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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

30
Abr22

Tudo ao molho e fé em Deus

Xeque-mate


Pedro Azevedo

Eu ainda sou do tempo em que ir ao Bessa era mais ou menos como tentar atravessar o Cabo das Tormentas. Como consequência, invariavelmente acabávamos naufragados, excepto naquele ano em que o Sousa Cintra apresentou o "novo Eusébio", o Careca, o jogador com os apodos mais enganadores de que tenho memória, por não ser nenhum Pantera Negra nem sofrer de alopécia. Nessa temporada triunfámos por 3-0, exactamente o mesmo resultado com que os brindámos aqui há uns dias atrás. E com toda a naturalidade do mundo, diga-se, que por defeitos que queiram meter no Ruben Amorim - quem não os tem, eu também os aponto -, a grande verdade é que com ele passou a ser natural o Sporting vencer em qualquer relvado do território nacional. É verdade, e por isso é importante que ninguém se esqueça de tomar o Memofante. A não ser que se queira mudar tudo outra vez, correndo-se o risco de se ficar com umas trombas do tamanho de um elefante. Não, tal não seria prudente, diria até que seria suicidário, pelo que longos anos mantenham o Ruben Amorim, o da Boa Esperança, entre nós. Quem provavelmente não teremos no futuro é o Matheus Nunes, o eleito do Guardiola. Eu tenho pena, e lamento o que vejo escrito por aí. É que o Matheus não é um jogador qualquer, e no Bessa até desbloqueou o marcador. Com classe, tal como contra a Turquia. Infelizmente, o Matheus é um mal amado para uma certa estirpe de adeptos. Mas é um craque. E abriu o activo no Bessa, com classe. Sem ponta de lança, caçámos com o que havia mais à mão. Mobilidade e tal, estão a ver... Não houve Paulinho a servir de pivô nem. tão pouco Slimani à procura da profundidade, mas sem ponta de lança goleámos o Boavista. Um xeque-mate no reduto do xadrez, é bom de ver. Com rei (Amorim) e rock, está claro. 

Tenor " Tudo ao molho...": Edwards 

23
Abr22

Tudo ao molho e fé em Deus

À espera de São Jorge


Pedro Azevedo

Na vida, o timing das coisas é essencial. Para ser perfeito, não convém que a acção se desenrole cedo ou tarde demais. Se uma declaração de amor a uma mulher entretanto já comprometida pode enquadrar-se num exemplo de uma acção tardia, a visita do Sporting ao Porto deve ser considerada no lote das acções prematuras. E porquê? Porque ir ao Dragão nunca poderia ter ocorrido na Quinta-feira, dia 21 de Abril, mas sim hoje, Sábado, dia 23 de Abril, uma data em que se comemora São Jorge, o cavaleiro proveniente da Capadócia que com sucesso enfrentou e venceu o Dragão. Não, não tivemos Jorge e do plantel quem mais perto havia estado dessa região da Anatólia chama-se Slimani (Istambul/Fenerbahçe), que nem ao banco foi, o que não foi nada "católico" por revelar um comportamento do jogador desadequado com o espírito de grupo sempre tão louvado na época passada. Não houve Slimani, mas houve o habitual Paulinho, que nem cócegas fez ao Dragão. Sobre o Paulinho já muito se falou do seu compromisso defensivo, de como recua para organizar e ligar o jogo, blá, blá, blá... Sobre ser um Matador é que nada, e por isso o Dragão esteve sempre descansado. Acresce que o Paulinho que liga o jogo colide com os terrenos que Pote na época passada tornou férteis, prejudicando a acção deste. E, de certa forma, sobrepõe-se até ao espaço antigamente usado por Matheus Nunes para cavalgar a galope. Matheus que agora recebe de lado e sobre a esquerda, e não de costas e ao centro. Só que o luso-brasileiro tinha tanta facilidade em receber de costas que com uma simulação tirava logo um ou dois adversários do caminho, derrubando assim a usual superioridade dos adversários nessa zona nevrálgica do campo. Criando logo ali um bom ponto de partida para dinamitar a linha de defesa adversária. Agora não, é outro tipo de jogador, limitando-se muitas vezes a atrair adversários, que se empilham à sua volta, para tentar libertar alguém. Não é a mesma coisa, e o Sporting ressente-se disso. Como se ressente de não haver quem explore a profundidade como o TT e o Sporar faziam. Não teria sido melhor termos contratado alguém com essas características, de preferência com bastante mais técnica do que esses dois? Bom, o Slimani até acelera nas rectas e melhorou a sua técnica e tudo, mas esta coisa de o Paulinho ter lugar cativo deve ter-lhe rebentado com os fusíveis. E sem sinapses, fez asneira. Curioso porém é verificar que a única vez em que foi titular sem Paulinho até bisou, aliás os únicos golos leoninos nessa partida. Enfim, a crónica já vai longa, mas só para terminar gostaria de expressar o desejo de que no futuro próximo não cheguemos tarde. À Europa. Pode ser? 

07
Abr22

Lusos goleadores na Europa


Pedro Azevedo

Os 4 principais campeonatos europeus têm como denominador comum haver jogadores portugueses entre os seus 10 melhores marcadores. Começando pela Bundesliga, o campeonato alemão, André Silva, do Red Bull Leipzig, ocupa o nono lugar com 10 golos. Seguidamente, na La Liga, o campeonato espanhol, Gonçalo Guedes, do Valência, está no oitavo lugar com 11 concretizações (João Félix é o décimo quinto, com 8 tentos). Já na Premier League, o campeonato inglês, existem dois lusos no "Top Ten": Diogo Jota é o segundo melhor marcador da competição, com 14 golos, e Cristiano Ronaldo o quarto, com 12 golos (Bruno Fernandes é décimo terceiro, com 9 golos). Finalmente, na Serie A, o campeonato italiano, Beto, um jogador que tal como Pauleta escapou ao crivo dos 3 grandes, ocupa o nono lugar, com 11 golos. Tantos portugueses entre os melhores goleadores dos principais campeonatos europeus não é habitual, razão mais do que suficiente para aqui ser dado o devido destaque a esse facto. Paradoxalmente, na nossa Primeira Liga temos apenas dois jogadores lusos entre os 10 melhores marcadores. São eles Ricardo Horta (segundo classificado), do Braga, com 15 golos, e Paulinho (sétimo colocado), do nosso Sporting. Mostrando assim que santos da casa não fazem milagres. 

05
Abr22

Tudo ao molho e fé em Deus

A pele de Ugarte contra os Castores


Pedro Azevedo

Jogar de cadeirinha com um assento de Palhinha quando à volta há muitos castores tem tudo para dar mau resultado. A não ser que os roedores decidam "não mexer uma palha", o que anteontem não foi de todo o caso, ou que se mude o tampo (tampão?) para pele de Ugarte, uma espécie uruguaia verdadeiramente predadora de castores. Foi quanto bastou para que o Sporting levasse de vencida a equipa que viajou da Capital do Móvel, porque até aí a exibição leonina esteve muito longe de um cenário das mil e uma noitas, por muito que Paulinho tenha procurado ao máximo emular o persa Taremi enquanto estendia o tapete ao VAR de serviço. No fim, ganhámos como quase sempre. Depois de batermos 3 vezes na madeira. Os postes aparentemente resistiram, ou não fossem de Paços de Ferreira. Já quanto ao Ugarte... ninguém resiste. Nem o mercado, temo. 

Tenor "Tudo ao molho...": Nuno Santos, pela regularidade a alto nível durante todo o tempo, e Ugarte, por ter mudado a face do jogo. 

30
Mar22

Tudo ao molho e fé em Deus

Macedónia sem Norte


Pedro Azevedo

Ao princípio eles queriam ser só Macedónia, orgulhosamente assim evocando os tempos de glória de Alexandre, O Grande. Mas os gregos vetaram e sugeriram que fossem à procura do Norte. Como a história muitas vezes se recria, voltaram agora desejosos de emular de novo a Grécia antiga, desta vez a do não assim tão longínquo ano de 2004, que contra todas as previsões fez furor nesse Europeu. Para tal deixaram pelo caminho a nóvel campeã europeia, a Itália, de Garibaldi, herdeira de um Império Romano que, curiosamente, teve a Macedónia como sub-divisão administrativa, depois de já terem causado um escândalo ao imporem a terceira derrota em casa - a primeira foi sonhada por Torres e concretizada nos pés de Carlos Manuel em Estugarda - da história à tetra-campeã mundial Alemanha, em jogos a contar para a qualificação de campeonatos do mundo de futebol. E assim vieram até Portugal, desejosos de voltarem a surpreender. Só que do outro lado encontraram uns lusos hesitantes e que não assumiram o ataque relâmpago. Incrédulos, os macedónios (do norte) viram-se em zonas do terreno habitualmente por si inexploradas. E tomaram-lhe o gosto, vivenciando um inusitado conforto com bola. Afinal, foi só uma ilusão, e o surpreendente acabou surpreendido. Bastaram para tal dois contra-ataques fulminantes que permitiram um igual número de pontapés certeiros de Bruno Fernandes. Isso, bem como uma exibição imaculada de Pepe, o General, imperial em todas as suas acções. No fim, os portugueses celebraram Fernando, o Grande (O Único, a nível de selecções nacionais). E ainda há quem diga que Santos da casa não fazem milagres... (Se bem que milagre, milagre era estas gerações de grandes jogadores que confluíram aqui ficarem fora deste Mundial, o quinto de Cristiano Ronaldo.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pepe. Menção honrosa para Bruno Fernandes pelos golos (melhorou a sua exibição no segundo tempo)

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25
Mar22

Tudo ao molho e fé em Deus

Valeu o último terço... do campo


Pedro Azevedo

"Matheus, jogas muito pá!!!!!!!" - ele (Porro, nas redes sociais) sabe-o, eu também por aqui, embora uma leitura rápida do que se escreve por aí até faça crer que o luso-brasileiro não tem compromisso com o jogo e que o Guardiola não percebe nada disto. O jogo estava a pedir o Matheus desde o 2-0, mas Fernando Santos hesitou, hesitou, correndo o risco de ficar fora do Mundial. Ideal para as transições que a necessidade turca de chegar ao empate iriam originar, Matheus finalmente foi a campo nos minutos finais. E matou o jogo com uma recepção de bola de grande classe e um remate efectuado com a frieza de um matador. Antes, desmarcara-se como um Mustang pelo centro do terreno e não pela meia esquerda onde vem actuando no Sporting, beneficiando ainda de um meio campo a 3 que lhe permite sempre o resguardo de 2 homens nas suas costas. É isso que ultimamente a análise dos sábios às suas prestações no Sporting muitas vezes descura: num meio campo a 2, Matheus não arrisca tanto na frente porque precisa cuidar do seu posicionamento para reagir ao momento da perda da bola numa equipa que joga quase sempre em inferioridade numérica nessa zona nevrálgica do relvado.  Isto é que o condiciona, e não qualquer coisa que tenha subido à cabeça de um miúdo que aliás sempre deu mostras de ser humilde, atitude que lhe permitiu subir das profundezas das divisões distritais para a Selecção Nacional em apenas 3 anos. (Não é a toa que a exibição mais marcante do luso-brasileiro tenha ocorrido contra um Benfica que no tempo de JJ também jogava com apenas dois médios centrais, o que deu azo a que Matheus tenha tido oportunidade de jogar e arrasar no 1x1 contra Weigl inúmeras vezes.)

 

Apesar de tanta hesitação, as santas e os santinhos estão com o Engenheiro. É pelo menos uma explicação possível para os factos de o penálti falhado pelos otomanos ter evitado um banho turco ou os campeões da Europa terem ficado inesperadamente pelo caminho contra uma Macedónia à procura da glória perdida dos tempos de Alexandre Magno. Curiosamente, para combater os macedónios aos italianos terá faltado alguém também com nome de imperador, um Otávio, decisivo na vitória lusa de ontem à noite. Assim, nem foi preciso o Ronaldo de sempre, ontem particularmente inspirado na ligação de jogo a um só toque mas menos bem na finalização, substituído como matador por Jota, a moto de alta cilindrada que desestabilizou a organização turca. O sofrimento final é que não era de todo necessário, mas o futebol tem destes sortilégios e quando Fonte se juntou a Guerreiro, Danilo e Dalot, que tinham perdido bolas no primeiro terço durante a primeira parte, e fez uma falta desnecessária dentro da grande-área abriu o bar (ou VAR) para a entrada turca no jogo. Valeu-nos então a desinspiração do Yilmaz perante um Diogo Costa que revelou grande personalidade e bom jogo de pés, numa altura em que o Fernando Santos já estava envolto em banho-Maria, indeciso e à espera que Nossa Senhora o ouvisse no terço. Mas isso são contas de outro rosário, que no fim o Engenheiro até trocou o terço pelo cigarro em pleno relvado tal eram os nervos expostos naqueles já seus usuais tiques que abundantemente mostrou nos minutos finais da querela. 

 

Venha a Macedónia! E depois o Qatar. Se tudo correr bem, o Engenheiro fica. Para ganhar o Mundial? Se Nossa Senhora assim o quiser. É que um Rosário são 3 Terços, tantos quantos os que dividem estrategicamente um campo de futebol. Haja fé! Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é conVosco...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Otávio

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21
Mar22

Tudo ao molho e fé em Deus

Reviver o passado no Condado Portucalense


Pedro Azevedo

Ir ao Afonso Henriques ver o Sporting é tarefa que requer um kit medieval de protecção pessoal e uma fleuma britânica (por oposição à ira "brutânica" que se vai encontrar) a condizer. Os preparativos para tão grande empreendimento deixam qualquer um exaurido, envolvendo indispensáveis decisões sobre a elasticidade da malha de ferro que se irá utilizar para proteger o corpo, tipo de armadura e escudo de defesa contra pedras e/ou cadeiras, além da complexa escolha entre Prozac, Lexotan, Xanax ou Valium como garantia de imunidade e total impassibilidade perante as circunstâncias. Há ainda que pensar num Plano B que obrigue à tão indesejável acção como último recurso de sobrevivência pessoal, o que conduz ao extenuante esforço de esfregar as meninges à procura de soluções do tipo de como fazer passar uma espada, de 5 kg (semelhante à usada pelo Fundador), de lâmina bem afiada pela segurança das instalações com a mesma facilidade com que se de um petardo de tratasse. Provavelmente devido a todo o desgaste físico e emocional prévio à deslocação, só lá fui por duas vezes na minha vida. A primeira, o meu baptismo de fogo, ocorreu em 80, era eu um menino. Levado pelo meu querido Pai, viajei no Combóio Verde rumo ao título nacional.  A segunda deu-se em 87, na jornada a seguir aos célebres 7-1 com que desasámos as águias em Alvalade. Dessa vez fui de véspera, num combóio regular, com pernoita antecipada no Porto para visitar família e amigos de infância. Recordo-me que nos fizeram a cama, perdão, N'Kama, e tudo. N'Kama (golo de meio campo), mas também N'Dinga, Basaúla, Roldão, Basílio, Miguel e as estrelas Ademir e Paulinho Cascavel, este último que viria a ser nosso mais tarde. E um guarda-redes pequenino e muito elástico que dava pelo nome de Jesus. Com o Marinho Peres no banco e o Autuori como adjunto, e o Veiga Trigo como o circunstancial reforço dessa tarde invernosa que fez vista grossa a um penálti do tamanho do Castelo de Guimarães sobre o Silvinho que nos daria o momentâneo 2-0 (acabámos por perder por 1-3). Nunca tinha pensado maduramente no assunto, mas anteontem dei-me conta de que esta associação das deslocações a Guimarães a combóios era tudo menos inocente. Pelo menos a avaliar pelo facto de que sem o Alfa (Semedo) dificilmente teríamos saído de lá com a vitória. Foi no que deu ser pendular, ainda que para tal tenha tido de usar os braços como equilíbrio para se manter na linha. Mas a surpresa da noite consistiu na constatação de que afinal há um André Almeida que joga à bola e não à canela, o que num cenário bélico não deixou de ser reconfortante. Pelo menos enquanto houve jogo, até porque às tantas o zelo em excesso do Veríssimo levou à expulsão de tantos treinadores e adjuntos do Vitória que eu penso que o massagista assumiu o controlo da equipa. Deve ter sido isso mesmo, porque a partir daí os vimaranenses só conseguiram fazer cócegas e massajar o ego aos nossos jogadores. E num reflexo o Edwards matou o jogo. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pedro Gonçalves ("Pote"). Quando Amorim compreendeu que ao ponta de lança faltava apoio frontal, mais do que lateral, o jogo mudou de cara. Excelente exibição também de Adán. E o Paulinho marcou o golo da reviravolta, de Letra (C), ainda que para tal primeiro tenha tido de desperdiçar as oportunidades de letras A e B só com o guarda-redes pela frente.

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15
Mar22

Tudo ao molho e fé em Deus

Slimani contra a seca... de golos


Pedro Azevedo

O erro faz parte do futebol. Quer dizer, à partida o erro deveria fazer parte do futebol. Só que por vezes o erro é mitigado por acção de terceiros. Foi o que aconteceu ontem em Moreira de Cónegos quando um Pinheiro se confundiu com um eucalipto e quase secava tudo à sua volta. A coisa começou quando um defensor moreirense desafiou todos os cânones do bem jogar e, vindo de fora para dentro da sua pequena área, despachou a bola rasteira para a zona central. Por milagre, Edwards, posicionado à entrada da grande área, não captou logo a bola, mas um segundo jogador do Sporting conseguiu-o e avançou com perigo. Subitamente, ouviu-se um silvo. Era o Pinheiro a descascar uma "falta" de Slimani sobre o tal trôpego defensor. Revistas as imagens, o Slimani levou com um pontapé no joelho, consequência reflexiva do alçar de perna do moreirense no momento do chuto. Não sei que regra do International Board o Pinheiro terá rotulado (o joelho e tal...), mas até acho que neste estado de coisas foi uma sorte o argelino não ter levado um cartão amarelo. Sorte que, por exemplo, o Ugarte pouco tempo depois não teve quando numa disputa de bola encostou o seu ombro no ombro de um adversário, o que está bom de ver logo mereceu uma punição disciplinar ao pobre do uruguaio. Punido foi também o Edwards, culpado por reagir a uma falta nítida não assinalada sobre si. E, por falar em nitidez de faltas, o Pinheiro lá viu o Pablo a destruir uma arrancada promissora do Matheus Nunes. O (segundo) amarelo e consequente expulsão é que ficou para um outro dia. Posto isto, o Pinheiro é uma exportação nacional, um internacional com insígnias e tudo. E é também uma comédia, um nonsense que o Flying Circus itinerante de Fontelas Gomes promove pelo mundo. Pena é não ficar por lá, pelo menos a atestar pela sua ausência de uniformidade de critério técnico e pelos 20 cartões amarelos já exibidos a jogadores do Sporting em apenas 4 jogos por si apitados. 

 

O que valeu ao Sporting foi ter um ponta de lança, essa figura que no Sporting já se julgava ser uma lenda da mitologia do mundo da bola. Até que (res)surgiu o Slimani no clube e afinal chegámos à conclusão que um ponta de lança até dá jeito. É o que se conclui quando um jogador recém-chegado contribui com 4 dos últimos 5 golos da equipa. E de todas as maneiras e feitios: 2 de cabeça, 1 com o pé esquerdo, outro com o direito. Não deixando de combinar bem com a equipa, apesar de não ter a técnica mais apurada do avançado centro Paulinho. Dando, porém, outras coisas ao nosso jogo. Como a profundidade ou a capacidade de luta, que o homem mesmo nos seus 33 anos, continua rápido e resistente como um daqueles ases quenianos da dupla-légua. Além disso, a sua actual excelente forma parece ter espicaçado o seu colega Paulinho, ontem autor do outro golo após um belo bailado que envolveu Edwards e Porro. Tudo boas notícias, portanto, razão mais do que o suficiente para eu não querer dar muito relevo àquela segunda parte enfadonha que mais uma vez me fez invocar aquela frase do Bobby Robson em que este afirmava que ao Sporting faltava "killer instinct". (E quando assim é ficamos mais expostos ao "killer instinct" de outros.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Islam Slimani. Completam o pódio o Edwards e o Porro. 

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10
Mar22

Tudo ao molho e fé em Deus

Citizens vs Partisans


Pedro Azevedo

No futebol, quando a equipa teoricamente mais fraca traça um plano de jogo realista a diferença entre as forças tende a esbater-se. Foi o que aconteceu ontem no Etihad, onde os poderosos Citizens foram travados pelos resistentes Partisans. Definindo a zona de pressão em cima da linha de meio campo, e não à saída da grande área adversária como na primeira mão, os leões conseguiram evitar que o City tivesse os habituais latifúndios por onde jogar entre-linhas. Todavia, durante todo o primeiro tempo os leões apenas conseguiram condicionar onde e como o City jogava, nunca criando constrangimentos defensivos ao seu adversário. As acções sucessivas de sabotagem das linhas do opositor estiveram guardadas para a segunda parte, com Marcus Edwards como o elemento da resistência que pôs em constante sobressalto o último reduto dos ingleses, obrigando o City a reorganizar-se e a não sair já com tantos homens para o ataque. Paulinho teve então a melhor oportunidade de golo de todo o jogo, mas a bola embateu no muro chamado Scott Carson, o veterano guarda-redes que substituíra pouco tempo antes o titularíssimo Ederson. Em conclusão, Ruben Amorim mostrou ter aprendido a lição da primeira mão e a equipa cresceu e deu uma outra imagem de si. Porque há ainda um longo caminho a percorrer até poder enfrentar olhos nos olhos um adversário deste calibre. E, sendo assim, mais vale não ter mais olhos que barriga. (Principalmente quando do outro lado está um "Citizen Kane" catalão que tem o mundo dos petrodólares a seus pés.)

Tenor "Tudo ao molho...": Edwards. Menções honrosas para Neto e Slimani.

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06
Mar22

Tudo ao molho e fé em Deus

A Vida Natural e a unanimidade de Slimani


Pedro Azevedo

David Attenborough orienta o seu cameraman para captar a acção de um mamífero da família dos Pepus Sanguíneus. Nesse preciso momento, o predador ataca um Casquero em plena savana. Usando as suas patas posteriores, primeiro pontapeia-o, depois, com este já imobilizado no chão, pisa-o barbaramente ao longo da coluna vertebral, finalizando a sua acção com um golpe desferido pelas suas patas anteriores na nuca da presa. É um episódio fulcral da galardoado série "Life in Cold Blood" do consagrado realizador britânico, estrela do canal televisivo BBC. Anos mais tarde, Sir David regressa à savana de Castela, mas o Pepus Sanguínius já migrou para Norte. Incansável, segue o seu trilho até o encontrar. E descobre-o, constatando uma notável evolução da espécie. É que o Pepus é agora um animal domesticado cujas incursões no solo substituíram a imobilização das presas pela captura de bolas de golfe. Um verdadeiro "menino do coro". Nómada, o Pepus por vezes migra até ao sul. E a sua última aparição pública dá-se na pretérita quarta-feira em Alvalade. Simultaneamente nostálgico e entusiasmado, Sir David não resiste e interroga: ficaremos felizes em supor que os nossos netos nunca conseguirão ver um Pepus, excepto no Clube Estela ou em vídeos evocativos do comportamento do Homem de Neandertal? Surpreendentemente, ou talvez não, os avós Sportinguistas respondem que sim...

 

Bom, mas isto foi na quarta-feira. Como a vida não é só história natural, no Sábado o Sporting recebeu o Arouca em mais uma jornada da Primeira Liga, competição outrora também designada por Lampionato e que nos dias de hoje pretende glorificar uma espécie mitológica a que se dá o nome de Dragão (o nosso Campeonato é em si próprio uma figura da mitologia contemporânea). Foi dia de eleições em Alvalade e o mínimo que se pode dizer é que Islam Slimani - os futebolistas quando passam a dirigentes ganham sempre mais um nome - recolheu a unanimidade. Primeiro com cabeça, depois com os membros inferiores (a ausência de partes do corpo humano faz habitualmente a retórica do discurso dos presidentes do clube), Slimani conquistou definitivamente a exigente massa associativa leonina. Mostrando que não só os ponta de lança marcam golos (ah, espera...). Já agora, dizem-me que o Matheus Nunes jogou qualquer coisita, mas ainda não consegui confirmá-lo nas minhas leituras habituais. Será que estão com a cabeça no lugar? Ah, e o Essugo estreou-se a titular aos 16 anos. Uma história natural para os jovens enquanto Amorim estiver ao leme. Das boas, não é Sir David? 

03
Mar22

Tudo ao molho e fé em Deus

Haja fé no Amorinismo!


Pedro Azevedo

Há fenómenos que por contrariarem as leis naturais que regem o cotidiano não se enquadram à luz dos conhecimentos existentes. Foi o caso do título nacional conquistado pelo Sporting em 2021, 19 anos depois do último campeonato ganho e 68 anos após o derradeiro triunfo em ano ímpar na principal competição nacional. Carecendo de explicação científica, estes fenómenos tendem a enquadrar-se no sobrenatural. Aparece assim a expressão milagre, geralmente associada pelos teístas a Deus. Acreditando que Deus teria ligeiramente mais do que se preocupar do que com o mundo do ludopédio, tal como no caso dos antigos gregos ou romanos a essa omnipotência divina ter-se-ia de atribuir um deus dessa religião pagã que atrai tantas fiéis em comunhão que se convencionou designar por Futebol. E assim aconteceu, sendo que para os Sportinguistas essa divindade ganhou o nome de Rúben Amorim, que se consagrou após ter vencido os fariseus das sinagogas da bola e interrompido a actividade dos vendilhões do templo na contratação de jogadores. Nasceu assim o Amorinismo. Expandindo-se por todo o mundo Sportinguista (e não só), o Amorinismo foi conquistando um sem número de fiéis, atraindo inclusivé os agora descrentes do profeta (Jorge) Jesus caído em desgraça e algumas testemunhas de Janelá, aquele que inspirava as "escrituras" (e o comportamento padrão em programas televisivos).

 

Não é que esta época a fé no Amorinismo esteja em crise, mas já há quem diga que o deus Amorim é afinal um homem como nós. Eu não creio que o seja. Todavia, é preciso não esconder que começou a caça a alguns dos seus profetas, nomeadamente ao Pedro (Gonçalves) e ao Matheus (Nunes). E se o primeiro desta vez passou incólume devido a ausência, o segundo voltou a ser contestado pela turba revoltada que inconscientemente alinha nesta carneirada orquestrada pelos Pep Rápidos da má língua do costume que não perdoam não terem sido capazes de o valorizar atempadamente. Quer dizer, o homem passou a primeira parte a evangelizar, estando no cerne das 3 melhores acções leoninas nesse período (em duas delas chegando lá após sprints de 50 metros), combinou com Porro e condicionou a acção dos portistas no nosso maior momento de celebração e comunhão, e é agora contestado desta forma apenas porque em inferioridade numérica clara nem sempre conseguiu passar a sua mensagem? Valha-nos Deus, ou valha-nos o deus Amorim! A mim, sinceramente, o que me preocupa são os 3 que vão à frente, que não deram uma para a caixa. Quer dizer, na verdade o Sarabia até deu uma, uma só(!), para a caixa, mas os outros foram uma completa nulidade. O mesmo se aplicando ao Edwards. E nenhum conjunto se aguenta homogéneo e articulado quando há quem não dê continuidade às suas acções e assim exponha o grupo à contestação. 

 

Há ainda que considerar os erros. Houve muito poucos erros na época passada. Mas esta temporada as distrações e acções irreflectidas têm sido mais do que muitas. Como aconteceu com o Esgaio nos Açores, o Nuno Santos na Madeira ou o Porro ontem à noite, por exemplo. É que ir importunar um tipo com nome de pregador evangélico (Evanilson) justamente quando este se afastava do centro da oração não lembra ao diabo, mas o Porro fê-lo. E levou troco, claro. Com direito a apito e tudo. O desacreditar e falta de confiança na palavra de deus Amorim que se lhe seguiu é que não foi bonito. Na incerteza de atacar com uma linha de quatro ou de três atrás, a mensagem não passou e o dia acabou sem glória. Ora, é dos livros que não pode haver Amorinismo sem glorificação do deus que o inspirou. Têm a palavra os seus profetas.

 

P.S. Uma vergonha o sucessivo lançamento de tochas para o relvado por parte de uma claque do Sporting, lesando o clube financeiramente, em termos de imagem e mesmo desportivamente por assim ajudar a quebrar ainda mais o ritmo do jogo. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sarabia marcou 1 golo mas não fez mais nada de relevante. Matheus, melhor do Sporting na primeira parte, e Porro, igualmebnte bem nesse período, caíram muito no segundo tempo. Neto salvou um golo certo mas não ajudou à saída de bola. Assim sendo, ninguém se mostrou à altura da menção. 

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01
Mar22

A Guerra


Pedro Azevedo

O pior que se pode fazer perante a infame invasão russa da Ucrânia é subestimar Putin e tratá-lo como um louco. Quer dizer, como tantos líderes na história mundial, Putin apresenta alguns sinais de sociopatia. E é frio, produto certamente do treino na ex-KGB, serviço secreto de segurança que transitou para o centralizador FSB. Mas tem também o sentido táctico de perceber o momento de entrar em acção, a determinação de o levar adiante e a paciência de esperar por esse momento, esta última também uma característica marcante nos chineses e no mundo oriental em geral. O mundo ocidental mudou muito nas últimas décadas. O tecido empresarial ainda mais, substituindo-se empresas de cariz familiar por outras com accionistas diversos sedentos de lucros e CEOs à procura de grandes compensações via bónus, tudo cavalgado em liberalistas ideias de auto-regulação. Este sentido de urgência do mundo ocidental contrasta muito com a visão oriental de longo prazo. E, em nome dessa urgência, muitos erros foram cometidos. Isso criou um problema, que se tentou solucionar com o keynesianismo. Temo, porém, que 13 anos de taxas de juro a zero tenham sido demais. O que gerou inflação, quiçá hiperinflação considerando o cabaz de compras do comum cidadão. O monstro saiu fora do controlo do criador. Que não pode tolerar mais subidas acentuadas no preço da energia, petróleo e gás natural, sob pena de tal matar a produção e estagnar a economia, podendo até trazer uma nova grande depressão. Pelo contrário, os russos beneficiarão pelo menos no curto-prazo, da subida dos preços da energia. (Surpreendidos? Afinal o que teria sido do keynesianismo sem a Segunda Grande Guerra? Não é verdade que o New Deal de Roosevelt ameaçava fracassar e o desemprego não baixara tanto quanto o previsto?) 

Perante este cenário, os russos sabiam que os americanos não iriam além de declarações de circunstância e avisos à navegação. Procurando dissuadir, sim, mas não escondendo fragilidades próprias de uma economia onde a inflação atingiu 7,5% em Janeiro, inflação essa que também ameaça a Europa a partir do momento em que a ortodoxia do Bundesbank - os alemães nunca esqueceram a impressão de marcos pos-Primeira Guerra que conduziu à hiperinflação, queda da República de Weimar e posterior emergência do nacional-socialismo hitleriano - no controlo da massa monetária em circulação (M3) foi substituída pela monetização da dívida pública do BCE. Pior, as taxas de juro a zero criaram a ilusão de riqueza em muitas famílias e alimentaram os mercados de capitais e o imobiliário. Levando também à proliferação das cripto-moedas, altamente especulativas mas também hoje em dia um instrumento de lavagem de dinheiro para quem pretenda contornar as regras de prevenção reforçadas neste século. E é neste contexto débil que Putin ataca e o mundo ocidental pouco mais faz do que sancionar os oligarcas. Teme-se por isso o pior: nova conquista russa. Não é que a preocupação com a integração na NATO de diversos países vizinhos e o cerco a que paulatinamente, desde a desagregação soviética. vêm sendo sujeitos não seja um argumento a ter em conta, mais até do que a propagandista apresentação da Ucrânia como nazi, algo que é falaciosamente retirado da arca da história onde Stepan Bandera e os seus numa primeira fase se juntaram aos nazis para tentarem vencer a histórica opressão soviética, tendo posteriormente voltado-se contra os próprios nazis (além de que a Putin serviu bem avançar com isso antes de que alguém o identificasse com o próprio Hitler ou o Holodomor estalinista). Simplesmente, em pleno século XXI, numa Europa supostamente civilizada, há milhares de pessoas a morrerem devido a uma guerra e muitos refugiados. Pouco depois de uma temível e ainda não totalmente explicada epidemia. E isso é inaceitável, tal como o é a invasão do espaço soberano de um país, salvo pouquíssimas excepções. Ainda mais na Europa, na velha Europa. Inevitavelmente, uma nova ordem mundial chegará, restando também saber se o mundo ocidental retirará algumas lições sobre as fragilidades que o trouxeram aqui. O que me leva a crer que para além de um urgente cessar-fogo na frente ucraniana precisamos de repensar todo o modelo capitalista onde assenta o mundo ocidental. Ou isso, ou seguramente ficaremos à beira do abismo. (Observadores atentos, os chineses aguardam pacientemente, cientes do peso do seu investimento na dívida pública americana.)

PS: Dado a gravidade do que vivemos, abro aqui uma excepção naquilo que pretende ser a exclusividade de temas que nos ligam ao Sporting. 

01
Mar22

Sob o signo do 10


Pedro Azevedo

O mundo do futebol anda louco. Primeiro acabou o "10", o "playmaker", depois deixou de se pedir ao ponta de lança que marcasse golos para passar a exigir-se-lhe que ligue o jogo como um 10, agora há quem lamente a má sorte  de ter de jogar contra 10. Se o 10 é uma especie em vias de extinção mais rara que o lince da Serra da Malcata e o ponta de lança perdeu a ponta... e a lança, o xico-espertismo de Sérgio Conceição ameaça ser a nova coqueluche do futebol mundial, o paradigma da modernidade e da sofisticação. Assim, sob o comando do Sérgio, "blue and white is the new black". A première será já amanhã, em Alvalade, onde se espera que o Porto entre com 10. Ou com 13, descontando já o aVARiado e o quarto auxiliar da passadeira azul e branca que se vai estendendo desde o início da época. Querem apostar? 

27
Fev22

Tudo ao molho e fé em Deus

Derrapagens


Pedro Azevedo

Caro Leitor, o Sporting começou a derrapar nos Açores. Uma derrapagem numa ilha pequena tem a vantagem de não poder ser muito longa e a desvantagem de a máquina poder facilmente acabar a meter água. Quis o destino que esta última hipótese prevalecesse, pelo menos por aquilo que se pode observar pela leitura da generalidade dos blogues leoninos, sempre transfigurados nestas ocasiões em sofás de psicanálise. E o que nos dizem esses consultórios que medem o pulso à sanidade mental dos pacientes Sportinguistas? Que o Pote este ano não marca os golos suficientes para disfarçar o deserto concretizador do goleador que custou o triplo do dinheiro. E que o Matheus Nunes se deixou endeusar pelas palavras do Pep Guardiola e só quer a bola para ele. Ora, como da nova derrapagem numa ilha desta feita o Pote escapou ileso, as atenções centraram-se no Menino do Rio. O que é curioso porque uma simples leitura das estatísticas da Liga mostra à evidência que o Matheus é o jogador dos 3 grandes que mais faltas sofre durante um jogo. E por larga margem. Faltas essas que lhe limitam a explosão, por serem cometidas precisamente no momento em que sai da zona de pressão (e não quando segura a bola à procura de uma linha de passe) e se prepara para embalar e assim potenciar a sua melhor característica (progressão com bola). Por muito menos o Benfica em tempos lançou a campanha "Deixam jogar o Mantorras", mas nós, que somos finos e gostamos de nos virar contra os nossos (os bons), beneficiamos o infractor, o fautor da falta útil, o culpado que quase sempre escapa à condenação. No fundo isso nem é Sportinguista, é português, está bem presente na cultura lusa de secreta admiração pelo truquezinho e pelos bons malandros, a vingança do povo contra os poderosos e privilegiados à nascença. Só que devem haver limites. É que não só o Matheus não é um saco de boxe como também não é ele que escolhe jogar a partir da esquerda (recebe a bola de frente para o jogo, mas perde aquele momento em que tira adversários do caminho quando recebe de costas na zona central e se vira com maestria). Ainda assim é sempre o primeiro a dar uma linha de passe ao portador de bola, a ligar o jogo. E, sinceramente, até gostaria que fosse mais egoísta, que assumisse mais o jogo, rematasse mais, fizesse prevalecer o seu nóvel estatuto. É que se o Matheus peca por algo não é pelo vedetismo mas sim por ainda alguma timidez que se nota em determinados momentos de um jogo. Assim sendo, podemos enfiar a cabeça na areia como a avestruz ou enfrentar a realidade. E a realidade diz-nos que só arranhámos o Marítimo a partir do momento em que o Edwards entrou. Ora, o inglês esteve cerca de 76 minutos fora das operações. Dividido entre o banco e o aquecimento. O aquecimento global dos Sportinguistas, entenda-se, desesperados que estivemos por uma solução que despertasse da letargia que se viu em campo, unicamente interrompida quando Porro imitou o Theriaga numa carambola às 3 tabelas que envolveu trave, poste e linha de golo. Porque até aí cumprimos brilhantemente com o manual do futebol sem balizas. O Paulinho baixou como sempre (a sua cotação, que não o preço) no terreno e interagiu muito bem com o resto da equipa. E o Nuno Santos fez centros rasos e certeiros para os pés dos jogadores insulares. Neste estado de coisas só o Coates nos poderia ter salvo. Mas a estrelinha parece ter abandonado o uruguaio e uns centímetros a mais para cima e para a direita não deixaram que fosse o habitual salvador. Enfim, do mal o menos, o Slimani fez um golo. Parecendo que não, antigamente tal era visto como positivo, lendo-se o antigamente como uma época da nossa história em que a um ponta de lança eram pedidos golos, como por exemplo em 1952, a última vez que fomos bicampeões. Rezam os livros que gostámos tanto que estendemos o momento até ao tetracampeonato. [Ora bem, esta teve profundidade(!), exactamente o que falta ao nosso futebol. Pensem nisso! (Ou não, que hoje até é dia de descanso...)]

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Reis

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21
Fev22

Tudo ao molho e fé em Deus

A 18ª regra


Pedro Azevedo

Segundo o International Board, um jogo de futebol tem só dezassete regras. Soa a pouco. Assim sobra muito espaço para as recomendações. Como a da Lei da Vantagem, que o Malheiro tanto desprezou em Alvalade. Não sendo tal ainda suficiente, há então margem para a criatividade. Pululam assim coisas que não são regras mas se praticam em estádios por todo o país. Como a Lei do Mais Forte, que o Luís Godinho mostrou venerar em Moreira de Cónegos ao preferir ver o que não foi nítido e assim poder deixar de vêr o penálti e expulsão (segundo amarelo) a Uribe que se impunham, expulsão essa que mesmo assumindo o penálti já iria aliás perdoar. Essa lei não consta em nenhum manual oficial. Mas acaba por implicitamente se constituir como a 18ª regra do manual de regras do futebol português, o "Pinto da Costa (A)Board" sobre um jogo de futebol. "All aboard? The night train"... (E tudo começou na noite daquele acidental choque do Godinho contra o combóio em movimento que se chamava Danilo.)

 

Na antecâmara do jogo, o Rúben Amorim abraçou efusivamente o Bruno Pinheiro do Estoril. Por momentos, temi que o venerasse tanto quanto ao Guardiola. Mas não, e o Sporting embalou para uma exibição competente e personalizada. Com boas movimentações e trocas de bolas, o Sporting foi-se envolvendo na área onde o Estoril tinha o autocarro estacionado. E o golo finalmente surgiu, com o Pote a aproveitar o facto de o referido autocarro estar mal travado. E depois houve ainda o alegórico Momento Zidane, de passagem de testemunho no casino que também é o futebol, em que o ex-estorilista Matheus Nunes deu à roleta à frente de um croupier Geraldes que muito prometeu dar cartas no passado mas agora precisa que o levantem do chão como no título do livro do Saramago. 

 

O segundo tempo trouxe-nos a expulsão de Raúl Silva e a confirmação de Slimani. Bem sei que esta coisa de um jogador primeiro tocar na bola e depois isso servir de álibi para poder pôr o seu próximo a fazer tijolo no Cemitério dos Prazeres deve ser um caso muito interessante do ponto de vista de um advogado de defesa, mas o bom senso diz-me que, tal como no caso do Bragança, o jogador foi bem expulso. Quanto ao Slimani, para quem dizia que o homem estava velho, corcunda e já nem corria, aquele sprint de costa a costa, com a bola colada ao pé, deve ter emudecido muito boa gente. Além disso, combinou bem com o resto da equipa, participando na elaboração dos segundo e terceiro golos. Só lhe faltou o golo, mas isso ficará certamente para uma próxima oportunidade. Com um homem a mais, o Sporting dominou ainda mais o jogo. E marcou belos golos, o segundo depois de um toque de magia de Paulinho que isolou Matheus Reis, o terceiro num momento de inspiração de Pablo Sarabia.  

 

Temo que este campeonato se vá definir nos detalhes. O detalhe do penálti marcado a Matheus Reis contra o Braga, o detalhe do penálti e expulsão (a Uribe) perdoados ontem em Moreira (e ainda houve uma mão suspeita de Mbemba), já para não falar no detalhe do golo anulado ao Estoril contra o Porto que nem visionamento do detalhista VAR teve (por ter sido imediatamente anulado pelo árbitro). São já muitos detalhes (pouco ou nada nítidos, daqueles que não caberia ao VAR julgar) a depender dos mesmos, pelo que se calhar os mesmos poder-se-iam entregar a actividades que requeressem esse tipo de rigor, como ourivesaria ou mesmo rendas de bilros. Uma coisa é certa, o futebol ficaria mais rico. (E sempre seriam boas alternativas à consultoria informática, que a vida não é só ciberinsegurança ou empresas alegadamente "cibermulas" do dinheiro.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Reis

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16
Fev22

Tudo ao molho e fé em Deus

Pep Rápido e o caloiro


Pedro Azevedo

Por Toutatis, mais do que o céu lhe cair um dia em cima da cabeça, o que o nosso chefe Amorinix mais teme é a alteração das rotinas. Nesse sentido, um jogo da Champions no nosso estádio vem sempre a calhar, na medida em que não há competição que ofereça tanto a possibilidade de manter tudo igual, desde o intemporal hino do Handel que precede a abertura das hostilidades até à "manita" que com uma infalibilidade igual à da DHL sistematicamente nos entregam em casa no fim do jogo. Ainda assim, subsiste o sucesso de já termos umas rotinas. Sistematizadas. Agora só precisamos de saber quando as utilizar... (Nem os irredutíveis gauleses alguma vez venceriam os romanos sem uma poção mágica.)

 

O problema emerge quando os adversários na Champions partilham do mesmo gosto de Amorinix pelas rotinas. E então é vê-los a asfixiar os nossos jogadores, não lhes dando o tempo e o espaço que sobejam no campeonato português. O que nos traz a lição de que as nossas rotinas dependem sempre das rotinas dos outros. Porque não jogamos sozinhos, por muito que no principal torneio tuga haja jogos em que parece que defrontamos uns bidões. Nada tenho contra bidões, diga-se, até porque eles geralmente comportam-se na justa medida, só que tendem a ser pouco comunicativos, empáticos e não se mexem sem ser por influência de uma mão (livra, outra vez!) externa. Ora, da influência de mãos (apre!) externas estão os Sportinguistas precavidos há muitos anos, bastando consultar a literatura e áudio que pululam por aí, pelo que se torna ainda mais importante o cabal desempenho dentro do campo. Nesse sentido eu entendo o Amorinix: se é para viver uma vida inteira de joelhos, então mais vale "morrer" logo de pé, procurando agilizar os processos contra os melhores do mundo. Perdendo, sim, mas tentando jogar como gente grande, sem complexos nem cadeados ou fechaduras das Chaves do Areeiro. Crescendo a cada jogo. A questão é que quando durante 90 minutos não se faz um remate enquadrado à baliza fica-se com a sensação que a única coisa que cresceu foi o campo, demasiado comprido para o poder dos nossos. E isso significa perder sem glória, o que não pode ser considerado uma boa rotina. 

 

No fim do jogo o Guardiola, que há quem diga que percebe alguma coisa de bola, transmitiu aos repórteres presentes que o Matheus Nunes era um dos melhores jogadores do mundo da actualidade. Pois eu ainda sou do tempo em que o Keizer, o Tiago e o Leonel o ignoravam e o Silas nos dizia que o Menino do Rio estava a bater à porta da equipa principal. Ao que consta a coisa durou ainda alguns meses (15, ao todo) e a porta nunca se abriu. Até que chegou o chefe Amorinix e escancarou-lhe as portas. Tal como a outros jovens. Ora, isso para mim é que foi uma bela rotina inaugurada aí. E nunca me esqueço disso nos dias cinzentos. Disso e do resto, dos troféus conquistados. Por isso, errando ou não, a rotina que eu mais quero ver implementada é a do Rúben Amorim se deslocar diariamente a Alcochete. Para o treino, o jogo a jogo. Ano após ano. Forever! (Ou até ele querer mudar as suas rotinas... rodoviárias.)

 

P.S. Aqueles observadores credenciados das Forças de Paz da ONU, que trocaram o capacete pelo colete azul, já apresentaram às autoridades um relatório pormenorizado sobre as ocorrências de sexta-feira no Dragão? É para hoje ou vai colado a cuspo?

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes

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Oh para ele a passar pelo De Bruyne...

16
Fev22

Reflexão sobre o jogo de ontem


Pedro Azevedo

O Sporting tem inegavelmente bons executantes técnicos. Nesse sentido, jogadores como Porro, Gonçalo Inácio, Matheus Reis, Matheus Nunes, Pote, Paulinho e Sarabia não envergonham ninguém. O problema é quando essa qualidade técnica é testada numa outra dimensão galáctica onde o tempo e o espaço são bem menores. Aí, francamente, só Porro e Matheus Nunes conseguem conjugar a capacidade técnica com a protecção de bola e a velocidade de execução que é requerida. Isso ficou bem patente na recepção desta noite ao Manchester City, uma equipa de pirilampos que se acendem e se apagam (mas continuam lá, ainda que perigosamente não os vejam) de tal forma que convidam o adversário a uma espécie de caça aos gambuzinos. Adicionalmente, contra uma equipa como a treinada por Pep Guardiola, que se reagrupa e te cerca rapidamente, talvez faça pouco sentido apostar as fichas num ponta de lança que baixa demasiadamente no terreno para organizar jogo. Mais importante seria procurar explorar o espaço existente nas costas de uma defesa sempre muito subida, solução que aconselharia a lançar Islam Slimani. Tal incomodaria mais o City, que teria que se esticar mais como um harmónio e deixaria um espaço entre-linhas que de outro modo raramente se viu num jogo em que os do norte de Inglaterra pareceram sempre demasiado confortáveis no relvado. Também Bragança poderia ter ido a jogo como falso interior esquerdo, dando uma mãozinha a Palhinha e Matheus Nunes na contenção necessária a meio-campo e ajudando a controlar mais a posse de bola, adaptando este Sporting a uma realidade europeia onde as equipas têm o miolo central mais composto. A solução de Esgaio como ala esquerdo foi muito limitativa do ponto de vista ofensivo e provavelmente destinar-se-ia à utilização de um pé direito que desse um melhor acompanhamento aos movimentos interiores de um Cancelo que jogou... no flanco oposto. Por outro lado, à semelhança do já anteriormente visto contra o Ajax, a nossa pressão alta revelou-se ineficaz e expôs demasiadamente os dois jogadores centrais do meio-campo, deixando imenso espaço entre-linhas para o City explorar e os nossos médios preencher. E depois houve a questão dos erros individuais: no golo inaugural, Matheus Reis primeiro, Gonçalo Inácio depois põem em jogo o jogador do City com bola; no segundo golo, Matheus Reis desequilibra-se e dá espaço a Bernardo Silva; no terceiro, três jogadores na linha da bola (Esgaio, Matheus Reis e Coates) deixam-na passar num número semi-cómico que envolveu uma "cueca", uma escorregadela (será que um defesa como Matheus Reis joga com pitons de borracha?) e um ressalto infeliz; no quarto, Sterling foge no limite do fora de jogo, mas recebe um passe de Cancelo executado sem qualquer pressão de jogadores leoninos sobre a bola (erro colectivo); mesmo o excelente quinto golo nasce de um mau passe inicial de Adán. Assim, foi fácil para o City contruir uma goleada. Demasiado fácil. 

 

Rúben falou, e bem, da sua fé na evolução futura da equipa, mas a margem de progressão está limitada por um nível de competitividade do futebol português muito baixo. A intensidade dos jogos é pequena e o ritmo de jogo está constantemente a ser prejudicado por diversas paragens onde jogadores de diversas equipas (Sporting incluído) aproveitam para recriar a intensidade dramática das peças de Shakespeare, tudo isto concorrendo para que a nossa Liga seja apenas a 25ª europeia em tempo útil de jogo. Assim não temos hipóteses na Europa. O formato das nossas competições internas deveria ser urgentemente revisto e adaptado à nossa realidade e necessidades. Volto por isso a insistir num campeonato a 12, com play-off (6 primeiros) e play-out (6 últimos), jogado em "poule", que teria 32 jogos (apenas menos 2 que no formato actual) certamente bem mais interessantes e geradores de receitas. Mas nisso Amorim não tem qualquer culpa. Milagres já ele fez, como a conquista do campeonato na época transacta e os outros 3 troféus ganhos bem o demonstram. O que não quer dizer que esteja isento de erros, apenas indica, isso sim, que muito provavelmente cometerá menos erros que os seus colegas de ofício em Portugal. Nada porém que nos deva incomodar em demasia, desde logo porque sem erro não há crescimento, e Rúben, como homem inteligente que é, saberá evoluir para um outro patamar. Assim o Sporting continue a ter este tipo de experiências europeias, de preferência esbatendo cada vez mais a desproporção de forças dentro do terreno de jogo. (Já agora, sendo a competitividade do nosso campeonato baixa, talvez não fosse má ideia impôr que os nossos jogadores não relaxassem após uma vantagem de por exemplo dois golos e fossem à procura de mais, mentalidade bem patente em equipas como o Manchester City, Bayern, Liverpool ou Ajax, esta última pertencente a um campeonato que não se pode dizer que tenha jogos intensos ou tacticamente muito elaborados, mas onde a procura do golo por parte de qualquer equipa é incessante.)

13
Fev22

Tudo ao molho e fé em Deus

No Reino dos Visigodos


Pedro Azevedo

Os grandes jogos de futebol lusos são também importantes lições de história, um pretexto para melhor se ficar a conhecer a evolução das comunidades humanas no território que hoje se denomina Portugal. Assim, enquanto a influência romana em Portugal pode ser observada pelo latim que se gasta após os jogos, o legado das invasões bárbaras é continuamente renovado a cada clássico no Dragão. Nesse particular, o líder visigodo, Pinto da Costa (e o engenheiro "visigordo" que é seu lugar-tenente), mostra o quão teme os "mouros", especialmente os que vêm de Lisboa, recorrendo por isso frequentemente a ancestrais tácticas de guerrilha que tanto podem envolver a utilização de reagentes anti-sépticos como de agentes da (des)ordem. Tudo em vão, porque, se a história nos ensina algo, ainda vai acabar a andar à nora... (Já a influência castelhana neste território ficou registada com os olés com que cada Sportinguista em casa mentalmente acompanhou a genial jogada do nosso segundo golo.)

 

Continuando a percorrer a história de Portugal, estes jogos trazem sempre à liça as memórias intemporais dos bárbaros Fernando Couto, Paulinho Santos, Jorge Costa ou Secretário, todos eles anos a fio a gozarem (com a alegada excepção do Secretário) connosco. Era um tempo em que os homens voavam sob a influência dos pitons dos visigodos portistas. Voavam, e por voar acabavam expulsos como o beato Ouattara ou o santo Juskowiak, ambos mártires da Areosa. Mas estava tudo bem, com mais ou menos quinhentinhos, fruta ou chocolate, que de apitos ainda não se conhecia o dourado. A coisa julgava-se já ultrapassada, mas eis senão quando regressou em força na última sexta-feira. Porém, se é verdade que a história frequentemente se repete, não deixa também de ser verídico que sempre adquire cambiantes diferentes. Assim, tanto foi possível observarem-se reminiscências de um outro tempo, do tipo do Matheus Nunes voar após cada nova entrada insuficientemente admoestada pelas costas, como nuances modernaças em que quem voa é o prevaricador - no caso um (A)ladino iraniano que para o efeito deve ter um daqueles tapetes persas das mil e uma noites - e "quem se lixa é o mexilhão" (o importado e importante Coates). Tudo sob o olhar inegavelmente assustado de um Pinheiro, mansinho para os portistas e bravo para os Sportinguistas, provavelmente desejoso de sair dali sem que lhe dessem na pinha. (Ainda assim, a vantagem de ser Pinheiro é que se cria raizes, outros como o Pratas até corriam na hora em que os visigodos levantavam o sobrolho na sua direcção.)

 

No final roubaram-nos: subjectivamente, dois pontos; objectivamente, uma carteira e um telemóvel. Não sei como há quem defenda isto (para além obviamente do Baía, que tem de fazer pela vida e afinal até era guarda-redes), mas há tradições que são difíceis de erradicar. Todavia, que me desculpe o PAN: tourada por tourada, eu prefiro a de Barrancos, que é nossa e não produto da cultura latino-americana. (E quem lidera toma o touro pelos cornos.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes

 

P.S. Ah, e os dois golos que ainda assim conseguimos marcar no Dragão foram tirados a papel químico: variação súbita do centro de jogo (da direita para a esquerda e o seu contrário), bola para o meio e golo. À semelhança de tentos obtidos de igual forma na época passada. Isto também é laboratório.

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10
Fev22

He-Man ou Sli-Man(i)?


Pedro Azevedo

O jornal A Bola diz que Fábio Vieira tem "hímen nos seus pés", algo que assumido literalmente constituirá um inesquecível fenómeno de género que certamente irá ser aprofundado tendo em vista uma melhor ilustração das nóveis aulas de Cidadania. Mas poderá ser também uma notável figura de estilo, que nos revela o quão a bola deve ser tratada com carinho, afagada mesmo, desde o impacto da sua recepção até ao momento em que sai (na ponta) do... pé. Neste sentido, outras metáforas homófonas poderiam ter sido esboçadas à volta do pé do Fábio, por exemplo envolvendo o íman (ou ímã) ou mesmo o He-Man. Esta última seria certamente a mais prazerosa para os portistas, que decerto não enjeitariam ver o alter-ego do Príncipe Adam (Adán, em espanhol) subjugado nos pés ou, mais propriamente, aos pés de Fábio Vieira. Mas, atenção(!), de Alvalade para além do He-Man vem também o guerreiro Sli-Man(i). É que seis golos em oito jogos com os portistas devem ser um suficiente cartão de visita para augurar ir dar água pela barba (o do hímen fica automaticamente livre disso) aos comandados de Sérgio Conceição. Ou não?

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07
Fev22

Tudo ao molho e fé em Deus

A metafísica do penálti


Pedro Azevedo

A história dizia-nos não ser fácil para o Sporting jogar contra o Famalição. Disse bem, F-a-m-a-l-i-ç-ã-o, ou Fama Lição, que para os jogadores minhotos cada jogo com um grande é uma montra para a fama, para o mercado (uma equipa de um mercador é naturalmente um amontoado de jogadores com os olhos postos no mercado), momento ideal escolhido para vestirem o melhor fato de gala e exibirem dentro do campo tudo o que aprenderam e não mostraram sempre que o palco foi menor ou despertou menos curiosidade mediática. Sabendo-se de antemão que nunca havíamos vencido o Famalicão para o campeonato (em cinco jogos) desde que este regressou das profundezas das divisões inferiores, os Sportinguistas já estavam precavidos para as lições futebolísticas que mais uma vez poderiam advir desta partida. Ninguém porém poderia esperar que desta vez a lição se fosse centrar sobre a metafísica do penálti e englobasse como protagonistas os numerosos comentadeiros de serviço das diversas televisões, todos eles procurando descrever os fundamentos, as leis, as recomendações, as causas ou princípios e o sentido e finalidade de realidade inerentes à marcação de uma grande penalidade. Surpreendentemente, a coisa acabou por ser um jogo dentro do próprio jogo, estendendo-se até para além do jogo, isto é, o jogo já há muito havia terminado quando a metafísica (ou meta fisica, para alguns) do penálti tomou conta do cenário central de abordagem ao próprio jogo. Deve dizer-se que a discussão teve a sua graça e permitiu-me dar algumas bem audíveis gargalhadas. Uma delas soltei quando um senhor da SportTV garantiu que o Porro havia caído em cima da perna de um jogador famalicense, razão substantiva, na sua opinião, para a marcação de um castigo máximo. Ora, eu não vi nada disso. O que eu vi foi o Porro imitar o Cavaleiro Negro do "Em Busca do Cálice Sagrado" (Monty Python), e já sem braços e pernas tentar, primeiro com a cabeça, depois só com as orelhinhas, incomodar o jogador minhoto como se do Artur de Camelot este se tratasse. E não preciso da metafísica, bastam-me os conhecimentos básicos sobre a física e em particular sobre a dinâmica do movimento, para entender que se alguém me cair sobre uma perna eu fico logo ali, com operação garantida à tíbia e perónio e fisioterapia durante meses, não dou nem mais um passo com o pé firme no chão (se a meia do jogador famalicense fosse branca ainda se poderia alegar no sentido da penalidade o "pé de gesso", mas sendo azul...). Outro momento hilariante foi o do penálti do Paulinho. Quer dizer, um jogador famalicense atrasa mal a bola e ao ver que Paulinho se vai aproveitar desse deslize procura emendar o erro através de um carrinho. A sua perna esquerda é consequente nesse acto e chega primeiro à bola enquanto o Paulinho esboça um movimento teatral ao ir de encontro às pernas do adversário. Até aí nada indiciara a existência de uma falta. Só que a perna direita do defensor desliza na relva e acaba por acertar no calcanhar do avançado do Sporting. Penálti nítido, sem sombra de dúvida, independentemente do La Féria ter no Paulinho um elemento em conta para incluir a trupe do Politeama. Penálti cá, penálti lá, a inquisição espanhola voltou a fazer toda a diferença: Sarabia castigou lá, Adán defendeu o castigo cá. E o Sporting foi para o intervalo na frente do marcador.

 

No segundo tempo os minhotos continuaram a mostrar um bom futebol, nomeadamente através de variações constantes do centro de jogo que muito atrapalharam as marcações do meio-campo leonino. Isso, somado à boa técnica de vários dos seus jogadores, foi criando inúmeros problemas aos leões, que muito devem agradecer o resultado à má definição do último passe/remate por parte dos famalicenses e ao monumental golo (o seu primeiro de verde-e-branco) de Matheus Reis que acalmou um pouco as nossas hostes. Enquanto isso, o Sporting procurava ter bola, única forma de esconder uma menor intensidade resultante do facto de 5 dos 11 jogadores em campo estarem à bica de falhar o jogo com o Porto. A fava acabaria por tocar a Porro, confirmado como o Cavaleiro Negro da noite de Alvalade, que assim estará ausente do Jogo do Título. Uma baixa muito importante para nós num jogo que vai pedir muita garra, disponibilidade física e vontade de vencer a cada um dos nossos jogadores. Bom, mas isso é só para a semana que vem. Para já "matámos" o borrego, seguir-se-á o Dragão. Jogo a jogo. E com Slimani como nóvel cavaleiro candidato a São Jorge (e Edwards como opção a ter em conta). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Antonio Adán

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(Imagem: A Bola)

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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Comentários recentes

  • Anónimo

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