobre a preparação da pré-época seguinte, a corda estica e acaba por partir pelo elo mais fraco. Lino ja nem está no banco na final da Taça, demitido na manhã desse jogo no hotel onde a equipa estagia. Osvaldo Silva, velha glória do clube, assume interinamente.

 

João Rocha tinha uma ideia para garantir a independência financeira do clube. Lança o projecto da SCP - Sociedade de Construções e Planeamento, o qual é aprovado em Março de 1974 pelo governo de então. Surge a Revolução e João Rocha vê-se obrigado a abrir mão do projecto. O PREC está aí e a convulsão política não ajuda à confiança na economia. Em contra-ciclo, Yazalde está em alta. Faz um bom Mundial, o Real Madrid pressente as dificuldades financeiras vividas em Portugal, de que o Sporting não é excepção, e faz uma proposta pelo avançado. São 27.000 contos (135.000 euros). Rocha hesita, mas decide fazer um esforço para manter o seu ponta de lança. Por isso quer ir no final da época aos EUA, onde pretende arrecadar algum dinheiro para o clube. Lino não está de acordo por pesar mais a fadiga dos jogadores e o efeito que isso terá no atraso de preparação da nova época. O treinador sai, o Sporting realiza 3 jogos nos EUA, 2 com o Porto, 1 com o Benfica de Newark, entre 30 de Junho e 7 de Julho de 74.

 

Sem treinador, o Sporting procura-o no estrangeiro. Curiosamente, é uma lenda do Real Madrid o escolhido. Trata-se de Alfredo Di Stefano, a "sieta rúbia", um antigo jogador que está para o Real Madrid e sua correlação de forças com o Barcelona como Eusébio está para o Benfica na sua disputa pela primazia no futebol com o Sporting. Yazalde é quem estabelece o primeiro contacto e apresenta João Rocha a Don Alfredo. Ao longos dos poucos dias em que o argentino naturalizado espanhol está em Portugal são vistos a jantar no Gambrinus, a relação entre eles é muito boa. Tanto assim é que quando Rocha e Di Stefano se incompatibilizam, Yazalde tenta pôr água na fervura e sai em defesa do treinador. Dinis e Dé são os primeiros a não gostar dos métodos do treinador, a derrota em Faro (o Estádio Padinha estava interditado) com o Olhanense, para a primeira jornada do campenato, é a gota de água que faz transbordar o copo. Di Stefano, que nesse jogo nem vai para o banco, acaba demitido por entre a acusação presidencial de ser um "turista mal-educado". O facto de insolitamente ainda não ter o contrato assinado ajuda ao desenlace. Osvaldo Silva volta a assumir, mas apesar de 1 golo de Yazalde o Sporting acaba eliminado das provas europeias pelo Saint Étienne, na primeira eliminatória da Taça dos Campeões (Champions). 

 

Se as coisas não começam bem, tardam a endireitar-se. Apesar de um empate encorajador nas Antas, à quinta jornada a equipa tem apenas 1 vitória. O resto são empates (2) e derrotas (após Olhanense, o Sporting perde em casa com o Guimarães). O Sporting consegue então alinhavar 3 vitórias consecutivas perante Atlético, União de Tomar e Farense. São 11-2 em golos, Yazalde marca 8, com direito a póquer aos alcantarenses e dois bis, um no Nabão, outro na recepção aos algarvios. No total, já leva 10 golos no campeonato (+1 na Europa), a fúria goleadora mantém-se. Vai-se destacando também socialmente: anda sempre com os bolsos cheios de moedas para dar aos meninos que o esperam na Porta 10A, sorteia os carros que lhe oferecem entre os colegas, chega até a comprar de volta um auto-rádio que lhe haviam roubado, a todos vai tocando com a sua humanidade. Voltando ao futebol, as coisas voltam a complicar-se no campeonato. Primeiro é um empate no Estádio do Mar, depois outro, em casa, com a CUF, finalmente nova divisão de pontos em Marvila. Pelo meio, duas vitórias tangenciais contra Espinho e Boavista, este último agora treinado por Pedroto que terminara o seu excelente ciclo em Setúbal. A insatisfação é geral, de forma que a 22 de Dezembro, quando o Sporting se desloca à Luz, é já Fernando Riera que está no banco. Riera começara por se destacar como jogador, tendo actuado pelo Chile na World Cup 50 disputada no Brasil. Como treinador, incia-se no Belenenses e quase é campeão. É o tal campeonato do golo de Martins, nas Salésias, que acaba por dar o título ao Benfica. Depois orienta o Chile no Campeonato do Mundo de 62. Leva a sua selecção até às meias-finais, pela frente tem o Brasil. Quer dizer, o Brasil sem Pelé, que se havia lesionado no 2º jogo da fase de grupos. Mas, se não há Pelé, está lá Garrincha. O "anjo das pernas tortas" marca 2, Vavá outros dois e o Chile (derrota por 4-2) tem de se contentar com o 3º lugar (vitória sobre a Jugoslávia). É depois campeão 3 vezes pelo Benfica, a última já depois de despedido. E vai a uma final dos Campeões perdida para o Milan. Treina também o Porto, em 72/73. É, portanto, um treinador com cartel aquele que acaba de chegar. O embate na Luz termina empatado e renasce a esperança de um futuro melhor. Yazalde, como não podia deixar de ser, aponta o nosso golo, o seu 12º na competição. Confirmando a retoma, o Sporting vence o Belenenses em novo dérbi lisboeta e a 1ª volta termina com melhores auspícios. 

 

O Sporting entra forte na 2ª volta e vinga-se com uma cabazada ao Olhanense. São sete-a-zero e o Chirola faz uma "manita". De seguida, visita a Coimbra onde a Académica mudara de sexo, e nova vitória (3-1). Mais um para a conta de Yazalde. A recuperação é depois testada contra o Porto. A expectativa é grande e os leões mostram estar no bom caminho: triunfo por 2-1 com golo decisivo de Yazalde e tudo. Mas, em Guimarães há empate sem golos e a margem de erro reduz-se para zero. O Sporting consegue então a sua melhor sequência de vitórias nesse campeonato, alinhando 5 triunfos consecutivos. Yazalde marca por 6 vezes, quatro delas aos "bebés" de Matosinhos. Estamos a meio de Março e o Sporting tem uma saída difícil ao Bessa. Os boavisteiros já estão a sentir o efeito Pedroto e lutam com o Guimarães pelo quarto lugar. Têm muito bons jogadores, como Alves, Salvador, Celso ou Mário João. O jogo corre-nos mal (derrota por 2-0) e é o adeus definitivo ao título. Restam-nos 5 jogos, 1 deles com o Benfica (novo empate 1-1). Yazalde marca por 5 vezes e volta a ganhar a Bola de Ouro para o melhor marcador do campeonato. 

 

Os leões terminam o campeonato sob o signo do bronze. O Sporting é 3º e é ainda eliminado pelo Boavista no prolongamento das meias-finais da Taça. Pedroto a ser Pedroto e a aplicar dois xeque-mates aos leões. Yazalde acaba a época com uns muito bons 37 golos (34 jogos). No campeonato marca 30 (26 jogos) e ganha a Bota de Prata europeia da France Football. O romeno Georgescu (33 golos) é o vencedor, Geels, holandês do Ajax, e Onnis, também argentino do Mónaco, dividem com Yazalde o prémio. Infelizmente, há um outro alinhamento de bronze no horizonte: a situação em Portugal deteriora-se, João Rocha não consegue aguentar por mais tempo o seu avançado e vende-o por 11 mil contos ao Marselha. Do bronze no campeonato para o bronze ao sol da Riviera Francesa, Yazalde transfere-se para o Marselha. São 126 golos em 131 jogos, 104 golos em 104 jogos de campeonato. Para o substituir em Alvalade, Manuel Fernandes, proveniente da CUF, outro ídolo leonino.

 

Em Marselha, a vida não corre mal a Yazalde. Socialmente, convive com Alan Delon e Jean Paul Belmondo, astros do cinema francês. Também com Carlos Monzón, seu compatriota e campeão do mundo de pesos médios (boxe). Vive num apartamento de 300m2 com uma vista impressionante, 3 piscinas, 2 courts de ténis, numa hora está na praia em Saint-Tropez ou viaja até Aix-en-Provence. O Mónaco é também um dos seus destinos favoritos. Em França, Yazalde dá largas à sua joie-de-vivre. Desportivamente a primeira época é salva pela conquista da Taça de França. No campeonato o Marselha é 9º classificado devido a uma série final terrível de 6 derrotas em 7 jogos. O treinador é Jules Zvunka e a equipa não tem grandes valores, exceptuando Trésor (defesa) e Yazalde. Coincidência, ou talvez não, a queda do Marselha acontece quando Yazalde se lesiona e perde 6 dos últimos 7 jogos. Nos 10 primeiros jogos do Olympique, 10 golos de Yazalde. Business as usual!  Termina o campeonato com 19 golos em 30 jogos disputados (o campeonato tem 38) e é o 6º melhor marcador, o 1º entre os marselheses. Se é influente no campeonato, na Taça torna-se providencial. Marca 3 golos, um dos quais na meia-final contra o Nancy, de Michel Platini. Na final, é eleito o "L'Homme du Match". No total, a época para Yazalde fica-se pelos 22 golos. Nada mal, considerando o nível da equipa e a lesão. A segunda temporada corre-lhe pior. Começa a época e rapidamente se lesiona. Regressa á equipa e marca os dois golos que garantem uma vitória em Sochaux (2-1) mas já estamos na 9ª jornada do campeonato. De seguida, bisa de novo com o Lille e é o canto do cisne. Yazalde só faz 12 jogos na Ligue 1, a sua cabeça está na Argentina e na promessa que alegadamente Júlio Grondona lhe terá feito - Carmen afirma-o parentoriamente, mas, embora muito influente no meio (o que em parte o justifica), Grondona só será presidente da AFA a partir de 79 -  de que se regressasse à Argentina estaria entre os seleccionados para o Mundial de 78. É tempo de terminar a aventura europeia de Yazalde, a sua terra natal espera-o de volta. Destino: o Newell's Old Boys. 

(Amanhã - Sexta e última parte: Até sempre, Chirola!)

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23
Fev21

Foco!


Pedro Azevedo

Eu sei que há quem pense que bater 3(?) vezes na Madeira neste momento inibirá as forças da natureza de se manifestarem contra nós sob a forma de um mau-olhado, mas talvez não fosse má ideia deixarmos de alimentar gratuitamente a "besta" e concentrarmo-nos naquilo que depende exclusivamente de nós. É que Sábado, pelas 20h30, há um Dragão com que lutar a fim de começar a libertar o futebol português do sistemático jugo dual a que tem estado sujeito de há tantos anos a esta parte. E, se por acaso o nosso São Jorge faltar à chamada, será fundamental conter os danos e sobreviver para os outros importantes desafios que teremos num futuro próximo. Mantendo o foco nos nossos jogos e não tirando os olhos da bola. Jogo a jogo. Sempre!

23
Fev21

Jogar à bola sem bola


Pedro Azevedo

Vejo muitos treinadores adversários a esfregar as meninges de preocupados com a forma como o Sporting joga. Aparentemente, segundo eles nas suas alocoções públicas, não há relação directa entre o que a nossa equipa produz e os resultados, pelo que a explicação para a derrota é sempre o erro individual, a falta de eficácia ou o azar dos seus jogadores. Ora, eu penso que é extremamente fácil tipificar a forma como o Sporting joga. E de condicionar, também. Basta tamponar os médios ao centro e fechar nas alas. O Gil fez isso. Porém, na minha modesta opinião, o segredo não está na forma como o Sporting joga, mas sim na forma como o Sporting joga... sem bola. A forma como leva o adversário para certos terrenos que lhe são desfavoráveis e escolhe onde, quando e como pressionar. E as movimentações dos vários jogadores envolvidos no processo de recuperação de bola/preparação da transição ou ataque rápido. Por isso, o mérito desta equipa do Sporting vai muito para além daquilo que joga e está mais associado àquilo que os jogadores correm. Não correndo por correr, à toa, mas correndo bem, com um propósito. Encurtando espaços rapidamente quando sem bola e alargando o campo, procurando o espaço, sempre que a bola é conquistada, o que exige sucessivos sprints e óptima condição física. E quando finalmente em posse ou ataque organizado, sabendo interpretar melhor do que os outros o seguinte princípio que tem previamente interiorizado: não é o jogador que tem a bola que determina o passe, mas sim aqueles que se desmarcam constantemente e oferecem linhas por onde a bola pode chegar. Não são princípios intangíveis, o que é difícil é ter jogadores com a disponibilidade para o jogo como aqueles que Rúben Amorim soube escolher. O mérito deve ser dado a quem o tem, nomeadamente a quem tem sabido traduzir complexidade em simplicidade. É que pode até parecer fácil, mas há muito trabalho por detrás deste Sporting versão 2020/21. 

PS: Se eu tiver pela frente um lateral direito com a bola nos pés e dificuldade em usar o pé esquerdo, vou dar-lhe o lado de dentro ou o de fora? Obviamente, atraio-o para dentro, pressionando-o a usar o pé menos bom de forma a perder a bola com um passe menos certeiro. É só um exemplo da complexidade de riqueza de soluções quando não temos a bola. É que muitas vezes a forma mais rápida de criar oportunidades de golo é entregar a bola ao adversário. Lá está, onde uns podem ver o início de um problema, outros estarão preparados para que seja uma solução.  

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22
Fev21

A Vida de "Chirola" Yazalde

Parte IV - Glória


Pedro Azevedo

Casado de fresco, Yazalde apresenta-se em Alvalade com estabilidade e motivação adicionais para a temporada de 73/74. Mário Lino, vencedor da Taça de Portugal, vê renovada a confiança em si e continua como treinador principal. Ao contrário das duas épocas anteriores, que começaram muito bem, o Sporting perde o primeiro jogo do campeonato. O adversário é o Vitória de Setúbal, que com José Maria Pedroto volta a ameaçar discutir o título. Uma derrota é sempre uma derrota, mas esta, tendo ocorrido no Bonfim, acaba por ser o presságio do que está para vir. Nem de propósito, Benfica e Porto perdem, respectivamente, no Bessa e em Belém. O Sporting inicia então uma sequência de 7 jogos consecutivos a vencer. E não são vitórias quaisquer, os leões marcam 31 golos e sofrem apenas 2: Boavista, Leixões, Farense e CUF levam "chapa 3", o Belenenses 4, o Oriental 7 e o Montijo é vergado em Alvalade com 8 golos sem resposta. Yazalde marca em todos esses jogos. No somatório, são 19(!) golos do "Chirola", meia-dúzia contra os montijenses, um póquer face ao Oriental. Segue-se um jogo nas Antas, o único que Yazalde não disputa nesse campeonato. Chico Faria faz de "Chirola" e o Sporting sai do Porto com um empate. Os leões estão definitivamente na corrida pelo título. 

 

A paragem não parece ter feito bem a Yazalde, que nos próximos dois jogos fica em branco. Um deles é na Luz, onde o Sporting perde por 2-0. Porém, rapidamente retoma a sua cadência goleadora: o Sporting vence os 4 jogos que faltam para completar a primeira volta e "Chirola" faz abanar as redes mais 8 vezes. A meio do campeonato, o Sporting lidera a classificação e Yazalde leva 27 golos(!), ficando em branco em apenas 4 jogos (1 ausente). 

 

No início da segunda volta, o Sporting vInga-se da derrota sofrida em Setúbal. Dois-a-um é o resultado e Yazalde marca o golo decisivo. O Chirola fica em branco no Bessa e o Sporting não vence um Boavista que continua a progredir. Estabelece-se então de novo um proporção directa entre os golos de Yazalde e a sina do Sporting: marca ao Leixões e ganhamos, não marca em Belém e o Sporting perde. Como consequência, Benfica e Vitória de Setúbal aproximam-se de novo com perigo. A resposta é concludente: o Sporting vence o Oriental por 8-0 com 5 golos do Chirola. Na baliza dos marvilistas estava Carlos Alberto Azevedo Cunha, Azevedo para o mundo do futebol, meu homónimo, sem parentesco conhecido com o grande João Azevedo (o Gato de Frankfurt e histórico guarda-redes do tempo dos 5 Violinos). A vitória é o prelúdio para uma sequência de 6 triunfos consecutivos e um score de 23-1 em golos. Yazalde divide as coisas: marca 5 ao Oriental, outros 5 nos restantes jogos. Pelo meio, o Sporting vence o Porto, em Alvalade, por 2-0. Nesse dia Yazalde fica de jejum, é o "Brinca n'areia" (Dinis) que bisa. Na 26ª jornada, o Sporting perde em casa com o Benfica por 3-5. Yazalde bisa, o primeiro memorável, com um salto de peixe que não foi do agrado de Zé Gato. Resultado: o guarda-redes encarnado sai ao intervalo e é substituído por Bento, um render da guarda. O jogo é a 31 de Março e Marcello Caetano está na tribuna. Recebe aí a sua última grande ovação (entre alguns apupos), a revolução está a chegar. Com a derrota, o campeonato fica tremido e a 4 dias do 25 de Abril a coisa piora com um empate em Aveiro. Há só agora 1 ponto a separar-nos de Benfica e 2 do Setúbal, é imprescindível ganharmos os 3 jogos que faltam para sermos campeões. 

 

O Sporting apanha a Revolução no regresso da RDA. Umas meias-finais da Taça dos Vencedores de Taças que terminam de forma totalmente desafortunada com um falhanço de baliza aberta de Tomé, que de outro modo nos teria conduzido à final. Cá o fado já havia sido semelhante: penálti falhado por Dinis, auto-golo de Manaca (sim, o infortúnio não lhe aconteceu só em Guimarães) e golo solitário de Chico. Feitas as contas, 1-1 em casa e 1-2 na Alemanha, o Sporting é eliminado pelo Magdeburgo. Yazalde, lesionado com uma micro-rotura, não joga nenhum dos encontros, os alemães de leste aproveitam e acabam por ganhar o troféu após vitória na final sobre o Milão. 

 

Se bem que não totalmente recuperado, Yazalde acede a jogar os 3 jogos decisivos para o campeonato. Primeiro, o Sporting vence em Coimbra os "estudantes" (3-1) e o Chirola faz 1 golo. A seguir, recepção ao Olhanense e uma goleada por 5-0 com 2 de Yazalde. É chegado então o dia do tudo ou nada. O Sporting tem apenas 1 ponto de avanço sobre o Benfica e estes têm vantagem no desempate directo. Desloca-se ao Barreiro, mais concretamente ao Campo D. Manuel de Mello, a fim de defrontar o Barreirense. Paralelamente, o Benfica vai a Setúbal. O Vitória está já afastado do título, a 3 pontos do Sporting. Pelo sim, pelo não, os adeptos Sportinguistas que vão ao Barreiro levam uma telefonia consigo, os jogos são para acompanhar com os olhos num lado e os ouvidos noutro. O Benfica está a vencer durante a maior parte do tempo, aumenta a ansiedade. Até que, em cima do intervalo, Baltazar adianta o Sporting no marcador. No fim, o Benfica empata (2-2), mas nem seria preciso porque o Sporting cumpre a sua obrigação, vence por 3-0, e sagra-se campeão nacional. É também o melhor ataque (96 golos) e a melhor defesa (21) do campeonato, uma limpeza! Yazalde marca o seu 46º no campeonato (média de 1,59 por jogo, semelhante aos números que marcaram a carreira de Peyroteo). No total, são 50 (35 jogos), contando com os 4 na Taça das Taças. [Por curiosidade e para avivar a memória de jogadores de um outro tempo, aqui ficam os melhores marcadores desse campeonato: 1º Yazalde, 46 golos; 2º Duda (Setúbal), 24; 3º Eusébio (Benfica), 16; 4º Jordão (Benfica), 15, 5º Abel (Porto), 15; 6º José Torres (Setúbal), 14; 7º Alemão (Beira Mar), 14; 8º Arnaldo (CUF), 13; 9º Paco Gonzalez (Belenenses), 13; 10º Ademir (Olhanense), 12; 11º Mirobaldo (Farense), 12; 12º Marco Aurélio (Porto), 11; 13º Vala (Académica), 11; 14º Nelson (Sporting), 11; 15º Custódio Pinto (Guimarães), 11; 16º Tito (Guimarães), 11; 17º Móia (Oriental), 10.]

 

Há ainda uma Taça de Portugal por disputar, mas Yazalde não estará disponível, ausente na Alemanha a tentar recuperar para o Campeonato do Mundo. Aliás, não fará qualquer um dos 5 jogos da competição e assim falhará a gloriosa final contra o Benfica, que parecia perdida, é salva por um golo tardio de Chico e finalmente vencida por outro de Marinho já no prolongamento. 

 

O Sporting faz a dobradinha e Yazalde recupera a tempo do Mundial de 74. A campanha da Argentina não é famosa, eliminada na 2ª fase, mas o Chirola (nº 22) ainda marca dois golos ao Haiti. Entretanto, escrutinados todos os golos dos campeonatos europeus, Yazalde é o melhor marcador da Europa. E no Lido de Paris recebe a Bota de Ouro perante um Franz Beckenbauer que lhe diz ter a mulher mais bonita de todas as mulheres de jogadores de futebol. O segundo classificado é o austríaco Krankl (Rapid de Viena, mais tarde estrela do Barcelona), os terceiros, ex-aequo, são o também argentino Carlos Bianchi (jogador e futuro treinador de sucesso) e os alemães Jupp Heynckes (Borussia M'Gladbach) e Gerd Muller (o "Bomber", do Bayern de Munique). Que quinteto! Termina assim da melhor maneira uma temporada de glória. Para Yazalde e para o Sporting. 

(Amanhã: Sob o signo do bronze)

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